Pesquisar este blog

Seguidores

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

HYDESVILLE E O ESPIRITISMO


O EPISÓDIO DE HYDESVILLE E O ESPIRITISMO

HYDESVILLE, vilarejo situado próximo da cidade de Rochester, rio condado de Wayne, no Estado de Nova lorque, nos Estados Unidos, passou à História como o berço do Novo Espiritualismo, ou seja, o Espiritismo dos povos de língua inglesa.

Numa tosca cabana residia uma família protestante composta de:
* John Fox,
* sua mulher Margareth
* e as filhas menores Margareth e Catherine (Kate Fox)
Cabana na qual moraram, antes deles, os esposos Bell e sua criada Lucrécia Pelves.

Nessa modesta residência se verificaram fatos estranhos, que alarmaram seus moradores e toda a vizinhança: ruídos, pancadas, batidas, punham todos em desassossego. Ninguém descobria sua origem.

As filhas do casal Fox, Margareth e Kate e ainda a mais velha, Lia, casada, eram médiuns. Kate, de 11 anos, no dia 31 de março de 1848, quando as pancadas (em inglês chamadas “raps”) se tornaram mais persistentes e fortes, resolveu desafiar o mistério, travando-se um diálogo com o que todos julgavam fosse o diabo:

— “Senhor Pé-rachado, faça o que eu faço, batendo palmas”.

Imediatamente se ouviram pancadas, em número igual ao das palmas. A sra. Margareth, animada, disse, por sua vez:

— “Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro.”

Logo se fizeram ouvir as pancadas correspondentes.

— “É um espírito?”, perguntou, em seguida. “Se for, dê duas batidas.”

A resposta, afirmativa, não se fez esperar.

— “Se for um espírito assassinado, dá duas batidas. Foi assassinado nesta casa?”

Duas pancadas estrepitosas se fizeram ouvir.

Estabelecera-se assim, naquele memorável 31 de março de 1848, a telegrafia_espiritual e hoje, em Lily Dale, no Estado de Nova lorque, a tosca cabana é admirada como relíquia histórica e uma placa assinala a data considerada a do nascimento do Novo Espiritualismo.

Um vizinho dos Fox, de nome Duesler, usando o alfabeto para obter respostas mais rápidas, conseguiu saber:

* o nome do assassino (o sr. Bell),
* o móvel do crime (roubo do dinheiro e coisas do assassinado, um mascate, Charles B. Rosma ou Joseph Ryan),
* o local (o quarto leste da casa),
* a data (havia 5 anos, à meia noite de uma terça-feira)
* e o modo como se dera o crime (a golpes de faca de açougueiro, na garganta, sendo o corpo levado para a adega).

Graças ao depoimento de Lucrécia Pelves, criada dos Bell, Davi Fox e outros desceram à adega, onde cavaram, encontrando tábuas, alcatrão, cal e cabelos humanos, bem como utensílios do mascate. Seu corpo, todavia, só apareceu em 1904 (56 anos depois), quando uma parede da casa ruiu, assustando crianças que brincavam perto e deixando a descoberto o esqueleto do morto, inclusive uma lata, de seu uso, hoje ainda guardada em Hydesville.

Assim, os fatos vieram confirmar a estranha denúncia de um morto, que saía das trevas para relatar a ação criminosa de que fora vítima, há anos.

Entretanto, é preciso considerar o episódio em suas verdadeiras finalidades, porque inúmeros crimes semelhantes se dão e nem por isso as vítimas os denunciam, de modo semelhante. Nem a finalidade da comunicação era a punição do culpado (que disso se encarregam, sempre, as leis divinas), porque à pergunta sobre se o assassino podia ser punido pela lei, se podia ser levado ao Tribunal, nenhuma resposta foi dada.

É para unir a humanidade e convencer as mentes céticas da imortalidade_da_alma”, disseram os Espíritos; era de fato o início de um movimento de caráter quase universal, tendente a despertar a Humanidade para a vida espiritual, que seria revelada, pouco depois, pela Codificação da Doutrina_Espírita, tarefa gigantesca a ser realizada pelo grande missionário AIlan_Kardec.

“Era como uma núvem psíquica, descendo do alto e se mostrando nas pessoas sucetíveis”, escreve A. Conan Doyle, em sua “História do Espiritismo”, porquanto os fatos insólitos (1), os “raps”, produzidos pelos espíritos batedores, se multiplicavam, despertando consciências através de mensagens apropriadas.

Grande número de adeptos das novas crenças fizeram realizar em Rochester, na Sala Coríntia (Corinthian HaIl) a primeira reunião pública, para exame e debate dos fatos, nomeando-se comissões para investigar sua veracidade. Nada menos de três tiveram de os confirmar.

Figuras notáveis dos Estados Unidos reconheceram a veracidade dos fenômenos, que honestamente não podiam negar: o Governador Tallmadge e o Juiz Edmons, cuja filha Laura se tornou depois médium notável de xenoglossia (mediunidade poliglota).

Entretanto, a reação das trevas foi grande, graças, sobretudo, ao meio intolerante em que se davam os fenômenos, numa sociedade de protestantes e numa época de obscuridade. As irmãs Fox, certa vez, quase foram linchadas no teatro, que tiveram de deixar às escondidas.

Muito sofreram os médiuns, por meio dos quais, como sabemos, realizam-se os fenômenos e as irmãs Fox não constituiriam exceção.

Contudo, diz o Prof. José Jorge, no opúsculo “Dos RAPS de Hydesville até Allan Kardec”: “Cumpre consignar aqui a envergadura moral do casal Fox que, contrariados e perseguidos pela Igreja Metodista a que pertenciam, preferiram de lá ser expulsos, a negar os fenômenos espíritas, ou a abdicar da verdade de que foram testemunhas”.

Como queriam os Espíritos, o acontecimento repercutiria na Europa, despertando as consciências e, ao lado dos fenômenos das “Mesas Girantes”, prepararia o advento do ESPIRITISMO.

Esses fenômenos se transformaram em moda e passa-tempo. Em conseqüência, foram freqüentemente acolhidos com grande incredulidade, mas atraíram também a atenção dos homens de ciência, que se puseram a observar e estudar seriamente a fenomenologia mediúnica, descartando rapidamente a hipótese de fraudes.

Entre eles figura Hippolyte Rivail, que mais tarde adotaria o pseudônimo de Allan Kardec.

Foi em 1854 que ele ouviu falar das mesas girantes e das manifestações inteligentes. Cético de início adotou, entretanto, uma atitude correta ao aceitar assistir às experiências, empreendendo depois seus sérios estudos do Espiritismo. Sem nunca elaborar uma teoria preconcebida ou prematura, aplicou o método experimental pela observação rigorosa e meticulosa dos fenômenos.

Analisando não somente o aspecto externo dos fenômenos, mas também o teor muito coerente das melhores comunicações recebidas, ele aplicou o princípio da causalidade: os efeitos inteligentes devem ter uma causa inteligente. Esta causa inteligente definiu a si mesma como sendo um espírito, ou princípio_inteligente dos seres humanos, sobrevivendo à morte que não é senão a destruição do corpo físico.

Allan Kardec rapidamente descartou a infalibilidade dos espíritos, que não sabem mais do que quando estavam encarnados entre os humanos. Não é por estarem mortos que devem tudo saber. Todavia, constatou que alguns dentre eles possuíam um nível intelectual e moral bem acima da média terrestre, que "se exprimiam sem alegorias, e davam às coisas um sentido claro e preciso que não pudesse estar sujeito à uma falsa interpretação."[9 questão 1010] Além disso, seus ensinamentos lógicos clareavam, confirmavam e sancionavam por provas o texto das escrituras sagradas e noções filosóficas por vezes muito antigas. Os fenômenos sendo naturais e universais, remontam à noite dos tempos.

Por um trabalho de observação e análise metódica, multiplicando as fontes (50.000 mensagens) e os médiuns, comparando as mensagens e passando-as sob o crivo da razão e do bom senso, Allan Kardec organizou e tirou os ensinamentos dos espíritos, e os publicou em 18 de Abril de 1857 no "O Livro dos Espíritos".

A Doutrina Espírita não é uma concepção pessoal de Allan Kardec. Ele não é nem "fundador' nem "papa" do Espiritismo, mas "Codificador da Doutrina Espírita". Seguindo o mesmo princípio, entre 1857 e 1869, ano de sua desencarnação, Allan Kardec completou "O Livro dos Espíritos" por outras obras, que são: As obras básicas.

Outros homens de ciência igualmente estudaram esta fenomenologia, desafiando, por vezes, a conspiração do silêncio e mesmo o descrédito das ciências "oficiais" e suas academias.

A Sociedade Dialética de Londres nomeou uma comissão em 1869 para fazer a verificação dos fenômenos espíritas. Dezoito meses mais tarde, esta comissão reconheceu sua autenticidade.

Depois, em 1882, a Sociedade de Pesquisas Psíquicas (S.P.R.) de Cambridge estudou numerosos fenômenos, entre os quais várias centenas de casos de aparições, publicando regularmente o relatório de suas atividades (proceedings). Frederic Myers, psicólogo, aí participa no estudo do fenômeno da telepatia, qualificada de "fato incontestável".

Por causa da intolerância das academias oficiais, o Doutor Paul Gibier, membro da S.P.R., teve de abandonar sua pátria, e se tornou diretor do Instituto Pasteur em New York.

A História das Ciências nos dá numerosos exemplos de descobertas que necessitaram de um longo período de lutas para vencer a resistência e mesmo a oposição da maioria ancorada às idéias em vigor.

No século XX, o Espiritismo conheceu um desenvolvimento importante no Brasil onde hoje mais de uma dezena de milhões de Espíritas freqüentam mais de 5500 associações. Os Espíritas pertencem a todas as classes sociais, dos mais modestos aos mais intelectuais. Há associações espíritas nas favelas, no meio dos operários, nas universidades, entre os médicos, psicólogos, psiquiatras, profissionais da comunicação, filósofos, militares, etc. Numerosas obras complementares cobrindo todos os aspectos da pesquisa e das aplicações da doutrina espírita têm sido publicadas.

Certamente o Espiritismo conheceu um desenvolvimento mais lento nos países industrializados, onde as tradições religiosas, a indiferença dos homens e seu apego às coisas materiais são mais fortes.

Os Espíritos o haviam pressentido afirmando que « Seria conhecer bem pouco os homens, pensar que uma causa qualquer pudesse transformá-los como por encanto. As idéias modificam-se pouco a pouco, conforme os indivíduos, e são necessárias gerações para apagar completamente traços de velhos hábitos. A transformação pode operar-se então apenas a longo prazo, gradualmente e passo a passo; em cada geração, uma parte do véu se dissipa; o Espiritismo o vem romper completamente; mas no entanto, se tivesse por efeito corrigir um só defeito que fosse em um homem, isso já seria um passo que teria dado, e por isso mesmo um grande bem, porque esse primeiro passo tornaria os outros mais fáceis. »

Na Europa e nos Estados Unidos, o longo período de desenvolvimento industrial desemboca atualmente em uma espécie de desencantamento e em um período de crise e se denota uma recuperação do interesse para as questões espirituais. Nos meios científicos, a Nova Gnose (Princeton), nascida nos anos 70, se vê religiosa no seu espírito, de resto estritamente científico.

No meio médico, o magnetismo animal retorna com força, como também as experiências de morte iminente, a acupuntura, a hipnose, etc.

Todavia, é imperativo distinguir os trabalhos sérios daqueles trabalhos com fins comerciais, sensacionalistas, sectários, esotéricos ou provenientes de autores sem conhecimento de causa ou navegando em meio a sofismas.
 TAGS:"keywords" content=" HYDESVILLE E O ESPIRITISMO,HYDESVILLE E O ESPIRITISMO, HYDESVILLE E O ESPIRITISMO, HYDESVILLE E O ESPIRITISMO, HYDESVILLE E O ESPIRITISMO, HYDESVILLE E O ESPIRITISMO

Reações:

0 comentários:

O LADO OBSCURO DO ESPIRITISMO # SEGUIDORES DE CHICO XAVIER