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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O Caçador de charlatões responde

Faça sua pergunta que vamos responder no próximo vídeo.


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Espíritas uma massa aliena e omissa






Primeiro vamos ver o que é alienado.
O que é a alienação?
A alienação trata-se do mistério de ser ou não ser, pois uma pessoa alienada carece de si mesmo, tornando-se sua própria negação.
Alienação refere-se à diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar em agir por si próprios Algumas pessoas são tão alienadas que não sabem nem mesmo a situação que nosso país está vivendo. O governo e a mídia são os principais agentes na alienação.
Alienação é se deixar levar sem ter opinião e sem saber o porquê das coisas.

O que é omisso?
Omissão, no direito, é a conduta pela qual uma pessoa não faz algo a que seria obrigada ou para o que teria condições. A palavra omissão (ausência de ação) é sinônima à palavra inação. E, muitas vezes, para atrapalhar algo (no sentido de obstruir a solução mais rápida) tudo o que precisamos fazer é não fazer nada! Ou, pior, o que precisamos fazer é encaminhar tudo exatamente do jeito certo (conforme o manual)!
Pois os espíritas vivem numa Alienação Política desde o momento que não usa sua capacidade de debater politicamente seus interesses.
Acredita na operosidade de instrumentos inoperantes, de um lado; desinteresse total pelos fatos políticos, de outro. E, em sua forma mais grave - recusa em decidir o próprio destino, de raciocinar, de traçar seu próprio projeto; criação do mito do Chefe, do Messias, do Pai, do Salvador da Pátria. Compreender o significado destes fenômenos, ver neles o sentido que possam ter, tal é a grande tarefa de quem se preocupa com o problema político do espírita de hoje.
No Livro dos Espíritos, a Questão 132 indaga:Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?” Em parte, a resposta é: “(...) a encarnação tem também outro objetivo, que é o de colocar o Espírito em condições de cumprir sua parte na obra da criação (...) de tal sorte que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta”.

Sobre a omissão, a Questão 642 Basta não fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar um futuro melhor?
– Não. É preciso fazer o bem no limite de suas forças, porque cada um responderá por todo o mal que resulte do bem que não tiver feito.

Estes dias encontrei um artigo na web que dizia:

“Deus não sobe em palanques políticos”

Eu digo que é porque ele aguarda a ação daqueles que captam sua vontade e a executam não se omitindo esperando que as mudanças caiam do céu no seu colo.


Continua o artigo dizendo: Os adeptos do Espiritismo não precisam de representantes nos poderes Legislativos e Executivos do país para defenderem seus interesses.

Ao que poderíamos dizer, se os interesses do espírita é de não ter um sistema de ensino melhor, a segurança de sua cidade melhor, um sistema de saúde melhor e menos corruptos na política ai eu concordo.
Deve ficar dentro do centro espírita tomando fluido fluidificado e passe.


Mais adiante diz ele: Convém esclarecer que os Espíritas jamais formarão bancadas nos parlamentos, para não desvirtuarem a verdadeira finalidade do Espiritismo, que é a de promover a transformação moral da humanidade.
.
Eu tinha achado o titulo deste artigo muito infeliz, mas, a mediocridade é insuperável.
Eu sempre acreditei que no mundo o espírito reencarna, fazem-se homens para modelá-lo. E que cada um de nós trouxe consigo sua responsabilidade e sua tarefa individual e intransferível.


Pois, isto é o diz o Livro dos Espíritos, que a doutrina marcaria uma nova era para a humanidade.

A verdade e que, o Espiritismo compreende os ideais de renovação da humanidade, através da transmissão de corretas informações àqueles que tiverem “ouvidos para ouvir e olhos para ver”.
Só que não se faz Espiritismo apenas e tão-somente no interior das Casas Espíritas.
Para tornar-se crença comum, como afiançado pela Falange da Verdade a Kardec, a Doutrina precisa ganhar as ruas, não pela pregação e doutrinação, mas pela presença (ativa) de seus adeptos e divulgadores nos diversos cenários da vida humana.
Participando, não se esquivando, com a desculpa de que tudo evoluirá, um dia.

Não estou advogando que se crie partidos políticos ou que se abra a sociedade espírita para propagandas políticas, e sim apontando que a imprensa, as comunidades de debates como estas e outras não colocam a política na discussão, como se esta não existisse.


Eu não vi nem uma discussão em torno do projeto de lei que querem aprovar a PL 122
Que se resume no seguinte.
Você admite um homossexual lá pelas tantas você não precisa mais de seus serviços e demite-o. Pronto três a cinco anos de cadeia. Daí até tu provar que não foi uma atitude homofobica e sim atitude normal de empregador e empregado tu vai gastar uma grana com advogados para não parar no xilindró.

E sobre a violência no RJ parece que só existe no mundo que não é espírita.

E tu o que acha disso, o espírita é alienado e omisso ou é apenas sua postura santificada.


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domingo, 4 de setembro de 2016

Mais uma mentira propaganda por Kardec


A mentira propagada por Allan Karedc no Evangelho segundo o Espiritismo

Fora Da Igreja Não Há Salvação – Fora Da Caridade Não Há Salvação  

                8 – Enquanto a máxima: Fora da caridade não há salvação apóia-se num princípio universal, abrindo a todos os filhos de Deus o acesso à felicidade suprema, o dogma: Fora da Igreja não há salvação apóia-se, não na fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, mas na fé especial em dogmas particulares. É, portanto, exclusivista e absoluto. Em vez de unir os filhos de Deus, divide-os. Em vez de incitá-los ao amor fraterno, mantém e acaba por legitimar a animosidade entre os sectários dos diversos cultos, que se consideram reciprocamente malditos na eternidade, sejam embora parentes ou amigos neste mundo; e desconhecendo a grande lei de igualdade perante o túmulo, separa-os também no campo-santo. 
 A máxima: Fora da caridade não há salvação é a conseqüência do princípio de igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. Tendo-se esta máxima por regra, todos os homens são irmãos, e seja qual for a sua maneira de adorar o Criador, eles se dão às mãos e oram uns pelos outros. 
  Com o dogma: Fora da Igreja não há salvação, anatematizam-se e perseguem-se mutuamente, vivendo como inimigos: o pai não ora mais pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, desde que se julgam reciprocamente condenados, sem remissão. Esse dogma é, portanto, essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.

Agora vamos ver a verdade! 
O clássico axioma «Fora da Igreja não há salvação» é geralmente mal entendido, dando lugar a problemas que não existiriam caso houvesse melhor compreensão da fórmula. Em nossa resposta, examinaremos primeiramente algo do histórico desse adágio; isto facilitará o discernimento do sentido autêntico que se lhe deve dar.


1. Origem e histórico da fórmula
1.1. Segundo alguns autores, a fórmula «Fora da Igreja não . há salvação» tem as suas premissas em certas afirmações da Sagrada Escritura.

Quais seriam, pois, essas afirmações? Citam-se, entre outras, as seguintes:

Em Mc 16,16s, diz Jesus a seus Apóstolos: «Ide pelo mundo inteiro, e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer, será condenado».

Outrossim em Mt 10, 14s: «Se alguém não vos acolher nem ouvir as vossas palavras, sai dessa casa ou cidade, sacudindo o pó de vossos pés. Digo-vos em verdade: haverá no dia do juízo menos rigor para a região de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade».

À primeira vista, tais palavras podem despertar a ideia de que realmente só há salvação para quem aceite a mensagem do Evangelho. — Contudo já se tem observado, e com razão, que os dizeres do Senhor só visam aqueles que recusam positivamente a pregação e a Igreja; não consideram o caso dos homens aos quais não é dada notícia do Evangelho; estes não fazem parte da Igreja, mas também nunca tiveram a possibilidade de a conhecer.

A propósito, há quem lembre a solene declaração de São Pedro:

«(Jesus) é a pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou pedra angular. Em nenhum outro se encontra a salvação, pois, debaixo do céu, nenhum outro nome foi dado aos homens pelo qual devamos ser salvos» (At 4, 11s).




Estes dizeres parecem completar-se no seguinte trecho de S. Paulo:
Jesus Cristo é «a Cabeça Suprema da Igreja. A Igreja é o Corpo de Cristo, a plenitude daquele que enche tudo em todos» (Ef 1,22s).

Consequentemente, dizem, «comunhão com Cristo» implica «comunhão com a Igreja», de modo que fora da Igreja não há salvação.
A conclusão parece bem consentânea com o pensamento dos Apóstolos. Em que sentido preciso, porém, deverá ser entendida?

É o que vamos examinar, percorrendo os principais testemunhos da Tradição cristã.

1.2. Nestes transparece desde cedo a tese de que aqueles que recusam a autoridade doutrinária e disciplinar da Igreja se excluem da salvação eterna.

 Assim já Sto. Inácio de Antioquia (+107) ensinava:

«Todos aqueles que pertencem a Deus e a Jesus Cristo, estão com o bispo. E todos aqueles que, arrependidos, voltam à unidade da Igreja, pertencem também a Deus... Não vos enganeis, irmãos: quem quer que introduza cisma (ruptura na Igreja), não herdará o reino de Deus» (Aos Filadelfos 3, 2s).

No século seguinte, por volta de 249-251, é Orígenes, famoso escritor cristão de Alexandria, quem observa:

«Se alguém quer ser salvo, entre nessa casa (a Igreja)... Que ninguém se iluda...: fora dessa casa, isto é, fora da Igreja, ninguém é salvo; se alguém sair, tornar-se-á responsável da sua própria morte» (In Iosue h. 3,5).

Contemporaneamente, em 251, observava S. Cipriano, bispo de Cartago:

«Quem abandona a Igreja para aderir a uma (seita) adúltera, se aparta das promessas feitas à Igreja. Não obterá as recompensas de Cristo, aquele que deixa a Igreja de Cristo... Não pode ter Deus por Pai aquele que não tenha a Igreja por Mãe. Caso alguém tenha conseguido salvar-se fora da arca de Noé, também fora da Igreja conseguirá alguém salvar-se» (De catholicae Ecclesiae unitate 6).


Ficou célebre na literatura cristã a imagem da arca de Noé, fora da qual ninguém escapou à morte do dilúvio: a Igreja de Cristo seria a verdadeira arca da salvação...


Os escritores cristãos desenvolviam ainda mais claramente o seu pensamento, quando afirmavam que pertencer a Cristo e à Igreja significa outrossim, e necessàriamente, pertencer à jurisdição de Pedro: o sinal concreto e imediato da adesão a Cristo seria a adesão a Pedro e a seu sucessor visível. Eis como S. Ambrósio (+397) em Milão se exprimia:



«Foi a Pedro que Cristo disse: 'Tu és Pedro, e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja'. Onde, pois, está Pedro, ai está a Igreja; e, onde está a Igreja, já não há morte, mas a vida eterna. É por isto que o Senhor acrescenta: 'As portas do inferno não prevalecerão contra ela, e eu te darei as chaves do reino dos céus'» (In Ps 40, 40).
Por volta de 374/379, São Jerônimo, escrevendo ao Papa São Dâmaso, fazia eco ao Doutor de Milão:

«Quanto a mim, não seguindo outro Chefe senão o Cristo, uno-me a Vossa Beatitude, isto é, à cátedra de Pedro. Foi sobre essa pedra, bem o sei, que a Igreja foi fundada. Todo aquele que come o Cordeiro fora dessa casa, é profano. Quem não estiver na arca de Noé, perecerá quando vier o dilúvio» (epist. 15,2).

1.3. Esses textos, enfáticos como são, não podem deixar de despertar no leitor a questão: Como os respectivos autores entendiam a adesão à Igreja que eles assim recomendavam?

Não há duvida, na maioria dos casos tinham em mente a adesão explícita, ou seja, a adesão mediante a recepção dos sacramentos e a profissão do credo cristão. Não se poderia, porém, deixar de referir que na antiguidade mesma uma concepção mais larga se fazia ouvir por meio de um ou outro autor.

O próprio São Cipriano, por exemplo, embora afirmasse não haver salvação fora da Igreja, admitia a validade do mero desejo de Batismo ou da simples conversão do coração, no caso de não se poder receber o sacramento; tal se teria dado com o bom ladrão, que, tocado pela graça na hora da morte, se arrependeu de seus pecados e ouviu de Cristo a palavra de salvação. S. Agostinho (+430) reafirmou a mesma proposição (cf. De baptismo contra Donatistas 1. IV, c. XXII 29).

Contudo um dos testemunhos mais explícitos em favor do «Batismo de desejo» ou do desejo de Batismo é o de S. Ambrósio: em 392 o Imperador Valentiniano II morrera assassinado, sem ter tido o tempo de receber o sacramento do Batismo, a que ele ardentemente aspirava; foi então que em sua oração fúnebre o bispo de Milão assim se manifestou:

«Quanto a mim, perdi aquele que eu ia gerar para o Evangelho. Ele, porém, não perdeu a graça que pediu... Estou consciente da vossa aflição por não ter ele recebido os mistérios do Batismo. Mas dizei-me: que temos nós em nosso poder se não apenas a vontade e o desejo? Ora em tempos passados ele manifestou o desejo de ser iniciado (no Cristianismo) antes de entrar na Itália, e declarou seu desígnio de receber logo das minhas mãos o Batismo... Deixou ele então de receber a graça que ele desejou e pediu ? Não pode haver dúvida de que, se a pediu, ele a recebeu» (De obitu Valentiniani consolatio 29. 51).

Este depoimento de S. Ambrósio é de importância notável, pois muito serve ao estudioso moderno para conceber o reto sentido do adágio «Fora da Igreja não há salvação».

1.4. Passando agora à Idade Média, notamos que os testemunhos que se possam colher sobre o assunto nessa época, inculcam geralmente a necessidade da adesão visível à Igreja de Cristo. — A esta altura, aliás, convém lembrar uma nota bem característica da mentalidade medieval que contribuirá para explicar tal posição teológica: os medievais não se preocupavam muito com os povos que habitassem fora dos confins do mundo cristão. Isto está longe de significar que não tinham caridade; apenas quer dizer que não possuíam o senso da história e da geografia em grau muito apurado. Em outros termos: não eram «curiosos» de focalizar e estudar o que se dava entre os homens fora dos confins do Cristianismo.

Alguns estudiosos modernos lembram que, por vezes na Idade Média o habitante de terras longínquas pagãs era dito popularmente «o Etíope» (Aethiops), figura em torno da qual havia mais rumores e boatos fantásticos do que conhecimentos seguros. Raros eram os relatos de viagem que missionários provenientes do Oriente entregavam ao público europeu (dentre tais documentos destacava-se a narrativa de Asselino e João Plancarpino, que em 1245 contavam o que haviam visto na Pérsia e no Turquestão; contudo somente os mais informados dos europeus tinham conhecimento de tal relatório).

Inegavelmente, essa falta de intercâmbio assíduo entre europeus e não-europeus de regiões distantes possibilitava, entre os ocidentais, a formação de conceitos lendários concernentes aos asiáticos e africanos, dificultando qualquer reflexão séria sobre a dignidade e a eterna salvação de tais indivíduos.

O que os autores medievais conheciam bem, era uma sociedade cristã que tendia a ser a «Civitas Dei» (a Cidade de Deus), na qual o «não pertencer» à Igreja visível se dava geralmente por motivo de heresia, apostasia ou delito contra a fé ou a moral, supondo culpa grave na consciência do indivíduo; à vista disto, compreende-se, os medievais eram facilmente levados a crer que quem se separasse da Igreja se colocava fora da arca de Noé e se entregava à ruína espiritual.

Para ilustrar estas afirmações, citamos aqui dois textos, nos quais ocorre o axioma «Fora da Igreja não há salvação»... Ocorre justamente visando hereges medievais (principalmente valdenses e cátaros); esses hereges eram geralmente cristãos batizados que, em determinada "época de sua vida, haviam apostatado da fé, cedendo ao orgulho e às paixões; em vista de tais casos é que a advertência severa se formulava.

Assim para os valdenses que desejassem voltar à Igreja, foi composta a seguinte profissão de fé, submetida a Durando de Osca, chefe da seita, e aos seus correligionários, aos 18 de dezembro de 1208:

«Cremos de coração, e confessamos com os lábios, uma só Igreja, não a dos hereges, mas a que é santa romana, católica e apostólica, fora da qual cremos que ninguém é salvo (extra quam neminem salvar! credimns)» (Denzinger, Enchiridion 423).

O IV Concilio do Latrão em 1215, tendo em vista outrossim os hereges da época, declarava: «A Igreja universal dos fiéis é única, fora da qual absolutamente ninguém se salva (extra quam nullus omnino salva tur); nela Jesus Cristo mesmo é simultaneamente sacerdote e vítima...» (Denzinger, ob. cit. 430).

Estas observações já elucidam de algum modo a mentalidade dos medievais referente à salvação dentro e fora da Igreja.

1.5. Veio o séc. XVI com as suas grandes descobertas geográficas ... Estas puseram os cristãos em contato com grande número de povos até então desconhecidos; a existência de tantas e tantas gerações de homens que até aquela época ainda não tinham sido evangelizados, levou paulatinamente os pensadores cristãos a focalizar atentamente a questão de sua salvação eterna: poder-se-ia aplicar, sem mais, a esses povos o critério antigo e, em consequência, asseverar que, pelo fato de não haverem pertencido visivelmente à Igreja, estavam para sempre rejeitados por Deus? A essa conclusão parecia opor-se, entre outros argumentos, a índole honesta e reta de muitos pagãos; ademais, alguns mestres cristãos eram propensos a julgar que o sacrifício do Filho de Deus na cruz ficaria vão, se tão grande multidão de almas, apesar de tão rica Redenção, se fosse perder eternamente.

As surpresas decorrentes deste novo panorama, manifestado na Ásia, na África e na América, eram acrescidas pela nova situação religiosa da Europa mesmo, que até o séc. XVI fora homogeneamente cristã. Eis que, desde a cisão introduzida pelo Protestantismo (1517), os católicos viam a seu lado famílias e populações inteiras que não pertenciam à Igreja e que, desde muito talvez, só conheciam a Reforma e suas seitas. Mais ainda : nos séc. XVIII e XIX, a face religiosa da Europa foi ulteriormente modificada pelo indiferentismo do pensamento, a ignorância religiosa e a consequente descristianização que invadiram as massas humanas. — Poder-se-ia julgar sumariamente que estavam de má fé tantos e tantos homens? Cada um daqueles que viviam fora da Igreja (protestantes ou simplesmente homens ignorantes, mal formados em questões religiosas) estaria realmente lutando contra os ditames da sua consciência, obstinando-se culpadamente contra a luz de Deus e as inspirações da graça? Não haveria muita gente que com sinceridade poderia estar julgando que não devia aderir à Santa Igreja?

Essas interrogações foram calando na mente dos pensadores católicos. Assim incitados, os teólogos aprofundaram o sentido da fórmula «Fora da Igreja não há salvação», de modo que hoje em dia a doutrina católica sobre o assunto se apresenta mais matizada do que antigamente; ela compreende vários itens, correspondentes à índole complexa do problema, itens que vão abaixo discriminados.

2. O sentido genuíno da fórmula
2.1. O axioma «Fora da Igreja não há salvação» há de ser entendido à luz das distinções seguintes :

1)       Há um modo visível de pertencer à Igreja e nela obter a salvação: é o que se dá pela profissão do símbolo de fé e a participação dos sacramentos, principalmente do Batismo e da Eucaristia. Tal é o modo normal de pertencer à Igreja: esta, sendo uma sociedade visível, é natural que os seus membros se denunciem por certas notas visíveis e características. Consequentemente entende-se que é pela adesão explícita e pública à Igreja de Cristo que os homens se devem, em condições ordinárias, encaminhar para a salvação eterna.

2)       Contudo pode também alguém pertencer à Igreja de modo invisível, ou seja, pelo desejo de ser membro da Igreja. Tal desejo, por sua vez, pode ser:

a)        desejo explícito. Supõe-se, no caso, que alguém tenha conhecimento direto de Cristo, da Igreja (que o prolonga no tempo) e da porta de entrada na Igreja (que é o Batismo)...; dado que tal pessoa se disponha a receber o Batismo, mas, por motivo independente de sua vontade, não chegue a ser batizada, diz-se que é membro da Igreja por ter o desejo explícito de Batismo ou o Batismo de desejo. Já S. Ambrósio professava esta doutrina na oração fúnebre de Valentiniano (citada atrás).

De resto, o conceito mesmo de Justiça Divina exige, seja válido para a salvação o desejo do Batismo, desde que não se torne possível receber o próprio sacramento: o Senhor não pode condenar uma alma que Lhe esteja unida pela fé e pelo amor, mas à qual não é dado cumprir tudo que ela em sua fidelidade desejaria cumprir.

Contudo não somente o desejo explícito é capaz de agregar alguém à Santa Igreja... Hoje em dia os teólogos reconhecem igual eficácia ao que chamam

b)       desejo meramente implícito. Como entender isto ?

Admita-se que alguém ignore por completo Cristo e a Igreja ou que só os conheça de maneira inadequada, de modo a não poder sequer conceber a ideia de que a Igreja seja portadora da verdade. Em consequência, vive de inteira boa fé, aderindo a um credo religioso não católico, cujas prescrições procura seguir à risca. Essa pessoa é sinceramente movida por um único desejo: o de se aproximar mais e mais de Deus. Se tivesse evidência de que o caminho para Deus é outro que não o seu, abraçaria imediatamente essa nova vereda. Diz-se então que tal indivíduo adere à Igreja de Cristo sem o saber, pois que a Igreja representa realmente o objeto de suas aspirações; se ele simplesmente a conhecesse ou se a conhecesse mais autenticamente, prestar-lhe-ia sua adesão explícita.

Ora uma situação dessas pode ser até mesmo a de um adversário da Igreja: com efeito, pode acontecer que um homem muito reto sinta que sua consciência se revolta contra a doutrina do primado de São Pedro, por exemplo; uma série de equívocos e preconceitos faz-lhe ver apenas um aspecto dessa doutrina, dando-lhe a crer que se trata de desvirtuamento do Evangelho. Pois bem; se tal pessoa é sincera e humilde, ressentindo-se apenas de falta de conhecimentos claros sobre o assunto (sem que tenha culpa da sua ignorância), tal pessoa é membro invisível da Igreja visível de Cristo; está assim a caminho da salvação eterna, e essa salvação lhe será dada por intermédio da Igreja (da Igreja hierárquica, chefiada por Pedro, que ela rejeita), pois a Igreja, prolongando Cristo na terra, é o canal único pelo qual Deus comunica aos homens toda e qualquer graça de salvação.

Destarte se vê que muitas e muitas almas que estejam de inteira boa fé fora da Igreja visível, pertencem invisivelmente à Igreja sem o saber e sem que a própria Igreja o saiba. A boa fé, no caso, não desculpa propriamente a pessoa de estar fora da Igreja, mas, antes, faz que tal pessoa não esteja fora da Igreja: pertence, sim, invisivelmente à Igreja.

Por conseguinte, o sentido do adágio «Fora da Igreja não há salvação» vem a ser: a salvação só é concedida dentro da Igreja ou por intermédio da Igreja.

Merece atenção o fato de que o Papa Clemente XI, em 1713, condenou a proposição de Quesnel, famoso jansenista : “Fora da Igreja não é concedida graça alguma”. — Extra Ecclesiam nulla conceditur pratia» (Denzinger, Enchiridion 1379).


 

A intenção do Pontífice, ao proferir a condenação, era a de inculcar a seguinte proposição: fora da Igreja não se pode dizer que não há graça sobrenatural; tenha-se por certo, porém, que toda graça aí existente é derivada da Igreja e voltada ou tendente para a Igreja.

2.2. A doutrina acima exposta é não raro apresentada sob a forma da distinção seguinte: os que professam a verdadeira fé e segundo ela vivem, pertencem ao corpo da Igreja. Quanto aos que professam um credo errôneo com sinceridade absoluta ou com toda a boa fé, pertencem à alma da Igreja.

Tal distinção, porém, não é oportuna, porque na verdade não há corpo vivo sem alma; propriamente quem pertence ao corpo, pertence à alma da Igreja. Melhor é falar de «modo visível» e «modo invisível» de pertencer à Igreja.

2.3. Ao passo que o desejo explícito do Batismo desde os primeiros séculos foi tido como suficiente para salvar quem não possa receber o próprio sacramento, a eficácia do desejo implícito (nos termos que acabamos de expor) só em época relativamente recente foi reconhecida pelos teólogos.

Pode-se dizer que foi o Papa Pio IX quem em 1854 deu autoridade a esse novo ponto de vista. Assim se exprimia Sua Santidade:


«É preciso considerar como verdade de fé que, fora da Igreja apostólica romana, ninguém pode ser salvo: que esta é a arca única da salvação e que os que nela não tiverem entrado, perecerão pelo dilúvio.
E é preciso igualmente ter por certo que os que estão na ignorância da verdadeira religião, disto não têm culpa aos olhos do Senhor, caso essa ignorância seja invencível. Quem, porém, seria tão presunçoso que ousasse indicar os limites de tal ignorância, dados os caracteres e as diversidades dos povos, das regiões, dos espíritos e de inumeráveis outros fatores? Não há dúvida, quando, libertados dos vínculos do corpo, virmos a Deus tal como é, compreenderemos quão estreito e maravilhoso é o liame que une a Misericórdia e a Justiça divinas. Mas, enquanto vivemos na terra, acabrunhados por este peso mortal que abate a alma, professemos firmemente que só há um Deus, uma fé, um Batismo (Ef 4,5); indagar além disto, já não é lícito. De outro lado, na medida em que a caridade o requer, formulemos preces assíduas para que todas as nações, de qualquer das partes do mundo, se convertam a Cristo; e trabalhemos com todas as nossas forças para a salvação comum de todos os homens. Com efeito, o braço do Senhor não se tornou exíguo (Is 50,2), e jamais os dons da graça celeste faltarão aos que desejam e pedem, com um coração reto, ser reconfortados por Sua luz» (Denzinger 1647s).

É de notar que nessa alocução o Sumo Pontífice frisa bem a dificuldade de se estabelecerem os limites da boa fé e da culpabilidade nos indivíduos; não há para isso um critério universal, aplicável aos homens de todos os tempos e todas as regiões, mas o julgamento exato das consciências é obra de Deus só. De resto, já os teólogos anteriores a Pio IX faziam a mesma advertência: Suarez (+1617) e os autores de Salamanca (séc. XVIII), por exemplo, julgavam que, mesmo num pais onde a fé católica é professada sem oposição, pode haver hereges ou infiéis que estejam fora de toda influência do Catolicismo e, por conseguinte, não concebam dúvida sobre a veracidade da sua seita.

É de crer que, nas seitas heréticas é cismáticas, a massa do povo, pouco instruída, segue de boa fé seus pastores religiosos e não se propõe o problema da «verdadeira religião». Entre os estudiosos é mais fácil surgirem dúvidas sobre a autenticidade de sua seita, dúvidas que naturalmente tiram a boa fé; todavia Newmann podia afirmar que vivera muitos anos como erudito teólogo anglicano, sem jamais ter concebido a mínima hesitação sobre a veracidade de sua religião. Diz-se que a quase totalidade dos hereges e cismáticos que não se ocupam com a Igreja Católica, está de boa fé.

Perspectivas muito consoladoras são essas... Nem se poderia conceber que a verdade fosse outra. Com efeito, se Cristo veio ao mundo para salvar e não para condenar (cf. Jo 3,17), a existência da Igreja visível de Cristo não poderia ser motivo de condenação para a maioria do gênero humano, que talvez não lhe pertença visivelmente, mas certamente lhe pertence invisivelmente.

2.4. A história contemporânea, de resto, contribuiu para ilustrar e corroborar as vistas largas da teologia no tocante à salvação fora da Igreja visível.

Com efeito, em abril de 1949, o Pe Reitor de «Boston College» (U. S. A.) despediu três professores leigos do seu educandário por ensinarem obstinadamente que, para ser salvos, todos os homens têm que se tornar membros professos da Igreja Católica. O Pe. Leonardo Feeney S. J., que então dirigia a Casa dos Estudantes Católicos junto à Universidade Harvard, de Cambridge (U. S. A.), resolveu tomar publicamente a defesa dos três citados professores, reafirmando a sentença teológica estreita dos mesmos. Frequentemente admoestado a rever tal ponto de vista errôneo, Feeney não se rendeu, pelo que foi finalmente excomungado aos 13 de fevereiro de 1953. Interessa-nos frisar aqui o fato de que o S. Ofício de Roma se aproveitou do ensejo para dirigir uma carta ao Cardeal Cushing, arcebispo de Boston, expondo o autêntico pensamento da Igreja sobre o assunto (o documento datado de 8 de agosto de 1949 só foi tornado público em 1952, poucos meses antes da excomunhão de Feeney. Eis um dos trechos mais salientes de tal carta:

«Entre os mandamentos de Cristo não é de pouca importância aquele que preceitua, nos incorporemos pelo Batismo ao Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, e prestemos nossa adesão a Cristo e ao seu Vigário, (Vigário) pelo qual o próprio Cristo na terra governa, de modo visível, a Igreja.

Por conseguinte, não se salvará quem, consciente de que a Igreja foi divinamente instituída por Cristo, não obstante se recuse a se lhe submeter e denegue obediência ao Romano Pontífice, Vigário de Cristo na terra...

Todavia, para que alguém possa obter a salvação eterna, não se requer sempre que seja atualmente incorporado à Igreja como membro, mas é necessário, ao menos, que lhe esteja unido por desejo e voto.

Este desejo, porém, não deve ser sempre explícito, como ele o é nos catecúmenos. Dado que o homem esteja envolvido em ignorância invencível, Deus aceita igualmente o desejo implícito, o qual é assim chamado por estar incluído naquelas boas disposições de alma que levam alguém a querer conformar sua vontade com a vontade de Deus.

Estas verdades são claramente ensinadas na Carta Dogmática «A respeito do Corpo Místico de Jesus Cristo», publicada pelo Sumo Pontífice o Papa Pio XII aos 29 de junho de 1943...

No fim dessa Encíclica, o Sumo Pontífice, movido de profundo afeto, convida à unidade os que não pertencem ao Corpo da Igreja Católica; menciona então «os que por certo e inconsciente desejo e almejo estão voltados para o Corpo Místico do Redentor»; estes tais, Sua Santidade de modo nenhum os exclui da salvação eterna; afirma, porém, que se acham em condições «nas quais não podem estar certos de sua salvação eterna... visto que permanecem privados dos muitos dons e auxílios celestiais dos quais somente na Igreja Católica se pode usufruir».

Com estas sábias palavras, tanto reprova aqueles que excluem da salvação eterna os que, por desejo implícito apenas, estão unidos à Igreja, como rejeita os que falsamente asseveram que os homens podem ser salvos tão bem numa religião como em qualquer outra...» (Carta publicada em «The American Ecclesiastical Review» 127 [1952] 307-315).

Como se vê, o axioma «Fora da Igreja não há salvação», devidamente entendido, está longe de significar estreiteza e mesquinhez. Ele não é mais exigente do que a Verdade é exigente!

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

FONTE: Www.afecatolica.com/

Esfinge, ou Espiritismo?


Esfinge, ou Espiritismo?

Francis Bacon eu seu livro A Sabedoria dos Antigos faz uma analogia entre a Esfige e a Ciência, que aqui eu apresento só que fazendo a mesma analogia com a Doutrina Espírita em troca da Ciência.



Você esta preparado para decifra-la?

domingo, 7 de agosto de 2016

Falcatrua Espírita

Falcatrua Espírita usa nome de São Jerônimo

Por Fernando Nascimento

O que vamos ver a seguir é a desonestidade descarada dos escritores espíritas, em vãs tentativas de forjar crédito para a farsa da reencarnação adulterando textos dos Pais da Igreja.

O escritor espírita Léon Denis em seu livro “Cristianismo e Espiritismo” diz que São Jerônimo, o tradutor da Bíblia Vulgata, “afirma que a transmissão das almas fazia parte dos ensinos revelados a um certo número de iniciados” , porém não faz alusão à qualquer fonte.

O livro “O Espiritismo e as Igreja Reformadas” (de Jayme Andrade, editora EME, quarta edição), dedica o capítulo VII, parte 3 ao estudo da reencarnação na história e lá preenche tal lacuna assim:

“São Jerônimo afirmou (Hyeron, Epistola ad Demeter) que a 'doutrina das transmigrações era ensinada secretamente a um pequeno número, desde os tempos antigos, como um verdade tradicional que não devia ser divulgada.' Esse mesmo Pai se mostra crente na preexistência, em sua 94ª Carta a Ávitus.”

José Reis Chaves, em “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência”, 7ª ed., ebm, cap VI; faz coro com Andrade:

“São Jerônimo (...) também aceitava a reencarnação. Aliás talvez seja por isso que a Igreja pouco fale de São Jerônimo. Ele afirma que a transmigração das almas foi ensinada durante um longo tempo na Igreja. (9). Muito do que escreveu São Jerônimo escreveu está em forma de cartas. Em suas Cartas a Avitus, imperador romano, Jerônimo fala sobre a reencarnação (transmigração das almas) (10). E eis o que escreveu São Jerônimo: “A transmigração das almas é ensinada secretamente a poucos, desde os mais remotos tempos, como uma verdade não divulgável.(11)"

As notas de rodapé são:

(9) Evangelho Esotérico de São João, pág. 68, Paulo le Cour, São Paulo, 1993.

(10) Vidas Passadas – Vidas Futuras, pág. 237, Dr. Bruce Goldberg, Editorial Nórdica Ltda. Rio de Janeiro, 1993.

(11) O Mistério do Eterno Retorno, pág. 123, Jean Prieur, Editora Best Seller, São Paulo, SP.

A Verdade:

Começando com a carta a Demetrius, pode-se constatar, procurando nos originais:

http://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf206.v.CXXX.html , que NÃO existe tal referência elogiosa à doutrina da transmigração na carta a Demetrius. Pelo contrário, o que se encontra é:


"Este ensinamento perverso e ímpio foi anteriormente amadurecido no Egito e no Oriente e agora que embosca secretamente como uma víbora em sua toca muitas pessoas daquela região, corrompendo a pureza da fé e gradualmente tocando conta de forma silenciosa como um mal hereditário, até atacar um grande número."

Continuando: a Carta a Ávitus é de número 124 (desconheço outra seqüência que a

enquadre na 94ª posição).

São Jerônimo morreu em 420, não conhecendo nenhum “imperador” de nome Avitus. O cidadão a que ele faz menção deve ter sido o mesmo que o apresentou a uma mulher de nome Salvina na carta 79ª, datada em 400 d.C. 


A carta a Avitus é datada em 409-10. De fato, existiu um imperador romano de nome Avitus (Marcus Maecilius Flavius Eparchius Avitus) que reinou em 455-6 no ocidente, mais de trinta anos após a morte de Jerônimo. Ele nasceu em 395, logo era muito molequinho quando Jerônimo conheceu Salvina por intermédio do outro Avitus e um rapazola quando a carta em questão foi escrita.

Voltando ao que interessa, J.R. Chaves acerta quando diz que São Jerônimo escreveu sobre a “transmigração das almas” para Avitus. Só esqueceu de dizer que ele desceu o sarrafo em tal doutrina a carta inteira! Confira: http://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf206.v.CXXIV.html

Não existe reencarnação, a palavra de Deus diz:

“Está determinado que os homens morram uma só vez e logo em seguida o juízo.” (Hebreus 9,27).

sábado, 18 de junho de 2016

Os dogmas do espiritismo

UM LEITOR, identificado como "Paulo", enviou-nos, no post "Quem foi Chico Xavier?" a mensagem que publicamos abaixo:

"Acho que o principal beneficio do espiritismo é que não nos são impostos Dogmas . O Espiritismo diz que :'Não há salvação , fora da caridade', não temos a necessidade de atacar nossos irmãos que pensam diferente. 
O tempo que é perdido por muitos tentando desmascarar crenças contrárias as suas , é um pecado , pois poderia ser empregado de maneira mais útil e edificante."

“Tornei-me, acaso, vosso inimigo, porque vos disse a verdade?” (Gal 4, 16)
RESPOSTA
Prezado Paulo, agradecemos pelo interesse em compartilhar conosco a sua opinião, e pela confiança depositada em nosso modesto apostolado. Você nos dá a oportunidade de esclarecer dúvidas que certamente são as mesmas de muitas outras pessoas. Vejamos...

Em primeiro lugar, o seu comentário deixa claro que você não compreende o significado da palavra "dogma". Permita-me esclarecê-lo: dogma, para o cristão (e não só para ele), é um princípio de fé, que é aceito por todos aqueles que aderem à Igreja de Cristo. O Catecismo o define perfeitamente, nos seguintes termos:

"Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé, que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé." (CIC§89)

Se você prefere uma definição desvinculada da doutrina da Igreja (creio que sim), o dicionário Aurélio define dogma da seguinte maneira: "Ponto fundamental de doutrina religiosa ou filosófica, apresentado como certo". – Muito simples. O primeiro dos 43 dogmas da Igreja, por exemplo, afirma simplesmente que Deus existe. Ora, se você não crê em Deus, não pode ser considerado cristão, para começar! Imagine alguém dizendo: "Não acredito em Deus mas sou cristão, porque faço caridade!"... 

Consegue entender para que servem os dogmas, e porque eles são realmente necessários? É para preservar a coerência e a legitimidade da fé que eles existem. Ora, desde o início do cristianismo, já nos seus primeiríssimos tempos, surgiram doutrinas estranhas no seio da Igreja, com a difusão de ideias contrárias àquilo que o Senhor disse, fez e ensinou, como por exemplo o gnosticismo, o arianismo, o macedonismo, o monofisismo, o monocletismo, etc. Infelizmente, assim permanece até hoje, sendo a maior heresia dos nossos tempos (segundo o Papa Bento XVI a maior heresia que já existiu) a chamada "'teologia' da libertação", que não renega um, mas praticamente todos os dogmas da fé.

Assim, para que a pureza da fé fosse preservada, – para salvaguardar a autêntica doutrina da Igreja, – fez-se necessário definir e determinar, simplesmente, o que é cristianismo e o que não é. A este conjunto de verdades chamamos "dogmas".


† † †

Esclarecido este primeiro ponto essencial, observando o seu comentário, a segunda evidência que se impõe, e que você não percebe, é que (atenção) toda religião e/ou filosofia espiritualista/religiosa organizada tem os seus próprios dogmas; inclusive o seu espiritismo! Não? Vejamos...

Existe espírita que não crê em reencarnação? Não. Quem não crê em reencarnação não é espírita, porque a reencarnação é, sim, um princípio fundamental da doutrina espírita. Em outras palavras, é um fundamento do espiritismo, dado como certo, e somente depois de aceitá-lo é que alguém pode ser considerado espírita. – Fato 1.

O mesmo podemos dizer da crença na "evolução do espírito" através de uma sucessão de reencarnações, da mediunidade, da psicografia, dos planos espirituais superiores e inferiores, dos "espíritos de luz" e dos "espíritos obsessores", etc, etc. Tudo isso, para o espírita, é princípio de fé; ou seja, tudo isso é, – sim senhor, – dogma espírita. Se alguém se declarar espírita e afirmar que não existe mediunidade, por exemplo, estará na realidade "inventando" uma nova seita, diferente do espiritismo realmente existente. – Fato 2.

Então, quando você diz que o benefício do espiritismo é não ter dogmas, você está, – digo com todo o respeito que lhe devo, – falando uma grande bobagem. Ocorre que toda religião tem os seus próprios dogmas, mesmo que não os chame com esse nome. Ponto.

Finalizando este assunto, hoje até alguns dos maiores homens de ciência do mundo reconhecem que também a ciência tem os seus próprios dogmas, sem os quais o estudo da física e da astronomia, por exemplo, se tornariam impossíveis. A ideia de que “cientista não têm fé” é completamente falsa. Em alguns casos, certas teorias científicas são recheadas de dogmas, precisando até do que chamam de um “salto de fé”. Isso não significa algum problema com a ciência, e sim que a ciência depende de seres humanos, depende da mente humana para ser compreendida, e a mente humana depende de certos processos para funcionar bem. Os teóricos do Multiverso, por exemplo, surgem com explicações cada vez mais infundadas para justificar a sua fé na teoria. Da mesma maneira, o polêmico Richard Dawkins age unicamente movido pela fé em sua própria ideia do "gene egoísta" e na "memética". E isso é natural; afinal, ele é humano. O método científico não depende da fé; o cientista, sim.

Passando ao outro assunto da sua mensagem, não, a Igreja não "impõe", como você diz, os seus dogmas, para absolutamente ninguém, até porque ela não tem esse poder. Ninguém é obrigado a ser católico; o indivíduo escolhe entre aderir ou não à fé, e nem poderia ser diferente. A Igreja é uma casa de portas abertas, que acolhe quem entra por ela. Agora, para entrar e integrar essa Igreja é preciso crer no que ela crê, compartilhar da fé que ela preserva há dois mil anos. Eu não posso entrar e querer mudar tudo conforme a minha vontade, os meus "achismos", as minhas interpretações particulares. Mais uma vez, muito simples.

Por fim, não estamos naquele artigo ou aqui tentando "desmascarar uma crença", como você diz. Muito simplesmente apresentamos uma coletânea de provas concretas que demonstram um outro lado (geralmente desconhecido do grande público) do Sr. Francisco Cândido Xavier, que com o passar do tempo foi sendo mitificado na imaginação popular, tornando-se um personagem fictício, com intenso apoio da mídia. Isto não é "tempo perdido"; – trata-se de esclarecer a verdade, e conhecer a verdade é um benefício imenso para o ser humano. Esta sim, é a verdadeira e possível "evolução do espírito". Em última análise, buscar a Verdade é buscar Deus, e encontrar a Verdade é encontrar Deus. Jesus Cristo diz, nas Sagradas Escrituras: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8,32).

É este nosso papel e nosso dever enquanto cristãos. Esclarecer, na medida das nossas possibilidades, a verdade, iluminar o caminho, dissipar as dúvidas, esclarecer àqueles que andam perdidos, iludidos por charlatães e falsos profetas, errando em doutrinas falsas... Isto não é pecado, ao contrário. É útil e edificante para todos. Mais do que isso, é necessário.

Que a Luz de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo o ilumine

FONTE: http://www.ofielcatolico.com.br/

quarta-feira, 30 de março de 2016

Jesus: Personagem Real, Mito Ou Arquétipo?




"Eu não acredito nas pessoas, eu acredito nas evidências. Pessoas mentem, evidências não." – Gil Grissom (CSI)
Esta imagem não surgiu do nada. O seu conteúdo foi retirado do filme Zeitgeist, que aqui no Brasil não fez muito barulho, mas teve grande alcance e impacto na Europa e nos EUA. Assim como um novo “O Código Da Vinci”, o documentário, lançado em 2007, pretende desacreditar completamente o cristianismo, “provando”, por meio do depoimento de “estudiosos sérios”, que tudo não passou de mito tolo e pouco criativo.


Para isso, o filme busca mostrar a suposta semelhança entre a história da vida de Jesus e as lendas de deuses pagãos bem mais antigos. Os tais sabichões que aparecem no filme afirmam que os fatos da vida de Cristo são incrivelmente parecidos com os dos mitos de Horus, Mithra, Krishna e Dionísio. Vamos nos deter no exemplo do deus egípsio Horus; segundo o documentário, ele teria:

    nascido de uma virgem;
    andado sobre as águas;
    curado doentes;
    morrido crucificado;
    ressuscitado depois de três dias.

Gente, é muita coincidência, não? Sendo assim, chega-se à conclusão de que os “inventores do cristianismo” simplesmente pegaram essas referências, deram uma adaptada aqui e ali e … voilà! Criaram a história da carochinha perfeita para enganar uma multidão de otários até os dias de hoje. Otários = nós cristãos, ok?

O fato é que muita gente já perdeu a pouca fé que tinha por causa desta porcaria de filme, e milhares de cristãos convictos não sabem o que dizer quando seus amigos ateus lhes jogam na cara as teses ali defendidas.

Se você está na mesma situação da Bianca, seus pobremas siacabaram-se! Dê uma olhada no vídeo abaixo. Trata-se da entrevista com o Dr. Chris Forbes, professor Sênior do Departamento de História Antiga da Universidade de Macquarie em Sidney, Austrália. O cara é um historiador de verdade, especialista em história da religião. Segundo ele, as informações do filme estavam quase todas erradas, e que os tais “especialistas” do filme eram um monte de zé-ninguém que não tinham autoridade nem credibilidade alguma para afirmar aquelas coisas tolas.

E depois os ateus dizem que nós é que somos crédulos! Coitados, vêem qualquer imagem boba no Facebook, não checam as fontes e dão crédito na hora. Eita gente fanática!

 
FONTE:O CATEQUISTA

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sexta-feira, 11 de março de 2016

Chico Xavier o maior farsante da história do Brasil.

Redescoberto mais um plágio de Chico Xavier. Digo ‘redescoberto’ porque esse plágio já havia sido divulgado pelo menos desde setembro de 1944 por Milton Barbosa, advogado da família do escritor Humberto de Campos, e publicado na REVISTA DA SEMANA.

A Federação Espírita Brasileira até tenta se defender das acusações de plágio, mas as explicações são inaceitáveis a meu ver. Dito isso, vamos ao plágio.


Agora, vejamos as explicações do presidente da Federação Espírita Brasileira, Wantuil de Freitas:

Os trechos de “Brasil Anedótico”, que são indicados como plagiados por Francisco Xavier, não podem ser considerados como tais. Qualquer escritor, relatando em nova obra o que já dissera em outra, repete frequentemente as mesmas expressões.

Comentário: Mas por qual motivo um autor repetiria em nova obra o que já dissera em outra? Para que se repetir? Isso é incorrer em uma prática nada honrosa de auto-plágio, muito mais comum no meio acadêmico do que no literário. Não é crime, mas é considerado antiético.

Ademais, não haveria necessidade de plagiar naquela narrativa feita em termos comuns.

Comentário: Não haver necessidade de plagiar não quer dizer que o plágio não tenha existido. E fica claro que existiu, dada a grande quantidade de trechos idênticos, por mais comuns que sejam os termos.

Muitos dos plágios apontados são aliás transcrições de trechos de outros livros e se encontram entre aspas, na obra psicografada.

Comentário: Esse trecho em específico, embora contenha uma transcrição de um livro de Moreira de Azevedo chamado “Mosaico Brasileiro”, não se encontra entre aspas. É certo que as aspas nesse caso não são necessárias, pois o Chico citou que se baseou em Moreira de Azevedo. Mas o plágio – ou o auto-plágio – continua a existir. Afinal, Chico copiou o trecho de um livro que cita um trecho de outro livro…

Abaixo segue a transcrição da reportagem publicada na REVISTA DA SEMANA.

OUTRA FASE DO CASO HUMBERTO DE CAMPOS

FALAM O ADVOGADO DA FAMÍLIA E O PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO ESPÍRITA — IRÁ O CASO AO FORO CRIMINAL — UM VERDADEIRO ESTUDO LITERÁRIO DAS OBRAS DE HUMBERTO DE CAMPOS E DE CHICO XAVIER — OS CACÓFATOS E OS PLÁGIOS DO “MÉDIUM” DE PEDRO LEOPOLDO — CONTESTAÇÃO DO SR. WANTUIL DE FREITAS — OS VERSOS DE CHICO XAVIER QUE SAIRAM NO “JORNAL DAS MOÇAS” — “GRAVES CONSEQUENCIAS PARA A LIVRARIA EDITORA E PARA CHICO XAVIER” — “OS POETAS TAMBÉM PODEM SER “MÉDIUNS” E VICE-VERSA”.

Reportagem de Paulo de Salles Guerra

Nos Estados Unidos o caso leria uma repercussão internacional. Os jornais e revistas se movimentariam freneticamente. Talvez fossem mandadas telefotografias para o mundo inteiro. E as manchetes sensacionalistas estariam gritando no alto das páginas das publicações de todas as espécies. Provavelmente já estaria sendo escolhido o cast para um filme que focalizasse o “caso”, tendo os diretores o cuidado de declarar previamente: “qualquer semelhança será mera coincidência”.

Acontecimento ímpar na história dos processos judiciais, surge no Rio o caso de um espírito que deveria comparecer ante a justiça.

Ante o brado de alarma da REVISTA DA SEMANA toda a imprensa se movimentou.

Os jornais seguiam as fases do processo. A família de Humberto de Campos intenta uma ação declaratória contra a Federação Espírita Brasileira, com o fim do verificar a autenticidade da obra, determinando as relações daí decorrentes.

Levado o caso a juízo, ficou decidido, de acordo com a sentença do juiz dr. Mourão Russell, que a família de Humberto de Campos não poderia pretender direitos autorais sobre as supostas produções literárias atribuídas ao espírito do escritor, concluindo ainda que:

“Do exposto se conclui que, no caso vertente, não ha nenhum interesse legitimo que dê lugar à ação proposta.” O caso parecia pois terminado e os jornais não mais se ocuparam dele.

Entretanto, soubemos que a família do conhecido escritor não se daria por vencida. A REVISTA foi então procurar o dr. Milton Barbosa, com o intuito do obter desse ilustre causídico maiores esclarecimentos sobre a questão.

Com aquela fluência que lhe é peculiar, sabendo do que se tratava, o dr. Milton Barbosa foi nos declarando:

— Quando ajuizei, em nome da viúva Humberto do Campos, a ação declaratória que tanta celeuma vem causando no País, apressei-me, em entrevistas a jornais desta capital, em afirmar que a solução final deveria ser confiada a uma comissão de cientistas e não de literatos, por isso que o estudo do estilo das obras psicografadas em cotejo com o estilo das obras do autor vivo não resolveria o problema.

— “Quis com isso deixar claro que qualquer semelhança de estilo entre a obra mediúnica e a obra produzida em vida por Humberto de Campos não poderia ter maior significação para a solução do problema, dada a possibilidade de assimilação de estilos.

— A la maniére de. . . como é público e notório, e tem sido mostrado por diversos escritores, principalmente franceses.

— Admite então que haja semelhanças entre as obras do Humberto do Campos vivo e as obras ditas psicografadas pelo “médium”?

— Se algumas semelhanças podem ser descobertas em trechos psicografados por Chico Xavier com o estilo de Humberto do Campos semelhança explicável com a leitura alenta das obras do grande memorialisla maranhense — elas não me impressionam absolutamente.
O dr. Milton Barbosa, advogado da família do escritor Humberto dc Campos, faz algumas declarações sensacionais em torno do sensacional processo.

O dr. Wantuil de Freitas, presidente da Federação Espírita Brasileira, quando nos mostrava a contra-minuta do agravo. O “caso” Humberto de Campos volta novamente ao cartaz. O nosso entrevistado refuta algumas acusações do advogado da família do conhecido escritor.

—   E tem encontrado frequentemente essas semelhanças?

—   Tal semelhança é rara, pois a obra psicografada e muito inferior, como se poderá demonstrar facilmente.

O advogado levanta-se e apanha um livro.

—   Isto é apenas um exemplo — diz.

Tratava-se de um livro mediúnico. “Boa Nova” era o título. O nosso entrevistado abre e lê:

— “És mestre em Israel e ignoras estas coisas? — inquiriu Jesus como surpreendido. É natural que cada um somente testifique daquilo que saiba; porém, precisamos considerar que tu ensinas. Apesar disso não aceitas os nossos testemunhos. Se falando eu de coisas terrenas sentes dificuldades em compreendê-las com os teus raciocínios sobre a lei, como poderás aceitar as minhas afirmativas quando eu disser das coisas celestiais? Seria loucura destinar os alimentos apropriados a um velho para o organismo frágil do uma criança.”

E olhando para o redator:

Observou este cacófato: “Que cada”? E este verbo. Já ouviu alguém dizer “testifique”? O verbo para o caso seria “testemunhar”, é claro. Acha o senhor possível que um escritor como Humberto de Campos escrevesse estas coisas? E o dr. Milton prosseguiu:

—   Escute este outro trecho:

“— Ainda não ponderaste, talvez, que o primeiro mandamento da lei é uma determinação de amor. Acima do “não mataras”, do “não adulterarás”, do “não cobiçarás”, esta o “amar a Deus sobre todas as coisas”, de todo o coração e de todo entendimento.”

—   Será que este “adulterarás” tem a sua raiz no verbo adulterar, ou trata-se de palavra oriunda de adultério?

—   E quanto à Federação Espírita?

—   A atitude dessa Federação causou profunda decepção entre todos aqueles que, como eu, acreditavam na sua lealdade e boa fé.

Atribuindo a Humberto de Campos as obras psicografadas por Chico Xavier, não vejo como pudesse tão alta entidade religiosa esquivar-se da prova da sua legítima procedência. Não vejo como possam impressionar seus argumentos de que tal elucidação é ilícita, invocando como defesa o direito assegurado pela Constituição à liberdade de crença. E não contente com esta esquiva alega ainda a Federação, através de quase duzentas páginas da erudita contestação, a impossibilidade de “invocação” de um “espírito”. Ora, justamente ao contrario dessa tese, um grande espírita mineiro, líder incontestável do espiritismo no Brasil, o sr. Efigênio de Sales Vitor, em famosa entrevista a “O Globo”, assegurou, peremptoriamente, que o “espírito” de Humberto de Campos garantiu que o mesmo estava à disposição do juiz para o dia e a hora em que fosse necessária a sua presença para verificação da sua sobrevivência e da sua operosidade literária. Também um outro famoso líder espírita, conhecidíssimo em todo o Brasil, cuja palavra e de grande autoridade entre os crentes da doutrina de Alan Kardec, chegou a exibir a um dos brilhantes redatores desta revista os autógrafos de Humberto de Campos devidamente autenticados pelo grande escritor, com o mesmo talho de letra e com as mesmas peculiaridades gráficas do tempo em que era vivo o notável autor de “Os Párias”.

E agora tudo se esvaiu, tudo se esbateu como fumo… Em vista disso, que poderemos pensar da lealdade da Federação Espírita Brasileira? Tinha a impressão de que ela entrou nesse pleito com lealdade e boa fé, positivamente convencida da procedência da obra mediúnica apresentada por Chico Xavier.

Estudando este caso tenho me lembrado frequentemente do famoso processo Dreyfus, que todo o mundo conhece pela enorme repercussão que teve, envolvendo nomes famosos como o de Zola, que pôs sua pena e seu talento a serviço da justiça no seu livro “J’accuse!”.

A situação da Federação Espírita no caso presente parece-me semelhante a do Estado Maior Frances no processo Dreyfus, cuja desmoralização, por ocasião da revisão do processo, forçou alguns dos seus mais íntegros membros a falsificar documentos, inventor provas para contestar uma precipitada e injustificável atitude inicial de acusação ao inocente israelita.

— Isto parece evidente. Ela já deve ter sentido a precariedade de sua posição no pleito e tenta, por processos pouco justificáveis, evitar, a todo transe, as possibilidades de realização das diligências imprescindíveis para a constatação da legítima procedência das produções mediúnicas. De outro modo não se explica a sua alegação de que a ação é imprópria, de que é ilícita por atentar contra a liberdade de crença, e de que é impossível “invocar” o “espírito”. Se tudo leva a crer-se que se trata de uma mistificação, de um embuste, de uma falsa imputação de uma autoria e de uma usurpação de nome, para efeito de propaganda religiosa e de lucro comercial, a oposição a prova pleiteada pela família do escritor deveria impor-se aos olhos dos próprios dirigentes do espiritismo brasileiro.

— E quanto à sentença do juiz?

— Admito, para argumentar, que a ação possa ser julgada imprópria. Mas para onde nos levará a Federação Espírita Brasileira com tão sistemática e calorosa oposição?

— Acredita que a ação irá ao Foro Criminal?

— Quanto a isto não há a menor dúvida. E isto terá graves e compreensíveis conseqüências, prejudiciais, não só à religião espírita, como ao “médium” Chico Xavier e à livraria editora.

— A sentença será então reformada?

— A sentença prolatada pelo ilustre juiz Mourão Russell consagrou, de modo solene, o embuste. E não é possível que não seja reformada, pelo menos nessa parte, pois é absurda a sua conclusão, considerada a autora carecedora de ação.

— E quanto à obra mediúnica de Chico Xavier?

— Parece-me que justifiquei, no recurso interposto, a inteira procedência da ação declaratória. Tenho a impressão de que, na vulgaríssima obra psicografada, os trechos aproveitáveis são meros plágios da obra autêntica. E as idéias interessantes foram colhidas e constituem mera reprodução do que se encontra na vasta e notável obra de Humberto de Campos. Citei, no recurso que interpus, alguns desses plágios, mas há muito mais…

O senhor mesmo poderá confrontar esses dois trechos, um da obra autêntica de Humberto de Campos e outro de Chico Xavier.

O causídico mostra-nos o livro “Brasil Anedótico”, de Humberto de Campos, e aponta-nos um trecho, intitulado “A Lei das Aposentadorias”.

“Chegada ao Rio de Janeiro em 1808 a família real portuguesa com todo o seu séquito de fidalgos e fâmulos, foi posta em execução a chamada lei das aposentadorias, a qual obrigava os proprietários e inquilinos a mudarem-se, cedendo as casas para residência dos criados e servidores d’el-rei. Bastava que o fidalgo desejasse uma casa, para que o juiz aposentador intimasse o morador por intermédio do meirinho, que se desempenhava do seu mandato escrevendo sumariamente na porta, a giz, as letras P. R. Estas significavam — “Príncipe Regente”, ou, como interpretava o povo — “ponha-se na rua”.

Era Agostinho Petra de Bitencourt juiz aposentador quando, um dia, lhe apareceu um fidalgote, requerendo aposentadoria em uma excelente casa, apesar de já ter uma. Dias depois veio pedir-lhe mobília e, finalmente, escravos.

Ao receber o terceiro pedido, Agostinho Petra, que acompanhava a indignação do povo com tantos abusos da Corte, gritou para a esposa, no interior da casa:

— Prepare-se Dona Joaquina, que pouco tempo podemos viver juntos.

E indicando, para a mulher, que acorrera, o fidalgote insaciável:

— Este senhor já duas vezes me pedir casa, depois mobília, e agora, criado. Brevemente quererá, também, mulher, e como eu não tenho outra senão a senhora, ver-me-ei forçado a servi-lo!”

Depois mostrou-nos o livro psicografado pelo “médium” Francisco Cândido Xavier, “Brasil, Coração do Mundo”, indicando-nos à página 123 o trecho seguinte:

“D. JOAO VI NO BRASIL

A chamada lei das aposentadorias obrigava todos os inquilinos e proprietários a cederem suas casas de residência aos favoritos e aos fâmulos reais. Bastava que qualquer fidalgote desejasse este ou aquele prédio, para que o Juiz Aposentador efetuasse a necessária intimação, a fim de que fosse imediatamente desocupado. Ao oficial de justiça, incumbido desse trabalho, bastava escrever na porta de entrada as letras “P. R.”, que se subentendiam por “Príncipe Regente”, inscrição que a malícia carioca traduzia como significando — “Ponha-se na rua”.

Moreira de Azevedo conta em suas páginas que Agostinho Petra Bittencourt era um dos juizes aposentadores ao tempo de D. João VI, quando lhe apareceu um fidalgo da corte, exigindo pela segunda vez uma residência confortável, apesar de já se encontrar muito bem instalado. Decorridos alguns dias, o mesmo homem requer a mobília e, daí a algum tempo, solicita escravos. Recebendo a terceira solicitação, o juiz, indignado em face dos excessos da corte do Rio, exclama para a esposa, gritando para um dos apartamentos da casa:

— Prepare-se, D. Joaquina, porque por pouco tempo poderemos estar juntos.

E, indicando à mulher, que viera correndo atender ao chamado, o fidalgo que ali esperava a decisão, concluiu com ironia:

— Este senhor já por duas vezes exigiu casa; depois pediu-me mobília e agora vem pedir criados. Dentro em breve, desejará também uma mulher e, como não tenho outra senão a senhora, serei forçado a entregá-la.”

— É fácil, confrontando os dois textos, perceber o plágio.

O nosso entrevistado se entusiasmava, procurando demonstrar as suas razões.

— E não é apenas isto. Poderia mostrar muitos outros trechos semelhantes. Parece-me evidente que Francisco Xavier tem mesmo alguns pendores literários. Provavelmente já estará informado de que em 1932 o “médium” já era poeta. Colaborava no “Jornal das Moças”. Seus versos, embora de inspiração pobre, eram metrificados, com boa técnica. Veja estes:

“SOBRE A DOR

Suporta calmo a dor que padeceres

Convicto de que ate dos sofrimentos,

No desempenho austero dos deveres,

Mana o sol que clareia os sentimentos.



Tolera sempre as mágoas que sofreres,

Em teus dias tristonhos e nevoentos.

Há reais e legítimos prazeres

Por trás dos prantos e padecimentos.

A dor, constantemente, em toda parte,

Inspira as epopéias fulgurantes,

Nas lutas do viver, no amor, na arte;

Nela existe uma célica harmonia,

Que nos desvenda, rápidos instantes,

Mananciais de lúcida poesia!”


Fotografia do uma carta do “médium” sr. Alarico Cunha, do Parnalba, alto funcionário da Cia. dc Vapores Booth, cuja mediunidade consiste em receber as mensagens com a letra e a assinatura dos próprios autores. Aqui vemos uma carta ditada pelo espírito de Humberto dc Campos, tendo a progenitor a do grande escritor assinado embaixo, reconhecendo a letra de seu filho.

 O grande escritor Humberto de Campos, no seu fardão de imortal, quando entrou para a Academia Brasileira de Letras.

Aliás, os jornais já haviam noticiado essa habilidade do famoso “médium” de Pedro Leopoldo.

?

Seguindo o critério de imparcialidade absoluta que até agora vem mantendo em torno do momentoso “caso” Humberto de Campos e das obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier, a REVISTA DA SEMANA queria saber como se manifestava a Federação Espírita Brasileira sobre esta nova fase do processo.

Nesse intuito fomos procurar o seu presidente, sr. Wantuil de Freitas.

— Quanto às poesias de autoria de Chico Xavier publicadas no “Jornal das Moças”, posso declarar que não as conheço. Mas estou ao par da história.

Quando os espíritos preparavam o “médium” em exercícios mediúnicos para a missão que deveria realizar, seu irmão, José Cândido, que então nada conhecia do espiritismo, ficou entusiasmado com a “veia poética” que supunha existir no Chico, e então ele, José Cândido, juntando os seus logogrifos às poesias recebidas pelo irmão, encaminhava-os às revistas, contra a vontade do Chico que, desde então, asseverava que as produções não eram suas. Isto durou até o ano de 1932.

Assim que conseguir uma dessas poesias poderei enviá-la ao Chico, para que ele diga qual foi o espírito que a ditou.

Ainda que Francisco Xavier fosse poeta, meu amigo, não haveria motivo para acusá-lo. Os poetas também podem ser “médiuns” e vice-versa.

— E quanto à qualidade da obra de Francisco Xavier, na opinião do dr. Milton Barbosa, nitidamente inferior às produções de Humberto de Campos?

— Esse assunto foi eficientemente esclarecido pelo nosso advogado. Mostra o dr. Carlos Imbassahy que nas citações do advogado da família do escritor não se vê nenhuma onde se possam encontrar vícios imperdoáveis de linguagem. Os erros que aí se encontram, ligeiras consonâncias, ecos, não podem ferir os mais apurados ouvidos. Não constituem verdadeiros cacófagos, dentro da definição dos gramáticos e filólogos.

Aliás, esses vícios podem ser encontrados nos melhores escritores da nossa língua.

— Os cacófagos empregados por Humberto de Campos na obra psicografada são encontrados a cada passo pelos melhores manejadores da pena. Por que não os empregaria Humberto?

Poderíamos dar, ao acaso, diversos exemplos dessas distrações praticadas pelos expoentes máximos da nossa língua. Camões os fez em quantidade. Além daquele famoso e conhecido “Alma minha”, encontramos ainda:

Sofrer não pode ali o gama mais

“Entrava a formosíssima Maria”

E de Vieira:

“Que se chama Maria”

“Se as não tem feito”.

De Frei Luiz de Souza:

“Sem outra cama mais que uma taboa”.

“De nenhuma maneira podia cabar consigo”

De Camilo:

“Peça-lhe que a não venda”,

Com a condição de a não vender”.

De Castilho:

“Se a não procurem”.

Seria fastidioso continuar a citar exemplos dessa natureza.

Na própria obra do Humberto de Campos, cronista operoso que não dispunha do tempo para atender a esses detalhes, em vista do vulto da sua produção, encontramos cacófatos, como estes:

“Cuidassem dele como ela cuidara”

(“Sombras que sofrem”, 4ª  edição, pág. 46, linha 21).

“E deixo-as não como lisonja”

(Idem, pág. 28, linha 1).

“… a mulher como ela é”; (Lagartos e Libélulas. 4ª edição pág. 28, linha 1).

— Mas a obra de Chico Xavier…

— Nada fica provado quanto ao mau gosto alegado em relação à produção literária do “médium”. Corno não ignora, são muitas as opiniões em contrário.

Quanto à afirmação de que a parte aproveitável desta obra não passa do grosseiro plágio, foi também ela refutada pelo nosso advogado. Os trechos de “Brasil Anedótico”, que são indicados como plagiados por Francisco Xavier, não podem ser considerados como tais. Qualquer escritor, relatando em nova obra o que já dissera em outra, repete frequentemente as mesmas expressões. Ademais, não haveria necessidade de plagiar naquela narrativa feita em termos comuns.

Limitamo-nos a repetir a opinião do ilustre beletrista mineiro, desembargador Mario Matos:

“O estilo de Humberto morto é ‘mais vivo’ do que Humberto-homem.”

Muitos dos plágios apontados são aliás transcrições de trechos de outros livros e se encontram entre aspas, na obra psicografada.

— O Dr. Milton Barbosa citou-nos também alguns trechos de Humberto em que o escritor mostrava-se um verdadeiro cético.

— E acha que, mesmo depois de se ter transformado em espírito, rodeado de outros espíritos, deveria continuar a descrer do espiritismo?

Há ainda outro ponto interessante a considerar. É o que se refere à frase do espírito de Humberto: “Eu que era tão perverso”. Como está muito bem observado na contra-minuta, essas frases já eram encontradas na sua obra escrita em vida: “E eu, miserável pecador”. “Eu, o último filho de um século que bebeu veneno no berço”.

— Será produzida a prova da manifestação do espírito?

— Evidentemente, o fenômeno não se poderá produzir contra certas leis. Não são apenas os espíritas e os “médiuns” que sabem disso. O fato é conhecido pelos próprios cientistas. Experiências que chegam ao resultado desejado em determinadas circunstâncias, provando o que se quer demonstrar, falham outras vezes pela ausência de algum elemento.

O espiritismo não procura esconder os fenômenos de ordem mediúnica. Milhares de pessoas, não apenas no Brasil mas no mundo inteiro, entro elas figuras de destaque, absolutamente insuspeitas, tiveram ocasião do presenciar esses fenômenos. Agora o que não podemos é produzi-los em tempo e lugar determinados.”

Despedimo-nos do sr. Wantuil. O presidente da Federação Espírita Brasileira acompanhou-nos até a porta. Aconselhou-nos s. s. a que fossemos procurar o dr. Imbassahy, advogado da Federação:

— Provavelmente o dr. Imbassahy tem algumas declarações interessantes a fazer sobre o caso, e poderia mesmo o ilustre causídico esclarecer certos pontos da questão.

Infelizmente a falta de tempo não permitiu que fôssemos procurar o ilustre advogado que tão brilhantemente vem defendendo a Federação.

— Quero ainda que dê uma explicação aos leitores da REVISTA DA SEMANA — disse ainda s. s. E’ quanto à acusação de que um dos volumes da obra psicografada já foi traduzido para o castelhano, a fim de ser lançado no mercado hispano-americano por uma editora argentina. Isto é verdade. Cumpre entretanto esclarecer que a Federação Espírita Brasileira não cobrou direitos autorais do editor argentino.

E o sr. Wantuil esboçava um sorriso.

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Aqui ficam as duas entrevistas. Com quem está a razão?

Com a família do notável escritor? Com a Federação Espírita?

A argumentação é forte de ambos os lados. Limitamo-nos a apresentar aos nossos leitores esta fase nova do sensacional caso, para que possam julgar.


FONTE: Obras psicografadas

A Doutrina Espirita é uma Farsa