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Um espaço para o contraditorio, onde colocamos em dúvidas muitas questões tidas como doutrinarias.

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

A farsa do livro Evolução em Dois mundos

O artigo “A Física no Espiritismo”, de Érika de Carvalho Bastone, trata de analisar dois livros de Chico Xavier e Waldo Vieira do ponto de vista da Física. Aqui neste blog serão apresentadas apenas uma parte das críticas da autora (em que houve concordância por um outro físico) de um dos livros, no caso “Evolução em Dois Mundos”, cujo autor “espiritual” seria André Luiz.

Também serão aproveitadas críticas do biólogo Júlio César Siqueira.
O livro vai ser apresentado em LARANJA a analise critica em VERDE

Trechos do livro em análise

Comentários

Página 10, Capítulo 1, por Waldo Vieira:

Sob a orientação das Inteligências Superiores, congregam-se os átomos em colmeias imensas, e, sob a pressão, espiritualmente dirigida, de ondas eletromagnéticas, são controladamente reduzidas as áreas espaciais intra-atômicas, sem perda de movimento, para que se transformem na massa nuclear adensada, de que se esculpem os planetas, em cujo seio as mônadas celestes encontrarão adequado berço ao desenvolvimento.


[Esse trecho] descreve a formação dos planetas como agrupamento de átomos que sob força eletromagnética espiritualmente dirigida têm área espacial intra-atômica reduzida formando os núcleos adensados que darão origem aos planetas. Os planetas teriam vida até que implodiriam sob a pressão dos átomos, e depois explodiriam, em processo de reciclagem. [Essa] descrição [é] incoerente com o atualmente postulado pela ciência. Os planetas não implodem sob a pressão dos átomos (contudo isso ocorre com as estrelas…). E essa implosão não dá como resultado uma explosão (não no caso das anãs brancas - estrelas. Contudo, dá com as supernovas). A força eletromagnética diminui a área intra atômica? Ela diminui o tamanho do átomo? Penso que não. Na verdade, penso que ela talvez defina o tamanho do átomo. E ela não define o tamanho do núcleo atômico (não faz o núcleo diminuir), se for isso que ele quer dizer com núcleos adensados. (Comentário de Júlio César Siqueira)

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Página 10, Capítulo 1, por Waldo Vieira:

… confessamos que não sabemos ainda, principalmente no que se refere à elaboração da luz, qual seja a força que provoca a agitação inteligente dos átomos, compelindo-os a produzir irradiações capazes de lançar ondas no Universo com velocidade de 300.000 quilômetros por segundo.

Na primeira metade do século XX tanto a física quântica quanto o eletromagnetismo (eletrodinâmica) já estavam formulados. A emissão de luz é, atualmente, um fenômeno explicado e controlado (aplicações tecnológicas).

(Comentário de Érika de Carvalho Bastone)

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Página 28, Capítulo 7, por Waldo Vieira:

Lentamente, os cromossomos adquirem a sua apresentação peculiar, em forma de ponto-alça-bastonete-bengala, e a evolução que lhes diz respeito na cariocinese, desde a prófase à telófase, merece a melhor atenção dos Construtores Divinos, que através do centro celular mantêm a junção das forças físicas e espirituais, ponto esse em que se verifica o impulso mental, de natureza eletromagnética, pelo qual se opera o movimento dos cromossomos, na direção do equador para os pólos da célula, cunhando as leis da hereditariedade e da afinidade que se vão exercer, dispondo nos cromatídeos, em forma de granulações perfeitamente identificáveis entre o leptotênio e o paquitênio, os genes ou fatores da hereditariedade, que, no transcurso dos séculos, são fixados em número e valores diferentes para cada espécie.

[Esse trecho] diz que os cromossomas se movem durante a divisão celular devido à força eletromagnética, devido a impulso mental. O movimento dos cromossomas durante a divisão celular está ligado à ação mecânica de componentes do citoesqueleto, e não meramente relacionado a ações eletromagnéticas originadas diretamente de um impulso mental. (Comentário de Júlio César Siqueira)

Página 51, Capítulo 13, por Waldo Vieira: …encontra a matéria conhecida no mundo, em nova escala vibratória. Elementos atômicos mais complicados e sutis, aquém do hidrogênio e além do urânio, em forma diversa daquela em que se caracterizam na gleba planetária, engrandecem-lhe a série estequiogenética.

André Luiz prediz a existência de novos elementos químicos, aquém do hidrogênio e além do urânio. O urânio é o elemento de número 92 na tabela periódica. Acima dele temos 11 elementos da série dos transurânios, que são elementos instáveis, com meias vidas curtas, descobertos entre 1940 e 1966. Acima destes ainda temos os elementos da série dos transactinídeos, com meias vidas bastante curtas. O hidrogênio é o átomo mais simples, contendo um elétron e um próton. A existência de elementos aquém do hidrogênio, segundo o modelo atômico atual, é impossível. (Comentário de Érika de Carvalho Bastone)

Trecho de entrevista com Luciano dos Anjos.

Jornalista profissional, Luciano dos Anjos (lucianofilho@uol.com.br), trabalhou em "O Radical", "Gazeta de Notícias", "Diário de Notícias", "Visão", "O Cruzeiro", "O Mundo Ilustrado", "A Notícia" e outros órgãos, exercendo desde a função de repórter, de redator, editorialista, até a de secretário de redação e assessor de direção.

Qual a explicação para o conhecimento enciclopédico do médico André Luiz?

- Vou resumir matéria que escrevi para a edição de outubro de 1977 do Jornal Espírita, p. 3, na qual expliquei que o que André Luiz conhece bem é medicina. Tendo sido médico, prosseguiu no espaço a aplicar seus conhecimentos e até os aprimorou. Mesmo assim, no próprio campo da medicina ele se valeu de trabalhos de colegas e mestres, o que é muito normal. Toda matéria tem especializações, pesquisas pessoais, etc. Saber tudo ex-cathedra sobre todos os assuntos é pretensão, truque ou supergenialidade. Acreditar que alguém conheça em profundidade a sua especialidade e várias outras altamente heterogêneas é perfilhar a fantasia.

Não é o caso de André Luiz. Em princípio ele não poderia dominar o campo da medicina e mais o da física, da química, da eletrônica, da biologia, da genética, da sociologia, da psicologia, da pedagogia, enfim, de ramos tão variados quanto complexos da cultura universal. Seria um enciclopedismo fantástico. É óbvio que, mormente para escrever livros como Evolução em Dois Mundos e Mecanismos da Mediunidade, ele se socorreu de outros autores. E antes que algum padre ou pastor o digam de má-fé, eu mesmo direi: sei, inclusive, de que livros André Luiz retirou os elementos contidos nesses trabalhos.

Digo mais: ele nem se preocupou em alterar os textos copiados; quase usou as mesmas palavras. Eu, por exemplo, teria modificado um pouco mais, dentre outras razões para evitar problemas de direitos autorais, já que ele sequer usou aspas. Mas isso prova apenas que André Luiz não estava preocupado em esconder o que fez.

E para acentuar bem essa despreocupação, escreveu no intróito de Mecanismos da Mediunidade, p. 19 da 3ª edição:

“Prevenindo qualquer observação da crítica construtiva, lealmente declaramos haver recorrido a diversos trabalhos de divulgação científica do mundo contemporâneo para tornar a substância espírita deste livro mais seguramente compreendida pela generalidade dos leitores, como quem se utiliza da estrada de todos para atingir a meta em vista, sem maiores dificuldades para os companheiros de excursão.”

“Assim, as notas dessa natureza, neste volume, tomadas naturalmente ao acervo de informações e deduções dos estudiosos da atualidade terrestre, cabem aqui por vestimenta necessária, mas transitória, da explicação espírita da mediunidade, que é, no presente livro, o corpo de idéias a ser apresentado.”

E Emmanuel, na p. 15 do mesmo livro, advertia em forma de Prefácio:
“Compreendemos, assim, a validade permanente do esforço de André Luiz, que, servindo-se de estudos e conclusões de conceituados cientistas terrenos, tenta, também aqui, colaborar na elucidação dos problemas da mediunidade, cada vez mais inquietantes na vida conturbada do mundo moderno.”

Isto posto, o que conta na obra de André Luiz não é o conjunto de informações, possível de ser encontrado em compêndios de outros autores. O que conta é a sua tese, a sua colocação notável no contexto do espiritismo. Finalmente devo dizer que acho Evolução em Dois Mundos e Mecanismos da Mediunidade as duas melhores obras da série André Luiz.


Fonte: http://site.andreluiz.vilabol.uol.com.br/CA_luciano_dos_anjos.html

Conclusão

Até o momento foram encontrados erros somente nos trechos ditos “psicografados” de Waldo Vieira, e há indicações de cópias de fontes terrenas, ainda não reveladas.

Por prudência acredito que os livros que envolvam temas científicos passem pela análise de pelo menos dois peritos no assunto, colocando notas de rodapé nos trechos considerados discordantes. Um processo parecido com a revisão por pares que é feito em artigos científicos.

Referências

Xavier, Chico; Vieira, Waldo. “Evolução em Dois Mundos” (1960). FEB.

Bastone, Érika de Carvalho. “A Física no Espiritismo” (2003), apresentado no VIII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita.

Este artigo foi apresentado no VIII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita (evento bienal), ocorrido em Santos, de 17 a 19.10.2003. O organizador desses simpósios é o ICKS - Instituto Cultural Kardecista de Santos.


FONTE: http://obraspsicografadas.haaan.com/2007/erros-de-fsica-e-biologia-encontrados-no-livro-evoluo-em-dois-mundos/

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Nos Ombros dos Gigantes da Ciência.




Nos Ombros dos Gigantes da Ciência.

Os diálogos foram montados, utilizando textos de livros escritos por pensadores vivos e mortos.
Nenhum dos diálogos é definitivo, porque pode ser ampliado com novos textos, enriquecendo, ainda mais, o seu conteúdo.

Por: VALTER DA ROSA BORGES
É livre-pensador, parapsicólogo, filósofo, poeta, escritor, conferencista e autor de livros e artigos, que versam sobre os mais diversos assuntos.
Realiza palestras, sob os mais diversos temas, em instituições científicas, culturais e universitárias. E é entrevistado sobre temas de parapsicologia nas emissoras de rádio e televisão, assim como em jornais e revistas.
Fundou as seguintes instituições:

Grêmio Cultural Joaquim Nabuco (1950), uma sociedade lítero-artística, que teve atuação destacada no mundo intelectual do Recife.


Instituto Pernambucano de Pesquisas Psicobiofísicas (1º de janeiro de 1973) uma das mais antigas instituições de Parapsicologia no Brasil. www.parapsicologia.org.br.


Academia Pernambucana de Ciências (1978).

Sociedade Internacional de Transcendentologia (1999)



CIÊNCIA


VRB – Ainda não há um consenso sobre o que é a ciência e o que não é ciência. É o tema em discussão neste encontro.

Karl Popper - A ciência não é um sistema de enunciados certos ou bem estabelecidos, nem é um sistema que avance continuamente em direção a um estado de finalidade. Nossa ciência não é conhecimento (episteme): ela jamais pode proclamar haver atingida verdade ou um substituto da verdade, como a probabilidade.


VRB – Podemos aventar a hipótese da inércia cognitiva, mediante a qual tudo se estabiliza numa imobilidade dogmática. Parece-se que a ciência tem a tendência de fechar-se em paradigmas.


Max Planck – Uma nova verdade científica não triunfa convencendo seus oponentes e fazendo com que vejam a luz, mas porque seus oponentes finalmente morrem e uma nova geração cresce familiarizada com ela.


Jacobi Bronowski – A Ciência é uma tentativa de representar o mundo conhecido como um sistema fechado com um formalismo perfeito. A descoberta científica é um constante processo dissidente para forçar a abertura dos limites do sistema, para revelá-lo outra vez e, então, depois de ter introduzido sua parcela específica de trabalho, fechá-lo rapidamente. É claro que todos gostariam que a sua fosse a última descoberta. Mas, ora — ou prefiro dizer, felizmente — isto não acontece. É da natureza de todos os sistemas simbólicos só permanecerem fechados enquanto não se tenta dizer alguma coisa com eles, que já não esteja contida em todo o trabalho experimental feito.

O que distingue a Ciência é ela ser uma tentativa sistemática de estabelecer sistemas fechados, um depois do outro. Mas toda a descoberta científica fundamental abre novamente o sistema.
A ciência não é um livro, registro de fatos ou regras; é o processo de criação de conceitos que dão unidade e sentido à natureza.

Thomas Kuhn - Embora algumas vezes seja necessário uma geração para que a mudança se realize, as comunidades científicas seguidamente têm sido convertidas a novos paradigmas. Além disso, essas conversões não ocorrem apesar de os cientistas serem humanos, mas exatamente porque eles o são. Embora alguns cientistas, especialmente os mais velhos e mais experientes, possam resistir indefinidamente, a maioria deles pode ser atingida de uma maneira ou outra. Ocorrerão algumas conversões de cada vez, até que, morrendo os últimos opositores, todos os membros da profissão passarão a orientar-se por um único - mas já agora diferente - paradigma.


VRB – Até certo ponto, isso é verdade. Mas há idéias obsoletas que possuem uma força assaz poderosa e que atravessam gerações até finalmente perda sua validade. Uma idéia que se arrime no senso comum é dotada de uma extraordinária vitalidade.


Gaston Bachelard – Só existe um meio de fazer a ciência avançar: é o de atacar a ciência já constituída, ou seja, mudar a sua constituição.

A ciência contemporânea pretende conhecer fenômenos e não coisas. Ela não é de modo algum coisista. A coisa não é mais do que um fenômeno parado.

George Bernard Shaw – A ciência nunca resolve um problema sem criar pelo menos outros dez.


VRB – A ciência tem a sua fé e seus fanáticos. A crença de que o universo é organizado e, portanto, inteligível e que a razão é capaz de, um dia, entender e dominar a realidade. E tem os seus fanáticos: aqueles que transformaram hipóteses em dogmas, consolidando paradigmas que subjugam a comunidade científica de determinada época.


Albert Einstein – Sem a convicção de uma harmonia íntima do universo, não poderia haver ciência. Esta convicção é, e continuará a ser, a base de toda a criação científica.

A ciência sem a religião é coxa, a religião sem a ciência é cega.

VRB – A fé é a certeza sem prova. A ciência é a probabilidade da certeza.


Max Planck – Quem quer que se tenha ocupado seriamente de trabalho científico de qualquer tipo percebe que sobre os portões de entrada do templo da ciência estão escritas as palavras: Deveis ter fé. É uma qualidade que o cientista não pode dispensar.


Albert Einstein – A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É esta a emoção fundamental que está na raiz de toda ciência e arte. O homem que desconhece esse encanto, incapaz de sentir admiração e estupefação, esse está, por assim dizer, morto, e tem os olhos extintos.


Max Planck – A ciência não pode resolver o mistério final da natureza. E isso porque em última análise nós mesmos somos parte do mistério que estamos tentando resolver.


Rámon y Cajal – Enquanto o cérebro for um mistério, o universo também será um mistério.


Karl Popper – O objetivo da ciência é saber cada vez mais.


Arthur Koestler – A ciência não pode dar as respostas definitivas, mas pode formular as perguntas adequadas.


René Thom – Em carta que dirigi a Paul Germain, afirmei que não há critério único de cientificidade. Cada domínio disciplinar elabora os seus próprios critérios de cientificidade.


Ludwig Von Bertalanffi – A ciência em geral consiste em larga medida em super-simplificações nos modelos que usa. Há um aspecto de idealização em cada lei e modelo da ciência. O modelo do átomo concebido por Bohr foi uma das mais arbitrarias simplificações jamais concebidas, mas entretanto tornou-se uma pedra angular da física moderna.


Karl Popper – O velho ideal científico da episteme - do conhecimento absolutamente certo, demonstrável - mostrou não passar de um "ídolo". A exigência da objetividade científica torna inevitável que todo enunciado científico permaneça provisório para sempre. Pode ele, é claro, ser corroborado, mas toda corroboração é feita com referência a outros enunciados, por sua vez provisórios. Apenas em nossas experiências subjetivas de convicção, em nossa fé subjetiva, podemos estar "absolutamente certos".


Carl Sagan – Existem muitas hipóteses em ciência que estão erradas. Isso é perfeitamente aceitável, eles são a abertura para achar as que estão certas.


Jules Henri Poincaré – Assim como casas são feitas de pedras, a ciência é feita de fatos. Mas uma pilha de pedras não é uma casa e uma coleção de fatos não é, necessariamente, ciência.


VRB – Por mais que avancemos em todas as áreas do conhecimento, surgem sempre novos mistérios como subprodutos da nossa crescente ignorância.


Hubert Reeves – Hoje, os cientistas admitem que todas as teorias da física contemporânea são aproximativas. Nenhuma dá uma imagem universalmente válida do mundo real. Além disso, cada uma funciona dentro de determinado domínio, definido por certas condições e fora do qual se torna inútil.


Albert Einstein – A coisa mais bela que o homem pode experimentar é o mistério. É esta a emoção fundamental que está na raiz de toda ciência e arte. O homem que desconhece esse encanto, é incapaz de sentir admiração e estupefação, esse já está, por assim dizer, morto, e tem os olhos extintos.


VRB – Platão já dizia que o espanto é próprio do filósofo. Já os estóicos afirmavam que o sábio não se espanta com nada. Se o espanto é o ato de encantar-se com o inédito, concordo plenamente com Platão.


Albert Einstein – O trabalho de pesquisadores e cientistas germina no campo da imaginação e da intuição.


Mário Schenberg – A criação científica é uma coisa bastante interessante. Se fosse simplesmente raciocinar logicamente seria uma coisa fácil, mas não é. Às vezes, é preciso raciocinar errado para chegar ao resultado certo. Agora, qual o método para raciocinar errado e chegar a uma solução correta, é uma grande incógnita.


Jacob Bronowski – A ciência é uma descrição do mundo, ou melhor, uma linguagem para descrever o mundo. Confina-se nos limites das observações, e nada afirma fora do escopo da observação. Qualquer outra coisa não é ciência, é escolástica.

A ciência é uma atividade de ordenação da nossa experiência. É um mecanismo de previsão em processo de contínua autocorreção.
A ciência começa pela crença numa ordem do mundo; ou melhor, que o mundo pode ser ordenado por arranjo humano. Ela é um conjunto de observações ordenadas e um mecanismo de previsão em processo de contínua autocorreção. A ciência é a aceitação do que é eficaz e a rejeição do que não é.
Temos de aprender a compreender que o conteúdo de todo conhecimento é empírico e que seu teste é a eficácia.
O que distingue a Ciência é ela ser uma tentativa sistemática de estabelecer sistemas fechados, um depois do outro. É uma atividade experimental baseada em tentativas e erros. Mas toda a descoberta científica fundamental abre novamente o sistema.
A ciência não é um árido registro de fatos, mas sim a procura da ordem dentro dos fatos. E a verdade da ciência não é a verdade do fato, que nunca pode ser mais que aproximada, mas a verdade das leis que vemos nos fatos.
Toda concepção de causas em ciência provém, historicamente, do êxito da lei da gravidade.
A ciência não é um árido registro de fatos, mas sim a procura da ordem dentro dos fatos. E a verdade da ciência não é a verdade do fato, que nunca pode ser mais do que aproximada, mas a verdade das leis que vemos nos fatos.
A ciência não pode existir sem juízos de valor e nem como uma pálida atividade mecânica.

Albert Einstein – Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade.


VRB – A ciência se constrói a partir das nossas experiências com o mundo?


Jacob Bronowski – Não. Não construímos o mundo a partir de nossas experiências: temos, sim, consciência do mundo em nossas experiências.

É a mente inquisidora que transforma o acidente num ao providencial.

VRB – A ciência, pelo seu prestigio, se tornou, sob certos aspectos, um sucedâneo da religião. Assim, parece existir uma tendência de que ela satisfaça nossos desejos, mediante milagres tecnológicos.


Carl Sagan – E se o mundo não corresponde em todos os aspectos a nossos desejos, é culpa da ciência ou dos que querem impor seus desejos ao mundo?


VRB – A confiabilidade de uma hipótese científica se legitima através do teste?


Jacobi Bronowski – O objetivo da ciência é funcionar, e não se testada, embora seja preciso testá-la como um diagnóstico, ou salvaguarda instrumental, a fim de que possamos perceber disfunções, não devemos pôr o carro à frente dos bois. Mesmo do ponto de vista lingüístico, estaremos fazendo um convite ao erro se descrevermos toda ação científica como um teste. A exigência funcional é que uma teoria científica funcione – como quer que se defina o termo. E perderemos esse conceito se permitirmos que a linguagem do diagnóstico o distorça, falando em teste toda a vez que o aplicarmos.


VRB – Há hipóteses que são rejeitadas à míngua de comprovação empírica.


Carl Sagan – A ausência da evidência não significa evidência da ausência.


Gregory Bateson – A ciência é uma maneira de perceber.

A ciência investiga; ela não prova nada. Ela, às vezes, aperfeiçoa hipóteses e algumas vezes as refuta.

Jacob Bronowski – O símbolo e a metáfora são tão necessários à ciência como à poesia.


VRB – E qual, na sua opinião, deve ser a postura do cientista?


Jacob Bronowski – A discordância. Ela deve ser a atividade natural do cientista. Ninguém pode ser um cientista se não possuir independência de observação e de pensamento.

Por incrível que pareça, não existem regras técnicas para o êxito da ciência.
Todos os cientistas têm de aprender duramente a sua lição, isto é, respeitar as opiniões do seu semelhante, ainda que ele seja bastante indelicado na expressão das mesmas.

VRB – Parece que a ciência moderna se inclina mais para o probabilismo do que para o determinismo.


Jacob Bronowski – É esse o pensamento revolucionário da ciência moderna. Substitui o conceito do efeito inevitável pelo de tendência provável.


VRB – Ainda permanece o ranço de se afastar as ciências da natureza das ciências humanas e sociais.


Jacob Bronowski – É um equívoco. Não há ciência que não seja, de algum modo, ciência social.


VRB – Podemos falar em verdades científicas?


Paul Davies – Nem todos os físicos pensam que tenha sentido falar da “verdade” . A física, segundo esta outra filosofia, nada tem a ver com a verdade, mas com modelos: modelos que nos ajudam a rela¬cionar observações de forma sistemática. Niels Bohr expressou este ponto de vista, dito positivista, ao dizer que a física enuncia o que nós podemos saber acerca do mundo, e não como ele é. A teoria quântica levou muitos cientistas a declarar que não há realidade “objetiva” de espécie alguma. A única realidade é a revelada pelas nossas observações. Segundo este ponto de vista, não é possível afirmar que uma teoria está 'certa' ou 'errada', mas apenas se é útil ou não; e uma teoria útil é a que conecta um vasto âmbito de fenômenos num único esquema descritivo bastante apurado. Este ponto de vista é diametralmente oposto ao da religião, em que o adepto acredita numa verdade última. Uma proposição religiosa é vulgarmente tomada como certa ou errada, e não como uma espécie de modelo das nossas experiências.


Karl Popper – As teorias científicas procuram organizar a realidade, descobrindo regularidades e tornando possível a previsibilidade de fatos. O mais importante, porém, numa teoria é a sua capacidade de enfrentar críticas e testes. E a melhor teoria é aquela que explica mais e com maior precisão, permitindo melhores previsões. A ciência não se origina de observações, mas de problemas e “a maior contribuição de uma teoria para o crescimento do conhecimento científico está nos problemas que suscita”. As teorias são aproximações da verdade. Por conseguinte, “é um erro acreditar que a atitude do cientista natural é mais objetiva do que a do cientista social”.

Uma boa teoria é aquela que, em princípio, pode ser refutada. Aquela que proíbe alguma coisa e é derrubada quando o proibido acontece. Aquela que fixa algumas condições sob as quais se tornaria insustentável. Por conseguinte, uma teoria irrefutável não é científica.
Para fugir a qualquer postura dogmática, é mister considerar todas as leis e teorias como tentativas, mesmo quando não seja mais possível duvidar delas.
É mais fácil tornar uma teoria científica credível do que prová-la.

VRB Para os cientistas, a objetividade é a que distingue dos demais ramos do conhecimento.


Karl Popper – A objetividade da ciência consiste na atitude de criticismo e no exame crítico da experiência. Porém, “uma teoria científica pode tornar-se uma moda intelectual, um substituto para a religião, uma ideologia entrincheirada”. O verdadeiro coração da filosofia é constituído pelos problemas da teoria do conhecimento. Constitui uma “perdição intelectual” o abandono de problemas reais em favor de problemas meramente verbais.


VRB – E quanto à afirmação da neutralidade científica?


Karl Popper – A neutralidade científica é um mito, pois “não podemos roubar o partidarismo de um cientista sem também roubá-lo de sua humanidade, e não podemos suprimir o destruir seus juízos de valores sem destruí-lo como ser humano e como cientista. Se há valores extracientíficos da atividade científica, o cientista “objetivo” ou “isento de valores” é, dificilmente, o cientista ideal.



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sábado, 27 de abril de 2013

O Movimento Espírita ideal, segundo a ortodoxia





O Movimento Espírita ideal, segundo a ortodoxia

Primeiro, vamos desmistificar uma coisa: não existe "movimento" ortodoxo. Existem pessoas com pensamento ortodoxo. Eu, por exemplo, não combino com ninguém algum "script" de debates em defesa dos mesmos pontos de vista. Simplesmente as pessoas aparecem, se identificam com a linha de pensamento e com toda naturalidade do mundo, sem psicografias, sem TCI, sem instruções de "mentores" espirituais, começam a falar a mesma linguagem.

Se eu não estiver sendo muito pouco modesto, tudo isso começou na internet comigo mesmo e com o nosso grande amigo Cesar Prado há cerca de uns 10 ou 12 anos, ainda no canal de IRC de Espiritismo. Veja o atrevimento: falar há mais de uma década que deveríamos adotar o CUEE!

Com o tempo o discurso ganhou novos concordantes. Não direi "adeptos", pois não há como eu disse um grupo formado com direcionamento orientado. E desta mesma forma espontânea, concluímos algumas coisas, que salvo discordância de alguns
destes colegas, explanarei para você de forma sucinta.

Não há repulsa por este ou aquele autor em específico, mas por conteúdo de obras que afrontem diretamente a codificação espírita e que NAO TENHAM sido apreciados em função do CUEE, da ciência acadêmica ou por qualquer método de aferição de verdade que possa existir.
Não aceitamos contradição com a codificação sem um valor de veracidade, de com probabilidade superior ao valor que a própria codificação possui.

Só esta minha afirmação acima já contradiz as afirmações tipicamente imbecis de uma meia dúzia de místicos metidos a intelectuais que infernizam a internet - mas, que felizmente não atingem o grande público (até porque eles nada fazem em prol do que acreditam ou contra o que desacreditam). Segundo estes, nós só aceitamos Kardec... Sim, principalmente quando ele estabelece a NECESSIDADE de aferição das informações.
Aferiu? Comprovou? Então está tudo bem, oras... O problema é que ninguém aferiu nem comprovou algumas práticas que contradizem frontalmente os princípios da codificação.

Dou exemplo: a Transcomunicação Instrumental... Há anos atrás tive um embate com um sujeito defensor da TCI no IRC e disse que eu não aceitaria a TCI enquanto ela negasse a necessidade de um médium de efeitos físicos, conforme nos orienta o LM. Simplesmente não teria cabimento imaginar quem espíritos pudessem livremente interferir em equipamentos eletrônicos - isso colocaria até a segurança mundial em perigo!... Agora, recentemente, ando lendo por aí que a TCI séria (aquela que não defende Ashtar Sheran) já admite que os médiuns sejam necessários para se produzir o fenômeno. Então AGORA eu posso admitir a TCI como pesquisa séria.

Então, os autores cujos conteúdos são concordantes com a codificação "passam". Os que pretendem "estender" a compreensão da codificação e que ousam digressões alternativas, mas não discordantes, permanecem em estado latente e a estes nos referimos como possuidores de conteúdo de "OPINIÃO PESSOAL". Já os autores que se chocam contra a codificação e que não comprovaram nada, estes têm nossa repulsa.

Feito este preâmbulo, vamos ao seu questionamento: o que seria uma casa espírita ideal segundo podemos deduzir dos ortodoxos?

Em primeiro lugar, não poderíamos falar de uma "casa espírita ideal". Não adianta um grupo em discurso defender uma metodologia solidária de aferição - o CUEE - e ao mesmo tempo atomizar o referencial em UMA casa espírita. Temos que falar em um MOVIMENTO ESPÍRITA IDEAL. Uma casa espírita sozinha jamais faria pesquisa ou aplicação do CUEE - OU OUTRO MÉTODO MODERNO DE AFERIÇÃO.

Num ME ideal as casas espíritas exaustivamente esgotam o conteúdo da codificação. Há naqueles livros materiais para uma vida inteira de estudos e análise e não consigo compreender como é que alguém entra hoje numa casa espírita e em seis meses sai lendo Ramatis, defendendo apometria, atacando o CUEE sem sequer ter esgotado a compreensão real do que na codificação está escrito...

Didaticamente, em um ME ideal os autores subsidiários, bem como as questões da modernidade, da evolução social e tecnológica, seriam também estudados em confronto com a codificação. As novidades da ciência seriam colocadas também em confronto com a codificação e onde a ciência já provou que nossos livros estão errados, a ciência será o conceito admitido pelos espíritas. Um grande exemplo é A Gênese e seu capítulo sobre corpos celestes, já derrogados pela astronomia moderna.

Pedagogicamente em um ME ideal, de forma não prioritária, os autores céticos e mesmo místicos discordantes da codificação "poderiam" ser objeto de análise comparativa. Afinal, não adiante ficarmos repetindo que os conceitos ramatistas QUANDO CONFUNDIDOS com Espiritismo estão equivocados se nós sequer não expomos as obras e os problemas para os estudantes de Espiritismo. O real Espiritismo não deve ter medo de examinar seus antagonistas, questionadores e mistificadores.

As práticas operacionais em um ME ideal deveriam seguir uma metodologia que prezasse a coerência doutrinária. “Os rituais já dogmatizados no ME atual como “palestras públicas”, passes em fins de palestras, água fluidificado e culto” do evangelho do lar seriam rigorosamente revistas e com algumas certezas desestimuladas. Em vez de atitudes mecanizadas, o questionamento livre. Por que palestra, se eu posso fazer um grupo de estudos? Porque água fluidificada se eu acredito no mérito moral do paciente? Por que "culto do evangelho no lar" se meu pensamento deve estar voltado o tempo todo para minha elevação moral e não por 15 minutos em minha casa?... Coisas assim...

E finalmente, em um ME ideal prevalece o caráter científico e filosófico da doutrina espírita. As conseqüências morais são do foro íntimo de cada um, mas o DEVER deste novo ME é FORMAR consciências sem MOLDAR pensamentos. Para o bom julgamento das atitudes íntimas, o individuo deve conhecer plenamente a realidade que o cerca. Este conhecimento só pode vir da obtenção de informações e estas informações só podem vir da pesquisa científica espírita, seja ela via aplicação do CUEE em uma grande rede de Casas Espíritas espalhadas pelo mundo inteiro (ou ainda que seja pelo Brasil), ou pela aplicação de outra metodologia de aferição moderna ou preferencialmente até pelas conclusões da própria ciência acadêmica.

Na prática, a ortodoxia espírita represente o que de mais MODERNO há no pensamento filosófico doutrinário, por mais paradoxal que possa parecer. Exatamente pela nossa busca pela pureza doutrinária, somos nós os mais interessados na ciência e na tecnologia como meios de buscar a verdade absoluta do que o Espiritismo ainda pode nos revelar.

Quem acusa a ortodoxia de "trava para o progresso" do Espiritismo padece de cinismo crônico e invariavelmente situa-se na faixa do pensamento místico. E o que é o "avanço" que o misticismo defende? Um avanço "para trás", na busca de soluções mágicas, na atenção à solenidade mórbida de supostas entidades avançada que ainda praticam rituais do Antigo Egito.

Os ortodoxos querem a ciência. Não sabemos o que os opositores querem... Talvez que as coisas fiquem como estão.
E como estão as coisas?
Da seguinte forma: as gloriosas verdades espíritas, que vieram ao mundo para apontar novos caminhos para TODOS os homens de TODOS os povos têm 1,37% de seguidores entre a população do maior país espírita do planeta.

Honestamente, eu não sei a quem agrada a manutenção deste estado de coisas.
No meu ponto de vista, é pura falta de caridade deixar o Movimento Espírita da forma como está.


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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Herculano anti marxista


Texto extraído do livro "Herculano Pires, apóstolo de Kardec", biografia EXCELENTE de Jorge Rizzini do "metro que melhor mediu Kardec"

"Curioso é que a tese com o texto primitivo, vinte e cinco anos depois de sua publicação pela Editora Lake (já estando, portanto, nas livrarias a segunda edição com o texto definitivo impresso pela Edicel), veio a causar aborrecimentos a Herculano Pires.

É que os jovens que constituíam o Movimento Universitário Espírita de Campinas (movimento que mereceu no início o apoio de Herculano Pires) publicaram em seu órgão oficial "A Fagulha" artigos baseados na antiga tese, mas que traziam
inegável sabor marxista. Herculano Pires advertiu-os. Os artigos, porém continuaram, citando-lhe o nome e comprometendo sua verdadeira posição doutrinária.

Temos em nosso arquivo cartas de Deolindo Amorim, chamando a atenção de Herculano Pires para o fato. É de notar-se que o grupo havia publicado, um ano antes, o livro Espiritismo e Marxismo, de Jacob Holzmann Neto, o malogrado orador espírita que se perdeu nas teias do comunismo...

Herculano Pires só reagiu publicamente quando o grupo campineiro publicou em separata seu vasto prefácio ao livro Dialética e Metapsíquica, de Humberto Mariotti. Herculano Pires autorizara a publicação, é verdade, mas ao recebê-la teve uma surpresa desagradável: os rapazes, sem avisá-lo, haviam incluído na separata um prefácio assinado pelo marxista Luís de Magalhães Cavalcanti (membro do Movimento Universitário Espírita de Salvador), cujas ideias contrariavam as suas. Agora já não havia outra solução se não desmascarar publicamente o grupo de Campinas.

E Herculano Pires redigiu o magistral artigo "Meu desencontro com A Fagulha", publicado, simultaneamente, na "Revista Internacional de Espiritismo" e no "Mundo Espírita", em setembro de 1971, e em "Unificação", edição de novembro de 1971.

Em carta endereçada a Deolindo Amorim em 9 de novembro de 1971, Herculano Pires havia escrito sobre “A Fagulha”:

“Não sou dos que cruzam os braços diante das mistificações e dos abusos que se praticam no meio espírita. Você mesmo deve ter visto, pelas minhas atitudes e pelos meus artigos, que não sou homem de negaças.”

E mais:

“Parece-me que não temos o direito de calar e fugir nesses momentos. Precisamos fazer como Paulo: tomar posição definida e falar às claras.”

E, referindo-se agora, diretamente, ao grupo campineiro:

“Trata-se de um grupo de jovens universitários, alguns deles brilhantes e promissores. Vi que estavam em caminho errado e quis ajudá-los a se corrigirem. Não é esse o nosso dever?

Poupei-os o mais que me foi possível. Concitei-os a estudar melhor a doutrina, a se furtarem às influenciações de certos elementos adultos que os orientam. Durante uns dois anos ou mais me pediram colaboração para “A Fagulha” e eu sempre os neguei. Eles passaram a reproduzir trechos de meus escritos já publicados em livros, jornais e revistas, extraindo o que lhes convinha e sonegando outros.

Conversei com eles várias vezes, de maneira franca, até mesmo em assembleias espíritas. Tive debates ardorosos com eles. Mas nada adiantou. Acabaram fazendo essa ursada do “Espiritismo Dialético”.

Então só me restava o que fiz: desmascará-los através de um artigo incisivo e objetivo. É pena, mas não havia outro re-curso.”

Deolindo Amorim emocionara-se com o artigo de Herculano Pires, e a certa altura de sua carta de 30 de outubro, exclama:

“Agora, porém, abro a “Revista Internacional de Espiritismo” e vejo seu formidável artigo (não há outro adjetivo!) sobre seu desencontro com “A Fagulha” e não resisti à vontade de lhe escrever imediatamente, embora você ainda me deva resposta a outra carta, no mesmo sentido. Muito bem, Herculano! Aquele artigo é uma definição objetiva, lúcida, inequívoca. Eu bem gostaria que fosse divulgado em separata ou fosse reproduzido em diversos jornais, a fim de que certas inteligências vesgas, inimigas da cultura e da independência intelectual, fiquem sabendo como você pensa e como se situa perante os grupos que querem levar o Espiritismo para os despenhadeiros do marxismo. (...)”

No vibrante artigo Herculano Pires inicialmente define sua po-sição:

“Minha posição é uma só: o Espiritismo é uma doutrina dialética por natureza, mas na linha cristã-evangélica e na linha hegeliana espiritualista; não na linha marxista, que critiquei e critico, por considerá-la até mesmo antidialética.”

E, a seguir o apóstolo de Kardec separa o joio do trigo:

“Minha opinião é a de que o Espiritismo representa a síntese de todo o conhecimento existente. Dessa maneira, o que há de bom no Marxismo, o que provém do próprio Cristianismo, também está no Espiritismo, mas de maneira mais ampla, numa visão interexistencial do homem e do mundo, que falta inteiramente na visão materialista marxista.”
E Herculano Pires insiste com sua costumeira lucidez:

“Não será com os moldes do figurino marxista que conseguiremos dar ao Espiritismo a eficiência necessária na transformação do mundo. Essa transformação, por sua vez, não poderá ser feita, segundo penso, nos moldes de nenhuma das doutrinas sociais atualmente consideradas na Terra como decisivas. A prova aí está, no próprio choque apocalíptico que nos ameaça. Só a Doutrina Espírita aprofunda as causas espirituais das injustiças e monstruosidades da nossa estrutura social, e que por sinal estão presentes não apenas no mundo capitalista, mas também no chamado mundo socialista.”

E Herculano Pires finaliza com estas palavras plenas de bom-senso:

“... não precisamos de nenhuma complementação marxista para o Espiritismo. Pelo contrário, o Espiritismo é que tem muito a dar a todas as filosofias contemporâneas e a todas as ciências, complementando-as com a sua visão integral do homem e da vida.”


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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Em defesa do espiritismo deísta.




Em defesa do espiritismo deísta.

Este artigo tem como principal objetivo explicar porque como filosofo deísta defendo que a doutrina espirita retorne para sua origem que é explicitamente Deísta.
Para isso vamos aplicar aqui o principio de não contradição de Aristóteles e para não restar dúvida usaremos a navalha de occam para finalizar.
Bem vamos começar a explicar o que é o deísmo e qual é sua influencia sobre a doutrina espirita.

O deísmo é uma crença em um ser supremo que permanece incognoscível e intocável. Deus é visto apenas como a "primeira causa" e o princípio básico da racionalidade do universo.
Para aquele que conhecem a doutrina espirita sabem que no O Livro dos Espíritos esta é a resposta da questão 01
01 O que é Deus?
Resposta – Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.


Os deístas acreditam em um deus da natureza - um criador não intervencionista - que permite que o universo corra o seu próprio curso de acordo com as leis naturais. Como um "deus relojoeiro" iniciando o processo cósmico, o universo segue adiante sem necessitar da supervisão de Deus.

Vejamos a definição de Deus segundo Allan Kardec no Cap.II pág.47 do Livro "A Gênese;
4. - Em toda parte se reconhece a presença do homem pelas suas obras. A existência dos homens antediluvianos não se provaria unicamente por meio dos fósseis humanos: provou-a também, e com muita certeza, a presença, nos terrenos daquela época, de objetos trabalhados pelos homens. Um fragmento de vaso, uma pedra talhada, uma arma, um tijolo bastarão para lhe atestar a presença. Pela grosseria ou perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau de inteligência ou de adiantamento dos que o executaram. Se, pois, achando-vos numa região habitada exclusivamente por selvagens, descobrirdes uma estátua digna de Fídias, não hesitareis em dizer que, sendo incapazes de tê-la feito os selvagens, ela é obra de uma inteligência superior à destes.

5. - Pois bem! lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, notando a providência, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras, reconhece o observador não haver nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana. Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são produto de uma inteligência superior à Humanidade, a menos se sustente que há efeitos sem causa.

6.- (...)A existência do relógio atesta a existência do relojoeiro; a engenhosidade do mecanismo lhe atesta a inteligência e o saber. Quando um relógio vos dá, no momento preciso, a indicação de que necessitais já vos terá vindo à mente dizer: aí está um relógio bem inteligente?

Outro tanto ocorre com o mecanismo do Universo: Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras.

O deísmo acredita que as leis precisas e invariáveis definem o universo como possuindo autofuncionamento e sendo autoexplicativo. Estas leis revelam-se através da "luz da razão e da natureza". Confiança no poder da razão troca a fé pela lógica humana.

Agora vamos ver se encontramos grandes diferenças entre o raciocínio deísta é o espirita.

01-DEÍSMO - * Deus é identificado através da natureza e da razão, e não da revelação. Os deístas que creem em Deus, ou pelo menos em um princípio divino, seguem poucos (quando seguem) dos outros princípios e práticas do Cristianismo, Judaísmo ou de qualquer religião que acredite em um Deus pessoal. Qualquer deus deísta é uma entidade eterna cujo poder é igual à sua vontade.
01-ESPIRITIA - * 20. - A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial.
«Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo?» Esta a interrogação que a si mesmo dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a existência de Deus, só se pode admitir, quanto à sua ação, que ela se exerça sobre as leis gerais do Universo; que este funcione de toda a eternidade em virtude dessas leis, às quais toda criatura se acha submetida na esfera de suas atividades, sem que haja mister a intervenção incessante da Providência.( Cap.II do Livro "A Gênese)

02-DEÍSMO * Alguns deístas creem em Jesus Cristo, enquanto que outros não. A maioria dos deístas mostra respeito aos ensinamentos morais de Jesus.
02-ESPIRITIA- * Para o espirita o mesmo se aplica e poderíamos ir mais longe quando encontramos no ESE(Evangelho Segundo o Espiritismo) a seguinte mensagem: “Foi Moisés quem abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá”.

03-DEÍSMO * A Bíblia não é aceita como a infalível Palavra de Deus. Os deístas refutam a evidência da encarnação de Jesus como sendo Deus na Terra. Eles negam a credibilidade de qualquer escrito dos apóstolos ou qualquer outro escrito "divinamente inspirado".
03-ESPIRITIA- * No cap. III do livro dos Espiritos, final do item 59, depois de analisar as contradições entre a Bíblia e as Ciências, no tocante à criação do mundo, Kardec declara: "Devemos concluir que a Bíblia é um erro?
Não; mas que os homens se enganaram na sua interpretação".
Devemos reconhecer na Bíblia a sua natureza profética (ou seja: mediúnica), encerrando a l Revelação, no ciclo histórico das revelações cristãs. Esse ciclo começa com Moisés (l Revelação), define-se com Jesus (II Revelação) e encerra-se com o Espiritismo (III Revelação). Os leitores encontrarão explicações detalhadas a respeito em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, que é um manual de moral evangélica.
O conceito espírita de Revelação, porém, não é o mesmo das religiões em geral. Revelar é ensinar, e isso tanto pode ser feito pelos Espíritos (revelação divina) quanto pelos homens
(revelação humana), assim com esta sendo feito aqui revelando a influencia deista na doutrina espirita, e isto não tem nada de sobrenatural.
Portanto para o espirita a Bíblia não é a palavra de Deus, pois Deus não escreve livros, ele se revela através das Leis da Natureza.

04-DEÍSMO * O deísmo não tem nenhum credo, artigos de fé ou livro sagrado. Satanás e o inferno não existem, apenas símbolos do mal que podem ser superados pelo raciocínio do próprio homem.
04-ESPIRITIA- * A prática espírita é realizada com simplicidade, sem nenhum culto exterior, não tem sacerdotes e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenos, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais ou quaisquer objetos, rituais ou formas de culto exterior.
O Espiritismo não impõe os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-lo a submeterem os seus ensinos ao crivo da razão, antes de aceitá-los.

05-DEÍSMO * O homem tem a capacidade de decidir o caminho sensato a ser seguido quanto à sua moralidade. Os deístas se referem a si mesmos como "livres pensadores".
05-ESPIRITIA- * Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade. Está é a máxima que foi ao longo do tempo abandonada pelos espiritas Brasileiros, que trocaram a razão por psicografias duvidosas.
Pois Kardec no O Livro dos Espíritos na questão 619 recebe a resposta dos espíritos que Deus deu a todos os Homens a oportunidade de conhecer sua lei, mas os que a compreendem melhor são os que se esforçam para encontrá-la, ou seja, usam a razão e no, 621 a firmam que a lei de Deus esta na consciência.
Assim como Kant que acreditava que a capacidade de distinguir o certo é errado é inato.

06-DEÍSMO * Os deístas rejeitam revelações e visões. Não há lugar para o absurdo de milagres e profecias na vida de um deísta iluminado.
06-ESPIRITIA- * Vamos consultar o que orienta a A Gênese sobre “OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO”
14. - Pois que o Espiritismo repudia toda pretensão às coisas miraculosas, haverá, fora dele, milagres, na acepção usual desta palavra?
Digamos, primeiramente, que, dos fatos reputados milagrosos, ocorridos antes do advento do Espiritismo e que ainda no presente ocorrem, a maior parte, senão todos, encontram explicação nas novas leis que ele veio revelar. Esses fatos, portanto, se compreendem, embora sob outro nome, na ordem dos fenômenos espíritas e, como tais, nada têm de sobrenatural. Fique, porém, bem entendido que nos referimos aos fatos autênticos e não aos que, com a denominação de milagres, são produto de uma indigna trampolinice, com o fito de explorar a credulidade.

07-DEÍSMO * O deísmo não tem necessidade de ministros, padres ou rabinos. Tudo de que um indivíduo precisa é o seu próprio bom senso e a capacidade de contemplar a sua condição humana.
07-ESPIRITIA- * Isto esta respondido na 04 .

Vamos apresentar mais alguns dados para contribuir com nosso ponto de vista.
Herbert apresentou os pontos básicos do deísmo que pode ser resumido na seguinte maneira: "Deus existe, e pode ser cultuado pelo arrependimento e por uma vida de tal modo digna, que a alma imortal possa receber a recompensa eterna em vez do castigo". Outros deístas influentes, como Charles Bloynt (1654-1693), John Tolarndt(1670-1722), Lorde Shaftesbury (1671-1713) pregaram que o cristianismo não era um mistério e poderia ter sua autenticidade verificada pela razão; tudo o que não pudesse ser provado pela razão deveria ser descartado.

Entretanto, foi na época do Iluminismo no final do século XVII, que o movimento deísta atingiu o seu apogeu partir dos escritos de autores ingleses e franceses como Thomas Hobbes, John Locke, Jean Jacques Rousseau e Voltaire. O mais famoso dos deístas franceses foi Voltaire, que adquiriu o gosto pela ciência newtoniana, e reforçou inclinações deístas, durante uma visita de dois anos a Inglaterra a partir de 1726.

Agora vamos pegar um pequeno trecho do o dicionário Filosófico de Voltaire onde ele aborda o tema milagres.
Um milagre é a violação das leis matemáticas, divinas, imutáveis, eternas. Mediante essa única exposição, um milagre é uma contradição nos termos. Uma lei não pode ser mutável a violada. Mas uma lei, diz-se-lhes, sendo estabelecida por Deus mesmo, não poderá ser suspensa pelo seu autor?
(...) Demais, Deus nada pode fazer sem razão; ora, que razão poderia levá-lo a desfigurar por algum tempo a sua própria obra? É em favor dos homens, diz-se-lhes. Será, pois, ao menos em favor de todos os homens respondem eles: pois é impossível conceber que a natureza divina trabalhe para alguns homens em particular e não para todo o gênero humano; mesmo o gênero humano é pouca coisa: é muito menos do que um pequeno formigueiro em comparação com todos os entes que preenchem a imensidão. Ora, não é a mais absurda das loucuras imaginarem que o Ser Infinito invertesse em favor de três ou quatro centenas de formigas nesse pequeno pedaço de lodo, o movimento eterno dessas molas imensas que fazem mover o inteiro universo?

Vamos comparar com o que defende a doutrina espirita e ver se encontramos diferenças.
Faz Deus milagres?( A Gênese CAPÍTULO XIII)

15. - Quanto aos milagres propriamente ditos, Deus, visto que nada lhe é impossível, pode fazê-los. Mas, fá-los? Ou, por outras palavras; derroga as leis que dele próprio emanaram? Não cabe ao homem prejulgar os atos da Divindade, nem os subordinar à fraqueza do seu entendimento. Contudo, em face das coisas divinas, temos, para critério do nosso juízo, os atributos mesmos de Deus. Ao poder soberano reúne ele a soberana sabedoria, donde se deve concluir que não faz coisa alguma inútil.

Por que, então, faria milagres? Para atestar o seu poder, dizem. Mas, o poder de Deus não se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto das obras da criação, pela sábia previdência que essa criação revela, assim nas partes mais gigantescas, como nas mais mínimas, e pela harmonia das leis que regem o mecanismo do Universo, do que por algumas pequeninas e pueris derrogações que todos os prestímanos sabem imitar? Que se diria de uni sábio mecânico que, para provar a sua habilidade, desmantelasse um relógio construído pelas suas mãos, obra-prima de ciência, a fim de mostrar que pode desmanchar o que fizera? Seu saber, ao contrário, não ressalta muito mais da regularidade e da precisão do movimento da sua obra?


Não é, pois, da alçada do Espiritismo a questão dos milagres; mas, ponderando que Deus não faz coisas inúteis, ele emite a seguinte opinião: Não sendo necessários os milagres para a glorificação de Deus, nada no Universo se produz fora do âmbito das leis gerais. Deus não faz milagres, porque, sendo, como são, perfeitas as suas leis, não lhe é necessário derrogá-las. Se há fatos que não compreendemos, é que ainda nos faltam os conhecimentos necessários.
(...)
Querem dar ao povo, aos ignorantes, aos pobres de espírito uma ideia do poder de Deus? Mostrem-no na sabedoria infinita que preside a tudo, no admirável organismo de tudo o que vive, na frutificação das plantas, na apropriação de todas as partes de cada ser às suas necessidades, de acordo com o meio onde ele é posto a viver. Mostrem-lhes a ação de Deus na vergôntea de um arbusto, na flor que desabrocha, no Sol que tudo vivifica.
(...)
Então, os homens serão verdadeiramente religiosos, racionalmente religiosos, sobretudo, muito mais do que acreditando em pedras que suam sangue, ou em estátuas que piscam os olhos e derramam lágrimas.

Bem agora vamos analisar onde Kardec se equivocou, pois temos que considerar que debaixo do sol não existe perfeição, pois, podemos ver que existe diversos equívocos nas respostas do o Livro dos Espíritos e em alguns dados da A Gênese.

Antes explicando o que significa: A Navalha de Occam ou Navalha de Ockham é um princípio lógico atribuído ao lógico e frade franciscano inglês William de Ockham (século XIV).

O princípio afirma que a explicação para qualquer fenómeno deve assumir apenas as premissas estritamente necessárias à explicação do fenómeno e eliminar todas as que não causariam qualquer diferença aparente nas predições da hipótese ou teoria.

O princípio é frequentemente designado pela expressão latina Lex Parsimoniae (Lei da Parcimónia)

Pois foi este principio que foi aplicado para explicar a explicita influencia deísta na doutrina colocando abaixo esta analise de Kardec. Usando como pode ser visto a premissas de comparação e ou analogia.

Mas agora vemos em; Obras Póstumas (As cinco alternativas da humanidade)
Os deístas independentes crêem em Deus; admitem todos os seus atributos como criador. Deus, dizem eles, estabeleceu as leis gerais que regem o Universo, mas essas leis, uma vez criadas, funcionam sozinhas, e seu autor não se ocupa mais de nada. As criaturas fazem o que querem ou o que podem, sem que com isso se inquietem. Não há, providência; Deus, não se ocupando conosco, nada há a agradecer-lhe, nem a pedir-lhe.
Há uma diferença essencial entre o deísta independente dos quais acabamos de falar, e o deísta providencial; este último, com efeito, crê não só na existência e no poder criador de Deus, na origem das coisas; crê ainda em sua intervenção incessante na criação e a pede, mas não admite o culto exterior e o dogmatismo atual.

Vemos que Kardec faz uma analise do Deísmo, mas no fim não é outra coisa que a doutrina espirita ensina.

A responsabilidade espírita é individual, cada qual responde por si mesmo e não pode prender-se a supostos mestres espirituais é o despertar da consciência na experiência é o seu caminho único de progresso. Ele não confia em palavras, mas nos fatos.
Não busca a ilusão de uma salvação confessional, mas aprofunda-se no conhecimento doutrinário para saber por si mesmo onde pisa e para onde vai.

Na doutrina espírita a dúvida é um dos elementos básicos para a busca da verdade. Kardec a aconselha como método de controle das manifestações mediúnicas e dos estudos dos princípios doutrinários. Mostrando e demonstrando que a atitude comodista de que Deus faz e nós desfrutamos ou suportamos não tem lugar na doutrina espirita. Pois o fazer de Deus no mundo humano se realiza através dos homens capazes de captar a sua vontade e executa-las.

Hora como visto anterior mente e principalmente para aqueles que conhecem a doutrina espirita, segundo as obras básicas não segundo algumas psicografias ordinárias e vazias que só tem um efeito, fazer as pessoas de bom senso acreditar que os espiritas não passam de uma tropilha de ignorantes e sem noção.

Aquele que conhece sabe que a base contradiz Kardec, e aplicando o principio de não contradição de Aristóteles que defende que “O que é em quanto é não pode não ser” temos que ter a atitude de honestidade intelectual e reconhecer que Kardec foi infeliz nesta observação.

Todavia, não apenas no método de elaboração o Espiritismo é herdeiro do Pensamento
Iluminista que na sua maioria eram Deístas, o é também em toda a Teoria Espírita. No “Livro dos Espíritos”, obra que contém a formulação da Codificação Kardeciana resumida em capítulos, encontramos a sua parte terceira dedicada exclusivamente às “Leis morais”, todas elas concebidas, estudadas, utilizadas e defendidas pelo Iluminismo. Pensadores como Rousseau no seu “O Contrato Social”, Montesquieu em “O Espírito das Leis”, Maquiavel (1995) em “O Príncipe”, Descartes em “O Discurso do método”, Voltaire, Diderot, e muitos outros Iluministas escreveram sobre as “Leis históricas do definir”, Leis da sociedade, Lei do Progresso, de Igualdade, de Liberdade, de Justiça e outras.


Agora passando para “O Evangelho segundo o Espiritismo” na pág. 302 do livro em questão Kardec mostra as distâncias entre ver e compreender:

“A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender.”

A fé que tem base no ver é a fé de São Tomé, é “ver para crer” e bem sabemos que essa fé não é suficiente para converter, os ícones do materialismo extremado. Só a fé do saber dá as bases seguras para compreensão e aceitação.

Por isso Kardec no virar da página adverte:
“Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.”

Com a palavra o leitor.

Francisco de Assis
Filósofo Deísta editor do site República dos Espíritos.

Porque o Espíritismo é antimarxista?






“Casar com um milionário pode elevar uma mulher no seu círculo social ou fazê-la obter um excelente emprego, mas nenhum dinheiro no mundo jamais irá comprar seu auto-respeito e a profunda satisfação que vem com conquistas pessoais.
 Você pode comprar a felicidade, mas somente com o dinheiro que você verdadeiramente produziu. 
- Xenia Tchoumitcheva, objetivista.


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sábado, 1 de dezembro de 2012

O Espiritismo não é obra de romance



O Espiritismo não é obra de romance, mas de pesquisa científica
Mediunidade Dinâmica
A mediunidade dinâmica não permanece em êxtase no organismo do médium. Não age de maneira discreta e sutil, como a mediunidade estática. Pelo contrário, extravasa agitada em fenômenos de captação e projeção, não raro explodindo em casos obsessivos. É a chamada mediunidade de serviço, destinada ao auxílio e ao socorro do próximo. Decorre de compromissos assumidos no plano espiritual, seja para auxiliar indiscriminada-mente os que necessitam de ajuda e orientação, seja para o resgate de dívidas morais do passado com entidades necessitadas, cujo estado inferior se deve, em parte ou totalmente, a ações do médium em vidas anteriores. O médium não desfruta apenas as vantagens da mediunidade generalizada, pois se vê investido de uma missão mediúnica a que os Espíritos deram o nome de mediunato.

A situação do médium é bem diferente da comum. Ele é continuamente solicitado para atender a entidades desencarnadas carentes de auxílio e elucidação. Se rejeita o seu compromisso ou tenta protelá-lo fica sujeito a perturbações e final-mente à obsessão. O mediunato lhe foi concedido para reparar os erros do passado e recuperar os espíritos que pôs a perder, levou à descrença e até mesmo à revolta em vidas passadas. Não obstante o determinismo implícito no mediunato, o seu livre-arbítrio continua intacto. Assim como escolheu e pediu essa situação ao voltar à encarnação, por sua livre vontade, assim também poderá agora optar pelo cumprimento da missão ou pela sua rejeição, arcando naturalmente com as conseqüências da fuga ao dever.
O mediunato é também concedido em casos de pura assistência ao próximo e ajuda à Humanidade, como nos mostra o exemplo histórico das meninas Boudin, Julia e Carolina, em Paris, cuja mediunidade admirável garantiu o êxito da missão de Kardec.

Mas o próprio Kardec não era médium, porque a sua missão era científica e não mediúnica. Cabia-lhe estudar e pesquisar a mediunidade para desdobrar a incipiente cultura terrena, revelando aos cientistas a face oculta da Natureza, a realidade desconhecida do outro mundo que eles não percebiam e quando percebiam não aceitavam.

As meninas Boudin, que estavam com apenas 14 e 16 anos, foram os instrumentos mediúnicos de que ele se serviu para a elaboração da Doutrina। Interrogava os espíritos através delas, aceitava ou rejeitava o que diziam, discutia livremente com eles e observava outros médiuns, como a Srta. Jafet, Didier Filho, Camille Flammarion, Victorien Sardou e muitos outros. Não era um profeta, nem um vidente ou Messias: era um pesquisador incansável e exigente. A volumosa, minuciosa e inabalável obra que deixou, formando um maciço de mais de vinte volumes de quatrocentas páginas em média, mostra porque ele não podia dispor de um mediunato. Tinha de dedicar-se inteiramente, como se dedicou até à exaustão, ao trabalho intelectual. E grandiosa a epopéia humilde desse homem, pesquisador solitário de uma ciência que todos combatiam e ridicularizavam. Se não estava investido de mediunato, dispunha da intuição em alto grau, de um bom-senso que lhe permitiu solidificar e estruturar a doutrina em bases seguras e vencer facilmente as mais sofisticadas investidas dos intelectuais, dos sábios, dos ateus e materialistas, das academias e instituições culturais, das igrejas e dos teólogos, mostrando-lhes com serenidade e clareza meridiana os erros temerários em que incidiam. A mediunidade estática lhe permitia, nos últimos anos de trabalho, ser advertido diretamente pelos espíritos de lapsos ocorridos em seus escritos, como se pode ver em suas anotações publicadas em Obras Póstumas. Se os homens não fossem tão estúpidos, como demonstrou Richet em L'Homme Stupide, teriam poupado Kardec dos muitos dissabores e das muitas lutas que teve de sustentar.

Para se compreender melhor a razão pela qual Kardec não teve um mediunato, basta lembrar o caso de Swedenborg na Suécia e de Andrew Jakson Davis nos Estados Unidos. O primeiro era um dos maiores sábios do século XVIII, amigo de Kant e foi um precursor do Espiritismo. Mas, dotado de extraordinária vidência, perdeu-se nas suas próprias visões, fascinado pela realidade invisível, e acabou criando uma seita eivada de absurdos. O segundo era também vidente e lançou uma série de livros em que o fantástico supera as possibilidades do real.


Kardec pôde realizar seu trabalho com firmeza porque não quis ser mais do que homem, como dizia Descartes, permanecendo com os pés no chão e examinando todas as manifestações espirituais com o mais rigoroso critério científico.

Os fenômenos mediúnicos são os mais difíceis de se examinar com frieza. O médium não escapa aos impactos emocionais dessas manifestações, como Kardec viu no próprio exemplo de Flammarion. Por outro lado, a condição de médium o tornaria suspeito aos olhos desconfiados dos homens de ciência. Sua posição firme no campo cultural e nas áreas de pesquisa, que lhe valeram o louvor de Richet e o respeito de Crookes, Zöllner e outros cientistas conscienciosos, e principalmente sua lógica poderosa o livraram dos perigos que ele mesmo apontava no tocante à complexa e fascinante problemática do Espiritismo. Tinha de falar aos homens como homem, e assim o fez, com a linguagem humana dos que buscam a verdade.
Mesmo no meio espírita o critério de Kardec ainda não foi suficientemente compreendido.
Muitos censuram o seu comedimento em tratar de assuntos melindrosos da época. Não entendem o valor de O Livro dos Médiuns e vivem à procura de novidades apresentadas em obras mediúnicas suspeitas.
Não percebem que o problema mediúnico só agora pode ser tratado cientificamente com mais desembaraço, graças ao avanço das ciências nos últimos anos. Poucos entendem o critério modelar de uma obra difícil como A Gênese e de um livro como O evangelho Segundo o Espiritismo, em que as questões explosivas da fé irracional e das influências mitológicas teriam de ser contornadas. Nas mãos de um vidente esses livros não poderiam ser escritos com a clareza racional em que o foram, porque as visões místicas influiriam na sua elaboração.
A vidência, como todas as formas de mediunidade, pode ocorrer ocasionalmente a qualquer pessoa, mas a sua ação permanente, nos casos de mediunato, pode bloquear a razão e excitar o misticismo. Nesses casos o místico está sujeito a enganos fatais.

O espírito encarnado está condicionado à vida do plano material, não dispondo de segurança para lidar com os problemas do plano espiritual. Mas a vaidade humana leva os videntes a confiarem nas suas percepções, pois isso os coloca acima dos outros.
No desdobramento, com fins de pesquisa no outro plano, esse problema se agrava, pois o deslocamento do espírito para um campo de ação que não é o seu, durante a encarnação, o coloca no plano espiritual como um estrangeiro que precisaria de tempo para ajustar-se a ele. Por isso Kardec preferiu o estudo e a investigação através das manifestações mediúnicas, onde é possível controlar-se a legitimidade das informações dadas pelos próprios habitantes do plano espiritual.
Richet levantou o problema do condicionamento da vidência à crença do vidente. Frederic Myers demonstrou que a nossa mente está condicionada para a interpretação das percepções sensoriais.

A consciência supraliminar, onde funciona a nossa mente de relação, está voltada para as condições do mundo em que vivemos. A consciência subliminar, que equivale ao inconsciente, destina-se a funcionar normalmente na vida futura, ou seja, no plano espiritual. Kardec observou tudo isso com rigor, através de pesquisas incessantes, nas comunicações mediúnicas de espíritos encarnados, como se pode ver nos relatos de suas pesquisas publicados na Revista Espírita. Os próprios espíritos recém-desencarnados referem-se sempre às dificuldades que enfrentam para adaptar-se às condições do mundo espiritual. É pois, uma temeridade confiar-se na vidência para estabelecer novos princípios ou sistemas de prática espírita. A vidência auxilia nas pesquisas, mas não pode ser o seu instrumento único.
Os videntes que se colocam na posição de conhecedores absolutos do outro mundo, esquecendo-se de que o seu equipamento sensorial e mental pertence a este mundo, e se apresentam na condição de mestres e reformadores da doutrina enganam-se a si mesmos e enganam aos outros.

Pode-se alegar a existência do mediunato da vidência. Mas esse mediunato jamais é concedido para as aventuras de espíritos de vivos no plano espiritual, porque isso seria condenar o médium a uma situação de dualidade perigosa na vida terrena. O mediunato da vidência existe, mas para fins de auxílio às pesquisas ou para demonstrações da verdade espírita, mas nunca para a criação de condições anômalas no campo mediúnico. As próprias obras mediúnicas, psicografadas, que descrevem com excesso de minúcias a vida no plano espiritual, devem ser encaradas com reserva pelos espíritas estudiosos.
Emmanuel explica, prefaciando um livro de André Luiz, que o autor espiritual se serve de figuras analógicas para explicar fatos e coisas que não poderiam ser explicados de maneira fidedigna em nossa linguagem humana.
São perigosas as duas posições extremadas: a dos que não aceitam essas obras como válidas e a dos que pretendem substituir por elas as obras de Kardec.
Os princípios da Codificação não podem ser alterados pela obra de um espírito isolado. A Codificação não é obra de vidência, mas de pesquisa científica realizada por Kardec sob orientação e vigilância dos Espíritos Superiores.
Estamos numa fase de rápidas transformações de conceitos e valores, mas não devemos esquecer que os conceitos e os valores do Espiritismo não se restringem ao momento atual. São conceitos e valores destinados à nossa preparação para o futuro, de maneira que não estão peremptos.
De tudo isso resulta um acréscimo da responsabilidade espíri-ta para todos os que se deixam levar pela fascinação das novidades. O Espiritismo é um campo de estudos difícil e melindroso, em que não podemos descuidar um só instante da bússola da razão. Ao tratar de assuntos espíritas estamos agindo num campo magnético em que se digladiam as forças do bem e do mal. Nem sempre sabemos distingui-las com segurança e podemos deixar-nos levar por correntes de pensamento desnorteantes. A vaidade, a pretensão, o orgulho humano sempre vazio e fácil de ser levado pelos ventos da mistificação, o desejo leviano de nos diferenciarmos da maioria, a ambição doentia e tola de nos fantasiarmos de mestres podem levar-nos à traição à verdade.
A obra de Kardec é a bússola em que podemos confiar. Ela é a pedra de toque que podemos usar para aferir a legitimidade ou não das pedras aparentemente preciosas que os garimpeiros de novidades nos querem vender.
Essa obra repousa na experiência de Kardec e na sabedoria do Espírito da Verdade. Se não confiamos nela é melhor abandonarmos o Espiritismo.
Não há mestres espirituais na Terra nesta hora de provas, que é semelhante à hora de exames numa escola do mundo. Jesus poderia nos responder, diante da nossa busca comodista de novos mestres, como Abraão respondeu ao rico da parábola: "Porque eu deveria mandar-vos novos mestres, se tendes convosco a Codificação e os Evangelhos?".
A mediunidade dinâmica do mediunato exige o nosso esforço contínuo na luta para sustentação da verdade espírita no mundo. Mas ninguém se esquiva sem graves conseqüências ao dever da vigilância. Os espíritos mistificadores contam apenas com dois pontos de apoio para nos envolverem: a vaidade e a invigilância. É mais fácil a eles se aproximarem de nós e conquistar a nossa atenção, do que aos espíritos esclarecidos nos socorrerem com suas intuições ponderadas. Estamos num mundo de provas e de expiações, somos espíritos em evolução, na maioria repetidores de encarnações fracassadas. Nosso livre-arbítrio não pode ser violado, mas quando aceitamos as mistificações de pretensos reformadores usamos o livre-arbítrio na escolha infeliz que então fazemos. Este é um ponto importante de doutrina em que devemos pensar incessantemente. Nossa responsabilidade no tocante ao mediunato não nos permite leviandade alguma que não tenha um preço a pagarmos no presente ou no futuro. Num ambiente mediúnico dominado pelo desejo de novidades e pela expectativa do maravilhoso, estamos sujeitos sempre a nos embriagar com o vinho das ilusões. O principal dever dos médiuns resume-se em duas palavras: fidelidade e vigilância.
Se não formos fiéis à doutrina e não estivermos sempre vigilantes às ciladas das trevas, estaremos sujeitos a seguir o caminho dos falsos profetas da Terra e da erraticidade, que o cego da parábola levará ao barranco para cair com ele.

___ Jose Herculano Pires


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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Um novo filme espirita

Depois de alguns lixos rotulados de espirita, me parece que este filme segue a linha mais racional tal qual o filme “As cinco pessoas que você encontra no céu”. 

Pois, é um filme que o leva a refletir e não traz pronto uma resposta. Em "A Viagem" várias histórias em épocas diferentes, passado, presente e futuro, estão conectadas mostrando como um simples ato pode atravessar séculos e inspirar uma revolução. 

Os diretores da trilogia Matrix dirigem uma épica estória através dos séculos com Tom Hanks, Halle Berry, Susan Sarandon e Hugh Grant. 

Nada em umbral, nada de colônias, chupa cabras, vampiros astrais, chips de magos negros, mas filosofia. Veja que multo menos fantasioso quando não tem Chico Xavier e Emmanuel. 

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