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domingo, 7 de agosto de 2016

Falcatrua Espírita

Falcatrua Espírita usa nome de São Jerônimo

Por Fernando Nascimento

O que vamos ver a seguir é a desonestidade descarada dos escritores espíritas, em vãs tentativas de forjar crédito para a farsa da reencarnação adulterando textos dos Pais da Igreja.

O escritor espírita Léon Denis em seu livro “Cristianismo e Espiritismo” diz que São Jerônimo, o tradutor da Bíblia Vulgata, “afirma que a transmissão das almas fazia parte dos ensinos revelados a um certo número de iniciados” , porém não faz alusão à qualquer fonte.

O livro “O Espiritismo e as Igreja Reformadas” (de Jayme Andrade, editora EME, quarta edição), dedica o capítulo VII, parte 3 ao estudo da reencarnação na história e lá preenche tal lacuna assim:

“São Jerônimo afirmou (Hyeron, Epistola ad Demeter) que a 'doutrina das transmigrações era ensinada secretamente a um pequeno número, desde os tempos antigos, como um verdade tradicional que não devia ser divulgada.' Esse mesmo Pai se mostra crente na preexistência, em sua 94ª Carta a Ávitus.”

José Reis Chaves, em “A Reencarnação na Bíblia e na Ciência”, 7ª ed., ebm, cap VI; faz coro com Andrade:

“São Jerônimo (...) também aceitava a reencarnação. Aliás talvez seja por isso que a Igreja pouco fale de São Jerônimo. Ele afirma que a transmigração das almas foi ensinada durante um longo tempo na Igreja. (9). Muito do que escreveu São Jerônimo escreveu está em forma de cartas. Em suas Cartas a Avitus, imperador romano, Jerônimo fala sobre a reencarnação (transmigração das almas) (10). E eis o que escreveu São Jerônimo: “A transmigração das almas é ensinada secretamente a poucos, desde os mais remotos tempos, como uma verdade não divulgável.(11)"

As notas de rodapé são:

(9) Evangelho Esotérico de São João, pág. 68, Paulo le Cour, São Paulo, 1993.

(10) Vidas Passadas – Vidas Futuras, pág. 237, Dr. Bruce Goldberg, Editorial Nórdica Ltda. Rio de Janeiro, 1993.

(11) O Mistério do Eterno Retorno, pág. 123, Jean Prieur, Editora Best Seller, São Paulo, SP.

A Verdade:

Começando com a carta a Demetrius, pode-se constatar, procurando nos originais:

http://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf206.v.CXXX.html , que NÃO existe tal referência elogiosa à doutrina da transmigração na carta a Demetrius. Pelo contrário, o que se encontra é:


"Este ensinamento perverso e ímpio foi anteriormente amadurecido no Egito e no Oriente e agora que embosca secretamente como uma víbora em sua toca muitas pessoas daquela região, corrompendo a pureza da fé e gradualmente tocando conta de forma silenciosa como um mal hereditário, até atacar um grande número."

Continuando: a Carta a Ávitus é de número 124 (desconheço outra seqüência que a

enquadre na 94ª posição).

São Jerônimo morreu em 420, não conhecendo nenhum “imperador” de nome Avitus. O cidadão a que ele faz menção deve ter sido o mesmo que o apresentou a uma mulher de nome Salvina na carta 79ª, datada em 400 d.C. 


A carta a Avitus é datada em 409-10. De fato, existiu um imperador romano de nome Avitus (Marcus Maecilius Flavius Eparchius Avitus) que reinou em 455-6 no ocidente, mais de trinta anos após a morte de Jerônimo. Ele nasceu em 395, logo era muito molequinho quando Jerônimo conheceu Salvina por intermédio do outro Avitus e um rapazola quando a carta em questão foi escrita.

Voltando ao que interessa, J.R. Chaves acerta quando diz que São Jerônimo escreveu sobre a “transmigração das almas” para Avitus. Só esqueceu de dizer que ele desceu o sarrafo em tal doutrina a carta inteira! Confira: http://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf206.v.CXXIV.html

Não existe reencarnação, a palavra de Deus diz:

“Está determinado que os homens morram uma só vez e logo em seguida o juízo.” (Hebreus 9,27).

sábado, 18 de junho de 2016

Os dogmas do espiritismo

UM LEITOR, identificado como "Paulo", enviou-nos, no post "Quem foi Chico Xavier?" a mensagem que publicamos abaixo:

"Acho que o principal beneficio do espiritismo é que não nos são impostos Dogmas . O Espiritismo diz que :'Não há salvação , fora da caridade', não temos a necessidade de atacar nossos irmãos que pensam diferente. 
O tempo que é perdido por muitos tentando desmascarar crenças contrárias as suas , é um pecado , pois poderia ser empregado de maneira mais útil e edificante."

“Tornei-me, acaso, vosso inimigo, porque vos disse a verdade?” (Gal 4, 16)
RESPOSTA
Prezado Paulo, agradecemos pelo interesse em compartilhar conosco a sua opinião, e pela confiança depositada em nosso modesto apostolado. Você nos dá a oportunidade de esclarecer dúvidas que certamente são as mesmas de muitas outras pessoas. Vejamos...

Em primeiro lugar, o seu comentário deixa claro que você não compreende o significado da palavra "dogma". Permita-me esclarecê-lo: dogma, para o cristão (e não só para ele), é um princípio de fé, que é aceito por todos aqueles que aderem à Igreja de Cristo. O Catecismo o define perfeitamente, nos seguintes termos:

"Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé, que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé." (CIC§89)

Se você prefere uma definição desvinculada da doutrina da Igreja (creio que sim), o dicionário Aurélio define dogma da seguinte maneira: "Ponto fundamental de doutrina religiosa ou filosófica, apresentado como certo". – Muito simples. O primeiro dos 43 dogmas da Igreja, por exemplo, afirma simplesmente que Deus existe. Ora, se você não crê em Deus, não pode ser considerado cristão, para começar! Imagine alguém dizendo: "Não acredito em Deus mas sou cristão, porque faço caridade!"... 

Consegue entender para que servem os dogmas, e porque eles são realmente necessários? É para preservar a coerência e a legitimidade da fé que eles existem. Ora, desde o início do cristianismo, já nos seus primeiríssimos tempos, surgiram doutrinas estranhas no seio da Igreja, com a difusão de ideias contrárias àquilo que o Senhor disse, fez e ensinou, como por exemplo o gnosticismo, o arianismo, o macedonismo, o monofisismo, o monocletismo, etc. Infelizmente, assim permanece até hoje, sendo a maior heresia dos nossos tempos (segundo o Papa Bento XVI a maior heresia que já existiu) a chamada "'teologia' da libertação", que não renega um, mas praticamente todos os dogmas da fé.

Assim, para que a pureza da fé fosse preservada, – para salvaguardar a autêntica doutrina da Igreja, – fez-se necessário definir e determinar, simplesmente, o que é cristianismo e o que não é. A este conjunto de verdades chamamos "dogmas".


† † †

Esclarecido este primeiro ponto essencial, observando o seu comentário, a segunda evidência que se impõe, e que você não percebe, é que (atenção) toda religião e/ou filosofia espiritualista/religiosa organizada tem os seus próprios dogmas; inclusive o seu espiritismo! Não? Vejamos...

Existe espírita que não crê em reencarnação? Não. Quem não crê em reencarnação não é espírita, porque a reencarnação é, sim, um princípio fundamental da doutrina espírita. Em outras palavras, é um fundamento do espiritismo, dado como certo, e somente depois de aceitá-lo é que alguém pode ser considerado espírita. – Fato 1.

O mesmo podemos dizer da crença na "evolução do espírito" através de uma sucessão de reencarnações, da mediunidade, da psicografia, dos planos espirituais superiores e inferiores, dos "espíritos de luz" e dos "espíritos obsessores", etc, etc. Tudo isso, para o espírita, é princípio de fé; ou seja, tudo isso é, – sim senhor, – dogma espírita. Se alguém se declarar espírita e afirmar que não existe mediunidade, por exemplo, estará na realidade "inventando" uma nova seita, diferente do espiritismo realmente existente. – Fato 2.

Então, quando você diz que o benefício do espiritismo é não ter dogmas, você está, – digo com todo o respeito que lhe devo, – falando uma grande bobagem. Ocorre que toda religião tem os seus próprios dogmas, mesmo que não os chame com esse nome. Ponto.

Finalizando este assunto, hoje até alguns dos maiores homens de ciência do mundo reconhecem que também a ciência tem os seus próprios dogmas, sem os quais o estudo da física e da astronomia, por exemplo, se tornariam impossíveis. A ideia de que “cientista não têm fé” é completamente falsa. Em alguns casos, certas teorias científicas são recheadas de dogmas, precisando até do que chamam de um “salto de fé”. Isso não significa algum problema com a ciência, e sim que a ciência depende de seres humanos, depende da mente humana para ser compreendida, e a mente humana depende de certos processos para funcionar bem. Os teóricos do Multiverso, por exemplo, surgem com explicações cada vez mais infundadas para justificar a sua fé na teoria. Da mesma maneira, o polêmico Richard Dawkins age unicamente movido pela fé em sua própria ideia do "gene egoísta" e na "memética". E isso é natural; afinal, ele é humano. O método científico não depende da fé; o cientista, sim.

Passando ao outro assunto da sua mensagem, não, a Igreja não "impõe", como você diz, os seus dogmas, para absolutamente ninguém, até porque ela não tem esse poder. Ninguém é obrigado a ser católico; o indivíduo escolhe entre aderir ou não à fé, e nem poderia ser diferente. A Igreja é uma casa de portas abertas, que acolhe quem entra por ela. Agora, para entrar e integrar essa Igreja é preciso crer no que ela crê, compartilhar da fé que ela preserva há dois mil anos. Eu não posso entrar e querer mudar tudo conforme a minha vontade, os meus "achismos", as minhas interpretações particulares. Mais uma vez, muito simples.

Por fim, não estamos naquele artigo ou aqui tentando "desmascarar uma crença", como você diz. Muito simplesmente apresentamos uma coletânea de provas concretas que demonstram um outro lado (geralmente desconhecido do grande público) do Sr. Francisco Cândido Xavier, que com o passar do tempo foi sendo mitificado na imaginação popular, tornando-se um personagem fictício, com intenso apoio da mídia. Isto não é "tempo perdido"; – trata-se de esclarecer a verdade, e conhecer a verdade é um benefício imenso para o ser humano. Esta sim, é a verdadeira e possível "evolução do espírito". Em última análise, buscar a Verdade é buscar Deus, e encontrar a Verdade é encontrar Deus. Jesus Cristo diz, nas Sagradas Escrituras: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8,32).

É este nosso papel e nosso dever enquanto cristãos. Esclarecer, na medida das nossas possibilidades, a verdade, iluminar o caminho, dissipar as dúvidas, esclarecer àqueles que andam perdidos, iludidos por charlatães e falsos profetas, errando em doutrinas falsas... Isto não é pecado, ao contrário. É útil e edificante para todos. Mais do que isso, é necessário.

Que a Luz de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo o ilumine

FONTE: http://www.ofielcatolico.com.br/

quarta-feira, 30 de março de 2016

Jesus: Personagem Real, Mito Ou Arquétipo?




"Eu não acredito nas pessoas, eu acredito nas evidências. Pessoas mentem, evidências não." – Gil Grissom (CSI)
Esta imagem não surgiu do nada. O seu conteúdo foi retirado do filme Zeitgeist, que aqui no Brasil não fez muito barulho, mas teve grande alcance e impacto na Europa e nos EUA. Assim como um novo “O Código Da Vinci”, o documentário, lançado em 2007, pretende desacreditar completamente o cristianismo, “provando”, por meio do depoimento de “estudiosos sérios”, que tudo não passou de mito tolo e pouco criativo.


Para isso, o filme busca mostrar a suposta semelhança entre a história da vida de Jesus e as lendas de deuses pagãos bem mais antigos. Os tais sabichões que aparecem no filme afirmam que os fatos da vida de Cristo são incrivelmente parecidos com os dos mitos de Horus, Mithra, Krishna e Dionísio. Vamos nos deter no exemplo do deus egípsio Horus; segundo o documentário, ele teria:

    nascido de uma virgem;
    andado sobre as águas;
    curado doentes;
    morrido crucificado;
    ressuscitado depois de três dias.

Gente, é muita coincidência, não? Sendo assim, chega-se à conclusão de que os “inventores do cristianismo” simplesmente pegaram essas referências, deram uma adaptada aqui e ali e … voilà! Criaram a história da carochinha perfeita para enganar uma multidão de otários até os dias de hoje. Otários = nós cristãos, ok?

O fato é que muita gente já perdeu a pouca fé que tinha por causa desta porcaria de filme, e milhares de cristãos convictos não sabem o que dizer quando seus amigos ateus lhes jogam na cara as teses ali defendidas.

Se você está na mesma situação da Bianca, seus pobremas siacabaram-se! Dê uma olhada no vídeo abaixo. Trata-se da entrevista com o Dr. Chris Forbes, professor Sênior do Departamento de História Antiga da Universidade de Macquarie em Sidney, Austrália. O cara é um historiador de verdade, especialista em história da religião. Segundo ele, as informações do filme estavam quase todas erradas, e que os tais “especialistas” do filme eram um monte de zé-ninguém que não tinham autoridade nem credibilidade alguma para afirmar aquelas coisas tolas.

E depois os ateus dizem que nós é que somos crédulos! Coitados, vêem qualquer imagem boba no Facebook, não checam as fontes e dão crédito na hora. Eita gente fanática!

 
FONTE:O CATEQUISTA

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sexta-feira, 11 de março de 2016

Chico Xavier o maior farsante da história do Brasil.

Redescoberto mais um plágio de Chico Xavier. Digo ‘redescoberto’ porque esse plágio já havia sido divulgado pelo menos desde setembro de 1944 por Milton Barbosa, advogado da família do escritor Humberto de Campos, e publicado na REVISTA DA SEMANA.

A Federação Espírita Brasileira até tenta se defender das acusações de plágio, mas as explicações são inaceitáveis a meu ver. Dito isso, vamos ao plágio.


Agora, vejamos as explicações do presidente da Federação Espírita Brasileira, Wantuil de Freitas:

Os trechos de “Brasil Anedótico”, que são indicados como plagiados por Francisco Xavier, não podem ser considerados como tais. Qualquer escritor, relatando em nova obra o que já dissera em outra, repete frequentemente as mesmas expressões.

Comentário: Mas por qual motivo um autor repetiria em nova obra o que já dissera em outra? Para que se repetir? Isso é incorrer em uma prática nada honrosa de auto-plágio, muito mais comum no meio acadêmico do que no literário. Não é crime, mas é considerado antiético.

Ademais, não haveria necessidade de plagiar naquela narrativa feita em termos comuns.

Comentário: Não haver necessidade de plagiar não quer dizer que o plágio não tenha existido. E fica claro que existiu, dada a grande quantidade de trechos idênticos, por mais comuns que sejam os termos.

Muitos dos plágios apontados são aliás transcrições de trechos de outros livros e se encontram entre aspas, na obra psicografada.

Comentário: Esse trecho em específico, embora contenha uma transcrição de um livro de Moreira de Azevedo chamado “Mosaico Brasileiro”, não se encontra entre aspas. É certo que as aspas nesse caso não são necessárias, pois o Chico citou que se baseou em Moreira de Azevedo. Mas o plágio – ou o auto-plágio – continua a existir. Afinal, Chico copiou o trecho de um livro que cita um trecho de outro livro…

Abaixo segue a transcrição da reportagem publicada na REVISTA DA SEMANA.

OUTRA FASE DO CASO HUMBERTO DE CAMPOS

FALAM O ADVOGADO DA FAMÍLIA E O PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO ESPÍRITA — IRÁ O CASO AO FORO CRIMINAL — UM VERDADEIRO ESTUDO LITERÁRIO DAS OBRAS DE HUMBERTO DE CAMPOS E DE CHICO XAVIER — OS CACÓFATOS E OS PLÁGIOS DO “MÉDIUM” DE PEDRO LEOPOLDO — CONTESTAÇÃO DO SR. WANTUIL DE FREITAS — OS VERSOS DE CHICO XAVIER QUE SAIRAM NO “JORNAL DAS MOÇAS” — “GRAVES CONSEQUENCIAS PARA A LIVRARIA EDITORA E PARA CHICO XAVIER” — “OS POETAS TAMBÉM PODEM SER “MÉDIUNS” E VICE-VERSA”.

Reportagem de Paulo de Salles Guerra

Nos Estados Unidos o caso leria uma repercussão internacional. Os jornais e revistas se movimentariam freneticamente. Talvez fossem mandadas telefotografias para o mundo inteiro. E as manchetes sensacionalistas estariam gritando no alto das páginas das publicações de todas as espécies. Provavelmente já estaria sendo escolhido o cast para um filme que focalizasse o “caso”, tendo os diretores o cuidado de declarar previamente: “qualquer semelhança será mera coincidência”.

Acontecimento ímpar na história dos processos judiciais, surge no Rio o caso de um espírito que deveria comparecer ante a justiça.

Ante o brado de alarma da REVISTA DA SEMANA toda a imprensa se movimentou.

Os jornais seguiam as fases do processo. A família de Humberto de Campos intenta uma ação declaratória contra a Federação Espírita Brasileira, com o fim do verificar a autenticidade da obra, determinando as relações daí decorrentes.

Levado o caso a juízo, ficou decidido, de acordo com a sentença do juiz dr. Mourão Russell, que a família de Humberto de Campos não poderia pretender direitos autorais sobre as supostas produções literárias atribuídas ao espírito do escritor, concluindo ainda que:

“Do exposto se conclui que, no caso vertente, não ha nenhum interesse legitimo que dê lugar à ação proposta.” O caso parecia pois terminado e os jornais não mais se ocuparam dele.

Entretanto, soubemos que a família do conhecido escritor não se daria por vencida. A REVISTA foi então procurar o dr. Milton Barbosa, com o intuito do obter desse ilustre causídico maiores esclarecimentos sobre a questão.

Com aquela fluência que lhe é peculiar, sabendo do que se tratava, o dr. Milton Barbosa foi nos declarando:

— Quando ajuizei, em nome da viúva Humberto do Campos, a ação declaratória que tanta celeuma vem causando no País, apressei-me, em entrevistas a jornais desta capital, em afirmar que a solução final deveria ser confiada a uma comissão de cientistas e não de literatos, por isso que o estudo do estilo das obras psicografadas em cotejo com o estilo das obras do autor vivo não resolveria o problema.

— “Quis com isso deixar claro que qualquer semelhança de estilo entre a obra mediúnica e a obra produzida em vida por Humberto de Campos não poderia ter maior significação para a solução do problema, dada a possibilidade de assimilação de estilos.

— A la maniére de. . . como é público e notório, e tem sido mostrado por diversos escritores, principalmente franceses.

— Admite então que haja semelhanças entre as obras do Humberto do Campos vivo e as obras ditas psicografadas pelo “médium”?

— Se algumas semelhanças podem ser descobertas em trechos psicografados por Chico Xavier com o estilo de Humberto do Campos semelhança explicável com a leitura alenta das obras do grande memorialisla maranhense — elas não me impressionam absolutamente.
O dr. Milton Barbosa, advogado da família do escritor Humberto dc Campos, faz algumas declarações sensacionais em torno do sensacional processo.

O dr. Wantuil de Freitas, presidente da Federação Espírita Brasileira, quando nos mostrava a contra-minuta do agravo. O “caso” Humberto de Campos volta novamente ao cartaz. O nosso entrevistado refuta algumas acusações do advogado da família do conhecido escritor.

—   E tem encontrado frequentemente essas semelhanças?

—   Tal semelhança é rara, pois a obra psicografada e muito inferior, como se poderá demonstrar facilmente.

O advogado levanta-se e apanha um livro.

—   Isto é apenas um exemplo — diz.

Tratava-se de um livro mediúnico. “Boa Nova” era o título. O nosso entrevistado abre e lê:

— “És mestre em Israel e ignoras estas coisas? — inquiriu Jesus como surpreendido. É natural que cada um somente testifique daquilo que saiba; porém, precisamos considerar que tu ensinas. Apesar disso não aceitas os nossos testemunhos. Se falando eu de coisas terrenas sentes dificuldades em compreendê-las com os teus raciocínios sobre a lei, como poderás aceitar as minhas afirmativas quando eu disser das coisas celestiais? Seria loucura destinar os alimentos apropriados a um velho para o organismo frágil do uma criança.”

E olhando para o redator:

Observou este cacófato: “Que cada”? E este verbo. Já ouviu alguém dizer “testifique”? O verbo para o caso seria “testemunhar”, é claro. Acha o senhor possível que um escritor como Humberto de Campos escrevesse estas coisas? E o dr. Milton prosseguiu:

—   Escute este outro trecho:

“— Ainda não ponderaste, talvez, que o primeiro mandamento da lei é uma determinação de amor. Acima do “não mataras”, do “não adulterarás”, do “não cobiçarás”, esta o “amar a Deus sobre todas as coisas”, de todo o coração e de todo entendimento.”

—   Será que este “adulterarás” tem a sua raiz no verbo adulterar, ou trata-se de palavra oriunda de adultério?

—   E quanto à Federação Espírita?

—   A atitude dessa Federação causou profunda decepção entre todos aqueles que, como eu, acreditavam na sua lealdade e boa fé.

Atribuindo a Humberto de Campos as obras psicografadas por Chico Xavier, não vejo como pudesse tão alta entidade religiosa esquivar-se da prova da sua legítima procedência. Não vejo como possam impressionar seus argumentos de que tal elucidação é ilícita, invocando como defesa o direito assegurado pela Constituição à liberdade de crença. E não contente com esta esquiva alega ainda a Federação, através de quase duzentas páginas da erudita contestação, a impossibilidade de “invocação” de um “espírito”. Ora, justamente ao contrario dessa tese, um grande espírita mineiro, líder incontestável do espiritismo no Brasil, o sr. Efigênio de Sales Vitor, em famosa entrevista a “O Globo”, assegurou, peremptoriamente, que o “espírito” de Humberto de Campos garantiu que o mesmo estava à disposição do juiz para o dia e a hora em que fosse necessária a sua presença para verificação da sua sobrevivência e da sua operosidade literária. Também um outro famoso líder espírita, conhecidíssimo em todo o Brasil, cuja palavra e de grande autoridade entre os crentes da doutrina de Alan Kardec, chegou a exibir a um dos brilhantes redatores desta revista os autógrafos de Humberto de Campos devidamente autenticados pelo grande escritor, com o mesmo talho de letra e com as mesmas peculiaridades gráficas do tempo em que era vivo o notável autor de “Os Párias”.

E agora tudo se esvaiu, tudo se esbateu como fumo… Em vista disso, que poderemos pensar da lealdade da Federação Espírita Brasileira? Tinha a impressão de que ela entrou nesse pleito com lealdade e boa fé, positivamente convencida da procedência da obra mediúnica apresentada por Chico Xavier.

Estudando este caso tenho me lembrado frequentemente do famoso processo Dreyfus, que todo o mundo conhece pela enorme repercussão que teve, envolvendo nomes famosos como o de Zola, que pôs sua pena e seu talento a serviço da justiça no seu livro “J’accuse!”.

A situação da Federação Espírita no caso presente parece-me semelhante a do Estado Maior Frances no processo Dreyfus, cuja desmoralização, por ocasião da revisão do processo, forçou alguns dos seus mais íntegros membros a falsificar documentos, inventor provas para contestar uma precipitada e injustificável atitude inicial de acusação ao inocente israelita.

— Isto parece evidente. Ela já deve ter sentido a precariedade de sua posição no pleito e tenta, por processos pouco justificáveis, evitar, a todo transe, as possibilidades de realização das diligências imprescindíveis para a constatação da legítima procedência das produções mediúnicas. De outro modo não se explica a sua alegação de que a ação é imprópria, de que é ilícita por atentar contra a liberdade de crença, e de que é impossível “invocar” o “espírito”. Se tudo leva a crer-se que se trata de uma mistificação, de um embuste, de uma falsa imputação de uma autoria e de uma usurpação de nome, para efeito de propaganda religiosa e de lucro comercial, a oposição a prova pleiteada pela família do escritor deveria impor-se aos olhos dos próprios dirigentes do espiritismo brasileiro.

— E quanto à sentença do juiz?

— Admito, para argumentar, que a ação possa ser julgada imprópria. Mas para onde nos levará a Federação Espírita Brasileira com tão sistemática e calorosa oposição?

— Acredita que a ação irá ao Foro Criminal?

— Quanto a isto não há a menor dúvida. E isto terá graves e compreensíveis conseqüências, prejudiciais, não só à religião espírita, como ao “médium” Chico Xavier e à livraria editora.

— A sentença será então reformada?

— A sentença prolatada pelo ilustre juiz Mourão Russell consagrou, de modo solene, o embuste. E não é possível que não seja reformada, pelo menos nessa parte, pois é absurda a sua conclusão, considerada a autora carecedora de ação.

— E quanto à obra mediúnica de Chico Xavier?

— Parece-me que justifiquei, no recurso interposto, a inteira procedência da ação declaratória. Tenho a impressão de que, na vulgaríssima obra psicografada, os trechos aproveitáveis são meros plágios da obra autêntica. E as idéias interessantes foram colhidas e constituem mera reprodução do que se encontra na vasta e notável obra de Humberto de Campos. Citei, no recurso que interpus, alguns desses plágios, mas há muito mais…

O senhor mesmo poderá confrontar esses dois trechos, um da obra autêntica de Humberto de Campos e outro de Chico Xavier.

O causídico mostra-nos o livro “Brasil Anedótico”, de Humberto de Campos, e aponta-nos um trecho, intitulado “A Lei das Aposentadorias”.

“Chegada ao Rio de Janeiro em 1808 a família real portuguesa com todo o seu séquito de fidalgos e fâmulos, foi posta em execução a chamada lei das aposentadorias, a qual obrigava os proprietários e inquilinos a mudarem-se, cedendo as casas para residência dos criados e servidores d’el-rei. Bastava que o fidalgo desejasse uma casa, para que o juiz aposentador intimasse o morador por intermédio do meirinho, que se desempenhava do seu mandato escrevendo sumariamente na porta, a giz, as letras P. R. Estas significavam — “Príncipe Regente”, ou, como interpretava o povo — “ponha-se na rua”.

Era Agostinho Petra de Bitencourt juiz aposentador quando, um dia, lhe apareceu um fidalgote, requerendo aposentadoria em uma excelente casa, apesar de já ter uma. Dias depois veio pedir-lhe mobília e, finalmente, escravos.

Ao receber o terceiro pedido, Agostinho Petra, que acompanhava a indignação do povo com tantos abusos da Corte, gritou para a esposa, no interior da casa:

— Prepare-se Dona Joaquina, que pouco tempo podemos viver juntos.

E indicando, para a mulher, que acorrera, o fidalgote insaciável:

— Este senhor já duas vezes me pedir casa, depois mobília, e agora, criado. Brevemente quererá, também, mulher, e como eu não tenho outra senão a senhora, ver-me-ei forçado a servi-lo!”

Depois mostrou-nos o livro psicografado pelo “médium” Francisco Cândido Xavier, “Brasil, Coração do Mundo”, indicando-nos à página 123 o trecho seguinte:

“D. JOAO VI NO BRASIL

A chamada lei das aposentadorias obrigava todos os inquilinos e proprietários a cederem suas casas de residência aos favoritos e aos fâmulos reais. Bastava que qualquer fidalgote desejasse este ou aquele prédio, para que o Juiz Aposentador efetuasse a necessária intimação, a fim de que fosse imediatamente desocupado. Ao oficial de justiça, incumbido desse trabalho, bastava escrever na porta de entrada as letras “P. R.”, que se subentendiam por “Príncipe Regente”, inscrição que a malícia carioca traduzia como significando — “Ponha-se na rua”.

Moreira de Azevedo conta em suas páginas que Agostinho Petra Bittencourt era um dos juizes aposentadores ao tempo de D. João VI, quando lhe apareceu um fidalgo da corte, exigindo pela segunda vez uma residência confortável, apesar de já se encontrar muito bem instalado. Decorridos alguns dias, o mesmo homem requer a mobília e, daí a algum tempo, solicita escravos. Recebendo a terceira solicitação, o juiz, indignado em face dos excessos da corte do Rio, exclama para a esposa, gritando para um dos apartamentos da casa:

— Prepare-se, D. Joaquina, porque por pouco tempo poderemos estar juntos.

E, indicando à mulher, que viera correndo atender ao chamado, o fidalgo que ali esperava a decisão, concluiu com ironia:

— Este senhor já por duas vezes exigiu casa; depois pediu-me mobília e agora vem pedir criados. Dentro em breve, desejará também uma mulher e, como não tenho outra senão a senhora, serei forçado a entregá-la.”

— É fácil, confrontando os dois textos, perceber o plágio.

O nosso entrevistado se entusiasmava, procurando demonstrar as suas razões.

— E não é apenas isto. Poderia mostrar muitos outros trechos semelhantes. Parece-me evidente que Francisco Xavier tem mesmo alguns pendores literários. Provavelmente já estará informado de que em 1932 o “médium” já era poeta. Colaborava no “Jornal das Moças”. Seus versos, embora de inspiração pobre, eram metrificados, com boa técnica. Veja estes:

“SOBRE A DOR

Suporta calmo a dor que padeceres

Convicto de que ate dos sofrimentos,

No desempenho austero dos deveres,

Mana o sol que clareia os sentimentos.



Tolera sempre as mágoas que sofreres,

Em teus dias tristonhos e nevoentos.

Há reais e legítimos prazeres

Por trás dos prantos e padecimentos.

A dor, constantemente, em toda parte,

Inspira as epopéias fulgurantes,

Nas lutas do viver, no amor, na arte;

Nela existe uma célica harmonia,

Que nos desvenda, rápidos instantes,

Mananciais de lúcida poesia!”


Fotografia do uma carta do “médium” sr. Alarico Cunha, do Parnalba, alto funcionário da Cia. dc Vapores Booth, cuja mediunidade consiste em receber as mensagens com a letra e a assinatura dos próprios autores. Aqui vemos uma carta ditada pelo espírito de Humberto dc Campos, tendo a progenitor a do grande escritor assinado embaixo, reconhecendo a letra de seu filho.

 O grande escritor Humberto de Campos, no seu fardão de imortal, quando entrou para a Academia Brasileira de Letras.

Aliás, os jornais já haviam noticiado essa habilidade do famoso “médium” de Pedro Leopoldo.

?

Seguindo o critério de imparcialidade absoluta que até agora vem mantendo em torno do momentoso “caso” Humberto de Campos e das obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier, a REVISTA DA SEMANA queria saber como se manifestava a Federação Espírita Brasileira sobre esta nova fase do processo.

Nesse intuito fomos procurar o seu presidente, sr. Wantuil de Freitas.

— Quanto às poesias de autoria de Chico Xavier publicadas no “Jornal das Moças”, posso declarar que não as conheço. Mas estou ao par da história.

Quando os espíritos preparavam o “médium” em exercícios mediúnicos para a missão que deveria realizar, seu irmão, José Cândido, que então nada conhecia do espiritismo, ficou entusiasmado com a “veia poética” que supunha existir no Chico, e então ele, José Cândido, juntando os seus logogrifos às poesias recebidas pelo irmão, encaminhava-os às revistas, contra a vontade do Chico que, desde então, asseverava que as produções não eram suas. Isto durou até o ano de 1932.

Assim que conseguir uma dessas poesias poderei enviá-la ao Chico, para que ele diga qual foi o espírito que a ditou.

Ainda que Francisco Xavier fosse poeta, meu amigo, não haveria motivo para acusá-lo. Os poetas também podem ser “médiuns” e vice-versa.

— E quanto à qualidade da obra de Francisco Xavier, na opinião do dr. Milton Barbosa, nitidamente inferior às produções de Humberto de Campos?

— Esse assunto foi eficientemente esclarecido pelo nosso advogado. Mostra o dr. Carlos Imbassahy que nas citações do advogado da família do escritor não se vê nenhuma onde se possam encontrar vícios imperdoáveis de linguagem. Os erros que aí se encontram, ligeiras consonâncias, ecos, não podem ferir os mais apurados ouvidos. Não constituem verdadeiros cacófagos, dentro da definição dos gramáticos e filólogos.

Aliás, esses vícios podem ser encontrados nos melhores escritores da nossa língua.

— Os cacófagos empregados por Humberto de Campos na obra psicografada são encontrados a cada passo pelos melhores manejadores da pena. Por que não os empregaria Humberto?

Poderíamos dar, ao acaso, diversos exemplos dessas distrações praticadas pelos expoentes máximos da nossa língua. Camões os fez em quantidade. Além daquele famoso e conhecido “Alma minha”, encontramos ainda:

Sofrer não pode ali o gama mais

“Entrava a formosíssima Maria”

E de Vieira:

“Que se chama Maria”

“Se as não tem feito”.

De Frei Luiz de Souza:

“Sem outra cama mais que uma taboa”.

“De nenhuma maneira podia cabar consigo”

De Camilo:

“Peça-lhe que a não venda”,

Com a condição de a não vender”.

De Castilho:

“Se a não procurem”.

Seria fastidioso continuar a citar exemplos dessa natureza.

Na própria obra do Humberto de Campos, cronista operoso que não dispunha do tempo para atender a esses detalhes, em vista do vulto da sua produção, encontramos cacófatos, como estes:

“Cuidassem dele como ela cuidara”

(“Sombras que sofrem”, 4ª  edição, pág. 46, linha 21).

“E deixo-as não como lisonja”

(Idem, pág. 28, linha 1).

“… a mulher como ela é”; (Lagartos e Libélulas. 4ª edição pág. 28, linha 1).

— Mas a obra de Chico Xavier…

— Nada fica provado quanto ao mau gosto alegado em relação à produção literária do “médium”. Corno não ignora, são muitas as opiniões em contrário.

Quanto à afirmação de que a parte aproveitável desta obra não passa do grosseiro plágio, foi também ela refutada pelo nosso advogado. Os trechos de “Brasil Anedótico”, que são indicados como plagiados por Francisco Xavier, não podem ser considerados como tais. Qualquer escritor, relatando em nova obra o que já dissera em outra, repete frequentemente as mesmas expressões. Ademais, não haveria necessidade de plagiar naquela narrativa feita em termos comuns.

Limitamo-nos a repetir a opinião do ilustre beletrista mineiro, desembargador Mario Matos:

“O estilo de Humberto morto é ‘mais vivo’ do que Humberto-homem.”

Muitos dos plágios apontados são aliás transcrições de trechos de outros livros e se encontram entre aspas, na obra psicografada.

— O Dr. Milton Barbosa citou-nos também alguns trechos de Humberto em que o escritor mostrava-se um verdadeiro cético.

— E acha que, mesmo depois de se ter transformado em espírito, rodeado de outros espíritos, deveria continuar a descrer do espiritismo?

Há ainda outro ponto interessante a considerar. É o que se refere à frase do espírito de Humberto: “Eu que era tão perverso”. Como está muito bem observado na contra-minuta, essas frases já eram encontradas na sua obra escrita em vida: “E eu, miserável pecador”. “Eu, o último filho de um século que bebeu veneno no berço”.

— Será produzida a prova da manifestação do espírito?

— Evidentemente, o fenômeno não se poderá produzir contra certas leis. Não são apenas os espíritas e os “médiuns” que sabem disso. O fato é conhecido pelos próprios cientistas. Experiências que chegam ao resultado desejado em determinadas circunstâncias, provando o que se quer demonstrar, falham outras vezes pela ausência de algum elemento.

O espiritismo não procura esconder os fenômenos de ordem mediúnica. Milhares de pessoas, não apenas no Brasil mas no mundo inteiro, entro elas figuras de destaque, absolutamente insuspeitas, tiveram ocasião do presenciar esses fenômenos. Agora o que não podemos é produzi-los em tempo e lugar determinados.”

Despedimo-nos do sr. Wantuil. O presidente da Federação Espírita Brasileira acompanhou-nos até a porta. Aconselhou-nos s. s. a que fossemos procurar o dr. Imbassahy, advogado da Federação:

— Provavelmente o dr. Imbassahy tem algumas declarações interessantes a fazer sobre o caso, e poderia mesmo o ilustre causídico esclarecer certos pontos da questão.

Infelizmente a falta de tempo não permitiu que fôssemos procurar o ilustre advogado que tão brilhantemente vem defendendo a Federação.

— Quero ainda que dê uma explicação aos leitores da REVISTA DA SEMANA — disse ainda s. s. E’ quanto à acusação de que um dos volumes da obra psicografada já foi traduzido para o castelhano, a fim de ser lançado no mercado hispano-americano por uma editora argentina. Isto é verdade. Cumpre entretanto esclarecer que a Federação Espírita Brasileira não cobrou direitos autorais do editor argentino.

E o sr. Wantuil esboçava um sorriso.

?

Aqui ficam as duas entrevistas. Com quem está a razão?

Com a família do notável escritor? Com a Federação Espírita?

A argumentação é forte de ambos os lados. Limitamo-nos a apresentar aos nossos leitores esta fase nova do sensacional caso, para que possam julgar.


FONTE: Obras psicografadas

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A Igreja Católica não é uma dissidência da Igreja primitiva

Lucas F., você pediu uma evidência de que a Igreja Católica não seria apenas uma dissidência, uma seita que se separou da Igreja primitiva. Ok! Uma boa ideia é consultar os padres dos séculos I e II.

Vejamos o que disse certo bispo da igreja primitiva: Santo Ireneu de Lyon. Ele viveu entre o ano 130 e 202, e é considerado santo não só pelos católicos, mas também pelos luteranos, que celebram a sua festa no dia 28 de junho. Ou seja: convocamos um cara que tem moral com os protestantes tradicionais.

Na obra Adversus Haereses, Ireneu descreve a linha de sucessão apostólica de São Pedro a Santo Eleutério, o Papa de sua época. Em seus escritos, fica claro que a Igreja primitiva possuía um pastor universal, o bispo de Roma. E da Igreja de Roma provinha o conteúdo de fé com o qual todos os cristãos deveriam concordar.

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3,2 – “Mas visto que seria coisa bastante longa elencar (…) as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos. (…)

“Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos.”

3,3 – “Os bem-aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a igreja transmitiram o governo episcopal a Lino, aquele Lino que Paulo lembra na epístola a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele (…), coube o episcopado a Clemente, que tinha visto os próprios apóstolos e estivera em relação com eles, que ainda guardava viva em seus ouvidos a pregação deles e diante dos olhos a tradição. (…)

“Eleutério, em décimo segundo lugar na sucessão apostólica, detém o pontificado. Com esta ordem e sucessão chegou até nós, na Igreja, a tradição apostólica e a pregação da verdade. Esta é a demonstração mais plena de que é uma e idêntica a fé vivificante que, fielmente, foi conservada e transmitida, na Igreja, desde os apóstolos até agora.”

– Ireneu de Lyon, em Adversus Haereses. Fonte: Veritatis Splendor. Testemunhos Patrísticos sobre a sucessão apostólica.


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Acho que o grande Ireneu foi bem claro, mas vamos resumir em tópicos:

    a igreja de Roma, por ter sido fundada por Pedro e Paulo, tem a origem mais excelente;

    o bispo de Roma é quem herda as chaves dadas por Cristo a Pedro (ou seja, “a tradição apostólica e a pregação da verdade”, além do pastoreio universal);

    a igreja de Roma é a que conserva, de maneira especial, o ensinamento dos Apóstolos (olhaí a infalibilidade);

    as comunidades cristãs andam seguramente na fé dos Apóstolos se permanecem fiéis à igreja de Roma.

Tudo bem até aqui? Certo.

Então, a pergunta agora é: a igreja de Roma se esfacelou, se perdeu no tempo? Não! A linha sucessória de bispos romanos descrita por Ireneu continuou sem interrupções até os dias de hoje. As sandálias de Pedro passaram para os pés de São Lino (o segundo bispo de Roma), depois para outro, e para outro, e para outro… até chegar nos pés do nosso amado Papitcho Francisco.

Isso não é algo que precisamos aceitar pela fé: é um DADO HISTÓRICO! No site do Jornal O Globo, tem um infográfico ses-sa-cio-nal que mostra todos os papas da História (clique aqui para ver). Tá ali a prova de que as chaves que Pedro recebeu de Cristo passaram de mão em mão, numa linha ininterrupta. E hoje, é um tanto constrangedor admitir que somos guiados por um argentino, mas… Francisco, tu és Pedro!!!

Muitos desses bispos de Roma – que depois o povo passou a chamar de Papa (papai) – foram grandes santos; outros não foram nem mesmo bons cristãos. Mas todos eles, ao ensinar para toda a Igreja sobre questões de fé e moral, foram infalíveis. Por que Jesus prometeu que as portas do Inferno jamais prevaleceriam sobre a Igreja.

Em 1950, arqueólogos descobriram um sinal bombástico e comovente da veracidade dessa afirmação: os ossos de São Pedro foram encontrados numa cripta subterrânea da Basílica de São Pedro, no Vaticano. O altar central fica justamente acima do ponto onde está o túmulo. Sim: sobre Simão Pedro, Jesus edificou a Sua Igreja!



Depois disso que expomos, é ilógico negar que a Igreja Católica é a mesma igreja de Roma citada por Ireneu de Lyon. Ainda assim, vamos mostrar também o testemunho de outro bispo da Igreja primitiva, que foi evangelizado diretamente pelo Apóstolo João: Santo Inácio de Antioquia. Cristão venerável e acima de qualquer suspeita, ele entregou sua alma no Coliseu, devorado por leões (ano 107).

No Prólogo de sua Carta aos Romanos, Santo Inácio escreveu: “Roma preside a Igreja na caridade”. Ok… Agora passemos à sua “Epístola aos Erminenses” 8,2… Conta pá nóis como era chamada a igreja de Roma, Santo Inácio!

    “Onde está Cristo Jesus, está a Igreja Católica.”

    – Inácio de Antioquia (bispo e mártir no ano 107)

O que posso dizer diante disso? Me dá vontade de gritar, bem ao modo do puxador de samba do Salgueiro: “Pimba! Pimba! Ai que lindo, que liiiiiindo!”

Esse é o documento mais antigo que usa a expressão “Igreja Católica”. O segundo mais antigo é de um certo Marcião, irmão da igreja de Esmirna, escrito lá pelo ano 150. Ele relata para a igreja de Filomélio como se deu o martírio de São Policarpo, que era discípulo de João e bispo de Esmirna:

    “A Igreja de Deus que vive como estrangeira em Esmirna, para a Igreja de Deus que vive como estrangeira em Filomélio e para todas as comunidades da santa Igreja católica que vivem como estrangeira em todos os lugares.”

    – O Martírio de Policarpo. Texto da igreja primitiva de Esmirna, escrito lá pelo ano 150

Mas será que podemos botar fé nesse documento? O renomado historiador Jacques Lebreton garante que sim: “O historiador das origens da religião cristã não poderia desejar um texto mais autorizado” (J. Lebreton, Histoire du dogme de la Trinité, t. II, Paris, 1928, p.200). Aliás, esse texto foi lido e altamente recomendado em um culto evangélico pela pastora e cantora golpel Ana Paula Valadão.
Sim, acredite. Mesmo ela reconhece que a Igreja primitiva já era chamada de “católica” pelos cristãos (tem vídeo).

Lucas F., espero que tenha ficado bem claro que a Igreja Católica não é uma dissidência da Igreja primitiva, mas sim a sua continuidade. Ela é a Esposa única (Jesus não é polígamo), a guardiã de Sua Palavra e a legítima herdeira de Seus bens. Fechamos com a bela observação de Ana Paula Valadão, na sua pregação sobre o martírio de Policarpo:

    “Irmãos, naquela época não tinha igreja protestante. Glória a Deus, aleluia! Vamos aprender dos nossos pais.”

    – Ana Paula Valadão

Sim! Vamos acolher a palavra dos primeiros padres, Ana Paula. Eu, você, o Lucas F. e o mundo inteiro! Temos coragem para isso?


OCATEQUISTA

sábado, 20 de fevereiro de 2016

As irmãs Fox e o fantasma batuqueiro do Olodum

Como surgiu o Espiritismo?

Primeiro havia Sauron… hã, desculpe, isso é outra história. Evocar dead people é uma prática também conhecida como necromancia. Mas sua sistematização prática chama-se espiritismo, e iniciou-se no século XIX, no auge da onda positivista. Mas falar de positivismo é pular de necromancia para coprologia sem intervalo. Não dá.

Ao contrário do que muita gente pensa, o espiritismo não surgiu na França, pátria natal de Kardec, mas no Estados Unidos, na cidade de Hydesville, com as irmãs Margarida e Catarina Fox, a partir de 1848. As meninas, de 12 e 9 anos de idade, costumavam fazer brincadeiras para assustar o pai (um pastor evangélico) e a mãe. Por toda a casa, ressonavam barulhos estranhos, que os pais impressionáveis atribuíram a espíritos.

Os truques infantis eram tão ardilosos que acabaram atraindo jornalistas, intelectuais e religiosos. Detalhe: entre os “investigadores”, estava Allan Kardec. Muitos deles afirmaram a veracidade do fenômeno, dando início a um enorme interesse e estudo da possível comunicação provocada entre vivos e mortos.

Por 40 anos, Margarida Fox ganhou muito dinheiro e fama com a divulgação do espiritismo. Porém, em uma crise de consciência, resolveu escrever uma carta para o jornal New York Herald, confessando que tudo havia sido uma farsa.

    “As pessoas que procuram envolver-se com o espiritismo tornaram-se loucas…”

    “Seja qual for a forma a qual se apresente, o espiritismo tem sido e será sempre um a praga e uma armadilha para os que nele se metem.”

    – Margarida Fox, trechos de sua carta publicada no New York Herald, 1888

Nos dias posteriores a essa bomba, milhares de cartas de espíritas inconformados chegaram à redação do jornal, pedindo que Margarida desmentisse sua confissão.

Quatro meses depois, um repórter do jornal a visitou em sua casa, em Nova Iorque. Nessa ocasião, Margarida demonstrou como fazia o truque do “fantasma batedor”, que dava pancadas no assoalho. E também declarou:

    “Sabia, então, que todos os efeitos por nós produzimos eram absolutamente fraudulentos. Ora, tenho explorado o desconhecido na medida em que uma criatura o pode. Tenho ido aos mortos procurando receber deles um pequeno sinal. Nada vem daí – nada, nada. (…) Tenho me assentado sozinha sobre os túmulos, para que os espíritos daqueles que repousavam debaixo da pedra pudessem vir ter comigo. Nada!”

Dias depois dessa segunda reportagem, a outra irmã Fox, Catarina, também tomou vergonha na cara e resolveu jogar cocô no ventilador:

    “Não me importo com o espiritismo. No que me concerne, acabei com isso. E direi: considero-o uma das maiores pragas que o mundo jamais conheceu… Não hesitaria um momento em desmascará-lo. O espiritismo é fraude do princípio ao fim. E é a maior impostura do século.”

    – Catarina Fox, jornal New York Herald, 1888

No dia 21 de outubro de 1888, na Academia de Música de Nova York, centenas de pessoas presenciaram Margarida fazer uma nova demonstração de como realizava seus truques. No ano seguinte, ela tentou desdizer o que havia dito, mas sua reputação já estava arruinada. Porém, com base nesse “desmentido do desmentido”, os espíritas continuam afirmando a veracidade do caso. Imaginem: seria muito chato ter que reconhecer que Kardec era um grande crédulo ou oportunista, já que ele foi um dos “cientistas” que deram crédito às irmãs Fox.

Poucos anos depois, as duas irmãs Fox morreram afundadas no alcoolismo.

(Livro sobre as irmãs Fox: “Falando Com os Mortos: as Irmãs Americanas Que Disseminaram o Espiritismo”. Barbara Weisberg. Ed. Agir, 2011)

Os primeiros teóricos do espiritismo

Um ano antes do caso das irmãs Fox, um avó intelectual do Chico Xavier, Andrew Jackson Davis, publicou uma obra mediúnica chamada “The Principles of Nature, Her Divine Revelations, and a Voice to Mankind”.

Na França, ainda em 1847, surgia “Arcanos da Vida Futura Revelados”, de Louis Alphonse Cahagnet, que fazia parte do grupo dos “magnetizadores” (hipnotizadores) da França. Cahagnet e sua turma se valiam de sonâmbulos para fazer suas mandingas. Aliás, sonâmbulos foi o primeiro nome pelos quais se designou aqueles que hoje denominamos “médiuns”. Foi esse mesmo Cahegnet que em 1856 escreveu o livro “Révélations d´outre-tombe”, em que constam, dizem, mensagens de Galileu, Ben Franklin, Hipócrátes (o pai da medicina), entre outros.

O espiritismo tem em suas raízes o hipnotismo ou mesmerismo, que recebe esse nome por ter sido imaginado pelo médico austríaco Franz Anton Mesmer (1733-1815), que viva em Paris desde 1778. O hipnotismo era visto como uma espécie de “magnetismo animal”, seja lá o que isso quer dizer.
E chegamos a Allan Kardec…

Mas a palavra espiritismo como a conhecemos foi proposta por Hippolyte León Denizard Rivail (1804-1869), mais conhecido pelo seu epônimo Allan Kardec. Por isso, essa forma afrancesada de necromancia recebeu o nome de kardecismo (por quê, ó Deus, aquela nação que já foi chamada “A Jóia da Igreja” tornou-se capaz de produzir tanta titica?).

Kardec era oriundo de uma família CATÓLICA. Aos dez anos foi enviado a Yverdun, na Suíça, para o Instituto Pestalozzi (dirigido na época pelo próprio). Pestalozzi era um protestante calvinista e liberal que, claro, identificava religião com moralidade. Com uma cabecinha dessas…

Tendo permanecido com Pestalozzi até 1822, Kardec voltou a Paris e tornou-se professor, escrevendo vários livros didáticos. Era fruto do seu tempo: metódico, lógico e bom expositor. Um positivista total. Era versado em inglês e alemão, além de ser excelente matemático. Trabalhou como tradutor e contador. Em 1826 casou-se com Amélie Gabrielle Boudet, nove anos mais velha do que ele. Não teve filhos.

Ao contrário da ideia que domina o imaginário popular, Kardec não era versado em religião e não entendia lhufas de teologia. Seu interesse por esses campos foi despertado pelo fenômeno das mesas “girantes e falantes”, com o caso das irmãs Fox. A partir daí, ele abraçou a teoria da presença e atuação dos espíritos.

Em 18 de abril de 1857, publicou a sua obra mais conhecida: “O Livro dos Espíritos”. Mais um livro fundamental do espiritismo é o “Livros dos médiuns”, com o subtítulo: “Guia dos médiuns e dos evocadores”. Destarte, vemos que o espiritismo não existe sem a necromancia.

Outros livros importantes para entender o espiritismo, do mesmo autor, são: “O céu e o inferno” (1865) e “A Gênese” (1868). Convém notar que a linguagem literária e a filosofia por trás desses livros são totalmente ao gosto do clima cientificista da Europa dos anos 1800. Em 1855, Allan Kardec iniciou a publicação da sua “Revista dos espíritos”, que só deixou de ser publicada com esse nome em 1976.

Ainda em vida, Kardec viu chegar o espiritismo no Brasil. O império e D. Pedro II, maçom de quatro costados, receberam o espiritismo de braços abertos. Era uma ideia vinda das “zoropa”, “científica” e metida a chique. Em 1884 foi fundada a FEB – Federação Espírita do Brasil – que tem como órgão de divulgação a revista “O Reformador” que existe até hoje. Com esse nome, a revista recebeu o dedão de aprovação de Lutero, lá do além.

Kardec se dizia guiado pelo “Sprito da verdade” que seria aquele a quem Jesus mandaria para guiar seus discípulos. Fala sério, né! O rapaz, pelo jeito, não havia ouvido falar do Espírito Santo. Isso é que dá leitura seletiva da Bíblia (Kardec só considerava os ensinamentos morais do Sermão da Montanha). Em 12 de junho 1856, ele recebe do tal “Sprito” a seguinte mensagem:

“Previno-te que é rude a tua missão, porquanto se trata de de abalar e transformar o mundo inteiro”.

Foi nessa hora que Kardec começou a ouvir o fundo musical tocar:

Oooooohh… My love! My Darling!

I’ve hungered for your touch

A long, lonely time…

No próximo post, você saberá mais sobre a pretensão do espiritismo ser a Terceira Revelação (bem mais completa do que a de Moisés e Jesus!), e a análise dos demais pontos da doutrina espírita sob a ótica da única Doutrina que é Sã.


FONTE: OCATEQUISTA

sábado, 13 de fevereiro de 2016

O Espiritismo Mente sobre a Igreja Católica

O que eu quero que o espírita reflita é o seguinte.
Pode um espírito ser superior e propagar a mentira?
Pois, é isso que vemos nos Livros de Chico Xavier, Herculano Pires,
Leon Denis sobre a Igreja Católica.
Assista esses vídeos e depois responda.





As Mentiras Sobre a Igreja Católica
“A Igreja Católica é inimiga da ciência, do progresso e da razão”.
Bom, isso é tudo tolice e nós iremos provar sem dó.
http://revistacalibre.blogspot.com.br/2015/08/as-mentiras-sobre-igreja-catolica.html

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

As mentiras propagadas por Chico Xavier.

Dentre vários desses posteres de mensagens espíritas antirreligiosas (mormente atacando a Igreja Católica) de Chico Xavier, eis que se me deparo com este. Mais uma vez o autor espírita demonstra sua insalubridade e conhecimento de história, teologia e afins, simplesmente para alfinetar e falar de coisas que não conhece. Aqui, neste poster, alega que a Trindade cristã (Pai, Filho e Espírito Santo) é uma adaptação da Trimúrti hindu, em mais uma tentativa canhestra, típica de ateístas e outros, em tentarem desacreditar as crenças cristãs. Mas precede sua alegação?

O que é a Trindade?
É a crença cristã de que existem Três pessoas em um Deus. Estas três pessoas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – são distintas uma da outra mas compartilham a mesma natureza divina. Assim, não são três deuses distintos, mas um só Deus, assim Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo (de acordo com o Santo Bíblia) têm o caráter e os atributos de Deus.

Alguns cultos e seitas afirmam que no início os cristãos copiaram a Santíssima Trindade das religiões pagãs circundantes. Eles estão muito longe da verdade. Então o que é o verdade? Por que os “Pais da Igreja” acham que é necessário estabelecer essa doutrina? Longe do que as seitas e cultos ensinam (e eles são muitas vezes lamentavelmente ignorantes dos fatos da história da Igreja), o conceito, na verdade, veio de uma leitura muito atenta e interpretação inspirada da Bíblia, que se refere a três Pessoas distintas como “Deus”, mas insiste que não há senão um só Deus. Os “Pais” estavam preocupados pelo fato de que alguns grupos iniciais estavam chegando ao entendimento de Deus, mas não faziam justiça para todas as Escrituras a respeito de Deus e, dessa forma, acharam necessário definir essas coisas doutrinariamente, a fim de evitar o erro e a heresia. Muitas dessas coisas foram estabelecidas nos credos doutrinários do século IV. Grande parte (embora não todos) eram para refutar Ário que era culpado de perverter as Escrituras que se referiam a Deus. Este homem, é claro, veio para dar o seu nome para a bem-reconhecida heresia do arianismo – muito “vivo e atuante’ nas Testemunhas de Jeová atuais.

Antes do cristianismo, nenhuma religião jamais acreditou em uma única Divindade composta por três pessoas. Detratores às vezes dizem que a família Osíris-Isis-Horus da mitologia do Egito antigo era um “modelo” para a Trindade cristã. No entanto, isto é claramente uma tríade de divindades pagãs distintas, não uma trindade na sentido cristão. Os egípcios nunca os considerou três pessoas em um só Deus, mas como dois deuses separados e uma deusa – entre inúmeras outras divindades, como Hator, Ptah, Neith, Set, Nut, Geb, e Basht, para citar alguns. A maior deidade no seu panteão era o deus sol Ra, então eles nem sequer consideraram a tríade Osíris-Isis-Horus ser suprema entre os deuses!

Outros críticos dentro dos cultos afirmam que o “Trimurti” hindu – Brahma, Vishnu e Shiva – era um outro modelo para a Trindade cristã. No entanto, os estudiosos nos dizem que esta “Trimurti” só aparece no hinduísmo durante os séculos IV a VII d.C.. Nessa época, a compreensão cristã da Santíssima Trindade estava se tornando bastante bem estabelecida! Se o conceito da Santa Trindade é anterior à Trimurti hindu (que certamente parece ser o caso), a anterior não poderia ter sido copiada a partir desta última. Na verdade, dada a tendência do hinduísmo de absorver conceitos de outras religiões, e o fato de que o cristianismo chegou à Índia no primeiro século, é muito provável que os mestres hindus desenvolveram o trimurti ao longo das linhas do conceito da Trindade professado pelos cristãos indianos!

No entanto, o primeiro não é uma cópia exata do este último. Os hindus não consideram Brahma, Vishnu e Shiva como três pessoas em um Deus, mas três deuses distintos que são manifestações de Brahman, o Absoluto impessoal. Alguns até mesmo adicionam um quarto deus, Ishvara, com esse grupo, e afirmam que ele é o primeiro – antecedente para os outros três! Isso destrói a trindade que pode parecer paralela da Trindade.

Além disso, Brahma, Vishnu e Shiva cada um tem uma deusa consorte – Sarasvati, Lakshmi e Shakti, respectivamente. Isto os faria não três, mas seis. Adicione Ishvara e sua consorte, Maheshvari, e agora você tem oito manifestações primárias da Brahman! No entanto, estes são apenas oito entre milhões de divindades em a tradição hindu, os quais são considerados várias manifestações do Absoluto.

Assim, qualquer alegado paralelo com a trindade hindu rapidamente se dissolve em um politeísmo modalistico e, finalmente, uma panteísmo monista, em que toda a diversidade do universo meramente manifesta uma unidade espiritual subjacente (um conceito que não se adequa no cristianismo ortodoxo, embora certamente aparece na Nova Era).

OBSERVAÇÃO:
Aliás, o ataque espírita à crença na Santíssima Trindade não é invenção de Chico Xavier; ele apenas repetiu o que já dizia o seu "mestre", Kardec: “As questões dos mitos e dos símbolos foram úteis até certo ponto; porém, a partir deste, tornaram-se pedras de tropeço. O homem só permanece neles por comodismo ou interesses mesquinhos. É o caso da permanência no mito irracional da Trindade, daí a origem da mitologia cristã e do sectarismo religioso.“ (“A Gênese”, Allan Kardec)




FONTE:LogosApologetica

O ESPIRITISMO MENTE