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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cesar Lombroso CIENTISTA ESPIRITA


Cesar Lombroso CIENTISTA ESPIRITA

(1836 - 1909)

Lombroso foi um dos maiores médicos criminalistas do século passado. Nasceu em Verona no dia 18 de novembro. Graduou-se em Medicina em Pavia, em 1858, onde recebeu grande influência do anatomista Panizza. Um ano depois de graduar-se em medicina obtém o diploma de cirurgia em Gênova. Aprimorou seus conhecimentos em Viena com o clínico Skoda, e em Pádua com o médico Paolo Marzolo, cuja formação positivista haveria de exercer uma profunda influência sobre ele.

Aos vinte anos, com "A Loucura de Cardano", Lombroso já delineia os assuntos que vão torná-lo famoso: o contraste entre o gênio do homem e as teorias sobre a natureza degenerativa. Como oficial-médico escreve, em 1859, "Memória sobre as Feridas e as Amputações por Armas de Fogo", ainda hoje considerado um dos trabalhos mais originais da literatura médica italiana. A seguir é atraído, na Calábria, pelos problemas antropológicos e étnicos da região.

Em 1862, em Pavia, inicia um curso de psiquiatria e no ano seguinte transforma-o em curso de "clínica das doenças mentais e de antropologia". Suas freqüentes visitas ao hospital de doentes mentais, onde assiste gratuitamente pacientes, permitem-lhe aprofundar o estudo das relações entre gênio e neurose. "As idéias dos maiores pensadores arrebentam de improviso, desenrolam-se involuntariamente como os atos compulsivos dos maníacos", escreveu. No Congresso Internacional de Antropologia realizado em Milão, várias críticas foram levantadas contra a posição de Lombroso, mas foi reconhecido o seu pionerismo na terapia com os doentes mentais: abrandamento racional do tratamento (até então intolerante), introdução de trabalho manual, conversações com gente de fora, diversões coletivas, diários escritos e impressos pelos próprios pacientes. Era um método novo, hoje empregado pela psicoterapia.

Em 1864, Lombroso ficou internacionalmente conhecido graças ao seu comentadíssimo livro "Gênio e Loucura", traduzido em vários idiomas e que exerce influência até hoje. Em 1867, escreve "Ações dos Astros e dos Cometas sobre a Mente Humana" e no ano seguinte "Relações entre a Idade, as Posições da Lua e os Acessos das Alienações Mentais", trabalhos recebidos com muitas reservas pelos demais cientistas do ramo. Psiquiatra e diretor do manicômio de Pádua nos anos de 1871 a 1876, Lombroso coleta dados suficientes para suas teorias. Do exame de centenas de doentes mentais e criminosos, ele chega à conclusão de que o criminoso é formado por alguma tendência básica inerente ao seu destino, e que as "sementes de uma natureza criminal" podem ser muitas vezes identificadas na criança. Acreditava, ainda, que o meio social, aliado às influências astrais, preparasse para a ação criminosa indivíduos cuja natureza fosse anti-social. Em 1876, ele vence o concurso para a cátedra de Higiene e Medicina Legal da Universidade de Turim e neste mesmo ano publica "O Homem Delinqüente", obra muito discutida na época.

Em 1882, em seu opúsculo "Estudo sobre o Hipnotismo", ele ridicularizava as manifestações espíritas mas, convidado pelo prof. Morselli a estudar melhor o assunto, participou de sessões com a médium Eusápia Palladino, convencendo-se da veracidade incontestável dos fatos. As pesquisas que fez com essa médium encontram-se no livro da sua autoria "Hipnotismo e Mediunidade".

As obras de Cesar Lombroso trouxeram-lhe fama, acenderam polêmicas e influenciaram muitos legisladores e escritores. Quando vai a Moscou, é em 1897, como participante do Congresso Psiquiátrico, conhece Tolstói, que sabia muito bem das suas idéias acerca do gênio e da loucura. Escritores como Emile Zola e Anatole France também sofreram sua influência. Entre os médicos, merece destaque Kraepelin, um dos maiores classificadores de doenças mentais, que sob a influência de Lombroso escreve acerca da abolição das penas. Legisladores de muitos países, inspirados em suas obras, propõem reformas das leis penais.

Lombroso, sempre fiel ao método experimental, legou aos espíritas um excelente acervo de esclarecimentos sobre a mediunidade e o vasto campo fenomenológico. Homem profundamente honesto defendeu a veracidade do Espiritismo até a sua morte, noticiada com destaque em todo mundo, no dia 19 de outubro de 1909.

Era o final da missão, que no seu caso, iniciada pelo avesso, da posição de ridículo para a de defensor sincero, haveria de fortalecer o movimento espírita pela sua própria inclusão em meio a seus pesquisadores e defensores.

Deus tem muitos caminhos para os homens. Para Lombroso, o caminho foi refazer o próprio caminho, ou seja, sedimentar aquilo que ele, por desconhecimento da realidade agredira, ao formular conceitos equivocados sobre o Espiritismo, retratando-se intimamente e publicamente a posteriori através do imenso trabalho que realizou.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Como Cientistas Trapaceiam





No blog de George P. Hansen (publicação de 29 de novembro de 2007 ) há uma elucubração sobre os prejuízos à pesquisa psi decorrentes da criação dos termos "Parapsicologia" e "parapsicólogos". Hansen cita um artigo de Ian Stevenson, "Are Parapsychology Journals Good for Parapsychology?", que discute sobre a possível inconveniência de jornais especializados (como o Journal of Parapsychology), quando talvez fosse mais fácil a aceitação de psi pelo mainstream, caso fosse ela discutida dentro da imprensa científica convencional, utilizando-se termos científicos correntes da psicologia e de outras ciências consagradas.

Hansen cita ainda a opinião de Marilyn Schlitz, ex-presidenta da Parapsychological Association, que declarou evitar utilizar a palavra "Parapsicologia" a fim de não sofrer consternação e zombaria. Penso que eles possuem alguma razão, à medida que tal estratégia, sendo mais discreta, poderia despertar menos a prevenção mental sobre assuntos estranhos ao paradigma, se bem que seria difícil não se utilizar termos como telepatia ou clarividência os quais igualmente causam extremo choque e aversão à ciência ortodoxa. Em todo caso, o texto abaixo parece mostrar que a utilização de jornais parapsicológicos tenha sido uma verdadeira necessidade diante da resistência de cientistas frente a assuntos inovadores que venham refutar seus entendimentos estabilizados.

Esta resistência é fundamentada não só no preconceito acadêmico, mas também na própria indisposição psicológica humana em abandonar pilares de conhecimento custosamente construídos, mesmo havendo evidências de que estejam em bases falsas. Mas a resistência pode também se corporificar no veto de artigos científicos endereçados a jornais científicos populares, não em nome da qualidade ou da boa ciência, mas sim em razão de interesses econômicos em financiamentos para pesquisas, reconhecimento e prestígio acadêmico e pela influência de grandes Companhias.

O texto abaixo mostra alguns exemplos do jogo sujo e da má qualidade que há por traz da ciência "normal", ao mesmo tempo que exemplifica o porquê artigos que relatam evidências de assuntos não-convencionais ou contrários à ciência estabelecida (como os da parapsicologia ou temas transcendentais) não são divulgados na imprensa científica popular.

fonte: A Qualidade da Mentira - como cientistas trapaceiam

A Qualidade da Mentira - Propaganda e Preconceito na Representação Pública da Ciência

Um excerto do relatório apresentado ao Comitê da Royal Society que investiga sobre a "melhor prática em comunicar os resultados de novas pesquisas científicas ao público."

por John A. Hewitt, MA Ph.D


A Revisão Por Pares

A revisão por pares parece ter sido iniciada no século XVIII pelas Royal Societies de Londres, Edinburgo e Paris. De lá pra cá ela mudou um pouco. Os cientistas que querem publicar na mídia científica devem escrever um artigo sobre seu trabalho e enviá-lo normalmente em três cópias para o editor de um jornal. O editor então seleciona normalmente dois "árbitros" que devem escrever relatórios a respeito da qualidade e da conveniência do artigo para fins de publicação. Os árbitros são descritos como "especialistas" no campo, mas eles são anônimos, e suas identidades não são reveladas ao autor. Os relatórios deles são passados ao autor e determinam se o artigo será ou não publicado sem alterações, se a publicação dependerá de certas modificações ou se será rejeitado por não se ajustar à publicação.

A revisão por pares também é usada para determinar se um cientista deveria ser subsidiado em algum projeto de pesquisa em particular. Os cientistas que precisam de financiamentos para um projeto escrevem um pedido de concessão e enviam-no a uma agência de financiamento, um órgão governamental ou uma instituição beneficente. A agência envia o pedido de concessão para os pares revisores que, novamente, são anônimos. Seus relatórios são passados ao autor e o pedido de concessão será subsidiado ou não de acordo com os relatórios daqueles.

Imunidade da Revisão por Pares

Embora a maioria dos cientistas seniores aprove a revisão por pares, eles próprios idealizam ficar de fora dela. A maioria das organizações da ciência nacional, como a Royal Society ou a US National Academy of Sciences, circula jornais internos nos quais cientistas de elite podem publicar livremente fora da vigilância da revisão por pares.

Comentários sobre o Funcionamento da Revisão por Pares

Executado corretamente, a revisão por pares pode produzir relatórios valiosos que ajudam um autor a melhorar seu trabalho. Os cientistas freqüentemente expressam sinceros agradecimentos aos revisores anônimos pelas críticas úteis e construtivas destes. Em outras palavras, a revisão por pares pode ser um controle de qualidade com significado e conteúdo. Genuinamente ela pode melhorar a qualidade da ciência, mas infelizmente relatórios construtivos e significativos, que concedem um retorno útil e um criticismo real de líderes numa área, são a exceção, não a regra.

A maioria dos relatórios de revisão por pares é apressada e superficial, não demonstrando nenhuma intenção real de empenho com o conteúdo do artigo sob revisão. Freqüentemente eles apenas "discordam" do autor; parecem escritos por pessoas que não entendem o campo ou que realmente são muito ocupadas e acham que isto é um fardo adicional que não compensa o aborrecimento. Em seu pior, os relatórios de revisão por pares retratam estúpidos descontroles por parte dos revisores que perseguem programas de trabalho que são bastante contrários às supostas metas da revisão por par. Muitos desses relatórios poderiam, se assinados, levar a processos por difamação. (veja, por exemplo, The Subjective Side of Science (1974).) Porém, os editores do jornal e as agências de financiamento parecem incapazes de distinguir um tipo de relatório do outro, passando todos eles aos autores.

Exemplos de Revisão por Pares na Prática

Alguns exemplos poderiam dar uma idéia do nível que a revisão por pares pode realmente descer. Um exemplo famoso e extenso de reporte aconteceu a respeito do relatório sobre a descoberta do vírus HIV, o agente pensado causar a AIDS. (veja, por exemplo, o livro Beyond Love de Dominique Lapierre). Este vírus foi descoberto por Montagnier em Paris. (outro quem independentemente descobriu foi Karpas, em Cambridge, mas ele não entra nesta história.) A descoberta deste vírus foi um avanço importante e Montagnier enviou um artigo descrevendo-a para o jornal Nature que rejeitou o artigo em seus fundamentos, pelo que eu lembre, porque os autores deveriam ter cuidado com a contaminação cruzada durante o trabalho deles. Isto é uma crítica extraordinária; não existia nada que sugerisse que tal contaminação cruzada poderia ter ocorrido e ninguém poderia dirigir um laboratório de virologia sem tomar cuidado com isso. Falar isso para um instituto internacionalmente renomado de virologia é como dizer a um ótimo chefe de cozinha para usar a quantidade certa de sal - a exemplo de muitos relatórios de árbitros, isso é exatamente um comentário superficial, sem sentido e que não ajuda ninguém. Nature não descobriu a identidade do árbitro.

Naquele tempo, o reconhecido líder no campo era Robert Gallo, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), em Bethesda, Maryland, mas existia atrito entre seu grupo e os concorrentes franceses.

Ainda, havendo atrito ou não, o isolamento [do vírus] feito em Paris foi enviado a Bethesda para caracterização adicional onde foi tratado de um modo que fez a contaminação cruzada não apenas possível, mas absolutamente certa. Ao tentar cultivar o vírus em cultura, o laboratório de Gallo habitualmente misturou o isolamento de muitas outras fontes antes de tentar a cultura do vírus. Foi isso que eles fizeram com o isolamento francês, eles misturaram-no com outros e cultivaram em cultura. Daquela mistura eles obtiveram sucesso ao desenvolver um vírus e eles então reportaram este vírus como deles, como sendo uma descoberta original.

Vamos repetir. O laboratório NIH recebeu uma amostra de um internacionalmente renomado instituto francês que acreditava que ali estava contido o agente causador da AIDS. Os franceses pediram ajuda para melhorar a caracterização de sua amostra, mas, na realidade, a amostra deles foi misturada com cinco outras e um vírus cultivado de uma cultura foi reivindicado como uma nova descoberta, como o agente causador da AIDS.

Um prêmio Nobel poderia ter sido obtido caso não estivesse envolvida uma combinação de sorte, da imprensa, de política e de dinheiro. A sorte foi que o HIV é um vírus incomum que rapidamente se modifica. Como resultado, os isolamentos podem ser distinguidos uns dos outros. Como mais isolamentos se sucederam, tornou-se claro que o primeiro vírus de Gallo era realmente aquele proveniente do isolamento do grupo francês. A imprensa empreendeu a forma de investigação jornalística por John Crewdson, que publicou um longo artigo num jornal descrevendo a evidência serológica que provava a precedência de Montagnier. A Política interveio na forma de ação do governo francês (o assunto quase foi considerado um incidente internacional) e a panela inteira estava fervendo pelo dinheiro que poderia ter sido obtido pelo testes de AIDS os quais usariam as propriedades daquele isolamento.

O resultado merece cuidadoso pensamento. Os investigadores subseqüentes não tiveram nenhum padrão profissional para julgar as ações do grupo NIH. Então, eles investigaram e julgaram sob critérios legais aplicados à fraude, critérios que elevaram a dificuldade de prova frente ao grupo NIH. A investigação determinou que as ações do grupo não provaram uma intenção em roubar os isolamentos franceses. Então o grupo NIH não foi culpado de malversação, apenas de falta de coleguismo e Gallo manteve seu posto sênior no NIH (O laboratório de Montagnier parece ter sido desestruturado devido às tensões).

Wachslicht-Rodbard e Soman

Este episódio aconteceu no final dos anos 70. Helena Wachslicht-Rodbard estava no grupo de trabalho do NIH e Vijay Soman era um Professor assistente em Yale; é um caso incomum no qual a identidade de um árbitro é conhecida. Rodbard apresentou um estudo sobre respostas da insulina durante a anorexia e escreveu a respeito num artigo endereçado ao New England Journal of Medicine. O artigo foi enviado para o chefe de Soman, Philip Felig, para a revisão por pares e este o passou para Soman a quem, o primeiro acreditava, estar apresentando um estudo virtualmente idêntico. A convergente importância na prioridade, significava que Felig e Soman tiveram um interesse em não publicar o artigo de Rodbard. Felig rejeitou o artigo e Soman começou a atualizar seu próprio "trabalho". Realmente, Soman virtualmente não fez nenhum trabalho, ele inventou dados para ajustá-los com os resultados de Rodbard e enviou o artigo para o American Journal of Medicine. Aquele jornal enviou-o para o chefe de Rodbard, Jesse Roth, para a revisão, que o passou para ela. Soman era um cientista indiano cujo inglês era um pouco limitado e ele não copiou apenas a substância dos resultados de Rodbard, como também exatamente algumas de suas frases. Rodbard identificou o plágio e ela começou a reclamar e exigir uma investigação.

O plágio foi um fato claro, mas mesmo assim levou 18 meses para Yale empreender uma investigação que concluiu que o artigo inteiro de Soman era um plágio e uma invenção; ele simplesmente não fez o trabalho que quis publicar. (este episódio é revisado em Broad e Wade (1982)).

A desonestidade e a revisão por pares não são uma combinação confortável. A revisão por pares não é capaz de evitar a desonestidade, mas dá aos cientistas honrados um problema sério. Se cientistas honrados têm resultados importantes que precisam reportar para a comunidade científica, a revisão por pares exige que eles depositem total confiança na retidão moral dos par-revisores. Aqueles então devem saber que, se problemas surgirem, os jornais e as instituições envolvidas farão de tudo para tampar e varrer os problemas para baixo do tapete, mesmo que seja para proteger fraudes científicas e destruir carreiras de cientistas honrados.

Efetividade da Revisão por Pares

A revisão por pares não previne a fraude - e nunca foi projetada para isso. Porém, revisão por pares também não faz o que se alega fazer, ou seja, estabelecer padrões de qualidade. Peter e Ceci (1980) testaram a revisão por pares modificando ligeiramente artigos recentemente publicados em importantes jornais de psicologia (dentro de 18 a 32 meses) e re-submeteram-nos para o mesmo jornal. Dos 30 artigos re-submetidos, 3 foram reconhecidos como cópias pelos editores e 5 pelos revisores. Dos 22 restantes, apenas 4 foram recomendados para publicação, embora todos já tivessem sido aceitos como de padrão publicável. Os 18 restantes foram rejeitados por várias razões de aparentes justificativas profissionais. Parece que tais razões ou são fáceis de inventar ou padrões profissionais são muito elásticos.

O fato é que este tipo de estudo mostra que a revisão por pares pode ser simplesmente uma loteria. Estudos semelhantes têm uma importação similar para a revisão por pares à medida que esta é levada como critério para concessão de financiamentos para pesquisas.

Quando revisões por pares exibem um viés seletivo, elas não estão a favor da qualidade, mas sim de grandes e prestigiosos institutos ou famosos investigadores, às custas de institutos ou trabalhadores pouco conhecidos. Por exemplo, Blank (1991) comparou estudos simples-cego e duplo-cego, o último sendo aqueles em que a identidade dos candidatos a financiamentos não era conhecida pelos revisores. Essa circunstância reduziu o relativo sucesso de grandes e ricos institutos e aumentaram o de pequenos e modestos institutos, sugerindo que par-revisores normalmente favorecem grandes institutos. Isto pode explicar por que distintos e famosos cientistas tendem a exaltar as virtudes da revisão por pares como um sistema.

Resumo de Críticas sobre a Revisão por Pares

1. A revisão por pares não é aplicada como se alega ser.

2. Não funciona na prática. Cria uma loteria de artigos que serão publicados ou de projetos que serão subsidiados.

3. Seu anonimato favorece revisores irresponsáveis tendo em vista o modo como fazem o trabalho, como também os habilita a cometer plágios.

4. Os par-revisores normalmente têm interesse no trabalho que estão revisando, e freqüentemente um interesse em vetá-lo.

5. A revisão por pares é fortemente parcial a favor de cientistas de elite e de instituições que recebem vultosos fundos distribuídos para revisão por pares. É até capaz de validar a mentira da elite.

6. Mesmo quando a revisão por pares não favorece cientistas de elite, ela os concede liberdade em optar em não se submeterem a ela em razão de jornais que circulam internamente nos quais eles têm acesso sem serem revisados.

7. A revisão por pares milita contra publicação inovadora, desafiadora ou contra um trabalho original, especialmente daqueles laboratórios pequenos ou de indivíduos.

A revisão por pares é elitista, ideologicamente inclinada, parcial e de avaliação metodológica pro-convencional que convida à corrupção e ao plágio. Dizer para os cientistas individuais para submeterem seus trabalhos à revisão anônima por pares é como dizer a crianças que o playground as está intimidando a entregar o dinheiro que está no bolso delas para o tirano na esperança que este possa voltar a fazer parte disso.


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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pesquisa Cientifica Espirita.



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Frederic William Henry Myers (1843-1901): um gênio negligenciado

Um dos principais teóricos durante a primeira geração da pesquisa psíquica. Nascido em 6 de fevereiro de 1843, em Keswick, Cumberland, Inglaterra e educado na Trinity College, Cambridge. Por 30 anos, Myers ocupou o posto de inspetor de escolas em Cambridge. Sua decisão em perseguir a investigação psíquica nasceu em 1869, depois de um passeio à luz das estrelas e de uma conversa com Henry Sidgwick.

Sua teoria era que, se um mundo espiritual alguma vez se manifestou aos seres humanos, uma investigação séria deveria ser feita para descobrir sinais inconfundíveis disso. Pois "se todas as tentativas para se verificar cientificamente a intervenção de um outro mundo fossem definitivamente mostradas fúteis, isso seria um golpe terrível, um golpe mortal, em todas as nossas esperanças de uma outra vida, assim como na religião tradicional", pois "daí seria muito difícil para os homens serem convencidos, em nossa Era de pureza mental, que o que agora é visto como ilusão e truques pensava-se, no passado, ser verdade e revelação".

Myers teve em mente um método empírico de deliberação, desapaixonado e de preciso inquérito . Foi neste espírito que, em 1882, a Society for Psychical Research (SPR), em Londres, da qual foi co-fundador, veio ser estabelecida. Ele dedicou todas suas energias em seu trabalho e concentrou-se com profundidade na ciência com viés psicológico. Dos 16 volumes das Atas da Sociedade publicados enquanto ele viveu, há poucos sem uma contribuição importante da sua caneta.

Em Phantasms of the Living, uma colaboração com Edmund Gurney e Frank Podmore (foi um dos primeiros estudos importantes da sociedade acerca do paranormal), o sistema de classificação de fenômenos paranormais era uma idéia inteiramente dele. As palavras "telepatia", "supernormal," "verídico", e muitos outros com menor uso hoje foram cunhados por Myers.

Na SPR ele ocupou o posto de secretário honorário. Em 1900, Myers foi eleito à cadeira presidencial, um posto que apenas distintos cientistas antes haviam ocupado.

Para periódicos, tal como o Fortnightly Review, ele contribuiu com muitos artigos. Foram colecionados e publicados em 1893 sob o título Science and a Future Life e Other Essays.

Seu principal trabalho, Human Personality and its Survival of Bodily Death, foi postumamente publicado em 1903. É uma exposição dos poderes potenciais do Eu subliminar, que Myers imaginou como o ego real, um organismo mediúnico vasto do qual a consciência costumeira é apenas uma fração acidental, aquele é a vida da alma, não ligado à vida corpórea, onde os assim chamados sentidos supernormais são os canais costumeiros de percepção.

Myers desafiou a posição espírita de que todos, ou a maioria dos fenômenos supernormais eram devidos aos espíritos dos mortos, propondo, ao contrário, que, de longe, a proporção maior era devida à ação do espírito ainda encarnado do agente ou do próprio percipiente. A teoria trouxe ordem numa massa caótica de fenômenos psíquicos. Por outro lado, grandemente aumentou a probabilidade da sobrevivência após a morte. Como os poderes do Eu subliminar não se degeneraram durante a evolução, e como não serviram a nenhum propósito nesta vida, eles obviamente foram destinados para uma existência futura. Por que, por exemplo, o subconsciente tão cuidadosamente deve conservar todos os pensamentos e as memórias se não haveria nenhum uso para eles?

William James sugeriu que os problemas da mente subliminar devem ser chamados "o problema de Myers". E adicionou: "não importa que julgamento no futuro seja especulado sobre o Sr. Myers, o crédito permanecerá sempre dele de ter sido o primeiro, em qualquer linguagem, em considerar os fenômenos de alucinação, automatismos, dulpa personalidade e mediunidade como partes conectadas de todo um sujeito".

Theodore Flournoy, que foi um aprofundado psicólogo, considerou Myers "uma das personalidades mais notáveis de nosso tempo no reino de ciência mental". Mais ainda, observou: "Se descobertas futuras confirmam sua tese da intervenção dos desencarnados, na trama de nosso mundo mental e físico, então seu nome será gravado no livro dourado do iniciado, e, unido aos de Copérnico e Darwin, ele completará a tríade dos gênios que mais profundamente revolucionaram o pensamento científico, na ordem, Cosmológica, Biológica e Psicológica".

Walter Leaf comparou Myers a Ruskin e o considerou em alguns respeitos seu igual. De acordo com Charles Richet "se Myers não era um místico, ele teve toda a fé de um místico e o ardor de um apóstolo, junto com o sagacidade e a precisão de um sábio".

"Eu nunca conheci um homem tão esperançoso quanto ao seu destino final", escreveu Sir Oliver Lodge, in memoriam. "Ele uma vez perguntou-me se eu trocaria — se fosse possível — meu incerto destino, qualquer que fosse esse, por muitas Eras de sabia felicidade terrestre que pudessem existir até o último secular pôr do sol, e depois um fim. Ele não trocaria.".

Myers não atuou apenas na primeira geração da Parapsicologia, mas num tempo em que a Psicologia lutava para se separar do domínio da Fisiologia. As afáveis palavras dos contemporâneos de Myers sobre as suas teorias psicológicas refletem o alto posto dele na comunidade intelectual e a grande consideração que foi dada às teorias de Myers concernentes à personalidade humana. Suas teorias psicológicas, que talvez pudessem ter galgado um lugar significativo para o paranormal na consideração da comunidade psicológica, foram, no entanto, deslocadas pelo pensamento rival de seu contemporâneo, Sigmund Freud, e pelo surgimento da Psicoterapia. No êxito dos pensamentos Freudianos, as idéias de Myers foram empurradas à margem.

Myers nos Fenômenos Espíritas

Em Human Personality and Its Survival of Bodily Death, os fenômenos físicos receberam apenas uma pequena consideração. Myers acreditava na telecinésia, mas a despeito de suas próprias experiências e das de Sir William Crookes, a ocorrência genuína dela não lhe aparentava ser suficientemente plausível para justificar a discussão de seu livro. Não obstante, ao lidar com a possessão, ele sugeriu uma explicação engenhosa, isto é, que o espírito que possui pode usar o organismo mais habilmente que seu proprietário e pode emitir alguma energia que visivelmente é capaz de mover objetos que realmente não estão em contato com a carne. De suas próprias investigações, entre 1872 e 1876, ele disse que eram "cansativas e suficientemente desagradáveis".

Em 9 de maio de 1874, na companhia de Edmund Gurney, ele avaliou o médium William Stanton Moses. Os dois tornaram-se amigos íntimos, tanto que quando Moses morreu no dia 5 de setembro de 1982, suas agendas foram passadas a Myers para estudo.

Os artigos de Myers nas Atas da Society for Psychical Research (vols. 9 e 11) contêm os melhores relatos daquela notável mediunidade, embora suas conclusões não fossem unicamente baseadas nas experiências pessoais com Moses. Ele também participou em algumas assustadoras sessões envolvendo C. E. Wood e Annie Fairlamb Mellon.

Em 1894, no Ile Roubaud, Myers, convidado por Charles Richet, participou com Sir Oliver Lodge e Julien Ochorowicz das experiências conduzidas com Eusapia Palladino. A exposição em Cambridge sobre a fraude de Palladino sacudiu sua crença e ele então escreveu: "Eu não tinha nenhuma dúvida de que essa trapaça sistemática tinha sido usada do início ao fim, assim não existia base adequada para atribuir qualquer dos fenômenos ocorridos nestas sessões a uma causa supernormal". Mais tarde, no entanto, ele participou em outra série de sessões com Palladino em Paris e, por um pedido foram de Richet, ele declarou ter se convencido que tanto a telecinesia como a ectoplasmia eram fenômenos genuínos. Ele também testou a Sra. Thomas Everitt, Elizabeth d'Esperance e David Duguid.

Posteriormente, Myers experimentou videntes em cristal e investigou a casa assombrada dos Ballechin em Perthshire, Escócia. Como um resultado, ele publicou dois artigos nas Atas da Society for Psychical Research: "On Alleged Movements of Objects without Contact, occurring not in the Presence of a Paid Medium" (vol. 7, pts. 19 and 20, 1891-92).

Myers Fala da Sepultura?

Myers morreu em 17 de janeiro de 1901, em Roma, Itália. Depois de sua morte, uma inundação de comunicações reivindicadas ser do seu espírito vieram de muitos médiuns. As mais importantes foram as recebidas por Leonora Piper, Margaret Verrall, e Alice K. Fleming (conhecida publicamente como Sra. Holland). Frank Podmore e Alice Johnson concordaram que o controle "Myers" era uma criação subconsciente da médium. Os pareceres aí expressados estavam alheios à mentalidade do Myers vivo.

Verrall aparentemente captou o conteúdo de uma carta selada que Myers havia escrito em 1891 e deixado aos cuidados de Sir Oliver Lodge para tal prova. No entanto, quando a carta foi aberta em 1904, o conteúdo achado foi inteiramente diferente.

Em 1907, Eleanor Sidgwick obteve boas provas de identidade através de Leonora Piper. Em seu apoio, Verrall fez algumas perguntas as quais não sabia as respostas e recebeu estas corretamente, considerando o conteúdo da última conversa que tinha acontecido entre a Sra. Sidgwick e Myers.

Muitas outras impressionantes indicações de sua sobrevivência foram achadas em correspondências-cruzadas, especialmente durante a segunda visita de Piper à Inglaterra em 1906-07. O sistema inteiro de correspondências-cruzadas aparenta ter sido elaborado por ele e a riqueza de conhecimentos clássicos exibido nos fragmentos dados por vários médiuns levanta uma presunção forte que eles emanaram da mente de Myers.

A mais contundente evidência desta natureza foi obtida, depois do retorno de Piper aos Estados Unidos, por G. B. Dorr em 1908. Frank Podmore considerou-a "talvez a evidência mais forte já obtida para a identidade de qualquer comunicador".

Em The Road to Immortality (1932), um livro supostamente escrito por Myers através de Geraldine Cummins, uma estupenda visão foi aberta, aparentemente por Myers, da progressão da alma pelos estados depois da morte. Em relação a autoria do livro, Sir Oliver Lodge recebeu testemunho independente de "Myers", através de Gladys Osborne Leonard, das comunicações dele por Cummins. Lodge não viu nenhuma razão para discordância que a visão dos notáveis registros dos quarto, quinto, sexto e sétimo estados "são o tipo de idéias que F. W. H. Myers pode neste tempo [1932] ter sido capaz de formar."

Referências:

Berger, Arthur S., and Joyce Berger. The Encyclopedia of Parapsychology and Psychical Research. New York: Paragon House, 1991.
Gauld, Alan. The Founders of Psychical Research. New York: Schocken Books, 1968.
Haynes, Renée. The Society for Psychical Research, 1882-1982: A History. London: Mcdonald, 1982.
Myers, F. W. H. Human Personality and the Survival of Bodily Death. London: Longmans, Green, 1903.
——. Science and a Future Life: With Other Essays. London: Macmillan, 1901.
Myers, F. W. H., Edmund Gurney, and Frank Podmore. Phantasms of the Living. London: Trubner, 1886.
Pleasants, Helene, ed. Biographical Dictionary of Parapsychology. New York: Helix Press, 1964.
Salter, W. H. "F. W. H. Myers' Posthumous Message." Proceedings of the Society for Psychical Research 52 (1958).

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Uma fotografia de um espírito validada .


No British Journal of Photography

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Esta postagem é sobre o médium David Duguid.


O conteúdo abaixo é basicamente um resumo dos principais tópicos da obra de Fodor, "These Mysterious People" (1934), é claro, com algumas poucas modificações. Cinco pontos desejo ressaltar antes. Primeiramente, na página do grupo cético CSI há um interessante artigo, "Spirit Painting", que toca brevemente na mediunidade de David Duguid. Ali o autor deixa de abordar certos assuntos interessantes que realmente favorecem a autenticidade de algo na mediunidade do sujeito que aqui tratamos.

O autor cita uma consideração do cauteloso Frank Podmore a respeito do médium e posteriormente expõe uma situação de fraude deliberada de Duguid. Para isso também cita um breve comentário do mágico John Mulholland em "Beware Familiar Spirits" (1938). Deixa de comentar que a impostura ocorreu quando o médium tinha mais de 70 anos de idade, que ele já havia realizado com sucesso cerca de 2.000 sessões (segundo Fodor), e ignora uma discussão filosófica sobre aspectos psicológicos (provavelmente porque iria estender muito o artigo) os quais poderiam levar médiuns autênticos a fraudarem.

O segundo ponto é que dado o fenômeno mítico-cultural que envolve o conceito de mediunidade, a curiosidade e a proposta conceitual (comunicação com os mortos) sem dúvida favorece a um profissionalismo ou mesmo a formação de uma carreira. Isso sem dúvida proporciona uma influência psicológica, haja vista o público esperar retorno, existindo pois a necessidade do médium preencher a expectativa de quem aguarda ansiosamente um "contato com o Além" ou pretende apenas satisfazer uma curiosidade por coisas inabituais. Já está em evidência que situações de tensão ou ansiedade, cobrança e expectativa são situações inibitórias para fenômenos parapsicológicos funcionarem. Se há mediunidade, e se ela não passa de uma espécie de comunicação telepática (entre vivo e desencarnado), os fatores prejudiciais à telepatia logicamente deveriam afetar a mediunidade.

Terceiro ponto, o tempo das grandes séances passou, mas a ação dos fraudadores (apesar de existirem os mistificados!) apenas migrou dos salões vitorianos para o assento diante uma tela de computador, onde várias obras pretensamente de espíritos são produzidas pelas mãos de supostos médiuns. Sem radicalismos, digo que, no meio de tanta pretensão, possivelmente uma ou outra criação poderia preencher o conceito genuíno de mediunidade.

A quarta, observação é: penso que muito do que médiuns interpretam pode ter uma base apenas cultural, sem nenhuma realidade objetiva. Um fenômeno real, mas muito "colorido". O próprio David Duguid dizia que um de seus controles era um dos três reis magos! Será? O quinto e último item é um fato deveras curioso e que também não foi ressalvado no texto de Nickell na CSI. Um artigo de J. Traill Taylor, editor do British Journal of Photography, analisando a impressão de formas humanas nas chapas fotográficas, validou a autenticidade das Aparições de Duguid. As formas não eram visíveis a olho nu durante a experiência (que foi montada segundo as exigências de Taylor), mas quando revelados os negativos, figuras estranhas apareceram. Abaixo segue uma fotografia das aparições de Duguid tirada da biblioteca Mary Evans Picture. Bem, segue o material para apreciação.

* * *

David Duguid, nascido em Glasgow, Escócia, alegou que um dos três Reis magos voltou para contar, em viva voz, a extasiante história de sua peregrinação ao berço da criança.

Duguid não era nenhum médium profissional. Curiosamente foi levado a participar, em 1866, numa sessão experimental de mesa na casa de H. Nisbet, a editora de Glasgow. Quando a filha de Nisbet, que era uma escritora automática, colocou sua mão direita na mão esquerda dele, começou a desenhar esboços grosseiros de vasos e flores e então uma travessia sob estrutura arqueada.

Os fenômenos dele incluíam batidas misteriosas, ação inteligente de objetos inanimados, vozes de um tom rouco que se tornavam tão atroadoras que a casa estremecia, levitação do médium, aparecimento de objetos vindos de quartos fechados, luzes misteriosas, toques pelas mãos de "fantasmas", chuva de perfumes e manejo de brasa sem seqüelas.

Todos estes fenômenos eram subsidiários para o grande mistério da pintura. Em transe, com os olhos fechados, Duguid executava esboços de grandes promessas. A influência que alegava ser responsável por isso se sentia estorvada pela absoluta falta de educação artística por parte de Duguid. Seguindo sugestão, o médium tomou lições em Government School of Arts por quatro meses. O conhecimento adquirido poderia tê-lo ajudado nas pinturas que ele sucessivamente fez.

Na escuridão total, em pequenos cartões marcados pelos assistentes, enquanto o médium era segurado ou firmemente amarrado, entidades invisíveis executavam pequenas pinturas a óleo, às vezes em pouquíssimo tempo, como em trinta e cinco segundos. O barulho dos pincéis e o ondular do papel poderiam ser escutados sobre a mesa. Quando terminava, tudo cessava, o papel invariavelmente pintado no lado superior, molhado e pegajoso. Exibiam-se paisagens em miniatura, uma, ou mais, muito finamente executadas, que às vezes o mérito delas era serem visualizadas por uma lupa. Ocasionalmente desenhos eram realizados numa folha dobrada de papel dentro de um envelope hermeticamente fechado, papel que todos os presentes tocavam. As ilustrações eram de tal maneira curiosas que foram usadas na capa das Revelações Angelicais de William Oxley.

Os operadores invisíveis a princípio se recusaram a revelar suas identidades. Um deles assumiu o nome de Marcus Baker. Ele prometeu cópias de suas obras-primas que havia pintado quando na Terra. Por quatro dias, quatro horas diárias, o médium trabalhou numa grande pintura. Foi rubricada por J.R., a "Art Treasures Exhibition de Cassell"; foi reconhecida como "A Cachoeira" de Jacob Ruisdale. A cópia, porém, não era exata. Algumas figuras estavam omitidas. O "controle" [o guia], ao ser questionado, disse que aquelas figuras tinham sido acrescentadas posteriormente por Bergheim. Consultando a biografia de Ruisdale, descobriu-se que isso era verdade.

Aqueles que apressadamente concluiriam que Duguid se expôs a uma carga de fraude não mostraram nenhuma compreensão das complexidades psicológicas destes fenômenos. A mente de Duguid - com memória subconsciente retentiva - poderia estar relacionada com todos estes desenhos e escritos. Suas mãos certamente não fizeram. Esta foi exatamente a linha de defesa tomada pelos "controles" quando foram acusados e pressionados a dar uma explicação. Eles disseram que pegavam o que encontravam na mente do médium.

Por lacunosa e fantástica que a desculpa pareça, ela parece provar outros acontecimentos estranhos. Visitantes de David Duguid às vezes reconheciam nas pinturas "diretas", produzidas em suas presenças, cenas as quais estavam familiarizados na América e na Austrália e que o médium certamente não poderia tê-las visto. Aparentemente então a memória deles, de alguma maneira sutil, também era sondada.


Outro quebra-cabeça de explicação possivelmente semelhante foi fornecido por uma demonstração fotográfica. Na presença de assistentes, David Duguid freqüentemente se expôs a chapas fotográficas confiando obter sinais supernormais ou retratos. Em várias ocasiões, foi encontrado na chapa um belo retrato de uma Sacerdotisa que, de acordo com a impressão dada ao médium, havia se dedicado ao Templo de Vênus em Chipre. O entusiasmo diante ao encanto da senhora, porém, enfraqueceu-se um pouco quando Mme. Isabel de Steiger, F.T.S., descobriu que a fotografia era uma cópia de um retrato alemão chamado "Noite", uma cópia estava na posse do Sr. J. W. Brodie Innes, um solicitador em Edimburgo. Não é impossível conceber que ao falsificar uma fotografia de um espírito a partir de uma pintura estrangeira, Sr. Duguid poderia ter tido a desgraça de selecionar justamente o retrato que tinha uma cópia em Edimburgo. Mas uma alegação favoreceu uma outra solução. As experiências com outros médiuns sugeriram que de alguma maneira poderia haver um acesso a um repositório de memórias enterrado. Através de um processo que nos é totalmente desconhecido, as figuras ocasionalmente eram exteriorizadas na chapa sensível.

Além disso, através da fotografia do espírito, David Duguid foi a tempo testado por J. Traill Taylor, o editor do British Journal of Photography. Este se encontrou com aquele em Glasgow e em Londres. Taylor obteve muitos "extras" em suas próprias condições estipuladas e declarou em seu relatório:

"As figuras psíquicas comportaram-se de uma maneira difícil. Algumas estavam em foco, outras não muito; algumas eram iluminadas à direita, enquanto o assistente estava bem à esquerda; algumas eram graciosas, outros nem tanto; outras ocuparam a maior parte da chapa, obliterando bastante o material do assistente; outras eram como se fossem grosseiramente vinhetas fotográficas, ou saindo de uma fotografia por uma abertura elíptica, ou igualmente mal focadas, foram tiradas atrás do assistente. Mas o ponto é - nenhuma destas figuras reveladas tão intensamente nos negativos foram, de qualquer forma ou condição, visíveis para mim durante o tempo de exposição na máquina fotográfica, e eu atesto fortemente que ninguém teve a oportunidade de tocar em quaisquer chapas antes destas serem colocadas na câmara escura ou imediatamente antes do desenvolvimento. Fotograficamente elas eram vis, mas como foram aparecer ali?"

Não obstante, fraude e fenômenos genuínos caminham juntos durante a vida de muitos médiuns famosos. Duguid não foi nenhuma exceção. Em 1905, na idade de setenta e três, depois de quase 2.000 sessões, ele foi pego em fraude deliberada em Manchester. Ele trouxe as pinturas espirituais já prontas para a sessão e tentou trocá-las pelos cartões em branco que os assistentes forneciam. Sendo por imposição revistado, os cartões originais foram achados em sua calça comprida. Seus amigos ficaram atordoados pela exposição. Eles justificaram a explicação dizendo que os poderes de Duguid, como é freqüentemente o caso, devem ter decaído, e, estimulado pela vaidade, ele fez uma tentativa infantil de exibir fenômenos que os assistentes desejavam.

O lado psico-fisiológico destes problemas é extremamente complexo para ser avaliado por um julgamento precipitado. A qualificação para mediunidade não se origina pela moralidade, mas possivelmente por alguma aptidão constitucional ou mental que nos escapa na vida ordinária, à medida que não existe uso para ela, mediunidade, na vida diária. Oriundos de posição humilde e levados à admiração, médiuns estão propensos a perder seu equilíbrio e fazer coisas incompatíveis com julgamento ou sanidade. Suplantando o genuíno com o espúrio, eles podem se preservar muito do desconforto corporal que drena a vitalidade deles. A maioria dos assistentes de Duguid era "comerciante de milagres". A tendência em os satisfazer com um menor esforço era difícil de se resistir. Isso é agora tão bem sabido que, na visão do Dr. Gustave Geley, famoso pesquisador francês, existe razão para severidade em outra direção. Ele simplesmente diz: "quando algum médium trapaceia, o experimentador é o responsável".


fontes: Fodor, Nandor. These Mysterious People. Publisher: Rider & Co. Published: 1934 Págs: 238; Nickell, Joe. Spirit Painting. Commitee for Skeptical Inquiry, março de 2000 & aBiblioteca Mary Evans Picture.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Fluido Universal ou frameworkers (2º PARTE)



Fluido Universal ou frameworkers (2º PARTE)




O Espírito e a Vida
Carlos de Brito Imbassahy

2ª. parte – Pesquisa da alma

Se há um ponto nebuloso em toda Religião é sua definição relativa à alma: afinal, para a Bíblia, Deus fez o homem, todavia não lhe teria dado alma – pelo menos não consta referência. – E o pior: fez o homem do barro, enquanto que a vida biológica primitiva, toda, foi elaborada a partir de cadeias carbônicas que teriam se juntado para estruturar, sob ação externa de algum agente atuante, os primitivos seres biológicos mais simples, como os plânctons.

*Alma* é um termo que vem do latim – anima, æ – da primeira conjugação e significa “a vida”, termo que também nos deu o verbo animar (dar vida). Vamos encontrar ainda uma citação curiosíssima de Lucrécio, referindo-se ao ar e à água como a dita “anima” da nossa existência.

Claude Augé (1905 – Ed. Larousse) traduzido, nos diz que: “Sentimos, pensamos e queremos. Designa-se sob o nome de alma o que em nós sente, pensa ou quer. Diversamente negada por certas Escolas filosóficas, a atividade espiritual resta irredutível até aqui a toda explicação mecânica ou filosófica. A Escola espiritualista vê em tudo o pensamento da alma. Para a Escola materialista, o pensamento é um produto do cérebro. A crença na imortalidade da alma é um dos dogmas fundamentais do Cristianismo”.

Esta era, portanto, a posição inconteste do início do século passado a respeito do conceito que se tinha sobre o que pudesse ser a alma. Portanto, sem qualquer outro estudo, tudo se resumia a conceitos filosóficos ou dogmas religiosos. Assim, quando em 1945 – já comentado na primeira parte (bebê de proveta) –, foi dada ciência de que a vida era um campo energético ou comandada por um deles, não se assimilou tal conceito à idéia de que este campo pudesse ser algo relativo a conceitos anímicos (da alma).

Todavia, sua descoberta não levou nenhum cientista a admitir a causa, origem ou motivo da sua existência: apenas constatou que, sem tal campo nenhuma mulher seria fértil, mesmo que já tivesse concebido a vida de algum filho anteriormente.

Em princípio, quando Gell Mann, em 1975, admitiu que pudesse existir um “agente estruturador” agindo sobre a energia universal (Antigo FCU de Newton) para dar origem às partículas elementares (sub-atômicas e atômicas) ninguém supôs nenhuma interligação para a possível existência de um agente – dito espiritual – estruturador da vida humana, embora, toda tese científica afirme que o micro se repete no macro e vice-versa.

Daí, portanto, considerar que o aludido agente externo à matéria que agiria sobre a energia para dar-lhe forma pudesse ser a “alma” da questão, vai longa distância. Para os religiosos, o homem – e o mundo em si – é criação divina e para a Ciência a energia que se transforma em matéria é apenas o motivo da existência dos seres e das coisas no Universo. Sua causa ainda é inteiramente desconhecida, por falta de provas.

Portanto, o grande problema é a causa de tudo.

E tudo começou a mudar em 1985 quando os suecos deram publicidade de um estudo por eles realizado que teve o pomposo nome em francês de “La lourdeur de l’âme” (a pesagem da alma), simultaneamente com a divulgação de uma equipe russa de pesquisas que declarou que haviam detectado um “corpo” psíquico com as propriedades estruturais do corpo somático ao qual, por esse motivo deram o nome de “psicossoma”.

Vejamos inicialmente em que consiste “a pesagem da alma”:

A pesquisa fora feita com diversos moribundos aos quais estava acoplado um aparelho espectrográfico semelhante aos que as salas cirúrgicas usam para detectar as condições de vida do paciente medindo-lhe o aludido “campo” que vibra em pulsos, só que os suecos usaram aparelhos mais aperfeiçoados e mais sensíveis, capazes de medir o dito “campo de vida” e registrar sua presença no paciente. Colocaram neste aparelho um dinamômetro para registrar a variação de peso (gravidade do campo de vida humano) e notaram que, gradativamente, conforme o moribundo se esvaía, o sinal de vida mudava, sendo registrado num gráfico de tela, tal como se vê nos aparelhos das salas cirúrgicas. Só que, no momento agônico exato, em que o paciente perdia a vida, também perdia um campo energético cujo peso estava em torno de 22 g* (grama-peso). A este campo eles denominaram de “alma” por equidade de conceitos, já que era ou seria ele o responsável pela vida do paciente, quer biológica, quer psíquica ou personalística. Todavia, as células orgânicas do cadáver continuavam vivas por algum tempo – variável conforme o paciente – provando que elas jamais poderiam ser a causa de tal fato, a saber, da vida e da personalidade do dito cujo paciente analisado.

Os russos não informaram como fizeram a pesquisa para descobrir a existência do referido psicossoma, porém, tudo indica que usaram técnica semelhante com espectrógrafos já que garantiam que, sem o a dito corpo psíquico, o indivíduo perdia a vida e a personalidade decorrente. Quem, na época, visitou estes pesquisadores e fez um excelente trabalho sobre suas experiências foi nosso querido companheiro Henrique Rodrigues, de Belo Horizonte, todavia, já agora no “Além”.

De qualquer forma, a alma ou Espírito encarnado longe está de ser o tal sopro divino alegado pela Bíblia, tudo devidamente registrado por aparelhos que jamais se influenciam por dogmas nem fé religiosa, muito menos por hipóteses materialistas.

De qualquer forma, existe uma correlação íntima entre os estudos feitos relativos à causa ou agente capaz de estruturar uma partícula atômica e o mesmo para agentes capazes de atuar sobre as células orgânicas a fim de compor o corpo e a vida biológica, guardadas as devidas correlações.

Estas descobertas representam mais um golpe profundo nas teses criacionistas religiosas.

2.1 – O quantum energético e a alma

Quando, em 1901, Max Planck deu ciência de seu estudo relativo aos quanta de energia, longe estava de supor que os mesmos tomassem o vulto que realmente representam.

Em síntese, a teoria quântica nos diz que todo fenômeno físico é causado pela ação de determinado agente sobre uma fonte qualquer que vibra e passa a emitir uma certa quantidade de energia (conhecida como quantum no singular e quanta no plural) que se transmite ou se propaga em ondas cuja variação de freqüência define a natureza do fenômeno.

O fenômeno mais simples é o acústico: um agente é o dedo do músico que faz uma corda de violão (fonte) vibrar e emitir uma quantidade de ondas ditas sonoras que se propagam pelo meio com uma freqüência que varia de 16 hertz a 32.000 hz (o hertz é a unidade de vibração por unidade de tempo que é o segundo). Sua peculiaridade é ser percebida pela nossa audição.

Para o calor, o agente é o atrito, a fonte são as moléculas e a energia é a térmica; suas ondas variam de 64x 10³ hz a 1 megahz; entre 32 mil e 64 mil vibrações temos os ultra-sons. E por aí afora; como há tabelas com estes valores, dispensa-se qualquer comentário.

Em 1925, Albert De Rochas, matemático francês de família de destaque no meio científico, apresentou um estudo intitulado “Teoria da Mecânica Quântica e Ondulatória” que, sem dúvida, seria o pioneiro no assunto, dando as equações fundamentais do seu estudo, com o que o físico poderia realizar os principais cálculos de tais emissões. Estava, pois, matematicamente comprovado e estudo de Planck.

Porém, cabe a Erwin Schrödinger, físico austríaco, no ano imediato, estabelecer sua famosa equação geral da mecânica quântica que selou de vez os estudos relativos ao assunto. Hoje, só um tolo nega a Física quântica. Ou um bíblico, baseado em seus versículos, porque suas leis contrariam por inteiro qualquer hipótese criacionista.

Por outro lado, porém, as teses relativas às pesquisas da alma passaram a ter total apoio da fenomenologia quântica porque podem ser explicadas através das mesmas, senão vejamos:

Para que se possa estruturar uma partícula, por mais simples que seja, é preciso que o dito agente estruturador emita um campo, a exemplo do imã para reunir as limalhas de ferro e zinco e dar-lhes a configuração espectral do dito cujo. Assim, o agente estruturador tem que possuir esta mesma propriedade quântica que dê a forma devida às partículas; logo, o campo estruturador possui as características da partícula estruturada. Por equidade, a alma humana (ou agente estruturador biológico do homem) tem que possuir os campos energéticos atuantes que elaborem um corpo somático e que seja compatível com o local da estruturação, que é o ventre materno.

Isto explica a descoberta italiana no aludido e já citado estudo do “bebê de proveta”. Só que tal campo é gerado por um agente estruturador que não pertença ao domínio físico, condição essencial para atuar sobre a energia dita cósmica. Desta forma, o homem deixa de ser uma criação divina para ser um ente elaborado por um agente (dito espiritual) capaz de organizar o seu corpo humano e nele atuar dando-lhe vida e personalidade como o fazem os agentes estruturadores descobertos por Gell Mann a fim de dar existência às partículas atômicas.

E isto a Bíblia não explica. Nem Freud.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Fluido Universal ou frameworkers (1º PARTE)



Fluido Universal ou frameworkers (1º PARTE)

O Espírito e a Vida
Carlos de Brito Imbassahy 1ª. parte – Conceitos gerais

Até o século passado, o Espírito era propriedade das religiões que decidiam sua sorte à maneira dos seus dogmas. Como tal, os estudos científicos não deveriam ter acesso ao tema, em nenhuma hipótese porque estar-se-iam invadindo “seara alheia”. Coisa divina.


Por falta de provas, as “verdades religiosas” passaram a ser dogmas, ou seja, não se pode discutir porque seria a palavra de Deus; só que cada seita religiosa tem seu Deus particular que só protege seus fiéis. E não existe nenhuma prova da existência desses Deuses diversificados, porque a verdade é uma só.


Assim, todas as afirmativas do passado a respeito da existência do Espírito são utópicas e sem qualquer fundamento que possa servir de base para qualquer tipo de estudo, embora, desde que os humanos passaram a existir, a grande preocupação do homem tem sido justamente a existência do seu Espírito.


Nos meados do século XIX foi, sem dúvida, Allan Kardec o pioneiro na divulgação dos estudos e das experiências que já se realizavam para tentar provar a existência do Espírito fora da matéria ou da vida encarnada e sua atuação sobre nós, os ditos “vivos”. Desses estudos ele codificou a doutrina à qual deu o nome de Espiritismo e assim a definiu:


"O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal" (O Que é o Espiritismo – Preâmbulo).


E, atualmente, os que se dizem espíritas e que compõem o movimento doutrinário do país levaram a dita codificação para outra posição; o que se pode advir é que nosso povo, religioso por excelência, ainda não está apto para entender a vida fora dos preceitos dogmáticos que, para os mesmos, é comandada por um Deus absoluto fictício que só atenda a seus fiéis e que só se preocupe com os humanos, esquecendo-se que, além da Terra, o imenso Universo impera com muito mais grandeza do que o homem possa supor.


A vida, portanto, não pode estar expressa por conceitos tão fechados e bitolados a crenças que não levam a nada, senão a dogmas e preconceitos que não se possam discutir.


Levado pelo movimento espírita que se transformava gradativamente em mais um aspecto religioso do que mesmo um estudo dedicado à vida espiritual sem o lado místico, Charles Richet resolveu se dedicar ao assunto e, assim, em vez de adotar uma doutrina de estudos, implantou uma corrente científica à qual deu o nome de Metapsíquica – Ciência que estuda os fenômenos além dos psíquicos – e com a qual estudaria os ligados ao Espírito.


Seu primeiro grande erro, todavia, foi classificar esses fenômenos que transcendiam ao domínio físico pelos efeitos e não pelas causas; assim a Metapsíquica os classificou em objetivos, aqueles que atuam em objetos, como transportes, casas assombradas e que mais; os que não atuavam sobre objetos, como telepatia, transmissão do pensamento, seriam subjetivos e, como tal, independente da causa, não envolviam a atuação das aludidas energias metapsíquicas sobre nada. Também ele, na sua primeira edição de seu estudo, ignorou a existência dos “mortos” ou seja, a ação dos desencarnados sobre o meio material, admitindo que toda origem fenomênica procedesse de alguma força considerada transcendental que a criatura humana pudesse possuir e que ainda fosse inteiramente desconhecida.


Já segundo a classificação de Kardec, estes fenômenos seriam espiríticos – produzidos pelos desencarnados (Espíritos) – ou anímicos cuja causa seria a ação do encarnado que transcendia ao domínio físico.


Richet era catedrático da Sorbone e prêmio Nobel de Medicina (1913) com seu trabalho sobre serologia, de modo que seus estudos metapsíquicos se propagaram por toda a Europa; ao se jubilar da Universidade, em seu discurso ousou declarar que, se houvera alguma “religião” que ele pudesse adotar, esta seria o Espiritismo, motivo pelo qual, os seus seguidores mais materialistas se rebelaram contra seus estudos, principalmente porque, em 1915, ele reformulou inteiramente seu trabalho para aceitar os fenômenos mediúnicos, embora não fizesse nenhuma alteração classificatória, mas incluiu os fenômenos de materialização – que ele chamou de ectoplásmicos – e admitia que os de casas assombradas pudessem ser provocados por desencarnados.


Por discordarem de Richet, um grande grupo internacional de estudantes da Metapsíquica no II Congresso realizado em Varsóvia (29.ago.1923) resolveu dar outra conotação à Metapsíquica o que ocasionou uma revolução geral da idéia e, em 1953, na cidade de Utrecht (Holanda), a Metapsíquica se transformou em Parapsicologia – palavra que tem o mesmo sentido, apesar de divergências puramente nos termos – onde R. H. Touless e B .P. Wiesner, da Escola alemã tiveram papel preponderante na sua concepção, só que, o fundamento de tudo foi apenas na mudança dos termos: os fenômenos subjetivos passaram a se chamar psi-gama (ψγ) e os objetivos psi-kapa (ψκ), mas continuaram a mesma coisa.


Apenas em 1945, quando a II Grande Guerra terminou é que, através da mídia, se teve conhecimento de que cientistas italianos, em laboratório nazista montado em seu país, haviam descoberto que a causa da vida era um “campo energético” que comandava a fecundação materna em seu útero e que as mulheres, mesmo que já tivessem tido filhos, se não voltassem a possuir tal campo, não estariam ou seriam férteis para nova gestação. Uma característica individualista mostrava que o aludido campo nascia com o feto, comandando sua vida. Este estudo teve o nome de bebê de proveta porque os cientistas envolvidos pretendiam criar artificialmente tal campo e fazer com que o feto fosse gerado em uma proveta com óvulos humanos a fim de criarem uma raça especial.


As experiências foram abortadas porque o Papa Pio XII as proibiu já que tais pesquisas contrariavam os preceitos e textos bíblicos.


Até então, Espiritismo (o de Kardec), Metapsíquica e Parapsicologia estavam em uma área intermediária entre os estudos científicos exatos e o empirismo religioso que se opunha a eles sob alegação de que estariam atuando em área divina, o que só Deus poderia fazer.


Tudo mudou quando em 1975, no acelerador de partículas (fermilab) da Universidade de Stanford, um físico norte-americano chamado Murray Gell Mann descobriu os quarcks. Em princípio, estes nada têm que ver com a vida espiritual, porém, o complemento das suas descobertas é que foi revolucionário:


Ao fazer um elétron se chocar com um pósitron (antielétron), como são exatamente as duas partículas – matéria e antimatéria – correspondentes e opostas, com mesma quantidade de cargas – o elétron é negativo e o pósitron é positivo – equivalentes, em teoria, simultaneamente formadas, uma anularia a outra ao se chocarem. Tal não ocorreu. Evidentemente, Gell Mann passou a estudar o fenômeno até concluir que as aludidas partículas deveriam ser comandadas por agentes externos a elas, agentes esses que deveriam ser os seus respectivos estruturadores.

A idéia dos “agentes estruturadores” – hoje também denominados frameworkers – justificaria, não só, o comando da partícula como ainda a sua formação, já que, por si só, a energia fundamental do Universo jamais poderia se alterar para dar origem às ditas partículas materiais. E rui por terra a teoria criacionista religiosa.


Já em 1944, nos laboratórios nazistas do III Reich, Werner Heisenberg havia estudado o bombardeio de partículas a partir de um comando que algumas delas não obedeciam e que não se poderia prever quais delas assim agiriam; nasceu, desse estudo o dito “princípio da incerteza” todavia, o importante das conclusões foi o que o cientista declarou: – as partículas que não obedecem ao comando têm vontade própria e agem como “ovelhas desgarradas”.


Todas essas experiências e suas descobertas destroem qualquer idéia religiosa a respeito da vontade divina para existência da vida. E lá se vai por terra qualquer hipótese do criacionismo bíblico. Expliquemos:


Os mais recentes estudos relativos à formação do Universo, segundo Sten Odenwald, chefe de equipe de Palomar que comanda o Observatório Keck II no Havaí, levaram-no a concluir que o Universo é composto de 27 % de energia e 73 % de “nada”, comparando-o a uma tina cheia de espuma de sabão, onde, verdadeiramente, as bolhas é que enchem a mesma, mas, se todas elas estourarem, restará no fundo, apenas, uma porcentagem da essência do dito sabão.


Tal estudo está inteiramente fora de qualquer conceito religioso, principalmente o bíblico, a respeito da formação do Universo.


A primeira hipótese sugerida a respeito do espaço correspondente a “73% de nada” sugere que ele possa ser ocupado pelos aludidos agentes estruturadores que atuam sobre a energia para dar-lhe forma e vida. Afinal, estes agentes é que devam ser os grandes responsáveis pela existência material do espaço cósmico.


Para entendermos melhor: a fim de que uma partícula material, por mais elementar que seja, possa se formar a partir da energia amorfa que compõe os 27% do espaço cósmico, é preciso que sobre esta energia atue um agente – seja qual for – capaz de materializar a porção necessária de energia que forme tal partícula; e assim elas seriam formadas. E cabe, aqui, a expressão de Einstein: E = mc². Todavia, elas, por si só, não seriam capazes de se juntar para formar um átomo ou uma molécula que seja; então, o provável é que outros agentes superiores tenham a capacidade de atuar em tais partículas e reuni-las para estruturar o átomo, a molécula e finalmente um corpo material.


Ora, por conseqüência, a vida também seria organizada por um agente – denominado “Espírito” – que atuaria sobre a matéria em si para dar-lhe vida e personalidade. Este agente seria exatamente o que produzia os “campos de vida” dos cientistas italianos financiados pelos nazistas, em suas pesquisas relativamente ao dito “bebê de proveta”.


Do mesmo modo que os agentes estruturadores das moléculas têm a capacidade de reunir os átomos estruturados por agentes imediatamente inferiores, os aludidos “Espíritos” da vida biológica animal seriam capazes de juntar as células orgânicas e estruturar um dito corpo carnal ou até mesmo o somático, derrubando por terra qualquer concepção bíblica a respeito da criação divina do homem.


As leis do Universo são gerais e o que vale para o micro, também vale para o macro; não há exceções.


O assunto não se resume nestes conceitos introdutórios; torna-se necessário analisar, por outro lado, o que os parapsicólogos têm conseguido concluir a partir de experimentos devidos para a pesquisa da existência do Espírito em si, sem religiosismo e sem part-pris tendenciosa.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Deturpação do Espiritismo



Radiografia da Deturpação do Espiritismo


Carlos Imbassahy

A deturpação do Espiritismo começou logo que ele se instalou no Brasil. Os primeiros espíritas não tiveram estrutura mental e emocional para absorver o pensamento de Allan Kardec. Derivaram para o evangelismo, atendendo às próprias tendências: fruto do roustainguismo.

O movimento espírita engatinhou pelo menos 50 anos até que veio o “boom” de Chico Xavier. Desde então verificou-se que o roustainguismo estava visceralmente infiltrado no pensamento espírita brasileiro, influenciado por Bezerra de Menezes e seus parceiros, com a fundação da Federação Espírita Brasileira.

Isso porque Emmanuel, guia de Chico Xavier, só fez acentuar esse desvio fundando oficialmente a Religião Espírita e referendando a cristolatria inaugurada pelo Anjo Ismael. Ambos afirmaram, como Espíritos Superiores, que o Espiritismo tem por missão restaurar o evangelho e como tal existe entre ele e as igrejas cristãs um laço muito forte, mesmo que estas o rejeitem.


Esse afastamento da real estrutura do Espiritismo Kardecista originou uma sub doutrina espírita, um pseudo-Espiritismo, cujos alicerces repousam claramente nas idéias de Roustaing, Emmanuel e outros ligados ao cristianismo. Tornou-se aceito porque os dirigentes espíritas de todos os níveis, em sua esmagadora maioria, desconhecem o pensamento de Allan Kardec. Oriundos do catolicismo sentem-se “em casa” com essa derivação evangélico-mediúnica a que se reduziu o projeto inicial do fundador do Espiritismo.

A imagem do Espiritismo brasileiro é religiosa, confundida com a umbanda e cultos afro-católicos. Todo o esquema de atuação está assentado sobre os pressupostos do catolicismo, isto é, culpa e castigo e esse é o pensamento central desse pseudo-Espiritismo. Além de Roustaing, outros personagens entram nessa história: Emmanuel (Chico Xavier) Joanna de Angelis ( Divaldo Franco), Edgard Armond e até Pietro Ubaldi, bem como outros que nada têm com o pensamento de Kardec. Aliás, ele é o grande excluído.

Existe um grupo de espíritas que se autodenomina de “autênticos kardecistas” e que se esmera num ferrenho combate à Federação Espírita Brasileira e ao roustainguismo, centrados no detalhe absolutamente desprezível do corpo fluídico de Jesus. No dizer de Krishnamurti de Carvalho Dias, esse é o “boi de piranha” que possibilita a entrada de conceitos contrários à grande contribuição kardecista, que é a imortalidade, a lei da evolução, progressiva e contínua.

Entretanto, esse grupo “autêntico”, curiosamente, aceita o aspecto religioso do Espiritismo e de certa forma a cristolatria roustainguista ao apoiar-se nas teses de Emmanuel sobre a evolução em linha reta e o papel de “governador” do planeta atribuído ao Cristo, quando nada disso pode ser autenticamente encontrado no pensamento genuíno de Kardec.

Enfim, os combates margeiam o político e o imaginário, pois esses tais de “espíritas autênticos” continuam acreditando que Kardec foi apenas o codificador e não o fundador do Espiritismo. E ainda continuam atrás do mito cristão do salvador e do mito judaico do messias.

Não aprenderam a lição histórica da evolução geral e do sentido progressista de Kardec. Apegam-se ao aspecto místico da revelação sobrenatural, na chefia mítica de Jesus Cristo, como “o Espírito da Verdade” e daí por diante.

Há mais de 30 anos estamos lutando, muitas vezes solitariamente, pela instalação da doutrina kardecista, única forma de salvar o Espiritismo fundado por Allan Kardec de naufragar. Porque o Espiritismo que se pratica e se propaga no Brasil, de modo geral, não foi fundado e nem codificador por Kardec.

FONTE: Sala Filosofia Espírita - Pal Talk.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Dialética e Metapsíquica.



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Dialética e Metapsíquica.

O filósofo portenho Humberto Mariotti (1905-1982) é hoje, reconhecidamente, um dos maiores pensadores espíritas que a América Latina nos legou. Poeta, ensaísta, orador e ativista, Mariotti produziu uma obra ainda pouco divulgada no Brasil. Alguns livros seus foram aqui lançados. Parapsicologia e Materialismo Histórico, seu principal trabalho, é o mais conhecido.

A CIÊNCIA ESPÍRITA NÃO É SEITA, NEM RELIGIÃO OU FILOSOFIA INGÊNUA
"O espiritismo, que foi inicialmente, e continua senão, para a grande maioria de seus adeptos, um seita, misto de religião e de filosofia ingênua. "
Julgar a ciência espírita como "uma seita, misto de religião e de filosofia ingênua" é desconhecer sua envergadura filosófica, seu movimento ideológico, seus homens mais representativos e, ainda, sua imensa bibliografia que, atualmente, constitui toda uma cultura nova sobre os problemas do Espírito.

A ciência espírita não é filosofia ingênua, desde que não apresenta noções ingênuas sobre a espiritualidade do homem; nem ingênuo é o seu raciocínio filosófico, uma vez que, por seu caráter experimental, mais do que qualquer sistema metafísico, está em condições de inquirir cientificamente sobre o conhecimento do Ser, que sempre foi tratado exclusivamente de maneira esquemática.

É com razão que foi chamada, conjuntamente com a metapsíquica, a Ciência da Alma. Referindo-se à distinção feita entre as "ciências da natureza" e as "ciências do espírito", disse José Ingenieros: "Os cultores mais leais das "ciências do espírito" são os espiritistas." Acontece, entretanto, que essa lealdade espírita foi, quase sempre, confundida com as práticas imorais de certos indivíduos que, amparando-se na ciência espírita, realizaram as mais mesquinhas práticas espiritualistas, que a crítica não soube de pronto deslindar, fosse por hipocrisia, fosse pelo desconhecimento dos seus verdadeiros fundamentos.

Com efeito, se o dr. Troise julgou daquele modo o espiritismo, por efeito da ação nefasta dos espiriteiros, errou o seu caminho. A ciência espírita é um conhecimento da vida que jamais poderá produzir fanáticos místicos nem exploradores da credulidade popular, verdadeira fonte da filosofia ingênua:
ao contrário, sempre dará lugar à formação
de caracteres idealistas, que saberão colocar-se ao serviço da humanidade, sem outro interesse além da elevação de um homem mais conhecido em si mesmo e mais fraterno em seu desenvolvimento social.
Ocorre com o espiritismo o mesmo que com o socialismo: interpretam-no como um dos tantos partidos políticos, que visam conquistar cadeiras no parlamento, sem compreender que sua finalidade essencial reside na transformação política, econômica e social da humanidade.

São muitos, pois, os que se dizem socialistas e, nada obstante, desconhecem os fundamentos filosóficos do socialismo. É o caso de perguntar-se: 'Serão estes verdadeiros socialistas? Praticarão os seus princípios cientificamente? Terão uma sólida consciência socialista ante as tentações oferecidas pela
sociedade capitalista?'
O mesmo ocorreu com a ciência espírita. Se alguns pseudo-espíritas organizaram seitas em vez de círculos filosóficos, a responsabilidade não será da doutrina, mas dos indivíduos, por isso que ela não é mais que uma filosofia com métodos experimentais e sempre baseou a análise das coisas no livre exame e na razão.

A profundidade do pensamento, como o sabe de sobra o autor do Materialismo Dialético,não deve buscar-se no que pensam e fazem certos indivíduos, mas entre aqueles que ofereceram toda uma existência a esse
pensamento.
E, no caso da ciência espírita, deve inquerir-se na obra de homens como Oliver Lodge, Alfred Russell Wallace, Luciani, Camille Flammarion, Gustave Geley F. W. H. Myers, Ernesto Bozzano, William Crookes, Cesare Lombroso, Albert de Rochas, Gabriel Delanne, Paul Gibier e outros.

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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Deus Existe?


Deus e a razão
Por: Carlos de Brito Imbassahy

Afinal, quando todos discordam entre si, ninguém tem razão. Confúcio


Razão vem do latim, ratio, onis, segundo os dicionários, é a faculdade do raciocínio.

Na antiga Grécia, o termo correspondente era “logos” e estava vinculado à natureza e sua existência. Deve-se a Platão dividi-la em razão intuitiva (noesis), discursiva e conclusiva. Pela ordem: razão imediata; razão do conhecimento através de uma série de raciocínios; e a terceira, aquela que não permite dúvida ante as premissas que a imponham.
O racional, portanto é relativo à razão.

Já na retórica clássica encontraremos a razão demonstrativa que expõe as evidências; a razão argumentativa que usa o raciocínio lógico como proposta de discussão e a razão final, como indica o nome, que enfeixa os conceitos usados como argumento e leva a uma conclusão.

Todavia, para quem pensa que este termo teve sempre tal conotação, e sua origem latina é a mesma, pego anotações do meu pai (1) e transcrevo algumas delas:

Horácio: Ratio – o raciocínio; e mais: Mala ratione facere rem – enriquecer por modo ilícito. Lucrécio: Navigii ratio – a arte de navegar.

Cícero: Mea est sic ratio – esta é minha opinião; Ratio carceris – motivo dos encarcerados; Pro ratione fructuum – por motivo dos frutos...

Cada qual que conclua à sua moda. Contudo, no presente, somos levados a usar cada termo com seu sentido atual e deixar para os devaneios o que possa ter sido seu significado em tempos antanhos. Atualmente, ter razão é estar certo. É um conceito da Lógica.

Relativamente a Deus e à razão, muitas indagações são feitas; a exemplo: por que Deus fez o mundo? (Qual a razão de tê-lo feito). Que razão nos levaria a concluir pela existência do “Criador”? Há razão em admitir a existência de um Deus único, responsável por tudo? Ele se enquadra na lei de causa e efeito?
E por aí afora.

O nosso objetivo, porém, é analisar a figura de Deus dentro da razão, no sentido lógico, afinal, os embates entre as religiões, as linhas filosóficas e as verdades científicas criam um choque terrível, como vimos anteriormente, nos comentários já publicados.

Até o momento, pelo que se pôde ver, existe um enorme conflito entre os que negam e os que afirmam que Deus exista dentro dos puros conceitos religiosos e tudo indica que as discussões se resumem de acordo com os critérios facciosos de cada expositor.

Quem revolucionou os conceitos a respeito de Deus – para os que queiram, também, ler as entrelinhas – foi um mestre francês, discípulo dileto de Pestalozzi e que se tornou o responsável pela introdução em seu país pela metodologia de ensino do grande didata suíço. Chamava-se Léon Hippolyte Denizard Rivail (1804 – 1869), mas, ao ser convidado por Forrestier, um pesquisador dos fenômenos transcendentais da vida após a morte, a estudar tais ocorrências hoje conhecidas como metanímicas ou mediúnicas – de manifestação do morto –, dedicou-se ao seu estudo codificando uma nova doutrina filosófica de conclusões científicas, como ele próprio define, para correlacionar a existência do Espírito fora do corpo com sua vida encarnatória.

Para não misturar seu estudo pedagógico com suas pesquisas consideradas transcendentais, ele preferiu usar um pseudônimo – Allan Kardec – para expor seu novo trabalho. A essa doutrina ele criou o neologismo em francês de Spiritisme para denominá-la, todavia, no Brasil, ela tomou dois ramos distintos, um deles também conhecido como Roustaingismo, baseia-se na obra “Os Quatro Evangelhos” ou “Espiritismo Cristão” de Jean Baptiste Roustaing e segue a linha docetista de uma antiga igreja otomana do século IV e que fora condenada por bula papal já em velhos tempos.

Como tal, este segmento admite que Jesus não tenha tido corpo carnal e sim, “fluídico”, assim denominado erroneamente, já que fluido é material também. Diverge, em muitas coisas de Kardec e, aboliu da sua obra o principal livro “O Que é o Espiritismo”, considerando apenas cinco obras do codificador às quais denomina – também erroneamente – de “Pentateuco espírita”; assim mesmo, em sua tradução para o nosso idioma modifica muito do seu conteúdo, chegando a adulterar capítulos, no caso do livro “A Gênese” a fim de eliminar os textos de Kardec conflitantes com o aludido docetismo adotado. E um desses capítulos é o referente a Deus.

A segunda corrente, dos “cristãos espíritas” – também chamada de Emmanuelismo –, baseia-se principalmente em obras mediúnicas de Entidades espirituais que, em sua vida terrena, foram ligadas à Igreja e tem como fundamento principal os Evangelhos do Novo Testamento, os quais também os interpreta sem levar em conta as críticas de Kardec feitas em seu livro relativo aos mesmos.

Seus seguidores quase nunca se preocupam com as obras da codificação, estudando quase que exclusivamente os trabalhos mediúnicos destas Entidades.

Há ainda uma série de seitas mediúnicas, conhecidas como “terreiro” que se dizem espíritas e que servem para os detratores apontarem o aludido Espiritismo como coisa do “demo”. Nenhuma delas, porém, sequer estuda a codificação.

A única doutrina que pratica o mediunismo e merece todo respeito, sem se dizer espírita é a Umbanda, fiel a suas origens afro, embora muitos de seus adeptos – e mais do que os que se dizem espíritas – estudem Kardec.

O que ora iremos analisar, das palavras de Kardec, por vezes entrará em choque com ambas as correntes acima citadas porque foge inteiramente aos seus conceitos evangélicos, contrariando, em parte, muitas de suas posições, já que as mesmas “adoram” Deus à moda cristã e têm Jesus como Guia supremo do nosso planeta.

A fim de evitar conflitos, usaremos as obras de Kardec no seu original francês, publicadas em 1868 – Ed. Lacroix – que, segundo Dr. Silvino Canuto Abreu, foram as últimas edições revista pelo mestre lionês. Com destaque para o cap. I de “O Livro do Espíritos” (6ª ed.) e cap. II de “A Gênese” (3ª ed.), além de tópicos do seu principal livro “O Que é o Espiritismo” em sua primeira edição original.

Como todos sabem, os livros de Kardec foram inspirados em perguntas por ele feitas aos Espíritos manifestantes e à hegemonia de respostas dadas por diversos deles, para que pudesse observar uma certa universalidade de opiniões. Vejam a sutileza de indagação e a resposta dada, logo na primeira pergunta que Kardec fez em O Livro dos Espíritos:

P. – Que é Deus?

Ora, isto afasta por completo o conceito de Deus Ente espiritual como um ser humano (à nossa imagem e semelhança), pois, neste caso, a pergunta seria obrigatoriamente “Quem é Deus?” Já contrariando a Bíblia, em ambos os Testamentos e as correntes doutrinarias brasileiras que O têm como um Espírito.

A resposta ainda é mais contundente: – Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

Por partes: ser “causa primária” não é ser Criador; o cigarro é, em certas pessoas, a causa primária do câncer pulmonar, mas, não é o criador do tumor maligno. E mais: também defini-Lo como “inteligência superior a tudo” não significa que ele tenha criado nada. Além disso, vamos ver ainda Kardec definindo Deus como “infinito”, portanto, não pode ser contido por um espaço restrito como o cósmico nem nele se manifestar, principalmente porque este se expande. Já, poder-se-ia dizer que Deus contenha o Universo; não se garante tal hipótese, mas, sendo “infinito”, nele está tudo o que possa ser finito e, como tal, Ele é que não cabe no restrito espaço cósmico finito. E em expansão.

Matematicamente, o limite infinito das coisas é o começo de tudo que não tenha origem, portanto, este conceito se enquadra nas Ciências exatas. É também o fim de tudo em condições idênticas. A circunferência é infinita nos dois sentidos: em que ponto ela começaria e em qual terminaria? Pode-se ficar rodando sobre ela infinitamente sem saber onde está seu começo nem onde será seu fim.

Por outro lado, se o Universo, como conseqüência de alguma ação existe, a ele corresponderá uma causa, para que seja dela o efeito ou conseqüência. Ora, sem dúvida: a causa da existência do Universo tem que ser “suprema” – superior a tudo –, primária e compatível com ele; não apenas, ter a configuração restrita dos habitantes de um ínfimo planeta que nada representa perante sua grandeza.

Deus, assim, jamais poderia ser um “Espírito” como os humanos; e Kardec nos mostra, em seus conceitos, que Ele pode ter predicados correspondentes àquilo que sirva de definição para as coisas, todavia, sem jamais possuir caracteres humanos. É assim que no aludido capítulo II de “A Gênese” Kardec tenta descrever a figura de Deus diferenciando-a dos conceitos bíblicos adotados pelos evangélicos, inclusive os que se dizem espíritas em nosso país.

Dos atributos divinos, todos eles são incompatíveis com a figura bíblica do Deus que conversa com Moisés e que fica irado; enfim, como diz Kardec, contrariando seus principais fundamentos e características Ele é de infinito poder e bondade; assim, não pode ser o “criador” do mal, contrariando, mais uma vez, a tese evangélica de que teria Ele criado tudo.

Talvez, por outro lado, tenha usado tal conceito à falta de melhores sentidos figurativos, pela metodologia do ensino, tentando mostrar que não procede a idéia de “castigo divino” muito menos de ter sido d’Ele a criação do mal e dos fictícios personagens bíblicos de Lúcifer e Satanás. Aliás, não existe “criação”: isto é mera artimanha para que os textos bíblicos não sejam contrariados, configurando suas inverdades perante a Ciência.

Em princípio, para ser infinitamente justo não pode perdoar ninguém (o que não significa condenação); ao contrário, deverá fazê-lo cumprir a “lei de causa e efeito” que Jesus traduziu em linguagem simples dizendo “assim como fizeres, assim acharás” mas que os próprios evangélicos geralmente ignoram porque, para eles, Jesus é o grande protetor dos seus adoradores e, como tal, perdoaria incondicionalmente seus atos, bastando, para, tal, adorá-lo em essência e verdade. Chegam a dizer que ele “sofreu” na cruz para resgatar nossos débitos: que absurdo! Evidentemente, só os fiéis a ele, Jesus, estariam salvos provando uma terrível parcialidade porque os bons que não o tenham seguido seriam condenados, apesar de justos...

E Deus, como causa suprema, jamais contrariaria esta sábia lei de justiça, nem para atender a seus fanáticos adoradores! Afinal, esta lei é que mantém o Cosmo em equilíbrio.

Contudo, Kardec resume sua idéia relativa ao Supremo Agente do Universo dizendo: – “quando invocamos Deus, quem vem em nosso socorro é sempre um Espírito amigo”. Esta forma elimina qualquer possibilidade para que o homem, mesmo sendo Moisés, venha a conversar com Ele nem que seja em lugares sagrados, porque a sagração é pura forma humana de adoração.

Um outro aspecto curioso que se pode ver é aquele em que Kardec apresenta esta suprema causa como geradora permanente de seres e coisas, o que é perfeitamente compatível com o progresso sideral onde, a cada momento surge um novo corpo ou forma primitiva e uma nova essência existencial para seu desenvolvimento.

Vale também o inverso, ou seja, a cada momento, algo de novo surge e algo de antigo desaparece; os mais recentes estudos cósmicos nos falam das estrelas canibais, encarregadas de fazerem desaparecer do espaço sideral muita coisa que deva ser eliminada.

Kardec, portanto, analisou Deus à luz da razão, tentando tirar da idéia a concepção de que Ele seria um Ente espiritual igual a nós e com predicados puramente humanos, elevados ao extremo. Esse Deus antropomórfico não existe; é substituído, quando apelamos para Ele, por um Espírito amigo que venha em nosso socorro porque, senão, seria de uma terrível injustiça analisá-Lo em casos como aquele em que uma caravana de romeiros devotos de Nossa Senhora da Aparecida fretou um ônibus para ir à cidade da sua padroeira nos dias de comemoração e o veículo sofrera terrível desastre na viagem. Vários acabaram falecendo e muitos saíram feridos. Uma senhora que se ficara incólume declarou para a repórter que fora Deus que a salvara, só que a entrevistadora não teve a presença de espírito para indagar por que Deus, já que pôde salvá-la, não fez o mesmo com os demais devotos? Parcialidade baseada em quê?

Ou então o caso de dois times que disputam uma partida: o vitorioso declara que fora Deus que o ajudara a vencer; e por que Deus prejudicou a outra equipe fazendo-a perder? Por que tal outra parcialidade? No caso, o mérito passa a ter segundo plano.

Sem dúvida, o homem quer ver neste seu Ser Supremo um indivíduo equivalente a ele em seus íntimos conceitos, ajudando parcialmente a uns, talvez mais devotos, e prejudicando a outros por pura antipatia. Este é o Deus religioso que Kardec tentou desmitificar.

Por isso, muitos, ao traduzirem os textos de Kardec foram obrigados adulterá-los, a fim de não negarem tal crença, já que, no original francês da terceira edição mencionada, o codificador do verdadeiro Espiritismo tenta sutilmente fazer com que se veja que tais conceitos são inteiramente errôneos porque o Deus antropomórfico, além de não ser “infinito” e cheio de sentimentos (ou defeitos) humanos, jamais se tornaria compatível com o cosmo universal e, como tal, incapaz de tê-lo criado. Por sinal, foi exatamente esta posição que Kardec deve ter tomado, de forma sutil, tentando mostrar a seus estudiosos que o Universo jamais poderia ser criado da forma que apregoam, embora, só século e meio depois dele a Ciência nos dê subsídio para provar que, apesar da sutileza, Kardec usara a prudência para admitir a existência de uma “causa suprema” sem tirar a fé do crente que necessita avidamente de “crer” num Ente imaginário que seja tão humano quanto ele, para que tenha fé e confiança no seu Poder, mesmo com a justiça arranhada pela parcialidade da sua crença.

Note-se ainda que Kardec, vivendo numa sociedade do século XIX altamente cristã e numa civilização onde negar certos dogmas religiosos seria verdadeiro escândalo, parece que tentou, de alguma forma, intermediar entre a lógica de seus argumentos e o absurdo das imposições religiosas, sem provocar escândalos nem ferir susceptibilidades. Foi altamente político, neste sentido.

Mas, definindo sua doutrina como ciência de conclusões filosóficas no preâmbulo da sua principal obra “O Que é o Espiritismo”, afirmou em diversas outras ocasiões que ela acompanharia a evolução dos conhecimentos e sempre que alguma afirmativa correlata ficasse provada, ela passaria a integrar o Espiritismo.

Pois está na hora de se confirmar uma causa (Deus?) infinita como motivo de existência do Universo cíclico e sempre renovado por novas formações. Esta causa, porém, jamais poderá ser um Criador que teria dado início à nossa formação cósmica, tornando-a finita.

O grande mal da Religião é querer impor seus erros atribuídos ao Ente Supremo, a fim de não admitir que seu Deus não seja perfeito.

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