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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A HISTÓRIA DO ESPIRITISMO



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Andrew Jackson Davis

Grande médium norte-americano, semi-analfabeto e sem cultura, mostrava grande inteligência sob ação dos espíritos.
Considerando a obra de Emmanuel Swedenborg como uma antecipação doutrinária do Espiritismo em seu aspecto histórico, temos forçosamente que estabelecer uma ligação entre ela e a obra do médium norte-americano Andrew Jackson Davis. Enquanto Swedenborg era um sábio, Davis era semi-analfabeto, "fraco de corpo e mentalmente pobre", como nos informa Sir Arthur Conan Doyle. Apesar dessa contradição, Davis foi o continuador de Swedenborg e o precursor americano do Espiritismo. E esse fato é tão mais importante exatamente por essa contradição. Ela nos demonstra, com absoluta clareza, que o espírito domina a matéria e que o próprio conceito científico fica abalado diante do impacto das manifestações espíritas.
Andrew Jackson Davis está distante de Emmanuel Swedenborg não apenas no espaço e no plano mental. Há entre eles a distância exata de um século e, além dessa distância temporal, há também a que já mencionamos acima, no plano da cultura intelectual. Vejamos um fato curioso:

* Swedenborg desenvolve seus poderes mediúnicos em abril de 1744
* e Davis, em março de 1844.

De um a outro saltamos exatamente de meados do século 18 a meados do 19. Mas não damos esse salto sozinhos, uma vez que o espírito de Swedenborg nos acompanha. Vamos saber um pouquinho mais sobre a vida humilde e simples de Davis.
Andrew Jackson Davis nasceu em 11 de agosto de 1826, num pequeno distrito de Nova York, e desencarnou em 1910, aos 84 anos de idade. Consta que sua mãe era uma pessoa vulgar, inculta e supersticiosa, enquanto seu pai era um alcoólatra, tendo Davis recebido uma educação bastante elementar. Nos últimos anos de sua infância, começaram a se desenvolver seus poderes psíquicos, passando a ouvir vozes gentis que lhe davam bons conselhos. Simultaneamente, ele teve desenvolvida, além da clariaudiência, a clarividência.

Mas Davis não está ligado apenas a Swedenborg. Ele se apresenta na história do Espiritismo como um poderoso elo mediúnico que sustenta a unidade do processo doutrinário. No passado, ele se liga com o vidente sueco, mas no futuro vai se ligar com as irmãs Fox e com Kardec. Quatro anos depois do encontro com Swedenborg, vemos Davis escrever em seu diário as anotações referentes à voz que lhe anuncia os fatos de Hydesville.

Como estes fatos se ligam diretamente ao trabalho de Kardec, Davis também se liga a esse trabalho. Entretanto, a falta de visão do conjunto tem levado muitas pessoas a considerarem Davis um caso à parte. Chegou-se mesmo a propor a tese da existência de um "Espiritismo americano" iniciado por Davis, em oposição ao "Espiritismo europeu" de Allan Kardec...

Durante dois anos continuou ditando os segredos da natureza, que foram compilados no livro Filosofia Harmônica, que teve mais de 40 edições nos Estados Unidos. A esta série seguiu-se mais uma, no final de sua vida, com o livro Revelações Divinas da Natureza, no qual prevê o aparecimento do Espiritismo como doutrina e prática mediúnica. É preciso considerar que Davis deixara o banco de sapateiro, sua profissão, dois anos antes e que ele, quando em estado normal, continuava totalmente ignorante e muito lento de entendimento e inteligência.

A fôrça profética de Davis apenas pode ser desconhecida pelos cépticos que ignoram os fatos. Antes de 1856 profetizou detalhadamente o aparecimento do automóvel e da máquina de escrever. Em seu livro “Penetralia” lê-se o seguinte:

* Pergunta: “Poderá o utilitarismo lazer descobertas em outra direção da locomoção?”
— “Sim: buscam-se nestes dias carros e transportes coletivos que correrão por estradas rurais — sem cavalos, sem vapor, sem qualquer fôrça natural visível — movendo-se com alta velocidade e com muito mais segurança do que atualmente. Os veículos serão acionados por uma estranha, bonita e simples mistura de gases aquosos e atmosféricos — tão facilmente condensados, tão simplesmente inflamados e tão ligados à máquina, que de certo modo se assemelha às nossas, que ficarão ocultos e serão manejados entre as rodas da frente. Tais veículos aqui terão muitos embaraços atualmente experimentados pela gente que vive em regiões pouco povoadas. O primeiro requisito para essas locomotivas de chão serão boas estradas, nas quais, com a sua máquina, sem cavalos, a gente pode viajar com muita rapidez embora esses carros me parecem de construção pouco complicada”.
*

A seguir perguntaram:
— “Percebe algum plano que permita acelerar a maneira de escrever?”
— “Sim. Quase me sinto inclinado a inventar um psicógrafo automático, isto é, uma alma escritora artificial. Pode ser construída assim como um piano, com uma série de teclas, cada uma para um som elementar; um teclado mais baixo para fazer uma combinação e um terceiro para uma rápida recombinação. Assim, em vez de se tocar uma peça de música, pode-se escrever um sermão ou um poema.
*

Do mesmo modo, respondendo a uma pergunta relativa ao que era então chamado “navegação atmosférica”, sentiu-se “profundamente impressionado” porque “o mecanismo necessário — para atravessar as correntes de ar, de modo que se possa navegar tão fácil, segura e agradavelmente quanto os pássaros — depende de uma nova força motriz. Essa força virá. Não só acionará a locomotiva sobre os trilhos, e os carros nas estradas rurais, mas também os veículos aéreos que atravessarão o céu, de país para país”.
*

O aparecimento do Espiritismo foi predito nos seus “Princípios da Natureza”, publicados em 1847, onde diz:
“É verdade que os Espíritos se comunicam entre si, quando um está no corpo e outro em esferas mais altas — e, também, quando uma pessoa em seu corpo é inconsciente do influxo e, assim, não se pode convencer do fato. Não levará muito tempo para que essa verdade se apresente como viva demonstração. E o mundo saudará com alegria o surgimento dessa era, ao mesmo tempo que o íntimo dos homens será aberto e estabelecida a comunicação espírita, tal qual a desfrutam os habitantes de Marte, Júpiter e Saturno”.

Desencarnou em 1910, com 84 anos.

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