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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Evolução de Jesus “em linha reta”.


Evolução de Jesus “em linha reta”.

EM DEFESA DO ESPIRITISMO (*)

(*) Texto motivado pelo artigo de Carlos Baccelli na Revista Espiritismo e Ciência
n. 62, a propósito da suposta evolução de Jesus “em linha reta”.


Aprendizes em Espiritismo sabem que o primeiro critério da verdade é submeter as comunicações dos espíritos ao controle severo da razão, do bom-senso e da lógica. Só espíritos enganadores, que não podem senão perder com este exame sério, é que evitam a discussão e querem ser acreditados sob palavra. (O Que é o Espiritismo, 99.)

Emmanuel é um enganador? Fica desagradado com os que lhe questionam os ditados? Diz que estes “coaxam”, como sapos e rãs? Ora! É da essência mesma da proposta kardeciana de fé raciocinada que se façam análises dos informes espirituais. Ninguém se torna “agente das Trevas” por isto.

O Livro dos Médiuns preceitua que “o melhor deles é aquele que, simpatizando somente com os bons espíritos, tem sido o menos enganado”, assim como assegura que, “por muito bom que seja, um médium jamais é tão perfeito, que não possa ser atacado por algum lado fraco” (Cap. XX, 226, 9-10).

Chico Xavier aprova ser considerado exceção aos princípios da Doutrina que sempre amou e da qual figura como destacado adepto? Aceita que o considerem infalível e suponham inquestionável a sua obra?

Aprendizes em Espiritismo igualmente sabem que o segundo critério da verdade está na concordância, na universalidade do ensinamento espiritual, no fato de um princípio ser ensinado em vários lugares, por diferentes espíritos e médiuns estranhos uns aos outros, “e que não estejam sob a mesma influência”. (O Que é o Espiritismo, 99.)

A única expressão de universalidade deste ensino espiritual sempre foi a Obra de Kardec. Depois dela, tudo mais são opiniões isoladas. Na falta em que nos encontramos, desde 31/03/1869, de um foco legítimo de apuração e controle, tais opiniões devem sofrer detidas avaliações lógicas, firmemente amparadas nos ensinos codificados pelo mestre lionês.

Sobre o Cristo, o que diz a Doutrina? — lEsprit pur par excellence. Em seu idioma, assim Kardec definiu Jesus, na nota à dissertação IX do cap. XXXI de O Livro dos Médiuns: o Espírito puro por excelência. Portanto, de “superioridade intelectual e moral absoluta em relação aos espíritos das outras ordens” (O Livro dos Espíritos, 112).

Em Espiritismo, todos os seres têm um mesmo ponto de partida e um mesmo ponto de chegada (A Gênese, I, 30). Jesus não foi exceção. Mas quem poderia saber se cometeu erros na estrada evolutiva? E que importância afinal teria agora isto, se os que chegam ao grau supremo, mesmo passando pelo mal, são contemplados com idêntico olhar por Deus, que a todos ama igualmente? (O Livro dos Espíritos, 126.)

Possível é que o Mestre seja dos poucos que, “desde o princípio, seguiram o caminho do bem” (Ob. cit., 133, 124). Mas O Livro dos Espíritos chama isto de evolução “em linha reta”? O que nos autoriza a supor que esta expressão equivale ao que ali ensinou a Obra-Base? O que quer dizer: “desde o princípio”?

Cautela! Os termos usados em O Consolador pertencem अ Os Quatro Evangelhos, de Roustaing: “avançar com passo firme e em linha reta para a perfeição” (Tomo III, 255). Este livro defende uma progressão espiritual que dispensaria a vida na matéria aos que só fazem o bem nos mundos fluídicos próprios à humanização da alma, chamados ad-hoc. A encarnação não passaria de castigo aos culpados que por lá faliram: seria a “queda”.

Todavia, a Doutrina Espírita ensina que têm necessidade de encarnação os que, “desde o princípio”, optaram pelo bem; todos são criados simples e ignorantes e se instruem mediante as lutas e tribulações da vida corporal; Deus, que é justo, não podia fazer felizes a alguns, sem penas e trabalhos, portanto, sem mérito (O Livro dos Espíritos, 133). Assim, “desde o princípio” não se refere só a mundos fluídicos, mas também corpóreos, quando o espírito começa a discernir o bem do mal e, no caso, passa a escolher sempre o primeiro. Diversamente, pois, do conceito rustenista da evolução em linha reta, que dispensa a vida na matéria, razão pela qual teria sido fluídico o corpo de Jesus, doutrina repelida por Kardec (A Gênese, XV, 66.)

Também se percebe afinidade com teses rustenistas quando se lê que, exceto Jesus, somos “espíritos que se resgatam ou aprendem nas experiências humanas, após as quedas do passado” (O Consolador, 243). As quedas pretéritas, assim atribuídas tanto aos que “aprendem” como aos que “se resgatam”, é uma generalização errônea, pois “a expiação serve sempre de prova, mas a prova nem sempre é uma expiação” (O Evangelho Segundo o Espiritismo. V, 9).

Portanto, nem todos os que aprendem em meio a provas têm erros a resgatar. Se O Consolador advoga que todos os têm, confirma as quedas que precipitariam na matéria os falidos. Isto mais se evidencia na idéia de O Consolador sobre a provação: é para o “rebelde” e “preguiçoso”, e a expiação, para o malfeitor que comete um crime (246). Quanto à expiação, vá; no entanto, considerando que é impossível chegar à perfeição sem provas, seríamos, de antemão, rebeldes e preguiçosos pelo simples fato de sofrê-las?

Outra prova do rustenismo de O Consolador está na pergunta sobre a queda do espírito. Diz que a alma é “colocada por Deus no caminho da vida como discípulo que termina os estudos básicos” (248). Como pode ser isto se O Livro dos Espíritos leciona que, em sua primeira encarnação, a alma “ensaia para a vida”? (190) Trata-se, pois, do início dos estudos básicos da alma, não de seu término; a menos que os haja iniciado alhures, nos mundos ad-hoc de Roustaing.

O Livro dos Espíritos preceitua que “é necessário rejeitar esta idéia de que dois espíritos, criados um para o outro, devem um dia fatalmente reunir-se na eternidade” (303-a). Mas O Consolador prega a existência de almas que teriam sido “criadas umas para as outras” (323); avança, e decreta que “o amor das almas gêmeas é aquele que o espírito sentirá um dia pela humanidade inteira” (326). A seguir, certifica que Jesus “enlaçou a humanidade inteira depois de realizar o amor supremo” (com sua alma-irmã?), mas considera “um paralelismo injustificável” condicionar o Mestre aos “meios humanos”, quando se cogita qual seria a alma gêmea de Jesus; ainda assim, apresenta-o como “a finalidade sagrada dos gloriosos destinos do espírito” (327). O paralelismo seria, de fato, injustificável se o Mestre não tivesse evoluído na matéria, em meios humanos (extraterrestres, no caso dele), mediante lutas e tribulações de vidas corporais...

Portanto, apenas o pressuposto rustenista da queda original do espírito na matéria, por castigo, explica estes ensinos de O Consolador. Como podem, portanto, ter base em Kardec? Se realmente foi Emmanuel quem tanto discordou da Codificação Espírita, não sei, mas é o nome dele, bem como o de Chico Xavier, que está na capa do livro.

Por fim, muito estranho é que se clame pela autoridade do mestre francês e se publiquem obras mediúnicas cujos conteúdos lhe subvertam acintosamente os princípios codificados... Extrema é a hora espírita neste mundo. Valha-nos O Espírito de Verdade!

(Sergio F.Aleixo- Presidente executivo da Ade-Rj)

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