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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Estilo das boas comunicações.


Ensinamentos e Dissertações espíritas
Revista Espírita, outubro de 1862
Estilo das boas comunicações.
(Sociedade Espírita de Paris, 8 de agosto de 1862. - Médium, Sr. Leymarie.)
Procurai, na palavra, a sobriedade e a concisão; poucas palavras, muitas coisas. A linguagem é como a harmonia: mais se quer torná-la sábia e menos ela é melodiosa. A ciência verdadeira é sempre aquela que impressiona, não alguns sibaritas insensíveis a tudo, mas a massa inteligente que o afasta há tão muito tempo do caminho do verdadeiro belo, que é o da simplicidade. A exemplo de seu Mestre, os discípulos do Cristo tinham adquirido esse profundo saber de dizer bem, sobriamente, brevemente e seus discursos, como os seus, eram cheios dessa graça delicada, dessa profundidade que, em nossos dias, em uma época onde tudo mente ao nosso redor, fazem ainda das grandes vozes do Cristo e dos apóstolos modelos inimitáveis de concisão e de precisão.
Mas a verdade desceu do alto; os Espíritos superiores vêm como os apóstolos dos primeiros dias da era cristã, ensinar e dirigir. O Livro dos Espíritos é todo uma revolução, porque está escrito concisamente, sobriamente: poucas palavras, muitas coisas; nada de flores de retórica, nada de imagens, mas somente pensamentos grandes e fortes que consolam e fortalecem; é por isso que agrada, e ele agrada porque é compreendido facilmente: aí está uma marca da superioridade dos Espíritos que o ditaram.
Por que se encontram tantas comunicações vindas de Espíritos supostamente superiores, cheias de insensatez, de frases inchadas e floridas: uma página para nada dizer? Tende por certo que esses não são os Espíritos superiores, mas falsos sábios que crêem fazer do efeito substituindo por palavras o vazio das idéias, a profundidade dos pensamentos pela obscuridade. Eles não podem seduzir senão os cérebros ocos como os deles, que tomam a lantejoula por ouro fino, e julgam a beleza de uma mulher pelo brilho de seu adorno.
Desconfiai, pois, dos Espíritos verbosos, de linguagem empolada e deliberadamente ininteligível, que é preciso escavar a cabeça para compreender; e reconhecei a verdadeira superioridade no estilo conciso, claro e inteligível sem esforço da imaginação; não meçais a importância das comunicações pela sua extensão, mas pela soma das idéias que elas encerram sob o menor volume. Para ter o tipo da superioridade real, contai as palavras e contai as idéias, - entendo as idéias justas, sadias e lógicas; - a comparação vos dará a medida exata.
BARBAREI (Espírito familiar).
O Espiritismo e o Espírito maligno.
(Grupo Sainte-Gemme. - Médium, Sr. C...)
De todos os trabalhos aos quais a Humanidade se entrega, são preferíveis aqueles que aproximam mais a criatura de seu Criador, que a colocam a cada dia, a cada instante, no estado de admirar a obra divina que saiu e que sai incessantemente de suas mãos onipotentes. O dever do homem é de se prosternar, de adorar sem cessar. Aquele que lhe deu os meios de se melhorar como Espírito, e de chegar assim à felicidade suprema, que é o objetivo final para o qual deve tender.
Se há profissões que, quase exclusivamente intelectuais, dão ao homem os meios de elevar o nível de sua inteligência, um perigo, e um grande perigo se acha colocado ao lado do benefício. À história de todos os tempos prova o que é esse perigo e quantos males ele pode engendrar. Estais dotados de uma inteligência superior: sob este aspecto estais mais próximos, do que vossos irmãos, da Divindade, e vos conduzis a negar essa própria divindade, ou dela fazer uma outra inteiramente contrária ao que é em realidade! Não se saberia mais repeti-lo, e não é preciso jamais deixar de dize-lo: o orgulho é o inimigo mais obstinado do gênero humano. Tivésseis mil bocas, que todas deveriam dizer sem cessar a mesma coisa.
Deus vos criou a todos simples e ignorantes (1); tratai de avançar com um passo tão seguro quanto possível; isto depende de vós: Deus não recusa jamais a graça àquele que a pede de boa-fé. Todos os estados podem igualmente vos conduzir a um objetivo desejado, se vos conduzis segundo a senda da justiça, e se não fazeis para não dobrar vossa consciência à vontade de vossos caprichos. Há, no entanto, estados onde é mais difícil avançar do que em outros; também Deus terá em certa conta aqueles que, tendo aceito, como prova, uma posição ambígua, terão percorrido sem tropeçar esse caminho difícil, ou pelo menos terão feito, para se levantar de novo, todos os esforços humanamente possíveis.
(1) Esta proposição, tocando o estado primitivo das almas, formulada pela primeira vez em O Livro dos Espíritos, é por toda parte hoje repetida nas comunicações; ela encontra assim a sua consagração ao mesmo tempo nessa concordância e na lógica, porque nenhum outro princípio poderia melhor responder à justiça de Deus. Dando a todos os homens um mesmo ponto de partida, deu a todos a mesma tarefa a cumprir para chegar ao objetivo; ninguém é privilegiado pela Natureza; mas como têm seu livre arbítrio, uns avançam mais depressa e outros mais lentamente. Esse princípio de justiça é inconciliável com a doutrina que admite a criação da alma ao mesmo tempo que o corpo; comporta em si mesmo a pluralidade das existências, porque se a alma é anterior ao corpo, é que ela já viveu
É aí que é preciso ter uma fé sincera, uma força pouco comum para resistir aos arrastamentos fora do caminho de justiça; mas é aí também que se pode fazer um bem imenso aos seus irmãos infelizes. Ah! tem muito mérito aquele que toca o lamaçal sem que suas vestes nele sejam enlameadas! é preciso que uma chama bem pura brilhe nele! Mas também, que recompensa não lhe está reservada à saída dessa vida terrestre! (2)
(2) Espanta-se que os Espíritos possam escolher uma encarnação num desses meios onde estão em contato incessante com a corrupção; entre aqueles que se encontram nessas posições ínfimas da sociedade, uns as escolheram por gosto, e para achar como satisfazer seus pendores ignóbeis; outros, por missão e por dever, para tentar tirar seus irmãos da lama, e para ter mais méritos em lutar, eles mesmos, contra perniciosos arrastamentos, e sua recompensa será em razão da dificuldade vencida. Tal entre nós é o operário que é pago em proporção do perigo que ele corre no exercício de sua profissão.
Que aqueles que se encontrem em posição semelhante meditem bem estas palavras; que se compenetrem bem do Espírito que elas encerram, e se operará neles uma revolução benfazeja que fará suceder as doces efusões do coração aos apertos do egoísmo.
Que fará, como disse o Evangelho, desses homens homens novos?
E, para cumprir esse grande milagre, o que é preciso? É preciso que queiram bem reportar seu pensamento àquilo que estão destinados a se tornar depois de sua morte. Estão todos convencidos de que um amanhã pode não existir para eles; mas, amedrontados pelo sombrio e desolador quadro das penas eternas, nas quais recusam crer por intuição, se abandonam à corrente da vida atual; se deixam arrastar por essa cupidez febril que os leva a amontoar sempre, por todos os meios permitidos ou não; arruinam sem piedade um pobre pai de família, e prodigalizam ao vício somas que bastariam para fazer viver uma cidade inteira durante vários dias. Afastam os olhos do momento fatal. Ah! se pudessem olhá-lo em face e de sangue-frio como mudariam depressa de conduta! como se os veríamos solícitos a devolver ao seu legítimo proprietário esse pedaço de pão negro que tiveram a crueldade de lhe arrancar para aumentar, ao preço de uma injustiça, uma fortuna construída de injustiças acumuladas! Para isto o que é preciso? é preciso que a luz espírita brilhe; é preciso que se possa dizer, como um grande general disse de uma grande nação: O Espiritismo é como o Sol, cego quem não o vê! Os homens que se dizem e que se crêem cristãos e que repelem o Espiritismo são bem cegos!
Qual é a missão da Doutrina que a mão onipotente do Criador semeou no mundo no momento presente? É de conduzir os incrédulos à fé, os desesperados à esperança, os egoístas à caridade. Eles se dizem cristãos e lançam o anátema à doutrina de Jesus Cristo! É verdade que pretendem que é o Espírito maligno que, para melhor disfarçar, vem pregar essa doutrina no mundo. Infelizes cegos! pobres doentes! que Deus queira bem, em sua inesgotável bondade, fazer cessar vossa cegueira e pôr um termo aos males que vos obsidiam!
Quem vos disse que era o Espírito do mal? quem? disso não sabeis nada. Pedistes a Deus para vos esclarecer sobre esse assunto? Não, ou se o fizestes, tínheis uma idéia preconcebida. O Espírito do mal! Sabeis quem vos disse que é o Espírito do mal? foi o orgulho, o próprio Espírito do mal que vos leva a condenar, coisa revoltante! a condenar, digo, o Espírito de Deus representado pelos bons Espíritos que envia ao mundo para regenerá-lo!
Examinai pelo menos a coisa e, seguindo as regras estabelecidas, condenai ou absolvei. AN se quisésseis somente lançar um golpe de olhar sobre os resultados inevitáveis que deve trazer o triunfo do Espiritismo; se quisésseis ver os homens se considerando enfim como irmãos, todos convencidos de que, de um momento para outro, Deus lhes pedirá conta da maneira pela qual cumpriram a missão que lhes havia dado; se quisésseis ver por toda a parte a caridade tomando o lugar do egoísmo, o trabalho tomando por toda parte o lugar da preguiça; - porque, vós o sabeis, o homem nasceu para o trabalho: Deus dele lhe fez uma obrigação à qual não pode se subtrair sem transgredir as ordens divinas; - se quisésseis ver de um lado esses infelizes que dizem: Condenados neste mundo, condenados no outro, sejamos criminosos e gozemos; e de outro esses homens de metal, esses açambarcadores da fortuna de todos, que dizem: A alma é uma palavra; Deus não existe; se nada existe entre nós depois da morte, gozemos a vida; o mundo se compõe de exploradores e de explorados; gosto mais de fazer parte dos primeiros que dos segundos; depois de mim o dilúvio! Se transportásseis vossos olhares sobre esses dois homens que, em ambos, personificam o roubo, a extorsão da boa companhia e a que conduz à prisão; se os vísseis transformados pelas crenças na imortalidade que lhes deu o Espiritismo, ousaríeis dizer que foi pelo Espírito do mal?
Vejo vossos lábios se franzirem de desdém, e vos ouço dizer: Somos nós que pregamos a imortalidade, e temos crédito para isto.
Ter-se-á sempre mais confiança em nós do que nesses sonhadores vazios que, se não são velhacos, sonharam que os mortos saíam de seus túmulos para se comunicarem com eles. A isto sempre a mesma resposta: Examinai, e se, convencidos uma boa vez, o que não pode faltar se sois sinceros, em lugar de maldizer, bendireis, o que deve estar sempre mais em vossas atribuições segundo a lei de Deus.
A lei de Deus! dela sois, segundo vós, os únicos depositários, e vos espantais que outros tomem uma iniciativa que, segundo vós, não pertence senão unicamente a vós? Pois bem! escutai o que os Espíritos enviados de Deus encarregaram de vos dizer:
'Vós que tomais a sério vosso ministério, sereis benditos, porque tereis cumprido todas as obras, não só ordenadas, mas aconselhadas pelo divino Mestre. E vós que haveis considerado o sacerdócio como um meio de chegar humanamente, vós não sereis malditos, embora tenhais amaldiçoados a outros, mas Deus vos reserva uma punição mais justa.
"Virá o dia em que sereis obrigados a vos explicar publicamente sobre os fenômenos espíritas, e esse dia não está longe. Então vos encontrareis na necessidade de julgar, uma vez que vos' erigistes em tribunal; de julgar quem? o próprio Deus, porque nada chega sem a sua permissão.
'Vede onde vos conduziu o Espírito do mal, quer dizer, o orgulho! em lugar de vos inclinar e de adorar, vos endurecestes contra a vontade Daquele único que tem o direito de dizer: Eu quero, e dizeis que o demônio é que quem diz: Eu quero!
"E, agora se persistis em não crer senão nas manifestações dos maus Espíritos, lembrai-vos das palavras do Mestre que acusavam de expulsar os demônios em nome de Belzebu: 'Todo reino dividido contra si mesmo perecerá."
HIPPOLYTE FORTOUL.
O Corvo e a Raposa.
(Sociedade Espírita de Paris, 8 de agosto de 1862. - Médium, Sr. Leymarie.)
Desconfiai dos aduladores: é a raça mentirosa; são as encarnações de dupla cara que riem para vos enganar; infeliz de quem nele crê, os escuta, porque as noções da verdade são logo pervertidas nele. E, no entanto, quantas pessoas se deixam prender nesse engodo mentiroso da adulação! escutam com paciência o velhaco que acaricia suas fraquezas, ao passo que repelem o amigo sincero que lhes diz a verdade e lhes dá sábios conselhos; atraem o falso amigo, ao passo que afastam o amigo verdadeiro e desinteressado; para agradar-lhes, é preciso adulá-los, tudo aprovar, tudo aplaudir, achar tudo bem, mesmo o absurdo; e, coisa estranha! repelem os conselhos sensatos, e crerão numa mentira do primeiro que chegue, se essa mentira lisonjeia suas idéias. Que quereis? Eles querem ser enganados e o são; e muito tarde, freqüentemente, disso vêem as conseqüências, mas então o mal está feito e, algumas vezes, não tem remédio.
De onde vem isso? A causa disto é quase sempre múltipla. A primeira, sem contradita, é o orgulho que os cega sobre a infalibilidade de seu próprio mérito que crêem superior a todo outro; também o tomam sem dificuldade por tipo do senso comum; a segunda prende-se a uma falta de julgamento que não lhes permite ver o forte e o fraco das coisas; mas é ainda aqui o orgulho que oblitera o julgamento; porque, sem orgulho, eles desconfiariam de si mesmos e disso se reportariam àqueles que possuem mais experiência. Crede bem também que os maus Espíritos nisso não são sempre estranhos; eles gostam de mistificar, de estender armadilhas e quem pode melhor nelas cair do que o orgulhoso que se lisonjeia? O orgulho é para ele o defeito da couraça em uns, como a cupidez é em outros, e sabem habilmente disso aproveitarem, mas evitam com cuidado dirigir-se ao mais fortes do que eles, moralmente falando. Quereis vos subtrair à influência dos maus Espíritos? Subi, subi tão alto em virtudes que não possam vos alcançar, e então sereis por eles temidos; mas se deixais arrastar uma ponta de corda a ela se agarrarão para vos forçar a descer; chamar-vos-ão com sua voz melosa, gabarão vossa plumagem, e fareis como o corvo, deixareis cair o vosso queijo.
SONNET.
A Razão e o Sobrenatural.
(Sociedade Espírita de Paris. - Médium, Sr. A. Didier.)
O homem é limitado em sua inteligência e em suas sensações. Ele não pode compreender além de certos limites, e pronuncia então esta palavra sacramentai e que põe fim a tudo: Sobrenatural.
A palavra sobrenatural, na ciência nova que estudais, é uma palavra de convenção; ela existe para nada exprimir. Com efeito, que quer dizer essa palavra? Fora da Natureza; além daquilo que nos é conhecido. O que de mais insensato, de mais absurdo do que aplicar essa palavra a tudo o que está fora de nós! Para o homem que pensa, a palavra sobrenatural não é definitiva; ela é vaga, faz pressentir. Conhece-se a frase banal do incrédulo por ignorância: "É sobrenatural. Ora, a razão, etc., etc." O que é a razão? Pois bem! Quando a Natureza, se ampliando e agindo como rainha, nos mostra os tesouros desconhecidos, a razão torna-se, pois, nesse sentido insensata e absurda, uma vez que ela persiste malgrado os fatos. Ora, se é o fato, é que a Natureza o permite. A Natureza tem para nós algumas manifestações sublimes, sem dúvida, mas que são muito restritas, entrando-se no domínio do desconhecido. Ah! quereis folhear a Natureza; quereis conhecer a causa das coisas, causa rerum, e credes que não é preciso colocar a vossa razão banal de lado? Mas pilheriais, senhores. O que é a razão humana, senão a maneira de pensar de vosso mundo? Correi de planeta em planeta, e credes que a razão deve ali vos acompanhar? Não, senhores: a única razão que deveis crer no meio de todos esses fenômenos, é o sangue-frio e a observação nesse ponto de vista, e não no ponto de vista da incredulidade.
Ultimamente tocamos em questões bem sérias, vós vos lembrais; mas, no meio daquilo que dizíamos, não concluímos que todo mal vem dos homens; depois de muitas lutas, depois de muitas discussões, vêm também os bons pensamentos, uma fé nova e esperanças novas. O Espiritismo, como vos disse ultimamente, é a luz que deve clarear doravante toda inteligência que tende ao progresso. A prece será o único dogma e a única prática do Espiritismo, quer dizer, a harmonia e a simplicidade; a arte será nova, porque será fecundada por idéias novas. Pensai que toda obra inspirada por uma idéia filosófica religiosa é sempre uma manifestação poderosa e sadia; o Cristo será sempre a Humanidade, mas isso não será mais a Humanidade sofredora: será a Humanidade triunfante.
LAMENNAIS.

ALLAN KARDEC

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