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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Esquecendo as Leis Morais - I





As grandes (esquecidas) Leis Morais - I
“O mundo tenta castigar os que não se conformam” (Ralph Waldo Emerson – escritor americano)

Allan Kardec, nos prolegômenos de O Livro dos Espíritos, diz que os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da humanidade.

Passando-se direto à parte da conclusão, Kardec deduz então que o Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes : o das manifestações, o dos princípios e o da filosofia e aplicação desses princípios.

A aplicação desses princípios está totalmente demarcada na Parte Terceira do “Livro dos Espíritos “, intitulada “ Das Leis Morais “ .
Quando se quer falar ou conceituar o que possa vir a ser o comportamento espírita, trata-se de negligência qualquer tratado a respeito do assunto que omita essas leis morais.

Ora, é justamente isso o que vem ocorrendo com os periódicos espíritas, encontros de estudo, simpósios, palestras, onde inexistem quaisquer análises dos problemas sociais, econômicos, políticos, do meio-ambiente, da justiça, à luz do Espiritismo. Na verdade para o movimento espírita , tudo já está resolvido; preocupar-se com as mazelas de todo tipo é perda de tempo diante do plano definido pela Providência.

Ou tratam-se de problemas reencarnatórios, ou nada que uma reforma íntima não possa solucionar, trazendo em seguida as tão sonhadas benesses materiais e sociais. Portanto, a parte terceira do L. E. é de uma visível inutilidade, ou material para uma mera especulação filosófica. Resulta daí o fato de problemas do cotidiano não serem abordados pelos analistas espíritas. Quando tentam fazê-lo é de uma forma tão discreta, mas tão discreta, que se torna fluida ao fim da leitura.
Em seguida analisarei alguns fatos recuperando as leis morais: - Paraíso maculado
Navio faz barbeiragem e derrama 700.000 litros de óleo no santuário ecológico de Galápagos. ( Revista Veja 31/01/01).

Vários acidentes desse tipo ocorreram no ano de 2000, pois a negligência e a ganância, associadas a um modo hedonista de vida dos tempos atuais, se sobrepõem a quaisquer cuidados adicionais( com custos maiores) para evitá-los.
Perg. 752 L.E. Poder-se-á ligar o sentimento de crueldade ao instinto de destruição?
R. “É o instinto de destruição no que tem de pior, porquanto, se, algumas vezes, a destruição constitui uma necessidade, com a crueldade jamais se dá o mesmo. Ela resulta sempre de uma natureza má”.

Essa ganância, que se traduz muitas vezes no atendimento a prazeres supérfluos , é cruel com a natureza. Em seu livro “Comportamento Espírita “, Jaci Regis traça um caminho interessante para sabermos que algo é supérfluo. Basta observar se esse algo não é extravagante ( um carro no valor de U$$ 300.000,00 , por exemplo ).
A natureza não se defende, apenas se vinga.

Mas que importância podem ter alguns pelicanos, iguanas e leões-marinhos, se de uma forma ou de outra eles evoluirão necessariamente. Talvez por isso os analistas espíritas deixem o assunto para segundo plano.
- Doença da vaca louca .
A doença da vaca louca, tão em moda, já matou 124 pessoas na Grã-Bretanha. (O Estado de São Paulo - 28/01/01).
A questão é de saúde pública, antes e acima de qualquer outra coisa. A culpa dessa doença, segundo os cientistas , é o uso e o abuso de carnes e ossos de boi na ração de uma animal ruminante. Ração de peixe ainda passa. Ração de sobras bovinas para a própria espécie bovina é um atentado aos códigos de vida, segundo os cientistas.

Acontece que os países ricos e civilizados como Alemanha, França, Suiça e Holanda possuiam sobras colossais, subsidiadas e congeladas há décadas de ração bovina. Ou seja, interesses materialistas se sobrepuzeram à questão da saúde pública.

Perg. 799. De que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?
R. “Destruindo o materialismo , que é uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses ...”
Os analistas espíritas passam ao largo dessas questões, pois estão absolutamente seguros de que a lei de causa e efeito reencarnatória se incumbirá de colocar as coisas no seu devido lugar.

- O Cerco da Periferia
Os bairros de classe média estão sendo espremidos por um cinturão de pobreza e criminalidade que cresce seis vezes mais que a região central das metrópoles brasileiras. (revista Veja - 24/1/01) .
- O País dos Tributos
Nada é mais enganoso do que a comparação seca das cargas tributárias do Brasil e dos países desenvolvidos. Além de pagar percentualmente mais, em relação ao PIB, do que os outros, menos os europeus ocidentais, o contribuinte brasileiro não recebe os serviços que paga. (editorial de O Estado de São Paulo).

Perg. 806 É lei da natureza a desigualdade das condições sociais?
R. “Não; é obra do homem e não de Deus”.
Perg. 808 A desigualdade das riquezas não se originará da das faculdades , em virtude da qual uns dispõem de mais meios de adquirir bens do que outros?
R. “Sim e não. Da velhacaria e do roubo, que dizes ? “

O filósofo Olavo de Carvalho, a quem se pode acusar de tudo, menos de esquerdista, na Revista Época de 26/02/01, acusa o tucanato de montar a sociedade mais dirigista que se imaginou, onde há regulamentação para tudo. A distribuição de renda é péssima, todavia a arrecadação via salários bate recordes todos os anos. Eu diria que o grande regime vencedor no Brasil foi o fascismo, em sua filosofia de dirigir coletivamente o comportamento humano (CPMF, rodízio de veículos etc) .

Para os analistas espíritas, tratam-se de problemas mundanos, temporais, gotas de água no oceano, grãos de areia no deserto, diante da grandeza e magnitude da obra divina e eterna. Essas pessoas estão se esquecendo de que uma doutrina ou idéias não é tão somente uma teoria que se tem dela, mas os atos e gestos que demonstramos dessa teoria.
Três coisas muito me preocupam, a saber:
- A aceitação contemplativa do mundo (Vide Roberto Shiniashiki, Deepak Chopra).
- A visão consumista e hedonista do mundo (todos os dias elogiados pela mídia interessada no Ibope)
- A abertura total de quaisquer misticismos ao ideário espírita, corrompendo ainda mais a falta de pensamento social do movimento espírita. Um exemplo recente do que acabo de relatar foi o I ENCOESP – Encontro de entidades espíritas no parque Anhembi em São Paulo em Janeiro de 2001.
Era na verdade um Parque Xangai de idéias “espíritas”, alcançando o efeito desejado pela USE/SP, que foi o de ninguém querer ficar fora e com isso não ter os seus 15 minutos de fama. Eles estão rindo até agora!

Roberto Rufo é bacharel em filosofia

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Episódio 11: A Persistência da Memória 04 ao 06


Episódio 11: A Persistência da Memória 04 ao 06

Cosmos - foi uma série de TV realizada por Carl Sagan e sua esposa Ann Druyan, produzida pela KCET e Carl Sagan Productions, em associação com a BBC e a Polytel International, veiculada na PBS em 1980. A série Cosmos é um dos mais formidáveis exemplos da amplitude e eficácia que a divulgação científica pode atingir por meios audiovisuais, quando servida por uma personalidade carismática como Carl Sagan e por meios técnicos adequados.

A Persistência da Memória -4


A Persistência da Memória -5


Cosmos - A Persistência da Memória -Parte 6


Carl Sagan serie cosmos,Carl Sagan serie cosmos,Carl Sagan serie cosmos
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR


O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR


(O Problemas do Ser, do Destino e da Dor, 1908, León Denis – Editora Federação Espírita Brasileira)


Abaixo, transcrevemos a íntegra da introdução do referido livro:
Introdução
Uma dolorosa observação surpreende o pensador no ocaso da vida. Resulta também, mais pungente, das impressões sentidas em seu giro pelo espaço. Reconhece ele então que, se o ensino ministrado pelas instituições humanas, em geral – religiões, escolas, universidades –, nos faz conhecer muitas coisas supérfluas, em compensação quase nada ensina do que mais precisamos conhecer para encaminhamento da existência terrestre e preparação para o Além.

Aqueles a quem incumbe a alta missão de esclarecer e guiar a alma humana parecem ignorar a sua natureza e os seus verdadeiros destinos.

Nos meios universitários reina ainda completa incerteza sobre a solução do mais importante problema com que o homem se defronta em sua passagem pela Terra. Essa incerteza se reflete em todo o ensino. A maior parte dos professores e pedagogos afasta sistematicamente de suas lições tudo o que se refere ao problema da vida, às questões de termo e finalidade…

A mesma impotência encontramos no padre. Por suas afirmações despidas de provas, apenas consegue comunicar às almas que lhe estão confiadas uma crença que já não corresponde às regras duma crítica sã nem às exigências da razão.
Com efeito, na Universidade, assim como na Igreja, a alma moderna não encontra senão obscuridade e contradição em tudo que diz respeito ao problema de sua natureza e de seu futuro. É a esse estado de coisas que se deve atribuir, em grande parte, o mal de nossa época, a incoerência das idéias, a desordem das consciências, a anarquia moral e social.

A educação que se dá às gerações é complicada; mas, não lhes esclarece o caminho da vida; não lhes dá a têmpera necessária para as lutas da existência. O ensino clássico pode guiar no cultivo, no ornamento da inteligência; não inspira, entretanto, a ação, o amor, a dedicação. Ainda menos possibilita alcançar uma concepção da vida e do destino que desenvolva as energias profundas do “eu” e nos oriente os impulsos e os esforços para um fim elevado. Essa concepção, no entanto, é indispensável a todo ser, a toda sociedade, porque é o sustentáculo, a consolação suprema nas horas difíceis, a origem das virtudes másculas e das altas inspirações.
Carl du Prel refere o fato seguinte:
“Um amigo meu, professor da Universidade, passou pela dor de perder a filha, o que lhe reavivou o problema da imortalidade. Dirigiu-se aos colegas, professores de Filosofia, esperando achar consolações em suas respostas. Amarga decepção: pedira um pão, ofereciam-lhe pedras; procurava uma afirmação, respondiam-lhe com um talvez!”
Francisque Sarcey,[ii] modelo completo do professor da Universidade, escrevia:[iii]
“Estou na Terra. Ignoro absolutamente como aqui vim ter e como aqui fui lançado.

Não ignoro menos como daqui sairei e o que de mim será quando daqui sair.”
Ninguém o confessaria mais francamente: a filosofia da escola, depois de tantos séculos de estudo e de labor, é ainda uma doutrina sem luz, sem calor, sem vida.[iv] A alma de nossos filhos, sacudida entre sistemas diversos e contraditórios – o positivismo de Auguste Comte, o naturalismo de Hegel, o materialismo de Stuart Mill, o ecletismo de Cousin, etc. –, flutua incerta, sem ideal, sem fim preciso.

Daí o desânimo precoce e o pessimismo dissolvente, moléstias das sociedades decadentes, ameaças terríveis para o futuro, a que se junta o cepticismo amargo e zombeteiro de tantos moços da nossa época; em nada mais crêem do que na riqueza, nada mais honram que o êxito.
O eminente professor Raoul Pictet assinala esse estado de espírito na introdução da sua última obra sobre as ciências psíquicas.[v] Fala ele do efeito desastroso produzido pelas teorias materialistas na mentalidade de seus alunos, e conclui assim:
“Esses pobres moços admitem que tudo quanto se passa no mundo é efeito necessário e fatal de condições primárias, em que a vontade não intervém; consideram que a própria existência é, forçosamente, joguete da fatalidade inelutável, à qual estão entregues de pés e mãos ligados.

Esses moços cessam de lutar logo às primeiras dificuldades. Já não crêem em si mesmos. Tornam-se túmulos vivos, onde se encerram, promiscuamente, suas esperanças, seus esforços, seus desejos, fossa comum de tudo o que lhes fez bater o coração até ao dia do envenenamento. Tenho visto desses cadáveres diante de suas carteiras e no laboratório, e tem-me causado pena vê-los.”
Tudo isso não é somente aplicável a uma parte da nossa juventude, mas também a muitos homens do nosso tempo e da nossa geração, nos quais se pode verificar uma espécie de lassidão moral e de abatimento. F. Myers o reconhece, igualmente. Diz ele:
“Há uma espécie de inquietação, um descontentamento, uma falta de confiança no verdadeiro valor da vida. O pessimismo é a doença moral do nosso tempo.”
As teorias de além-Reno, as doutrinas de Nietzsche, de Schopenhauer, de Haeckel, etc., muito contribuíram, por sua parte, para determinar esse estado de coisas. Sua influência por toda parte se derrama. Deve-se-lhes atribuir, em grande parte, esse lento trabalho, obra obscura de cepticismo e de desânimo, que se desenvolve na alma contemporânea, essa desagregação de tudo que fortificava a alegria, a confiança no futuro, as qualidades viris de nossa raça.

É tempo de reagir com vigor contra essas doutrinas funestas e de procurar, fora da órbita oficial e das velhas crenças, novos métodos de ensino que correspondam às imperiosas necessidades da hora presente. É preciso dispor os Espíritos para os reclamos, os combates da vida presente e das vidas ulteriores; é necessário, sobretudo, ensinar o ser humano a conhecer-se, a desenvolver, sob o ponto de vista dos seus fins, as forças latentes que nele dormem.
Até aqui, o pensamento confinava-se em círculos estreitos: religiões, escolas, ou sistemas, que se excluem e combatem reciprocamente. Daí essa divisão profunda dos espíritos, essas correntes violentas e contrárias, que perturbam e confundem o meio social.

Aprendamos a sair desses círculos austeros e a dar livre expansão ao pensamento. Cada sistema contém uma parte de verdade; nenhum contém a realidade inteira.
O universo e a vida têm aspectos muito variados, numerosos demais para que um sistema possa abraçar a todos. Dessas concepções disparatadas, devem-se recolher os fragmentos de verdade que contêm, aproximando-os e pondo-os de acordo; é necessário, depois, uni-los aos novos e múltiplos aspectos da verdade que descobrirmos todos os dias e encaminharmo-nos para a unidade majestosa e para a harmonia do pensamento.
A crise moral e a decadência da nossa época provêm, em grande parte, de se ter o espírito humano imobilizado durante muito tempo. É necessário arrancá-lo à inércia, às rotinas seculares, levá-lo às grandes altitudes, sem perder de vista as bases sólidas que lhe vem oferecer uma ciência engrandecida e renovada. É essa ciência de amanhã que trabalhamos para constituir. Ela nos fornecerá o critério indispensável, os meios de verificação e de comparação sem os quais o pensamento, entregue a si mesmo, estará sempre em risco de desvairar.

*
A perturbação e a incerteza que verificamos no ensino repercutem e se encontram, dizíamos, na ordem social inteira.
Em toda parte a crise existe, inquietante. Sob a superfície brilhante de uma civilização apurada esconde-se um mal-estar profundo. A irritação cresce nas classes sociais. O conflito dos interesses e a luta pela vida tornam-se, dia a dia, mais ásperos. O sentimento do dever se tem enfraquecido na consciência popular, a tal ponto que muitos homens já não sabem onde está o dever. A lei do número, isto é, da força cega, domina mais do que nunca. Pérfidos retóricos dedicam-se a desencadear as paixões, os maus instintos da multidão, a propagar teorias nocivas, às vezes criminosas. Depois, quando a maré sobe e sopra o vento de tempestade, eles afastam de si toda a responsabilidade.

Onde está, pois, a explicação desse enigma, dessa contradição notável entre as aspirações generosas de nosso tempo e a realidade brutal dos fatos? Por que um regime que suscitara tantas esperanças ameaça chegar à anarquia, à ruptura de todo o equilíbrio social?

A inexorável lógica vai responder-nos: a Democracia, radical ou socialista, em suas massas profundas e em seu espírito dirigente, inspirando-se nas doutrinas negativas, não podia chegar senão a um resultado negativo para a felicidade e elevação da humanidade. Tal o ideal, tal o homem; tal a nação, tal o país!
As doutrinas negativas, em suas conseqüências extremas, levam fatalmente à anarquia, isto é, ao vácuo, ao nada social. A história humana já o tem experimentado dolorosamente.

Enquanto se tratou de destruir os restos do passado, de dar o último golpe nos privilégios que restavam, a Democracia serviu-se habilmente de seus meios de ação. Mas, hoje, importa reconstruir a cidade do futuro, o edifício vasto e poderoso que deve abrigar o pensamento das gerações. Diante dessas tarefas, as doutrinas negativistas mostram sua insuficiência e revelam sua fragilidade; vemos os melhores operários debaterem-se em uma espécie de impotência material e moral.
Nenhuma obra humana pode ser grande e duradoura se não se inspirar, na teoria e na prática, em seus princípios e em suas explicações, nas leis eternas do universo. Tudo o que é concebido e edificado fora das leis superiores se funda na areia e desmorona.

Ora, as doutrinas do socialismo atual têm uma tara capital. Querem impor uma regra em contradição com a Natureza e a verdadeira lei da humanidade: o nível igualitário.
A evolução gradual e progressiva é a lei fundamental da Natureza e da vida. É a razão de ser do homem, a norma do universo. Insurgir-se contra essa lei, substituir-lhe por outro o fim, seria tão insensato como querer parar o movimento da Terra ou o fluxo e o refluxo dos oceanos.

O lado mais fraco da doutrina socialista é a ignorância absoluta do homem, de seu princípio essencial, das leis que presidem ao seu destino. E quando se ignora o homem individual, como se poderia governar o homem social?

A origem de todos os nossos males está em nossa falta de saber e em nossa inferioridade moral. Toda a sociedade permanecerá débil, impotente e dividida durante todo o tempo em que a desconfiança, a dúvida, o egoísmo, a inveja e o ódio a dominarem. Não se transforma uma sociedade por meio de leis. As leis e as instituições nada são sem os costumes, sem as crenças elevadas. Quaisquer que sejam a forma política e a legislação de um povo, se ele possui bons costumes e fortes convicções, será sempre mais feliz e poderoso do que outro povo de moralidade inferior.

Sendo uma sociedade a resultante das forças individuais, boas ou más, para se melhorar a forma dessa sociedade é preciso agir primeiro sobre a inteligência e sobre a consciência dos indivíduos.

Mas, para a Democracia socialista, o homem interior, o homem da consciência individual não existe; a coletividade o absorve por inteiro. Os princípios que ela adota não são mais do que uma negação de toda filosofia elevada e de toda causa superior. Não se procura outra coisa senão conquistar direitos; entretanto, o gozo dos direitos não pode ser obtido sem a prática dos deveres. O direito sem o dever, que o limita e corrige, só pode produzir novas dilacerações, novos sofrimentos.
Eis por que o impulso formidável do Socialismo não faria senão deslocar os apetites, as ambições, os sofrimentos, e substituir as opressões do passado por um despotismo novo, mais intolerável ainda.

Já podemos medir a extensão dos desastres causados pelas doutrinas negativas. O Determinismo, o Monismo, o Materialismo, negando a liberdade humana e a responsabilidade, minam as próprias bases da Ética universal. O mundo moral não é mais que um anexo da Fisiologia, isto é, o reinado, a manifestação da força cega e irresponsável. Os espíritos de escol professam o Niilismo metafísico, e a massa humana, o povo, sem crenças, sem princípios fixos, está entregue a homens que lhe exploram as paixões e especulam com suas ambições.

O Positivismo, apesar de ser menos absoluto, não é menos funesto em suas conseqüências. Por suas teorias do desconhecido, suprime as noções de fim e de larga evolução. Toma o homem na fase atual de sua vida, simples fragmento de seu destino, e o impede de ver para diante e para trás de si. Método estéril e perigoso, feito, parece, para cegos de espírito, e que se tem proclamado muito falsamente como a mais bela conquista do espírito moderno.
Tal é o atual estado da Sociedade. O perigo é imenso e se alguma grande renovação espiritualista e científica não se produzisse, o mundo soçobraria na incoerência e na confusão.
Nossos homens de governo sentem já o que lhes custa viver numa sociedade em que as bases essenciais da moral estão abaladas, em que as sanções são fictícias ou impotentes, em que tudo se funde, até a noção elementar do bem e do mal.
As igrejas, é verdade, apesar de suas fórmulas antiquadas e de seu espírito retrógrado, agrupam ainda ao redor de si muitas almas sensíveis; mas, tornaram-se incapazes de conjurar o perigo, pela impossibilidade em que se colocaram de fornecer uma definição precisa do destino humano e do Além, apoiada em fatos probantes e bem estabelecidos. A religião, que teria, sobre esse ponto capital, o mais alto interesse em se pronunciar, conserva-se no vago.

A humanidade, cansada dos dogmas e das especulações sem provas, mergulhou no materialismo ou na indiferença. Não há salvação para o pensamento, senão por meio de uma doutrina baseada na experiência e no testemunho dos fatos.
De onde virá essa doutrina? Que poder nos livrará do abismo em que nos arrastamos? Que ideal novo virá dar ao homem a confiança no futuro e o fervor pelo bem? Nas horas trágicas da História, quando tudo parecia desesperado, nunca faltou o socorro. A alma humana não se pode afundar inteiramente e perecer. No momento em que as crenças do passado se velam, uma concepção nova da vida e do destino, baseada na ciência dos fatos, reaparece. A grande tradição revive sob formas engrandecidas, mais novas e mais belas. Mostra a todos um futuro cheio de esperanças e de promessas. Saudemos o novo reino da Idéia, vitoriosa sobre a Matéria, e trabalhemos para preparar-lhe o caminho.
A tarefa a cumprir é grande. A educação do homem deve ser inteiramente refeita. Essa educação, já o vimos, nem a Universidade nem a Igreja estão em condições de fornecer, pois já não possuem as sínteses necessárias para esclarecer a marcha das novas gerações. Uma só doutrina pode oferecer essa síntese, a do Espiritualismo científico; já ela se eleva no horizonte do mundo intelectual e parece que há de iluminar o futuro.

A essa filosofia, a essa ciência, livre, independente, emancipada de toda pressão oficial, de todo compromisso político, as descobertas contemporâneas trazem cada dia novas e preciosas contribuições. Os fenômenos do magnetismo, da radioatividade e da telepatia são aplicações de um mesmo princípio, manifestações de uma mesma lei, que rege conjuntamente o ser e o universo.

Ainda alguns anos de labor paciente, de experimentação conscienciosa, de pesquisas perseverantes, e a nova educação terá encontrado sua fórmula científica, sua base essencial. Esse acontecimento será o maior fato da História, desde o aparecimento do Cristianismo.
A educação, sabe-se, é o mais poderoso fator do progresso, pois contém em gérmen todo o futuro. Mas, para ser completa, deve inspirar-se no estudo da vida sob suas duas formas alternantes, visível e invisível, em sua plenitude, em sua evolução ascendente para os cimos da natureza e do pensamento.
Os preceptores da humanidade têm, pois, um dever imediato a cumprir. É o de repor o Espiritualismo na base da educação, trabalhando para refazer o homem interior e a saúde moral. É necessário despertar a alma humana adormecida por uma retórica funesta; mostrar-lhe seus poderes ocultos, obrigá-la a ter consciência de si mesma, a realizar seus gloriosos destinos.

A ciência moderna analisou o mundo exterior; suas penetrações no universo objetivo são profundas; isso será sua honra e sua glória; mas nada sabe ainda do universo invisível e do mundo interior. É esse o império ilimitado que lhe resta conquistar. Saber por que laços o homem se liga ao conjunto, descer às sinuosidades misteriosas do ser, onde a sombra e a luz se misturam, como na caverna de Platão, percorrer-lhe os labirintos, os redutos secretos, auscultar o “eu” normal e o “eu” profundo, a consciência e a subconsciência; não há estudo mais necessário. Enquanto as Escolas e as Academias não o tiverem introduzido em seus programas, nada terão feito pela educação definitiva da humanidade.

Já vemos, porém, surgir e constituir-se uma psicologia maravilhosa e imprevista, de onde vão derivar uma nova concepção do ser e a noção de uma lei superior que abarca e resolve todos os problemas da evolução e do movimento transformador.
*
Um tempo se acaba; novos tempos se anunciam. A hora em que estamos é uma hora de transição e de parto doloroso. As formas esgotadas do passado empalidecem-se e se desfazem para dar lugar a outras, a princípio vagas e confusas, mas que se precisam cada vez mais. Nelas se esboça o pensamento crescente da humanidade.

O espírito humano está em trabalho, por toda parte, sob a aparente decomposição das idéias e dos princípios; por toda parte, na Ciência, na Arte, na Filosofia e até no seio das religiões, o observador atento pode verificar que uma lenta e laboriosa gestação se produz. A Ciência, sobretudo, lança em profusão sementes de ricas promessas. O século que começa será o das potentes eclosões.
As formas e as concepções do passado, dizíamos, já não são suficientes. Por mais respeitável que pareça essa herança, não obstante o sentimento piedoso com que se podem considerar os ensinamentos legados por nossos pais, percebe-se que esse ensinamento não foi suficiente para dissipar o mistério sufocante do porquê da vida.
Pode-se, entretanto, em nossa época, viver e agir com mais intensidade do que nunca; mas é possível viver e agir plenamente, sem se ter consciência do fim a atingir? O estado d’alma contemporâneo pede, reclama uma ciência, uma arte, uma religião de luz e de liberdade, que venham dissipar-lhe as dúvidas, libertá-lo das velhas servidões e das misérias do pensamento, guiá-lo para horizontes radiosos a que se sente levado pela própria natureza e pelo impulso de forças irresistíveis.

Fala-se muito de progresso; mas o que se entende por progresso? É uma palavra vazia e sonora, na boca de oradores pela maior parte materialistas, ou tem um sentido determinado? Vinte civilizações têm passado pela Terra, iluminando com seus alvores a marcha da humanidade. Seus grandes focos brilharam na noite dos séculos; depois extinguiram-se. E o homem não discerne ainda, atrás dos horizontes limitados de seu pensamento, o além sem limites aonde o leva o destino. Impotente para dissipar o mistério que o cerca, estraga suas forças nas obras da Terra e foge aos esplendores de sua tarefa espiritual, tarefa que fará sua verdadeira grandeza.

A fé no progresso não caminha sem a fé no futuro, no futuro de cada um e de todos. Os homens não progridem e não se adiantam, senão crendo no futuro e marchando com confiança, com certeza para o ideal entrevisto.

O progresso não consiste somente nas obras materiais, na criação de máquinas poderosas e de toda a ferramenta industrial; do mesmo modo, não consiste em descobrir processos novos de arte, de literatura ou formas de eloqüência. Seu mais alto objetivo é empolgar, atingir a idéia primordial, a idéia mãe que há de fecundar toda a vida humana, a fonte elevada e pura de onde hão de dimanar conjuntamente as verdades, os princípios e os sentimentos que inspirarão as obras de peso e as nobres ações.
É tempo de o compreender: a Civilização só poderá engrandecer-se, a Sociedade só poderá subir se um pensamento cada vez mais elevado e uma luz mais viva vierem inspirar, esclarecer os espíritos e tocar os corações, renovando-os. Somente a idéia é mãe da ação. Somente a vontade de realizar a plenitude do ser, cada vez melhor, cada vez maior, nos pode conduzir aos cimos longínquos em que a Ciência, a Arte, toda a obra humana, numa palavra, achará sua expansão, sua regeneração.

Tudo no-lo diz: o universo é regido pela lei da evolução; é isso o que entendemos pela palavra progresso. E nós, em nosso princípio de vida, em nossa alma, em nossa consciência, estamos para sempre submetidos a essa lei. Não se pode desconhecer, hoje, essa força, essa lei soberana; ela conduz a alma e suas obras, através do infinito do tempo e do espaço, a um fim cada vez mais elevado; mas essa lei não é realizável senão por nossos esforços.

Para fazer obra útil, para cooperar na evolução geral e recolher todos os seus frutos, é preciso, antes de tudo, aprender a discernir, a reconhecer a razão, a causa e o fim dessa evolução, saber aonde ela conduz, a fim de participar, na plenitude das forças e das faculdades que dormitam em nós, dessa ascensão grandiosa.
Nosso dever é traçar a trajetória à humanidade futura, da qual ainda faremos parte integrante, como no-lo ensinam a comunhão das almas, a revelação dos grandes Instrutores invisíveis e como a Natureza o ensina também por seus milhares de vozes, pelo renovamento perpétuo de todas as coisas, àqueles que a sabem estudar e compreender.

Vamos, pois, para o futuro, para a vida sempre renascente, pela via imensa que nos abre um Espiritualismo regenerado!

Fé do passado, ciências, filosofias, religiões, iluminai-vos com uma chama nova; sacudi vossos velhos sudários e as cinzas que os cobrem. Escutai as vozes reveladoras do túmulo; elas nos trazem uma renovação do pensamento com os segredos do Além, que o homem tem necessidade de conhecer para melhor viver, melhor agir c melhor morrer!

Paris, 1908. Léon Denis


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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Cruzando Revista Espírita e Livro dos Espíritos.


Cruzando Revista Espírita e Livro dos Espíritos.

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Este estudo foi feito por Vital Cruvinel
As mais polêmicas discussões travadas no meio espírita envolvem questões relacionadas ao momento da união da alma ao corpo. Isto porque tal "detalhe" é a base de argumentação a várias questões bioéticas como o direito ao aborto ou o uso de células tronco embrionárias em pesquisas científicas.

Sabemos que o Livro dos Espíritos é a pedra angular do Espiritismo e, por isso, damos um alto valor ao que nele está escrito. E maior será esse valor quanto mais informações tivermos sobre ele.

Sobre o retorno do espírito a vida corporal e, mais especificamente, sobre a união da alma ao corpo não existem muitas respostas na primeira edição do Livro dos Espíritos. Por outro lado, elas eram objetivas e traziam muita informação.
Primeira edição
86. Em que momento a alma se une ao corpo?
"Ao nascimento."
__ Antes do nascimento a criança tem uma alma?
"Não."
__ Como vive então?
"Como as plantas."
A alma ou espírito se une ao corpo no momento em que a criança vê a luz e respira.
Antes do nascimento a criança só tem vida orgânica sem alma. Ela vive como as plantas, tendo apenas o instinto cego de conservação, comum em todos os seres vivos.

Muito provavelmente a intuição de Kardec lhe mostrava que estas respostas estariam entre aquelas que considerou como as mais espinhosas. E, como ele mesmo declara em suas anotações pessoais reproduzidas em Obras Póstumas, para estas ele aproveitava o contato com outros médiuns para confirmá-las.

Foi dessa forma que em 1858 Kardec fez de uma conversa familiar uma bela entrevista a respeito das questões que envolvem o retorno do espírito ao corpo. Esta conversa se deu com o espírito de um médico que tinha falecido há alguns meses e que havia deixado um manuscrito sobre o Magnetismo que, pensava ele, faria uma revolução na ciência.

De acordo com as respostas obtidas nesta conversa, o espírito, que não acreditava em Deus, sofria pelo mal que havia causado na Terra e esperava novas provas para a sua próxima reencarnação. Ainda assim, pela honestidade que as suas respostas aparentavam Kardec procurou extrair o melhor do que este espírito poderia oferecer.

Dentre várias perguntas interessantes que Kardec fez, uma delas é exatamente a mesma pergunta que tinha feito para a compilação da primeira edição do Livro dos Espíritos e que acabamos de observar.
Revista Espírita, março de 1858
O doutor Xavier
24. Em que momento se opera a união da alma e do corpo, na criança?
"Quando a criança respira; como se recebesse a alma com o ar exterior."

Esta resposta vem confirmar a idéia contida na primeira edição do Livro, mas, tempos depois, Kardec a abandona e escreve uma nota logo em seguida desta resposta e uma outra ao final do artigo.
Revista Espírita, março de 1858
O doutor Xavier
Nota. Essa opinião é conseqüência de dogma católico. Com efeito, a Igreja ensina que a alma não pode ser salva senão pelo batismo; ora, como a morte natural intra-uterina é muito freqüente, em que se tornaria essa alma privada, segundo ela, desse único meio de salvação, se ela existia no corpo antes do nascimento? Para ser conseqüente, seria preciso que o batismo tivesse lugar, se não de fato, pelo menos de intenção, desde o instante da concepção.

Nota. A teoria, dada por esse Espírito, sobre o instante da união da alma e do corpo, não é inteiramente exata. A união começa desde a concepção; quer dizer, desde esse momento, o Espírito, sem estar encarnado, liga-se ao corpo por um laço fluídico que vai se apertando, mais e mais, até o nascimento; a encarnação não se completa senão quando a criança respira. (Ver O Livro dos Espíritos, n 344 e seguintes.)

Vamos observar com atenção estas notas... A segunda tem uma informação importante para a sua contextualização: ela foi editada após a publicação da segunda edição do Livro dos Espíritos. Isto se vê pela indicação, no final, dos números dos diálogos relacionados ao tema e esta nota já teria sido incluída em 1861 (*).

Esta observação é importante porque demonstra a preocupação com as informações passadas nos periódicos da Revista Espírita. E também porque mostra que Kardec não se contentou com a confirmação da idéia.

Outra observação interessante a ser feita é que, pela primeira nota, vemos Kardec considerando a influência que as idéias estabelecidas podem ter sobre as comunicações quando declara que 'essa opinião é conseqüência de dogma católico'. De toda forma, Kardec compreendia que o espírito tinha uma visão limitada do processo de união e, assim, destacou que a idéia 'não é inteiramente exata'.

Dirigindo-se ao espírito, Kardec rebate a resposta anterior com uma pergunta semelhante a do diálogo 86 da primeira edição.
Revista Espírita, março de 1858
O doutor Xavier
25. Como explicais, então, a vida intra-uterina?
"Como a planta que vegeta. A criança vive a sua vida animal."

Novamente, a resposta confirma a primeira edição e deixa claro que o espírito está convicto de que não há alma antes do nascimento (ver também a 29). É interessante que esta resposta é aproveitada na segunda edição, mas de forma mais desenvolvida.
Segunda edição
354. Como explicar a vida intra-uterina?
"É aquela da planta que vegeta. A criança vive a vida animal. O homem possui em si a vida animal e a vida vegetal que ele completa, no nascimento, pela vida espiritual."

Logo em seguida Kardec, de forma inteligente, propõe um problema a ser resolvido, a de ser ou não um crime o aborto de um ser que não seria um humano. Esta resposta também foi aproveitada na segunda edição com a adição de um reforço para que não se transgrida a lei de Deus. Note também que a pergunta é modificada para remover a idéia de que a criança não seria um humano.
Revista Espírita, março de 1858
O doutor Xavier
26. Há crime em privar uma criança da vida antes do seu nascimento, uma vez que, antes dessa época, a criança, não tendo alma, não é, de algum modo, um ser humano?
"A mãe, ou qualquer pessoa, cometerá sempre crime tirando a vida à criança antes de nascer, porque está impedindo, à alma, de suportar as provas das quais o corpo deveria ser o instrumento."

Segunda edição
358. O abortamento voluntário é um crime, qualquer que seja a época da concepção?
"Existe sempre crime quando transgredis a lei de Deus. A mãe, ou qualquer pessoa, cometerá sempre crime tirando a vida à criança antes de nascer, porque está impedindo, à alma, de suportar as provas das quais o corpo deveria ser o instrumento."

Preocupado em solucionar todos os problemas, Kardec propõe um outro: a escolha entre a vida da mãe ou do filho em situações de risco. E, de acordo com a idéia de que o espírito do filho não se encontra ligado ao corpo, o comunicante opta, na sua lógica, pelo ser que existe, isto é, que faz parte do mundo corporal. Contudo há uma mudança na ênfase da resposta na nova edição que ficou menos rigorosa.
Revista Espírita, março de 1858
O doutor Xavier
28. No caso em que a vida da mãe estivesse em perigo com o nascimento da criança, há crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?
"Não; é preciso sacrificar o ser que não existe ao ser que existe."

Segunda edição
359. No caso em que a vida da mãe estivesse em perigo com o nascimento da criança, há crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?
"É preferível sacrificar o ser que não existe ao ser que existe."

Continuando no diálogo com o doutor Xavier encontramos a pergunta sobre a predestinação da alma a um determinado corpo. E é interessante observar como Kardec substituiu a expressão "momento do nascimento" pelo "último momento" para ficar de acordo com a nova proposta, a de que a união é um processo que se inicia na concepção e se completa no nascimento.
Revista Espírita, março de 1858
O doutor Xavier
30. A união da alma, com tal ou tal corpo, está predestinada, ou não é senão no momento do nascimento que a escolha se faz?
"Deus a marcou; essa questão exige mais longos desenvolvimentos. O Espírito, escolhendo a prova que deve suportar, pede a encarnação. Ora, Deus que tudo sabe e tudo vê, sabe e vê antecipadamente que tal alma se unirá a tal corpo. Quando o Espírito nasce nas classes baixas da sociedade, sabe que sua vida não será senão trabalho e sofrimento. A criança que vai nascer tem uma existência que resulta, até certo ponto, da posição de seus pais."

Segunda edição
334. A união da alma, com tal ou tal corpo, é predestinada ou é apenas no último momento que se faz a escolha?
"O Espírito é sempre designado antes. O Espírito, escolhendo a prova que deve suportar, pede a encarnação. Ora, Deus que tudo sabe e tudo vê, sabe e vê antecipadamente que tal alma se unirá a tal corpo."

Outra minuciosa revisão foi feita em um diálogo da primeira edição onde a inclusão de uma única palavra transformou a idéia de que a união se realizaria apenas no nascimento. Observem:
Primeira edição
104. A alma ...
__ O corpo pode existir sem a alma?
"Sim; todavia, desde que cessa a vida do corpo, a alma o abandona. Antes do nascimento, a alma não está nele; não há ainda união entre a alma e o corpo; enquanto que depois que essa união está estabelecida, a morte do corpo rompe os laços que o unem à alma, e a alma o deixa. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica."
A alma ...

Segunda edição
136. A alma ...
__ O corpo pode existir sem a alma?
"Sim; todavia, desde que cessa a vida do corpo, a alma o abandona. Antes do nascimento, não há ainda união definitiva entre a alma e o corpo; enquanto que depois que essa união está estabelecida, a morte do corpo rompe os laços que o unem à alma, e a alma o deixa. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica."
__ Que ...

Com a palavra 'definitiva' passou-se a ter a idéia de que o espírito de alguma forma já estaria unido ao corpo antes do nascimento. E para completar esta revisão Kardec removeu o trecho 'a alma não está nele'.

Por fim, apenas para registro, colocamos abaixo outros mapeamentos entre esta conversa com o doutor Xavier e alguns diálogos publicados na segunda edição do Livro dos Espíritos:
• pergunta 22 da conversa com a segunda pergunta do diálogo 155
• pergunta 27 da conversa com a pergunta do diálogo 355
• pergunta 31 da conversa com a pergunta do diálogo 209
• pergunta 32 da conversa com a pergunta do diálogo 210
• pergunta 33 da conversa com a pergunta do diálogo 891

(*) Conforme se constata pela fotocópia da Revista Espírita de 1858 obtida na Biblioteca Virtual Espírita da Federação Espírita do Paraná.

Estudando A Revista Espírita.


Estudando A Revista Espírita.


O doutor Xavier, sobre diversas questões psicofisiológicas
Revista Espírita, março de 1858

Um médico de grande talento, que designaremos pelo nome de Xavier, morto há alguns meses, e que muito se ocupou com o Magnetismo, havia deixado um manuscrito destinado, pensava ele, a fazer uma revolução na ciência.
Antes de morrer, havia lido O Livro dos Espíritos e desejado pôr-se em relação com o autor.
A doença, com a qual sucumbiu não lhe deixou tempo para isso.
Sua evocação ocorreu a pedido de sua família, e as respostas, eminentemente instrutivas, que ela contém, nos animou a dela inserir um extrato, na nossa coletânea, suprimindo tudo o que é de interesse privado.

1. Lembrai-vos do manuscrito que haveis deixado?
- Resp. Ligo-lhe pouca importância.
2. Qual é a vossa opinião atual sobre esse manuscrito?
- Resp. Obra vã de um ser que ignorava a si mesmo.
3. Pensais, todavia, que essa obra poderia fazer uma revolução na ciência?
- Resp. Vejo muito claro agora.
4. Poderíeis como Espírito, corrigir e acabar esse manuscrito?
- Resp. Parti de um ponto que mal conheço. Talvez, seria preciso refazer tudo.
5. Sois feliz ou infeliz?
- Resp. Espero e sofro.
6. O que esperais?
- Resp. Novas provas.
7. Qual é a causa dos vossos sofrimentos?
- Resp. O mal que fiz.
8. Todavia, haveis feito o mal com intenção?
- Resp. Conheces bem o coração do homem?
9. Estais errante ou encarnado?
- Resp. Errante.
10. Qual era, quando vivíeis, vossa opinião sobre a Divindade?
- Resp. Não acreditava nela.
11. Qual é agora?
- Resp. Nela não creio bastante.
12. Tínheis o desejo de se pôr em relação comigo; lembrai-vos?
- Resp. Sim.
13. Vede-me e me reconheceis pela pessoa com a qual queríeis entrar em relação?
- Resp. Sim.
14. Que impressão O Livro dos Espíritos fez sobre vós?
- Resp. Transtornou-me.
15. Que pensais dele agora?
- Resp. É uma grande obra.
16. Que pensais do futuro da Doutrina Espírita?
- Resp. É grande, mas certos discípulos a prejudicam.
17. Quem são os que a prejudicam?
- Resp. Os que atacam o que existe: as religiões, as primeiras e mais simples crenças dos homens.
18. Sendo médico, e em razão dos estudos que haveis feito, poderíeis, sem dúvida, responder às questões seguintes: O corpo pode conservar, por alguns instantes, a vida orgânica depois da separação da alma?
- Resp. Sim.
19. Quanto tempo?
- Resp. Não há tempo.
20. Precisai vossa resposta, vos peço.
- Resp. Isso não dura senão alguns instantes.
21. Como se opera a separação da alma do corpo?
- Resp. Igual um fluido que escapa de um vaso qualquer.

22. Há uma linha de demarcação realmente traçada entre a vida e a morte?
- Resp. Esses dois estados se tocam e se confundem; assim, o Espírito se desliga, pouco a pouco, dos seus laços; ele se desenlaça e não se quebra.(Questão 155- LIVRO DOS ESPIRITOS)

23. Esse desligamento da alma se opera mais prontamente em uns do que em outros? -
Resp. Sim: aqueles que, em sua vida, já se elevaram acima da matéria, porque, então,
sua alma pertence mais ao mundo dos Espíritos do que ao mundo terrestre.
24. Em que momento se opera a união da alma e do corpo, na criança?
- Resp. Quando a criança respira; como se recebesse a alma com o ar exterior.
Nota। Essa opinião é conseqüência de dogma católico. Com efeito, a Igreja ensina que a alma não pode ser salva senão pelo batismo; ora, como a morte natural intra-uterina é muitofreqüente, em que se tornaria essa alma privada, segundo ela, desse único meio de salvação, se ela existia no corpo antes do nascimento? Para ser conseqüente, seria preciso que o batismo tivesse lugar, se não de fato, pelo menos de intenção, desde o instante da concepção.
25. Como explicais, então, a vida intra-uterina?
- Resp. Como a planta que vegeta. A criança vive a sua vida animal.
26. Há crime em privar uma criança da vida antes do seu nascimento, uma vez que, antes
dessa época, a criança, não tendo alma, não é, de algum modo, um ser humano?
- Resp. A mãe, ou qualquer outra, cometerá sempre um crime tirando a vida à criança antes do seu
nascimento, porque é impedir a alma de suportar as provas, para as quais o corpo deveria
ser o instrumento.

27. A expiação, que deveria ser suportada pela alma impedida de se encarnar, não obstante,ocorrerá?
- Resp. Sim, mas Deus sabia que a alma não se uniria a esse corpo; assim, .(Questão 355- LIVRO DOS ESPIRITOS)

28. No caso em que a vida da mãe estaria em perigo pelo nascimento da criança, há crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?
- Resp. Não; é preciso sacrificar o ser que não existe ao ser que existe.
29. A união, da alma e do corpo, se opera instantaneamente ou gradualmente; quer dizer, épreciso um tempo apreciável para que essa união seja completa?
- Resp. O Espírito não entra bruscamente no corpo. Para medir esse tempo, imaginai que o primeiro sopro que a criança recebe é a alma que entra no corpo: o tempo que o peito se eleva e abaixa.
30. A união da alma, com tal ou tal corpo, está predestinada, ou não é senão no momento donascimento que a escolha se faz?
- Resp. Deus a marcou; essa questão exige mais longos desenvolvimentos. O Espírito, escolhendo a prova que deve suportar, pede para se encarnar; ora, Deus, que tudo sabe e tudo vê, sabia e via antes que tal alma se uniria a tal corpo. Quando o Espírito nasce nas classes baixas da sociedade, sabe que sua vida não será senão trabalho e sofrimento. A criança que vai nascer tem uma existência que resulta, até certo ponto, da posição de seus pais.

31. Por que país bons e virtuosos dão nascimento a crianças de natureza perversa? Dito deoutro modo, por que as boas qualidades dos pais não atraem sempre, por simpatia, um bomEspírito para animar seu filho?
- Resp. Um mau Espírito pede bons pais, na esperança de que seus conselhos lhe dirigirão para um caminho melhor. (Questão 209 - LIVRO DOS ESPIRITOS)

32. Os pais podem, por seus pensamentos e suas preces, atrair para o corpo da criança umbom Espírito, antes que um Espírito inferior?
- Resp. Não; mas podem melhorar o Espírito da criança que fizeram nascer é seu dever, crianças más são uma prova para os pais. .(Questão 210 - LIVRO DOS ESPIRITOS)

33. Concebe-se o amor maternal para a conservação da vida da criança, mas, uma vez queesse amor está na Natureza, por que há mães que odeiam seus filhos desde o seu nascimento?
- Resp. Maus Espíritos que tratam de entravar o Espírito da criança, a fim de que ele sucumba sob a prova que quis. (Questão 891 - LIVRO DOS ESPIRITOS)

34. Nós vos agradecemos as explicações que consentistes em nos dar.
- Resp. Para vos instruir, farei tudo.
Nota। A teoria, dada por esse Espírito, sobre o instante da união da alma e do corpo, não éinteiramente exata। A união começa desde a concepção; quer dizer, desde esse momento, o Espírito, sem estar encarnado, liga-se ao corpo por um laço fluídico que vai se apertando,mais e mais, até o nascimento; a encarnação não se completa senão quando a criança respira. (Ver O Livro dos Espíritos, n9 344 e seguintes.)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

JESUS PARA O ESPIRITISMO


JESUS PARA O ESPIRITISMO
Toda tentativa de analisar o personagem Jesus sob a ótica espírita principia pelo questionamento de Kardec aos Espíritos, aposto no item 625, de O Livro dos Espíritos, sobre o modelo ou guia para a Humanidade planetária. A resposta, na competente tradução do Professor Herculano Pires é "Vede Jesus". Obviamente, não estamos falando de Jesus Cristo, o mito inventado pela religião cristã oficial (Catolicismo) e reproduzido por todas as que lhe sucederam no tempo, um ser meio homem meio divino, filho único (?) de Deus ou integrante do dogma da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), como apregoam as liturgias.

Falamos do homem, cujos registros físicos (históricos) são mínimos, mas que teria vivido há pouco mais de dois mil anos, no Oriente Médio, dono de uma filosofia de vida própria e que marcou a história humana ao ponto de dividi-la entre antes e depois de sua passagem. Jesus de Nazaré, este o seu nome. Mas é este o Jesus apresentado nas instituições espíritas? É este o Jesus referenciado nas obras pós-kardecianas, sobretudo aquelas de origem mediúnica? Cremos que não! Há uma diferença muito grande entre a realidade e a imagem que foi construída - muito fortemente em função da influência das religiões sobre o arquétipo coletivo.

Alguns dos problemas mais graves na abordagem "espírita" de Jesus já principiam pela gravidez de Maria (dita Santíssima pela tradição religiosa e, portanto, submetida a uma gestação sem ato sexual, sob a interferência do Espírito Santo), o que levou à consideração de que o carpinteiro seria um agênere, posto que detentor de um corpo não-físico, mas fluídico, porquanto não teria ele suportado as dores e lacerações a que foi submetido, na paixão e crucificação.

Tais teorias nunca seriam concordes à Filosofia Espírita, porque representariam a negação dos mínimos princípios ou fundamentos básicos espiritistas. Maria e José, tidos como pais de Jesus, tiveram um relacionamento normal - como o de qualquer casal - e Jesus, inclusive, teve vários irmãos, sendo o primogênito da prole (vide a passagem "Quem são minha mãe e meus irmãos", a propósito). De uma gestação, portanto, natural e "normal", decorreu um corpo físico muito parecido com o nosso, guardadas as proporções decorrentes do distanciamento temporal entre os nossos dias e os de dois milênios atrás.

Como a fábula cristã enquadra situações aparentemente sobrenaturais (como diversas passagens evangélicas relacionadas aos feitos de Jesus e, também, todo o tétrico relato das torturas a que teria sido submetido desde sua prisão, no Horto das Oliveiras até sua crucificação no Gólgota), muitas delas teriam sido construídas e moldadas pelos doutores da Igreja, interessados na construção de um super-homem, mítico e até mitológico, dotado de superpoderes ilimitados.

Jesus foi um homem "normal" e "comum", em relação às suas características físicas. Sua distinção em relação aos demais homens (daquele tempo e até hoje), evidentemente, pertence ao plano moral, das virtudes e das características egressas de sua evolutividade espiritual. Seu principal traço é o de uma moralidade bem acima da média da população terrena de todos os tempos conhecidos, daí porque os Espíritos o teriam sugerido como referência (não a única, fique bem claro) para a esteira de progresso espiritual compatível com este orbe.

Mas, ainda que distante da maioria dos homens em termos de moralidade, não deixou de "participar" da vida encarnada como a grande maioria de nós. Sentiu dores, sofreu decepções, alegrou-se com situações favoráveis, teve amigos e relacionou-se SIM sexualmente com uma mulher - provavelmente Maria de Magdala, de cuja relação teria nascido uma criança, como, aliás, vários escritores - entre os quais, mais presentemente, Dan Brown - já referenciaram.

Incrível é que, em muitas instituições espíritas, que deveriam se pautar pela "fé raciocinada", pelo exame lógico de todas as situações e circunstâncias e pela abordagem livre e baseada nos princípios espíritas, se verifique um certo ar "pudico" quando o assunto vem à baila, como se uma (muito) provável experiência conjugal e sexual de Jesus de Nazaré pudesse diminuir o alcance de sua missão e papel perante os homens. Uma abstinência da simbiose energético-sexual não seria, nem de longe, "natural" e oportuna. Ademais, todos nós que, sob a esteira da dicção espiritual contida no item sublinhado da obra pioneira, nos espelhamos em Jesus para a construção de nossa senda evolutiva, ao buscarmos conhecer melhor o intercâmbio das relações humanas, sabemos que a sexualidade é um vértice de aprendizado espiritual e, antes de tudo, uma necessidade humana, rumo ao equilíbrio.

Mas há os que, não tão ingenuamente, pensam o contrário e tentam "importar" para o Espiritismo visões que pertencem aos dogmas das igrejas. Estes ainda não se tornaram espíritas!
Marcelo Henrique, Doutorando em Direito e Assessor Administrativo
da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo - ABRADE

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

DENÚNCIA de Morador do Vale do Cuiabá.RJ





DENÚNCIA de Morador do Vale do Cuiabá.

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Recebo o e-mail de um conhecido economista que tem casa no Vale do Cuiabá, em Petrópolis. Ele revela como anda a assistência aos desabrigados na região serrana do Rio. A casa dele não foi atingida pela catástrofe. Ele procura ajudar como pode. O relato impressiona.
*
Dá para escrever uma peça teatral de tragicomédia com o que vivi nos últimos dias e horas.
Não há comando। Hoje cedo, o padre da igreja me liga fazendo um apelo para tentar conversar com a secretaria de saúde, que passou ontem lá para vacinar o povo. A primeira visita desde que aconteceu a tragédia. Ficaram apenas 40 minutos e em uma única igreja - as quatro têm desabrigados. Era meio da tarde, e vacinaram poucos. Fosse à noite ou na hora do almoço, pegava o pessoal que dorme na igreja. No meio da tarde, as pessoas estão tentando resgatar algo de seu, procurando parentes etc.

Prometeram voltar hoje. Aí os líderes locais pediram para definir uma hora aproximada, que espalhariam a notícia na região, avisando a população local. Sabe qual foi a resposta? “Manda todo mundo ficar dentro da igreja o dia todo, não sair em hipótese alguma, porque, em algum momento do dia, nós passamos”. Não é para prender o imbecil que fala uma coisa dessas?

Como havia saques na região, que só tem uma entrada e uma saída, a PM fechou com pelotão de choque. Eu contei quatro carros n o sábado, às 12h, onde precisava de apenas um. Às 22h, sabe quantos tinha? Zero. Foram embora todos e voltaram no domingo, às 8h da manhã. Como se vê, saque é proibido só em horário comercial, como a vacinação - e na hora que o médico decidir aparecer.

A resposta econômica não fica atrás. Vão dar cheque do aluguel social onde não tem casa para alugar - só sobraram a minha e outras mansões - aliás, a maioria repleta de desabrigados amigos dos caseiros; eu tinha até grávida na minha casa. O governo do estado deu isenção de IPVA em Petrópolis - só que, no bairro, ninguém mais tem carro. Adiaram pagamento de contas de luz e de água - só que os atingidos não têm mais casa. Sabe quem foi beneficiado? Eu. Minhas casa está intacta, e certamente não sou pobre e nem desabrigado.
É um absurdo o que está acontecendo.
Tenho inúmeras outras histórias para contar em poucos dias. Para resumir, acho que as Forças Armadas deveriam assumir o comando, mandar e desmandar, hierarquia, ordem etc. Aliás, quem está pedindo isso são os próprios desabrigados.

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/flagrantes-impressionantes-da-incompetencia-no-rio/

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

QUE TAL SE COMPORTAR COMO OPOSIÇÃO?



Tags: "keywords" content=" QUE TAL SE COMPORTAR COMO OPOSIÇÃO, Aécio Neves, DEM, Oposições, PSDB,QUE TAL SE COMPORTAR COMO OPOSIÇÃO, Aécio Neves, DEM, Oposições, PSDB

Caros,
um daqueles textos longos, puxando a orelha das oposições. Vamos lá.

Qual é a melhor hora para se opor ao governo? A resposta é esta: sempre! E refiro-me a qualquer oposição e a qualquer governo। E deixo claro que o exercício do contraditório não quer dizer sabotagem — a exemplo do que fazia o PT no governo FHC. Para ser justo, agiu do mesmo modo em todos os governos, inclusive no do agora aliado nº 1, José Sarney.

Para ser legítima, uma oposição não precisa rejeitar tudo o que o adversário propõe, mas uma coisa é certa: se ela abre mão da vigilância, aí está perdida. É o caso de indagar: o que anda fazendo a oposição no Brasil neste momento? Resposta: dando um tiro no próprio pé. Antes que me detenha a esse aspecto em particular, quero trazer algumas coisas à memória.


A Congresso aprovou, finalmente, o regime de partilha para o pré-sal. Partilha por quê? A explicação tosca, infundada, é que o modelo da concessão servia para a exploração nas outras áreas, mas não no pré-sal, que seria, na expressão tolinha de Lula, adotada por Dilma Rousseff na campanha, um “bilhete premiado”.

O antigo sistema levou o Brasil perto da auto-suficiência. No governo FHC, a produção de petróleo dobrou — o que desmoraliza o discurso vigarista de sucateamento da Petrobras. A mudança tem muito de preconceito ideológico — e até ele é meio falsificado. O risco da exploração por partilha é todo do Brasil. As empresas que vão atuar na área não têm do que reclamar.

Mas não quero me estender nesse aspecto em particular. O fundamental é que o pré-sal foi aprovado, e, sobre a oposição, a gente poderia cantar com Cassiano (lembram-se?): “nem sequer ouvi falar seu nome”… Deixaram a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) sozinha, a defender a coisa certa.

Há dois dias, o ministro Guido Mantega veio a público para afirmar que será preciso, sim, cortar verba de obras do PAC porque o cobertor ficou curto. A oposição fez de conta que não ouviu. Curiosamente, quem reagiu foi o já quase ex-chefe do ministro: Luiz Inácio Lula da Silva. Dado o silêncio dos adversários, o PT encontra tempo de ficar brigando consigo mesmo.

Os oposicionistas só não ficaram mais mudos do que Dilma… Mantega fala num dia, e Lula o desmente no dia seguinte, quase ao mesmo tempo em que Paulo Bernardo vai à Comissão de Orçamento para anunciar uma superestimação de receita de R$ 12 bilhões — em suma, estamos de volta àquele mesmo corte a que se referia o ministro da Fazenda. Mas o governo ficou lá se dando ao luxo de bater cabeça. Não havia por que temer que a oposição explorasse a questão, certo?

Quando menos, Dilma deveria ser cobrada pelo cenário róseo com que acenou às massas.

Leia a conclusão aqui.

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/tenho-uma-grande-ideia-para-a-oposicao-leiam-e-me-digam/

A História do Café da Manhã