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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

JESUS PARA O ESPIRITISMO


JESUS PARA O ESPIRITISMO
Toda tentativa de analisar o personagem Jesus sob a ótica espírita principia pelo questionamento de Kardec aos Espíritos, aposto no item 625, de O Livro dos Espíritos, sobre o modelo ou guia para a Humanidade planetária. A resposta, na competente tradução do Professor Herculano Pires é "Vede Jesus". Obviamente, não estamos falando de Jesus Cristo, o mito inventado pela religião cristã oficial (Catolicismo) e reproduzido por todas as que lhe sucederam no tempo, um ser meio homem meio divino, filho único (?) de Deus ou integrante do dogma da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), como apregoam as liturgias.

Falamos do homem, cujos registros físicos (históricos) são mínimos, mas que teria vivido há pouco mais de dois mil anos, no Oriente Médio, dono de uma filosofia de vida própria e que marcou a história humana ao ponto de dividi-la entre antes e depois de sua passagem. Jesus de Nazaré, este o seu nome. Mas é este o Jesus apresentado nas instituições espíritas? É este o Jesus referenciado nas obras pós-kardecianas, sobretudo aquelas de origem mediúnica? Cremos que não! Há uma diferença muito grande entre a realidade e a imagem que foi construída - muito fortemente em função da influência das religiões sobre o arquétipo coletivo.

Alguns dos problemas mais graves na abordagem "espírita" de Jesus já principiam pela gravidez de Maria (dita Santíssima pela tradição religiosa e, portanto, submetida a uma gestação sem ato sexual, sob a interferência do Espírito Santo), o que levou à consideração de que o carpinteiro seria um agênere, posto que detentor de um corpo não-físico, mas fluídico, porquanto não teria ele suportado as dores e lacerações a que foi submetido, na paixão e crucificação.

Tais teorias nunca seriam concordes à Filosofia Espírita, porque representariam a negação dos mínimos princípios ou fundamentos básicos espiritistas. Maria e José, tidos como pais de Jesus, tiveram um relacionamento normal - como o de qualquer casal - e Jesus, inclusive, teve vários irmãos, sendo o primogênito da prole (vide a passagem "Quem são minha mãe e meus irmãos", a propósito). De uma gestação, portanto, natural e "normal", decorreu um corpo físico muito parecido com o nosso, guardadas as proporções decorrentes do distanciamento temporal entre os nossos dias e os de dois milênios atrás.

Como a fábula cristã enquadra situações aparentemente sobrenaturais (como diversas passagens evangélicas relacionadas aos feitos de Jesus e, também, todo o tétrico relato das torturas a que teria sido submetido desde sua prisão, no Horto das Oliveiras até sua crucificação no Gólgota), muitas delas teriam sido construídas e moldadas pelos doutores da Igreja, interessados na construção de um super-homem, mítico e até mitológico, dotado de superpoderes ilimitados.

Jesus foi um homem "normal" e "comum", em relação às suas características físicas. Sua distinção em relação aos demais homens (daquele tempo e até hoje), evidentemente, pertence ao plano moral, das virtudes e das características egressas de sua evolutividade espiritual. Seu principal traço é o de uma moralidade bem acima da média da população terrena de todos os tempos conhecidos, daí porque os Espíritos o teriam sugerido como referência (não a única, fique bem claro) para a esteira de progresso espiritual compatível com este orbe.

Mas, ainda que distante da maioria dos homens em termos de moralidade, não deixou de "participar" da vida encarnada como a grande maioria de nós. Sentiu dores, sofreu decepções, alegrou-se com situações favoráveis, teve amigos e relacionou-se SIM sexualmente com uma mulher - provavelmente Maria de Magdala, de cuja relação teria nascido uma criança, como, aliás, vários escritores - entre os quais, mais presentemente, Dan Brown - já referenciaram.

Incrível é que, em muitas instituições espíritas, que deveriam se pautar pela "fé raciocinada", pelo exame lógico de todas as situações e circunstâncias e pela abordagem livre e baseada nos princípios espíritas, se verifique um certo ar "pudico" quando o assunto vem à baila, como se uma (muito) provável experiência conjugal e sexual de Jesus de Nazaré pudesse diminuir o alcance de sua missão e papel perante os homens. Uma abstinência da simbiose energético-sexual não seria, nem de longe, "natural" e oportuna. Ademais, todos nós que, sob a esteira da dicção espiritual contida no item sublinhado da obra pioneira, nos espelhamos em Jesus para a construção de nossa senda evolutiva, ao buscarmos conhecer melhor o intercâmbio das relações humanas, sabemos que a sexualidade é um vértice de aprendizado espiritual e, antes de tudo, uma necessidade humana, rumo ao equilíbrio.

Mas há os que, não tão ingenuamente, pensam o contrário e tentam "importar" para o Espiritismo visões que pertencem aos dogmas das igrejas. Estes ainda não se tornaram espíritas!
Marcelo Henrique, Doutorando em Direito e Assessor Administrativo
da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo - ABRADE

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Reações:

4 comentários:

Oi Francisco, obrigada pela presença no meu blog. O LULU AVEC AMOUR está sempre de portas abertas pra ti. Volte sempre que quiser.

Abraços.

"(...) teve amigos e relacionou-se SIM sexualmente com uma mulher - provavelmente Maria de Magdala, de cuja relação teria nascido uma criança, como, aliás, vários escritores - entre os quais, mais presentemente, Dan Brown - já referenciaram." Como espiritistas não podemos abraçar o dogma do nascimento virginal de Jesus, mas também não devemos dogmatizar dizendo que Jesus teve mulher,casou e teve filhos. Onde a prova documental? Quem pode ter essa certeza? Mais apropriado é dizer que "TALVEZ" JESUS tenha tido uma mulher, que talvez seja Maria Madalena e pode ser que tiveram até um filho". Seria mais razoável e sincero. Não que haja problema em casar. Pedro apóstolo era casado. O próprio Kardec foi casado. Somente que Jesus já tinha o conhecimento de que morreria em situação violenta e deixaria mulher e filhos, se fosse o caso dele ter. O mais provável é que nem houve tempo para ele cogitar disso e muito menos de realmente assumir um casamento e filhos.

Natureza de Jesus segundo o Espiritismo -
A Gênese Allan Kardec – Capítulo 15 ítem 02.
2. Sem nada prejulgar sobre a natureza do Cristo — cuja análise não entra no plano desta obra — e considerando-o, por hipótese, somente um espírito superior, não se pode deixar de
reconhecer nele um daqueles espíritos de ordem mais elevada, e que está colocado, pelas suas virtudes, muito acima da humanidade terrestre. Pelos imensos resultados que ela produziu, sua encarnação neste mundo só podia ser uma dessas missões que são confiadas apenas aos mensageiros diretos da Divindade para o cumprimento dos seus desígnios. Supondo que ele não fosse o próprio Deus, mas um enviado de Deus para transmitir a sua palavra, ele seria mais que um profeta, porquanto seria um Messias divino. Como homem, tinha a organização dos seres carnais, mas como espírito puro, desprendido da matéria, devia viver mais da
vida espiritual do que da vida corporal, da qual não possuía as fraquezas.
Sua superioridade sobre os homens não resultava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu espírito, que dominava a matéria de uma maneira absoluta, e da qualidade do seu perispírito, constituído da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres (cap. XIV, item 9). Sua alma devia se ligar ao corpo por laços estritamente indispensáveis. Constantemente desprendida, ela, com certeza, facultava-lhe a dupla vista, não só permanente como de excepcional penetração e muito superior àquela que se vê entre os homens comuns. O mesmo devia ocorrer com todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais, ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe dava uma imensa força magnética, auxiliada pelo incessante desejo de fazer o bem.
Nas curas que fazia, ele agia como médium? Pode-se considerá-lo como um poderoso médium curador? Não, uma vez que o médium é um intermediário, um instrumento do qual se utilizam os espíritos desencarnados. Ora, o Cristo não precisava de assistência, ele é que assistia os outros. Em virtude do seu poder pessoal, ele agia por si mesmo, assim como podem fazê-lo os encarnados em certos casos e na medida das suas possibilidades. Por outro lado, que espírito ousaria insuflar-lhe os seus próprios pensamentos, e o encarregar de transmiti-los? Se recebia algum influxo estranho, só poderia ser de Deus. Segundo a definição dada por um espírito, ele era médium de Deus.

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