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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Esquecendo as Leis Morais - I





As grandes (esquecidas) Leis Morais - I
“O mundo tenta castigar os que não se conformam” (Ralph Waldo Emerson – escritor americano)

Allan Kardec, nos prolegômenos de O Livro dos Espíritos, diz que os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da humanidade.

Passando-se direto à parte da conclusão, Kardec deduz então que o Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes : o das manifestações, o dos princípios e o da filosofia e aplicação desses princípios.

A aplicação desses princípios está totalmente demarcada na Parte Terceira do “Livro dos Espíritos “, intitulada “ Das Leis Morais “ .
Quando se quer falar ou conceituar o que possa vir a ser o comportamento espírita, trata-se de negligência qualquer tratado a respeito do assunto que omita essas leis morais.

Ora, é justamente isso o que vem ocorrendo com os periódicos espíritas, encontros de estudo, simpósios, palestras, onde inexistem quaisquer análises dos problemas sociais, econômicos, políticos, do meio-ambiente, da justiça, à luz do Espiritismo. Na verdade para o movimento espírita , tudo já está resolvido; preocupar-se com as mazelas de todo tipo é perda de tempo diante do plano definido pela Providência.

Ou tratam-se de problemas reencarnatórios, ou nada que uma reforma íntima não possa solucionar, trazendo em seguida as tão sonhadas benesses materiais e sociais. Portanto, a parte terceira do L. E. é de uma visível inutilidade, ou material para uma mera especulação filosófica. Resulta daí o fato de problemas do cotidiano não serem abordados pelos analistas espíritas. Quando tentam fazê-lo é de uma forma tão discreta, mas tão discreta, que se torna fluida ao fim da leitura.
Em seguida analisarei alguns fatos recuperando as leis morais: - Paraíso maculado
Navio faz barbeiragem e derrama 700.000 litros de óleo no santuário ecológico de Galápagos. ( Revista Veja 31/01/01).

Vários acidentes desse tipo ocorreram no ano de 2000, pois a negligência e a ganância, associadas a um modo hedonista de vida dos tempos atuais, se sobrepõem a quaisquer cuidados adicionais( com custos maiores) para evitá-los.
Perg. 752 L.E. Poder-se-á ligar o sentimento de crueldade ao instinto de destruição?
R. “É o instinto de destruição no que tem de pior, porquanto, se, algumas vezes, a destruição constitui uma necessidade, com a crueldade jamais se dá o mesmo. Ela resulta sempre de uma natureza má”.

Essa ganância, que se traduz muitas vezes no atendimento a prazeres supérfluos , é cruel com a natureza. Em seu livro “Comportamento Espírita “, Jaci Regis traça um caminho interessante para sabermos que algo é supérfluo. Basta observar se esse algo não é extravagante ( um carro no valor de U$$ 300.000,00 , por exemplo ).
A natureza não se defende, apenas se vinga.

Mas que importância podem ter alguns pelicanos, iguanas e leões-marinhos, se de uma forma ou de outra eles evoluirão necessariamente. Talvez por isso os analistas espíritas deixem o assunto para segundo plano.
- Doença da vaca louca .
A doença da vaca louca, tão em moda, já matou 124 pessoas na Grã-Bretanha. (O Estado de São Paulo - 28/01/01).
A questão é de saúde pública, antes e acima de qualquer outra coisa. A culpa dessa doença, segundo os cientistas , é o uso e o abuso de carnes e ossos de boi na ração de uma animal ruminante. Ração de peixe ainda passa. Ração de sobras bovinas para a própria espécie bovina é um atentado aos códigos de vida, segundo os cientistas.

Acontece que os países ricos e civilizados como Alemanha, França, Suiça e Holanda possuiam sobras colossais, subsidiadas e congeladas há décadas de ração bovina. Ou seja, interesses materialistas se sobrepuzeram à questão da saúde pública.

Perg. 799. De que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?
R. “Destruindo o materialismo , que é uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses ...”
Os analistas espíritas passam ao largo dessas questões, pois estão absolutamente seguros de que a lei de causa e efeito reencarnatória se incumbirá de colocar as coisas no seu devido lugar.

- O Cerco da Periferia
Os bairros de classe média estão sendo espremidos por um cinturão de pobreza e criminalidade que cresce seis vezes mais que a região central das metrópoles brasileiras. (revista Veja - 24/1/01) .
- O País dos Tributos
Nada é mais enganoso do que a comparação seca das cargas tributárias do Brasil e dos países desenvolvidos. Além de pagar percentualmente mais, em relação ao PIB, do que os outros, menos os europeus ocidentais, o contribuinte brasileiro não recebe os serviços que paga. (editorial de O Estado de São Paulo).

Perg. 806 É lei da natureza a desigualdade das condições sociais?
R. “Não; é obra do homem e não de Deus”.
Perg. 808 A desigualdade das riquezas não se originará da das faculdades , em virtude da qual uns dispõem de mais meios de adquirir bens do que outros?
R. “Sim e não. Da velhacaria e do roubo, que dizes ? “

O filósofo Olavo de Carvalho, a quem se pode acusar de tudo, menos de esquerdista, na Revista Época de 26/02/01, acusa o tucanato de montar a sociedade mais dirigista que se imaginou, onde há regulamentação para tudo. A distribuição de renda é péssima, todavia a arrecadação via salários bate recordes todos os anos. Eu diria que o grande regime vencedor no Brasil foi o fascismo, em sua filosofia de dirigir coletivamente o comportamento humano (CPMF, rodízio de veículos etc) .

Para os analistas espíritas, tratam-se de problemas mundanos, temporais, gotas de água no oceano, grãos de areia no deserto, diante da grandeza e magnitude da obra divina e eterna. Essas pessoas estão se esquecendo de que uma doutrina ou idéias não é tão somente uma teoria que se tem dela, mas os atos e gestos que demonstramos dessa teoria.
Três coisas muito me preocupam, a saber:
- A aceitação contemplativa do mundo (Vide Roberto Shiniashiki, Deepak Chopra).
- A visão consumista e hedonista do mundo (todos os dias elogiados pela mídia interessada no Ibope)
- A abertura total de quaisquer misticismos ao ideário espírita, corrompendo ainda mais a falta de pensamento social do movimento espírita. Um exemplo recente do que acabo de relatar foi o I ENCOESP – Encontro de entidades espíritas no parque Anhembi em São Paulo em Janeiro de 2001.
Era na verdade um Parque Xangai de idéias “espíritas”, alcançando o efeito desejado pela USE/SP, que foi o de ninguém querer ficar fora e com isso não ter os seus 15 minutos de fama. Eles estão rindo até agora!

Roberto Rufo é bacharel em filosofia

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