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domingo, 11 de julho de 2010

Organização do Centro Espírita (2º Parte)



Organização do Centro Espírita (2º Parte)
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CENTRO ESPÍRITA: MODELO CONCEITUAL
O centro espírita é uma associação de pessoas
O centro espírita é comprometido com o Espiritismo
Não existe no centro espírita hierarquia estática e restritiva

a) O centro espírita é uma associação de pessoas encarnadas, de homens. Poderia, por opção, abranger também os espíritos desencarnados nessa associação, já que os centros espíritas contam, em geral, com a participação ativa dos espíritos. Os motivos pelos quais não farei isso são:

a.1) Considero que o centro espírita é organizado e dirigido por homens, tendo espíritos desencarnados como convidados. Desta forma, qualquer estudo relativo à estrutura, atividades, métodos, prioridades e orientação doutrinária em um centro passa necessariamente pelo comportamento dos homens que o compõem.

a.2) As atividades do centro espírita, incluindo as reuniões mediúnicas, são organizadas e dirigidas por homens. As propostas relativas a essas reuniões devem se dirigir, pelo menos num primeiro momento, a eles.

a.3) São os homens que participam da vida social, contexto em que está inserido o centro.

b) O centro espírita é comprometido com o Espiritismo. Esse compromisso se concretiza através do estudo de livros espíritas, incluindo necessariamente as obras de Allan Kardec, e adequação das diversas atividades aos conceitos e métodos próprios da doutrina.

c) Não existe no centro espírita hierarquia estática e restritiva. O efeito mais importante dessa estrutura é a igualdade para aprender, praticar e influir.

Um centro espírita aberto à participação integral de pessoas interessadas em aprender e contribuir, e comprometido com o aprendizado e desenvolvimento do Espiritismo será o modelo, para os centros espíritas modernos, que adotarei a partir daqui. Mas caberia perguntar: como será o centro espírita do futuro?(4)

1.3 A estrutura proposta

Uma reflexão sobre a estrutura dos centros espíritas exige a identificação dos elementos que compõem essa estrutura. Assumo que são os seguintes:

ELEMENTOS ESTRUTURAIS DO CENTRO ESPÍRITA
Mediunidade
Estudos e pesquisas
Relações com a sociedade
Poder
Integração com outros centros espíritas

Neste trabalho não são tratados, de forma sistemática, os aspectos de organização e administração do centro espírita. Há alguns livros e apostilas que tratam do assunto. O centro espírita, de Wilson Garcia, sintético e objetivo, é um livro de valor(5).

Entre os autores pesquisados, dediquei especial atenção aos dois que deram contribuições mais significativas para o estudo da estrutura do centro espírita até agora: Allan Kardec e José Herculano Pires. Em toda a extensão do texto eles são citados, sobretudo em suas respectivas obras O livro dos médiuns(6) e O centro espírita(7).

O livro dos médiuns, publicado em 1861, continua sendo referência obrigatória para formação, avaliação e dinamização dos grupos. Reputo grande importância a este livro no contexto da obra de Kardec. Se em O livro dos espíritos encontramos a apresentação da doutrina como um todo, constituindo-se por isso no mais abrangente trabalho seu, é no entanto em O livro dos médiuns que passamos mais claramente a conhecer a sua maneira de trabalhar, o método kardequiano. E é esse método que referenda toda a sua obra. Marco maior da lucidez de Kardec, esse compêndio ainda não esgotou seus recursos de aplicação.

O livro de José Herculano Pires O centro espírita se propõe a apresentar um estudo sobre as origens, o sentido e a significação do centro espírita. É um trabalho poderoso, que capta conceitos importantes, identifica distorções e propõe um modelo, mas não escapa ao envolvimento de algumas idéias já cristalizadas. Não me proporia a tentar fixar de forma precisa a função do centro, como faz Herculano, sobretudo porque é difícil trabalhar com uma "verdade" que não é praticada. Mas concordo com ele quando constata que a função e a significação do centro são desconhecidas, só ficando uma dúvida: alguém conhece completamente?

2. A MEDIUNIDADE
O Espiritismo está histórica e metodologicamente vinculado à mediunidade. Ele nasceu e cresceu a partir do estudo dos fenômenos mediúnicos. Sem a mediunidade o Espiritismo simplesmente não existiria. A mediunidade é o elemento mais importante da estrutura do centro espírita pois concretiza o mundo dos espíritos, objeto principal de estudo do Espiritismo.

2.1 - O que é mediunidade?
"Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos." (8)

Kardec dedicou grande importância à mediunidade e à comunicação com os espíritos. O relato que fez do início de suas pesquisas mostra isso:

"Compreendi, logo à primeira vista, a importância das pesquisas que iria fazer. Vislumbrei naqueles fenômenos a chave do problema do passado e do futuro da Humanidade, tão confuso e tão controvertido, a solução daquilo que eu havia buscado toda a minha vida."(9)

Com o tempo fortaleceu ainda mais a convicção que a mediunidade deve ser estudada e praticada com seriedade. O sua principal obra sobre o assunto, O livro dos médiuns(10), foi lançada em 1861 em substituição a uma outra de mesma natureza, Instruções práticas sobre as manifestações espíritas(11), que havia sido lançada em 1858, pois considerou que esta não era suficientemente completa(12). Nos seus estudos, dedicou especial atenção à psicografia, pois percebeu que a escrita "tem a vantagem de assinalar, de modo mais material, a intervenção de uma força oculta e de deixar traços que se podem conservar, como fazemos com nossa correspondência"(13). Essa sua preocupação esclarece, em parte, o caráter que atribuía à mediunidade: um forte instrumento de comunicação com o invisível, tanto quanto de documentação.

Para Kardec era necessária uma conceituação precisa de "mediunidade" (e "médiuns"), além de uma classificação detalhada dos fenômenos. Foi o que fez(14). Um ponto delicado referia-se à questão: quem é médium? Resolveu-a da seguinte forma: todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos espíritos é, por esse fato, médium, mas, usualmente, assim só se qualificam aqueles em que a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva(15). Estudando esse problema mais recentemente, Crawford chamou de "estática" a mediunidade natural, que todos possuem, e "dinâmica" a mediunidade ativa. José Herculano Pires apresenta também as denominações de "mediunidade generalizada" e "mediunato", respectivamente(16).


CONTINUA. . .

Organizaçao do Centro Espirita (1ºParte)




Organizaçao do Centro Espirita (1ºParte)
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CENTRO ESPÍRITA: OS CINCO FATORES CRÍTICOS PARA UMA REFORMA ESTRUTURAL

RESUMO
Este trabalho apresenta as bases para uma revisão estrutural dos centros espíritas na atualidade, que permita a eles traçar seus caminhos vinculados e comprometidos com o próprio desenvolvimento do Espiritismo, além de se caracterizarem socialmente de forma clara. São apresentados os cinco fatores críticos para esta revisão: a mediunidade, os estudos e pesquisas, a relação com a sociedade, o poder e a integração com outros centros espíritas.
AUTOR: SPINOLA, Mauro de Mesquita.
Engenheiro eletrônico, doutor em engenharia de computação,
professor universitário, membro do CPDoc, Diretor do Centro de Estudos
Espíritas José Herculano Pires, de S. Paulo, autor do livro Centro Espírita –
uma revisão estrutural, presidente da Comissão Organizadora da XIV
Conferência Espírita Pan-Americana.


1. INTRODUÇÃO
É necessário — e é possível — realizar uma revisão estrutural dos centros espíritas na atualidade, que permita a eles traçar seus caminhos vinculados e comprometidos com o próprio desenvolvimento do Espiritismo, além de se caracterizarem socialmente de forma clara. Isso hoje não ocorre. Viso com este estudo contribuir para essa revisão.

Parto da constatação de que os centros espíritas vivem hoje uma dificuldade de identificação, gerada sobretudo pelos confrontos entre sua estrutura, a leitura do Espiritismo e a modernização cultural e moral da sociedade. Tanto como casa do Espiritismo quanto como célula social o centro ainda busca uma definição mais precisa.
Este texto apresenta de forma sucinta os principais conceitos e propostas apresentados no livro "Centro espírita: uma revisão estrutural"(1), lançado em 1997 pelo CPDoc – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita.

Desconhecimento do Espiritismo nos centros, sincretismo, assistencialismo, cultos exteriores e religiosismo, grandeza física, clientelismo, proselitismo e isolamento cultural são alguns dos aspectos contrastantes entre a estrutura de grande parte dos centros e a proposta do Espiritismo. A identificação desses pontos contribui para uma crítica aos centros espíritas modernos. Entre todos, o mais importante é o desconhecimento do Espiritismo.

1.1 Dificuldades
A análise da estrutura do centro espírita e as possíveis propostas que dela possam advir esbarram em várias dificuldades. Eis algumas delas:

a) É difícil definir centro espírita. É muito grande a heterogeneidade existente entre os grupos e como conseqüência surgem dúvidas: o que estaríamos analisando? a que e a quem estaríamos propondo?

b) Em muitos centros espíritas vive-se hoje um período de discussão e revisão estrutural. Há também a criação de novos grupos, com estruturas alternativas e claramente diferentes das existentes. Os resultados são apenas preliminares e não há indícios de tendências generalizadas.

Qual é o objetivo dos centros espíritas? Impossível encontrar uma resposta válida para todos os grupos. Com certeza esse objetivo varia segundo fatores culturais, a ponto de podermos encontrar dois centros espíritas com objetivos (e portanto atividades) completamente diferentes. Num centro, maior ênfase é dada aos conhecimentos do Espiritismo, num outro se dá maior valor à prática da mediunidade, num terceiro as pessoas se dedicam prioritariamente ao atendimento de necessitados, num quarto centro a cura é o maior objetivo, e assim por diante.(2)

Apesar daqueles esforços, uma análise do panorama atual nos mostra uma grande miscelânea, o que torna impossível responder, com base no que se vê, a questão "o que é o centro espírita?" Estabelecer um modelo seria muito difícil; analisar e propor, impossível.

Para estabelecer um modelo teríamos que optar por uma conceituação mais precisa de centro espírita, assumindo algumas de suas características. Esse modelo viabilizaria a análise e a elaboração de propostas.

Faço, portanto, com o objetivo de poder continuar esse trabalho, um exercício de modelamento(3). O seu principal objetivo é estabelecer uma referência conceitual que sirva de base para a estruturação de uma casa espírita ou mesmo para a reestruturação de uma casa já existente. São critérios básicos a considerar na avaliação e na organização dessas casas.

1.2 Um modelo

O modelo não toca no problema de organização administrativa e financeira do centro, mas estabelece diretrizes para que essa organização, qualquer que seja, se volte para os objetivos de tornar o centro uma casa do Espiritismo. São três os seus componentes: as pessoas, o relacionamento do centro com o Espiritismo e a estrutura de poder, como descrevemos a seguir:
continua. . .

sábado, 10 de julho de 2010

A Quem Interessa o Desarmamento?




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Este artigo reflete a evolução do pensamento do ARMARIA, fruto do intercâmbio de informações com outras associações patrióticas (brasileiras e internacionais) engajadas na luta contra o projeto de governo mundial da ONU.
Recomendamos a leitura dos artigos precedentes, "Preparem-se para o confisco!", "Horizonte Nebuloso" e "A Volta a Guarda Nacional."

É óbvio, para qualquer pessoa mais ou menos esclarecida, que essa campanha de desarmamento nada tem a ver com a criminalidade ou a tal “violência”. No entanto, para a maioria das pessoas não são evidentes os motivos de tal campanha. Tentaremos, nessas poucas linhas, explicar o que está acontecendo.

Imagine o leitor que você colocou todas as suas economias em ações de uma determinada empresa. Um belo dia você recebe a informação que a empresa está a beira da falência. O que você faria? Bem, em primeiro lugar trataria de manter segredo total sobre a situação da empresa e diria para todo mundo que a empresa vai muito bem, obrigado. Enquanto isso, tentaria vender os papéis o mais rapidamente possível, para recuperar o dinheiro aplicado, e cuidaria de aplicá-lo em ativos reais, tipo uma casa ou um terreno. Não é assim que todos agem?

Agora imagine que grandes grupos econômicos descobriram que existe uma “bolha especulativa” de alguns trilhões de dólares no sistema financeiro mundial. Essa montanha de dinheiro não corresponde a nenhuma riqueza, isto é: não passa de papel pintado, sem lastro.

Tal como você faria, esses grupos tentam manter segredo sobre o assunto enquanto tratam de converter esse papel em ativos reais. O problema é que converter essa incrível quantidade de dinheiro em ativos não é fácil. É preciso transformar esse papel em bens que mantenham seu valor no caso do sistema financeiro mundial entrar em colapso. O ideal é comprar coisas que sempre terão valor enquanto existir a humanidade, por exemplo: minérios, petróleo, terra fértil, empresas de energia elétrica, grandes redes de telecomunicações, etc.

Mas para adquirir essas riquezas alguns obstáculos precisam ser removidos. O maior deles são os estados nacionais. Fora dos EUA, a regra geral é esses bens estarem sob controle dos estados, na maioria das vezes sob o manto de grandes empresas estatais. Diversas estratégias foram adotadas por esses grupos para acabar com as barreiras que os diversos países criaram para proteger suas riquezas (reserva constitucional, barreiras alfandegárias, tarifas preferenciais, monopólios, leis excludentes, etc.).
Para não precisar empregar força militar (até porque os interesses desses grupos nem sempre coincidem com o interesse nacional de algum país poderoso), foram adotadas as seguintes estratégias:

1) Controlar as agências internacionais de fomento (Banco Mundial, BID, FMI, etc., além, é claro, da ONU)
2) Aumentar os juros de forma a endividar os países mais pobres e força-los a vender seus ativos;
3) Financiar pessoas e instituições contrárias a presença do estado na economia, favoráveis ao conceito de soberania limitada e a livre movimentação de capitais;
4) Acabar com toda legislação que fomente empresas nacionais;
5) Adquirir os meios de comunicação (ou subornar seus proprietários) de forma que apenas pessoas e idéias favoráveis a seus interesses tenham divulgação;
6) Promover campanhas de descrédito contra pessoas e instituições que oponham resistência a seus interesses;
7) Subornar políticos para aprovarem as mudanças adequadas;
8) Premiar e condecorar pessoas e instituições que apoiam as teses anteriores;
9) Difamar e enfraquecer os grupos nacionalistas e as forças armadas;
10) Enfraquecer o estado fomentando radicalismos e desavenças internas;
11) Promover mudanças políticas que consolidem as conquistas obtidas;
12) Desarmar a população de forma a não haver riscos de uma revolta popular armada.

Esse receituário é válido para todos os países e foi aplicado, com maior ou menor
sucesso, no mundo todo e não apenas no Brasil. Não vamos discorrer sobre como essas táticas foram empregadas em nosso país, mas se observarmos a história recente veremos que todos os itens acima foram implementados com grande sucesso e todas as nossas riquezas (sejam estatais ou privadas) foram alienadas para grandes grupos estrangeiros. Não é mera coincidência que o presidente que promoveu essa liquidação do patrimônio nacional seja o mesmo que deseja o desarmamento da população.

O momento atual é de consolidar essas conquistas. O único grande grupo nacionalista que restou no país são as forças armadas e suas auxiliares. É importante, portanto, mantê-los fracos e sob constante ataque. Assim reduzem-se as verbas, o armamento, os salários e qualquer forma de estímulo a carreira militar. Daí a campanha de torná-las forças policiais; Daí a campanha para desacreditá-las - assim como as polícias – principalmente a Polícia Militar; Daí a reabertura de processos arquivados há muito tempo, etc. Notaram o que está acontecendo nesse momento com a Brigada Militar do Rio Grande do Sul?

Se isso não for suficiente, estimula-se a formação de grupos guerrilheiros locais, tal como estamos vendo no México, Peru, e Colômbia, de forma a dar uma "ocupação" aos militares e impedí-los de pensar nos outros tipos de saques que estão acontecendo no país. Outra vantagem dessa tática é que, se tiver sucesso, pode colocar o país de joelhos e forçá-lo a pedir uma “ajuda” militar internacional (tal como estamos vendo acontecer na Colômbia) - excelente forma de colocar tropas estrangeiras dentro do país sem oposição.

É preciso também fazer mudanças políticas de forma a reduzir a possibilidade de um presidente nacionalista assumir o poder. É imperioso reduzir os poderes do presidente e por isso vemos (novamente) a campanha pró-parlamentarismo em ação.
Como dissemos, a forma preferencial de impor as idéias anti-nacionais é através do fomento de pessoas e instituições que comungam com os interesses alienígenas. O papel das Organizações Não Governamentais (ONGs) é importantíssimo nesse aspecto.

São elas que, aproveitando-se da boa fé de algumas pessoas, divulgam e implementam as políticas anti-nacionais e enfraquecem o papel das instituições do estado. Notaram como elas estão sempre contra militares e policiais? Notaram que direitos humanos são só para os bandidos e não para os policiais e suas famílias (ou mesmo para as vítimas)? Notaram como não falta dinheiro para suas atividades?

Segundo a revista Veja de 09/fev/94, existem (existiam, na época) 5000 ONGs atuando no Brasil, com orçamento anual de 700 milhões de dólares, dos quais 80% provêm de doações do exterior. Nelas trabalham cerca de 80 mil profissionais, dos quais 60 mil em tempo integral e a maioria possui curso superior. Não é interessante vermos como esses grupos estrangeiros são bonzinhos e estão preocupados com nossos problemas?
No caso do desarmamento brasileiro, a ONG intitulada Viva Rio ocupa papel de destaque.

O Viva Rio surgiu em 17 de novembro de 1993, alguns dias depois do seminário internacional intitulado “Cidadania Participativa, Responsabilidade Social e Cultural em um Brasil Democrático” onde o maior destaque foi a presença do banqueiro David Rockefeller, ex-presidente do Chase Manhattan Bank, proferindo o discurso inaugural.

É curioso notar que o banqueiro, hoje filantropo, foi um dos principais responsáveis pela implantação da política neo-liberal causadora da proletarização da classe média e do agravamento da concentração de renda brasileira.
Por coincidência, estava presente no seminário o então chanceler Fernando Henrique Cardoso.

O Viva Rio integra a rede mundial de ONGs anti-armas chamada IANSA – (International Action Network of Small Arms).

Os objetivos e estratégias da IANSA estão relacionados em suas diretrizes:
Algumas diretrizes da IANSA
1 – Reduzir a disponibilidade de armas para civis em todas as sociedades;
2 – Estabelecer regulamentações, treinamento e supervisão para assegurar o compromisso com padrões internacionais de direitos humanos por instituições estatais, forças armadas irregulares e cidadãos, no uso de armas leves;
3 – Promoção de programas para incentivar os cidadãos a entregar armas de fogo ilegais, inseguras ou indesejáveis;
4 – Relatórios regulares ao Registro de Armas Convencionais da ONU e apoio à extensão de sua abrangência para incluir algumas categorias de armas leves;
5 – Reforçar o papel da sociedade civil no monitoramento de transferências e do uso de armas leves nas esferas nacional, regional e internacional;
6 – Acompanhamento e monitoramento de transferências e movimentações de armas leves;
7 – Estabelecer sistemas políticos e legais para assegurar um efetivo controle e monitoramento civil das forças militares, polícias e outras instituições de aplicação da lei;
8 – Reduzir os gastos militares ao nível mais baixo possível;
9 – Desenvolver campanhas locais, nacionais e regionais de educação e percepção públicas, destinadas a deslegitimizar a posse de armas como parte de um processo de construção de confiança em instituições de segurança pública imparciais;
10 – Apoiar ONGs e o estabelecimento de capacidade comunitária, particularmente em regiões e localidades onde o uso de armas e a violência sejam mais problemáticos e as ONGs tenham poucos recursos, de modo a facilitar que elas possam desempenhar um papel pleno na IANSA;
11 – Assegurar que as campanhas, a mídia e o trabalho político mantenham o vínculo humano sempre que possível, por exemplo, “dando um rosto às vítimas”;
12 – Engajar, quando apropriado, o apoio de figuras públicas respeitadas e populares para transmitir mensagens de campanha para a mídia e o público;
13 – Estigmatizar ações de atores estatais e não estatais percebidos como contribuintes para o problema das armas leves e desenvolver estratégias para incentivar mudanças positivas e de acordo com os padrões internacionais.

O item número 4 revela-nos que as ONGs querem um registro universal das armas de fogo no âmbito da ONU, o que faz parte da política de governo mundial desta entidade.
Vejam os itens 5 e 6 - por eles percebemos porque o Viva Rio está tão interessado em assumir o controle dos arquivos da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do SINARM da Polícia Federal. Eles querem substituir Exército e Polícias no controle das armas civis.
Os itens 2 e 7 mostram claramente a intenção de controlar as Forças Armadas e as Polícias.
O item 8 confirma o que já dissemos quanto ao enfraquecimento das Forças Armadas.
Os itens 9 e 13 mostram-nos porque a Sra. Elizabeth Sussekind, do Viva Rio, nomeada Secretária Nacional de Justiça pelo ministro José Carlos Dias, defende a divulgação na Internet do número das armas e da lista de seus revendedores.

Finalmente, lendo os itens 11, 12 e 13, percebe-se de onde vem a “inspiração” para as campanhas anti-armas do Viva Rio, do SBT e das organizações Globo.
Mas o desarmamento é mais que mera providência contra-revolucionária.

A arma é um ícone da independência do cidadão diante do estado e o esteio da propriedade privada. É por isso que vemos alguns políticos "de esquerda" apoiando o desarmamento.

O cidadão armado é insubmisso. Assim como ele está disposto a confrontar um bandido, ele também se dispõe a enfrentar a tirania. É por isso que, para a implantação do chamado “controle social” da população, é imperioso desarmar os cidadãos.

Colega proprietário de arma:
Não é preciso se envergonhar de ter arma. É seu direito como cidadão e sua obrigação como patriota. A defesa própria é um direito e a arma de fogo seu instrumento. Não abra mão deste direito.

Como disse Jean Jaques Rousseau, “Direito tirado nunca mais retorna”.
Filie-se à Associação Nacional dos Proprietários e Comerciantes de Armas - ANPCA.
É com seu esforço que contamos.

L.A.
FONTE:
http://www.armaria.com.br/

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Uma religião espírita?




Uma religião espírita?
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Um conhecido meu, não espírita, questionou-me sobre a condição de religião do espiritismo, propalada pelo movimento espírita como uma de suas características básicas, em paralelo com seus aspectos científico e filosófico. Lembrei-me, então, que essa questão é comumente retomada na imprensa e nas casas espíritas, denotando um importante ponto para debates e esclarecimentos. Vi, certa vez, um orador espírita afirmar que se o espiritismo fosse religião, não seria espírita, e outros que afirmam o inverso, que se interessam pelo espiritismo por conta de seu aspecto religioso, esquecendo um pouco suas outras qualidades.

Meto-me, assim, numa controvérsia, não com a intenção de esclarecer, visto não possuir a verdade, mas para contribuir com minha opinião, mostrando, para tanto, as minhas razões.

O primeiro problema que enfrentei foi a definição de religião, pois como compreender a situação do espiritismo sem antes compreender o que é religião? Resolvi consultar os clássicos da filosofia e da sociologia, que seriam os mais habilitados em resolver essa primeira questão. Apesar de ter consultado vários deles, acabei ficando com as definições colocadas por Émile Durkheim e Mircea Eliade, pensadores do séc. XX e especialistas no tema, que concordam com o fato de que a religião é basicamente caracterizada: 1) pela distinção entre dois mundos diferentes: o sagrado e o profano, sendo o sagrado mais importante que o profano; 2) por seus rituais, que "são regras de conduta que prescrevem como o homem deve comportar-se com as coisas sagradas", no dizer de Durkheim; e 3) pela reunião de seus adeptos em comunidades que seguem determinados comportamentos morais. Nesse último aspecto, Kant antecipa-se afirmando ser essa a principal característica de uma religião racional, que leve o homem à sua obra "mais difícil", que seria a sua transformação moral, superando sua "tendência radical para o mal".

Essa definição acima colocada, evidenciando as três características presentes em todas as manifestações religiosas, desde as mais simples e antigas às mais complexas e modernas, ampara a minha avaliação sobre o espiritismo, demarcando sua situação como religião ou não, caso apresente todas essas características. Mas, nesse ponto, algumas características atribuídas às religiões já são abandonadas: a crença em deuses, por exemplo. Como bem afirma Durkheim, há religiões em determinadas culturas que são atéias, dentre elas, a mais conhecida é o budismo, motivo da deferência nietzscheana em sua obra "O anticristo". Ressalto que o budismo aqui mencionado, o "hinayana", é aquele ensinado por Buda, e não o budismo reformado, hindu ou tibetano, chamado "mahayana". Portanto, a associação entre religião em suas manifestações concretas e o sempre citado verbo latino "religare" não passa de apelo do senso comum, pois há carência empírica no seu uso, o que Wittgenstein classificaria de jogos de linguagem.

Aqui será feito um necessário corte analítico: dum lado a análise do espiritismo, doutro, a do que se popularizou chamar de movimento espírita. Apesar de este considerar-se representante daquele, suas propostas diferem em inúmeros pontos e a divergência de idéias alcança píncaros que permitem afirmar serem coisas bem diversas.

Primeiramente, coube-me avaliar se o espiritismo distingue um mundo sagrado e um mundo profano. Apesar das colocações expostas na questão 84 de "O livro dos espíritos", em que a resposta à pergunta "Os espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?" é afirmativa, para em seguida, na pergunta 85, ainda reiterar que o mundo dos espíritos é o principal na ordem das coisas, deve-se perceber o sentido dado a essas questões. Fora de contexto, aqui já estariam presentes as bases necessárias para a verificação da primeira característica. Todavia, esse mundo dos espíritos não difere do nosso mundo material, já que ele não é habitado por seres diferentes ou entidades transcendentes, como deuses, ninfas ou duendes, ele é habitado pelos mesmos indivíduos que viveram uma vida corporal. Portanto, não há diferenças na essência daqueles que habitam esses mundos diferentes, são os mesmos indivíduos, apenas em condições de vida distintas.

O mesmo não se dá com o movimento espírita. Esse, apesar da aceitação dos princípios exarados nas obras de Kardec, por vezes somente na letra, age de forma bastante diferenciada. Os espíritos que habitam esse "mundo à parte", passam a ser em muitos casos semideuses que devem ser adorados e venerados. O respeito a essas entidades incorpóreas chega a tal grau que se é proibida a contestação ou argumentação, cabem apenas a reverência e a fé, ou seja, perderam a sua humanidade, principal proposta do entendimento desse mundo por parte do espiritismo kardecista. Aqui, então, há verdadeiramente dois mundos distintos em substância e em personagens, o que faz o movimento espírita cumprir plenamente a primeira das características religiosas.

Em seguida, avaliei a existência de rituais no espiritismo, o que seria, inicialmente, um ponto fora de conflito, pois é sabida a pregação espírita da ausência de rituais. Mas entre o discurso e a prática, há sempre um hiato que cabe ao estudioso debruçar-se. Voltando às definições dos clássicos, entende-se que ritual ou culto "não é simplesmente um sistema de signos pelos quais a fé se traduz exteriormente, é o conjunto de meios pelos quais ela se cria e se recria periodicamente. Quer consista em manobras materiais ou em operações mentais", como afirma Durkheim. Portanto, uma prece é um ritual, uma evocação mediúnica é um ritual, desde que feitas com o intuito da prática da fé, com sua afirmação periódica, pois coincide exatamente com o conceito acima, que não reduz a definição de ritual a práticas materiais, como sói acontecer entre nós espíritas. Mais uma vez a diferença entre espiritismo e movimento espírita é evidente. Enquanto o espiritismo não propõe a prece ou suas reuniões como motivos de reafirmação periódica da fé, e sim como algo espontâneo e sem nenhuma formalização, como exercício de aprendizado e de relação com os espíritos, sem necessidade sequer duma participação efetiva em grupos ou de periodicidade nesse contato, o movimento espírita trilha caminho bem diverso, pois ritualizou preces e reuniões da forma mais objetiva possível, fazendo-as formais com tempo determinado, formas específicas e material sacralizado, como se pode ler nas diversas obras que se tornaram clássicas entre os participantes desse segmento. Alguns já chegam ao extremo de consagrar sacramentos em casas espíritas, como as atuais cerimônias de casamento.

Finalmente, a última questão é a menos problemática, pois é o próprio Kardec quem propõe a necessidade da comunhão dos espíritas em uma comunidade como se vê nos seus escritos póstumos e na Revista espírita ―, reconhecendo, inclusive, os verdadeiros espíritas pelo esforço na sua transformação moral. E, aqui, ambas as posições são coincidentes.

Nesse ponto, concluiria que o espiritismo não é uma religião, já que não possui em suas características aquelas que possam dar-lhe essa definição, como visto acima. Diferente do movimento espírita, que desfruta de todas as características básicas apresentadas pelos estudiosos do assunto, e que, por conseguinte, enquadra-se perfeitamente nessa definição.

Faltaria, entretanto, uma última análise: a opinião de Kardec sobre o tema. Primeiramente lembro o clássico artigo publicado na "Revista espírita" de dezembro de 1868, intitulado "O espiritismo é uma religião?", pois nesse texto, Kardec declara não ser o espiritismo uma religião, por não possuir os caracteres das religiões tradicionais, como as cerimônias e os sacerdotes. Todavia, afirma ele nesse mesmo texto: "o laço estabelecido por uma religião é um laço essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, [...]. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, [...] a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas. [...] Se assim é, perguntarão, então o espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores; no sentido filosófico, o espiritismo é uma religião". Kardec é bem claro em sua opinião ao possibilitar que o espiritismo seja considerado uma religião apenas em seu aspecto filosófico, ou seja, por reunir em torno de seus princípios filosóficos os homens numa congregação de fraternidade e benevolência, para então concluir, após a afirmativa acima: "O espiritismo, não tendo nenhum dos caracteres duma religião, na acepção usual da palavra, não se poderia, nem deveria ornar-se de um título sobre o valor do qual, inevitavelmente, seria desprezado; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral".

Se tal clareza não for ainda suficiente para ilustrar a opinião de Kardec, resta apenas a citação de mais dois fragmentos da "Revista espírita", o primeiro de maio de 1859, "Refutação dum artigo de L'Univers", em que diz: "Seu [do espiritismo] verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião, e a prova disso é que conta, entre seus adeptos, com homens de todas as crenças, e que por isso não renunciaram às suas convicções [...]. O espiritismo repousa, pois, sobre princípios gerais independentes de todas as questões dogmáticas. [...] O espiritismo não é, pois, uma religião: de outro modo teria seu culto, seus templos, seus ministros. [...] Em resumo, o espiritismo se ocupa com a observação dos fatos, e não com as particularidades de tal ou tal crença". No segundo artigo, de julho de 1859, "Resposta à réplica do Sr. abade Chesnel, em L'Univers", diz Kardec: "O espiritismo, como eu disse, está fora de todas as crenças dogmáticas, com as quais não se preocupa; não o consideramos senão como uma ciência filosófica, que nos explica uma multidão de coisas que não compreendemos, e, por isso mesmo, em lugar de abafar em nós as idéias religiosas, como certas filosofias, fá-las nascer naqueles em que elas não existem; mas se quereis, por toda a força, elevá-lo à categoria duma religião, vós mesmos o empurrais para um caminho novo". É interessante ler Kardec afirmando que não será ele o criador duma nova religião, mas aqueles que tanto querem.

Portanto, a conclusão é indubitável: o espiritismo não é uma religião, sob qualquer artifício sofista ou de interesse pessoal. Por outro lado, o movimento espírita é uma religião com todas as características inerentes a essa definição. Possui sua sacralidade, seus rituais, sacerdotes e tudo o mais que o faz uma religião com seu séqüito de caracteres tradicionais.

* Sergio Mauricio é professor universitário; graduado em Engenharia Elétrica e Filosofia, com mestrado em Ciências da Família; escritor e dirigente espírita da cidade de Salvador.

domingo, 13 de junho de 2010

ESTUDOS SOBRE A REENCARNAÇÁO. (2ºPARTE)



ESTUDOS SOBRE A REENCARNAÇÁO. (2ºPARTE)





que não são mais, uma vez que os esquecestes e substituístes; procurastes a consolação no esquecimento; eles se vos tornam indiferentes, porque não tendes mais amor.
Contemplai a Humanidade, e vede o quanto há pouca afeição verdadeira sobre a Terra! Também não se deve tanto se amedrontar com a multiplicidade das afeições contraídas nesse mundo; elas são em minoria relativa, mas existem, e as que são reais persistem e se perpetuam sob todas as formas, sobre a Terra, de início, depois continuam no estado de Espírito numa amizade ou um amor inalterável, que não faz senão crescer em se elevando mais.

Vamos estudar esta verdadeira afeição: a afeição espiritual.
A afeição espiritual tem por base a afinidade fluídica espiritual, que, agindo sozinha, determina a simpatia. Quando ocorre assim, é a alma que ama a alma, e essa afeição não toma força senão pela manifestação dos sentimentos da alma. Dois Espíritos unidos espiritualmente se procuram e tendem sempre a se aproximarem; seus fluidos são atrativos. Que estejam num mesmo globo, serão levados um para o outro; que estejam separados pela morte terrestre, seus pensamentos se unirão na lembrança, e a união se fará na liberdade do sono; e quando a hora de uma nova encarnação soar para um deles, procurará se aproximar de seu amigo entrando nisso que é sua filiação material, e fá-lo-á com tanto mais facilidade quanto seus fluidos periespirituais materiais encontrarem afinidade na matéria corpórea dos encarnados que deram a luz ao novo ser.

Daí um novo aumento da afeição, uma nova manifestação do amor. Tal Espírito amigo vos amou como pai, vos amará como filho, como irmão ou como amigo, e cada um desses laços aumentará de encarnação em encarnação, e se perpetuará de maneira inalterável quando, vosso trabalho estando feito, vivereis da vida do Espírito.
Mas essa verdadeira afeição não é comum sobre a Terra, e a matéria vem retardá-la, anulando-lhe os efeitos, segundo ela domine o Espírito.

A verdadeira amizade, o verdadeiro amor sendo espiritual, tudo o que se relaciona com a matéria não é de sua natureza, nem concorre em nada para a identificação espiritual. A afinidade persiste, mas fica no estado latente até que o fluido espiritual se sobrepondo, o progresso simpático se efetue de novo.
Para me resumir, a afeição espiritual é a única resistência no domínio do Espírito; sobre a Terra e nas esferas de trabalho corpóreo, ela concorre para o adiantamento moral do Espírito encarnado que, sob a influência simpática, cumpre milagres de abnegação e de devotamento pelos seres amados. Aqui, nas moradas celestes, ela é a satisfação completa de todas as aspirações, e a maior felicidade que o Espírito possa sentir.

V O progresso entravado pela reencarnação indefinida.
Até aqui a reencarnação foi admitida de um modo muito prolongado; não se pensou senão nessa prolongação da corporeidade, embora cada vez menos material, ocasionando, no entanto, necessidades que deviam entravar o vôo do Espírito. Com efeito, admitindo a persistência da geração nos mundos superiores, atribui-se ao Espírito encarnado necessidades corpóreas, dão-lhe deveres e ocupações ainda materiais que constrangem e detêm o impulso dos estudos espirituais. Que necessidade desses entraves?

O Espírito não pode gozar as felicidades do amor sem sofrer as enfermidades corpóreas? Sobre a própria Terra, esse sentimento existe por si mesmo, independente da parte material de nosso ser; os exemplos, embora sejam raros, estão aí, suficientes para provar que deve ser sentido mais geralmente entre os seres mais espiritualizados.

A reencarnação ocasiona a união dos corpos, o amor puro somente a união das almas. Os Espíritos se unem segundo suas afeições começadas nos mundos inferiores, e trabalham juntos para o seu adiantamento espiritual. Eles têm uma organização fluídica muito diferente daquela que era a conseqüência de seu aparelho corpóreo, e seus trabalhos se exercem sobre os fluidos e não sobre os objetos materiais.

Vão em esferas que, também elas, cumpriram seu período material, em esferas cujo trabalho humano levou a desmaterialização, e que, chegados ao apogeu de seu aperfeiçoamento, também passaram por uma transformação superior, que os torna próprios para sofrer outras modificações, mas num sentido todo fluídico.
Compreendeis, desde hoje a força imensa do fluido, força que não podeis senão constatar, mas que não vedes nem apalpais.

Num estado menos pesado do que aquele em que estais teríeis outros meios de ver, de tocar, de trabalhar esse fluido que é o grande agente da vida universal. Porque, pois, o Espírito teria ainda necessidade de um corpo que está fora das apreciações corpóreas? Dir-me-eis que esse corpo está em relação com os novos trabalhos que o Espírito terá que cumprir; mas uma vez que esses trabalhos serão todos fluídicos e espirituais nas esferas superiores, por que dar-lhe o embaraço das necessidades corpóreas, porque a reencarnação ocasiona sempre, como eu o disse, geração e alimentação, quer dizer, necessidade da matéria a satisfazer, e, em compensação, entraves para o Espírito.

Compreendeis que o Espírito deve ser livre em seu vôo para o infinito; compreendeis que tendo saído dos cueiros da matéria, ele aspira, como a criança, a caminhar e correr sem ser contido pelas andadeiras maternas, e que essas primeiras necessidades da primeira educação da criança são supérfluas para a criança crescida, e insuportáveis ao adolescente. Não desejeis, pois, permanecer na infância; considerai-vos como alunos fazendo seus últimos estudos escolares, e se dispondo a entrar no mundo, e a ter nele seu lugar, e a começar os trabalhos de outro gênero que seus estudos preliminares terão facilitado.

O Espiritismo é a alavanca que levantará de um pulo ao estado espiritual todo encarnado que, querendo bem compreendê-lo e pô-lo em prática, se ligará em dominar a matéria, a dela se tornar senhor, a aniquilá-la; todo Espírito de boa vontade pode se colocar em estado de passar, deixando este mundo, ao estado espiritual sem retorno terrestre; somente, lhe é preciso a fé ou vontade ativa.
O Espiritismo a dá a todos aqueles que querem compreendê-lo em seu sentido moralizador.

UM ESPÍRITO PROTETOR DO MÉDIUM.
Nota. - Esta comunicação não leva outra assinatura senão esta acima, o que prova que não há necessidade de haver tido um nome célebre sobre a Terra para ditar boas coisas.
Pôde-se notar a analogia que existe entre a comunicação de Sens narrada mais acima, e a primeira parte desta; esta última é sem contradita mais desenvolvida, mas a idéia fundamental sobre a encarnação é a mesma. Citamos ambas para mostrar que os grandes princípios da Doutrina são ensinados de diversos lados, e que será assim que se constituirá e se consolidará a unidade no Espiritismo. Esta concordância é o melhor critério da verdade. Ora, há a anotar que as teorias excêntricas e sistemáticas ditadas por Espíritos pseudo-sábios, são sempre circunscritas num círculo estreito e individual, e é por isso que nenhuma prevaleceu; é também porque não podem ter senão uma existência efêmera que se apaga como uma pálida luz diante da claridade do dia.

Quanto a esta última comunicação, seria supérfluo fazer ressaltar dela a alta importância como fundo e como forma.
Ela pode se resumir assim:

A vida do Espírito, considerada do ponto de vista do progresso, apresenta três períodos principais, a saber:
1- O período material, onde a influência da matéria domina a do Espírito; é o estado dos homens dados às paixões brutais e carnais, à sensualidade; cujas aspirações são exclusivamente terrestres, que são apegados aos bens temporais, ou refratários às idéias espiritualistas.

2- O período de equilíbrio; aquele em que as influências da matéria e do Espírito se exercem simultaneamente; onde o homem, embora submetido às necessidades materiais, pressente e compreende o estado espiritual; onde ele trabalha para sair do estado corpóreo.
Nesses dois períodos o Espírito está submetido à reencarnação, que se cumpre nos mundos inferiores e medianos.

3- O período espiritual, aquele em que o Espírito, tendo dominado completamente a matéria, não tem mais necessidade da encarnação nem do trabalho material, seu trabalho é todo espiritual; é o estado dos Espíritos nos mundos superiores.

A facilidade com a qual certas pessoas aceitam as idéias espíritas, das quais parecem ter a intuição, indica que pertencem ao segundo período; mas entre estas e as outras há uma multidão de graus que o Espírito atravessa tanto mais rapidamente quanto mais próximo estiver do período espiritual; é assim que, de um mundo material como a Terra, ele pode ir habitar um mundo superior, como Júpiter, por exemplo, se seu adiantamento moral e espiritual for suficiente para dispensá-lo de passar pelos graus intermediários.

Depende, pois, do homem deixar a Terra sem retorno, como mundo de expiação e de prova para ele, ou não retornar a ela senão em missão.





REVISTA ESPÍRITA Jornal de Estudos Psicológicos (fevereiro de 1864)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

ONU, IRÃ, BRASIL





Tags: brasil, categoria, conselho de segurança, diplomacia, fiasco, irã, isolamento, lula, onu, presidente, vitória de pirro

ONU, IRÃ, BRASIL
A aprovação das sanções contra o Irã já eram esperadas por todos há muito tempo. Com “todos” quero me referir a todos os países dotados de pessoas sérias em suas administrações. Para as Repúblicas das Bananas de plantão, havia uma esperança de que as sanções não fossem aprovadas pois eram contra a vontade do “Grande Líder”.

Em mais uma demonstração de uma abordagem diplomática equivocada, o Brasil encampou as esperanças do Irã e defendeu com unhas e dentes o direito da nação persa de mentir descaradamente. Se você é um “lulista”; sinto dizer que apesar de seus estertores e do que toda a propaganda governamental se esforça para fazer você acreditar; o Brasil está isolado internacionalmente e agora passa a ser extremamente mal visto na área dos grandes interesses internacionais.

Para que o leitor entenda a gravidade do equívoco estratégico a que se resume o desastre diplomático brasileiro, um dos representantes estrangeiros no Conselho de Segurança da ONU soltou a grande frase sobre nossas aspirações megalomaníacas: “Se o Brasil quer ser levado a sério internacionalmente e no Conselho de Segurança; deve começar a defender os países que seguem as regras e as leis internacionais e não os que as violam e tentam contorná-las”.

Essa declaração não contém, apenas a síntese do fiasco do apoio ao Irã. Ela encerra uma mostra das ações equivocadas que nossa diplomacia adotou na Era Lula. O Brasil apoiou ditadores africanos, absteve-se na votação de sanções a radicais árabes, apoiou um intolerante egípcio (que declarou queimar livros contrários ao Islã) para a chefia da UNESCO (em detrimento de um brasileiro), declarou a China como economia de mercado em troca de apoio chinês (que não veio) para ocupar uma cadeira definitiva no conselho, apoiou o radicalismo em Honduras (também foi isolado e humilhado diplomaticamente) e outros desastres dos quais não me lembro agora.

Continua aqui

http://www.visaopanoramica.com/2010/06/10/onu-ir-brasil-e-a-verdadeira-vitria-da-categoria-de-pirro/

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O Que é Água Fluidificada?


O Que é Água Fluidificada?



Água Fluida plágio da água benta?
Questão aberta por mim, na comunidade ESTUDO ESPIRITA > ORKUT


O maravilhoso poder da água benta
Fazer devotamente o sinal-da-cruz com água benta traz incontáveis benefícios para o corpo e para a alma: afugenta os demônios, obtém o perdão dos pecados veniais, pode livrar-nos de acidentes e até curar doenças.
Seu efeito mais importante é afastar o demônio. Este "ronda em torno de nós como o leão que ruge", procurando fazer- nos toda espécie de mal, como nos adverte São Pedro (I Ped 5,8). Os espíritos malignos, cujas misteriosas e sinistras operações afetam às vezes até as atividades físicas do homem, querem, antes de tudo, induzir-nos ao pecado grave, que conduz ao inferno.
Fonte: (Revista Arautos do Evangelho, Junho/2006, n. 30, p. 32 e 33)


Ação da água fluidificada no organismo.
A água fluidificada, portanto, é uma água magnetizada, principalmente, pelos Espíritos, contendo, assim, alterações ocasionadas pelos fluidos salutares ali colocados e direcionados para o equilíbrio de alguma enfermidade física ou espiritual.
Para cada paciente o fluido medicamentoso será específico não só para a sua enfermidade física, mas também para as necessidades espirituais de cada um.
Deve ser usada como um medicamento. Manda o bom senso que não se utilize remédios sem necessidade, portanto, da mesma maneira, só deve usar a água fluidificada quem de fato estiver necessitando dela. Tudo em excesso faz mal, não é mesmo. Fonte: Mediunidade Sem Preconceito. Autor: Edvaldo Kulcheski

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Vc concorda que é mais, uma questão de fé cega, do que verdade comprovada?

Caso contrário porque cargas dágua a benta seria menos eficaz que a fluida?


Efeito PLACEBO em minha opinião!
lє๏ภคภ๔๏ мєภcยภy
Francisco
Não, penso que não. Acho que há, sim, pessoas que encaram a água fluidificada como uma espécie de água benta; Penso, também, que há aqueles que 'sofrem' o efeito placebo (até porque não é a técnica que se configura um PLACEBO e, sim, a crença da pessoa em sua eficácia) e há, também, situações em que, de fato, ocorre uma melhora através da magnetização.

Eu raramente 'vi' pessoas que entendessem a 'água fluidificada' como um tipo de remédio. Eu percebo que muitas pessoas vêem como uma espécie de bem-estar físico/espiritual. Como se algo realmente fosse 'passado' para elas.


No entanto, eu concordo que a questão do passe precisa ser melhor compreendida para que não se torne uma benzição e não se tome a água fluidificada como uma água benta.

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LEO
Exatamente isso e podemos ir mais longe questionando.
Em primeiro lugar, quem pode aplicar o passe “curativo” e fluidificar a água?

Manuel
Ao que me parece, está sendo colocada num segundo plano a questão da "FÉ".
Esse é o fator mais importante nesses casos, e Jesus chamou-nos a atenção muitas vezes para isso: "Tua fé te curou!", "Tua fé te salvou!"... Além disso, conta também o "MERECIMENTO". Nesses dois elementos reside todo o poder da cura.
Os Espíritos estão por toda a parte, na igreja, como no centro espírita; nas ruas, como em nosso lar. Então, eles podem sempre agir no sentido de nos beneficiar, quando tenha chegado o momento de recebermos um tal benefício...
A água, seja "benta", seja "fluidificada", é só um veículo para a transmissão da substância fluídica que venha de encontro à nossa necessidade física.
Imaginemos uma pessoa de bem, virtuosa, mas simples, de modestas luzes, e que aja com a vontade firme de auxiliar o irmão que a procura confiando na sua cura. Os Espíritos que estão com esse irmão para ajudá-lo nesse processo, utilizarão as energias benfazejas dessa médium ou "benzedeira" (que no mais das vezes não sabe que é médium), para promover o reequilíbrio físico do assistido.
Todavia, há sempre um componente moral nessa questão e do qual o próprio 'doente' deve dar conta, mudando o seu comportamento, para trabalhar na cura definitiva do seu problema, caso contrário, os efeitos do benefício momentâneo passarão e o mal ressurgirá, algumas vezes até com mais intensidade...


Francisco
Ao que me parece, está sendo colocada num segundo plano a questão da "FÉ".
Parece mas não é.
O que estou tentando questionar é exatamente esta fé duvidosa.
Esta fé que não questiona, não se submete ao crivo da razão que nos guia por caminhos obscuros e carece absolutamente de qualquer tipo de evidência física racional.
Ai se configura a fé cega.
E não a fé espírita que pode encarar a razão face a face.
Por isso eu disse que para mim é efeito placebo.
É lógico que existe a água fluidificada, mas, é ai é que esta o cerne da doutrina?
Tomar passe e o remedinho como afirmam alguns?
Aqui na sociedade usamos aqueles copinhos plasticos o mesmo plastico que vai detonar a natureza.


RUI
Ação magnética curadora - OLM
131. Esta teoria nos fornece a solução de um fato bem conhecido em magnetismo, mas inexplicado até hoje: o da mudança das propriedades da água, por obra da vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outro Espírito. Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético que, como atrás dissemos, e a substância que mais se aproxima da matéria cósmica, ou elemento universal. Ora, desde que ele pode operar uma modificação nas propriedades da água, pode também produzir um fenômeno análogo com os fluidos do organismo, donde o efeito curativo da ação magnética, convenientemente dirigida.

Sabe-se que papel capital desempenha a vontade em todos os fenômenos do magnetismo. Porém, como se há de explicar a ação material de tão sutil agente? A vontade não é um ser, uma substância qualquer; não é, sequer, uma propriedade da matéria mais etérea que exista. A vontade é atributo essencial do Espírito, isto é, do ser pensante. Com o auxílio dessa alavanca, ele atua sobre a matéria elementar e, por uma ação consecutiva, reage sobre seus compostos, cujas propriedades íntimas vêm assim a ficar transformadas.


Tanto quanto do Espírito errante, a vontade é igualmente atributo do Espírito encarnado; daí o poder do magnetizador, poder que se sabe estar na razão direta da força de vontade. Podendo o Espírito encarnado atuar sobre a matéria elementar, pode do mesmo modo mudar-lhe as propriedades, dentro de certos limites. Assim se explica a faculdade de cura pelo contacto e pela imposição das mãos, faculdade que algumas pessoas possuem em grau mais ou menos elevado. (Veja-se, no capítulo dos Médiuns, o parágrafo referente aos Médiuns curadores. Veja-se também a Revue Spirite, de julho de 1859, págs. 184 e 189: O zuavo de Magenta; Um oficial do exército da Itália.)


Francisco
RUI
Perfeito!!!
Tu sabe, eu sei e mais alguns poucos que frequentam a sociedade e realmente estundam a doutrina.
Entretanto temos uma enorme massa que vem e vai das reuniões espíritas, tomando passe e água fluida exatamente como os católicos tomam comunhão ou se benzem na pia com água benta. .
Fazem quase como obrigação e há, inclusive, os que dizem que se forem ao Centro e não tomarem o passe, não sairão de lá bem e harmonizados.
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Ou dizem que para é preciso frequentar um centro espirita tomar passe para nosso equilibrio.
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Ou seja não é o bom uso de nosso livre arbitrio e nossas atitudes morais que equilibram a pessoa e sim o passe e a água fluida.

O que fica escancarado com isso?
"Que o Espiritismo esta transformando-se numa seita, calcada na repetição irrefletida de máximas e posturas que acabam tornando-se sacramentos, ritos ou, até, dogmas."
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E o estudo é sufocado pelo imediatismo do atendimento fraterno, do discurso que realça a caridade em 1ºlugar, mas, será mesmo caridade não esclarecer as pessoas?


lє๏ภคภ๔๏ мєภcยภy
Entendo que seja preciso separar a mediunidade curadora da simples faculdade de magnetizar, que é a referência que o RUI trouxe.
E, por fim, seria preciso conhecer a história do passe para entendermos de onde esta prática veio. Se se trata, mesmo, de uma transformação ritualística católica em uma "terapêutica" espírita. (eu sinceramente não sei).
Mas, não creio numa única resposta simples:
"Água Fluida plágio da água benta?"
Sim. Não. Talvez.
Acho estas três respostas cabíveis dentro de contextos específicos, em situações específica e para pessoas específicas.


Francisco
Eu tenho para mim que esse negócio de água fluidificada é a versão "espiritólica” da água benta!
O que seria "fluidificar" água?
Hoje, a conceituação mudou, porque, de fato, se considerarmos _ como o é - fluido uma fase material não sólida, não podemos incluir nela aquilo que não seja fase material e considerar como sendo fluido।
É o caso da energia elétrica que, na época de Kardec, se chamava de fluido elétrico, embora não o fosse; ou seja, não pertencia à fase material das substâncias não sólidas।

A verdade é que o espiritismo não pode transformar-se numa seita, calcada na repetição irrefletida de máximas e posturas que acabam tornando-se sacramentos, ritos ou, até, dogmas.

sábado, 5 de junho de 2010

A fatalidade e os pressentimentos



Revista Espírita, março de 1858

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A fatalidade e os pressentimentos

INSTRUÇÕES DADAS POR SÃO LUÍS
Um dos nossos correspondentes nos escreveu o que segue:
"No mês de setembro último, uma embarcação leve, fazendo a travessia de Dunkerque à Ostende, foi surpreendida por um tempo agitado e pela noite; o barquinho soçobra, e das oito pessoas que o tripulavam, quatro perecem; as outras quatro, entre as quais me encontrava, conseguiram se manter sobre a quilha. Permanecemos toda a noite nessa horrível posição, sem outra perspectiva do que a morte, que nos parecia inevitável e da qual experimentamos todas as angústias. Ao amanhecer, tendo o vento nos levado à costa, pudemos ganhar a terra a nado.

"Por que nesse perigo, igual para todos, só quatro pessoas sucumbiram? Anotai que, por minha parte, é a sexta ou sétima vez que escapo de um perigo tão iminente, e quase nas mesmas circunstâncias. Sou verdadeiramente levado a crer que mão invisível me protege.
Que fiz para isso? Não sei muito; sou sem importância e sem utilidade neste mundo, e não me gabo de valer mais do que os outros; longe disso: havia, entre as vítimas do acidente, um digno eclesiástico, modelo de virtudes evangélicas, e uma venerável irmã de São Vicentede Paulo, que iam cumprir uma santa missão de caridade cristã.

A fatalidade me parece ter um grande papel no meu destino.
Os Espíritos, nela não estariam para alguma coisa?
Seria possível ter, por eles, uma explicação a esse respeito, perguntando-lhes, por exemplo, se são eles que provocam ou afastam os perigos que nos ameaçam?-" Conforme o desejo de nosso correspondente, dirigimos as perguntas seguintes ao Espírito de São Luís que gosta de se comunicar conosco todas as vezes que há uma instrução útil para dar.

1. Quando um perigo iminente ameaça alguém, é um Espírito que dirige o perigo, e quando dele escapa, é um outro Espírito que o afasta?

Resp. Quando um Espírito se encarna, escolhe uma prova; escolhendo-a se faz uma espécie de destino, que não pode mais conjurar, uma vez que a ele está submetido; falo de provas físicas. Conservando o Espírito no seu livre arbítrio, sobre o bem e o mal, é sempre o senhor para suportar ou repelir a prova; um bom Espírito, vendo-o enfraquecer, pode vir em sua ajuda, mas não pode influir, sobre ele, de maneira a dominar a sua vontade. Um Espírito mau, quer dizer, inferior, mostrando-lhe, exagerando-lhe um perigo físico, pode abalá-lo e amedrontá-lo, mas, a vontade do Espírito encarnado não fica menos livre de todo entrave.

2. Quando um homem está no ponto de perecer por acidente, me parece que o livre arbítrio nisso não vale nada. Pergunto, pois, se é um mau Espírito que provoca esse acidente, que dele é, de algum modo, o agente; e, no caso em que se livra do perigo, se um bom Espírito veio em sua ajuda.

Resp. O bom Espírito ou o mau Espírito não pode senão sugerir bons ou maus pensamentos, segundo a sua natureza. O acidente está marcado no destino do homem. Quando a tua vida é posta em perigo, trata-se de uma advertência que tu mesmo a desejaste, a fim de te desviares do mal e de te tomares melhor. Quando tu escapas desse perigo, ainda sob ainfluência do perigo que correste, pensas mais ou menos fortemente, segundo a ação mais ou menos forte dos bons Espíritos, em te tomares melhor. O mau Espírito sobrevindo (digo mau subentendendo que o mal ainda está nele), pensas que escaparás do mesmo modo de outros perigos e deixas, de novo, tuas paixões se desencadearem.

3. A fatalidade que parece presidir aos destinos materiais de nossas vidas seria, pois, ainda o efeito do nosso livre arbítrio?

Resp. Tu mesmo escolheste tua prova: quanto mais ela é rude, melhor tu a suportes, mais tu te elevas. Aqueles que passam sua vida em abundância e na felicidade humana, são Espíritos frouxos que permanecem estacionários. Assim, o número dos infortunados sobrepuja em muito o dos felizes desse mundo, tendo em vista que os Espíritos procuram, em maior parte, a prova que lhes será a mais frutífera. Eles vêem muito bem a futilidade de vossas grandezas e de vossas alegrias. Aliás, a vida mais feliz é sempre agitada, sempre perturbada, não seria isso senão pela ausência da dor.

4. Compreendemos perfeitamente essa doutrina, mas isso não nos explica se certos Espíritos têm uma ação direta sobre a causa material do acidente. Suponhamos que no momento em que um homem passa sobre uma ponte, essa ponte se desmorona. Que impeliu o homem a passar nessa ponte?

Resp. Quando um homem passa sobre uma ponte que deve se romper, não é um Espírito que
o conduz a passar nessa ponte, é o instinto do seu destino que para lá o leva.

5. O que fez desmoronar a ponte?

Resp. As circunstâncias naturais. A matéria tem nelas suas causas de destruição. No caso do qual se trata o Espírito, tendo necessidade de recorrer a um elemento estranho à sua natureza para mover as forcas naturais, recorrerá antes à intuição espiritual. Assim tal ponte adiante se rompe, a água tendo desconjuntado as pedras que a compõe, a ferrugem tendo corroído a corrente que a suspenda, o Espírito, digo eu, ensinará antes ao homem para que passe por essa ponte do que fazer romper uma outra sob seus passos. Aliás, tendes uma prova material do que eu adianto: qualquer acidente que chegue sempre naturalmente, quer dizer, de causas que se ligam umas as outras, e se conduzem insensivelmente.

6. Tomemos um outro caso no qual a destruição da matéria não seja a causa do acidente.
Um homem mal intencionado atira sobre mim, a bala me roça, não me atinge। Um Espírito benevolente pode tê-la desviado?

Resp. Não.

7. Os Espíritos podem nos advertir diretamente de um perigo?

Eis um fato que parece confirmá-lo: uma mulher saía de sua casa e seguia pelo boulevar. Uma voz íntima lhe diz: Vai-te; retorna para tua casa. Ela hesita. A mesma voz se faz ouvir várias vezes; então, ela volta sobre seus passos; mas, reconsiderando-se, ela se diz: que vou fazer em minha casa? Dela saí; é sem dúvida um efeito de minha imaginação. Então, ela continua o seu caminho.
A alguns passos dali, uma viga que se soltou de uma casa, atinge-lhe a cabeça e a derruba inconsciente. Qual era essa voz? Não foi um pressentimento do que ia acontecer a essa mulher?

Resp. A do instinto; aliás, nenhum pressentimento tem tais caracteres: sempre são vagos.

8. Que entendeis pela voz do instinto?
Resp. Entendo que o Espírito, antes de se encarnar, tem conhecimento de todas as fases de sua existência; quando estas têm um caráter saliente, delas conserva uma espécie de impressão no foro íntimo, e essa impressão, despertando quando o momento se aproxima, torna-se pressentimento.

Nota. As explicações acima reportam-se à fatalidade dos acontecimentos materiais. A fatalidade morai está tratada, de modo completo, em O Livro dos Espíritos.

A História do Café da Manhã