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sexta-feira, 4 de junho de 2010

ESPIRITISMO (O que é a CEPA?)




ESPIRITISMO (O que é a CEPA?)

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• O que é a CEPA?
• Um pouco de sua história.
• As dificuldades e os avanços de seu relacionamento com os espíritas
religiosos do Brasil e de outras partes do mundo.
• A questão da atualização do espiritismo.
• Por que a CEPA não considera o espiritismo uma religião?
• Por que diz que o espiritismo não é cristão?


Entrevista
Cynthya – Este veículo da Internet, um grupo de discussão patrocinado pela CEPA, tem atraído espíritas de diferentes regiões do mundo, e especialmente do Brasil, que pouco ou nada conhecem da história e do pensamento da Confederação Espírita Pan-Americana. Eles perguntam resumidamente o que é a CEPA, qual sua história e quais seus objetivos e, muito particularmente, qual a relação histórica da CEPA com o movimento espírita brasileiro, já que só há muito pouco tempo passaram a ouvir falar nela, dentro do movimento espírita do Brasil.
Você poderia, Milton, lhes esclarecer brevemente sobre esses pontos?

Milton – Bem, a CEPA, Confederação Espírita Pan-Americana, foi fundada em 1946, em Buenos Aires, Argentina, com o objetivo de congregar o movimento espírita da América, que não tinha nenhum organismo pan-americano, com essa dimensão. Nessa época, o Brasil já contava com um movimento espírita forte, sob a coordenação da Federação Espírita Brasileira, fundada ainda nos finais do Século 19. Mas, a FEB nunca participou formalmente da CEPA, pois sempre sustentou uma visão marcadamente religiosa de espiritismo, não inteiramente coincidente com a visão científica, filosófica, sociológica, inspiradora de uma moral laica e livre-pensadora que caracterizou a CEPA desde sua fundação.

A ausência formal da FEB junto à CEPA, entretanto, não significou a ausência do Brasil na CEPA. Desde seu Congresso de fundação, intelectuais espíritas contribuíram eficazmente na formação e na trajetória da CEPA, especialmente através de uma instituição que hoje não mais existe no Brasil, que foi a Liga Espírita do Brasil. E foi exatamente no Rio de Janeiro, promovido pela Liga Espírita do Brasil, que se realizou o II Congresso Espírita Pan-Americano em 1949.

Dele participaram personalidades como Aurino Barbosa Souto, Deolindo Amorim (que foi o Secretário Geral do Congresso), Artur Lins de Vasconcellos, Carlos Imbassahy, Lauro Sales, Francisco Klörs Werneck, Campos Vegal, Leopoldo Machado e Delfino Ferreira. Este último foi eleito Presidente da CEPA no Congresso do Rio de Janeiro.

Uma das conclusões desse Congresso versou exatamente sobre a "questão religiosa", e se expressou nestes termos: "Considerando que a religião é matéria de foro íntimo, não podendo, portanto, ser determinada por normas e regras humanas; considerando que ainda não existe unanimidade quanto à maneira de interpretar o Espiritismo frente ao problema religioso, o Congresso não estabelece normas a respeito e resolve dar plena liberdade nesse sentido, afirmando, entretanto, os aspectos científico e filosófico do Espiritismo, segundo a codificação de Allan Kardec, tendo por base moral os ensinos de Jesus...".

Cynthya– Essa posição bastante plural e abrangente, ao que parece, já dissentia do posicionamento da FEB, que, a essa altura, já tinha como princípio firmemente estabelecido o chamado tríplice aspecto do espiritismo: ciência, filosofia e religião, com forte predominância desse último aspecto. Não é isso?

Milton – É verdade. Por isso, e especialmente, pela convicção assumida pela FEB, presente no livro "Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho", de que o Brasil teria essa "missão divina" de conduzir e coordenar o movimento espírita mundial, a FEB historicamente sempre manteve um distanciamento da CEPA. Em seguida, o chamado "Pacto Áureo" (um grande movimento de unificação do movimento espírita, comandado pela FEB, e que, casualmente, foi assinado aproveitando-se a presença de lideranças espíritas no Congresso da CEPA no Rio de Janeiro, em 1949) terminou por decretar o fim da Liga Espírita Brasileira que, no processo de unificação resultou enfraquecida. Desaparecida a Liga, a CEPA restou sem base no Brasil. Apesar disso, daí por diante, a CEPA sempre buscou um relacionamento fraterno com a FEB, convidando sistematicamente seus dirigentes, que se faziam presentes à maioria dos Congressos Espíritas Pan-Americanos promovidos pela CEPA.

Cynthya– Mas, houve um esfriamento dessas relações a partir de um
determinado momento. Quando?

Milton – Bem, no início da década de 90, sob o impulso da FEB, criou- se o Conselho Espírita Internacional – CEI – que pretendeu, seguindo uma clara inspiração evangélica de nítida feição febeana, coordenar e unificar o movimento espírita internacional. A partir desse momento, explicitamente, a FEB passou a mostrar seu desagrado com a presença da CEPA no movimento. Essa situação teve seu ápice em 1994, quando a CEPA promoveu algumas ações visando concretamente criar uma base mais forte no Brasil.
Presidia então a CEPA o venezuelano Jon Aizpúrua que enviou uma circular ao movimento espírita brasileiro (que, a essa altura, muito pouco conhecia da CEPA) clarificando as posições doutrinárias, nitidamente kardecistas e livre-pensadoras da Confederação e convidando os espíritas brasileiros e suas instituições que concordassem com essas suas históricas posições a ingressassem na CEPA como instituições adesas, filiadas ou que, pessoalmente, os espíritas com essa visão se associassem à CEPA.
A FEB reagiu indignada a essa manifestação da CEPA. Em editorial publicado no Reformador de setembro de 1994 qualificou a circular da CEPA como uma tentativa de "divisão do Movimento Espírita brasileiro", representando "intervenção indevida, indigna das práticas doutrinárias, que fere os princípios éticos mais elementares de união e de fraternidade".

Cynthya– Intervenção? Divisão? Mas, sendo a CEPA um organismo pan- americano, criado com o fim específico de congregar o movimento espírita das Américas, não estaria no seu legítimo direito e até na obrigação estatutária de buscar a adesão formal de instituições espíritas em todo o Continente?

Milton - A FEB deixou claro que não via legitimidade da CEPA em atuar no Brasil, como a dizer que aqui era seu território exclusivo. Depois, em editorial ainda mais incisivo, publicado no Reformador de novembro de 1994, com o título de "O trigo e o joio" (o trigo seriam os "espíritas cristãos" e o joio os demais), assim se expressou: "Ainda há pouco o Movimento Espírita brasileiro experimentou injustificável agressão, partida de instituição que pretende liderar o movimento espírita nas Américas, mas que age de forma antiética e autoritária na defesa de interpretação restitiva da Doutrina".

Ora, é evidente que, com essas manifestações, as relações entre a CEPA e a FEB se tornaram muito delicadas. Nesse ponto, já diversas instituições espíritas estavam aderindo formalmente à CEPA e aqui se realizaria o Congresso de 2.000, em Porto Alegre, onde tive a honra de ser eleito presidente.
Com alguns meses de antecedência, o presidente da Comissão Organizadora do Congresso, Salomão Jacob Benchaya, enviou atenciosa carta ao presidente da FEB convidando-o para aquele conclave, que teria como tema central "Deve o Espiritismo Atualizar-se?". Seu presidente de então, Juvanir Borges de Sousa, respondeu a carta, agradecendo o convite, mas dizendo que a FEB não compareceria a um congresso que pretendia atualizar o Espiritismo, tarefa para a qual só teriam legitimidade, no entendimento da FEB, os "Espíritos Superiores".

Na mesma oportunidade, a Federação Espírita do Rio Grande do Sul, também convidada, reagiu ao convite com uma circular ao movimento espírita do Rio Grande do Sul recomendando que não comparecessem ao congresso.

Cynthya – Vê-se, então, que, pelo menos dois pontos ficam bem claros relativamente a divergências doutrinárias entre a FEB, e com ela o movimento espírita evangelico do Brasil, e a CEPA: 1º, a CEPA não considera o Espiritismo uma religião, diferentemente da FEB para quem o Espiritismo tem fundamentalmente um caráter religioso; 2º, a idéia da atualização, defendida pela CEPA em seus últimos eventos (Porto Alegre e São Paulo), também é rejeitado pela FEB . É isso?

Milton – Ocorre que para nós, da CEPA, não parece que essas questões sejam tão fundamentais assim que não possam ser objeto de discussão e muito menos que justifiquem a divisão dos espíritas. Veja bem, na questão de religião, Kardec foi muito claro ao explicitar que "o verdadeiro caráter do Espiritismo é de uma ciência e não de uma religião".
No seu famoso Discurso de Abertura, pronunciado no dia 1º de novembro de 1868, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Kardec admitiu que o "o Espiritismo é uma religião no sentido filosófico", para, adiante, fazer ele próprio a seguinte indagação: "Por que, então, afirmamos que o Espiritismo não é uma religião?". Seguem-se, então, argumentos muito fortes, mediante os quais Kardec enfatiza que não convém que o Espiritismo se declare uma religião.

Discorre longamente sobre o que o povo entende por religião, que não consegue dissociar de cultos, de sacerdócio organizado, de sistemas fechados de crença, coisas que o Espiritismo não tem e não é. Então, por uma questão de estratégia, e por fidelidade ao seu objeto de estudo, que se afasta do mundo fechado do fideísmo, para se inserir no campo aberto da ciência, da filosofia e da ética, Kardec recomendou que não tratássemos do Espiritismo como uma religião. Ele próprio, quando o Padre Chesnel qualificou o espiritismo como uma nova religião, protestou veemententemente dizendo ao abade que era ele, o padre, quem estava jogando o espiritismo num novo caminho, que sequer fora pensado antes pelo espiritismo.
Diante de tudo isso, a CEPA tem essa posição histórica, que é genuinamente kardecista, o que não afasta o espiritismo da moral de Jesus, reconhecido como modelo e guia da humanidade.
Mesmo assim, temos um respeito muito grande por pensadores espíritas, especialmente brasileiros, que consideram o espiritismo uma religião, mas que têm de religião um conceito filosófico, não sectário, que não diviniza Jesus e nem o coloca na posição de mito, meio deus e meio homem, como o fazem os roustainguistas. Esse conceito superior de religião é bem compreendido pela CEPA, mesmo que defenda o caráter laico do pensamento espírita, que consideramos espiritualista e não religioso. Mas, esses são detalhes conceituais, semânticos, que não chegam a ser fundamentais, embora institucionais. Atendem a uma necessidade de precisão terminológica, firmemente recomendada por Kardec.
Não são questões, porém, que nos devem separar dos outros espíritas, que têm visão diferente da nossa, mas que guardam as mesmas convicções nos pontos essenciais da doutrina espírita: existência de Deus, como inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas; imortalidade e comunicabilidade dos espíritos; pluralidade dos mundos habitados; pluralidade de vidas; lei de causa e efeito; conseqüências morais e éticas derivadas desses conhecimentos.

De nossa parte, não há nenhum impecilho ao bom relacionamento com todas as correntes espíritas, ao trabalho conjunto, respeitando o pluralismo de idéias e guardando a união e a unidade em torno do essencial. Kardec mesmo previu que o espiritismo teria essas nuanças diferenciadas, que lhe dariam perfis diversos, em diferentes partes do mundo, preservando-se a unidade em torno dos princípios basilares que, naquele mesmo discurso (Revista Espírita, dezembro 1868), ele sintetizaria no que chamou de "credo espírita".

Cynthya– E a questão da atualização do Espiritismo, bandeira ultimamente desfraldada pela CEPA que, também, gerou incompreensões e críticas de parte do movimento espírita chamado religioso ou evengélico?

Milton – Também aqui, estamos diante de um procedimento tipicamente kardeciano, expresso claramente por Kardec quando afirmou: "Marchando passo a passo com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado por ele, pois se novas descobertas lhe demonstrassem que estava errado sobre um certo ponto, ele se modificaria nesse ponto, e se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará" (A Genese).
A CEPA, desde seus primódios, também levantou a bandeira da atualização permanente. O artigo 4º do Estatuto da CEPA, que trata de seus objetivos, proclama como um deles (letra b): "Pretender a revisão periódica da doutrina, para adaptar seus postulados científicos, filosóficos e morais às exigências do momento e definir sua posição com respeito às distintas correntes do pensamento moderno, de acordo com seu caráter fundamentalmente evolucionista".

Então essa é uma vocação que se fez expressa e que se tornou programa de ação da CEPA desde seu nascimento. Nos últimos eventos da CEPA, especialmente no Congresso de 2.000 em Porto Alegre (Tema: "Deve o Espiritismo Atualizar-se?") e na Conferência de São Paulo de 2002 (Tema: "Atualizar para Permanecer"), se deu ênfase a esse caráter progressista do espiritismo, com dezenas de trabalhos que vincularam os postulados básicos espíritas a temas epistemológicos, de linguagem, de atualização científica, etc. Esse é um trabalho permanente na CEPA e que, evidentemente, não queremos que fique restrito ao âmbito da CEPA mas para o qual contamos com o apoio, a participação e a interlocução com todos os segmentos do pensamento espírita.

Cynthya– Essa parece ser uma característica muito forte da CEPA: a disposição de interlocução com as mais amplas áreas do pensamento e do movimento espírita. É uma instituição que expressa muita clareza no seu pensamento, mas que, ao mesmo tempo, se abre ao diálogo, ao pluralismo, à alteridade. É difícil manter essa política?

Milton – Não tem sido realmente muito fácil. E, no entanto, ela é sincera e muito honesta. Parte de um sentimento de muito respeito que temos por todos os segmentos do pensamento e da organização espírita. As dificuldades que acima relatamos de relacionamento com a FEB ou com outras federativas no Brasil e nos demais países da América, por exemplo, jamais partem de nós. Como não poderia deixar de ser, temos um respeito muito grande pela FEB e por todo o movimento espírita que ela coordena e lidera, não apenas no Brasil mas em todo o mundo. Sem a ação da FEB, o espiritismo não teria o significado que tem entre nós.
Não seria a expressão que é. Mas, temos uma visão diferente de alguns aspectos conceptuais e organizacionais. Diferentemente do temor às vezes expresso pelos segmentos evangélicos do espiritismo, não estamos em busca de poder. A CEPA, hoje, mais do que nunca, não se comporta como uma "confederação", em busca de adesões de federações e centros espíritas.
É, claramente, hoje, um movimento de idéias. O momento que vivemos, pensamos nós, não se compatibiliza mais com os ideais do início do século passado, onde, no movimento espírita, a palavra de ordem era "unificação". O espiritismo constituia, então, um movimento incipiente, com enorme influência religiosa, católica, e tendente a um sincretismo afro-cristão.
Eram necessárias instituições de caráter bastante normatizador, com propósitos básicos de orientação. Hoje, o espiritismo, no Brasil e na América, é um respeitável repositório de conhecimento, onde estão pensadores, intelectuais, estudiosos das mais diferentes áreas do conhecimento, conectando esses conhecimentos aos pressupostos espíritas.
Há centenas de instituições amadurecidas pelo estudo, pela pesquisa, que não cabem mais nesse modelo de subordinação a uma orientação central. Por isso, a CEPA não orienta, congrega. Estimula o estudo, a pesquisa. Promove eventos culturais: congressos, conferências, simpósios, que não são torneios de oratórias de alguns "ungidos", mas fóruns de discussão, de debate, de troca de experiência. E, assim, abandonamos, pouco a pouco, a idéia da unificação, substituindo-a por um forte sentimento de união. A união é corolário do conhecimento.
Da identidade comum, fundada nos princípios básicos que devem formar esse "laço" entre todos os espíritas. Diante disso, uma instituição que adere à CEPA não está subordinada a regramentos de obediência a normas emanadas da CEPA. É um relacionamento que se dá sob o fio condutor da identidade de pensamento. Além do mais, essas instituições podem, simultaneamente, pertencer a outros movimentos federativos. Podem estabelecer os vínculos que quiserem, com as instituições que desejarem. São, enfim, livres. Mas, têm de apresentar esse perfil genuinamente kardecista e livre-pensador.

Cynthya– Em razão desse entendimento é que a CEPA estaria por abrir mão da condição de Confederação paa assumir estatutariamente um outro nome e uma outra formatação institucional?

Milton – Bem, esse é um tema onde estamos buscando construir um consenso dentro da CEPA. O próximo Congresso da CEPA, que se realiza na cidade argentina de Rafaela, de 3 a 7 de setembro de 2004, tem na sua ordem do dia uma grande reforma estatutária. No contexto do que explicitamos acima, há uma proposta de estatuto, oferecida pelo Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (CCEPA), que sugere que a denominação "confederação" seja substituída por um termo menos formal, que poderia ser, por exemplo, "movimento" ou "conselho", mantendo, entretanto, a denominação CEPA (termo que, inclusive, coincide, tanto em português como em espanhol, com o substantivo comum "cepa" relativo à videira, e que foi um símbolo utilizado pelos espíritos para caracterizar o espiritismo, conforme se vê nos prolegômenos de O Livro dos Espíritos").

Uma ampla consulta quefizemos a todas as instituições espíritas, com vistas à reformaestatutária, mostrou uma tendência muito ampla para um modelo organizacional mais leve, liberto de qualquer resquício de autoritarismo e contemplando mesmo essa característica de movimento de idéias, e não mais de um organismo confederativo. Mas, isso será questão a ser definida no Congresso de Rafaela. Permanecendo ou não com a denominação "confederação", o certo é que a CEPA não tem hoje mais a menor preocupação com esse objetivo de unificar o movimento espírita.

Cada vez mais, nos caracterizamos como um movimento qualificado de idéias, progressista, livre-pensador, horizontalizado, democrático, firmemente inspirado em Kardec e com uma preocupação adicional voltada à união fraterna entre todos os espíritas, mesmo que em diversificadas estruturas institucionais. União, no nosso entender, é muito mais importante que unificação. Esta última traz em seu bojo algumas pretensões de poder, de hierarquização, de hegemonia, com as quais a CEPA não tem a menor relação.

Cynthya– Por fim, Milton, há uma outra questão que, parece, assusta um pouco o movimento espírita evangélico, relativamente à CEPA. É que esta estaria procurado desvincular espiritismo de cristianismo. Fala- se que isso contraria algumas afirmaçõs do próprio Kardec. Dá para esclarecer essa divergência. Ou será que é apenas mais uma divergência meramente aparente? Enfim, o que pode haver de verdadeiro nessa afirmação de que "a CEPA quer tirar Jesus do espiritismo"?

Milton – O substantivo "cristianismo" e o adjetivo "cristão", tanto quanto outros termos que Kardec recomendou não se utilizassem, emrazão de sua dubiedade (como é o caso de religião), têm sofrido alterações nos seus signfiicados ao curso da História. Ainda no tempo de Kardec, era muito comum falar-se em "cristianismo" e em "cristão" simplesmente para designar a doutrina "do Cristo" (expressão muito usada por Kardec e os espíritos, para aludirem a Jesus). Por uma marcada influência eclesiástica no meio em que vivia Kardec, a Europa do Século 19, ainda se confundia Jesus, o homem, com Jesus Cristo, produto das crenças e dos dogmas cristãos.
Mas quando Allan Kardec fala em "espiritismo cristão" (expressão usada algumas poucas vezes em sua obra) claramente ele adjetiva o espiritismo para vinculá-lo não ao Jesus das igrejas mas ao pensamento, à moral de Jesus de Nazaré. Com relação a essa questão de fundo, não temos nenhuma objeção a fazer. A moral de Jesus é a própria moral espírita. Entretanto, na questão da forma, está na hora de fazermos reparos a essa expressão, mesmo que Kardec a tenha utilizado (há diversas expressões usadas por Kardec e que hoje estão fora de contexto).
Ao curso do Século 20 e nestes primeiros anos do Século 21, está sendo possível estabelecer a distinção entre estas duas figuras:
a) a de Jesus de Nazaré, o homem, com algumas referências históricas que estão sendo resgatadas, que nasceu da relação carnal de José e Maria, que teve irmãos e que foi um pensador fecundo, um reformador moral, e
b) a de "Jesus Cristo", que é o mito das Igrejas, aquele que "foi concebido sem pecado", filho da Virgem Maria, Deus encarnado, 3ª pessoa da Santíssima Trindade, responsável por alguns dogmas e crenças que foram tecendo essa cultura cristã que hoje já tem 2.000 de existência e que pouco tem a ver com o outro Jesus, o homem de Nazaré.
Com o primeiro personagem, o Jesus histórico, sistematizador de um código de moral que tem validade universal, coincidente com aquilo que o espiritismo chama de "lei natural", e que é divina, mas não religiosa (jamais Kardec identificou a lei natural com as leis religiosas), com esse Jesus, a CEPA concorda. Jamais pensou em retirá-lo do Espiritismo. É uma forte referência moral e ética, especialmente porque o espiritismo surgiu no seio de uma cultura onde os referenciais éticos e morais dos ensinos de Jesus nos são amplamente disponíveis e fazem parte de nosso patrimônio moral, como indivíduos e como comunidade de espíritos.
Mas, com esse Jesus Cristo, o salvador das igrejas cristãs, do cristianismo, tal qual este se tornou conhecido, com este a CEPA não concorda. E, no entanto, esse é que hoje identifica o "cristianismo real". Nas últimas décadas firmou-se muito bem o conceito de "cristão" e de "cristianismo" reais. Esse conceito foi plasmado num amplo acordo entre as igrejas, no contexto de um movimento que se chamou "ecumenismo cristão", onde foi possível estabelecer o vínculo que une os crentes nos chamados dogmas cristãos fundamentais: o da divindade de Jesus, o de sua condição de "único Senhor e Salvador", aquele que com seu "sacrifício", com o seu "derramamento de sangue", possibilitou a "salvação" dos homens que nele cressem e fossem em seu nome batizados. Queiramos ou não, nós, espíritas, é isso que identifica na cultura contemporânea o cristianismo, a condição de cristão.
Ora, evidentemente, o espiritismo está fora disso. E, por isso, não é cristão. É quase uma usurpação a uma cultura de dois mil anos, que foi construída demoradamente até se sedimentar nesses princípios, querermos, nós, que temos uma outra visão de Deus, de mundo e do próprio Jesus, nos declararmos cristãos. Por isso, os cristãos reagem, e com toda a razão, quando um espírita se diz cristão. A reação é a mesma que nós muitas vezes temos, quando um umbandista se declara espírita.

O espiritismo é uma doutrina nova. Nasceu no meio cristão. Como todo o paradigma novo, ele precisou se apoiar no paradigma antigo que ele desejou superar, para poder ser proposto. Mas, nestes 150 anos de existência, já podemos postular uma identidade própria, que não se confunde com o cristianismo, especialmente porque este, também, tomou seu próprio caminho.

Por todas essas razões, diríamos como Kardec disse em relação à religião: não convém que o espiritismo se diga cristão. Isso geraria confusão, ambigüidade, e nós precisamos ser firmes naquilo que diz com a nossa identidade.
Somos espíritas, simplesmente. E não espíritas-cristãos.

FONTE: espiritualidades.com.br/index.htm

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Yeda Crusius e suas realizações


Yeda Crusius e suas realizações

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Onde estão as fitas de denuncias?

sábado, 29 de maio de 2010

O que não é Espiritismo.




O que não é Espiritismo.



RAMATIS
É um Espírito que há muito se infiltrou no movimento espírita brasileiro com a cumplicidade do médium paranaense Hercílio Maes. Juntos, Espírito e médium escreveram várias obras, que deixam muito a desejar quanto a pureza doutrinária. Eis algumas delas: “Fisiologia da Alma”, “O Evangelho à luz do Cosmo”, “Elucidações do Além”, “Magia de Redenção”, “Mediunismo”, “Mediunidade de Cura”, “Missão do Espiritismo” e outras.

Não se pode negar que Ramatis é bastante inteligente e muito sagaz e, portanto, sabe disfarçar seu desconhecimento doutrinário, ou incoerência consciente doutrinária. Logo ganhou adeptos fervorosos e seus livros invadiram o nosso meio. Suas obras não só apresentam senões doutrinários, mas também fortes pitadas de orientalismo, verdadeiros enxertos inconvenientes à Doutrina Espírita. Mas sendo sagaz como é, não deixa de expressar aqui e ali pensamentos razoáveis, com pretensão estudada de confundir o público leigo.

Desde sua estréia no movimento espírita nacional a crítica o tem sob sua mira, mas a coisa ficou feia mesmo foi quando veio à lume “Vida no Planeta Marte”, em que ele foi longe demais e desvelou suas fantasias. A crítica especializada desceu-lhe o porrete, mas nessa altura esse Espírito já tinha feito escola por aqui e até hoje há espíritas (ou melhor, pretensos espíritas) que se arrepiam ante qualquer análise desfavorável à obra ramatisiana. No meu conceito Ramatis é espiritualista, mas não espírita.


J. B. ROUSTAING
Foi destacado advogado da Corte Imperial de Bordeaux, na França. A vaidade doentia estava à flor de sua pele. Após ler “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”, ambos de Allan Kardec, meteu em sua cabeça que com o auxílio dos Espíritos Superiores poderia fazer uma obra superior àquelas duas. Note-se que em matéria espírita ele era calouro. Mesmo assim, não demorara a evocar entidades espirituais para efetivar seu sonho: superar Allan Kardec.

Ele procurou a médium Emilie Collignon, também uma novata na lide da mediunidade e com sua cumplicidade evocou o Espírito João Batista. Imagine! Logo o precursor de Jesus.
Claro, Roustaing não poderia deixar por menos. Se Kardec se relacionava com o Espírito da Verdade, ele pelo menos tinha que ter à disposição um João Batista. Mas como Espírito não carrega carteira de identidade, o vaidoso advogado foi ludibriado, conforme atesta sua obra “Os Quatro Evangelhos”.

Atrás do falso João Batista vieram Moisés e os evangelistas João, Lucas, Marcos e Mateus. Supostamente foram essas figuras do cristianismo nascente que passaram no século XVIII a citada obra a Roustaing, via Collignon.
A obra, além de mistificadora, traz um subtítulo que é verdadeira afronta à Doutrina Espírita: “Revelação da Revelação”. É muita pretensão, pois essa obra não suporta uma simples análise à luz do Espiritismo e não é espírita, pois nem Roustaing, nem a médium, muito menos os espíritos que a escreveram eram espíritas, quando muito eram espiritualistas.

Se a primeira condição de uma obra espírita é ter o “imprimatum” da universalidade, “Os Quatro Evangelhos” é refutado aí, pois foi recebido apenas por uma médium. Quando essa obra chegou às mãos de Allan Kardec, ele elegantemente a refutou, insinuando que era uma obra prolixa, pois disse que em vez de três volumes, o que ali está escrito poderia ter sido enfeixado em dois e até mesmo num volume e o leitor ganharia com este enxugamento. Mais tarde, Kardec ainda lembrou-se dela dizendo que houve precipitação em trazer a lume certos assuntos como o corpo fluídico de Jesus e prometeu desenvolver esse tema com maior profundidade. O que de fato o fez em “A Gênese”. E disse que o tempo se encarregaria de aprovar ou não a obra de Roustaing. Na França, ela não teve qualquer sucesso.

Vindo para o Brasil, porém, encontrou aqui os diretores da FEB, da época, receptivos e generosos. Logo a FEB, que se intitula representante mor do Espiritismo no Brasil, introduziu no movimento espírita brasileiro essa obra que representa por razões óbvias o 1º Cisma do Movimento Espírita. Não só a introduziu, como ao longo dos anos vem lhe dando guarida em detrimento à Codificação Espírita. A obra em questão é espiritualista e a FEB se diz espírita. Não é um contra-senso?

E ainda para a nossa reflexão, faço aqui uma pergunta que já fiz alhures. Se essa obra foi publicada quando ainda o Espiritismo estava para ser concluído, pois Allan Kardec ainda não havia publicado “A Gênese”, com que fechou a Codificação da Doutrina Espírita, por que os espíritos que a ditaram à médium Collignon não a ditaram para o Codificador? Será que esses espíritos já haviam pulado da barca de Jesus? Isto, no mínimo, é muito suspeito!

É bom que se diga que no passado muitos espíritas de renome se diziam roustainguistas. Mas assim que leram a obra de Roustaing calaram-se ou tornaram-se os seus maiores críticos. E alguns até mesmo depois de desencarnados jamais falaram um “o” a favor dela, a não ser dentro da FEB. Será que isso não diz nada?

PIETRO UBALDI
Nasceu na Itália e acabou, graças a alguns mecenas, radicando-se no Brasil. Desenvolveu sua mediunidade à margem dos ditames espíritas. Não sei se ele chegou a estudar as obras kardequianas, se chegou não deve tê-las aceitado integralmente. Kardec nunca lhe foi um paradigma.

Ele sempre quis voar mais alto. Tinha idéias próprias e não iria submeter-se à Codificação Espírita. Mas como o brasileiro é um eterno louvador do que vem de fora, Ubaldi em pouco tempo fez aqui grandes amigos espíritas, alguns destes até muito importantes dentro do nosso meio, o que lhe facilitou o seu percurso no Brasil. Certa vez, em Pedro Leopoldo-MG, chegou mesmo a sentar-se ao lado de Chico Xavier para psicografar uma mensagem.

Sua linguagem mediúnica, porém, nunca teve a simplicidade e a claridade que vemos na linguagem xaveriana. Ficou por aí apresentando seus ensaios filosóficos que nada tinham com o Espiritismo autêntico. Sua preocupação, na verdade, sempre foi a de criar um movimento próprio: o ubaldismo.
Teve ímpeto de explicar a essência de Deus.

Veja só até onde pode chegar um homem incensado. Seu livro de maior alcance foi “A Grande Síntese”. O movimento espírita brasileiro se deslumbrou diante dessa obra. Mas muitos que a leram não a entenderam, apenas louvaram, pois é muito mais fácil louvar do que confessar ignorância.

Depois disso, que eu saiba, não saiu mais nada de fôlego de seu lápis que ganhasse a mesma notoriedade de “A Grande Síntese”. Mas ele só caiu mesmo na malha dos críticos mais exigentes quando se revelou adepto do monismo (o que é isso? O Aurélio é quem explica: monismo é Doutrina Filosófica, segundo a qual o conjunto das coisas pode ser reduzido à unidade, quer do ponto de vista de sua substância, quer do ponto de vista das leis lógicas ou físicas, pelas quais o universo se ordena.

O monismo poderá ser materialista ou espiritualista, lógico e físico). Escorando-se nessa tendência Ubaldi criou uma teoria própria que corre paralela ao Espiritismo que nada tem a ver com este. Ao meu ver Pietro Ubaldi foi um espiritualista, mas não espírita.
EDGARD ARMOND
O Comandante Edgard Armond, como era chamado, foi oficial da Força Pública do Estado de São Paulo, hoje denominada Polícia Militar, chegou à Federação Espírita do Estado de São Paulo em 1939. Nessa época, a FEESP dava seus primeiros passos, já que foi fundada em 1936. Homem inteligente e de palavra fácil, o Comandante Edgar Armond foi pouco a pouco conquistando o seu espaço dentro da Instituição Federativa.

Lembremos que naquele tempo a literatura espírita era escassa. Existiam os livros da Codificação e além deles um ou outro livrinho de produção independente. A promissora obra de Francisco Cândido Xavier, estava ainda nos seus primeiros degraus. Armond logo constatou isso e começou a escrever uns livrinhos mais simples, próprios para os iniciantes à Doutrina Espírita. Eu diria que a inspiração dos cursos de Espiritismo que até hoje estão em pleno vigor na FEESP nasceu das páginas desses livrinhos do Armond. Cursos esses que estão em todos os quadrantes do movimento espírita brasileiro e quiçá do exterior.

O Comandante Armond chegou, então, à Diretoria da FEESP. E como Secretário Geral organizou a “Escola de Médiuns” e a “Escola de Aprendizes do Evangelho”. Hoje estas escolas acolhem mais de cinco mil alunos. E criou também o passe padronizado que tem causado muita polêmica, porque é um ritual muito distante da prática espontânea, intuitiva que fora exemplificada por Jesus.

Sua bibliografia compõe-se de 25 obras. As que fizeram mais sucesso foram “Passes e Irradiações” e “Os Exilados de Capela”. Foi ele também que trouxe para o nosso meio a “Cromoterapia”, que nada tem a ver com a Doutrina Espírita, mas que hoje está espalhada graças um opúsculo escrito por ele e publicado pela Editora Aliança. Devemos a ele também essa enxertia.

Em maio de 1944, o Comandante Armond fundou o jornal “O Semeador”, órgão doutrinário da FEESP. Apoiado por um grupo de amigos fundou ainda a Instituição Espírita “O Lar do Amor Cristão”, em São Paulo e foi um dos signatários da Ata de Fundação da USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Além da Cromoterapia e do passe padronizado que ainda hoje causam discussões no meio espírita e certamente serão questionados pelas gerações espíritas do futuro, devo ainda mencionar que suas obras estão carregadas de conceitos orientalistas, pois ele foi um grande estudioso das principais religiões orientais.

Termos como “chacras” e “carma” e outros de origem oriental foram enxertados por ele no movimento espírita brasileiro.

Há ainda em suas obras um legado místico muito forte que tomou o movimento espírita brasileiro de assalto. Não bastasse o bolor igrejeiro do roustainguismo, o misticismo e o orientalismo do Comandante Armond também trouxeram prejuízos sérios ao movimento espírita brasileiro.

Alegando problemas de saúde, Edgard Armond deixou a FEESP em 1966. E o estrago armondista no movimento espírita brasileiro iria se completar com a criação, por ele próprio, da Aliança Espírita Evangélica que nasceu com vocação um tanto velada, a princípio, federacionista e tornou-se em pouco tempo, em nosso Estado de São Paulo, concorrente da USE e da FEESP.

A Aliança Espírita Evangélica é fortemente mística e orientalista e os centros “espíritas” capitaneados por ela são todos místicos e orientalistas, o que traz ao Espiritismo um dano imensurável. Tudo isso é uma pena, pois a herança do Comandante Armond poderia ter sido bem melhor. Essa minha análise, ainda que superficial, me autoriza a considerá-lo também, espiritualista, mas não espírita.

O que não é Espiritismo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Sociedade nas mãos do dimenor infrator!


A Sociedade nas mãos do dimenor infrator!

“a palmada deseduca”. Esse é o slogan da campanha que o Laboratório de Estudos da Criança (LACRI), da Universidade de São Paulo.
Na verdade a palmada não é ferramenta de educação e sim é o ultimo mecanismo usado para punir a desobediência e a falta de educação.

Palmada em criança vai virar crime. Educação só na base da conversa.
É o que estabelece o Projeto de Lei 2.654/03 da deputada federal Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul, que emenda o Estatuto da Criança e do Adolescente, estando na pauta da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.
Eu acredito que a conversa é o melhor remédio, entretanto, as crianças são pequenos indivíduos cada um com seu próprio caráter.

Em uma mesma família com a mesma criação um filho pode ser um sucesso e outro um viciado em drogas. O que os políticos deveriam era pressionar as emissoras de televisão a oferecerem programas de maior qualidade ao público, principalmente às crianças.

Nas terras do Tio Sam, por exemplo, as crianças têm educação integral e completa desde o maternal, idiomas globalizadores (inglês e espanhol), esportes, artes, culturas, ofícios... Lá, os educadores não têm estabilidade no emprego, não. A educação não é um ‘cabidão’ de emprego.

A comunidade demite o professor (a) incompetente, que tirar zero numa avaliação.

Já viram (celebridades que recebem verbas dos incentivos fiscais) numa comunidade pobre, atuando num campinho de terra batida ao lado de um imenso valão de merda?
O que deveria preocupara classe política e o excesso de violência, sexo e publicidade na programação de TV, é “músicos” como estes se apresentarem no Gugu, superpop e etc..
(ESCUTE TODA LETRA)

Bem o que temos então? Um estatuto que defende o dimenor.
Um projeto para tornar todo o pai que der palmadas em seu filho um criminoso.
E MILHARES DE FATOS COMO ESTE.
(Mesmo na delegacia, adolescentes continuaram a xingar professores Depois de um aluno de 17 anos espancarem o professor na segunda-feira, mais dois casos de polícia foram registrados ontem em escolas públicas de Belo Horizonte.)

Estudo sobre o Menor infrator da OAB-SP, por Flávio Cesar de Toledo Pinheiro
São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, nos termos de dispositivo constitucional (art. 228) e regra de direito penal (art. 27).
O critério é puramente biológico, explicando GUILHERME DE SOUZA NUCCI que “A lei penal criou uma presunção absoluta de que o menor de 18 anos, em face do desenvolvimento mental incompleto, não tem condições de compreender o caráter ilícito do que faz ou capacidade de determinar-se de acordo com esse entendimento” (Código Penal Anotado, art. 27).
Todavia, embora “penalmente inimputáveis”, ficam esses menores sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial.

Essa “legislação especial” está contida no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90), dispondo o seu artigo 121, § 5º que, verificada a prática de ato infracional o Juiz de Menores poderá aplicar ao adolescente (entre 12 e 18 anos de idade) internação em estabelecimento educacional, porém com liberação compulsória aos 21 anos de idade.
Estabeleceu o legislador a idade de 21 anos porque o Código Civil anterior, vigente à época, no seu artigo 9º, dispunha que “aos 21 anos completos acaba a menoridade”.
Sucede que o Novo Código Civil, vigente desde janeiro de 2003, acabou com a menoridade aos 18 anos, nos seguintes termos: “Art. 5º: A menoridade cessa aos dezoito anos completos”.

Isto poderá significar, conforme for o entendimento da autoridade judiciária competente, que o menor infrator poderá ser obrigatoriamente liberado aos 18 anos de idade. Seria uma interpretação aterrorizante que poderá acontecer, embora contra o princípio da especialidade.

Por exemplo, um adolescente com 17 anos, idade onde está o maior índice de delinqüência juvenil, tendo em vista o andamento burocrático do procedimento infracional, estaria compulsoriamente livre aos 18 anos de idade, ou seja, não sofreria punição alguma, mesmo que tenha roubado estuprado, seqüestrado, assassinado.

Estaria permitindo o Novo Código Civil, se assim interpretarem os Juízes competentes, verdadeira licença para matar com a liberação compulsória do menor infrator aos 18 anos de idade. O Código de menores anterior (Lei nº 6.697/79) era mais realista.

Dispunham os parágrafos 3º e 4º do seu artigo 41 que, quando completasse o menor a idade de 21 anos passaria à jurisdição do juízo incumbido das execuções penais. Esse menor seria removido para estabelecimento adequado, onde ficaria internado até a realização de exame de cessação de periculosidade.

Entendia-se, na época (de 1979 a 1990), até a edição do ECA, que a devolução do menor infrator ao seio da sociedade não deveria ser efetuada sem as cautelas de avaliação atinentes à permanência da periculosidade. Entendia-se que perdurando o estado de periculosidade do menor infrator, impunha-se o seu internamento em estabelecimento adequado, em resguarda da segurança social.
Era o pensamento jurídico do Colendo Supremo Tribunal Federal (cf. RT 630/373; RTJ 125/193). Assim, durante onze anos uma lei adequada, firme, realista e dura controlava a situação do menor infrator, tendo em vista os interesses da sociedade e particularmente os do menor infrator.

Com a promulgação da Constituição da República, em 5 de outubro de 1988, se estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República a prevalência dos “direitos humanos” (art. 4º, II) e se firmou como princípio o dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente os direitos fundamentais (art. 227).
Os brasileiros, então, empunharam a bandeira dos “direitos humanos”, mas alguns o fizeram não para lutar pelos direitos elementares de todos à dignidade humana, que constitui o fundamento do Estado democrático, mas sim e lamentavelmente, para restringi-la à determinada categoria de “humanos”, particularmente os criminosos e os menores infratores.

Dessa forma, prevaleceu o desejo de uma determinada parcela de legisladores de alterar o Código de Menores, com o objetivo de libertar o menor infrator aos 21 anos de idade, qualquer que tivesse sido a infração praticada.

O legislador do Estatuto da Criança e do Adolescente então, em 1990, extinguiu a exigência de exames periódicos (Código de Menores anterior, art. 41, § 1º) e permitiu a liberação do menor infrator aos 21 anos de idade, mesmo em situação de extrema periculosidade real.

A nova legislação de menores feriu de morte o entendimento jurídico da época, no sentido de que “a devolução do infrator de lei penal ao seio da sociedade não deve ser efetuada sem as cautelas de avaliação atinentes à permanência da periculosidade” (RHC, Ministro DJACI FALCÃO, julg. 15.3.88, Supremo Tribunal Federal, in RT 630/377).
Nas não será difícil resolver o impasse.
A Constituição da República, no seu artigo 228, reza que o menor deverá ficar sujeito às normas estabelecidas na legislação especial.

A “legislação especial” estabelece o teto de internação aos 21 anos. Assim, bastará, pura e simplesmente, modificar o art. 121, § 5º, do ECA, impondo-se a anterior disciplina de internação, tal como estava no anterior Código de Menores.
É uma questão de “vontade política”, sem necessidade de se discutir a polêmica questão da redução da responsabilidade penal. Se essa solução depende de uma nova lei, existe outro caminho atualmente à disposição do Ministério Público, dentro do Código Civil.

No capítulo da “curatela”, menores com perturbações mentais, ébrios ou viciados em tóxicos, poderão ser protegidos nos termos do art. 1.767, sob a forma de “interdição” a ser promovida pelo Ministério Público, conforme dispõe o art. 1.768, III, do Código Civil.

Assim, nos termos do art. 1.769, do mesmo estatuto civil, o Ministério Público promoverá a interdição do menor infrator em situação de “doença mental grave”, para a preservação do interesse social.
Nessa expressão “doença mental grave” está incluída qualquer situação de “anomalia psíquica”, conforme previsão do art. 1.178, I, do Código de Processo Civil.
E é portador de “anomalia psíquica” aquele menor que, ao completar 21 anos de idade, continua sem entender o caráter ilícito do que faz ou continua incapaz de determinar-se de acordo com esse entendimento, ou continua inclinado à prática delitiva, ou continua apresentando periculosidade.

Dessa forma, se assim considerado em exame médico perante o Juiz, seria esse menor submetido a tratamento especial em presídios separados dos maiores de 21 anos, até a cessação da periculosidade.
Conforme disposição do art. 1.777, do Código Civil, esses infratores interditos seriam recolhidos em estabelecimentos adequados, quando não se adaptarem ao convívio doméstico, com avaliação periódica.

Portanto, o Ministério Público tem à sua disposição meios e instrumento suficientes para impedir que o menor infrator em estado de periculosidade retorne ao convívio social aos 21 anos de idade sem exame médico adequado.
Poderá o Ministério Público, então, querendo, promover a investigação da existência de eventual “anomalia psíquica” do menor infrator, em processo civil previsto na lei adjetiva. Se confirmada, por exame médico, seria o menor infrator, após a maioridade, internado em estabelecimento adequado até a cessação de sua periculosidade.

Está na hora de serem tomadas providências efetivas à disposição do Ministério Público, tanto no interesse da sociedade, como no do próprio menor, principal vítima dessa situação.

É o adolescente infrator vítima da violência no próprio lar, do abandono, da falta de escola, educação e de lazer. Desamparado, vira freqüentador de locais impróprios, se entrega às tentações do álcool e das drogas. Inicia-se, assim, na delinqüência, praticando pequenas infrações. Passa a ser explorado por maiores, que o utilizam na linha de frente do crime. Infrações maiores são praticadas com a consciência da impunidade. Portador de desvios de conduta e de personalidade sabe que aos 21 anos de idade estará livre de qualquer punição.
Urgente, pois, que se prolongue o período de internação, para a reeducação e a ressocialização desse adolescente infrator. Para o seu bem e no interesse da sociedade.
FLÁVIO CESAR DE TOLEDO PINHEIRO -Desembargador aposentado / Tribunal de Justiça de São Paulo

Ou podemos seguir estas diretrizes sobre a educação de filhos.
Como posso conduzir meu filho a caminhos errados?
1. Desde pequeno, dê ao seu filho tudo que ele deseja.
2. Ache graça quando seu filho disser palavrões, pois assim ele ficará convencido da sua originalidade.
3. Não lhe dê orientação espiritual. Espere que ele mesmo escolha "sua religião", depois dos 21 anos de idade.
4. Nunca lhe diga que ele fez algo errado, pois isso poderia deixá-lo com complexo de culpa.
5. Deixe que seu filho leia o que quiser... A louça deve ser esterilizada, mas o espírito dele pode ser alimentado com lixo.
6. Arrume pacientemente tudo que ele deixar jogado: livros, sapatos, meias. Coloque tudo em seu lugar. Assim ele se acostumará a transferir a responsabilidade sempre para os outros.
7. Discuta freqüentemente diante dele, para que mais tarde ele não fique chocado quando a família se desestruturar.
8. Dê-lhe tudo em comida, bebida e conforto que o coração dele desejar. Leia cada desejo nos seus olhos! Recusas poderiam ter perigosas frustrações por conseqüência.
9. Defenda-o sempre contra os vizinhos, professores e a polícia; todos têm algo contra seu filho!
10. Prepare-se para uma vida sem alegrias - pois é exatamente isso que o espera!
Quem "educar" seus filhos dessa maneira, realmente deve esperar anos difíceis.
Aquele que se dedica em corrigir desde cedo sua prole, mais facilmente terá descanso e paz familiar.
Pense nisso!
Gostaria muito de saber sua opinião sobre este assunto, poste nos comentários.

terça-feira, 18 de maio de 2010

LUIZ MARINHO, CENSURA, JORNAL.



LUIZ MARINHO, CENSURA, JORNAL.

O prefeito de São Bernardo do Campo, o ex-ministro Luiz Marinho (PT-SP), deu mais um exemplo de como a classe política brasileira age sorrateiramente quanto o assunto é transparência. Acusado por um jornal locar de descartar mobiliário escolar em boas condições para realizar a compra de novos; Luiz Marinho moveu ação contra o jornal e exigiu que a matéria fosse retirada. Além disso, proibiu o jornal de publicar qualquer outra matéria ou informação citando o caso e, o juiz da 1ª Vara Cível de Santo André – Jairo Oliveira Júnior – deferiu liminar em favor do prefeito petista, fixando multa diária de R$ 500,00 em caso de desobediência.

Não vou aqui citar a Constituição Brasileira e repetir que ela veta a censura. Isso é desnecessário. O que não pode deixar de ser falado é a mania da classe política brasileira de recorrer a juízes para calar denúncias da imprensa e dos blogs a respeito de suas mazelas.

É claro que a censura imposta ao jornal Diário do Grande ABC será derrubada nas instâncias superiores. Mas, mesmo assim, o problema é grave já que esses recursos são complexos e envolvem um custo financeiro elevado. E, a exemplo do que aconteceu com o Estadão, a complexidade dos recursos e a demora da justiça torna a reversão dessas decisões um verdadeiro calvário. Com inúmeros blogs censurados e pequenos veículos de comunicação, esse alto custo e a lentidão das decisões, constituem uma verdadeira mordaça para esses pequenos órgãos de imprensa ou para os blogs (a grande maioria é mantida sem o patrocínio de corporações de mídia e quase sem recursos próprios). Isso faz com que a justiça cara e lenta seja um aliado importante na vergonhosa prática adotada por políticos receosos das consequências eleitorais que a divulgação de suas ações suspeitas poderia ter.

E é justamente com essa intenção que os políticos buscam, no Judiciário, um parceiro e algoz do direito de informação da população. Ao terem suas ações acatadas, esses políticos querem silenciar a imprensa formal e os blogs; impedindo que as informações de suas mazelas, falcatruas ou deslizes sejam levadas até o eleitor. Já passou da hora do STF e do CNJ se manifestarem sobre essas decisões proferidas sempre por juízes de primeira instância e, especificamente no caso Sarney, com evidentes ligações com o proponente da ação.

censura

Esse fato, o caso Estadão, inúmeros outros casos já mencionados aqui ou mesmo os que jamais chegaram ao conhecimento do grande público e se repetem dia a dia nos rincões desse país; revelam que a grande sanha dos políticos brasileiros é mesmo transformar o Brasil numa “Nova Cuba”, numa filial da Venezuela ou no Irã (“democracias” tão admiradas por eles). O controle da imprensa e da Internet, mesmo negados a todo instante, parece ser a meta obscura e pessoal de muitos políticos brasileiros – em especial os que se anunciam como “de esquerda” – e constitui um perigo real e imediato para a nossa democracia.


O Plano Nacional de Direitos Humanos que está para ser votado prevê justamente esse controle e traz em seu cerne o ovo da serpente da censura que pode destruir o que muitos (realmente vítimas da tortura na ditadura) defenderam com unhas e dentes – em alguns casos até com a própria vida. A repulsa pela prática da censura institucionalizada e apoiada pelo Judiciário deve deixar qualquer cidadão amedrontado e preocupado com o que está por vir. O patrulhamento ideológico parece ser a próxima fase de um plano de poder, posto em prática em nosso país, iniciado com a compra da consciência das entidades de classe estudantis e dos sindicatos – com gordas contribuições e cargos no governo – além do aparelhamento dos órgãos do Estado por elementos alinhados com uma determinada ideologia.

Isso tudo, mais o referendo de uma lei que lhes garanta o poder de interferir e punir os organismos de imprensa e da Internet que ainda se mantêm livres, poderá transformar nossa nação numa terra onde pensar e manifestar uma idéia contrária aos interesses daqueles que estejam no poder poderá custar muito caro aos “violadores”.

A pergunta que devemos fazer é uma só: É isso que desejamos para nossos pais e para nós mesmos?

Eu acho que não.


FONTE: http://www.visaopanoramica.com/

sábado, 15 de maio de 2010

Autoridade da Codificação espírita e os "FALSOS PROFETAS"



Autoridade da Codificação espírita e os "FALSOS PROFETAS"
Por Francisco Amado

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Na doutrina espírita a dúvida é um dos elementos básicos para a busca da verdade. Kardec a aconselha como método de controle das manifestações mediúnicas e dos estudos dos princípios doutrinários.
Todavia poucas pessoas conhecem a base da doutrina espírita, instruídos por leitura de romances espiritualistas, sua mentalidade é povoada de fantasias. Neste contexto não compreendem que a critica é considerada como condição necessária para a filosofia e pratica espírita.
Kardec sempre deixou claro que a Doutrina é dos Espíritos.
Mas que garantia podemos ter de que a Doutrina é mesmo deles? Como assegurar-se cientificamente de que os ensinos não são oriundos da mente dos médiuns ou do codificador?
Aqui é que entra uma das metodologias proposta por kardec, que a maioria desconhece e ou abomina o Método do Controle Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE)

Tendo seus fundamentos descritos no Evangelho Segundo o Espiritismo e na Revista Espírita de abril de 1864

Também não sabem que as práticas místicas no espiritismo são condenadas, não por elitismo ou preconceito, e sim por que; em 1º lugar o homem esta no mundo para viver a realidade da vida de relação a fim de desenvolver suas potencialidades, 2º porque a ligação do homem com Deus se faz naturalmente, sem necessidades de práticas ritualísticas.
Todavia alimentados por informações oriundas de romances desconhecem que a doutrina não é obra de romances e sim de pesquisa cientifica, de filosofia, e acabam por encarar o espiritismo apenas como mais uma religião, levando ao que estamos constatando.

Um distanciamento ideológico do movimento espírita em relação ao pensamento de Allan Kardec e o afeiçoamento da ação dos espíritas a padrões confessionais e ritualísticos, velados ou explícitos, caracterizando um processo de sectarização da doutrina.


Como Kardec definiu o espiritismo “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal. ’’
Para mim o espiritismo é muito mais deísta do que religioso, pois, a orientação espírita é a de fé raciocinada explicito no capitulo XIX do Evangelho Segundo O Espiritismo “Fé inabalável só o é a que pode encarar a razão, em todas as épocas da humanidade”.

O que é o deísmo?
É uma doutrina que considera a razão como uma via capaz de nos assegurar da existência de Deus, desconsiderando, para tal fim, a prática de alguma religião denominacional.
Os Deístas acreditam em Deus, mas freqüentemente se encontram insatisfeitos com as religiões e apresentam geralmente estas afirmações que os diferenciam dos teístas praticantes.

1- Creio em Deus, mas não pratico nenhuma religião em particular.
2- Creio que a palavra de Deus é o Universo e a natureza, mas não os livros "sagrados" escritos por Homens.
3- Gosto de usar a razão para imaginar como será Deus e não apenas aceitar que me doutrinem.
4- Acredito que os ideais religiosos devem tentar reconciliar e não contradizer a ciência.
5- Creio que se pode encontrar Deus mais facilmente fora do que dentro de uma igreja.
6- Desfruto da liberdade de procurar uma espiritualidade que me satisfaça.
7- Prefiro guiar minhas opções éticas pela consciência e reflexão racional a aceitar as opções ditadas pelos livros "sagrados" ou autoridades religiosas.
8- Sou um pensador individual, cujas crenças religiosas não se formaram por tradição ou autoridade de outros.
9- Creio que religião e Estado devem estar separados

Religião lembra muito mais a manutenção da ignorância, da dificuldade de entendimento e do livre-pensamento e dos partidários das verdades incontestáveis, que todos devem se curvar (convertendo-se), sem questionamentos em busca da salvação, do que doutrina raciocinada.

Porém como o leitor-consumidor quer leituras rápidas, fáceis, que possam dar receitas prontas e flexíveis para dar alívio às suas múltiplas angústias.

Nada que comprometa muito, nada que o faça raciocinar em demasia, nada que o obrigue a tomar atitudes éticas mais firmes desconhece o verdadeiro caráter da doutrina espírita.
Chegando ao ponto de acreditar que é Kardec que tem que se adequar o que dita o espírito Y ou X e não o contrário.
Temos hoje uma literatura mediúnica derramando a mão cheia informações sobre colônias, que o Espírito no mundo espiritual (a mulher) engravida e gera um ser espiritual; que existam seres intra-terrestres, sobre a existência de seres malignos como magos negros e dragões que podem inserir chips em espíritos para comprometer sua evolução e etc.

Neste contexto as palavras de Kardec, que falava em Paris, no ano de 1861, ainda servem, inteiramente, para o momento atual.

A opinião de um Espírito - seja qual for o médium, seja qual for à categoria desse Espírito - é sempre uma opinião própria, não é um princípio doutrinário.

É preciso levar em conta, sempre, que o médium não é um oráculo, como não é um santo: é uma criatura em situação especial na vida, com uma carga pesadíssima de responsabilidade espiritual e humana.
Em lugar de se endeusar o médium, querendo fazer dele um ser infalível, como se não fosse também uma criatura humana, sujeita a certos riscos do ambiente terreno, o que se deve fazer é ajudá-lo com assistência espiritual, é apoiá-lo moralmente, evitando que certas idéias perigosas, certas presunções de superioridade ou de santidade lhe penetrem a alma।

Portanto quando se faz uma analise critica destas obras não se tem o intuito de PROIBIR sua leitura como defendem os sectários do maravilhoso. Apenas estamos adotando a metodologia de Kardec.

Ou seja, a postura dogmática que o espiritismo rejeita vai se infiltrando, na mentalidade dos neófitos por meio de romances duvidosos que veladamente doutrina contra o senso critico atacando o elitismo, como se, ser da elite fosse pejorativo.

Como um autoritarismo disfarçado, acabam justificando a idolatria por médiuns, e mentores espirituais o que esta se tornando muito comum, assim eles passam a pontificar sem nenhum questionamento, dominando assim as consciências, sem liberdade de pensamento.
Doutrina-se uma crença cega no que dizem certos espíritos por meio de romances abarrotados de informações sem provas, novidades sem evidências, e garantindo tudo apenas através de argumentações que giram em torno das costas larga da palavra caridade.
Esquecendo que a maior caridade é ajudar as pessoas a ter senso critico sobre todas as coisas.
Não entendem o valor de O Livro dos Médiuns e vivem à procura de novidades apresentadas em obras mediúnicas suspeitas.
Isto tudo porque se contam por verdadeira multidão às pessoas que se tornaram espírita e freqüentam sessões sem jamais haverem lido “O Livro dos Espíritos” ou qualquer outra das obras básicas da doutrina.

Não compreende que o Espiritismo não se contém todo ele no campo mediúnico, conquanto este lhe tenha servido de ponto de partida, como se sabe. O fenômeno por si só não nos levaria a conseqüências profundas, ou seria apenas objeto de observação ou motivo de deslumbramento, sem a formulação filosófica.

Para ser espírita é preciso conhecer o Espiritismo.

Como afirmou Kardec - "A FORÇA DO ESPIRITISMO ESTÁ EM SUA FILOSOFIA".


E por que não está no fato mediúnico? Porque o fato prova e convence objetivamente, não há dúvida, porém não elucida os problemas mais graves de nossa vida, por si mesmo, se não tomar a direção filosófica que conduz à inquirição das causas, dos porquês e das conseqüências.
E o que é Filosofia?

Filosofia é a possibilidade da transcendência humana, ou seja, a capacidade que só o homem tem de superar a situação dada e não escolhida. É sobre tudo uma atitude, um pensar permanente. Por isso a dúvida é um dos elementos básicos da doutrina.
Portanto para conhecer esta doutrina filosófica precisamos beber da fonte da base.

É a base da codificação é no sentido de estudo.
Por exemplo
A base da química é a Tabela periódica.
Permite, por exemplo, prever o comportamento de átomos e das moléculas deles formadas, ou entender porque certos átomos são extremamente reativos enquanto outros são praticamente inertes.
Permite prever propriedades como eletro negatividade, raio iônico, energia de ionização.
Dá, enfim, fazer inferências químicas plausíveis.


As Obras Básicas são a Tabela periódica da espiritualidade, a pedra de toque que podemos usar para aferir a legitimidade ou não das pedras aparentemente preciosas que os garimpeiros de novidades nos querem vender.

A Codificação foi transmitida já edificada, pois ela toca em todos os problemas da humanidade: há "cimento" e "tijolos". Não adianta estudar livros de CHICO XAVIER antes de estudar a Codificação, por isto é que se diz que a Codificação é a base, mas base no sentido de estudo e não a "base" no sentido de uma construção.

Outro exemplo seria as quatro operações de cálculo (somar, subtrair, multiplicar e dividir) é a base para quem deseja estudar Matemática e não a "base" do edifício da Matemática, pois esta já está construída.

Reflita sobre isso.
"Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.” [Carl Sagan]

terça-feira, 11 de maio de 2010

Controle Universal do Ensino dos Espíritos



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Uma Análise Matemática do Método do Controle Universal do Ensino dos Espíritos
Por: Alexandre Fontes da Fonseca
Espírita desde criança, Alexandre Fonseca começou a ler e estudar Kardec aos 15 e desde então não parou mais. Físico por formação, Alexandre conseguiu aliar sua atividade de físico e pesquisador a Doutrina Espírita. Atualmente fazendo pós-doutoramento nos Estados Unidos e também no Instituto de Física da USP, ele tem colaborado com a divulgação da Doutrina Espírita escrevendo artigos para a Revista Internacional de Espiritismo (RIE), para a revista FidelidadEspírita, para o Grupo de Estudos Avançados Espíritas (GEAE).

1. Introdução

Kardec sempre deixou claro que a Doutrina é dos Espíritos.
Mas que garantia podemos ter de que a Doutrina é mesmo deles? Como assegurar-se cientificamente de que os ensinos não são oriundos da mente dos médiuns ou do codificador?


Kardec tratou disso ao propor o Método do Controle Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE), que pode ser encontrado no 9º parágrafo do ítem II da Introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo1 (ESE), e na parte final do ítem XXVIII do cap. XXXI do Livro dos Médiuns2 (LM). Transcrevemos abaixo:

“Uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos: a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros.” (definição contida no ESE).

“A melhor garantia de que um princípio é a expressão da verdade se encontra em ser ensinado e revelado por diferentes Espíritos, com o concurso de médiuns diversos, desconhecidos uns dos outros e em lugares vários, e em ser, ao demais, confirmado pela razão e sancionado pela adesão do maior número.” (definição contida no LM).

Xavier Jr.3 analisou o método CUEE comparando-o com o desenvolvimento histórico das religiões e da ciência, destacando duas grandes razões de Kardec para sua existência: i) “garantia para a unidade futura do Espiritismo” e anulação de “todas as teorias contraditórias”; e ii) “garantia contra as alterações que poderiam sujeitar o Espiritismo às seitas que se propusessem apoderar-se dele em proveito próprio ou acomodá-lo à vontade” (parágrafos 14 e 16 do ítem II da Introdução do ESE).

Em vista da importância do assunto e aproveitando o ensejo da comemoração do sesquicentenário do Livro dos Espíritos4 (LE), desenvolvemos uma análise matemática do método do CUEE para demonstrar cientificamente o grau de certeza nos Espíritos superiores na elaboração do LE. Utilizamos a Teoria da Probabilidade5 para mostrar que o método CUEE garante que o conteúdo das mensagens em comum, ou em consenso, são dos Espíritos e não fruto da mente dos médiuns.

2. Análise matemática do método do CUEE

Nossa análise se baseia na Teoria da Probabilidade5 e na influência dos médiuns sobre as mensagens mediúnicas (vide questão 7 do ítem 223 do cap. XIX do LM).

Não se pode, em princípio, determinar com precisão o grau de influência de um médium sobre suas comunicações mediúnicas. Podemos, porém, fazer estimativas. Assumiremos, então, valores probabilísticos para essa influência. Assim, quando dissermos, por exemplo, que um médium é “de 50% de influência” estamos querendo dizer que a mensagem recebida por ele(a) contém 50% de idéias de sua própria mente, e 50% de idéias do Espírito comunicante. Os “50% de influência” incluem todas as causas possíveis como o estado emocional do médium; sua afinidade com o Espírito comunicante; discordância da idéia do Espírito, etc. (vide cap. XIX do LM).

Suponha que temos à nossa disposição, um médium de 50% de influência, e formulamos uma questão aos Espíritos. A mensagem que recebermos desse médium terá 50% de idéias próprias e 50% de idéias do Espírito. Suponha que temos, agora, DOIS médiuns de 50% de influência, e que formulamos a MESMA questão para os Espíritos responderem por intermédio dos DOIS médiuns, sem que um saiba do outro (médiuns diferentes, de lugares diferentes). Suponha que mesmo havendo diferenças no estilo e na forma das duas mensagens, identificamos uma idéia em comum. Essa idéia em comum é o que chamamos de consenso. Qual a chance da idéia em comum ser dos Espíritos e não o resultado de uma coincidência na influência de cada um dos médiuns?

Para responder essa questão utilizaremos a Teoria da Probabilidade5. Ela diz que a probabilidade de ocorrência de dois eventos independentes entre si (isto é, onde um não é condição para ocorrência do outro) é o produto das probabilidades isoladas de cada uma das ocorrências. Como estamos analisando um caso em que houve um consenso nas mensagens dos Espíritos, então, os únicos eventos independentes entre si são a influência individual de cada médium sobre a mensagem que recebeu. Se escolhemos médiuns diferentes, de diferentes localidades, garantimos que não há nenhuma ligação entre eles e, consequentemente, a influência de um médium sobre a sua comunicação será totalmente independente da influência do outro. Assim, podemos dizer que a probabilidade da idéia em comum ser o resultado de uma coincidência nas influências dos médiuns é o produto das probabilidades isoladas de influência de cada médium. Assim, em nosso exemplo, onde cada médium é de 50% de influência, a probabilidade da idéia em comum ser dos médiuns é o produto 1/2 x 1/2 = 1/4 ou 25% (50% é igual a 50 dividido por 100 que é igual à fração 1/2). Portanto, a probabilidade da idéia em comum não ser influência dos médiuns e, consequentemente, ser dos Espíritos é o que falta para completar os 100%, ou seja, 1 – 1/4 = 3/4 ou 75%.

Se usarmos três médiuns de influência de 50%, e obtivermos um consenso nas mensagens, teremos o produto das três probabilidades individuais de cada médium, ou seja, 1/2 x 1/2 x 1/2 = 1/8 = 12,5%, para que essa idéia seja dos médiuns, e 1 – 1/8 = 3/8 ou 87,5% da idéia ser dos Espíritos.

Essa análise pode ser generalizada para os casos de médiuns que possuem outros valores de probabilidades de influência. Se representarmos por PM a probabilidade individual de cada médium influenciar uma mensagem, e por PE a probabilidade da idéia em comum, obtida por todos os médiuns, ser dos Espíritos, então, aplicando-se a Teoria da Probabilidade, obtemos a seguinte expressão:

PE = 1 – (PM)N , (1)

onde N é o número de médiuns utilizados.

Entretanto, como não sabemos o valor preciso de PM de cada médium, que utilidade teria a análise acima? Conforme veremos a seguir, ela permite estimar o grau de confiança no ensino dos Espíritos no processo de codificação.

Analisemos, agora, a seguinte situação. Suponha que temos à nossa disposição médiuns de influência grande, algo em torno de 80% (bem pior do que o caso anterior de 50%). Queremos saber o seguinte: quantos médiuns de influência de 80% são necessários no método de CUEE para que eu tenha uma garantia de 90% de que a IDÉIA EM COMUM é dos Espíritos e não dos médiuns? Para responder a essa pergunta, nós precisamos de uma outra equação que pode ser obtida a partir da equação (1), de modo a obtermos o valor de N:

N = Log(1 – PE) / Log(PM), (2)

onde “Log” é a função logaritmo simples. O leitor não precisa se preocupar com os detalhes matemáticos referentes a obtenção da equação (2), mas apenas acompanhar o raciocínio. Substituindo os valores PM = 0,8 (= 80%) e PE = 0,9 (= 90%), obtemos N @ 10,3. Isto é, se usarmos N = 11 médiuns de influência de até 80%, podemos garantir com MAIS DE 90% DE CERTEZA, que uma idéia em comum presente nas 11 mensagens (uma de cada médium) é dos Espíritos.

3. A elaboração de O Livro dos Espíritos4

A utilização do método do CUEE é mencionada por Kardec em diversos lugares, porém, sem muitos detalhes sobre o número de médiuns utilizados. Kardec fala da aplicação do CUEE após a publicação do LE (parágrafos 13 e 14 do ítem II do ESE). Mas, durante o processo de elaboração do LE, na Revista Espírita, Kardec6 diz: “(...) Tudo foi obtido pela escrita, por intermédio de DIVERSOS MÉDIUNS psicógrafos. (...).” (grifos em maiúsculas, nossos). Essa colocação mostra que Kardec usou vários médiuns, mas ainda não informa a quantidade utilizada.

Porém, no capítulo “minha primeira iniciação no Espiritismo” de Obras Póstumas7, Kardec diz: “(...)sempre que se apresentava ocasião eu a aproveitava para propor algumas das questões que me pareciam mais espinhosas. Foi assim que MAIS DE 10 MÉDIUNS PRESTARAM CONCURSO a esse trabalho. Da comparação e da fusão de todas as respostas, coordenadas, classificadas e muitas vezes retocadas no silêncio da meditação, foi que elaborei a primeira edição de O Livro dos Espíritos, entregue à publicidade em 18 de abril de 1857.” (Grifos em maiúsculas, nossos).

Se Kardec usou mais de 10 médiuns e se mostramos que 11 médiuns relativamente ruins (de influência de 80%) são suficientes para dar 90% de certeza de que os ensinos são dos Espíritos, podemos afirmar com segurança que o conteúdo do LE tem mais do que 90% de garantia. Se adicionarmos à nossa análise o elevado nível de coerência, consistência e sabedoria presentes no conjunto da obra, somos forçados a admitir que o LE é a expressão mais fidedigna do pensamento dos Espíritos superiores.

4. Conclusão

Neste artigo, demonstramos matematicamente o grau de confiança do LE como fruto do ensinamento dos Espíritos superiores. Empregamos a Teoria da Probabilidade para estimar a influência dos médiuns sobre as comunicações mediúnicas nos casos de consenso. Obtemos uma expressão que permite avaliar o grau de confiança de que o conteúdo das idéias em comum são dos Espíritos e não da mente dos médiuns.

Referências:

[1] A. Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Editora FEB, 112ª Edição, Rio de Janeiro (1996).
[2] A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Editora FEB, 62ª Edição, Rio de Janeiro (1996).
[3] A. L. Xavier Jr., Considerações sobre as idéias de verdade e controvérsias em torno dos ensinos dos Espíritos, Boletim do GEAE 367 (1999), http://www.geae.inf.br/pt/boletins/geae367.html
[4] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76ª Edição, Rio de Janeiro (1995).
[5]http://en.wikipedia.org/wiki/Probability_theory (Escolhemos o link em inglês por estar muito mais completo que a versão em português).
[6] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos 1, p. 31 (1858).
[7] A. Kardec, Obras Póstumas, Editora FEB, 15ª Edição, Rio de Janeiro (1975).

Artigo publicado em Reformador, Julho de 2007, pp. 29-31

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