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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Yeda Crusius e suas realizações


Yeda Crusius e suas realizações

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Onde estão as fitas de denuncias?

sábado, 29 de maio de 2010

O que não é Espiritismo.




O que não é Espiritismo.



RAMATIS
É um Espírito que há muito se infiltrou no movimento espírita brasileiro com a cumplicidade do médium paranaense Hercílio Maes. Juntos, Espírito e médium escreveram várias obras, que deixam muito a desejar quanto a pureza doutrinária. Eis algumas delas: “Fisiologia da Alma”, “O Evangelho à luz do Cosmo”, “Elucidações do Além”, “Magia de Redenção”, “Mediunismo”, “Mediunidade de Cura”, “Missão do Espiritismo” e outras.

Não se pode negar que Ramatis é bastante inteligente e muito sagaz e, portanto, sabe disfarçar seu desconhecimento doutrinário, ou incoerência consciente doutrinária. Logo ganhou adeptos fervorosos e seus livros invadiram o nosso meio. Suas obras não só apresentam senões doutrinários, mas também fortes pitadas de orientalismo, verdadeiros enxertos inconvenientes à Doutrina Espírita. Mas sendo sagaz como é, não deixa de expressar aqui e ali pensamentos razoáveis, com pretensão estudada de confundir o público leigo.

Desde sua estréia no movimento espírita nacional a crítica o tem sob sua mira, mas a coisa ficou feia mesmo foi quando veio à lume “Vida no Planeta Marte”, em que ele foi longe demais e desvelou suas fantasias. A crítica especializada desceu-lhe o porrete, mas nessa altura esse Espírito já tinha feito escola por aqui e até hoje há espíritas (ou melhor, pretensos espíritas) que se arrepiam ante qualquer análise desfavorável à obra ramatisiana. No meu conceito Ramatis é espiritualista, mas não espírita.


J. B. ROUSTAING
Foi destacado advogado da Corte Imperial de Bordeaux, na França. A vaidade doentia estava à flor de sua pele. Após ler “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”, ambos de Allan Kardec, meteu em sua cabeça que com o auxílio dos Espíritos Superiores poderia fazer uma obra superior àquelas duas. Note-se que em matéria espírita ele era calouro. Mesmo assim, não demorara a evocar entidades espirituais para efetivar seu sonho: superar Allan Kardec.

Ele procurou a médium Emilie Collignon, também uma novata na lide da mediunidade e com sua cumplicidade evocou o Espírito João Batista. Imagine! Logo o precursor de Jesus.
Claro, Roustaing não poderia deixar por menos. Se Kardec se relacionava com o Espírito da Verdade, ele pelo menos tinha que ter à disposição um João Batista. Mas como Espírito não carrega carteira de identidade, o vaidoso advogado foi ludibriado, conforme atesta sua obra “Os Quatro Evangelhos”.

Atrás do falso João Batista vieram Moisés e os evangelistas João, Lucas, Marcos e Mateus. Supostamente foram essas figuras do cristianismo nascente que passaram no século XVIII a citada obra a Roustaing, via Collignon.
A obra, além de mistificadora, traz um subtítulo que é verdadeira afronta à Doutrina Espírita: “Revelação da Revelação”. É muita pretensão, pois essa obra não suporta uma simples análise à luz do Espiritismo e não é espírita, pois nem Roustaing, nem a médium, muito menos os espíritos que a escreveram eram espíritas, quando muito eram espiritualistas.

Se a primeira condição de uma obra espírita é ter o “imprimatum” da universalidade, “Os Quatro Evangelhos” é refutado aí, pois foi recebido apenas por uma médium. Quando essa obra chegou às mãos de Allan Kardec, ele elegantemente a refutou, insinuando que era uma obra prolixa, pois disse que em vez de três volumes, o que ali está escrito poderia ter sido enfeixado em dois e até mesmo num volume e o leitor ganharia com este enxugamento. Mais tarde, Kardec ainda lembrou-se dela dizendo que houve precipitação em trazer a lume certos assuntos como o corpo fluídico de Jesus e prometeu desenvolver esse tema com maior profundidade. O que de fato o fez em “A Gênese”. E disse que o tempo se encarregaria de aprovar ou não a obra de Roustaing. Na França, ela não teve qualquer sucesso.

Vindo para o Brasil, porém, encontrou aqui os diretores da FEB, da época, receptivos e generosos. Logo a FEB, que se intitula representante mor do Espiritismo no Brasil, introduziu no movimento espírita brasileiro essa obra que representa por razões óbvias o 1º Cisma do Movimento Espírita. Não só a introduziu, como ao longo dos anos vem lhe dando guarida em detrimento à Codificação Espírita. A obra em questão é espiritualista e a FEB se diz espírita. Não é um contra-senso?

E ainda para a nossa reflexão, faço aqui uma pergunta que já fiz alhures. Se essa obra foi publicada quando ainda o Espiritismo estava para ser concluído, pois Allan Kardec ainda não havia publicado “A Gênese”, com que fechou a Codificação da Doutrina Espírita, por que os espíritos que a ditaram à médium Collignon não a ditaram para o Codificador? Será que esses espíritos já haviam pulado da barca de Jesus? Isto, no mínimo, é muito suspeito!

É bom que se diga que no passado muitos espíritas de renome se diziam roustainguistas. Mas assim que leram a obra de Roustaing calaram-se ou tornaram-se os seus maiores críticos. E alguns até mesmo depois de desencarnados jamais falaram um “o” a favor dela, a não ser dentro da FEB. Será que isso não diz nada?

PIETRO UBALDI
Nasceu na Itália e acabou, graças a alguns mecenas, radicando-se no Brasil. Desenvolveu sua mediunidade à margem dos ditames espíritas. Não sei se ele chegou a estudar as obras kardequianas, se chegou não deve tê-las aceitado integralmente. Kardec nunca lhe foi um paradigma.

Ele sempre quis voar mais alto. Tinha idéias próprias e não iria submeter-se à Codificação Espírita. Mas como o brasileiro é um eterno louvador do que vem de fora, Ubaldi em pouco tempo fez aqui grandes amigos espíritas, alguns destes até muito importantes dentro do nosso meio, o que lhe facilitou o seu percurso no Brasil. Certa vez, em Pedro Leopoldo-MG, chegou mesmo a sentar-se ao lado de Chico Xavier para psicografar uma mensagem.

Sua linguagem mediúnica, porém, nunca teve a simplicidade e a claridade que vemos na linguagem xaveriana. Ficou por aí apresentando seus ensaios filosóficos que nada tinham com o Espiritismo autêntico. Sua preocupação, na verdade, sempre foi a de criar um movimento próprio: o ubaldismo.
Teve ímpeto de explicar a essência de Deus.

Veja só até onde pode chegar um homem incensado. Seu livro de maior alcance foi “A Grande Síntese”. O movimento espírita brasileiro se deslumbrou diante dessa obra. Mas muitos que a leram não a entenderam, apenas louvaram, pois é muito mais fácil louvar do que confessar ignorância.

Depois disso, que eu saiba, não saiu mais nada de fôlego de seu lápis que ganhasse a mesma notoriedade de “A Grande Síntese”. Mas ele só caiu mesmo na malha dos críticos mais exigentes quando se revelou adepto do monismo (o que é isso? O Aurélio é quem explica: monismo é Doutrina Filosófica, segundo a qual o conjunto das coisas pode ser reduzido à unidade, quer do ponto de vista de sua substância, quer do ponto de vista das leis lógicas ou físicas, pelas quais o universo se ordena.

O monismo poderá ser materialista ou espiritualista, lógico e físico). Escorando-se nessa tendência Ubaldi criou uma teoria própria que corre paralela ao Espiritismo que nada tem a ver com este. Ao meu ver Pietro Ubaldi foi um espiritualista, mas não espírita.
EDGARD ARMOND
O Comandante Edgard Armond, como era chamado, foi oficial da Força Pública do Estado de São Paulo, hoje denominada Polícia Militar, chegou à Federação Espírita do Estado de São Paulo em 1939. Nessa época, a FEESP dava seus primeiros passos, já que foi fundada em 1936. Homem inteligente e de palavra fácil, o Comandante Edgar Armond foi pouco a pouco conquistando o seu espaço dentro da Instituição Federativa.

Lembremos que naquele tempo a literatura espírita era escassa. Existiam os livros da Codificação e além deles um ou outro livrinho de produção independente. A promissora obra de Francisco Cândido Xavier, estava ainda nos seus primeiros degraus. Armond logo constatou isso e começou a escrever uns livrinhos mais simples, próprios para os iniciantes à Doutrina Espírita. Eu diria que a inspiração dos cursos de Espiritismo que até hoje estão em pleno vigor na FEESP nasceu das páginas desses livrinhos do Armond. Cursos esses que estão em todos os quadrantes do movimento espírita brasileiro e quiçá do exterior.

O Comandante Armond chegou, então, à Diretoria da FEESP. E como Secretário Geral organizou a “Escola de Médiuns” e a “Escola de Aprendizes do Evangelho”. Hoje estas escolas acolhem mais de cinco mil alunos. E criou também o passe padronizado que tem causado muita polêmica, porque é um ritual muito distante da prática espontânea, intuitiva que fora exemplificada por Jesus.

Sua bibliografia compõe-se de 25 obras. As que fizeram mais sucesso foram “Passes e Irradiações” e “Os Exilados de Capela”. Foi ele também que trouxe para o nosso meio a “Cromoterapia”, que nada tem a ver com a Doutrina Espírita, mas que hoje está espalhada graças um opúsculo escrito por ele e publicado pela Editora Aliança. Devemos a ele também essa enxertia.

Em maio de 1944, o Comandante Armond fundou o jornal “O Semeador”, órgão doutrinário da FEESP. Apoiado por um grupo de amigos fundou ainda a Instituição Espírita “O Lar do Amor Cristão”, em São Paulo e foi um dos signatários da Ata de Fundação da USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Além da Cromoterapia e do passe padronizado que ainda hoje causam discussões no meio espírita e certamente serão questionados pelas gerações espíritas do futuro, devo ainda mencionar que suas obras estão carregadas de conceitos orientalistas, pois ele foi um grande estudioso das principais religiões orientais.

Termos como “chacras” e “carma” e outros de origem oriental foram enxertados por ele no movimento espírita brasileiro.

Há ainda em suas obras um legado místico muito forte que tomou o movimento espírita brasileiro de assalto. Não bastasse o bolor igrejeiro do roustainguismo, o misticismo e o orientalismo do Comandante Armond também trouxeram prejuízos sérios ao movimento espírita brasileiro.

Alegando problemas de saúde, Edgard Armond deixou a FEESP em 1966. E o estrago armondista no movimento espírita brasileiro iria se completar com a criação, por ele próprio, da Aliança Espírita Evangélica que nasceu com vocação um tanto velada, a princípio, federacionista e tornou-se em pouco tempo, em nosso Estado de São Paulo, concorrente da USE e da FEESP.

A Aliança Espírita Evangélica é fortemente mística e orientalista e os centros “espíritas” capitaneados por ela são todos místicos e orientalistas, o que traz ao Espiritismo um dano imensurável. Tudo isso é uma pena, pois a herança do Comandante Armond poderia ter sido bem melhor. Essa minha análise, ainda que superficial, me autoriza a considerá-lo também, espiritualista, mas não espírita.

O que não é Espiritismo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Sociedade nas mãos do dimenor infrator!


A Sociedade nas mãos do dimenor infrator!

“a palmada deseduca”. Esse é o slogan da campanha que o Laboratório de Estudos da Criança (LACRI), da Universidade de São Paulo.
Na verdade a palmada não é ferramenta de educação e sim é o ultimo mecanismo usado para punir a desobediência e a falta de educação.

Palmada em criança vai virar crime. Educação só na base da conversa.
É o que estabelece o Projeto de Lei 2.654/03 da deputada federal Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul, que emenda o Estatuto da Criança e do Adolescente, estando na pauta da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.
Eu acredito que a conversa é o melhor remédio, entretanto, as crianças são pequenos indivíduos cada um com seu próprio caráter.

Em uma mesma família com a mesma criação um filho pode ser um sucesso e outro um viciado em drogas. O que os políticos deveriam era pressionar as emissoras de televisão a oferecerem programas de maior qualidade ao público, principalmente às crianças.

Nas terras do Tio Sam, por exemplo, as crianças têm educação integral e completa desde o maternal, idiomas globalizadores (inglês e espanhol), esportes, artes, culturas, ofícios... Lá, os educadores não têm estabilidade no emprego, não. A educação não é um ‘cabidão’ de emprego.

A comunidade demite o professor (a) incompetente, que tirar zero numa avaliação.

Já viram (celebridades que recebem verbas dos incentivos fiscais) numa comunidade pobre, atuando num campinho de terra batida ao lado de um imenso valão de merda?
O que deveria preocupara classe política e o excesso de violência, sexo e publicidade na programação de TV, é “músicos” como estes se apresentarem no Gugu, superpop e etc..
(ESCUTE TODA LETRA)

Bem o que temos então? Um estatuto que defende o dimenor.
Um projeto para tornar todo o pai que der palmadas em seu filho um criminoso.
E MILHARES DE FATOS COMO ESTE.
(Mesmo na delegacia, adolescentes continuaram a xingar professores Depois de um aluno de 17 anos espancarem o professor na segunda-feira, mais dois casos de polícia foram registrados ontem em escolas públicas de Belo Horizonte.)

Estudo sobre o Menor infrator da OAB-SP, por Flávio Cesar de Toledo Pinheiro
São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, nos termos de dispositivo constitucional (art. 228) e regra de direito penal (art. 27).
O critério é puramente biológico, explicando GUILHERME DE SOUZA NUCCI que “A lei penal criou uma presunção absoluta de que o menor de 18 anos, em face do desenvolvimento mental incompleto, não tem condições de compreender o caráter ilícito do que faz ou capacidade de determinar-se de acordo com esse entendimento” (Código Penal Anotado, art. 27).
Todavia, embora “penalmente inimputáveis”, ficam esses menores sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial.

Essa “legislação especial” está contida no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90), dispondo o seu artigo 121, § 5º que, verificada a prática de ato infracional o Juiz de Menores poderá aplicar ao adolescente (entre 12 e 18 anos de idade) internação em estabelecimento educacional, porém com liberação compulsória aos 21 anos de idade.
Estabeleceu o legislador a idade de 21 anos porque o Código Civil anterior, vigente à época, no seu artigo 9º, dispunha que “aos 21 anos completos acaba a menoridade”.
Sucede que o Novo Código Civil, vigente desde janeiro de 2003, acabou com a menoridade aos 18 anos, nos seguintes termos: “Art. 5º: A menoridade cessa aos dezoito anos completos”.

Isto poderá significar, conforme for o entendimento da autoridade judiciária competente, que o menor infrator poderá ser obrigatoriamente liberado aos 18 anos de idade. Seria uma interpretação aterrorizante que poderá acontecer, embora contra o princípio da especialidade.

Por exemplo, um adolescente com 17 anos, idade onde está o maior índice de delinqüência juvenil, tendo em vista o andamento burocrático do procedimento infracional, estaria compulsoriamente livre aos 18 anos de idade, ou seja, não sofreria punição alguma, mesmo que tenha roubado estuprado, seqüestrado, assassinado.

Estaria permitindo o Novo Código Civil, se assim interpretarem os Juízes competentes, verdadeira licença para matar com a liberação compulsória do menor infrator aos 18 anos de idade. O Código de menores anterior (Lei nº 6.697/79) era mais realista.

Dispunham os parágrafos 3º e 4º do seu artigo 41 que, quando completasse o menor a idade de 21 anos passaria à jurisdição do juízo incumbido das execuções penais. Esse menor seria removido para estabelecimento adequado, onde ficaria internado até a realização de exame de cessação de periculosidade.

Entendia-se, na época (de 1979 a 1990), até a edição do ECA, que a devolução do menor infrator ao seio da sociedade não deveria ser efetuada sem as cautelas de avaliação atinentes à permanência da periculosidade. Entendia-se que perdurando o estado de periculosidade do menor infrator, impunha-se o seu internamento em estabelecimento adequado, em resguarda da segurança social.
Era o pensamento jurídico do Colendo Supremo Tribunal Federal (cf. RT 630/373; RTJ 125/193). Assim, durante onze anos uma lei adequada, firme, realista e dura controlava a situação do menor infrator, tendo em vista os interesses da sociedade e particularmente os do menor infrator.

Com a promulgação da Constituição da República, em 5 de outubro de 1988, se estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República a prevalência dos “direitos humanos” (art. 4º, II) e se firmou como princípio o dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente os direitos fundamentais (art. 227).
Os brasileiros, então, empunharam a bandeira dos “direitos humanos”, mas alguns o fizeram não para lutar pelos direitos elementares de todos à dignidade humana, que constitui o fundamento do Estado democrático, mas sim e lamentavelmente, para restringi-la à determinada categoria de “humanos”, particularmente os criminosos e os menores infratores.

Dessa forma, prevaleceu o desejo de uma determinada parcela de legisladores de alterar o Código de Menores, com o objetivo de libertar o menor infrator aos 21 anos de idade, qualquer que tivesse sido a infração praticada.

O legislador do Estatuto da Criança e do Adolescente então, em 1990, extinguiu a exigência de exames periódicos (Código de Menores anterior, art. 41, § 1º) e permitiu a liberação do menor infrator aos 21 anos de idade, mesmo em situação de extrema periculosidade real.

A nova legislação de menores feriu de morte o entendimento jurídico da época, no sentido de que “a devolução do infrator de lei penal ao seio da sociedade não deve ser efetuada sem as cautelas de avaliação atinentes à permanência da periculosidade” (RHC, Ministro DJACI FALCÃO, julg. 15.3.88, Supremo Tribunal Federal, in RT 630/377).
Nas não será difícil resolver o impasse.
A Constituição da República, no seu artigo 228, reza que o menor deverá ficar sujeito às normas estabelecidas na legislação especial.

A “legislação especial” estabelece o teto de internação aos 21 anos. Assim, bastará, pura e simplesmente, modificar o art. 121, § 5º, do ECA, impondo-se a anterior disciplina de internação, tal como estava no anterior Código de Menores.
É uma questão de “vontade política”, sem necessidade de se discutir a polêmica questão da redução da responsabilidade penal. Se essa solução depende de uma nova lei, existe outro caminho atualmente à disposição do Ministério Público, dentro do Código Civil.

No capítulo da “curatela”, menores com perturbações mentais, ébrios ou viciados em tóxicos, poderão ser protegidos nos termos do art. 1.767, sob a forma de “interdição” a ser promovida pelo Ministério Público, conforme dispõe o art. 1.768, III, do Código Civil.

Assim, nos termos do art. 1.769, do mesmo estatuto civil, o Ministério Público promoverá a interdição do menor infrator em situação de “doença mental grave”, para a preservação do interesse social.
Nessa expressão “doença mental grave” está incluída qualquer situação de “anomalia psíquica”, conforme previsão do art. 1.178, I, do Código de Processo Civil.
E é portador de “anomalia psíquica” aquele menor que, ao completar 21 anos de idade, continua sem entender o caráter ilícito do que faz ou continua incapaz de determinar-se de acordo com esse entendimento, ou continua inclinado à prática delitiva, ou continua apresentando periculosidade.

Dessa forma, se assim considerado em exame médico perante o Juiz, seria esse menor submetido a tratamento especial em presídios separados dos maiores de 21 anos, até a cessação da periculosidade.
Conforme disposição do art. 1.777, do Código Civil, esses infratores interditos seriam recolhidos em estabelecimentos adequados, quando não se adaptarem ao convívio doméstico, com avaliação periódica.

Portanto, o Ministério Público tem à sua disposição meios e instrumento suficientes para impedir que o menor infrator em estado de periculosidade retorne ao convívio social aos 21 anos de idade sem exame médico adequado.
Poderá o Ministério Público, então, querendo, promover a investigação da existência de eventual “anomalia psíquica” do menor infrator, em processo civil previsto na lei adjetiva. Se confirmada, por exame médico, seria o menor infrator, após a maioridade, internado em estabelecimento adequado até a cessação de sua periculosidade.

Está na hora de serem tomadas providências efetivas à disposição do Ministério Público, tanto no interesse da sociedade, como no do próprio menor, principal vítima dessa situação.

É o adolescente infrator vítima da violência no próprio lar, do abandono, da falta de escola, educação e de lazer. Desamparado, vira freqüentador de locais impróprios, se entrega às tentações do álcool e das drogas. Inicia-se, assim, na delinqüência, praticando pequenas infrações. Passa a ser explorado por maiores, que o utilizam na linha de frente do crime. Infrações maiores são praticadas com a consciência da impunidade. Portador de desvios de conduta e de personalidade sabe que aos 21 anos de idade estará livre de qualquer punição.
Urgente, pois, que se prolongue o período de internação, para a reeducação e a ressocialização desse adolescente infrator. Para o seu bem e no interesse da sociedade.
FLÁVIO CESAR DE TOLEDO PINHEIRO -Desembargador aposentado / Tribunal de Justiça de São Paulo

Ou podemos seguir estas diretrizes sobre a educação de filhos.
Como posso conduzir meu filho a caminhos errados?
1. Desde pequeno, dê ao seu filho tudo que ele deseja.
2. Ache graça quando seu filho disser palavrões, pois assim ele ficará convencido da sua originalidade.
3. Não lhe dê orientação espiritual. Espere que ele mesmo escolha "sua religião", depois dos 21 anos de idade.
4. Nunca lhe diga que ele fez algo errado, pois isso poderia deixá-lo com complexo de culpa.
5. Deixe que seu filho leia o que quiser... A louça deve ser esterilizada, mas o espírito dele pode ser alimentado com lixo.
6. Arrume pacientemente tudo que ele deixar jogado: livros, sapatos, meias. Coloque tudo em seu lugar. Assim ele se acostumará a transferir a responsabilidade sempre para os outros.
7. Discuta freqüentemente diante dele, para que mais tarde ele não fique chocado quando a família se desestruturar.
8. Dê-lhe tudo em comida, bebida e conforto que o coração dele desejar. Leia cada desejo nos seus olhos! Recusas poderiam ter perigosas frustrações por conseqüência.
9. Defenda-o sempre contra os vizinhos, professores e a polícia; todos têm algo contra seu filho!
10. Prepare-se para uma vida sem alegrias - pois é exatamente isso que o espera!
Quem "educar" seus filhos dessa maneira, realmente deve esperar anos difíceis.
Aquele que se dedica em corrigir desde cedo sua prole, mais facilmente terá descanso e paz familiar.
Pense nisso!
Gostaria muito de saber sua opinião sobre este assunto, poste nos comentários.

terça-feira, 18 de maio de 2010

LUIZ MARINHO, CENSURA, JORNAL.



LUIZ MARINHO, CENSURA, JORNAL.

O prefeito de São Bernardo do Campo, o ex-ministro Luiz Marinho (PT-SP), deu mais um exemplo de como a classe política brasileira age sorrateiramente quanto o assunto é transparência. Acusado por um jornal locar de descartar mobiliário escolar em boas condições para realizar a compra de novos; Luiz Marinho moveu ação contra o jornal e exigiu que a matéria fosse retirada. Além disso, proibiu o jornal de publicar qualquer outra matéria ou informação citando o caso e, o juiz da 1ª Vara Cível de Santo André – Jairo Oliveira Júnior – deferiu liminar em favor do prefeito petista, fixando multa diária de R$ 500,00 em caso de desobediência.

Não vou aqui citar a Constituição Brasileira e repetir que ela veta a censura. Isso é desnecessário. O que não pode deixar de ser falado é a mania da classe política brasileira de recorrer a juízes para calar denúncias da imprensa e dos blogs a respeito de suas mazelas.

É claro que a censura imposta ao jornal Diário do Grande ABC será derrubada nas instâncias superiores. Mas, mesmo assim, o problema é grave já que esses recursos são complexos e envolvem um custo financeiro elevado. E, a exemplo do que aconteceu com o Estadão, a complexidade dos recursos e a demora da justiça torna a reversão dessas decisões um verdadeiro calvário. Com inúmeros blogs censurados e pequenos veículos de comunicação, esse alto custo e a lentidão das decisões, constituem uma verdadeira mordaça para esses pequenos órgãos de imprensa ou para os blogs (a grande maioria é mantida sem o patrocínio de corporações de mídia e quase sem recursos próprios). Isso faz com que a justiça cara e lenta seja um aliado importante na vergonhosa prática adotada por políticos receosos das consequências eleitorais que a divulgação de suas ações suspeitas poderia ter.

E é justamente com essa intenção que os políticos buscam, no Judiciário, um parceiro e algoz do direito de informação da população. Ao terem suas ações acatadas, esses políticos querem silenciar a imprensa formal e os blogs; impedindo que as informações de suas mazelas, falcatruas ou deslizes sejam levadas até o eleitor. Já passou da hora do STF e do CNJ se manifestarem sobre essas decisões proferidas sempre por juízes de primeira instância e, especificamente no caso Sarney, com evidentes ligações com o proponente da ação.

censura

Esse fato, o caso Estadão, inúmeros outros casos já mencionados aqui ou mesmo os que jamais chegaram ao conhecimento do grande público e se repetem dia a dia nos rincões desse país; revelam que a grande sanha dos políticos brasileiros é mesmo transformar o Brasil numa “Nova Cuba”, numa filial da Venezuela ou no Irã (“democracias” tão admiradas por eles). O controle da imprensa e da Internet, mesmo negados a todo instante, parece ser a meta obscura e pessoal de muitos políticos brasileiros – em especial os que se anunciam como “de esquerda” – e constitui um perigo real e imediato para a nossa democracia.


O Plano Nacional de Direitos Humanos que está para ser votado prevê justamente esse controle e traz em seu cerne o ovo da serpente da censura que pode destruir o que muitos (realmente vítimas da tortura na ditadura) defenderam com unhas e dentes – em alguns casos até com a própria vida. A repulsa pela prática da censura institucionalizada e apoiada pelo Judiciário deve deixar qualquer cidadão amedrontado e preocupado com o que está por vir. O patrulhamento ideológico parece ser a próxima fase de um plano de poder, posto em prática em nosso país, iniciado com a compra da consciência das entidades de classe estudantis e dos sindicatos – com gordas contribuições e cargos no governo – além do aparelhamento dos órgãos do Estado por elementos alinhados com uma determinada ideologia.

Isso tudo, mais o referendo de uma lei que lhes garanta o poder de interferir e punir os organismos de imprensa e da Internet que ainda se mantêm livres, poderá transformar nossa nação numa terra onde pensar e manifestar uma idéia contrária aos interesses daqueles que estejam no poder poderá custar muito caro aos “violadores”.

A pergunta que devemos fazer é uma só: É isso que desejamos para nossos pais e para nós mesmos?

Eu acho que não.


FONTE: http://www.visaopanoramica.com/

sábado, 15 de maio de 2010

Autoridade da Codificação espírita e os "FALSOS PROFETAS"



Autoridade da Codificação espírita e os "FALSOS PROFETAS"
Por Francisco Amado

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Na doutrina espírita a dúvida é um dos elementos básicos para a busca da verdade. Kardec a aconselha como método de controle das manifestações mediúnicas e dos estudos dos princípios doutrinários.
Todavia poucas pessoas conhecem a base da doutrina espírita, instruídos por leitura de romances espiritualistas, sua mentalidade é povoada de fantasias. Neste contexto não compreendem que a critica é considerada como condição necessária para a filosofia e pratica espírita.
Kardec sempre deixou claro que a Doutrina é dos Espíritos.
Mas que garantia podemos ter de que a Doutrina é mesmo deles? Como assegurar-se cientificamente de que os ensinos não são oriundos da mente dos médiuns ou do codificador?
Aqui é que entra uma das metodologias proposta por kardec, que a maioria desconhece e ou abomina o Método do Controle Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE)

Tendo seus fundamentos descritos no Evangelho Segundo o Espiritismo e na Revista Espírita de abril de 1864

Também não sabem que as práticas místicas no espiritismo são condenadas, não por elitismo ou preconceito, e sim por que; em 1º lugar o homem esta no mundo para viver a realidade da vida de relação a fim de desenvolver suas potencialidades, 2º porque a ligação do homem com Deus se faz naturalmente, sem necessidades de práticas ritualísticas.
Todavia alimentados por informações oriundas de romances desconhecem que a doutrina não é obra de romances e sim de pesquisa cientifica, de filosofia, e acabam por encarar o espiritismo apenas como mais uma religião, levando ao que estamos constatando.

Um distanciamento ideológico do movimento espírita em relação ao pensamento de Allan Kardec e o afeiçoamento da ação dos espíritas a padrões confessionais e ritualísticos, velados ou explícitos, caracterizando um processo de sectarização da doutrina.


Como Kardec definiu o espiritismo “O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal. ’’
Para mim o espiritismo é muito mais deísta do que religioso, pois, a orientação espírita é a de fé raciocinada explicito no capitulo XIX do Evangelho Segundo O Espiritismo “Fé inabalável só o é a que pode encarar a razão, em todas as épocas da humanidade”.

O que é o deísmo?
É uma doutrina que considera a razão como uma via capaz de nos assegurar da existência de Deus, desconsiderando, para tal fim, a prática de alguma religião denominacional.
Os Deístas acreditam em Deus, mas freqüentemente se encontram insatisfeitos com as religiões e apresentam geralmente estas afirmações que os diferenciam dos teístas praticantes.

1- Creio em Deus, mas não pratico nenhuma religião em particular.
2- Creio que a palavra de Deus é o Universo e a natureza, mas não os livros "sagrados" escritos por Homens.
3- Gosto de usar a razão para imaginar como será Deus e não apenas aceitar que me doutrinem.
4- Acredito que os ideais religiosos devem tentar reconciliar e não contradizer a ciência.
5- Creio que se pode encontrar Deus mais facilmente fora do que dentro de uma igreja.
6- Desfruto da liberdade de procurar uma espiritualidade que me satisfaça.
7- Prefiro guiar minhas opções éticas pela consciência e reflexão racional a aceitar as opções ditadas pelos livros "sagrados" ou autoridades religiosas.
8- Sou um pensador individual, cujas crenças religiosas não se formaram por tradição ou autoridade de outros.
9- Creio que religião e Estado devem estar separados

Religião lembra muito mais a manutenção da ignorância, da dificuldade de entendimento e do livre-pensamento e dos partidários das verdades incontestáveis, que todos devem se curvar (convertendo-se), sem questionamentos em busca da salvação, do que doutrina raciocinada.

Porém como o leitor-consumidor quer leituras rápidas, fáceis, que possam dar receitas prontas e flexíveis para dar alívio às suas múltiplas angústias.

Nada que comprometa muito, nada que o faça raciocinar em demasia, nada que o obrigue a tomar atitudes éticas mais firmes desconhece o verdadeiro caráter da doutrina espírita.
Chegando ao ponto de acreditar que é Kardec que tem que se adequar o que dita o espírito Y ou X e não o contrário.
Temos hoje uma literatura mediúnica derramando a mão cheia informações sobre colônias, que o Espírito no mundo espiritual (a mulher) engravida e gera um ser espiritual; que existam seres intra-terrestres, sobre a existência de seres malignos como magos negros e dragões que podem inserir chips em espíritos para comprometer sua evolução e etc.

Neste contexto as palavras de Kardec, que falava em Paris, no ano de 1861, ainda servem, inteiramente, para o momento atual.

A opinião de um Espírito - seja qual for o médium, seja qual for à categoria desse Espírito - é sempre uma opinião própria, não é um princípio doutrinário.

É preciso levar em conta, sempre, que o médium não é um oráculo, como não é um santo: é uma criatura em situação especial na vida, com uma carga pesadíssima de responsabilidade espiritual e humana.
Em lugar de se endeusar o médium, querendo fazer dele um ser infalível, como se não fosse também uma criatura humana, sujeita a certos riscos do ambiente terreno, o que se deve fazer é ajudá-lo com assistência espiritual, é apoiá-lo moralmente, evitando que certas idéias perigosas, certas presunções de superioridade ou de santidade lhe penetrem a alma।

Portanto quando se faz uma analise critica destas obras não se tem o intuito de PROIBIR sua leitura como defendem os sectários do maravilhoso. Apenas estamos adotando a metodologia de Kardec.

Ou seja, a postura dogmática que o espiritismo rejeita vai se infiltrando, na mentalidade dos neófitos por meio de romances duvidosos que veladamente doutrina contra o senso critico atacando o elitismo, como se, ser da elite fosse pejorativo.

Como um autoritarismo disfarçado, acabam justificando a idolatria por médiuns, e mentores espirituais o que esta se tornando muito comum, assim eles passam a pontificar sem nenhum questionamento, dominando assim as consciências, sem liberdade de pensamento.
Doutrina-se uma crença cega no que dizem certos espíritos por meio de romances abarrotados de informações sem provas, novidades sem evidências, e garantindo tudo apenas através de argumentações que giram em torno das costas larga da palavra caridade.
Esquecendo que a maior caridade é ajudar as pessoas a ter senso critico sobre todas as coisas.
Não entendem o valor de O Livro dos Médiuns e vivem à procura de novidades apresentadas em obras mediúnicas suspeitas.
Isto tudo porque se contam por verdadeira multidão às pessoas que se tornaram espírita e freqüentam sessões sem jamais haverem lido “O Livro dos Espíritos” ou qualquer outra das obras básicas da doutrina.

Não compreende que o Espiritismo não se contém todo ele no campo mediúnico, conquanto este lhe tenha servido de ponto de partida, como se sabe. O fenômeno por si só não nos levaria a conseqüências profundas, ou seria apenas objeto de observação ou motivo de deslumbramento, sem a formulação filosófica.

Para ser espírita é preciso conhecer o Espiritismo.

Como afirmou Kardec - "A FORÇA DO ESPIRITISMO ESTÁ EM SUA FILOSOFIA".


E por que não está no fato mediúnico? Porque o fato prova e convence objetivamente, não há dúvida, porém não elucida os problemas mais graves de nossa vida, por si mesmo, se não tomar a direção filosófica que conduz à inquirição das causas, dos porquês e das conseqüências.
E o que é Filosofia?

Filosofia é a possibilidade da transcendência humana, ou seja, a capacidade que só o homem tem de superar a situação dada e não escolhida. É sobre tudo uma atitude, um pensar permanente. Por isso a dúvida é um dos elementos básicos da doutrina.
Portanto para conhecer esta doutrina filosófica precisamos beber da fonte da base.

É a base da codificação é no sentido de estudo.
Por exemplo
A base da química é a Tabela periódica.
Permite, por exemplo, prever o comportamento de átomos e das moléculas deles formadas, ou entender porque certos átomos são extremamente reativos enquanto outros são praticamente inertes.
Permite prever propriedades como eletro negatividade, raio iônico, energia de ionização.
Dá, enfim, fazer inferências químicas plausíveis.


As Obras Básicas são a Tabela periódica da espiritualidade, a pedra de toque que podemos usar para aferir a legitimidade ou não das pedras aparentemente preciosas que os garimpeiros de novidades nos querem vender.

A Codificação foi transmitida já edificada, pois ela toca em todos os problemas da humanidade: há "cimento" e "tijolos". Não adianta estudar livros de CHICO XAVIER antes de estudar a Codificação, por isto é que se diz que a Codificação é a base, mas base no sentido de estudo e não a "base" no sentido de uma construção.

Outro exemplo seria as quatro operações de cálculo (somar, subtrair, multiplicar e dividir) é a base para quem deseja estudar Matemática e não a "base" do edifício da Matemática, pois esta já está construída.

Reflita sobre isso.
"Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.” [Carl Sagan]

terça-feira, 11 de maio de 2010

Controle Universal do Ensino dos Espíritos



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Uma Análise Matemática do Método do Controle Universal do Ensino dos Espíritos
Por: Alexandre Fontes da Fonseca
Espírita desde criança, Alexandre Fonseca começou a ler e estudar Kardec aos 15 e desde então não parou mais. Físico por formação, Alexandre conseguiu aliar sua atividade de físico e pesquisador a Doutrina Espírita. Atualmente fazendo pós-doutoramento nos Estados Unidos e também no Instituto de Física da USP, ele tem colaborado com a divulgação da Doutrina Espírita escrevendo artigos para a Revista Internacional de Espiritismo (RIE), para a revista FidelidadEspírita, para o Grupo de Estudos Avançados Espíritas (GEAE).

1. Introdução

Kardec sempre deixou claro que a Doutrina é dos Espíritos.
Mas que garantia podemos ter de que a Doutrina é mesmo deles? Como assegurar-se cientificamente de que os ensinos não são oriundos da mente dos médiuns ou do codificador?


Kardec tratou disso ao propor o Método do Controle Universal do Ensino dos Espíritos (CUEE), que pode ser encontrado no 9º parágrafo do ítem II da Introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo1 (ESE), e na parte final do ítem XXVIII do cap. XXXI do Livro dos Médiuns2 (LM). Transcrevemos abaixo:

“Uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos: a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros.” (definição contida no ESE).

“A melhor garantia de que um princípio é a expressão da verdade se encontra em ser ensinado e revelado por diferentes Espíritos, com o concurso de médiuns diversos, desconhecidos uns dos outros e em lugares vários, e em ser, ao demais, confirmado pela razão e sancionado pela adesão do maior número.” (definição contida no LM).

Xavier Jr.3 analisou o método CUEE comparando-o com o desenvolvimento histórico das religiões e da ciência, destacando duas grandes razões de Kardec para sua existência: i) “garantia para a unidade futura do Espiritismo” e anulação de “todas as teorias contraditórias”; e ii) “garantia contra as alterações que poderiam sujeitar o Espiritismo às seitas que se propusessem apoderar-se dele em proveito próprio ou acomodá-lo à vontade” (parágrafos 14 e 16 do ítem II da Introdução do ESE).

Em vista da importância do assunto e aproveitando o ensejo da comemoração do sesquicentenário do Livro dos Espíritos4 (LE), desenvolvemos uma análise matemática do método do CUEE para demonstrar cientificamente o grau de certeza nos Espíritos superiores na elaboração do LE. Utilizamos a Teoria da Probabilidade5 para mostrar que o método CUEE garante que o conteúdo das mensagens em comum, ou em consenso, são dos Espíritos e não fruto da mente dos médiuns.

2. Análise matemática do método do CUEE

Nossa análise se baseia na Teoria da Probabilidade5 e na influência dos médiuns sobre as mensagens mediúnicas (vide questão 7 do ítem 223 do cap. XIX do LM).

Não se pode, em princípio, determinar com precisão o grau de influência de um médium sobre suas comunicações mediúnicas. Podemos, porém, fazer estimativas. Assumiremos, então, valores probabilísticos para essa influência. Assim, quando dissermos, por exemplo, que um médium é “de 50% de influência” estamos querendo dizer que a mensagem recebida por ele(a) contém 50% de idéias de sua própria mente, e 50% de idéias do Espírito comunicante. Os “50% de influência” incluem todas as causas possíveis como o estado emocional do médium; sua afinidade com o Espírito comunicante; discordância da idéia do Espírito, etc. (vide cap. XIX do LM).

Suponha que temos à nossa disposição, um médium de 50% de influência, e formulamos uma questão aos Espíritos. A mensagem que recebermos desse médium terá 50% de idéias próprias e 50% de idéias do Espírito. Suponha que temos, agora, DOIS médiuns de 50% de influência, e que formulamos a MESMA questão para os Espíritos responderem por intermédio dos DOIS médiuns, sem que um saiba do outro (médiuns diferentes, de lugares diferentes). Suponha que mesmo havendo diferenças no estilo e na forma das duas mensagens, identificamos uma idéia em comum. Essa idéia em comum é o que chamamos de consenso. Qual a chance da idéia em comum ser dos Espíritos e não o resultado de uma coincidência na influência de cada um dos médiuns?

Para responder essa questão utilizaremos a Teoria da Probabilidade5. Ela diz que a probabilidade de ocorrência de dois eventos independentes entre si (isto é, onde um não é condição para ocorrência do outro) é o produto das probabilidades isoladas de cada uma das ocorrências. Como estamos analisando um caso em que houve um consenso nas mensagens dos Espíritos, então, os únicos eventos independentes entre si são a influência individual de cada médium sobre a mensagem que recebeu. Se escolhemos médiuns diferentes, de diferentes localidades, garantimos que não há nenhuma ligação entre eles e, consequentemente, a influência de um médium sobre a sua comunicação será totalmente independente da influência do outro. Assim, podemos dizer que a probabilidade da idéia em comum ser o resultado de uma coincidência nas influências dos médiuns é o produto das probabilidades isoladas de influência de cada médium. Assim, em nosso exemplo, onde cada médium é de 50% de influência, a probabilidade da idéia em comum ser dos médiuns é o produto 1/2 x 1/2 = 1/4 ou 25% (50% é igual a 50 dividido por 100 que é igual à fração 1/2). Portanto, a probabilidade da idéia em comum não ser influência dos médiuns e, consequentemente, ser dos Espíritos é o que falta para completar os 100%, ou seja, 1 – 1/4 = 3/4 ou 75%.

Se usarmos três médiuns de influência de 50%, e obtivermos um consenso nas mensagens, teremos o produto das três probabilidades individuais de cada médium, ou seja, 1/2 x 1/2 x 1/2 = 1/8 = 12,5%, para que essa idéia seja dos médiuns, e 1 – 1/8 = 3/8 ou 87,5% da idéia ser dos Espíritos.

Essa análise pode ser generalizada para os casos de médiuns que possuem outros valores de probabilidades de influência. Se representarmos por PM a probabilidade individual de cada médium influenciar uma mensagem, e por PE a probabilidade da idéia em comum, obtida por todos os médiuns, ser dos Espíritos, então, aplicando-se a Teoria da Probabilidade, obtemos a seguinte expressão:

PE = 1 – (PM)N , (1)

onde N é o número de médiuns utilizados.

Entretanto, como não sabemos o valor preciso de PM de cada médium, que utilidade teria a análise acima? Conforme veremos a seguir, ela permite estimar o grau de confiança no ensino dos Espíritos no processo de codificação.

Analisemos, agora, a seguinte situação. Suponha que temos à nossa disposição médiuns de influência grande, algo em torno de 80% (bem pior do que o caso anterior de 50%). Queremos saber o seguinte: quantos médiuns de influência de 80% são necessários no método de CUEE para que eu tenha uma garantia de 90% de que a IDÉIA EM COMUM é dos Espíritos e não dos médiuns? Para responder a essa pergunta, nós precisamos de uma outra equação que pode ser obtida a partir da equação (1), de modo a obtermos o valor de N:

N = Log(1 – PE) / Log(PM), (2)

onde “Log” é a função logaritmo simples. O leitor não precisa se preocupar com os detalhes matemáticos referentes a obtenção da equação (2), mas apenas acompanhar o raciocínio. Substituindo os valores PM = 0,8 (= 80%) e PE = 0,9 (= 90%), obtemos N @ 10,3. Isto é, se usarmos N = 11 médiuns de influência de até 80%, podemos garantir com MAIS DE 90% DE CERTEZA, que uma idéia em comum presente nas 11 mensagens (uma de cada médium) é dos Espíritos.

3. A elaboração de O Livro dos Espíritos4

A utilização do método do CUEE é mencionada por Kardec em diversos lugares, porém, sem muitos detalhes sobre o número de médiuns utilizados. Kardec fala da aplicação do CUEE após a publicação do LE (parágrafos 13 e 14 do ítem II do ESE). Mas, durante o processo de elaboração do LE, na Revista Espírita, Kardec6 diz: “(...) Tudo foi obtido pela escrita, por intermédio de DIVERSOS MÉDIUNS psicógrafos. (...).” (grifos em maiúsculas, nossos). Essa colocação mostra que Kardec usou vários médiuns, mas ainda não informa a quantidade utilizada.

Porém, no capítulo “minha primeira iniciação no Espiritismo” de Obras Póstumas7, Kardec diz: “(...)sempre que se apresentava ocasião eu a aproveitava para propor algumas das questões que me pareciam mais espinhosas. Foi assim que MAIS DE 10 MÉDIUNS PRESTARAM CONCURSO a esse trabalho. Da comparação e da fusão de todas as respostas, coordenadas, classificadas e muitas vezes retocadas no silêncio da meditação, foi que elaborei a primeira edição de O Livro dos Espíritos, entregue à publicidade em 18 de abril de 1857.” (Grifos em maiúsculas, nossos).

Se Kardec usou mais de 10 médiuns e se mostramos que 11 médiuns relativamente ruins (de influência de 80%) são suficientes para dar 90% de certeza de que os ensinos são dos Espíritos, podemos afirmar com segurança que o conteúdo do LE tem mais do que 90% de garantia. Se adicionarmos à nossa análise o elevado nível de coerência, consistência e sabedoria presentes no conjunto da obra, somos forçados a admitir que o LE é a expressão mais fidedigna do pensamento dos Espíritos superiores.

4. Conclusão

Neste artigo, demonstramos matematicamente o grau de confiança do LE como fruto do ensinamento dos Espíritos superiores. Empregamos a Teoria da Probabilidade para estimar a influência dos médiuns sobre as comunicações mediúnicas nos casos de consenso. Obtemos uma expressão que permite avaliar o grau de confiança de que o conteúdo das idéias em comum são dos Espíritos e não da mente dos médiuns.

Referências:

[1] A. Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Editora FEB, 112ª Edição, Rio de Janeiro (1996).
[2] A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Editora FEB, 62ª Edição, Rio de Janeiro (1996).
[3] A. L. Xavier Jr., Considerações sobre as idéias de verdade e controvérsias em torno dos ensinos dos Espíritos, Boletim do GEAE 367 (1999), http://www.geae.inf.br/pt/boletins/geae367.html
[4] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76ª Edição, Rio de Janeiro (1995).
[5]http://en.wikipedia.org/wiki/Probability_theory (Escolhemos o link em inglês por estar muito mais completo que a versão em português).
[6] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos 1, p. 31 (1858).
[7] A. Kardec, Obras Póstumas, Editora FEB, 15ª Edição, Rio de Janeiro (1975).

Artigo publicado em Reformador, Julho de 2007, pp. 29-31

sexta-feira, 7 de maio de 2010

ESTUDO ESPIRITA



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primeira parte roberto - o bob
http://www.filosofiaespirita.org/Cidinha%20e%20Bob/Bob%20primeira%20parte.mp3












segunda parte
http://www.filosofiaespirita.org/Cidinha%20e%20Bob/Bob%20segunda%20parte.mp3












final
http://www.filosofiaespirita.org/Cidinha%20e%20Bob/fase%20final.mp3

terça-feira, 27 de abril de 2010

A CEPA e o Evangelho



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De tanto repetir-se uma mentira, muitas vezes ela passa a ser tida como verdade. Das muitas inverdades que se têm dito acerca da C.E.P.A. uma tem sido, ultimamente, repetida tão freqüentemente que recomenda se faça, aqui, um repto, para que não passe, definitivamente, para o rol das pretensas verdades: "a C.E.P.A. não
aceita 'O Evangelho segundo o espiritismo'"!


Essa irresponsável afirmação, sem nenhuma base documental, histórica ou concreta, tem sido veiculada insistentemente em panfletos de extremo mau gosto, vulgarmente agressivos e com clara intenção difamatória, visando atingir uma instituição séria, genuinamente espírita e que tem como um dos pilares de sua atuação precisamente a difusão integral da obra de Allan Kardec.

Mas o respeito que sempre devotamos à obra de Kardec não nos impede, e, antes, nos obriga a reconhecer que dentre todos os excelentes livros que publicou, um pontifica como o mais importante: "O livro dos espíritos". Primeira de suas obras publicadas, revista e ampliada poucos anos após por seu próprio autor, é esse o livro fundamental da doutrina espírita. Resultado de um amplo exercício dialético estabelecido entre Kardec e os espíritos, através de médiuns da maior confiabilidade e em vários pontos da geografia mundial, "O livro dos espíritos" é uma grandiosa síntese das propostas de caráter científico, filosófico e moral do espiritismo. Todos os demais lhe são complementares, dedicando-se, com igual zelo, a aspectos doutrinários ou instrumentais mais específicos. "O Evangelho segundo o espiritismo", por exemplo, enfoca aspectos morais e éticos do espiritismo, analisando-os em consonância com os ensinos de Jesus de Nazaré. Ao ser editada essa obra, as bases fundamentais da moral e da ética espírita já estavam claramente expostas na 3ª parte de "O livro dos espíritos", sob o abrangente título de "Das leis morais", identificadas por Kardec e os espíritos como expressões da própria lei natural ou divina e, por isso, "eternas e imutáveis". "O Evangelho segundo o espiritismo" tem, assim, caráter de complementaridade, o que não reduz sua importância, especialmente considerando a inserção histórica e geográfica do espiritismo num mundo de tradição cristã.

Essa análise, que não é da C.E.P.A., mas de todos os espíritas que respeitam, estudam e buscam interpretar a obra de Kardec num contexto histórico e social, não implica em menosprezo a qualquer de suas obras ou afirmações, embora não as tornando imunes a eventuais críticas pontuais, levando-se em conta as naturais influências relativas a tempo, lugar, cultura, tradições filosóficas ou religiosas que impregnam livros, textos, mensagens ou afirmações de Kardec ou dos espíritos, nas chamadas obras básicas. Afinal de contas, a chamada "revelação espírita" foi um trabalho de homens (encarnados e desencarnados) e não de deuses.

Aquele que não assumir perante o espiritismo, ou qualquer outra proposta cultural, uma postura crítica corre o risco de simplificações facilmente deturpadoras que levam ao sectarismo, ao fanatismo e à intolerância. Uma atitude totalmente acrítica, por exemplo, é aquela que leva muitos espíritas a superdimensionar os evangelhos ou os chamados "valores cristãos" dentro do espiritismo, de tal forma que, ao invés de interpretar o "Evangelho segundo o espiritismo", interpretam o Espiritismo segundo o Evangelho, ou, segundo o cristianismo. Subordinam, dessa forma, uma proposta moderna, universalista, construída com vocação permanentemente progressista e atualizável, a uma cultura que, em seus 2.000 anos de existência, teve altos e baixos e que terminou cristalizando condutas e conceitos tidos pela cristandade como "evangélicos", mas claramente distanciados da mensagem original de Jesus, nem sempre se coadunando, também, com a ética universal, arreligiosa, laica, igualitária, fraterna e espiritual, hoje aspirada pelos povos.

A C.E.P.A. aceita e valoriza o Evangelho dos cristãos na medida exata da lúcida proposição feita por Kardec na introdução de "O Evangelho segundo o espiritismo": enquanto expressão de uma ética universal, assectária, válida em qualquer tempo e espaço, expressão da lei natural, "eterna e imutável", conforme a adjetivação da questão 615 de "O livro dos espíritos".

Freqüentemente, também, têm-se acusado a C.E.P.A. de afirmar que "a moral espírita é superior à moral de Jesus". Ora, na mesma ordem de raciocínio, não cabe supremacia de uma sobre a outra: a moral espírita não é superior nem inferior à moral de Jesus. É exatamente a mesma, com uma vantagem de relevância meramente cronológica: por estar o espiritismo inserido na modernidade e por se propor a tornar- se expressão de perene contemporaneidade, assimilou os grandes valores humanistas conquistados justamente em oposição à opressão religiosa que a cristandade instaurou em nossa história. Essas características lhe dão mobilidade e transformabilidade, fazendo-o capaz de se utilizar dos signos de seu tempo e de se adaptar ao avanço da ciência, à mutabilidade da linguagem e da cultura e aos padrões socioculturais hodiernos.

Essa é a visão que a C.E.P.A. tem divulgado com toda a clareza, explicitando, também, que há uma nítida distinção entre Jesus e cristianismo, o que nos leva a reafirmar estarmos totalmente com os ensinos morais do Nazareno, o que não implica aceitarmos a adjetivações dadas ao espiritismo de "cristão" ou "evangélico".

Quem não for capaz de entender isso que siga dizendo que o espiritismo é "o cristianismo redivivo", "a terceira revelação divina", etc., mas que o faça sem violentar a verdade dos fatos e sem distorcer palavras alheias, mantendo postura minimamente ética no debate de idéias.

Artigo publicado no Boletim CEPA BRASIL, de dezembro/2.000.

Sobre posicionamento da CEPA

(Transcrição de e-mail do presidente da CEPA, Milton Medran Moreira, dirigido a diversos destinatários, a respeito de ataques da ADE-RS à CEPA)

Amigos de ideal espírita:
A presente manifestação oportuniza-nos dar ciência a quem, eventualmente, não o haja lido do artigo que publicamos no boletim CEPA BRASIL, sob o título "A CEPA E O EVANGELHO". Aquela manifestação, e não as inúmeras matérias, de autores identificados ou não, que insistem com chavões do tipo "A Cepa quer tirar Jesus do espiritismo", "A Cepa não aceita o Evangelho", etc., representa o pensamento construído e divulgado, responsavelmente, ao curso de mais de meio século pela Confederação Espírita Pan-Americana.

O pensamento da CEPA é sempre claro. Está exposto, sem tergiversações, nos documentos que torna públicos em seus congressos, conferências e, hoje, no boletim CEPA BRASIL, órgão oficial das instituições adesas e filiadas à CEPA no Brasil.

Esse boletim é publicado mensalmente, como encarte do jornal OPINIÃO, órgão do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre (CCEPA), que tem plena identidade com a Confederação Espírita Pan-Americana, da qual é
filiada.

Nesses mesmos órgãos, e nas sucessivas edições da revista "América Espírita", que tem circulação mundial, relacionam-se com freqüência as dezenas de federações, centros espíritas, associações espíritas, bibliotecas, centros culturais e pessoas físicas que, na América (e agora também na Espanha e França) têm vínculos institucionais com a CEPA.

O projeto da CEPA no Brasil, onde já conta com aproximadamente duas dezenas de instituições filiadas e com delegados em inúmeras cidades e Estados, não é de confronto e nem de concorrência com o movimento espírita aqui organizado. A partir de estruturas organizacionais próprias e tendo como inspiração de todo o seu trabalho os postulados básicos da obra de Kardec, a CEPA respeita e busca o diálogo e o intercâmbio com todo o movimento espírita, sem qualquer restrição e sob o lema kardequiano de "trabalho, solidariedade e tolerância".

Nossa visão de movimento espírita não contempla qualquer sentido de "poder" ou de "dominação", ou de imposição de idéias. Federações, confederações, associações espíritas, conselhos espíritas, no nosso entender, devem ser órgãos que cultivam a liberdade de pensamento, de ação, de autogestão, dentro de suas concepções institucionais. Buscamos muito mais a "união" de todos os espíritas naquilo que lhes é comum e básico, do que a "unificação", em uma estrutura de poder estratificada e hegemônica. Para nós, o espiritismo é uma proposta livre-pensadora e, logo, suas instituições devem preservar sua independência, respeitados os pressupostos doutrinários fundamentais, aos quais aderiram livre e espontaneamente.

Esse nosso perfil não se compatibiliza com agressões, com manifestações de baixo nível, fundadas no "diz-que diz-que". Admitimos que o espiritismo é um pensamento em constante construção, a partir dos fundamentos básicos expostos na obra de Kardec. Daí haver um espaço amplo para o debate, para a atualização constante, mas sempre em termos respeitosos, democráticos, abertos.

Nossos espaços, na pequena imprensa que mantemos, não se abrem a discussões estéreis, nem a guerras institucionais contra irmãos de ideal que têm posições em algum ponto discordante das nossas. A nós não interessa quantos centros a Federação "A" ou a União "B" tem ou deixa de ter. Importa que o movimento espírita amadureça a ponto de poder, livremente, criar os vínculos que bem desejar, com quantas federações, uniões ou confederações quiser, sem que umas patrulhem as outras. Há instituições, no Brasil, filiadas à CEPA e que, concomitantemente, mantêm vínculos institucionais com suas espectivas federações ou uniões estaduais. Reconhecemos em cada centro espírita e, especialmente, em cada cidadão espírita, o direito de estabelecer os vínculos institucionais que desejar, com amplos critérios de liberdade. Defendemos, por outro lado, a necessidade de as instituições espíritas respeitarem suas naturais diferenças, convivendo fraternalmente entre si e ampliando espaços dentro dos quais se possa realizar um trabalho conjunto. Essa, aliás, é uma consciência que está crescendo no Brasil. Recentemente a USE promoveu em S.Paulo o I ENCOESP, reunindo dezenas de federações, confederações, uniões, etc., com a participação de mais de 1.300 centros espíritas. A CEPA participou desse evento e iniciou produtivo intercâmbio não apenas com a União das Sociedades Espíritas de S.Paulo, da qual foi parceira naquele grande evento, mas com inúmeras outras instituições lá presentes.

A respeito disso, estamos, além do artigo já citado, anexando o editorial "Rumo à síntese de Kardec", que estamos publicando no jornal Opinião (jan/fev.2001), e o artigo "A Cepa e o Encoesp", que publico em "A Palavra da Cepa" no boletim CEPA BRASIL , encartado na mesma edição.

Isso representa a palavra oficial e autêntica do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre, órgão responsável pelo jornal Opinião, e da Confederação Espírita Pan-Americana que edita o encarte aludido.

Tanto um como outro desses órgãos estão à disposição para a publicação de matérias que se inspirem nesses pressupostos de respeito ao pensamento espírita e que, de alguma forma, contribuam com esse ideal de unidade do pensamento espírita, naquilo que lhe é essencial. Não abriremos espaço, entretanto, jamais, para o debate estéril, agressivo, semeador da desunião ou voltado para a difamação ou para a calúnia. Quem preferir esse caminho, continuará falando sozinho.

A CEPA não se prestará jamais a esse comportamento panfletário e irresponsável.

Com um abraço cordial,
Milton Rubens Medran Moreira
Presidente da CEPA.

A História do Café da Manhã