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domingo, 28 de novembro de 2010

Espíritas na política





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Paulo Roberto Santos

É por demais conhecida a resistência dos espíritas em tratar de questões políticas dentro ou fora dos centros. A política, em virtude de Ter se convertido em campo fértil para a ação de aproveitadores e espertalhões de todo tipo, passou a causar desinteresse por parte daqueles que por uma razão ou outra não concordam com tal estado de coisas, embora na prática, nada façam para mudá-lo.

Há muitos equívocos, ignorância e falso moralismo quando se fala em política. Confunde-se politiquice, politicagem e politicalha com a arte da política, a ciência política, voltada para a gestão do interesse coletivo dentro das normas e princípios éticos extremamente importantes para a vida de relação.

É verdade que a política partidária vai de mal a pior. Com o afastamento dos grandes estadistas da função pública, por velhice, morte, desinteresse descrença, etc., o campo fica livre para os corruptos e corruptores que se valem do poder e prestígio dados pela posição para favorecimentos pessoais, de amigos, empresas, etc.

No entanto, existem (ainda bem) bons políticos dirigindo os interesses da nação. São poucos e para aumentar seu número deveríamos passar do estágio da indignação para o da ação.

Para isso é preciso rever conceitos, concepções e idéias acerca da função pública e retomá-la como atividade saudável para saneá-la em seus procedimentos e objetivos.
Será que o espírita está impedido de exercer alguma função política?

Não há em lugar algum da codificação alguma referência que descredencie a política como atividade humana necessária à vida social ou que a apresente como algo que degrade o ser humano, que o rebaixe de alguma forma. Existem, sim, textos vários que, se lidos de uma perspectiva política, podem fornecer preciosos subsídios para aqueles que desejem atuar formal ou informalmente na vida pública. A terceira parte de O Livro dos Espíritos, por exemplo, que trata das Leis Morais, vários textos inseridos em Obras Póstumas (como As Aristocracias) e mesmo em O Evangelho Segundo o Espiritismo.

A verdade é que a vida social exige a convivência política, própria da “polis”, lugar onde vivem os cidadãos. E o Estado tornou-se uma necessidade, tanto quanto a estrutura burocrática e os partidos e respectivos representantes, apesar de todas as merecidas críticas.

Será que o espírita está impedido de exercer alguma função política? Do ponto de vista doutrinário, certamente não. É uma atividade como outra qualquer, com seus tropeços e dificuldades, exigindo habilidades e vocação. A rejeição generalizada da política dentro do movimento espírita deve-se à nossa formação basicamente religiosa e mística, raiando o pieguismo e, principalmente, a preconceitos totalmente infundados. Poucos seriam capazes de justificar racionalmente, razoavelmente e doutrinariamente, porque não participar da política partidária, da defesa dos interesses da nação e do bem comum. Na verdade, é mais cômodo deixar que outros se ocupem dessas tarefas estressantes, comprometedoras e de alto risco. Dentro dessa lógica, como melhorar a vida social, se aqueles que poderiam levar conceitos e parâmetros novos para as deCisões nas Câmaras de Vereadores ou Assembléias Legislativas, se limitam a fazer coro com os críticos de plantão?

A Doutrina Espírita tem muito a oferecer para a vida pública através de eventuais representantes, influenciando na elaboração de novas leis, inibindo a ação de aproveitadores através de posturas mais éticas, sem concessões perigosas, com discursos moralizadores (e não falso moralismo), que mostrem que - há alternativas, novas possibilidades e novos caminhos.

Quem poderia, afinal, tornar-se um candidato às eleições e assumir um cargo de representatividade na esfera partidária? Qualquer espírita, homem ou mulher, com boa formação doutrinária, alguma experiência de vida, boa saúde física e emocional, bom nível de cultura geral, boas idéias e algum carisma, além de facilidade de expressar-se por escrito ou verbalmente. Convém lembrar que a função política tornou-se uma função técnica onde só a boa vontade não basta. Uma equipe de apoio, coragem para o exercício do mandato e, certamente, a Providência Divina não faltará com o restante. Cuidado especial deve ser tomado na escolha do partido político. Uma escolha errada pode por tudo a perder já que os partidos representam interesses de parcelas da população, de grupos sociais e até de setores empresariais. Deve-se buscar o partido que mais se aproxime, em sua plataforma de trabalho, do ideário espírita. Certamente não serão os partidos de direita, ligados a setores conservadores e retrógrados das oligarquias, urbana ou agrária.

O assunto é polêmico sem dúvida, mas merece reflexões por parte daqueles de mente mais aberta e que já se cansaram de ver as coisas se repetindo. Gente mexendo em tudo para não mudar nada e a miséria se alastrando como uma praga. Há uma boa bibliografia espírita para subsidiar as reflexões dos interessados como:

Filosofia Social Espírita (FEB) e O Plano Social de Deus (Edicel), ambos de Ney Lobo. Espiritismo e Formação Política, de nossa autoria (EME Ed.), Parapsicologia e Materialismo Histórico de Humberto Mariotti (Edicel), e os textos citados da Codificação, para mencionar apenas alguns. Espíritas na política sim. Por que não?

REVISTA ESPÍRITA DE CAMPOS – NO. 51 jul/ago/set 99

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