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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Em defesa do espiritismo deísta.




Em defesa do espiritismo deísta.

Este artigo tem como principal objetivo explicar porque como filosofo deísta defendo que a doutrina espirita retorne para sua origem que é explicitamente Deísta.
Para isso vamos aplicar aqui o principio de não contradição de Aristóteles e para não restar dúvida usaremos a navalha de occam para finalizar.
Bem vamos começar a explicar o que é o deísmo e qual é sua influencia sobre a doutrina espirita.

O deísmo é uma crença em um ser supremo que permanece incognoscível e intocável. Deus é visto apenas como a "primeira causa" e o princípio básico da racionalidade do universo.
Para aquele que conhecem a doutrina espirita sabem que no O Livro dos Espíritos esta é a resposta da questão 01
01 O que é Deus?
Resposta – Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.


Os deístas acreditam em um deus da natureza - um criador não intervencionista - que permite que o universo corra o seu próprio curso de acordo com as leis naturais. Como um "deus relojoeiro" iniciando o processo cósmico, o universo segue adiante sem necessitar da supervisão de Deus.

Vejamos a definição de Deus segundo Allan Kardec no Cap.II pág.47 do Livro "A Gênese;
4. - Em toda parte se reconhece a presença do homem pelas suas obras. A existência dos homens antediluvianos não se provaria unicamente por meio dos fósseis humanos: provou-a também, e com muita certeza, a presença, nos terrenos daquela época, de objetos trabalhados pelos homens. Um fragmento de vaso, uma pedra talhada, uma arma, um tijolo bastarão para lhe atestar a presença. Pela grosseria ou perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau de inteligência ou de adiantamento dos que o executaram. Se, pois, achando-vos numa região habitada exclusivamente por selvagens, descobrirdes uma estátua digna de Fídias, não hesitareis em dizer que, sendo incapazes de tê-la feito os selvagens, ela é obra de uma inteligência superior à destes.

5. - Pois bem! lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, notando a providência, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras, reconhece o observador não haver nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana. Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são produto de uma inteligência superior à Humanidade, a menos se sustente que há efeitos sem causa.

6.- (...)A existência do relógio atesta a existência do relojoeiro; a engenhosidade do mecanismo lhe atesta a inteligência e o saber. Quando um relógio vos dá, no momento preciso, a indicação de que necessitais já vos terá vindo à mente dizer: aí está um relógio bem inteligente?

Outro tanto ocorre com o mecanismo do Universo: Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras.

O deísmo acredita que as leis precisas e invariáveis definem o universo como possuindo autofuncionamento e sendo autoexplicativo. Estas leis revelam-se através da "luz da razão e da natureza". Confiança no poder da razão troca a fé pela lógica humana.

Agora vamos ver se encontramos grandes diferenças entre o raciocínio deísta é o espirita.

01-DEÍSMO - * Deus é identificado através da natureza e da razão, e não da revelação. Os deístas que creem em Deus, ou pelo menos em um princípio divino, seguem poucos (quando seguem) dos outros princípios e práticas do Cristianismo, Judaísmo ou de qualquer religião que acredite em um Deus pessoal. Qualquer deus deísta é uma entidade eterna cujo poder é igual à sua vontade.
01-ESPIRITIA - * 20. - A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial.
«Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo?» Esta a interrogação que a si mesmo dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a existência de Deus, só se pode admitir, quanto à sua ação, que ela se exerça sobre as leis gerais do Universo; que este funcione de toda a eternidade em virtude dessas leis, às quais toda criatura se acha submetida na esfera de suas atividades, sem que haja mister a intervenção incessante da Providência.( Cap.II do Livro "A Gênese)

02-DEÍSMO * Alguns deístas creem em Jesus Cristo, enquanto que outros não. A maioria dos deístas mostra respeito aos ensinamentos morais de Jesus.
02-ESPIRITIA- * Para o espirita o mesmo se aplica e poderíamos ir mais longe quando encontramos no ESE(Evangelho Segundo o Espiritismo) a seguinte mensagem: “Foi Moisés quem abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá”.

03-DEÍSMO * A Bíblia não é aceita como a infalível Palavra de Deus. Os deístas refutam a evidência da encarnação de Jesus como sendo Deus na Terra. Eles negam a credibilidade de qualquer escrito dos apóstolos ou qualquer outro escrito "divinamente inspirado".
03-ESPIRITIA- * No cap. III do livro dos Espiritos, final do item 59, depois de analisar as contradições entre a Bíblia e as Ciências, no tocante à criação do mundo, Kardec declara: "Devemos concluir que a Bíblia é um erro?
Não; mas que os homens se enganaram na sua interpretação".
Devemos reconhecer na Bíblia a sua natureza profética (ou seja: mediúnica), encerrando a l Revelação, no ciclo histórico das revelações cristãs. Esse ciclo começa com Moisés (l Revelação), define-se com Jesus (II Revelação) e encerra-se com o Espiritismo (III Revelação). Os leitores encontrarão explicações detalhadas a respeito em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, que é um manual de moral evangélica.
O conceito espírita de Revelação, porém, não é o mesmo das religiões em geral. Revelar é ensinar, e isso tanto pode ser feito pelos Espíritos (revelação divina) quanto pelos homens
(revelação humana), assim com esta sendo feito aqui revelando a influencia deista na doutrina espirita, e isto não tem nada de sobrenatural.
Portanto para o espirita a Bíblia não é a palavra de Deus, pois Deus não escreve livros, ele se revela através das Leis da Natureza.

04-DEÍSMO * O deísmo não tem nenhum credo, artigos de fé ou livro sagrado. Satanás e o inferno não existem, apenas símbolos do mal que podem ser superados pelo raciocínio do próprio homem.
04-ESPIRITIA- * A prática espírita é realizada com simplicidade, sem nenhum culto exterior, não tem sacerdotes e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: altares, imagens, andores, velas, procissões, sacramentos, concessões de indulgência, paramentos, bebidas alcoólicas ou alucinógenos, incenso, fumo, talismãs, amuletos, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais ou quaisquer objetos, rituais ou formas de culto exterior.
O Espiritismo não impõe os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-lo a submeterem os seus ensinos ao crivo da razão, antes de aceitá-los.

05-DEÍSMO * O homem tem a capacidade de decidir o caminho sensato a ser seguido quanto à sua moralidade. Os deístas se referem a si mesmos como "livres pensadores".
05-ESPIRITIA- * Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade. Está é a máxima que foi ao longo do tempo abandonada pelos espiritas Brasileiros, que trocaram a razão por psicografias duvidosas.
Pois Kardec no O Livro dos Espíritos na questão 619 recebe a resposta dos espíritos que Deus deu a todos os Homens a oportunidade de conhecer sua lei, mas os que a compreendem melhor são os que se esforçam para encontrá-la, ou seja, usam a razão e no, 621 a firmam que a lei de Deus esta na consciência.
Assim como Kant que acreditava que a capacidade de distinguir o certo é errado é inato.

06-DEÍSMO * Os deístas rejeitam revelações e visões. Não há lugar para o absurdo de milagres e profecias na vida de um deísta iluminado.
06-ESPIRITIA- * Vamos consultar o que orienta a A Gênese sobre “OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO”
14. - Pois que o Espiritismo repudia toda pretensão às coisas miraculosas, haverá, fora dele, milagres, na acepção usual desta palavra?
Digamos, primeiramente, que, dos fatos reputados milagrosos, ocorridos antes do advento do Espiritismo e que ainda no presente ocorrem, a maior parte, senão todos, encontram explicação nas novas leis que ele veio revelar. Esses fatos, portanto, se compreendem, embora sob outro nome, na ordem dos fenômenos espíritas e, como tais, nada têm de sobrenatural. Fique, porém, bem entendido que nos referimos aos fatos autênticos e não aos que, com a denominação de milagres, são produto de uma indigna trampolinice, com o fito de explorar a credulidade.

07-DEÍSMO * O deísmo não tem necessidade de ministros, padres ou rabinos. Tudo de que um indivíduo precisa é o seu próprio bom senso e a capacidade de contemplar a sua condição humana.
07-ESPIRITIA- * Isto esta respondido na 04 .

Vamos apresentar mais alguns dados para contribuir com nosso ponto de vista.
Herbert apresentou os pontos básicos do deísmo que pode ser resumido na seguinte maneira: "Deus existe, e pode ser cultuado pelo arrependimento e por uma vida de tal modo digna, que a alma imortal possa receber a recompensa eterna em vez do castigo". Outros deístas influentes, como Charles Bloynt (1654-1693), John Tolarndt(1670-1722), Lorde Shaftesbury (1671-1713) pregaram que o cristianismo não era um mistério e poderia ter sua autenticidade verificada pela razão; tudo o que não pudesse ser provado pela razão deveria ser descartado.

Entretanto, foi na época do Iluminismo no final do século XVII, que o movimento deísta atingiu o seu apogeu partir dos escritos de autores ingleses e franceses como Thomas Hobbes, John Locke, Jean Jacques Rousseau e Voltaire. O mais famoso dos deístas franceses foi Voltaire, que adquiriu o gosto pela ciência newtoniana, e reforçou inclinações deístas, durante uma visita de dois anos a Inglaterra a partir de 1726.

Agora vamos pegar um pequeno trecho do o dicionário Filosófico de Voltaire onde ele aborda o tema milagres.
Um milagre é a violação das leis matemáticas, divinas, imutáveis, eternas. Mediante essa única exposição, um milagre é uma contradição nos termos. Uma lei não pode ser mutável a violada. Mas uma lei, diz-se-lhes, sendo estabelecida por Deus mesmo, não poderá ser suspensa pelo seu autor?
(...) Demais, Deus nada pode fazer sem razão; ora, que razão poderia levá-lo a desfigurar por algum tempo a sua própria obra? É em favor dos homens, diz-se-lhes. Será, pois, ao menos em favor de todos os homens respondem eles: pois é impossível conceber que a natureza divina trabalhe para alguns homens em particular e não para todo o gênero humano; mesmo o gênero humano é pouca coisa: é muito menos do que um pequeno formigueiro em comparação com todos os entes que preenchem a imensidão. Ora, não é a mais absurda das loucuras imaginarem que o Ser Infinito invertesse em favor de três ou quatro centenas de formigas nesse pequeno pedaço de lodo, o movimento eterno dessas molas imensas que fazem mover o inteiro universo?

Vamos comparar com o que defende a doutrina espirita e ver se encontramos diferenças.
Faz Deus milagres?( A Gênese CAPÍTULO XIII)

15. - Quanto aos milagres propriamente ditos, Deus, visto que nada lhe é impossível, pode fazê-los. Mas, fá-los? Ou, por outras palavras; derroga as leis que dele próprio emanaram? Não cabe ao homem prejulgar os atos da Divindade, nem os subordinar à fraqueza do seu entendimento. Contudo, em face das coisas divinas, temos, para critério do nosso juízo, os atributos mesmos de Deus. Ao poder soberano reúne ele a soberana sabedoria, donde se deve concluir que não faz coisa alguma inútil.

Por que, então, faria milagres? Para atestar o seu poder, dizem. Mas, o poder de Deus não se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto das obras da criação, pela sábia previdência que essa criação revela, assim nas partes mais gigantescas, como nas mais mínimas, e pela harmonia das leis que regem o mecanismo do Universo, do que por algumas pequeninas e pueris derrogações que todos os prestímanos sabem imitar? Que se diria de uni sábio mecânico que, para provar a sua habilidade, desmantelasse um relógio construído pelas suas mãos, obra-prima de ciência, a fim de mostrar que pode desmanchar o que fizera? Seu saber, ao contrário, não ressalta muito mais da regularidade e da precisão do movimento da sua obra?


Não é, pois, da alçada do Espiritismo a questão dos milagres; mas, ponderando que Deus não faz coisas inúteis, ele emite a seguinte opinião: Não sendo necessários os milagres para a glorificação de Deus, nada no Universo se produz fora do âmbito das leis gerais. Deus não faz milagres, porque, sendo, como são, perfeitas as suas leis, não lhe é necessário derrogá-las. Se há fatos que não compreendemos, é que ainda nos faltam os conhecimentos necessários.
(...)
Querem dar ao povo, aos ignorantes, aos pobres de espírito uma ideia do poder de Deus? Mostrem-no na sabedoria infinita que preside a tudo, no admirável organismo de tudo o que vive, na frutificação das plantas, na apropriação de todas as partes de cada ser às suas necessidades, de acordo com o meio onde ele é posto a viver. Mostrem-lhes a ação de Deus na vergôntea de um arbusto, na flor que desabrocha, no Sol que tudo vivifica.
(...)
Então, os homens serão verdadeiramente religiosos, racionalmente religiosos, sobretudo, muito mais do que acreditando em pedras que suam sangue, ou em estátuas que piscam os olhos e derramam lágrimas.

Bem agora vamos analisar onde Kardec se equivocou, pois temos que considerar que debaixo do sol não existe perfeição, pois, podemos ver que existe diversos equívocos nas respostas do o Livro dos Espíritos e em alguns dados da A Gênese.

Antes explicando o que significa: A Navalha de Occam ou Navalha de Ockham é um princípio lógico atribuído ao lógico e frade franciscano inglês William de Ockham (século XIV).

O princípio afirma que a explicação para qualquer fenómeno deve assumir apenas as premissas estritamente necessárias à explicação do fenómeno e eliminar todas as que não causariam qualquer diferença aparente nas predições da hipótese ou teoria.

O princípio é frequentemente designado pela expressão latina Lex Parsimoniae (Lei da Parcimónia)

Pois foi este principio que foi aplicado para explicar a explicita influencia deísta na doutrina colocando abaixo esta analise de Kardec. Usando como pode ser visto a premissas de comparação e ou analogia.

Mas agora vemos em; Obras Póstumas (As cinco alternativas da humanidade)
Os deístas independentes crêem em Deus; admitem todos os seus atributos como criador. Deus, dizem eles, estabeleceu as leis gerais que regem o Universo, mas essas leis, uma vez criadas, funcionam sozinhas, e seu autor não se ocupa mais de nada. As criaturas fazem o que querem ou o que podem, sem que com isso se inquietem. Não há, providência; Deus, não se ocupando conosco, nada há a agradecer-lhe, nem a pedir-lhe.
Há uma diferença essencial entre o deísta independente dos quais acabamos de falar, e o deísta providencial; este último, com efeito, crê não só na existência e no poder criador de Deus, na origem das coisas; crê ainda em sua intervenção incessante na criação e a pede, mas não admite o culto exterior e o dogmatismo atual.

Vemos que Kardec faz uma analise do Deísmo, mas no fim não é outra coisa que a doutrina espirita ensina.

A responsabilidade espírita é individual, cada qual responde por si mesmo e não pode prender-se a supostos mestres espirituais é o despertar da consciência na experiência é o seu caminho único de progresso. Ele não confia em palavras, mas nos fatos.
Não busca a ilusão de uma salvação confessional, mas aprofunda-se no conhecimento doutrinário para saber por si mesmo onde pisa e para onde vai.

Na doutrina espírita a dúvida é um dos elementos básicos para a busca da verdade. Kardec a aconselha como método de controle das manifestações mediúnicas e dos estudos dos princípios doutrinários. Mostrando e demonstrando que a atitude comodista de que Deus faz e nós desfrutamos ou suportamos não tem lugar na doutrina espirita. Pois o fazer de Deus no mundo humano se realiza através dos homens capazes de captar a sua vontade e executa-las.

Hora como visto anterior mente e principalmente para aqueles que conhecem a doutrina espirita, segundo as obras básicas não segundo algumas psicografias ordinárias e vazias que só tem um efeito, fazer as pessoas de bom senso acreditar que os espiritas não passam de uma tropilha de ignorantes e sem noção.

Aquele que conhece sabe que a base contradiz Kardec, e aplicando o principio de não contradição de Aristóteles que defende que “O que é em quanto é não pode não ser” temos que ter a atitude de honestidade intelectual e reconhecer que Kardec foi infeliz nesta observação.

Todavia, não apenas no método de elaboração o Espiritismo é herdeiro do Pensamento
Iluminista que na sua maioria eram Deístas, o é também em toda a Teoria Espírita. No “Livro dos Espíritos”, obra que contém a formulação da Codificação Kardeciana resumida em capítulos, encontramos a sua parte terceira dedicada exclusivamente às “Leis morais”, todas elas concebidas, estudadas, utilizadas e defendidas pelo Iluminismo. Pensadores como Rousseau no seu “O Contrato Social”, Montesquieu em “O Espírito das Leis”, Maquiavel (1995) em “O Príncipe”, Descartes em “O Discurso do método”, Voltaire, Diderot, e muitos outros Iluministas escreveram sobre as “Leis históricas do definir”, Leis da sociedade, Lei do Progresso, de Igualdade, de Liberdade, de Justiça e outras.


Agora passando para “O Evangelho segundo o Espiritismo” na pág. 302 do livro em questão Kardec mostra as distâncias entre ver e compreender:

“A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender.”

A fé que tem base no ver é a fé de São Tomé, é “ver para crer” e bem sabemos que essa fé não é suficiente para converter, os ícones do materialismo extremado. Só a fé do saber dá as bases seguras para compreensão e aceitação.

Por isso Kardec no virar da página adverte:
“Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.”

Com a palavra o leitor.

Francisco de Assis
Filósofo Deísta editor do site República dos Espíritos.

Porque o Espíritismo é antimarxista?






“Casar com um milionário pode elevar uma mulher no seu círculo social ou fazê-la obter um excelente emprego, mas nenhum dinheiro no mundo jamais irá comprar seu auto-respeito e a profunda satisfação que vem com conquistas pessoais.
 Você pode comprar a felicidade, mas somente com o dinheiro que você verdadeiramente produziu. 
- Xenia Tchoumitcheva, objetivista.


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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Homofobia um insulto e uma fraude.





Watch live video from República dos Espiritos on Justin.tv
Homofobia um insulto e uma fraude.
Este artigo busca espicaçar o atual embuste que é o de acusar as pessoas de serem homofobicas ou até mesmo artigos ou opiniões usando esta palavra homofobia.
Então pesquisei e gostaria que algum advogado complementasse este artigo, pois conclui depois de minha pesquisa que se alguém me acusar de homofobico este alguém é passível de processo por danos morais.
Pois se o repórter ou uma pessoa aponta o dedo e acusa alguém de homofobico o ônus da prova cabe ao que esta fazendo a acusação

Vamos entrar nesta questão mais adiante cabe em primeiro lugar esclarecer a homofobia.A “homofobia” foi posta em circulação pelo psiquiatra norte-americano George Weinberg em 1966, a pedido de uma denominada Gay Activist Alliance (GAA), sem qualquer base científica demonstrada, e unicamente uma arma semântica para neutralizar os opositores do movimento homosexual

O dicionário Longman's, um dos mais atualizados da língua inglesa, define “homofobia” como “medo e ódio aos homossexuais”. O termo foi introduzido no vocabulário do ativismo gay pelo psiquiatra George Weinberg, no livro Society and the Healthy Homosexual (New York, St, Martin's Press, 1972) para designar o complexo emocional que, no seu entender, seria a causa da violência criminosa contra homossexuais.
Todavia até agora ninguém conseguiu demonstrar a existência de tal patologia, nem poderá fazé-lo. Mais fácil será demonstrar que existe papai Noel ou a mula sem cabeça do que homofobia.
Segundo a página do Wikipédia feita pelo Portal LGBT esta é a definição para o termo HOMOFOBIA.
A homofobia (homo= igual, fobia=do Grego φόβος "medo"), é um termo utilizado para identificar o ódio, a aversão ou a discriminação de uma pessoa contra homossexuais e, conseqüentemente, contra a homossexualidade, e que pode incluir formas sutis, silenciosas e insidiosas de preconceito e discriminação contra homossexuais.

Certo vamos separar as coisas para uma melhor compreensão do raciocínio.
O sufixo fobia é o único elemento comum, e se origina do latim cientifico, phobia e se origina do grego, também nome de uma divindade grega “phobos,” significando "pânico, terror", que incutia medo aos inimigos; daí os guerreiros dispunham de sua efígie nas armas.

A fobia ocasiona um estado de angústia, impossível de ser dominado, que se traduz por violenta reação de evitamento, e que sobrevém de modo relativamente persistente, quando certos objetos, tipos de objeto ou situações se fazem presentes, imaginados ou mencionados
As fobias são classificadas entre as neuroses de angústia, na teoria clássica das neuroses.
Uma fobia é uma espécie particular de medo.
Fobias identificadas pela psiquiatria.
Homofobia — etimologicamente medo do semelhante, uso comum: medo da homossexualidade
FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo: Lista_de_fobias

Vamos ver outras fobias.
Aracnofobia = aversão e medo mórbido irracional, desproporcional e persistente de aranha.A agorafobia é o comportamento de evitação provocado por lugares ou situações onde o escape seria difícil ou embaraçoso caso se tenha uma crise de pânico ou algum mal estar.A acrofobia pode ser perigosa, pois indivíduos que sofrem dela podem ter um ataque de pânico ao encontrarem-se em um lugar alto e não vislumbrarem uma forma de sair dele.
Bacillofobia = aversão e medo mórbido irracional, desproporcional persistente e repugnante de micróbios.
Portanto toda FOBIA é uma patologia.
O que é uma patologia?
Patologia (derivado do grego pathos, sofrimento, doença, e logia, ciência, estudo) é o estudo das doenças em geral sob aspectos determinados.
Mas até o momento atual ninguém provou cientificamente que homofobia seja uma patologia, ou seja, a homofobia, nada mais é que uma fraude sensacionalista e vazia que saiu do nada para atingir lugar algum.

Sendo usado desta forma como bandeira por grupos LGBT para defender sua opinião.
E a população como não é dada a pensamentos mais profundos, abraçou e repete a palavra sem cogitar de sua veracidade, sai acusando as pessoas, de homofobicos.
Certo mas o que significa o prefixo Homo?
Homo vêm do grego, significa "igual", por isso temos palavras homônimas (com mesma grafia e pronúncia), homogêneo (mesma natureza).
No caso, homossexual significaria aquela pessoa que sente atração pelo mesmo sexo.
Observada esta expressão, lato sensu, ter-se-ia: medo do homem, já pelo lado que considera "homo" como "igual", "do mesmo gênero", teria: medo do igual ou medo daquilo que é do mesmo gênero. Isto, porque "fobia" designa "medo", "receio" em qualquer dos casos.

A homofobia tem sido utilizada como termo sinônimo de "homofagia", distorcendo, dessa maneira, sua verdadeira definição.
Portanto o uso deste termo para acusar as pessoas de homofobicas é uma fraude clinica e de etimologia.
A partir do momento que se usa a palavra como metáfora para punir as pessoas.
Bem dito isso só podemos concluir que ao acusar alguém de homofobia esta dizendo que esta pessoa é um doente mental que tem medo de seus iguais.

Podemos concluir que é totalmente errôneo que homofobia seja ódio de pessoas de comportamento sexual diferente e sim medo de iguais.
Homem com medo de Homem, Gay com medo de Gay, Mulher com medo de Mulher isso lógico usando de honestidade intelectual.

Agora sobre a questão do ônus da prova acredito que a gravidade do insulto, em si, é monstruosa, e qualquer pessoa que o sofra pode e deve processar criminalmente o atacante antes que este, usando seu próprio crime como prova contra a vítima, a processe por “homofobia”.
Toda e qualquer acusação de “homofobia”, se não dirigida a autor comprovado de crime violento contra homossexuais, é crime de injúria, difamação e calúnia, acrescido do uso fraudulento da justiça como instrumento de perseguição política.

Conseqüentemente os que por ventura forem acusados dessa fraude devem processar os acusadores, pois do contrário correm o risco de ir para cadeia por motivos metafóricos.
Pois cabe a quem acusa provar que você é um doente mental e muito mais que esta palavra se aplica ao seu caso.
O ônus da prova parte do princípio que toda afirmação precisa de sustentação, de provas para ser levada em consideração. Se tais provas e argumentos não são oferecidos, essa afirmação não tem valor argumentativo e deve ser desconsiderada em um raciocínio lógico.

O ónus da prova ou ônus da prova é uma ferramenta de lógica usada para definir quem é a pessoa responsável por sustentar uma proposição ou conceito. Especifica que a pessoa responsável por uma determinada proposição é também aquela que deve oferecer as provas necessárias para sustentá-la.
“A palavra ônus vem do latim “onus, oneris”, que significa carga, peso fardo, encargo, aquilo que sobrepesa.”
“á acusação cabe o ônus de provar a existência de um fato penalmente ilícito, a sua realização pelo denunciado e a culpa (strictu senso); à defesa compete demonstrar a inexistência de dolo, causas extintivas da punibilidade, causas excludentes da antijuricidade e eventuais excluidoras da culpabilidade”. (RANGEL, Paulo. Direito Processual Penal. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008.)
Dito isso aguardo contribuição de algum advogado para complementar e ou corrigir a reflexão aqui apresentada.

Francisco Amado
Filosofo Deísta.
Mestre Seo: Gerencia conteúdo web, otimiza sites para Google e redes sociais.

domingo, 15 de julho de 2012

Nasa estuda a aura de Chico Xavier.





Em uma pesquisa para saber que foi, quando foi, como foi e onde foi feito a pesquisa
sobre a aura de mais de 10 metros atribuída a Chico xavier.

Encontramos apenas um relato que diz que em um encontro anônimo, onde não é citado ano, nem mês muito menos dia.
Um dia um engenheiro da Nasa, usando de aparelhos sofisticados, examinou a aura de Chico Xavier e ficou impressionado, porque detectou irradiação num raio de 10 metros do corpo físico dele.
Mais adiante encontramos uma data que não se sabe ,qual é origem e fonte.
Em experiências realizadas pela NASA, em Uberaba, Minas Gerais, Brasil, em 1978, o Engenheiro Paul Hild constatou que a aura de Francisco Cândido Xavier era sentida num raio de dez metros, enquanto a de outros médiuns pesquisados se ficou por alguns centímetros?”
O curioso é que um fato revelador deste, teve apenas uma pequena divulgação em jornais espíritas.
Agora outra questão que passa desapercebida e que J. Herculano Pires, jamais falou de tal assunto em seus livros, onde sempre citava pesquisas e pesquisadores da ciência.
Já Sheila Ostrander e Lynn Schroeder contam em seu livro “Experiências Psíquicas além da Cortina de Ferro”
Que no fim do ano de 1939, uma comissão de cientistas russos convidou Francisco Cândido Xavier para ir à Rússia por 6 meses, para se submeter a vários testes relacionados com seus “poderes“.
Para isso, além da viagem, pagar-lhe-iam a quantia de trezentos contos de réis, soma que daria, na época, para pagar a construção de 50 casas populares!
Chico sentiu-se tentado. Estava quase aceitando quando Emmanuel apareceu e lhe disse: - Se queres ir podes, eu fico!
Bem fazendo uma pesquisa sobre Paul Hilde não encontramos absolutamente nada.
Indo direto na fonte ou seja a NASA também lá nada consta sobre o misterioso Paul Hilde que veio no anonimato fazer tal pesquisa, que ficou em segredo e rodeada de mistérios.
Fico sem saber os materiais e os métodos usados, onde foi realizada a experiência, quais os fundamentos teóricos suportados pela ciência em que se baseia e muito seriamente, se este senhor existe sequer.
Sim por que a duvida sobre a existência de misterioso Paul Hilde?
Ao pesquisar "Engenheiro americano Paul Hilde" no Wikipedia inglês este é o resultado
.
There were no results matching the query.
Não houve resultados correspondentes a consulta.
You may create the page "O Engenheiro americano Paul Hilde", but consider checking the search results below to see whether it is already covered.
Você pode criar a página "O Engenheiro americano Paul Hilde", mas considere verificar os resultados de pesquisa abaixo para ver se ele já está coberto.
Ao pesquisar Paul Hilde no google a única coisa que aparece são resultados do facebook.
Paul Hilde é um fã de: TV Shows Programas de TV
Beavis & Butthead Beavis & Butthead
Mais uma narrativa fantasiosa transmitida pela tradição oral através dos tempos e que é conhecida como LENDA.
A questão que deveria ser tratada sem sentimentalismo por quem diz que é ESPIRITA e a seguinte.
O QUE ESTA POR TRÁS DESSAS INFORMAÇÕES.
1º Chico foi Kardec
.
2º Nasa pesquisou Chico
.
3º As duas informações duvidosa tem a mesma GÊNESE o ILUSTRÍSSIMO Sr Carlos Bacceli
Depois de postar estes questionamentos em uma comunidade do Orkut o pessoal teve um piripak pois, a maioria não compreendeu que o objetivo da critica não era direcionado ao Chico Xavier.
O alvo da critica é a informação e o informante pois, não se encontra nem um dado da existência deste engenheiro Paul Hilde.
Mas, como no meio espírita é um sacrilégio duvidar de qualquer obra mediúnica se colocar o nome Francisco Candido Xavier então, é motivo para ser excomungado, com agravantes de perda de bônus-hora isto se não te transformarem em um ovóide.

TAGS:"keywords"content=" Chico Xavier, NASA estuda a aura de Chico,Chico Xavier, NASA estuda a aura de Chico,Chico Xavier, NASA estuda a aura de Chico,Chico Xavier, NASA estuda a aura de Chico, Chico Xavier, NASA estuda a aura de Chico,Chico Xavier, NASA estuda a aura de Chico

sábado, 14 de julho de 2012

O Kit de Detecção de Fantasias Mediunicas


O Kit de Detecção de Fantasias Mediunicas.


Kardec em toda sua obra apresenta um kit para desmascarar qualquer espírito mal intencionado. Todavia nos dias atuais, a analise critica de certas obras ou de alguns médiuns não é bem vista por muitos que se dizem espíritas, esquecendo que a duvida é um dos elementos básicos da doutrina.

O pensamento Espírita se resume no meio de construir e compreender um argumento racional e o que é especialmente importante de reconhecer um argumento falacioso ou fraudulento.
A questão não é se gostamos da conclusão que emerge de uma cadeia de raciocínio, mas se a conclusão deriva da premissa ou do ponto de partida e se essa premissa é verdadeira.

Segundo afirma a filósofa *Marilena Chauí:
Normalmente se imagina que a crítica permite opor um PENSAMENTO VERDADEIRO a um PENSAMENTO FALSO. Na verdade, a CRÍTICA não é isso. Não é um conjunto de conteúdos verdadeiros que se oporia a um conjunto de conteúdos falsos.
A CRÍTICA É UM TRABALHO INTELECTUAL com a finalidade de EXPLICITAR o conteúdo de um pensamento qualquer, de um DISCURSO QUALQUER, para encontrar o que está sendo silenciado por um pensamento ou por esse discurso.
“O que interessa para a crítica não é o que está EXPLICITAMENTE PENSADO ou EXPLICITAMENTE DITO e, que muitas vezes, nem sequer está sendo PENSADO DE MANEIRA CONSCIENTE. Ou seja, a tarefa da CRÍTICA é fazer falar o que está em silêncio, colocar em movimento um pensamento que possa DESVENDAR todo o silêncio contido em outros pensamentos, em outros discursos.
* Chauí, Marilena – Convite à Filosofia. 4ª edição – 1999. Editora Ática

Eis o Kit de Detecção de Fantasias Mediunicas
1º Procurai, na palavra, a sobriedade e a concisão; poucas palavras, muitas coisas.
(Revista Espírita 1862)

2º A doutrina espírita em vez de dizer: “Creia em primeiro lugar e se puder compreenda em seguida”, ele diz: “Compreenda em primeiro lugar, e creia em seguida se você quiser.
(Revista Espírita 1867)

3º “Saibam, pois que tomamos toda opinião exprimida por um Espírito por uma opinião individual; que não a aceitamos senão depois de havê-la submetido ao controle da lógica e dos meios de investigação que a própria ciência Espírita nos forneceu.”. ”
(Revista Espírita 1859)

4º Eu não aceito jamais nada sem exame e sem controle; não adoto uma idéia a não ser que ela me pareça racional, lógica, se está de acordo com os fatos e as observações, se nada de sério a vem contradizer.
(Revista Espírita 1859)

5º Em resumo, é um grave erro o se crer obrigado a publicar tudo que dizem os Espíritos, porque se os há bons e iluminados, os há maus e ignorantes; é importante fazer uma escolha muito rigorosa de suas comunicações e de descartar tudo que é inútil, insignificante, falso ou de natureza a produzir uma má impressão.
(Revista Espírita 1863)

6º A linguagem dos Espíritos é, portanto, o verdadeiro critério pelo qual podemos julgá-los; sendo a linguagem a expressão do pensamento, tem sempre um reflexo das qualidades boas ou más do indivíduo. Não é sempre pela linguagem que nós julgamos os homens que não conhecemos?
Revista Espírita 1859)

Além de nos ensinar o que fazer na hora de avaliar os livros ditos espíritas, um bom Kit de Detecção de Fantasias Mediunicas deve também nos ensinar o que não fazer.

Ele nos ajuda a reconhecer as falácias mais comuns e mais perigosas da lógica e da retórica. Muitos bons exemplos podem ser encontrados na religião e na política, porque seus profissionais são freqüentemente obrigados a justificar duas proposições contraditórias. Entre essas falácias estão:

Argumentos “ad hominem”, expressão latina que significa “ao homem”. Acontece quando atacamos a pessoa que fala e não o argumento. Exemplo: “Você não vai acreditar na palavra de um negro, não é?!” ou “Fernando Henrique é um péssimo presidente. Também, o que você queria de um sociólogo?!”

Argumento de autoridade, tipo de argumento que se baseia na autoridade de quem fala e não na lógica. Exemplo: “Quem me disse que beber água faz mal foi o Sr.Luís, deputado federal, então só pode ser verdade.” ou “Se o pajé mandou não dar remédios às crianças e esperar os espíritos curarem elas, então é certo. O pajé não erra.”

Argumento das conseqüências adversas, tipo de argumento que tenta validar uma afirmação dizendo que seria impossível se ela não existisse. Exemplo: “Se não existisse um Deus tomando conta de tudo, isso aqui viraria uma bagunça!” ou “Se não matarmos esse bandido, os outros terão certeza da impunidade e a criminalidade vai aumentar muito!”

Apelo à ignorância, a afirmação de que qualquer coisa que não se provou ser falsa é verdadeira, e vice-versa. Exemplo: “Ele não provou que é homem, então ele é homossexual.” ou “Ninguém conseguiu provar que não existe imortalidade, então, na verdade, somos todos imortais.”

Alegação especial, afirmação que recorre a conceitos que seriam inatingíveis para as pessoas comuns (freqüentemente usado para salvar um argumento em profundas dificuldades teóricas). Exemplo: “- Não consigo entender a reencarnação, porque há muito mais gente viva hoje, do que há 10.000 anos. / – Isso é porque você não entende a doutrina dos espíritos.” ou “Você não compreende a magia porque não é um iluminado.”

Petição de princípio (também chamada de Supor a Resposta) é quando se faz uma pergunta direcionada para obter determinada resposta específica. Exemplo: “Você não acha que essa estória é falsa?” ou “No meu lugar você não faria a mesma coisa?”

Seleção das observações (também chamada de enumeração das circunstâncias favoráveis), Francis Bacon definiu essa falácia como “Contar os acertos e esquecer os fracassos.” Exemplo: “O brasileiro é bom de plano econômico, veja quanto tempo o Real deu certo.” (Esqueceu de mencionar os casos em que não durou nem uma semana, como cruzado, cruzado II, cruzeiro real etc.)

Estatística dos números pequenos, falácia parecida com a anterior, mas só que usa números estatísticos de forma errônea. Exemplo: “Dizem que no planeta Terra, em cada cinco habitantes, um é chinês. Que estupidez! Conheço mais de cem pessoas e nenhuma delas é chinesa!”

Compreensão errônea da natureza estatística é quando se pega uma estatística e se interpreta livremente, sem compromisso com a realidade. 10. Incoerência tomar certa atitude para certos casos, e outra para outros.

“Non Sequitur” expressão latina que significa “não se segue”. Dizer uma coisa que não tem nada a ver com outra. Exemplo: “O América vai ganhar esse jogo por que Deus é grande!” ou “Nosso país é muito rico, por isso temos inflação.”

“Post Hoc, Ergo Propter Hoc” expressão latina que significa “se aconteceu depois de um fato, foi causado por ele”. Exemplo: “Você notou que o El Niño só fez aquele estrago todo depois que o Fernando Henrique se elegeu. Esse cara causa todos os males.” ou “Depois que você disse que estava tudo errado, tudo começou a dar errado na minha vida.”

Pergunta sem sentido, pergunta que traz em si uma incoerência. Exemplo: “O que aconteceria se uma força irresistível atuasse sobre um corpo imóvel?” (Se uma força é irresistível, nenhum corpo está imóvel) ou “Você entende que Deus criou o demônio para exercer mais controle sobre os humanos?”

Exclusão do meio-termo ou dicotomia falsa, argumento que só considera os dois extremos entre várias possibilidades. Exemplo: “Se você não está do meu lado, está contra mim!” ou “ou você acredita em Deus, Jesus Cristo, em todos os santos, na infalibilidade do Papa ou você é um ateu!”

Curto Prazo versus Longo Prazo subconjunto da falácia anterior, mas muito comum. Exemplo: “Não podemos investir mais em educação porque o problema da violência precisa de solução mais imediata.”

Declive escorregadio, caso em que se aceitamos um meio termo, ele necessariamente conduzirá a algum extremo. Exemplo: “Se você deixar o aluno ir fazer xixi uma vez, ele vai acabar querendo ir toda hora e aí vai virar bagunça.” ou “Na hora em que começarem a permitir o uso de armas pequenas, logo todos terão armas enormes.”

Confusão de correlação e causa argumento em que uma coincidência estatística, é entendida como causa. Exemplo: “Mais de 50% dos homossexuais têm curso superior, conclui-se que estudar transforma a pessoa em homossexual.”

Espantalho, argumento que ridiculariza uma posição intelectual para facilitar o ataque. Exemplo: “Não posso apoiar alguém que se diz filho de macacos!” (para ridicularizar o Darwinismo).

Evidência suprimida ou meia verdade, o mesmo que apresentar uma evidência escondendo alguns detalhes que a invalidariam. Exemplo: “Este bairro está muito violento, só ontem morreram duas pessoas.” (ele só não disse que as duas morreram de causas naturais).

Palavras equívocas utilizar eufemismos, ou seja, outras palavras “enfeitadas” para designar conceitos desagradáveis cujas verdadeiras palavras tenham conotação negativa. Exemplo: Ela é minha ajudante (Em lugar de empregada doméstica) Ele vivia de caridade pública" (em vez de "esmolas")

Conhecer a existência dessas falácias lógicas e retóricas completa O Kit de Detecção de Fantasias Mediunicas.

Agora cabe a você, aplicar isto aos livros ditos espíritas, para detectar se realmente são espíritas ou espiritualistas.

Francisco Amado

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Controle Universal dos Espíritos



Revista Espírita, abril de 1864

Já abordamos esta questão em nosso ultimo número, a propósito de um artigo especial – da perfeição dos seres criados. Mas ela é de tal importância, tem conseqüências de tal magnitude para o futuro do Espiritismo, que julgamos dever tratá-lo de modo mais completo.

Se a Doutrina Espírita fosse uma concepção puramente humana, não teria como garantia senão as luzes de quem a tivesse concebida. Ora, ninguém aqui poderia ter a pretensão fundada de possuir, ele só, a verdade absoluta. Se os Espíritos que a revelaram se tivessem manifestado a um só homem, nada garantiria a sua origem, pois seria preciso crer sob palavra naquele que dissesse ter recebido seu ensino. Admitindo de sua parte uma perfeita sinceridade, ao menos poderia convencer as pessoas de seu ambiente. Poderia ter sectários, mas não conseguiria jamais atrair todo o mundo.

Quis Deus que a nova revelação chegasse aos homens por uma via mais rápida e mais autêntica. Eis por que encarregou os Espíritos de a levar de um a outro polo, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir a sua palavra. Um homem pode ser enganado, pode mesmo enganar-se. Assim não poderia ser quando milhões de homens vêem e ouvem a mesma coisa: é uma garantia para cada um e para todos. Aliás pode fazer-se um homem desaparecer, mas não desaparecem as massas. Podem queimar-se os livros, mas não os Espíritos. Ora, se queimassem todos os livros, a fonte da doutrina não seria emudecida, por isso que não está na terra: surge por toda a parte e cada um pode aproveitá-la. Em falta de homens para a espalhar, haverá sempre Espíritos que atingem todo o mundo e ninguém os pode atingir.

Na realidade, são os próprios Espíritos que fazem a propaganda, auxiliados por inumeráveis médiuns que suscitam por todos os lados. Se tivessem tido um intérprete único, por mais favorecido que fosse, o Espiritismo seria apenas conhecido. Esse mesmo intérprete, fosse de que classe fosse, teria sido objeto de prevenções por parte de muita gente. Nem todas as nações o teriam aceitado, ao passo que os Espíritos se comunicam por toda a parte, a todos os povos, a todas as seitas e partidos, sendo aceitos por todos. O Espiritismo não tem nacionalidade. Está por fora de todos os cultos particulares, não é imposto por nenhuma classe da sociedade, pois cada um pode receber instruções de parentes e amigos de além túmulo. Era preciso que assim fosse, para que pudesse chamar todos os homens à fraternidade. Se, não tivesse colocado em terreno neutro, teria mantido dissenções, em vez de as apaziguar.

Essa universalidade do ensino dos Espíritos constitui a força do Espiritismo. Aí, também, está a causa de sua propagação tão rápida. Ao passo que a voz de um só homem, mesmo com o auxílio da imprensa, teria levado séculos antes de chegar a todos os ouvidos, eis que milhares de vozes se fazem ouvir simultaneamente em todos os pontos da terra, para proclamar os mesmos princípios, e os transmitir aos mais ignorantes, como aos mais sábios, a fim de que ninguém fique deserdado. É uma vantagem de que não gozou nenhuma das doutrinas até hoje aparecidas. Se, pois, o Espiritismo é uma verdade, nem teme a má vontade dos homens, nem as revoluções morais, nem os desmoronamentos físicos do globo, porque nenhuma dessas coisas podem atingir os Espíritos.

Mas se não é a única vantagem resultante desta posição excepcional, o Espiritismo aí encontra uma onipotente garantia contra os cismas que poderiam suscitar, pela ambição de uns, ou pelas contradições de certos Espíritas. Seguramente essas contradições são com escolho, mas que leva em si o remédio ao lado do mal.

Sabe-se que os Espíritos, por força da diferença existente em suas capacidades, estão longe de estar individualmente na posse de toda a verdade; que nem a todos é dado penetrar certos mistérios; que seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens e até menos que certos homens; que entre eles, como entre estes, há presunçosos e pseudo-sábios, que crêem saber o que não sabem, sistemáticos que tomam suas verdades; enfim, que os Espíritos de ordem mais elevada, os que estão completamente desmaterializados, são os únicos despojados das idéias e preconceitos terrenos. Mas sabe-se, também, que os Espíritos enganadores não tem escrúpulo em esconder-se sob nomes de empréstimo, para fazerem aceitas as suas utopias. Disso resulta que, para tudo quanto esteja fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um pode obter tem um caráter individual sem autenticidade. Que devem ser consideradas como opinião pessoais de tal ou qual Espírito, e que seria imprudente aceitá-las e promulgá-las levianamente como verdades absolutas.

O primeiro controle é, sem sombra de dúvida, o da razão, à qual é preciso submeter, sem exceção, tudo quanto vem dos Espíritos. Toda teoria em manifesta contradição com o bom senso, com uma lógica rigorosa e com os dados positivos que se possuem, por mais respeitável que seja a sua assinatura, deve ser rejeitada. Mas esse controle é incompleto em muitos casos, por força da insuficiência das luzes de certas pessoas e da tendência de muitos a tomar seu próprio julgamento por único árbitro da verdade. Em tal caso, que fazem os homens que não tem absoluta confiança em si próprios? Seguem a opinião do maior número e a opinião da maioria é o seu guia. Assim deve ser a respeito do ensino dos Espíritos, que nos fornecem, eles próprios, os seus meios.

A concordância no ensino dos Espíritos é, pois, o melhor controle, mas ainda é preciso que ocorra em certas condições. A menos segura de todas é quando um médium interroga, ele próprio, a vários Espíritos sobre um ponto duvidoso. É evidente que se estiver sob o império de uma obsessão e se tratar com um Espírito enganador, este lhe pode dizer a mesma coisa com nomes diversos. Também não há garantia suficiente na conformidade obtida pelo médiuns de um mesmo centro, pois podem sofrer a mesma influência. A única séria garantia está na concordância que exista entre as revelações espontâneas, feitas por grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em diversas regiões. Compreende-se que aqui não se trata de comunicações relativas a interesses secundários, mas do que se liga aos princípios da mesmos da doutrina.

Prova a experiência que quando um princípio novo deve ter a sua solução, é ensinado espontaneamente em diversos ponto ao mesmo tempo e de maneira, senão na forma, ao menos no fundo. Se, pois, a um Espírito agrada formular um sistema excêntrico, baseado em suas próprias idéias e fora da verdade, podemos estar certos que o sistema ficará circunscrito e cairá ante a humanidade das instruções dadas por toda a parte, como já houve vários exemplos. É essa unanimidade que faz caírem todos os sistemas parciais, nascidos na origem do Espiritismo, quando cada um explicava os fenômenos à sua maneira e antes que fossem conhecidas as leis que regem as relações entre o mundo visível e o invisível.

Tal a base em que nos apoiamos quando formulamos um princípio da doutrina. Não o damos como verdadeiro por ser conforme as nossas idéias; não nos colocamos absolutamente como árbitro supremo da verdade e a ninguém dizemos: "Crede nisto porque o dizemos". Nossa opinião, aos nossos olhos, não passa de opinião pessoal, que pode ser justa ou falsa, desde que não somos mais infalível que qualquer outro. Também não é porque um princípio nos é ensinado que para nós é a verdade, mas porque recebeu a sanção da concordância.

Esse controle universal é uma garantia para a futura unidade do Espiritismo e anulará todas as teorias contraditórias. É aí que, no futuro, será procurado o critério da verdade. O que fez o sucesso da doutrina formulada no Livro dos Espíritos e no Livro dos Médiuns é que por toda parte cada um pode receber dos Espíritos, diretamente, a confirmação do que eles encerram. Se, de todos os lados, os Espíritos tivessem vindo contradize-los, de há muito esses livros teriam tido a sorte de todas as concepções fantásticas. O próprio apoio da imprensa não os teria salvo do naufrágio, ao passo que, privados desse apoio, nem por isto deixaram de fazer um caminho rápido, porque tiveram o dos Espíritos, cuja boa vontade compensou com sobra a má vontade dos homens. Assim será com todas as idéias emanadas dos Espíritos ou dos homens que não puderem suportar a prova do controle, cujo poder ninguém poderá contestar.

Suponhamos, pois, que apraza a certos Espíritos ditar, sob um título qualquer, um livro em sentido contrário. Suponhamos mesmo que, numa intenção hostil, e visando desacreditar a doutrina, a malevolência suscitasse comunicações apócrifas. Que influência poderiam ter esses escritos, se são desmentidos de todos os lados pelos Espíritos? É da adesão destes últimos que seria necessário assegurar-se, antes de lançar um sistema em seu nome. Do sistema de um só ao de todos há uma distância da unidade ao infinito. Que podem mesmo todos os argumentos dos detratores sobre a opinião das massas, quando milhão de vozes amigas, partidas do espaço, vem de todos os pontos do globo e no seio de cada família, os bater na brecha? Sob esse ponto a experiência já não confirmou a teoria? Em que se tornaram todas as publicações que se diziam vir aniquilar o Espiritismo? Qual a que lhe deteve a marcha? Até hoje a questão não tinha sido encarada sob este ponto de vista, sem dúvida um dos mais sérios. Cada um contou consigo, mas não com os Espíritos.

Ressalta de tudo isto uma verdade capital: é que quem quer que quisesse atravessar-se contra a corrente das idéias estabelecidas e sancionadas, poderia bem causar uma pequena perturbação local e momentânea, mas nunca dominar o conjunto, mesmo no presente e, ainda menos, no futuro.

Ressalta, ainda, que as instruções dadas pelos Espíritos sobre pontos da doutrina ainda não elucidados, não poderia constituir lei, enquanto ficassem isoladas. Consequentemente, não devem ser aceitas senão com todas as reservas e a título de informação.

Daí a necessidade de dar à sua publicação a maior prudência. E, no caso se julgasse dever publicá-las, importa não as apresentar senão como opiniões individuais, mais ou menos prováveis, mas tendo, em todo o caso, necessidade de confirmação. É essa confirmação que se deve esperar, antes de apresentar um princípio como verdade absoluta, se não quiser ser acusado de leviandade ou de irrefletida credulidade.

Em suas revelações, os Espíritos superiores procedem com extrema sabedoria. Só gradativamente abordam as grandes questões da doutrina, à medida que a inteligência se torna apta a compreender verdades de uma ordem mais elevada, e que circunstâncias propícias para a emissão de uma idéia nova. Eis porque, desde o começo, não disseram tudo e ainda hoje não o disseram, jamais cedendo à impaciência de criaturas muito apressadas, que querem colher os frutos antes de sua maturidade. Seria, pois, supérfluo querer precipitar o tempo marcado a cada coisa pela Providência, porque então os Espíritos realmente sérios positivamente recusam o seu concurso; mas os Espíritos levianos, pouco se incomodando com a verdade, a tudo respondem. É por isso que, sobre todas as questões prematuras, sempre há respostas contraditórias.

Os princípios acima não são fruto de uma teoria pessoal, mas a conseqüência forçosa das condições em que se manifestam os Espíritos. É evidente que se um Espírito diz uma coisa de um lado, enquanto milhões dizem o contrário alhures, a presunção de verdade não pode estar com aquele que é o único ou mais ou menos de sua opinião. Ora, pretender ser o único a ter razão contra todos seria tão ilógico da parte de um Espírito quanto da parte de um homem. Os Espíritos verdadeiramente sábios, se não se sentem suficientemente esclarecidos sobre uma questão, jamais a resolvem de maneira absoluta. Declaram não a tratar senão de seu ponto de vista, e aconselham mesmo a esperar-se a sua confirmação.

Por mais bela, justa e grande que seja uma idéia, é impossível que, desde o começo, alie todas as opiniões. Os conflitos daí resultantes são conseqüência inevitável do movimento que se opera. São mesmo necessários para melhor destacar a verdade, e é útil que ocorram no começo, para que as idéias falsas sejam mais prontamente desgastadas. Os espíritas que concebessem alguns temores devem, pois, ficar perfeitamente seguros. Todas as pretensões isoladas cairão pela força das coisas, ante o grande e poderoso critérium de controle universal. Não é à opinião de um homem que se aliarão, é a voz unânime dos Espíritos. Não é um homem, nem nós mais que outro, que fundará a ortodoxia espírita; também não é um Espírito vindo impor-se a quem quer que seja: é a universalidade dos Espíritos, comunicando-se em toda a terra, por ordem de Deus. Aí está o caráter essencial da doutrina espírita. Aí está a sua força e a sua autoridade. Deus quis que a sua lei se assentasse numa base inabalável, e, por isso, não a assentou sobre a cabeça frágil de um só.

É perante esse poderoso areópago, que nem conhece grupelhos, nem as rivalidades invejosas, nem seitas ou nações, que virão quebrar-se todas as oposições, todas as ambições, todas as pretensões à supremacia individual; que nós mesmos nos quebraríamos se quiséssemos substituir os seus soberanos desígnios por nossas próprias idéias; ele é o único que resolverá todas as questões litigiosas, que fará calarem-se as dissidências e dará ou não razão a quem de direito. Ante esse imponente acordo de todas as vozes do céu, que pode a opinião de um homem ou de um Espírito? Menos que a gota d’água que se perde no oceano, menos que a voz da criança, abafada pela tempestade.

A opinião universal, eis, então, o juiz supremo, o que se pronuncia em última instância. Ela se forma de todas as opiniões individuais. Se uma delas for verdadeira, terá apenas o seu peso relativo na balança. Se for falsa, não pode triunfar sobre todas as outras. Neste imenso concurso os indivíduos se apagam, e aí está um novo cheque para o orgulho humano.

Esse conjunto harmonioso já se desenha. Ora, este século não passará sem que resplandeça em todo o seu brilho, de maneira a fixar todas as incertezas. Porque, daqui para a frente vozes poderosas terão recebido a missão de se fazer ouvir para aliar os homens sob a mesma bandeira, desde que o campo seja suficientemente trabalhado. Enquanto espera, aquele que flutuasse entre dois sistemas opostos, pode observar em que sentido se forma a opinião geral; é o índice certo do sentido no qual se pronuncia a maioria dos Espíritos sobre os diversos pontos em que se comunicam. É um sinal não menos certo de qual dos dois sistemas triunfará.



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quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Livro dos Espíritos edição francesa







Os acréscimos e modificações na 13a edição francesa do Livro dos Espíritos

Silvio Seno Chibeni

Em 1865, saiu a 13a edição francesa de Le Livre des Esprits. Segundo registra a “Nota explicativa” da reprodução da 2a edição publicada pela FEB em 1998 (ver resenha em Mundo Espírita, fevereiro de 2002, p. 5), Kardec introduziu no texto diversos “acréscimos e modificações”. Ao contrário do que aconteceu com a Errata da 5a edição (ver Mundo Espírita, ... de 2002, p....), essas alterações se incorporaram definitivamente à obra. Estão presentes nas edições correntes em francês, português, inglês e esperanto que pudemos consultar, o que evidencia que elas se basearam em alguma edição posterior à 12a. (Aliás, quase nenhuma tradução de textos espíritas indica precisamente o original utilizado – um indício, dentre muitos outros, da falta de rigor editorial.)

O objetivo deste artigo é traduzir e comentar o trecho da “Note explicative” referente aos acréscimos e modificações. Na Nota, esse trecho forma um único parágrafo; as alterações são numeradas por letras. Para clareza de exposição, apresentaremos os itens em parágrafos separados, mantendo porém a numeração original. Como as referências são feitas pelas páginas e linhas da edição francesa, forneceremos entre colchetes e em itálicos informações que facilitem a localização em outras edições.

A) página 20: modificação da redação das linhas 5, 6 e 7 [período final do comentário de Kardec à questão 51];

B) página 59: indicação do Livro dos Médiuns na nota que segue a resposta à questão 137;

C) página 60: indicação do parágrafo II na nota de rodapé [no final do comentário de Kardec à questão 139];

D) página 107: modificação da redação e acréscimos a partir da linha 4 [item 222, sexto parágrafo do fim para o começo (essa contagem varia de tradução para tradução), a partir da expressão “Outro, no entanto, ela apresenta ...” (na tradução de Guillon Ribeiro, FEB)];

E) página 252: supressão, conforme a “Errata” mencionada acima [final da resposta à questão 586];

F) páginas 263/264: acréscimo no comentário de Allan Kardec a partir do 2o parágrafo (O ponto inicial ...) [questão 613; note-se que na tradução de Guillon Ribeiro este ficou sendo o 3o parágrafo do comentário de Kardec];

G) página 377: modificação do 1o sub-título, de “Questões morais diversas” para “As virtudes e os vícios” [título da primeira seção do último capítulo da 3a parte];

H) página 384: correção na redação da resposta à questão 911, de “eles” para “elas” [note-se que na elegante e correta tradução de Guillon o pronome ficou elíptico; refere-se às formas verbais “Querem” e “ficam”].

Conforme fizemos notar em nossa resenha da edição histórica de Le Livre des Esprits publicada pela FEB, o admirável esforço empreendido pela Union Spirite Française et Francophone, que se responsabilizou pelas pesquisas bibliográficas nas edições guardadas na Biblioteca Nacional da França, ficou parcialmente comprometido, no que tange ao tópico que estamos analisando no presente artigo, pela falta de precisão em alguns dos itens dessa lista de “acréscimos e modificações”. Examinemos a lista:

Itens B, G e H: estão inteiramente claros.

Item E: dada a reprodução da Errata no final da edição, a alteração feita aqui também pode ser determinada com precisão (ver artigo em Mundo Espírita, ... de 2002, p. ...).

Item C: há aqui uma pequena ambigüidade: Kardec terá acrescentado a nota de rodapé inteira ou apenas, em seu final, o símbolo “§ II” ?

Item F: também aqui há alguma margem para dúvida: o “acréscimo” refere-se a todo o texto do comentário, a partir do ponto indicado, ou houve um acréscimo dentro dele? (A frase francesa “ajout dans le commentaire d’Allan Kardec à partir...” não deixa isso totalmente claro.)

Item A: aqui a falta de informação é grave: o que precisamente foi modificado?

Item D: novamente, ficamos sem saber o que foi modificado e acrescentado no texto de quase uma página, a partir do ponto indicado.

Evidentemente, quem realizou as pesquisas nas edições francesas tinha todas as informações necessárias para sanar as ambigüidades e pontos obscuros que apontamos. É lamentável que elas não tenham sido fornecidas na Nota explicativa aposta no início da edição da FEB. Mas a falha poderá ser facilmente reparada em futura reedição.

Como também já sugerimos na resenha, o rigor editorial recomendaria que todas as alterações feitas na 13a edição (ou em qualquer outra) não fossem incorporadas ao texto histórico que a FEB, o CEI, a USFF e o IDE em boa hora deram a público. Este deveria ser a reprodução exata do texto da 2a edição francesa, tal qual saiu em Paris em 1860, e de que a FEB guarda precioso exemplar. Todas as alterações ulteriores feitas por Kardec deveriam estar registradas, de forma precisa e completa, em notas ou apêndices preparados pelos editores. Aguardamos, pois, que num futuro breve isso seja feito, em benefício das pesquisas espíritas, e no sentido da implantação no meio espírita de uma tradição de tratamento cuidadoso de textos como a que existe na área acadêmica.



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I – Espiritismo e Espiritualismo


I – Espiritismo e Espiritualismo
por Allan Kardec, em 1857

Para as coisas novas necessitamos de palavras novas, pois assim o exige a clareza de linguagem, para evitarmos a confusão inerente aos múltiplos sentidos dos próprios vocábulos. As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo têm uma significação bem definida; dar-lhes outra, para aplica-las à Doutrina dos Espíritos, seria multiplicar as causas já tão numerosas da anfibologia. Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo; quem quer que acredite haver em si mesmo alguma coisa além da matéria é espiritualista; mas não se segue dai que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível.

Em lugar das palavras espiritual e espiritualismo, empregaremos, para designar esta última crença, as palavras espírita e espiritismo, nas quais a forma lembra a origem e o sentido radical e que por isso mesmo têm a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando para espiritualismo a sua significação própria. Diremos, portanto, que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível.

Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se o quiserem, os espiritistas.
Como especialidade O Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade liga-se ao Espiritualismo, do qual apresenta uma das fases. Essa a razão por que traz sobre o título as palavras: Filosofia Espiritualista.

II – Alma, Princípio Vital e Fluido Vital

Há outra palavra sobre a qual igualmente devemos entender-nos, porque é uma das chaves de toda doutrina moral e tem suscitado numerosas controvérsias, por falta de uma acepção bem determinada; é a palavra alma. A divergência de opiniões sobre a natureza da alma provém da aplicação particular que cada qual faz desse vocábulo. Uma língua perfeita, em que cada idéia tivesse a sua representação por um termo próprio, evitaria muitas discussões; com uma palavra para cada coisa, todos se entenderiam.

Segundo uns, a alma é o princípio da vida orgânica material; não tem existência própria e se extingue com a vida: é o puro materialismo. Nesse sentido e por comparação, dizem de um instrumento quebrado, que não produz mais som, que ele não tem alma. De acordo com esta opinião, a alma seria um efeito e não uma causa.
Outros pensam que a alma é o princípio da inteligência, agente universal de que cada ser absorve uma porção. Segundo estes, não haveria em todo o universo senão uma única alma, distribuindo fagulhas para os diversos seres inteligentes, durante a vida; após a morte, cada fagulha volta à fonte comum, confundindo-se no todo, como os córregos e os rios retornam ao mar de onde saíram.

Esta opinião difere da precedente em que, segundo esta hipótese, existe em nós algo mais do que a matéria, restando qualquer coisa após a morte; mas é quase como se nada restasse, pois não subsistindo a individualidade não teríamos mais consciência de nós mesmos. De acordo com esta opinião, a alma universal seria Deus e cada ser uma porção da Divindade; é esta uma variedade do Panteísmo.

Segundo outros, enfim, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva a sua individualidade após a morte. Esta concepção é incontestavelmente a mais comum, porque, sob um nome ou outro, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra em estado de crença instintiva, e independente de qualquer ensinança, entre todos os povos, qualquer que seja o seu grau de civilização.

Essa doutrina, para a qual a alma é causa e não efeito, é a dos espiritualistas.
Sem discutir o mérito dessas opiniões e não considerando senão o lado lingüístico da questão, diremos que essas três aplicações da palavra alma constituem três idéias distintas, que reclamariam cada uma um termo diferente.

Essa palavra tem, portanto, significação tríplice, e cada qual está com a razão, segundo o seu ponto de vista ao lhe dar uma definição; a falha se encontra na língua, que não dispõe de mais de uma palavra para três idéias. Para evitar confusões, seria necessário restringir a acepção da palavra alma a uma de suas idéias. Escolher esta ou aquela é indiferente, simples questão de convenção, e o que importa é esclarecer. Pensamos que o mais lógico é tomá- la na sua significação mais vulgar, e por isso chamamos ALMA ao ser imaterial e individual que existe em nós e sobrevive ao corpo. Ainda que este ser não existisse e não fosse mais que um produto da imaginação, seria necessário um termo para designá-lo.

Na falta de uma palavra especial para cada uma das duas outras idéias, chamaremos:
Princípio vital, o princípio da vida material e orgânica, seja qual for a sua fonte, que é comum a todos os seres vivos, desde as plantas ao homem. A vida podendo existir, sem a faculdade de pensar, o princípio vital é coisa distinta e independente. A palavra vitalidade não daria a mesma idéia.

Para uns, o princípio vital é uma propriedade da matéria, um efeito que se produz quando a matéria se encontra em dadas circunstâncias; segundo outros, e essa idéia é a mais comum, ele se encontra num fluido especial, universalmente espalhado, do qual cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida, como vemos os corpos inertes absorverem a luz. Este seria então o fluido vital, que, segundo certas opiniões, não seria outra coisa senão o fluido elétrico animalizado, também designado por fluido magnético, fluido nervoso etc.

Seja como for, há um fato incontestável, pois resulta da observação: é que os seres orgânicos possuem uma força íntima que produz o fenômeno da vida, enquanto essa força existe; que a vida material é comum a todos os seres orgânicos, e que ela independe da inteligência e do pensamento; que a inteligência e o pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas; enfim, que, entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e pensamento, há uma dotada de um senso moral especial que lhe dá incontestável superioridade perante as outras, e que é a espécie humana.

Compreende-se que, com uma significação múltipla, a alma não exclui o materialismo, nem o panteísmo. Mesmo o espiritualista pode muito bem entender a alma segundo uma ou outra das duas primeiras definições, sem prejuízo do ser material distinto, ao qual dará qualquer outro nome. Assim, essa palavra não representa uma opinião: é um Proteu, que cada qual ajeita a seu modo, o que dá origem a tantas disputas intermináveis.

Evitaríamos igualmente a confusão, mesmo empregando a palavra alma nos três casos, desde que lhe ajuntássemos um qualificativo para especificar a maneira pela qual a encaramos ou a aplicação que lhe damos. Ela seria então um termo genérico, representando ao mesmo tempo o princípio da vida material, da inteligência e do senso moral, que se distinguiriam pelo atributo, como o gás, por exemplo, que se distingue ajuntando-se-lhe as palavras hidrogênio, oxigênio e azoto. Poderíamos dizer, e talvez fosse o melhor, a alma vital para designar o princípio da vida material, a alma intelectual para o princípio da inteligência, e a alma espírita para o princípio da nossa individualidade após a morte.

Como se vê, tudo isto é questão de palavras, mas questão muito importante para nos entendermos. Dessa maneira, a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; a alma intelectual seria própria dos animais e dos homens, e a alma espírita pertenceria somente ao homem.

Acreditamos dever insistir tanto mais nestas explicações, quanto a Doutrina Espírita repousa naturalmente sobre a existência em nós de um ser independente da matéria e que sobrevive ao corpo. Devendo repetir freqüentemente a palavra alma no curso desta obra, tínhamos de fixar o sentido em que a tomamos, a fim de evitar qualquer engano.
Vamos, agora, ao principal objetivo desta instrução preliminar.

A História do Café da Manhã