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quinta-feira, 12 de julho de 2012

O Livro dos Espíritos edição francesa







Os acréscimos e modificações na 13a edição francesa do Livro dos Espíritos

Silvio Seno Chibeni

Em 1865, saiu a 13a edição francesa de Le Livre des Esprits. Segundo registra a “Nota explicativa” da reprodução da 2a edição publicada pela FEB em 1998 (ver resenha em Mundo Espírita, fevereiro de 2002, p. 5), Kardec introduziu no texto diversos “acréscimos e modificações”. Ao contrário do que aconteceu com a Errata da 5a edição (ver Mundo Espírita, ... de 2002, p....), essas alterações se incorporaram definitivamente à obra. Estão presentes nas edições correntes em francês, português, inglês e esperanto que pudemos consultar, o que evidencia que elas se basearam em alguma edição posterior à 12a. (Aliás, quase nenhuma tradução de textos espíritas indica precisamente o original utilizado – um indício, dentre muitos outros, da falta de rigor editorial.)

O objetivo deste artigo é traduzir e comentar o trecho da “Note explicative” referente aos acréscimos e modificações. Na Nota, esse trecho forma um único parágrafo; as alterações são numeradas por letras. Para clareza de exposição, apresentaremos os itens em parágrafos separados, mantendo porém a numeração original. Como as referências são feitas pelas páginas e linhas da edição francesa, forneceremos entre colchetes e em itálicos informações que facilitem a localização em outras edições.

A) página 20: modificação da redação das linhas 5, 6 e 7 [período final do comentário de Kardec à questão 51];

B) página 59: indicação do Livro dos Médiuns na nota que segue a resposta à questão 137;

C) página 60: indicação do parágrafo II na nota de rodapé [no final do comentário de Kardec à questão 139];

D) página 107: modificação da redação e acréscimos a partir da linha 4 [item 222, sexto parágrafo do fim para o começo (essa contagem varia de tradução para tradução), a partir da expressão “Outro, no entanto, ela apresenta ...” (na tradução de Guillon Ribeiro, FEB)];

E) página 252: supressão, conforme a “Errata” mencionada acima [final da resposta à questão 586];

F) páginas 263/264: acréscimo no comentário de Allan Kardec a partir do 2o parágrafo (O ponto inicial ...) [questão 613; note-se que na tradução de Guillon Ribeiro este ficou sendo o 3o parágrafo do comentário de Kardec];

G) página 377: modificação do 1o sub-título, de “Questões morais diversas” para “As virtudes e os vícios” [título da primeira seção do último capítulo da 3a parte];

H) página 384: correção na redação da resposta à questão 911, de “eles” para “elas” [note-se que na elegante e correta tradução de Guillon o pronome ficou elíptico; refere-se às formas verbais “Querem” e “ficam”].

Conforme fizemos notar em nossa resenha da edição histórica de Le Livre des Esprits publicada pela FEB, o admirável esforço empreendido pela Union Spirite Française et Francophone, que se responsabilizou pelas pesquisas bibliográficas nas edições guardadas na Biblioteca Nacional da França, ficou parcialmente comprometido, no que tange ao tópico que estamos analisando no presente artigo, pela falta de precisão em alguns dos itens dessa lista de “acréscimos e modificações”. Examinemos a lista:

Itens B, G e H: estão inteiramente claros.

Item E: dada a reprodução da Errata no final da edição, a alteração feita aqui também pode ser determinada com precisão (ver artigo em Mundo Espírita, ... de 2002, p. ...).

Item C: há aqui uma pequena ambigüidade: Kardec terá acrescentado a nota de rodapé inteira ou apenas, em seu final, o símbolo “§ II” ?

Item F: também aqui há alguma margem para dúvida: o “acréscimo” refere-se a todo o texto do comentário, a partir do ponto indicado, ou houve um acréscimo dentro dele? (A frase francesa “ajout dans le commentaire d’Allan Kardec à partir...” não deixa isso totalmente claro.)

Item A: aqui a falta de informação é grave: o que precisamente foi modificado?

Item D: novamente, ficamos sem saber o que foi modificado e acrescentado no texto de quase uma página, a partir do ponto indicado.

Evidentemente, quem realizou as pesquisas nas edições francesas tinha todas as informações necessárias para sanar as ambigüidades e pontos obscuros que apontamos. É lamentável que elas não tenham sido fornecidas na Nota explicativa aposta no início da edição da FEB. Mas a falha poderá ser facilmente reparada em futura reedição.

Como também já sugerimos na resenha, o rigor editorial recomendaria que todas as alterações feitas na 13a edição (ou em qualquer outra) não fossem incorporadas ao texto histórico que a FEB, o CEI, a USFF e o IDE em boa hora deram a público. Este deveria ser a reprodução exata do texto da 2a edição francesa, tal qual saiu em Paris em 1860, e de que a FEB guarda precioso exemplar. Todas as alterações ulteriores feitas por Kardec deveriam estar registradas, de forma precisa e completa, em notas ou apêndices preparados pelos editores. Aguardamos, pois, que num futuro breve isso seja feito, em benefício das pesquisas espíritas, e no sentido da implantação no meio espírita de uma tradição de tratamento cuidadoso de textos como a que existe na área acadêmica.



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