Reforma Íntima Sem Martírio e Lírios da Esperança
Autor: Ermance Dufaux (Espírito)
Médium: Wanderley Soares de Oliveira
Editora: Dufaux
Número de Páginas: 210 e s/informação
Lançamento:
Análise de Equipe da Federação Espírita do Mato Grosso (Coordenação de Saulo Gouveia Carvalho).
TAGS:"keywords" content=" Cartas Consoladoras, Cartas Consoladoras, Cartas Consoladoras, Cartas Consoladoras, Cartas Consoladoras, Cartas Consoladoras, Cartas
Analisaremos a seguir trechos de duas obras atribuídas ao
suposto espírito Ermance Dufaux: Reforma íntima sem martírio e Lírios da
Esperança, nos quais o hábil mistificador usa de um psicologismo muito bem
urdido para melhor enganar. As obras são inteiramente carregadas de sofismas e
algumas frases de efeito supostamente superiores, mas que se analisadas
profundamente, percebe-se nitidamente o caráter de mistificação, pois ao lado
de frases verdadeiras, principalmente que tratam do amor, traz trechos aberrantes,
especialmente os que se reportam ao suposto Hospital Esperança, conforme
veremos a seguir:
Já no prefácio (pág. 21) do Reforma íntima sem martírio o espírito cita o
Hospital Esperança e coloca o livro Tormentos da Obsessão de M. P. de Miranda,
psicografia de Divaldo P. Franco como referência para maiores informações. Ao
citar a obra de um médium consagrado o espírito tem como objetivo referendar a
dele, pois se sabe que a maioria das pessoas não vai até as referências para
confrontar os textos, por isso faremos aqui a comparação entre as obras do
falso espírito Ermance Dufaux e a obra de Philomeno de Miranda.
Além dessa obra o Espírito usa trechos das obras básicas para justificar as
suas falas de modo a melhor enganar.
Os livros Reforma íntima sem martírio e Lírios da Esperança, apresentam
diálogos e características de Espíritos como Dr. Ignácio Ferreira, Maria
Modesto Cravo que também são apresentados no livro Tormentos da Obsessão.
Perceberemos que são verdadeiras caricaturas dos Espíritos que M. P. de Miranda
apresenta.
Outra estranheza é que o suposto Espírito Ermance Dufaux que se apresenta como
trabalhadora do Hospital Esperança, nem sequer é mencionado por Philomeno
Miranda.
Se o Espírito que toma esse nome fosse verdadeiro e o seu trabalho tivesse o
vulto que as suas obras apresentam com certeza M. P. de Miranda teria citado o
trabalho que seria desenvolvido mais tarde pelo médium Wanderley.
Vejamos os textos.
Reforma Íntima Sem Martírio, cap. 16, “Lições Preciosas com Dr. Inácio”:
“Já um tanto mais refeito, aproximamos daquele coração sofrido, que se dirigiu
ao Dr. Inácio:
-Doutor, não vou agüentar, não vou agüentar isso. Esse tratamento não é para
mim.
-Se acalme, Euzébio, para não perder a ajuda dessa hora.
-Desse jeito vou enlouquecer!
-Você está no lugar certo então, porque aqui somos todos mais ou menos loucos –
como de costume, nosso diretor era pura jocosidade elevada, mesmo nos instantes
mais sérios.
-Preciso de pelo menos uma “encostadinha”; o senhor não vai poder fazer isso
por mim? E para onde foi levado o Júlio? Por que esse arrancão de uma só vez?
Nós nos dávamos tão certo!
-Meu amigo, não poderei lhe dar todas as informações que você quer saber.
Quanto à “encostadinha”, poderei providenciar, mas dependendo da sua
recuperação.
-O senhor fala sério?
-E alguma vez eu falei algo brincando? – novamente com o sorriso de deboche,
Dr. Inácio olhou para mim e deu uma piscadela de puro humor.
A “encostadinha” a que se refere o espírito é na pessoa que ele obsidiava.
Vejamos em que nível prossegue o diálogo:
– Sim, aqui nada acontece sem autorização, ou você acha que vai poder continuar
suas obsessões como bem quer? Se for assim tenho que lhe dar alta, porque o que
não falta na Terra é gente querendo ser obsidiado...
Percebamos que o diálogo acontece entre um suposto médico psiquiatra
desencarnado e seu paciente.
(...) Veja só, Ermance. Ainda há quem pense nos centros espírita que nós
podemos fazer tudo por aqui no mundo das almas. Com essa tese absurda, muitos
trabalhadores e grupos inteiros têm se afastado da mediunidade socorrista,
alegando que o “plano espiritual pode atender a tudo sem participação humana!”
(...)
-Não seria de enviarmos algo por escrito a nossos irmãos na Terra?
- Se você quiser “abrir o véu”... Eu de minha parte tenho levado as informações
que posso, todavia, já vejo um monte de “lenha armada” entre os puristas da
Doutrina para assar o médium e o espírito. Já há quem diga no plano físico,
depois das obras que enviei, que Dr. Inácio não ficou louco quando no sanatório
de Uberaba, mas sua loucura surgiu depois de morto...
-Que nada, doutor. É que tudo tem sua hora.
Aqui o espírito faz referências a obras psicografadas por Carlos Baccelli, “Sob
as cinzas do tempo, Do outro lado do espelho, Na próxima dimensão” que são
verdadeiros atentados ao bom senso.
(...)- A psicofonia então é uma mediunidade muito necessária, será isso?
- Não é psicofonia, é incorporação mesmo, e não se assuste de dizer. Como falam
os umbandistas, sem nenhum exagero, os médiuns nessa circunstância se tornam
“cavalos”..
Lírios da Esperança, cap. 3, “Medidas Impostergáveis”:
(...) Após o termino da inspirada explanação, Dona Modesta convidou o Professor
Cícero e o Doutor Inácio ao seu gabinete particular, a fim de se organizarem.
-Inácio, creio que acabamos de obter endosso a velhos anseios! – abriu o
diálogo Dona Modesta.
-Modesta, você sabe, há quanto tempo, espero para levar ao plano físico um
noticiários franco e destemido sobre a situação dos espíritas nesta casa. Adoraria
assustar um bocado de gente...
Os erros gramaticais são do original, aliás há muito tempo não líamos livros
com tantos erros gramaticais como esses. Existem erros de pontuação,
ortográficos, de sintaxe, concordância, dentre outros. Parece que os autores
desconhecem a língua que usam e os médiuns não tem o trabalho de proceder uma
revisão.
-Continuo intrigado sobre como escalar essa montanha de condicionamento sem
“dinamitar”.
-Sim Inácio, sua assertiva não deixa de ter fundamento – aclarou Dona Modesta
-, desde que apliquemos farta dose de lógica e instrução moral, junto às
novidades contundentes que detonam os paradigmas. (...)
- Pode ser! Ainda assim o momento pode um “susto” – insistiu o doutor. (...)
-Lá vem o cabeça dura!...- descontraiu Dona Modesta. -
Você já sabe, Modesta...
-Claro que sim! Você adoraria dar notícias sobre os infernos.
-Que sabem os espíritas sobre os dragões, as sete organizações do mal, a origem
de Lúcifer, a influência das falanges perversas na raiz do mal?... Que noções
possuem sobre a antropologia da maldade organizada no planeta? Será que já
ouviram sobre as “escórias”, o “vampirismo assistido” e os “vibriões”? Quem
revelou algo sobre os sete vales da perversidade e o cinturão vibratório que
agasalha a humanidade? Quantos conhecem sobre as relações entre religião e as
ordenações das hostes do mal? Quais informações possuem sobre a vida social
nessa semiciviliazação? Que conhecem além do umbral?
Veja bem! Isso aqui é um diálogo entre benfeitores que valorizam mais o mal que
o bem a ser realizado? Totalmente incongruente com a proposta que eles mesmos
dizem pregar. Concluem o capítulo com um sofisma muito bem urdido para enganar
os incautos.
(...)Certamente, nesses casos, os ”velhos chavões” funcionarão como escape e justificativa:
“Por que mensagens tão desastrosas quando o espiritismo devem confortar?!” “Por
que notícias tão tristes quando a função da Boa Nova é dar boa notícia?! Outros
mais dirão: “A que pode nos conduzir essas idéias senão ao medo e terror?!” Ainda
outros vão asseverar: “Com que fim algum espírito do bem trataria desses
assuntos?!” As perguntas se multiplicarão, embaladas pelo desculpismo e pela
invigilância dos que se acostumaram aos regimes de “dever cumprido” no limite
das folgas. Porém, aos que destinamos essa convocação em regime de urgência,
será pedido muito equilíbrio ante o medo de dar novos passos e a prudência que,
nós próprios, os conclamamos para não se perderem nos labirintos da fascinação
e do fanatismo.
-Tomaremos, portanto, medidas no intuito de apressar a formação de novos
horizontes aos lidadores espíritas no que concerne à mediunidade.
Que cada qual reúna sua equipe e defina os passos – arrematou Dona Modesta.
Aqui o sofisma toma vulto, cujo objetivo específico é envolver médiuns
espíritas. Adiante comentaremos o objetivo deles na questão da mediunidade.
Lírios da Esperança, cap. 7, "Delicada cirurgia":
Todo ele dedicado a uma cesariana de um ovóide. É totalmente contra o bom
senso.
Lírios da Esperança, cap. 8, "Novas Motivações":
-Achei que você estava melhorando! – disse caçoando o médico.
-Bem que me disseram que acharia alguém que adora caçoar por aqui!...
-Minha vida é caçoar e refestelar com as diferenças de todos nós! Não se
espante! (...)Doutor Inácio, posso ser franco?!
-Admiro pessoas francas!
-É que passam algumas idéias pela minha cabeça e...
-Fale logo, homem, porque senão vou ler seu pensamento!
-Tem hora que o senhor me deixa dúvidas sobre seu comportamento.
-Em que sentido?
-Nunca conheci um espírita tão franco.
-O senhor quer dizer mal-educado e irônico. Não se acanhe de falar!
-Confundo-o com um mentor, ou..., ou um...
-Um capeta?! – expressou-se o psiquiatra com seu irremediável bom humor.
-É! É isso mesmo!
- Não tenha dúvidas que sou! Digamos que um “bom capeta”!...
-Jamais imaginei um espírita com suas características!
-O que faz o senhor pensar que sou espírita?
-E não é?
-Não! Na minha avaliação sincera, nunca me vi plenamente espírita.
-Então o que o senhor é?
-Alguém a procura de si mesmo. Um sujeito “meio-louco”!
Que diálogo entre um psiquiatra e seu paciente, mais chulo e insolente
impossível, mas que tenta passar mensagens sub-reptícias ao não se afirmar
espírita e que o auto-encontro é “meio” loucura.
O capítulo 9, "Ao encontro de si mesmo", traz tantas aberrações como,
por exemplo, um processo “terapêutico” realizado à força porque o
livre-arbítrio do espírito foi caçado. Aliás, todos os capítulos trazem uma ou
mais aberrações. Não transcreveremos todas aqui, deixando a quem deseje ver
essas aberrações no original e tirar as suas próprias conclusões.
Para finalizar esta parte de apresentação dos supostos Dr. Inácio e Dona
Modesta atentemos para os seguintes diálogos no capítulo 12, "Nossas
Obras":
(...) - Inácio, que dia abençoado! – exclamou Dona Maria já um tanto defasada
das lutas do dia.
-Eu diria endiabrado! Os homens na Terra não imaginam o que seja uma rotina
dessas...
-Dar sem receber, dar por amor de realizar! Quantos não terão extensas lutas
com esta lição nesse outro lado da vida!
-Inclusive os espíritas!
-Inclusive os espíritas! É verdade!
-Estamos há exatas quinze horas em tarefa contínua. Só hoje visitei, por três
vezes, a Terra. Não reclamo de nada, mas se tivesse meu cigarrinho de volta,
acho que trabalharia mais quinze horas sem mau humor...
Aqui os “benfeitores” estão reclamando do trabalho de “amor” que fazem e do
cansaço que ele gera, mas é de pasmar quando o falso Dr. Inácio diz que se
tivesse “um cigarrinho” poderia trabalhar mais quinze horas sem mau humor,
passando a mensagem de que fumar revitaliza.
Mais adiante continua o deboche do movimento espírita e dos espíritas:
(...)-Houve outro, um desses “enciclopedistas espíritas” que leram tudo sobre a
doutrina, que ainda zombou de mim um dia desses. Passava por um corredor já
cansado, com mau humor pior que o habitual, depois de quase vinte horas de
trabalho, e sabe o que ele me disse?
- O quê?
-Doutor Inácio, que cara é esta? Até parece que o senhor está cansado?!
Espírito superior não cansa, ouviu?! Aprenda a usar sua mente!
-E você...
-Eu lhe dei o troco merecido. Disse a ele que não estava cansado, estava
arrependido de ter morrido. Devia ter ficado na Terra uns mil anos para não
encontrar mais com religiosos. No sanatório espírita de Uberaba, pelo menos,
essa segurança eu tinha. Não era obrigado a lidar com as tricas e futricas do
movimento doutrinário!
-E ele?...
-Ele ainda me perguntou se tinha algo me incomodando.
-E você, naturalmente...
- debochou Dona Modesta.
-Naturalmente, eu me calei, porque, se falasse naquela hora, seria um desastre!
(...) O senhor também é bastante arrogante, não é, doutor?
-Sou um arrogante que não minto mais para mim.
Um arrogante autêntico e leal comigo mesmo. Há uma boa diferença entre nós
nesse sentido.
- O senhor quer dizer que ainda sou um arrogante iludido...
-Como ambos somos arrogantes, não custa confirmar sua tese... (...)Pois de mim,
só posso dizer o contrário. O senhor trabalhou muito, Doutor Inácio?
-A vida inteira! Cuidando de loucos, acho que enlouqueci e não percebi, Acabei
sendo útil, mesmo doente.
Percebamos que essa é a postura de um suposto médico psiquiatra com grande
envergadura moral. Na verdade o autor cria uma caricatura para melhor enganar.
Na obra de Tormentos iremos nos defrontar com a verdade.
Comparemos agora com as descrições que Manoel Philomeno de Miranda faz no livro
"Tormentos da Obsessão" do Dr. Ignácio e da Sra. Maria Modesto através
da psicografia de Divaldo P. Franco. Percebamos que até a grafia do nome o
espírito mistificador coloca errada.
No 2º. Capítulo, "O Sanatório Esperança", P. de Miranda apresenta o
verdadeiro Dr. Ignácio Ferreira. Vale a pena lê-lo e comparar os diálogos,
ricos de sabedoria, com os diálogos chulos e debochados descritos
anteriormente.
Aliás, no livro Tormentos da Obsessão encontramos vários diálogos extremamente
profundos entre Philomeno de Miranda e o Dr. Ignácio Ferreira, demonstrando de
forma irrefutável a sua elevação moral. Não transcreveremos esses diálogos por
ser desnecessário, remetendo o leitor ao original, que recomendamos que todos
nós espíritas estudemos, pelo menos, uma vez. Mas os textos são tão profundos
que, se estudarmos mais vezes vamos apreender com mais eficiência.
Vejamos os termos que Philomeno usa para descrever o Dr. Ignácio:
"(...)Apresentando-se própria a ocasião, face à presença em nosso grupo de
um dos seus atuais diretores, o Dr. Ignácio Ferreira, que fora na Terra eminente
médico uberabense, interroguei ao amigo gentil, sobre a história daquele
Santuário dedicado à saúde mental, e ele, bondosamente respondeu: (...)
Enquanto o gentil psiquiatra... (...) Se demonstrar enfado, o bondoso
psiquiatra elucidou... (...) Dr. Ignácio Ferreira houvera experimentado com
muito cuidado, enquanto no corpo físico, o tratamento de diversas
psicopatologias incluindo as obsessões pertinazes, no Sanatório psiquiátrico
que erguera na cidade de Uberaba, e que lhe fora precioso laboratório para estudos
e aprofundamento na psique humana, especialmente no que diz respeito ao
inter-relacionamento entre criaturas e Espíritos desencarnados.
A Sra. Maria Modesto Cravo, se iniciara pelas suas mãos, quando os fenômenos
insólitos passaram a perturbá-la, e, graças à sua faculdade preciosa,
revelou-se abnegada servidora do Bem. De sua segura mediunidade se utilizavam
os bons Espíritos, particularmente Eurípedes Barsanulfo, para o ministério do
esclarecimento dos estudiosos, assim como para a prática da caridade".
Nas páginas 61 a 72 do referido livro temos uma palestra do Dr. Ignácio, na
qual o verdadeiro benfeitor mostra a sua elevação moral, tão diferente da
caricatura do médico insolente e debochado apresentado pela suposta Ermance
Dufaux. Além das referidas páginas o leitor vai encontrar no livro Tormentos da
Obsessão outras páginas nas quais o ilustre psiquiatra mostra a sua elevação.
Citamos a seguir um pequeno trecho no qual o Dr. Ignácio demonstra a sua
bonomia e elevação, a título de exemplo. Compare com os textos debochados
exarados anteriormente: "(...) – O processo de evolução – continuou
espontaneamente a enunciar – é lento, porque aqueles que nele estamos
envolvidos, optamos pelo imediato, que são as ilusões que afastam aparentemente
as responsabilidades e as lutas, intoxicando-nos os centros do discernimento e
entorpecendo-nos a razão. Luz, porém, em toda a parte, o amor de Nosso Pai
convidando à renovação e ao trabalho, à conquista da alegria, da paz e da
felicidade de viver. Dia virá, e já se anuncia, em que o Evangelho de Jesus
tocará os corações com mais profundidade, e o ser humano se levantará dos vales
por onde deambula, galgando a montanha da libertação, a fim de contemplar e
fruir os horizontes infinitos e plenificadores.
Até que chegue esse momento, que todos nós, aqueles que amamos e já despertamos
para as responsabilidades que nos dizem respeito, nos demos as mãos e, unidos,
sirvamos sem reclamação, ampliando o campo das realizações enobrecedoras".
Para finalizar a nossa análise vamos colocar alguns trechos no qual o autor
tenta dissociar a mediunidade do crivo da razão e denigre o movimento espírita
de unificação.
Reforma íntima sem martírio, página 186 e 187:
(...) O exercício mediúnico sério tem sido escasso nas casas do Espiritismo e o
que prepondera é o consolo nas sessões de intercâmbio. Embora com seus méritos,
a transcendência da faculdade que liga os mundos não tem se convertido em
chances para que os benfeitores do além possam transmitir sua experiência e
participar com mais assiduidade das vivências dos homens. Não foram poucas
vezes em que Bezerra de Menezes teve que contar com centros de umbanda e
candomblé, nos quais encontram-se muitos corações afeiçoados ao amor, para
fazer seus ditados ou operar suas curas. Lá a espontaneidade e o desejo de
servir muitas vezes sobressai como qualidade indiscutível em relação a muitos
centros doutrinários do Espiritismo, os quais têm fechado as portas mentais
para o trânsito dos bons espíritos. Tem havido um engessamento voluntário do
exercício mediúnico surgido a partir da tese animista, em meados do século
passado. Sem visão de vida imortal, acomodam-se e deixam de descobrirem
horizontes novos. Estacionam na paralisia do pensamento em conceitos e não se
permitem reciclar práticas. Muitos, além disso, infelizmente, perderam o gosto
de aprender, esbaldando-se em seu “histórico de serviços” sem apresentar algo
de útil para os reclames do momento atual.
Lírios da esperança, páginas 34 e 35:
"(...)Fé é a adesão espontânea da alma na busca da Verdade. Mediunidade é
o ventre sagrado do fervor. Através dela, ocorre a sublime gestação do
patrimônio da crença lúcida e libertadora. Raciocínio é o dínamo da lógica e do
bom senso. Quando atacado pela rigidez emocional, concerte-se em preconceito e
etagnação. Inúmeros grupos doutrinários transformaram o critério do raciocínio
em medida prática de defesa, para não serem enganadosistm o gosto de aprender,
esban o gosto de aprender, esbandando-se em seu de indiscut e candombcernimento
e entorpecendo-nos a pelas bem urdidas mistificações. Com essa postura, se não
são enganados nas suas produções mediúnicas, são ludibriados quanto ao
significado abrangente das relações de amor entre as almas, circunscrevendo a
prática de intercâmbio à expressões superficiais de conversão de desencarnados,
com espaço acanhado para a manifestação livre de benfeitores e aprendizes da
erraticidade. Vigilância excessiva é um cadeado nas portas da sensibilidade,
aprisionando os sentimentos aos severos regimes de descrença e engessamento
mental.
A cautela excessiva com a fantasia e o engodo manietaram inúmeros servidores. E
o resultado mais infeliz de tanta censura é o enfermiço desânimo com as
sagradas práticas de intercâmbio entre os mundos. O mais grave efeito do
engessamento cultural das idéias espíritas é a paralisia da noção de
imortalidade. Um plano espiritual estático e desconectado da vida na Terra.
(...) O que era apenas uma ameaça ao intercâmbio mediúnico responsável, regido
pela espontaneidade, hoje se concretiza como autêntico cerceamento criado por
padrões rígidos e institucionais nas leiras de serviço.
Tais padrões, a princípio erigidos como “estacas de segurança”,
transformaram-se em “cartilhas” por sugestões de corações bem intencionados,
porém, desprevenidos quanto ao significado da singularidade nos assuntos
metafísicos.
Além disso, a existência dos “mentores culturais” de sofismas, em ambos os
planos, multiplicaram as noções inconsistentes absorvidas pela comunidade em
suas práticas e conteúdos. O resultado inevitável é o restringimento, ainda
maior, das manifestações do céu para a vida terrena. Chega a hora de um novo
chamado! (...) Com isso, o homem acomoda-se na ritualidade, na repetição, no
padrão.
Bane-se a criatividade, o novo e a experimentação, estabelecendo uma noção de
segurança em torno de “formas usuais de fazer...” A educação moderna preconiza
em um dos seu quatro pilares: o “aprender a fazer”. Todos os grupos
doutrinários na atualidade são convocados a “reaprender a fazer”. (...)-Estou
confirmando que precisamos de rever conceitos sobre médiuns, mediunidade e
Espiritismo.
Largar essa mania emocional de fidelidade ao texto de Kardec e buscar
fidelidade à postura de Kardec, à postura de investigador. Estou falando de
abertura mental para o novo".
Percebe-se nitidamente os sofismas que o espírito mistificador usa para
neutralizar o bom senso na prática mediúnica, usando palavras bem escolhidas,
como “criatividade”, o “novo”, “experimentação”, para melhor enganar.
O médium Wanderley em um congresso recente disse em público, que tem
experimentado muitas inovações seguindo o conselho dos seus “mentores”.
Percebe-se que ele vem seguindo à risca os conselhos de abolir a razão e o bom
senso. A última novidade que introduziu no Centro onde ele participa é o
“tatame mediúnico”.
Aboliram a mesa da sala mediúnica e agora há um tatame para amortecer as quedas
dos médiuns, que usando a “espontaneidade” jogam-se no chão ao receber os
espíritos, tornando-se como recomenda o falso Dr. Inácio, “cavalos” dos
espíritos.
(...)- Os médiuns consagrados da seara cumprem outro gênero de tarefa para com
a causa, razão pela qual, para resguardarem segurança íntima, mantêm-se
distantes dos cataclismos de diversidade.
-Tenho piedade do medianeiro que se atrever a publicar tais anotações!
-Pois tenho alegria em saber que esses conceitos chegarão ao mundo pelas mãos
mediúnicas.
-A maioria nutrirá descrença. Eu mesmo ainda não creio no que vejo!
-Ainda assim o médium, com sua “louca coragem”, será um desafio de amor para o
movimento espírita.
Aqui o espírito sutilmente fala da diferença de médiuns consagrados e médiuns
corajosamente loucos, justificando porque não há confirmação dessas
“revelações” por médiuns equilibrados apenas pelos outros, os “loucos”.
Novamente coloca uma falácia para melhor enganar.
Nos capítulos 21 e 23 o mistificador usa de instrumentos para ridicularizar e
denegrir a doutrina e o movimento de unificação. Vejamos alguns trechos:
(...) Os pacientes aqui alojados neste setor...
- São líderes da unificação. Com raras exceções, os amigos da unificação que
aqui se aportam chegam cansados pelo peso das mágoas. Suas histórias, a exemplo
da minha própria, quase sempre, são agravadas pela angústia, quando descobrem
não serem tão essenciais o quanto imaginavam aos ofícios de Jesus. (...)
Parecem atordoados.
-“Emburrados”, eu diria.
-“Emburrados”?
-Não se entendiam na Terra, continuam não se entendendo por aqui. Brigam
durante o dia e, agora à noite, encontram-se deprimidos e fracos.
-Mas ninguém toma nenhuma iniciativa?
-Se tomarem, logo eles estarão se procurando para “tricotarem”.
-“Tricotarem”?! O senhor quer dizer que continuam suas tricas?
-Sejam claros!... Tricas, não. Política de bastidor!
-Até aqui existem essas condutas?
-E por que não? A mente adoecida traz para cá suas enfermidades.
-Surpreendente! Como lhe disse, conhecia bem esse comportamento na seara,
todavia não imaginava que os unificadores continuassem agindo assim...
-Eu mesmo, quando desencarnei fiz parte de grupo similar na erraticidade.
Saudade do ambiente de unificação! Do movimento espírita com todas as suas
querelas! (...)A Doutrina Espírita é uma bênção de alívio e paz para quem a
busca absorver-lhe as lições. Todavia, para quantos estacionam na superfície de
seus ensinos, transforma-se em fardo consciencial. Por essa razão, alguns
confrades recorrem a alternativas. Cansam de espiritismo. (...)
-Que o Espiritismo chamado de puro é uma criação da cabeça humana, tomada pelo
preconceito, e que os espíritas de hoje são um “novelo cultural católico”, um
fenômeno social e histórico. As práticas e conceitos doutrinários foram
talhados pelo arcabouço milenar do homem religioso.
Aqui fica também patente a real finalidade do espírito mistificador
ridicularizar o movimento e a doutrina espírita através de um psicologismo que
engana muita gente, pois fala do amor, do bem, das virtudes. Muitas outras
falhas doutrinárias graves existem nas obras, mas ficamos por aqui para não
ficar enfadonha a análise.
Concluímos com um texto de Erasto extremamente atual que todo trabalhador
espírita na leitura das obras mediúnicas ou não deveria sempre ter em mente
para separar o joio do trigo.
“O Livro dos Médiuns”, item 230:
“Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos provérbios. Não admitais, portanto,
senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma
opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a
passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a
razão e o bom-senso reprovarem.
Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria
errônea.
Efetivamente, sobre essa teoria poderíeis edificar um sistema completo, que
desmoronaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento edificado sobre
areia movediça, ao passo que, se rejeitardes hoje algumas verdades, porque não
vos são demonstradas clara e logicamente, mais tarde um fato brutal, ou uma
demonstração irrefutável virá afirmar-vos a sua autenticidade”
Consoladoras, Cartas Consoladoras,Cartas Consoladoras, Cartas Consoladoras