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domingo, 19 de fevereiro de 2012

O que é e o que não é Espiritismo



O que é e o que não é Espiritismo



Eu já sei "a verdade", pra que perder tempo com "a mentira"?



Foi um pensamento como este que estagnou o pensamento filosófico e científico por quase mil anos na história da humanidade. E é assim que muito espírita ainda pensa.
A Idade Média, subjugada à tutoria da Igreja Católica, foi um período em que o pensamento filosófico foi escravizado. Sim, a Filosofia se tornou literalmente "serva da Teologia", e tinha como única função esclarecer a fé.

Apesar de empreender um aprofundamento nos estudos de pensadores como Aristóteles, este período não trouxe avanços significativos. Isso se deu porque "a verdade" já havia sido encontrada.
Sim, ela estava logo ali, revelada na Bíblia. Ora, se o homem então já estava de posse da verdade, que lhe foi revelada diretamente do céu, por que perder tempo filosofando?

Repetindo o passado a grande maioria de pessoas que chegam à doutrina vem de leituras de romances mediúnicos e para estes ali esta a verdade, portanto para estes é Kardec que tem que se submeter ao que revela o espírito X e não ao contrário.

São os modernizadores que questionam porque deveríamos ficar estagnados as revelações de mais de 150 anos atrás, e pensam estar refutando Kardec, sem terem lido, estudado, analisado e esmiuçado o LM, LE, O Que é o Espiritismo a Revista Espírita entre outros.

Ou seja, porque perder tempo filosofando se eu já sei a verdade? Para estes o fato de fulano ou cicrano, o médium x ou y já terem refutado esta visão é suficiente.

Mas estes argumentos cometem à boa e velha falácia ad verecundiam, isso é, o "apelo à autoridadde." Ou seja, acredita-se em uma determinada posição não por causa de sua correspondência à realidade ou pela força de suas premissas que levam a uma conclusão lógica inevitável, mas por causa de uma autoridade qualquer que diz que deve ser de tal e tal modo.
Foi por argumentos assim que por tanto tempo a humanidade acreditou que era o Sol que girava em torno da Terra, e não o contrário. As "autoridades" diziam isso, apesar de pensadores da corrente "não-oficial" já terem descoberto o contrário.

Acredita-se às vezes que determinado pensador foi "refutado" simplesmente porque existem críticas à sua obra.
Mas como saber se as críticas são procedentes se eu não conheço o pensamento criticado?

Como saber se o crítico está expondo corretamente o pensamento do seu opositor?
A metodologia esta explicita em implícita na obra de Kardec.

4. As contradições, mesmo aparentes, podem lançar dúvidas na mente de certas pessoas. De que método pode servir-nos para conhecer a verdade?
Para discernir o erro da verdade é necessário aprofundar no entendimento dessas respostas, meditando-as demorada e seriamente. É um verdadeiro estudo que se tem de fazer. Precisa-se de tempo para isso, como para todos os estudos.
Estudai, comparai, aprofundai-vos nas questões. Temos dito incessantemente: o conhecimento da verdade tem esse preço. Como quereis chegar à verdade interpretando tudo segundo as vossas idéias estreitas, que considerais grandes idéias? Mas não vem longe o dia em que o ensino dos Espíritos será um só para todos nos detalhes como nas linhas mestras.
Sua missão é a de destruir o erro, mas isso só se consegue gradativamente.
(O Livro dos Médiuns / Cap. 27 – CONTRADIÇÕES E MISTIFICAÇÕES)

"Há polêmica e polêmica; e há uma diante da qual não recuaremos jamais, que é a discussão séria dos princípios que professamos."
(Allan Kardec, Revista Espírita - Nov/1858)

"É urgente que vos ponhais em guarda contra TODAS as publicações de origem suspeita, que parecem, ou vão parecer contrárias a todas as que não tiverem uma atitude franca e clara, e tende como certo que muitas são elaboradas nos campos inimigos do mundo visível ou no invisível, visando a lançar entre vós os fachos da discórdia.

Cabe-vos não vos deixar apanhar. “Tendes todos os elementos necessários para apreciá-las”.
(Espírito Erasto, Revista Espírita, 1863, dezembro.)





Reações:

1 comentários:

Francisco,

Acho que você irá gostar de ver essa entrevista com Divaldo Franco:

http://estudofilosoficoespirita.blogspot.com/2012/02/enxurrada-de-livros-espiritas.html

Segue trechos:

"Vem ocorrendo uma coisa muito curiosa, pela qual, alguns espíritas desavisados, de alguma maneira, são responsáveis: se o livro é de um autor encarnado, não se lê, porque como se ele não tivesse autoridade de expender conceitos em torno da Doutrina. Mas, se é um livro mediúnico, ele traz um tipo de mística, de uma chancela, e as pessoas logo acham que é o máximo. Adotam esse livro como um Vade Mecum, trazendo coisas que chocam porque vão de encontro aos postulados básicos do espiritismo."

[...]

Realmente, a questão deve ser muito bem estudada, inclusive, penso, que pelo Conselho Federativo Nacional para se tomar uma providência. Não de cercear-se a liberdade — não temos esse direito, mas pelo menos de esclarecer os leitores e procurar demonstrar quais são as características de uma obra espírita e as características de uma obra imaginativa.

Um dos livros mais vendidos, dito mediúnico, tem verdadeiras aberrações, em que a entidade fez do mundo espiritual uma cópia do mundo físico, ao invés de o mundo físico ser uma cópia do mundo espiritual. Inverteu, porque o Espírito está tão físico no mundo espiritual! E um Espírito do sexo feminino, que tem os fluxos catamênicos no mundo espiritual e que vai ao banheiro e dá descarga!

Outras obras, igualmente muito graves, falam de relacionamentos sexuais para promoverem reencarnação no Além. Ora, a palavra reencarnação já caracteriza tomar um corpo de carne. Como reencarnar no Além, no mundo de energia, de fluidos, onde não existe a carne? O Além, com ninhos de passarinhos multiplicando-se, em que as aves vêm, chocam e nascem os filhotinhos. Não é que estejamos contra qualquer coisa, mas é que são delírios, pura fascinação."

Vale a pena conferir...Uma critica implícita às obras de C. Baccelli.

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