Sob o Crivo da Razão 1 Titulo

Assuntos diversos sob o crivo da razão.

Escolha seu caminho misticismo ou razão 2 Titulo

Variada pesquisa ao seu dispor videos, artigos e palestras .

Cientistas Espiritas 3 Titulo

Descubra aqui os ciêntistas que pesquisaram a doutrina espirita, e poste suas dúvidas.

Descubra o pensamento Liberal Espirita 4 Titulo

Neste espaço você vai entender porque a doutrina espirita é inconciliável com o socialismo.

Debates e crítica literária espirita 5 Titulo

Um espaço para o contraditorio, onde colocamos em dúvidas muitas questões tidas como doutrinarias.

Pesquisar este blog

Seguidores

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

POR QUE UM CÉTICO NÃO ACREDITA NO "O LIVRO DOS ESPÍRITOS".

As melhores respostas daqueles que acham que são "RACIONAIS"
Não li o artigo inteiro, mais recomendo ao autor ler o Livro dos Médiuns pra explica melhor sobre os fenômenos, enquanto as questões interpretativas poderíamos ficar anos discutindo sem sair do lugar, sou espírita e já li o Livro dos Espíritos, e ele com as demais obras de Allan Kardec tem caráter sagrado e são uma continuação natural da bíblia
---------------
Todo mundo é estúpido, todos somos burros, crentes e idiotas.
São oito milhões de espíritas em todo o mundo completamente tapados, subraças, fanáticos, mentes demoníacas.
Só o autor é inteligente, observador e desmascarador de fraudes.
---------------

Obras psicografadas
POR QUE UM CÉTICO NÃO ACREDITA NO  "O LIVRO DOS ESPÍRITOS".

O artigo abaixo, escrito por um internauta que prefere se manter anônimo, mas oferece um email para contato, analisa a metodologia de Kardec, encontrando numerosas falhas.


Kardec apresenta três conceitos distintos de Alma. 

1) Um conceito materialista. 

2) Um conceito panteísta. 

3) Um conceito espiritualista (individualidade da alma, consciência após a morte física). Alma independente do corpo físico. 

Kardec diz: 

é por isso que denominamos ALMA o ser imaterial e individual que existe em nós e que sobrevive ao corpo. Ainda que esse ser não existisse e fosse apenas um produto da imaginação, seria preciso assim mesmo um termo para designá-lo. 

Ou seja, alma para o Espiritismo é o que Kardec define no conceito 3. 

Kardec também diz que há vida sem alma. Corrobora-se isso no seguinte trecho: 

Na falta de uma palavra especial para cada uma das outras duas idéias, denominamos princípio vital o princípio da vida material e orgânica, qualquer que lhe seja a origem, e que é comum a todos os seres vivos, desde as plantas até o homem. Podendo existir vida sem depender da capacidade de pensar, o princípio vital é assim uma propriedade distinta e autônoma. 

Kardec diz sobre ela: 

Como se vê, tudo isso é uma questão de palavras, mas uma questão muito importante para entender. De acordo com isso, a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; a alma intelectual seria própria dos animais e dos homens; e a alma espírita,apenas do homem. 

Qual a origem dessa “alma vital”? Kardec abre interpretações para que ela possa ser fruto da própria matéria. Mas que, a “alma intelectual” não poderia ser fruto da própria matéria. 

Sobre os fenômenos: 

Lembremos primeiramente e em poucas palavras a série progressiva dos fenômenos que deram origem à Doutrina Espírita. 

Kardec agora fala sobre os supostos fenômenos que originaram a Doutrina Espírita. 

O primeiro fato observado foi o de que diversos objetos se movimentavam; de maneira geral, chamaram-no de mesas girantes ou dança das mesas. Esse fenômeno, observado primeiramente nos Estados Unidos, ou melhor, que se repetiu e foi anunciado naquele país, porque a história prova que remonta à mais alta Antiguidade, se produziu acompanhado de circunstâncias estranhas, como barulhos anormais, pancadas sem causa aparente ou conhecida. 

Kardec nos diz que observado foi fenômenos de objetos se movendo cuja causa parecia ser desconhecida pela ciência da época. 

A primeira pergunta que fica é: 

1) Sob quais condições tais fenômenos aconteciam? 

Kardec alegou ser testemunha ocular de vários. 

Variáveis: 

a) Iluminação. A iluminação abre brechas para fraudes. Na época não se tinha a tecnologia de câmeras noturnas e outrem. Se os fenômenos que Kardec observou (que não era mágico) foram truques, o mesmo fora enganado por eles, pois, a iluminação poderia ter ajudado. Não encontramos referências de iluminação sobre os fenômenos que Kardec diz ter presenciado. 

A importância das condições de segurança parecem não ter sido tratadas com relevância por Kardec, por mais que tenha se preocupado com algumas dessas questões (tratarei disso posteriormente). 

b) Detectar a presença de fraude. 

- Os que relataram tais fenômenos tinham mágicos por perfeito? Peritos especializados em detectar fraude? 

Cientistas não são mágicos. Se for um truque, e, se por acaso houver desconhecimento de tais práticas, o cientista pode se ver obrigado, por pura ingenuidade ou ignorância de tais práticas, supor hipóteses alternativas para explicar tais fenômenos “paranormais”. 

Dos Estados Unidos se propagou rapidamente pela Europa e em seguida por todo o mundo. A princípio houve muita incredulidade, mas a multiplicidade das experiências não mais permitiu duvidar da realidade. 

Kardec diz que a replicação excessiva está relacionada com a veracidade de tais fenômenos, no sentido de que não são causados por humanos. 

Seria isso verdadeiro? Continuemos. 

Ocorre que o movimento nem sempre era circular; muitas vezes era brusco, desordenado; outras vezes o objeto era violentamente sacudido, derrubado, levado numa direção qualquer e, contrariamente a todas as leis da estática, levantado do chão e mantido no espaço. 

Eu me pergunto: se tudo isso realmente aconteceu, como interpretar tais fenômenos? 

Analisemos as medidas de fraude que Kardec tomou, ou não. 

Ainda não havia nada nesses fatos que não pudesse ser explicado pelo poder de um agente físico invisível. Não vemos a eletricidade derrubar edifícios, destruir árvores, lançar ao longe os mais pesados corpos, atraí-los ou repeli-los? 

Kardec dá muita importância ao estudo científico das causas desses supostos fenômenos, alegando poderiam ser explicados por leis físicas, como as da eletricidade. 

Mas a pergunta é a que fica: 

Por que Kardec não ressaltou também, em pé de igualdade, a hipótese de fraude, mágica, ilusionismo? 

Quais fatores pessoais poderiam impedir Kardec de fazê-lo? 

Percebemos na leitura do texto a preocupação de Kardec em observar os fenômenos e tentar explicá-los com leis físicas, mas não a preocupação devida com a fraude e ilusionismo. Por quê? 

Continuemos. 

Kardec questiona: 

Os ruídos anormais, as pancadas, supondo-se que não fossem um dos efeitos normais da dilatação da madeira ou de qualquer outra causa acidental, poderiam muito bem ser produzidos pelo acúmulo de um fluido oculto: a eletricidade não produz os ruídos mais violentos? 

Poderíamos perguntar também: poderiam ter sido reproduzidos com má intenção, fraude, mágica ou ilusionismo? 

Vemos que Kardec, a priori, parece não se preocupar com tais questões. 

Até aí, como se vê, tudo podia ocorrer no domínio dos fatos puramente físicos e fisiológicos. 

Com certeza senhor Kardec, assim como também por truques de ilusionismo e fraude. O que incomoda é a não pretensão de Kardec a ponto de não ser cético a tal ponto, como deveria. 

Entretanto, alguns sábios, bastante modestos por admitir que a natureza poderia muito bem não lhes ter dito sua última palavra, quiseram ver, para tranqüilizar as suas consciências. Mas aconteceu que o fenômeno nem sempre correspondeu à expectativa que tinham, e como o fato não se produziu conforme a sua vontade e segundo seu modo de experimentação, concluíram pela negativa. Apesar do que decretaram, as mesas continuaram a girar, e podemos dizer como Galileu: “Todavia elas se movem! ” Diremos mais: “É que os fatos se multiplicaram de tal modo que hoje têm direito à cidadania e que não se trata senão de achar-lhes uma explicação racional”. 

Novamente não vemos a hipótese de fraude e ilusionismo no que Kardec chamou de “explicação racional”. 

Vemos então, depois de muita pouca preocupação com tais questões, Kardec falar sobre a hipótese de fraude: 

Mas algumas pessoas alegam que muitas vezes há fraudes evidentes. Em primeiro lugar, devemos perguntar se estão bem certas disso e se não tomaram por fraudes os efeitos que não conseguiram entender, como o camponês que confundiu um sábio professor de física realizando experiências como um mágico habilidoso. 

Kardec parte do pressuposto que as pessoas alegam que há fraudes evidentes. Não sei se a tradução dessa obra nos permite afirmar isso. Mas, se caso o for, podemos dizer que a postura mais racional seria: 

“Algumas pessoas alegam que pode haver fraudes”. 

Kardec não tomou por esse rumo, mas criticou os que alegam fraude. De fato alegar que há fraude faz com que o ônus da prova recaia sobre os acusadores. Suspeitar de fraude é praticamente o oposto de ato, partindo para a investigação. 

Não vemos, por conseguinte, uma postura cética metodológica por parte de Kardec, ainda. Vemos que ele aparenta não se preocupar como deveria com a hipótese de fraude. 

Não entendemos por que Kardec tem esse tipo de atitude, mas continuemos: 

Mas, mesmo supondo que a fraude pudesse acontecer algumas vezes, seria razão para negar o fato? Deve-se negar a física porque há ilusionistas e mágicos que dão a si mesmo o título de físicos? 

Kardec quase chega na questão. E vemos uma atitude muito interessante por parte de Kardec: 

Aliás, é preciso levar em conta o caráter das pessoas e o interesse que podiam ter em enganar. Então seria um gracejo? 

Kardec diz que devemos levar em conta o caráter das pessoas. Talvez essa seria uma das questões chaves dessa crítica. Antes de entrar em uma análise dessa postura, evidentemente ingênua do francês positivista, continuemos: 

Admite-se que uma pessoa possa se divertir por um instante, mas uma brincadeira indefinidamente prolongada seria tão cansativa para o mistificador. 

Kardec em outras palavras quer dizer que não haveria sentido para as pessoas tentarem enganar umas às outras. Admiro com o coração nobre do francês, mas isso é ingenuidade pura. 

Esse não é um dos argumentos que esperaríamos de um investigador. Metodólogos sabem que têm de deixar de lado as questões emocionais para realizarem suas pesquisas. Por mais desagradável que seja, supostos fenômenos como esse pareciam existir em quase toda a Europa, como o próprio Kardec diz no livro. 

Logo Kardec continua: 

quanto para o mistificado. 

Eu particularmente, se, antes de ter um pensamento crítico e não suscitasse a hipótese de fraude, ficaria maravilhado em ver mesas pulando e girando. Naquela época, em pleno período vitoriano, deveria ser muito desagradável suspeitar desse modo das pessoas, em plena França e especialmente com a classe social das pessoas com que Kardec convivia. A verdade é que não temos exatamente como saber por que Kardec não se preocupava com a questão de fraude como deveria. 

De resto, numa mistificação que se propaga de um lado a outro do mundo e entre pessoas mais sérias, mais veneráveis e mais esclarecidas, haveria algo tão extraordinário quanto o próprio fenômeno. 

Kardec descarta a hipótese de ilusionismo por fatores pessoais, como discutido. Novamente vemos a ingenuidade de Kardec em vigor. 

Mas a essa alegação cabe uma assertativa: nesse argumento houve uma generalização. Kardec duvidava que os fenômenos que alegou ter presenciado pudessem ter sido fraude, e levou tal idéia a suspeitar que os fenômenos por toda a Europa também não poderiam ter sido fruto de engodo, fraude ou ilusionismo. 

O francês era muito cético para com o que não deveria: a hipótese de mágica, fraude, engodo, ilusionismo. 

O positivista deveria ser cético para com as hipóteses desconhecidas pela ciência. Houve o contrário, como acabamos de ver e como se conclui ao decorrer da leitura. 

Esse argumento é também chamado de argumento da incredulidade pessoal. Kardec não enxergava meios pelos quais, ou razões pelas quais fraudes poderiam ser feitas. 

O século XIX não só foi o auge desses supostos fenômenos, mas também o século da mágica. É dessa época que surgem os maiores mágicos da história, como Houdini e outrem. É uma pena Kardec não ter se preocupado da forma como deveria fazê-lo. 

A pergunta que poderia ficar para o espírita que isso ler, é: 

“Poderia os fenômenos que Kardec alegou ter sido causados por ilusionismo e mágica?” 

Temos todas as razões para suspeitar que sim. Houdini e outros mágicos, na época, faziam coisas inacreditáveis. É claro que para exemplificar e enriquecer essa hipótese teríamos que cair em uma pesquisa bibliográfica sobre os grandes truques de mágica do séc. XIX (que é o que vou me propor a fazer) e relacioná-los com o que suspeitamos ser fraude. 

4 – O MÉTODO 

E o que vemos nessa parte do livro é que Kardec parece mesmo ter desprezado a hipótese de fraude. 

Se os fenômenos de que nos ocupamos ficassem restritos ao movimento dos objetos, estariam dentro, como dissemos, do domínio das ciências físicas. Mas não foi isso que aconteceu: estavam destinados a nos colocar no caminho de fatos de uma natureza estranha. Acreditou-se descobrir, não sabemos por iniciativa de quem, que a impulsão dada aos objetos não era somente produto de uma força mecânica cega, mas que havia nesse movimento a intervenção de uma causa inteligente. Esse caminho, uma vez aberto, revelou um campo totalmente novo de observações: era o véu levantado de sobre muitos mistérios. Há, de fato, um poder inteligente? Essa é a questão. Se esse poder existe, qual é ele, qual é a sua natureza, sua origem? Ele está acima da humanidade? Essas são as outras questões decorrentes da primeira. 

Não vemos uma ressalta a hipótese de “mistificadores”. 

Agora vemos que Kardec interpretou os fenômenos, que poderiam ter sido truques por parte dos realizadores, como fenômenos inteligentes. 

O que não vemos novamente são as questões: 

1) Qual a iluminação do ambiente?

2) Onde aconteceram esses fenômenos?

3) Quais tipos de controle adotado? 

Obtiveram-se, em seguida, respostas mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: o objeto móvel, batendo um número de vezes correspondente ao número de ordem de cada letra, chegava a formular palavras e frases respondendo às perguntas propostas. A precisão das respostas e sua correlação com a pergunta causaram espanto. 

Kardec observou que as mesas e objetos pareciam responder perguntas. 

O ser misterioso que assim respondia, quando interrogado sobre sua natureza, declarou que era um Espírito ou gênio, deu o seu nome e forneceu diversas informações a seu respeito. 

Subentende-se que o “objeto móvel” seria uma mesa ou algo do tipo. O que quer que seja não alterará a argumentação: o que importa é que temos objetos físicos respondendo perguntas. Então, vemos que as mesas “respondiam” que eram espíritos os causadores de tais turbulências. 

Aqui há um fato muito importante que convém ressaltar: ninguém havia imaginado os Espíritos como um meio de explicar o fenômeno. Foi o próprio fenômeno que se revelou. Muitas vezes, nas ciências exatas, formulam-se hipóteses para se ter uma base de raciocínio, mas isso não ocorreu nesse caso. 

Pergunto-me: se esses fenômenos das mesas foram causados por fraude, por mágica, por brincadeira dos participantes que, poderiam ter inúmeros motivos pessoais, subjetivos para isso, então o Espiritismo nasceu de um erro de interpretação. 

Se essa hipótese for verdadeira, o Espiritismo nasceu de um erro, de um engodo. As conseqüências nem precisam ser ditas. 

Esse meio de comunicação era demorado e incômodo. O Espírito, e isso ainda é uma circunstância digna de nota, indicou um outro processo. Foi um desses seres espirituais que ensinou a prender um lápis a um pequeno cesto ou a um outro objeto. Esse cesto, colocado sobre uma folha de papel, foi posto em movimento pelo mesmo poder oculto que fazia mover as mesas; mas, em vez de um simples movimento regular, o lápis traçou, por si mesmo, letras formando palavras, frases e discursos inteiros de muitas páginas, tratando das mais altas questões da filosofia, da moral, da metafísica, da psicologia, etc., e isso com tanta rapidez como se fosse escrito à mão. 

Não vemos referências às questões, novamente: 
1) Iluminação. Como esse processo era feito?
2) Presença de peritos em fraude.
3) Que tipo de controle fora adotado? 

Não temos todos detalhes completos de como isso era feito, de como tudo isso realmente acontecia (se é que aconteceu, se realmente Kardec presenciou tais feitos). 

Kardec não alude, novamente como deveria, à hipótese de mágica e ilusionismo. 

O cesto ou a prancheta apenas podem ser colocados em movimento sob a influência de algumas pessoas dotadas, para esse fim, de um poder especial e que são designadas como médiuns, isto é, intermediários entre os Espíritos e os homens. As condições de que se origina esse poder especial têm causas ao mesmo tempo físicas e morais ainda desconhecidas, visto que se encontram médiuns de todas as idades, de ambos os sexos e em todos os graus de desenvolvimento intelectual. Essa faculdade, esse dom, se desenvolve pelo exercício. 

Aqui vemos uma pequena alusão aos processos com que os “médiuns” desenvolverão seu processo de comunicação com os mortos, entre eles o processo de psicografia. 

Mais tarde se reconheceu que o cesto e a prancheta, na realidade, eram apenas um substituto da mão, e o médium, pegando diretamente o lápis, pôs-se a escrever por um impulso involuntário e quase febril. 

Vemos a crença exposta de que o “médium” realmente acreditava estar escrevendo mensagens de mortos. 

Isso pode ser completamente questionado e explicado de inúmeros meios, entre eles o de que o “médium” poderia realmente acreditar que estava escrevendo de espíritos. Qual o limite da crença? 

(Uso o termo médium entre aspas pois se as tirasse admitira que a pessoa realmente comunicava-se com os mortos. Apesar de isso ser apenas um detalhe que em nada altera a argumentação, mantê-lo-ei). 

Dessa forma, as comunicações tornaram-se mais rápidas, fáceis e completas. Hoje é o meio mais empregado, tanto é que o número de pessoas dotadas dessa aptidão é muito grande e multiplica-se todos os dias. 

Essa questão envolve inúmeras questões, e inúmeras possibilidades. 

1) Se os primeiros fenômenos de mesas “respondendo” perguntas tiveram causa em mágica, fraude ou ilusionismo, então quantos casos futuros desse não foram de pura superstição? 
2) É claro que essas questões também abrem espaço para hipóteses defendidas pela Parapsicologia, sem a necessidade de explicá-las com espíritos. Essa possibilidade não pode ser descartada. 

A experiência fez conhecer outras variedades da faculdade mediúnica e constatou-se que as comunicações poderiam igualmente ter lugar pela fala, pela audição, pela visão, pelo tato, etc. e até mesmo pela escrita direta dos Espíritos, ou seja, sem a interferência da mão do médium nem do lápis. 

Cabe a nós uma questão social-antropológica básica: 
1) O Espiritualismo se espalhou no século XIX de maneira rápida e por vários países. As pessoas adotavam a crença em espíritos como verdadeiras, e por isso poderiam pensar que viam, ouviam, sentiam espíritos, fazendo com que também caíssemos em uma questão de âmbito psicológico. 
A alegação de uma pessoa não tem critério algum de verdade sem que seja evidenciada posteriormente por meios confiáveis. 

Também devemos lembrar que, por mais que tudo tenha sido verdade, que os mortos realmente se comunicaram através de mesas, um fato verídico acontecido no passado não garante que outras pessoas também o façam de forma verdadeira. Quantas pessoas não acreditaram receber espíritos e assim o proceder, escrevendo mensagens cujo texto acreditava ser dos mortos? Poderiam ter sido milhares e milhares. 

Se os espíritos realmente existirem, muitas pessoas podem ter sido enganadas por seu próprio espírito encarnado ao adotar uma crença como essa. 

Não cairei na questão de obtenção de informação, por agora. 

Comprovado o fato, era preciso estabelecer e demonstrar um ponto essencial: qual era o papel do médium nas respostas e a parte que poderia nelas tomar, mecânica e moralmente. 

Comprovado? Não senhor Kardec, não se comprovou. Alegações não são comprovações. 
As pessoas poderiam alegar escrever mensagens cuja fonte era de pessoas mortas. Isso não é prova de espíritos senhor Kardec, mas alegação de comunicação. 

Também não fora “comprovado” que a causa de mesas responderem perguntas eram entes mortos. O positivista não eliminou a hipótese de fraude como deveria fazê-lo, mas ao invés, usou de argumentos emocionais e de incredulidade pessoal. 

O Espiritismo, evidentemente, não foi uma doutrina que nasceu com o devido escrutínio científico. 

Duas circunstâncias fundamentais, que não poderiam escapar a um observador atento, podem resolver a questão. A primeira é a maneira pela qual o cesto se movia sob influência do médium, somente pela imposição dos dedos sobre a borda. 

Kardec alega que somente ao se pôr os dedos sobre a borda, as mensagens eram escritas. 

Como o francês nos elimina a possibilidade de truques? A questão é que ele não apresentou, nessa edição do LE, nenhuma referência de como isso não poderia ter sido feito por mágica (obviamente por não ter tratado a questão como deveria). E que por sinal, poder-se-ia realizar esse truque (se for um truque) de forma muito simples quando comparado a vários outros de mágica. 

Suspeito que se Kardec visse esse questionamento no século XIX, ele usaria dos mesmos argumentos de incredulidade pessoal e emocional. Os ventos mudaram de direção. Não só pelos inúmeros casos de fraudes espiritualistas existentes (deveria citar vários?), mas pelos próprios fenômenos que Kardec alegou não terem referências sobre os cuidados que deveriam ter sido tomados e os controles que deveriam ter sido adotados. 

Kardec fala os exames sobre isso: 

O exame demonstra a impossibilidade de que o médium pudesse lhe impor qualquer direção. 
Quais exames? 
Ele não nos apresentou quais exames foram feitos. 
A velha questão metodológica deve ser seguida: métodos falhos nos conduzem a métodos falhos. 
Essa impossibilidade torna-se mais evidente quando duas ou três pessoas colocam ao mesmo tempo as pontas dos dedos nas bordas de um mesmo cesto. 

Se não temos a descrição dos rigores metodológicos e de escrutínios adotados, não temos condições de dizer se era “impossível” fazê-lo. 

Se não temos as devidas referências, como podemos eliminar a possibilidade de truques em mensagens escritas como essas? 

Seria preciso uma concordância de movimentos entre elas verdadeiramente fenomenal, e ainda seria preciso mais, a concordância de seus pensamentos para que pudessem se entender quanto à resposta a dar à questão formulada. 

Se isso for um truque, e por acaso através de truques uma pessoa fizer a cesta escrever, as demais apenas poderiam acompanhar, como fazemos em brincadeiras “do copo”. Quando colocamos o dedo em cima do copo e um brincalhão faz com que o copo se mova em alguma direção, os outros dedos apenas acompanham. 

Como não temos muitos detalhes sobre como esses fenômenos de cestas eram realizados, não devemos confiar na palavra de Kardec. Devemos nos manter céticos, metódicos e racionais. Devemos analisar todas as possibilidades que poderiam explicar esses fenômenos. A mágica não somente é uma possibilidade real, como perfeitamente possível. 

A incredulidade pessoal dos espíritas não altera na questão. Muitos usam do argumento de incredulidade e de autoridade dizendo que Kardec era um grande intelectual. Oras isso não o faz um conhecedor de truques, e, sem falar que o mesmo não deu atenção para essa hipótese.  

Duvidar que não eram simples mágicas não resolve a questão. Duvidamos de espíritos pois esses fenômenos que Kardec relatou podem ter muitas outras explicações alternativas, sem entes mortos, e que as explicações têm chances de ser verdadeiras. 

Um outro fato, não menos importante, ainda vem se juntar à dificuldade: é a mudança radical que se constata na caligrafia, conforme o Espírito que se manifesta; 

Kardec era perito em grafoscopia? Espíritas, devidos os casos grafotécnicos das psicografias de Chico Xavier, dizem que a grafoscopia pode fornecer evidência para sua hipótese de sobrevivência. Leigos podem simplesmente dizer: “essa caligrafia é muito semelhante, logo é a da pessoa.” 

Kardec, nessa parte do LE não nos deixa informações sobre como esse tipo de conclusão fora obtida, se as escritas que alegou ter observado foram analisadas por peritos. É exatamente por isso que nós, com uma postura crítica, devemos questionar. 

Se devemos questionar até os casos que têm algum grau de escrutínio (por mais falhos que possam ser), imagine caro leitor, os que não têm. 

porém, cada vez que o mesmo Espírito retorna, sua escrita se reproduz. Seria preciso, portanto, que o médium fosse capaz de mudar sua própria escrita de 20 maneiras diferentes e, principalmente, que pudesse se lembrar da que pertence a este ou àquele Espírito. 

Kardec novamente não nos fornece documentação suficiente para sabermos exatamente como esses processos eram feitos, quem os analisava, sob quais condições eles ocorriam. 

Eu não me conformo que, diante de toda essa fragilidade metodológica, que o Espiritismo tenha crescido com algum grau positivo. Onde está o pensamento crítico das pessoas? 

A segunda circunstância resulta da própria natureza das respostas que são, na maioria, principalmente quando se trata de questões abstratas ou científicas, notoriamente fora dos conhecimentos e algumas vezes além da capacidade intelectual do médium, que não tem consciência do que escreve sob influência do Espírito. 

Essa afirmação é completamente vazia. Diz-se que os médiuns não tinham conhecimento do que escreviam. Como podemos ter algum grau de certeza? Por que deveríamos acreditar nisso? 

Primeiramente que é vazia pois Kardec novamente não nos fornece detalhes sobre a forma como isso se dava. Segundo que não cita nenhum argumento capaz de eliminar a possibilidade de os “médiuns” obterem informação. Por terceiro que não sabemos quem os médiuns eram. 

Com freqüência, o médium não ouve ou não compreende a questão proposta, uma vez que pode ser feita numa língua que lhe é estranha, ou mesmo mentalmente; e a resposta pode ser dada por escrito ou falada nessa mesma língua. 

Outra alegação, e novamente Kardec apenas diz que os “médiuns” não sabiam falar outros idiomas. Novamente ele não apresentou nenhum meio do qual pudesse sustentar essa crença. Que razão então deveríamos ter para crer nisso? Não vejo razão alguma. 

Enfim, acontece que muitas vezes o cesto escreve espontaneamente, sem pergunta prévia, sobre um assunto qualquer e inteiramente inesperado. 

Kardec realmente acreditava nisso. Já comentamos sobre as condições. Nada de positivo, por enquanto. 

Essas respostas, em alguns casos, têm uma tal marca de sabedoria, profundidade e oportunidade, revelam pensamentos tão elevados, tão sublimes, que somente podem proceder de uma inteligência superior, fundamentada na mais pura moralidade. 

Essa alegação é muito mais ingênua do que a postura de Kardec com a hipótese de fraude. Alega-se que as mensagens têm “pensamentos elevados”. Essa análise subjetiva de Kardec não nos prova absolutamente nada. 

Primeiro que não temos informações de quem eram esses “médiuns”. Segundo que Kardec não apresentou os critérios que fizeram com que ele considerasse as mensagens com “marca de sabedoria, profundidade, pensamentos elevados, morais”. 

Não é por acaso que na própria introdução do LE, em “A História”, Kardec nos diz: 

A Doutrina Espírita, como toda idéia nova, tem seus adeptos e seus opositores. Vamos tentar responder a algumas das objeções, examinando o valor dos motivos em que se apóiam, sem termos, entretanto, a pretensão de convencer a todos, porque há pessoas que acreditam que a luz tenha sido feita exclusivamente para elas. Dirigimo-nos às pessoas de boa-fé, sem idéias preconcebidas ou obstinadas e sinceramente desejosas de se instruir, e demonstraremos que a maior parte das objeções à Doutrina provém de uma observação incompleta dos fatos e de um julgamento feito com muita leviandade e precipitação. 

Kardec admite que muitas objeções vêm de observações incompletas dos fatos (digo eu, supostos fatos). Mas o próprio não apresentou todos os dados, referências, meios pelos quais os supostos fenômenos se davam, como está sendo demonstrando ao longo do texto. 

O próprio Kardec demonstra agir de maneira hipócrita ao dizê-lo pois, ele mesmo ignorou o que não deveria (hipóteses de fraude, mágica e ilusionismo). 

Como o positivista poderia dizer algo desses se não analisou o todo? Na verdade, ele analisou o todo, mas não deu atenção ao que deveria. 

Essa diversidade da linguagem e dos ensinamentos somente se pode explicar pela diversidade das inteligências que se manifestam. 

Essa é realmente uma falácia, e muito desprezível. 

Falácia pois: 

1) Kardec não deu atenção à hipóteses alternativas, como fraude, truques, mágicas. Logo, dizer que somente pode-se explicar com essa hipótese espírita é, no mínimo, uma atitude desprezível com tão grande engodo. 

2) Kardec não nos apresentou os detalhes exatos de como os fenômenos se davam. Logo, não há razão alguma para considerar essa alegação se que só se explicam por “inteligências diversas”. O caso das escritas diferente é o grande exemplo disso. 

Estarão essas inteligências na humanidade ou fora dela? Esse é o ponto a esclarecer, para o qual se encontrará a explicação completa nesta obra, exatamente como foi revelada pelos próprios Espíritos. 

Ao se admitir sem o devido escrutínio e rigor cético metodológico a existência de “inteligências superiores”, eis que agora começa a crença espírita. 

Devo lembrar o leitor que, no decorrer dessa leitura ao LE, (e somente do LE), ressaltei a hipótese que Kardec não considerou: fraude. 

Lembremos que há inúmeras hipóteses parapsicológicas alternativas paralelamente às espiritualistas para explicar esses supostos fenômenos, isso é, caso consideremos esses fenômenos como não explicados pelas ciências atuais. Muitas delas, de acordo com alguns pesquisadores, com rigor científico. Considerando a igualdade de explicação (para não desmerecer nenhuma hipótese espiritualista), não há razão alguma para escolher e acreditar nas hipóteses espíritas. 

Não devemos crer em hipóteses, mas usá-las para explicar fatos e colocá-las à prova. A crença espírita nesse ponto não difere da de outras religiões pois a maioria dos espíritas simplesmente crêem em espíritos. Usam-se do pouco rigor metodológico que Kardec demonstrou nas obras para dizer que há um grau de cientificidade no Espiritismo. Como questionado, não há razão alguma através desse grau para defender a veracidade da crença espírita. Esse grau é fraquíssimo pois não está devidamente corroborado. 

A maioria dos espíritas não defende essa crença pelo seu rigor experimental, mas somente por crerem na hipótese (por inúmeros fatores pessoais). Se assim o fosse, não haveria espíritas, mas investigadores paranormais ou céticos metodológicos. Os que defendem deveriam saber que, ao ler um livro como o LE, o rigor metodológico que Kardec disse ter adotado é aberto a falhas, fraudes e truques. 

Estou convencido que o espírita não crê em espíritos pelo rigor científico de sua doutrina, mas simplesmente por crer e considerar a hipótese plausível. 

O que os espíritas normalmente não fazem é comparar a plausibilidade de hipóteses alternativas. Se existem tais hipóteses, e se não são inferiores às espíritas (cabe a ser demonstrado epistemologicamente que não são inferiores, caso contrário caímos em um argumento circular), que razão há em crer em espíritos? 

Saindo dessa digressão sobre a crença espírita, continuemos a leitura do LE: 

Eis que os efeitos ou fenômenos evidentes e incontestáveis que se produzem fora do círculo habitual de nossas observações não se processam misteriosamente, mas sim à luz do dia, e todos podem vê-los e constatá-los, porque não são privilégio de um único indivíduo, uma vez que milhares de pessoas os repetem todos os dias à vontade. Esses efeitos têm necessariamente uma causa, e a partir do momento que revelam a ação de uma inteligência e de uma vontade saem do domínio puramente físico. 

Kardec nos diz que os fenômenos também se realizavam à luz do dia. Ótimo, o que nada altera a possibilidade de truques. 

William Crookes por exemplo realizou inúmeros experimentos com Home e outros em situações de luminosidade precária (Ver a tese dissertação de mestrado de Juliana). 

Kardec também nos dá a mesma conclusão: os fenômenos têm causa em espíritos. 

Já analisamos que essa conclusão têm grande chance de ser falsa, devido a falta de preocupação de Kardec com hipóteses alternativas. 

Teria o Espiritismo nascido de um grande erro? René Guenón, autor de uma obra intitulada “O erro espírita” defende essa idéia, mas também por vias filosóficas. Guenón defendeu essa idéia baseando-se na idéia de que os fenômenos observados por Kardec poderiam ser explicados por hipóteses parapsicológicas alternativas. Guenón também não deu o interesse que deveria à hipótese de fraude. Então, se a resposta é sim, desnecessário seria decorrer sobre isso. Os espíritas já teriam em mente toda essa conseqüência ao admitir essa desastrosa possibilidade. 

Kardec se propõe a analisar hipóteses alternativas no decorrer do livro. Vemos: 

Muitas teorias foram anunciadas a esse respeito. Elas serão examinadas em seguida e veremos se podem fornecer a razão de todos os fatos que se produzem. Admitamos, em princípio, antes de chegar até lá, a existência de seres distintos da humanidade, uma vez que esta é a explicação fornecida pelas inteligências que se revelam, e vejamos o que nos dizem.

Guarde no bolso caro leitor a postura anterior de Kardec: a de não dar atenção à hipóteses alternativas. 

Veremos se essa postura de Kardec sustenta ainda mais sua postura dogmática anterior. 

O movimento dos objetos é um fato comprovado. A questão é saber se, nesse movimento, há ou não uma manifestação inteligente e, caso haja, qual é a origem dessa manifestação. 

Aqui Kardec começa sua assertativa sobre hipóteses alternativas. Continuemos: 

Não trataremos somente do movimento inteligente de alguns objetos, nem de comunicações verbais, nem mesmo das diretamente escritas pelo médium. Esse gênero de manifestação, clara e evidente para aqueles que viram e se aprofundaram no assunto, não é à primeira vista muito convincente para um observador novato, por não a entender como independente da vontade do médium. 

Kardec usa termos como: “não entender como independente a vontade do médium”. 

Isso é apenas uma crença: a crença na comunicação. 

Na verdade, o observador não compreende porque não crê, ou porque não traçou os caminhos que Kardec o fez para chegar a essa conclusão. 

Não trataremos somente da escrita obtida com a ajuda de um objeto qualquer munido de um lápis, como o cesto, a prancheta, etc. A maneira como os dedos do médium ficam colocados sobre o objeto desafia, como já dissemos, a habilidade mais consumada de poder participar de qualquer modo que seja no traçado das letras. 

Desafia, senhor Kardec? Então isso é uma evidência suficientemente concreta para admitirmos a existência de espíritos? Como vimos anteriormente, não, não é. 

Mas admitamos ainda que, por efeito de uma habilidade maravilhosa, o médium possa enganar o olhar mais atento. De que maneira explicar a natureza das respostas, quando estão muito além de todas as idéias e de todos os conhecimentos do médium? 

Kardec aqui atenta-se para a hipótese de fraude. Mas ele não vê meios pelos quais o “médium” poderia enganar os observadores. 

Esse é novamente o argumento da incredulidade pessoal. 

E, que se note bem, não se trata de respostas monossilábicas, mas muitas vezes de numerosas páginas escritas com a mais espantosa rapidez, seja espontaneamente, seja sobre um assunto determinado. 

E novamente não temos as referências. Essa alegação já foi questionada anteriormente: 

1) Não sabemos quem é o “médium”.

2) Não sabemos como ele, se por acaso conseguiu informações, as obteve.

3) Não sabemos de suas habilidades. 

Pela mão do médium, mais alheio e avesso à literatura, nascem, algumas vezes, poesias de uma sublimidade e pureza irrepreensíveis, que os melhores poetas se dignariam em assinar. 

Então, se eu alego receber uma mensagem de algum morto, e escrevo uma bela poesia, então é verdade que eu recebo poesias de mortos? 

(Lembrando que não sabemos quem são os “médiums”. 

Nem cairei em explicações da psicologia. O próprio senso comum aqui com que agora questionei demonstra a fragilidade dessa alegação. Imagine se eu caísse na Psicologia? Nem ao menos é necessário. 

O que acrescenta ainda mais estranheza a esses fatos é que acontecem em todos os lugares, e que os médiuns se multiplicam ao infinito. 

Kardec aqui agora leva sua crença a pensar que a mediunidade, além de um fato, acontece em todo mundo. Pois bem, se ela fosse um fato, aconteceria. Mas o que estamos questionando é: é um fato? Não temos certeza. Pode muito bem não ser pelos inúmeros motivos apresentados. 

Esses fatos são reais ou não? Para isso, apenas temos uma resposta: vede e observai, ocasiões não faltarão; mas observai repetidamente, por um período e obedecendo às condições determinadas. 

Aqui Kardec nos diz exatamente isso: “Veja, observe, observe repetidamente por longo período, e “obedecendo às condições determinadas” (quais condições? condições que os “médiuns impõem?), então você concluirá pela existência de espíritos”. 

Se hoje existisse algum metodólogo como Kardec, com certeza ele perderia o emprego. 

Vemos claramente a influência positivista de Kardec nesse argumento, dizendo que “quanto mais repetições de um fenômeno, mais certeza você tem dele ou mais factual ele o é”. 

Essa concepção de ciência positivista está morta e muita bem enterrada (ou deveria estar!). Esse crivo científico foi muito bem enterrado por grandes epistemólogos críticos do pensamento positivista. 

A repetição de um fato não o torna mais verdadeiro, e isso também acontece com a hipótese que o explica. O que nós fazemos hoje em dia para testar uma hipótese não é replicar os fenômenos para demonstrar “olhe, a hipótese é verdadeira!”. Não. O que fazemos é programar situações diferentes de testes rigorosos para analisarmos a consistência da hipótese aos testes. Se a hipótese se manter, então a corroboramos. Caso contrário, verificamos se há mesmo erros e a eliminamos. 

Isso não significa que ela é falsa. A tecnologia é o meio pelos quais subordinamos as hipóteses aos testes. Conforme ela muda, nossa visão e possibilidade de teorias também. Conforme temos os aparelhos e técnicas específicas, podemos retomar teorias descartadas ou descartar novas. A teoria descartada poderá voltar no futuro, exatamente como aconteceram com os prós das teorias de aparecimento espontâneo da vida (abiogênse), que foram descartadas nos séc. XVI e XVII. 

Diante da evidência, o que respondem os opositores? “Sois”, dizem, “vítimas do charlatanismo ou joguete de uma ilusão.” Diremos, primeiramente, que é preciso separar a idéia de charlatanismo de onde não há lucro; 

Não há lucro, mas pode haver crença, vontade de que aquilo seja verdadeiro. 

os charlatães não fazem seu trabalho de graça. 

E isso prova espíritos? Não. 

Isso seria, então, uma mistificação. Mas por que estranha coincidência tantos mistificadores teriam combinado em harmonia e concordância para, de um canto a outro do planeta, agir da mesma forma, produzir os mesmos efeitos e dar sobre os mesmos assuntos e em tão diversas línguas respostas idênticas, se não quanto às palavras, pelo menos quanto ao sentido? 

O argumento de incredulidade francês ataca novamente. 

Primeiro que Kardec se esquece que essa convergência de fenômenos se deram somente no séc. XIX. Isso poderia abrir a mente de Kardec? Teria Kardec uma parte do pensamento moderno, historicista e relativista antropológico? Não estou querendo supor que esses fenômenos não aconteciam, mas devido a um paradigma específico (uma crença espiritualista, no caso), houve essa “explosão” pela Europa. O pensamento de Kardec pouco se enquadra no moderno. 

E o que levaria pessoas sérias, honradas, instruídas a se prestar a semelhantes artimanhas e com que objetivo? 

Não sabemos senhor Kardec. O que sabemos é que sua ingenuidade pessoal nada prova. Sabemos que as pessoas são más, tem sua própria razão, muitas vezes acreditam cegamente em algo, não por maldade, mas por fé.

As pessoas têm diversos objetivos de vida, planos, atos. 

Esse argumento emocional, baseado na pura incredulidade é o ponto fraco da argumentação de Kardec. E novamente a incredulidade pessoal vem em rigor. 

Como encontrar entre as crianças a paciência e a habilidade necessárias para esse fim? Porque, se esses médiuns não são instrumentos passivos, será preciso reconhecer neles habilidade e conhecimentos incompatíveis com a idade infantil e com certas posições sociais. 

Crianças, senhor Kardec? E quantas eram crianças entre seus “médiuns”? Qual a idade das “crianças”? Adolescentes? Como as sessões se deram? Em quais intervalos de tempo? 

E por acaso, se forem muitos jovens, como isso determinaria a existência de espíritos? Quais hipóteses alternativas que a ciência nos dispõe para explicar tal fato? 

A hipótese espiritualista não é a única, e mesmo se fosse, nada garante sua validez sem as devidas evidências. Também não temos novamente os detalhes de como isso acontece, o que não nos permite, nessa leitura do LE afirmar muitas coisas. 

Então, dizem que, se não há trapaças, os dois lados podem ser vítimas de uma ilusão. Numa avaliação lógica, a qualidade dos testemunhos tem grande valor; portanto, é o caso de se perguntar se a Doutrina Espírita, que hoje conta com milhões de seguidores, apenas os recruta entre os ignorantes? 

Kardec vai para o lado pessoal e usa-se de testemunhas, o que nada prova ou autentica os fenômenos espiritualistas. 

De resto, Kardec nos apresenta a crença espírita, Deus, a revelação das mensagens por espíritos, e tudo o mais. 

É claro que eu poderia ter obtido mais respostas a meus questionamentos se tivesse em mãos os documentos da Revista Espírita, e excertos, quem sabe, de “O Livro dos Médiuns” 

Mas tenho minhas dúvidas se teria de alterar minha argumentação e os questionamentos. O objetivo não é esse, apesar de saber que receberei respostas para minhas dúvidas. O objetivo é demonstrar por que um cético não acredita em espíritos quando lê “O Livro dos Espíritos”. 

Conclusão: 

Essa leitura sobre os métodos e a investigação que Kardec apresentou em “O Livro dos Espíritos” não me fez acreditar em espíritos pois: 

1) Kardec falhou em suas observações. Não deu a atenção que deveria à hipótese de fraude, engodo, mágica, ilusionismo, truques. 

Ele justificou essa atitude com motivos emocionais, atitude devidamente ingênua, motivos pessoais e claro, na própria falácia da incredulidade pessoal. 

2) Kardec não nos deu as referências específicas sobre como os fenômenos se davam. 

Não se pode concluir algo sem as devidas referências sobre como os fenômenos se davam. 

3) Podemos explicar tudo o que Kardec apresentou com hipóteses parapsicológicas, que devem ser científicas. Logo, não há razão alguma para crer em espíritos a não ser a vontade de crer no pós-morte. 

Essas são as razões da descrença de um cético quando se depara com o livro mencionado. Se há documentos além desses capazes de nos convencer, então poder-se-ia dizer que esse não é. 

A verdade sempre.
FONTE: obraspsicografadas.org

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Kardec uma fraude 1º Parte

Kardec uma fraude 1º Parte

O Livro dos Espíritos. 79a Edição. 1997
Nota Importante: o Livro dos Espíritos é arranjado no modo "perguntas-respostas-comentários". Kardec faz perguntas aos espíritos, esses respondem, e ele comenta. Na verdade, as respostas que constam da edição definitiva, que é a segunda edição francesa de 1860 (a primeira é de 1857), não são exatamente as respostas dadas pelos espíritos. 

Kardec as modificou um pouco. As que constam da primeira edição (que quase ninguém possui no Brasil, e que eu possuo em pdf para os estudiosos interessados) possuem um estilo mais "cru", menos "bonito". Uma questão interessante é se mesmo a primeira edição não conteria embelezamentos questionáveis por parte de Kardec...
Em todo o caso, é necessário eu alertar ao leitor que do modo como eu expus os trechos abaixo pode ser por vezes (poucas vezes) difícil distinguir o que é dito por Kardec ou pelos espíritos (isso também acontece com algumas das demais obras que cito abaixo). Contudo, para os fins da análise a que me proponho, esse ponto não é importante. E caso alguém necessite de tal informação, facilmente poderá localizar por si só e identificar tais pormenores. Inclusive, a FEB (Federação Espírita Brasileira), em seu site na internet, tem disponibilizados diversos dos livros de Kardec, o que facilitaria tal tarefa aos interessados.


Página 25: "As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito impuro.
"O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.
CRITICA: Em diversos pontos, a doutrina espírita kardecista afirma, ou dá a entender, que o procedimento de um homem é fruto de seu espírito, e não de seu corpo. É a supremacia do espírito sobre a matéria. Afirmam que não há arrastamentos irresistíveis, a menos em situações patológicas. A meu ver isso é altamente questionável, e mesmo perigoso.


Página 26: "Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde reine íntima comunhão de pensamentos, tendo em vista o bem.
CRITICA: Esse é a meu ver um grande problema na abordagem de Kardec. Ele parecia de fato acreditar que é extremamente fácil distinguir os bons dos maus espíritos.


Página 44: Ainda uma vez, e este é ponto capital sobre que nunca insistiremos bastante: a teoria sonambúlica e a que se poderia chamar refletiva foram imaginadas por alguns homens; são opiniões individuais, criadas para explicar um fato, ao passo que a Doutrina dos Espíritos não é de concepção humana. Foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestam, quando ninguém disso cogitava, quando até a opinião geral a repelia. Ora, perguntamos, onde foram os médiuns beber uma doutrina que não passava pelo pensamento de ninguém na Terra? Perguntamos ainda mais: por que estranha coincidência milhares de médiuns espalhados por todos os pontos do globo terráqueo, e que jamais se viram, acordaram em dizer a mesma coisa?
CRITICA: Kardec insiste: "não passou pelo pensamento de ninguém". O desconhecimento que ele tinha a respeito do inconsciente (ou subconsciente) foi a meu ver indutor de diversos erros no trabalho dele.

Página 49: Este livro é o repositório de seus ensinos. Foi escrito por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos do espírito de sistema. Nada contém que não seja a expressão do pensamento deles e que não tenha sido por eles examinado. Só a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação constituem obra daquele que recebeu a missão de os publicar.
CRITICA: Esse trecho acima afirma a autoridade do Livro dos Espíritos. E ao mesmo tempo a credulidade de Kardec..

Página 49-50: O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos.
CRITICA: Esse é um ponto interessante. Apesar de tanto dizerem que o espírito é o que é importante, que o mundo material poderia mesmo nem existir, etc, os espíritos afirmam que só pelo trabalho do corpo o espírito progride. Contraditório

Página 65: Serão os cometas, como agora se pensa, um começo de condensação da matéria, mundos em via de formação? 
"Isso está certo; absurdo, porém, é acreditar-se na influência deles. Refiro-me à influência que vulgarmente lhes atribuem, porquanto todos os corpos celestes influem de algum modo em certos fenômenos físicos."
Poder-se-á conhecer o tempo que dura a formação dos mundos: da Terra, por exemplo?
"Nada te posso dizer a respeito, porque só o Criador o sabe e bem louco será quem pretenda sabê-lo, ou conhecer que número de séculos dura essa formação."
Donde vieram para a Terra os seres vivos?
"A Terra lhes continha os germens, que aguardavam momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se congregaram, desde que cessou a atuação da força que os mantinha afastados, e formaram os germens de todos os seres vivos. Estes germens permaneceram em estado latente de inércia, como a crisálida e as sementes das plantas, até o momento propício ao surto de cada espécie. Os seres de cada uma destas se reuniram, então, e se multiplicaram."
CRITICA: Vejam, os cometas não são necessariamente começo de formação de nada. Podem, a princípio, ficar vagando "ad infinitum". O tempo de criação dos mundos atualmente é bem conhecido, donde concluo ser um erro o dito acima pelos "espíritos superiores". Igualmente, sobre a origem das espécies, o que é dito acima (e abaixo) é a teoria da geração espontânea. Novamente os espíritos parecem ter errado. 
Esses espiritos não sabiam quando era dia quando era noite e eram superiores? Superiores a quem cara pálida?

Página 66: Ainda há seres que nasçam espontaneamente?
"Sim, mas o gérmen primitivo já existia em estado latente. Sois todos os dias testemunhas desse fenômeno. Os tecidos do corpo humano e do dos animais não encerram os germens de uma multidão de vermes que só esperam, para desabrochar, a fermentação pútrida que lhes é necessária à existência? É um mundo minúsculo que dormita e se cria."
CRITICA: AQUI MATOU A PAU. Esse erro acima é deveras grave. Espíritos Superiores estão afirmando que as larvas que aparecem na carne apodrecendo são fruto da própria carne, e não de ovos de moscas, etc. Tais "vermes", ou melhor, larvas, são na verdade oriundos dos ovos deixados pelos insetos, de acordo com o atual conhecimento científico. Cabe ressaltar também que os vermes que de fato existem (por vezes) dentro de nós, que são os vermes intestinais, na verdade morrem quando nós morremos. A ciência atual não admite sequer que organismos tão simples quanto células surjam por geração espontânea (apesar de em algum momento no passado isso ter forçosamente ocorrido, quando da origem das primeiras células há uns três bilhões de anos atrás).

Página 83: Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal, na ordem das coisas?"O mundo espírita, que preexiste e sobrevive a tudo."
O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem que isso alterasse a essência do mundo espírita?
"Decerto. Eles são independentes; contudo, é incessante a correlação entre ambos, porquanto um sobre o outro incessantemente reagem."
CRITICA: Novamente a questão da supremacia do mundo espiritual. Esse é um ponto interessante. Apesar de tanto dizerem que o espírito é o que é importante, que o mundo material poderia mesmo nem existir, etc, os espíritos afirmam que só pelo trabalho do corpo o espírito progride. Te decide charlatão?

Página 99: Os Espíritos são criados iguais quanto às faculdades intelectuais?
"São criados iguais, porém, não sabendo donde vêm, preciso é que o livre-arbítrio siga seu curso. Eles progridem mais ou menos rapidamente em inteligência como em moralidade."
Os Espíritos que desde o princípio seguem o caminho do bem nem por isso são Espíritos perfeitos. Não têm, é certo, maus pendores, mas precisam adquirir a experiência e os conhecimentos indispensáveis para alcançar a perfeição. Podemos compará-los a crianças que, seja qual for a bondade de seus instintos naturais, necessitam de se desenvolver e esclarecer e que não passam, sem transição, da infância à madureza. Simplesmente, assim como há homens que são bons e outros que são maus desde a infância, também há Espíritos que são bons ou maus desde a origem, com a diferença capital de que a criança tem instintos já inteiramente formados, enquanto que o Espírito, ao formar-se, não é nem bom, nem mau; tem todas as tendências e toma uma ou outra direção, por efeito do seu livre-arbítrio.
CRITICA: Kardec quer explicar os diferentes caminhos tomados pelos espíritos recorrendo à comparação com o que ocorre com as crianças. Acontece que as crianças são, de acordo com o kardecismo, diferentes entre si. A comparação é indevida.
Sem contar que uma criança sofre a influencia da educação recebida pouco ou muita. 

Página 132: Não podendo os Espíritos aperfeiçoar-se, a não ser por meio das tribulações da existência corpórea, segue-se que a vida material seja uma espécie de crisol ou de depurador, por onde têm que passar todos os seres do mundo espírita para alcançarem a perfeição?
"Sim, é exatamente isso. Eles se melhoram nessas provas, evitando o mal e praticando o bem; porém, somente ao cabo de mais ou menos longo tempo, conforme os esforços que empreguem; somente após muitas encarnações ou depurações sucessivas, atingem a finalidade para que tendem."
a) — É o corpo que influi sobre o Espírito para que este se melhore, ou o Espírito que influi sobre o corpo?
"Teu Espírito é tudo; teu corpo é simples veste que apodrece: eis tudo."
CRITICA: O corpo é necessário, mas o espírito é tudo... Um tudo que sem o corpo não é nada (não pode se aperfeiçoar). Mais contradição lembre-se da Página 83 O cara é uma fraude intelectual

Página 203: Qual a origem das qualidades morais, boas ou más, do homem?
"São as do Espírito nele encarnado. Quanto mais puro é esse Espírito, tanto mais propenso ao bem é o homem."
a) — Seguir-se-á daí que o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito e o homem vicioso a de um Espírito mau?
"Sim, mas, dize antes que o homem vicioso é a encarnação de um Espírito imperfeito, pois, do contrário, poderias fazer crer na existência de Espíritos sempre maus, a que chamais demônios."
CRITICA: Novamente a idéia de minimizar a importância do corpo sobre a moral do homem. 

Página 348: Com que fim fere Deus a Humanidade por meio de flagelos destruidores?
"Para fazê-la progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são freqüentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos." (744)
Página 351
Que objetivou a Providência, tornando necessária a guerra?
"A liberdade e o progresso."
a) — Desde que a guerra deve ter por efeito produzir o advento da liberdade, como pode freqüentemente ter por objetivo e resultado a escravização?
"Escravização temporária, para esmagar os povos, a fim de fazê-los progredir mais depressa."
CRITICA: Evolução Espiritual na Base da Chibata. O Islamismo e a religião que mais se evolu se seguir essa linha de pensamento. A meu ver, erro gravíssimo dos "Espíritos Superiores". 

Página 372: O Espiritismo se tornará crença comum, ou ficará sendo partilhado, como crença, apenas por algumas pessoas?
"Certamente que se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos.
CRITICA: Vai sim, no dia do são nunca. Estamos esperando por isso ainda...

DEPOIS VEM A PARTE RUIM ESSA É A BOA. 
FONTE: criticandokardec.com.br

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Espiritismo é Racista ou Não


O Espiritismo é Racista ou Não?

O mal entendido inicia no pouco estudo e na falta de interesse em se aprofundar na questão, tanto é verdade que basta uma rápida busca no Google que vamos encontrar centenas de sites, vídeos e blogs espalhando que a doutrina espírita é racista.

Agora quem esclareça sobre esta questão tem dois ou três sites. Neste contexto resolvi reunir aqui o que o espiritismo fala a respeito a fim que você mesmo tire suas conclusões.

Os detratores usam para acusar a doutrina de Racista as seguintes informações:
(1º) Em relação à sexta questão, dir-se-á, sem dúvida, que o Hotentote é de uma raça inferior; então, perguntaremos se o Hotentote é um homem ou não. Se é um homem, por que Deus o fez, e à sua raça, deserdado dos privilégios concedidos à raça caucásica? Se não é um homem, porque procurar fazê-lo cristão?"

(Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Instituto de Difusão Espírita, Araras, São Paulo, sem data, capítulo V, p. 127).


(2º) O negro pode ser belo para o negro, como um gato é belo para um gato; mas não é belo no sentido absoluto, porque os seus traços grosseiros, seus lábios espessos acusam a materialidade dos instintos; podem bem exprimir as paixões violentas, mas não saberiam se prestar às nuanças delicadas dos sentimentos e às modulações de um espírito fino.
Eis porque podemos, sem fatuidade, eu creio, nos dizer mais belos do que os negros e os Hotentotes; mas talvez também seremos, para as gerações futuras, o que os Hotentotes são em relação a nós; e quem sabe se, quando encontrarem os nossos fósseis, não os tomarão pelos de alguma variedade de animais.
(Allan Kardec, Teoria da Beleza, in Obras Póstumas, p.131)"

(3º) A raça negra é perfectível? Segundo algumas pessoas, essa questão está julgada e resolvida negativamente. Se assim é, e se essa raça está votada por Deus a uma eterna inferioridade, a conseqüência é que é inútil se preocupar com ela, e que é preciso se limitar a fazer do negro uma espécie de animal doméstico adestrado para a cultura do açúcar e do algodão. No entanto, a Humanidade, tanto quanto o interesse social, requer um exame mais atento: é o que iremos tentar fazer; mas como uma conclusão dessa gravidade, num ou noutro sentido, não pode ser tomada levianamente e deve se apoiar sobre um raciocínio sério pedimos a permissão para desenvolver algumas considerações preliminares, que nos servirão para mostrar, uma vez mais, que o Espiritismo é a única chave possível de uma multidão de problemas insolúveis com a ajuda dos dados atuais da ciência. A frenologia nos servirá de ponto de partida; exporemos, sumariamente, as suas bases fundamentais para a compreensão do assunto.
(Revista Espírita Revista Espírita, abril de 1862)

Bem vamos começar a esmiuçar as questões que numerei com 1º, 2º e 3º

(1º) Primeiro.
Como os detratores da doutrina espírita sabem de antemão que a grande maioria não vai se dar ao trabalho de uma pesquisa mais profunda, eles pinçaram uma questão e jogaram no vento, sem apontar o que vinha a seguir.
E o que vem a seguir responde que a doutrina espírita é a arma que mata o racismo.
“A doutrina espírita é mais ampla que tudo isso.
Para ela, não há muitas espécie de homens, mas apenas homens, seres humanos cujos espíritos são mais ou menos atrasados, mas sempre suscetíveis de progredir. Isso não está mais conforme a justiça de Deus?”

Isto esta na mesma página é a continuação do texto, mas os que fazem aqueles que querem denegrir a doutrina colocam e divulgam uma frase fora do contexto, produzindo até vídeos e espalhando por toda web, mas vamos adiante.

(2º) Segundo.
Aqui também Kardec aponta a questão não de racismo e sim de uma lei da natureza que o homem não esta livre, a evolução das espécies que Darwin estudou e classificou, muito bem, mas, também temos que nos atentar a sua frase final; “Quem sabe se, quando encontrarem os nossos fósseis, não os tomarão pelos de alguma variedade de animais?”
Ora fica claro que Kardec esta colocando todos na posição evolutiva, mas existe ainda o restante do artigo, onde um Médium faz uma comunicação e afirma; “Com efeito, sabeis todos o quanto é penoso o aspecto de uma encantadora fisionomia desmentida pelo caráter.
Ouvem-se falar de uma pessoa de mérito reconhecido, a revestis em seguida com os traços mais simpáticos, eficais dolorosamente impressionado em vista de uma fisionomia que contradiga as vossas previsões.
Que concluir disso? “Se não que, como todas as coisas que o futuro mantém em reserva, a alma tem a presciência da beleza à medida que a Humanidade progride e se aproxima de seu tipo divino.”

(3º) Terceiro.

Neste ponto que é o mais usando para denegrir Kardec.
Na verdade é Kardec limita-se a analisar o problema, mas não toma partido da opinião que apresenta para o julgamento do público, como cabia às finalidades da Revue - apresentava na qualidade de esboço cada hipótese e alimentando os debates, ia reunindo as idéias amadurecidas que iam surgindo para verificá-las ante o crivo da razão e da lógica, para só então incorporar ao Conhecimento Espírita.

Preste atenção ele não afirma e sim faz uma Pergunta.
“A raça negra é perfectível? Segundo algumas pessoas, essa questão está julgada e resolvida negativamente.”
Tudo haverá de ser analisado dentro do contexto em que se apresenta, e não tão somente de recortes que não expressam a idéia completa e sua análise. A visão de Kardec sob a África tem de ser considerada segundo o contexto histórico em que foi formulada.

O que não podemos esquecer e que cada etnia guarda características particulares e esta pode ser observada de maneira positiva ou negativa, mas isto não quer dizer que o seja.
Não há demérito algum em se traçar determinados paralelos, porque todos têm suas funções e aptidões, que são úteis para o progresso da humanidade em geral.


Vamos analisar o povo chinês é na sua maioria uma pessoa pequena que não passa dos 1,70 já Os irlandeses geralmente têm o cabelo "loiro avermelhado" ou "ruivo". Geralmente, eles não são altos e têm os olhos claros na maioria verde, e o que dizer das espanholas são mulheres iguais as americanas, e o venezuelano é igual ao italiano?

A verdade é que o que Kardec vez foi analisar uma questão da época, ou seja, em meados de 1862, em um tempo que o povo africano era vendidos, e eram evidentes e indiscutíveis as diferenças entre a civilização moderna e culta da Europa e os hábitos, costumes e limites culturais e tecnológicos dos povos africanos.

Conceito de racismo
O racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros.
O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial.
Fonte (wikipedia)

O que os espíritos superiores falaram para Kardec sobre ESCRAVIDÃO?

II – Escravidão
829. Há homens naturalmente destinados a ser propriedade de outros homens?
— Toda sujeição absoluta de um homem a outro é contrária à lei de Deus. A escravidão é um abuso da força c desaparecerá com o progresso, como pouco a pouco desaparecerão todos os abusos.
Comentário de Kardec: A lei humana que estabelece a escravidão é uma lei contra a natureza, pois assemelha o homem ao bruto e o degrada moral e fisicamente.

830. Quando a escravidão pertence aos costumes de um povo, são repreensíveis os que a praticam, nada mais fazendo do que seguir um uso que lhes parece natural?
— O mal é sempre o mal. Todos os vossos sofismas não farão que uma ação má se torne boa. Mas a responsabilidade do mal é relativa aos meios de que dispondes para o compreender. Aquele que se serve da lei da escravidão é sempre culpável de uma violação da lei natural; mas nisso, como em todas as coisas, a culpabilidade é relativa. Sendo a escravidão um costume entre certos povos, o homem pode praticá-la de boa fé, como uma coisa que lhe parece natural. Mas desde que a sua razão, mais desenvolvida e, sobretudo esclarecida pelas luzes do Cristianismo, lhe mostrou no escravo um seu igual perante Deus, ele não tem mais desculpas.

832. Há homens que tratam os seus escravos com humanidade, que nada lhes deixam faltar e pensam que a liberdade os exporia a mais privações. Que dizer disso?
— Digo que compreendem melhor os seus interesses. Eles têm também, muito cuidado com seus bois e, seus cavalos, a fim de tirarem mais proveito no mercado. Não são culpados como os que os maltratam, mas nem por isso deixam de usá-los como mercadorias, privando-os do direito de se pertencerem a si mesmos.

E o que vale é que existe para a doutrina espírita são “apenas homens, seres humanos”
799. De que maneira o Espiritismo pode contribuir para o progresso?
— Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz os homens compreenderem onde está o seu verdadeiro interesse. A ‘vida futura não estando mais velada pela dúvida, o homem compreenderá melhor que pode assegurar o seu futuro através do presente. Destruindo os preconceitos de seita, de casta e de cor, ele ensina aos homens a grande solidariedade que os deve unir como irmãos.

Porque hoje estamos encarnados como homens amanhã poderão retornar como mulheres, como americanos, judeus, africanos, etc., portanto estamos na situação escolhida, como já afirmei em outro artigo que você pode ler aqui.
Porque o Espírita é antimarxista?

O espírito é o músico, enquanto o corpo é seu instrumento. Cada um recebe um corpo em concordância com suas necessidades evolutivas e conforme a missão que tem de cumprir no meio em que encarnar. Portanto não cabe analisar a questão sob o ponto de vista materialista, porque somos espíritos encarnados em corpos humanos e o que define o ser é o espírito.

Uma doutrina de liberdade, como a espírita, não compactua com nenhuma ideologia que vise à discriminação racial entre os grupos sociais. O sectarismo racial, segundo o Espiritismo, tende a se tornar coisa do passado.
As pessoas e as nações evoluem. Segundo os Espíritos, “os mundos também se acham submetidos à lei do progresso. Todos começaram como o vosso, por um estado inferior, e a Terra mesma sofrerá uma transformação semelhante, tornando-se um paraíso terrestre, quando os homens se fizerem bons.” À medida que a humanidade melhora em inteligência e moralidade, todas as formas de preconceito e segregação tenderão a desaparecer definitivamente.
Nesse aspecto, o comentário de Kardec à questão citada é bem oportuno: “Assim, as raças que atualmente povoam a Terra desaparecerão um dia e serão substituídas por seres mais e mais perfeitos. Essas raças transformadas sucederão à atual, como esta sucedeu a outras que eram mais grosseiras.”

Agora em nível de atraso estamos todos no mesmo barco, pois se existiu a escravidão não foi apenas fruto da ação do homem branco.
A escravidão não era – e nunca foi – privilégio exclusivo das raças ditas brancas. Provavelmente, muito antes da instituição dessa prática pelas sociedades brancas, a escravidão já era – e ainda é – praticada no seio do próprio continente africano, pelo fato de sabermos que, certamente, a raça negra é bem mais antiga do que a branca.
CONTINUA AQUI.
  Zumbi dos Palmares tinha escravos

O que prova que somos todos, farinha do mesmo saco seja preto, branco, amarelo, pardo, rosa ou lilás, pois aqueles que escravizaram serão escravizados e Jesus já tinha alertado sobre a lei de causa e efeito, afirmando claramente a Pedro: Quem por espada ferir, por espada será ferido.

Portanto não existe possibilidade da pessoa ser espírita e ao mesmo tempo ter preconceito contra gays ou ser racista porque a doutrina é bem clara neste ponto, somente a hipocrisia e a incoerência explica uma pessoa adotar a doutrina espírita como sua filosofia de vida e ser preconceituosa.

Para entender melhor hoje eu estou na classe media, amanhã não sei poderei retornar na pobre ou na rica, portanto não sou Branco estou branco.
Mas, isto requer muito mais que um simples texto, se você quer aprender doutrina espírita estude a doutrina espírita, procure as obras básicas.
Começa aqui. (Campanha: Kardec Para Todos! )

Em minha opinião, como pesquisador e editor do site Republica dos Espíritos, é que as questões sociais não são encaradas face a face pelo movimento espírita atual.
Deixando espaço para que os detratores da doutrina divulguem a mão cheia que a doutrina espírita ensina a pessoa a ser racista, homofobica, machista e etc.

Não sou a favor das cotas e tenho reservas quanto às ações ditas afirmativas, que de afirmativas não tem na verdade é nada, o que temos é a política da hipocrisia e da lei de Gerson onde os espertalhões escondem suas verdadeiras intenções.
Veja aqui a opinião de Walter Williams é professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros. Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.
Ele sintetiza de maneira perfeita o pensamento espírita sobre a desigualdade social, sem ser um espírita.
CLIQUE AQUI.

Para finalizar quero dizer que sou contrario a racialização do Brasil por isso apoio e você deveria ler os artigos deste site.
http://noracebr.blogspot.com/

Temos que encarar as situações das minorias face a face, as questão da mulher, dos homossexuais, das etnias discriminadas, dentre outras, não podem ser desprezadas. Isso significa inserir o Espiritismo na modernidade e assim, enfrentar toda a problemática existencial de nosso tempo, pois a doutrina tem todos os elementos racionais para responder nossas duvidas.

Acredito que ficou claro para o leitor que a maior arma contra o preconceito é o entendimento da vida futuro que a doutrina espírita apresenta. Pois à medida que a humanidade sabe de onde vem para onde vai e que seu futuro é forjado com suas atitudes, ela vai rever seus conceitos e seus preconceitos, a fim de pavimentar a estrada para uma sociedade onde reine a igualdade a fraternidade e a liberdade.

Gostou Espalhe, não gostou deixe seu comentário.


TAGS:"keywords"content=" O Espiritismo é Racista ou Não, O Espiritismo é Racista ou Não, O Espiritismo é Racista ou Não, O Espiritismo é Racista ou Não,O Espiritismo é Racista ou Não O Espiritismo é Racista ou Não, O Espiritismo é Racista ou Não, O Espiritismo é Racista ou Não, O Espiritismo é Racista ou Não, O Espiritismo é Racista ou Não, O Espiritismo é Racista ou Não, O Espiritismo é Racista ou Não, O Espiritismo é Racista ou Não, O Espiritismo é Racista ou Não

sábado, 29 de novembro de 2014

Desconstrução da família tradicional

A mensagem da Dra. Damares Alves, é impactante pela crueldade psicológica com que estão sendo tratadas as crianças das escolas do Brasil.

DAMARES ALVES é pastora, advogada, membro da Igreja do Evangelho Quadrangular, atualmente exerce as funções de Assessora Parlamentar no Congresso Nacional, Assessora Jurídica da Frente Parlamentar Evangélica e Secretária Nacional do Movimento Brasil Sem Aborto.
É também assessora jurídica  da Frente Parlamentar da Família e Apoio a Vida, liderada pelo senador Magno Malta e co-fundadora do movimento  ATINI – Voz Pela Vida, que exerce uma importante luta no combate à violência contra crianças indígenas.
Além disso, a Dra. Damares Alves é Diretora de Assuntos Parlamentares da ANAJURE – Associação Nacional de Juristas Evangélicos.

Você pode ser preso por postar fotos de sua Família.
http://midiadeofertas.blogspot.com.br/2013/04/voce-pode-ser-preso-por-postar-fotos-de.html

Famosos que já foram acusados de homofobia.
http://midiadeofertas.blogspot.com.br/2014/01/famosos-que-ja-foram-acusados-de.html

Porque a Homofobia não existe?
http://midiadeofertas.blogspot.com.br/2011/04/porque-homofobia-nao-existe.html

Refutando a desnaturalização da heterossexualidade
http://midiadeofertas.blogspot.com.br/2013/04/refutando-desnaturalizacao-da.html

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Perseguição Comunista que espíritas sofreram no século XX




Perseguição Comunista que espíritas sofreram no século XX


O REFORMADOR (a velha revista da Feb) faz uma entrevista com o Sr. Josef Jackulak, bem interessante e reveladora a respeito do movimento espírita nos países do leste europeu na época da chamada "cortina de ferro".

O Sr. Jackulak relata a proibição da existência dos grupos espíritas , a perseguição violenta a espíritas e o esforço de alguns em perseverarem no estudo e divulgação da doutrina não obstante os brutais obstáculos.

A Entrevista está aqui:



O Espiritismo em Cuba
(Seção em parceria com a "Liga de Historiadores e Pesquisadores Espíritas"
Comitê Editorial da LIHPE)
A história desconhecida de um país onde o Movimento Espírita foi muito atuante
O Espiritismo completará seu sesquicentenário (150 anos) em 2007, e precisamos conhecer suas raízes e desenvolvimento em todos os lugares. Por isso, vale a pena saber seu histórico num lugar em que pouco se conhece sobre ele, mas que um dia foi um dos mais destacados e atuantes do Movimento Espírita internacional. Trata-se de Cuba, 111.OOOkm2, 11 milhões de habitantes, atualmente com taxa de analfabetismo de 4%, país sem religião oficial, e que foi uma colônia espanhola até 1898, passando por curta dominação americana até 1902, quando o país se tornou independente; mas os EUA continuaram por muitos anos a exercer constante influência política na Ilha.

Em 1959, através de um golpe, assumiu o governo Manuel Urtia, continuando a instabilidade no país, e em seguida Fidel Castro (1927) assumiu o governo, com o apoio comunista da URSS, acabando com todos os movimentos religiosos do país, e levando à dissolução da Confederação Nacional Espírita de Cuba e de todo o Movimento Espírita oficial, em 1963.

Mas antes deste fator político, o país foi um dos mais ativos que existiram em todo o mundo na adoção e prática do Espiritismo.
Este fato extraímos do registro de um grande trabalhador que lá viveu mais de cinqüenta anos, o Sr. Luís Guerrero Ovalle (1895-1990), que nasceu em Léon, Espanha, e em 1906 se transferiu com a família para a Argentina, onde estudou e seu pai trabalhou como notário público.

Em 1909 ele se mudou para Cuba, continuando os estudos e passando a trabalhar na área bancária, tendo sido administrador de vários bancos neste país, onde residiu até 1960, quando se transferiu para Miami/EUA. Aos 21 anos, plenamente adaptado à cultura cubana, ingressou no Movimento Espírita, pois começou a ler e estudar O Livro dos Espíritos, quando sua mãe desencarnou.

Exerceu cargos em várias instituições espíritas, colaborou em muitos periódicos e traduziu ao espanhol obras mediúnicas de Francisco Cândido Xavier (1910-2002), Divaldo Franco (1927-), Yvonne A. Pereira (1900-1984) e outros. Nos Estados Unidos, o Sr. Ovalle foi fundador da Ciência Espiritualista Kardeciana e graças a ele pudemos tomar apontamentos da história do Espiritismo em Cuba, conforme está publicado no periódico Credo Espírita, fundado em 1981, e editado pela Libreria Kardec (Ano IV, Num 2, Miami, março de 1985 e ss.).

As fases da história espírita no país
Inicialmente, há notícias de que no período colonial os índio Tamos e Siboneyes tinham o hábito de produzir vários fenômenos espíritas, mas a partir de 1856 é que começaram a surgir os primeiros núcleos mediúnicos nas cidades de Havana, Sagua La Grande, Sancti Spiritus, Manzanillo, Caibarien e Santiago.

A partir de 1870 começaram a se constituir um grande número de periódicos espíritas, como La Luz de Ultratumba (1874), La Ilustración (1878), Luz de los Espacios (1881), La Antorcha de los Espírítus (1882), El Buen Desejo (1884), La Luz del Evangelho (1885), La Buena Nueva (1886; La Alborada (1888), La Nueva Alianza, de Cienfuegos.

As instituições se estruturaram e, em trinta anos, por ocasião do Primeiro Congresso Internacional Espírita, em 1888, em Barcelona, três cubanos estiveram presentes e cinco instituições se fizeram representar: Centro La Reencarnación, Havana, Centro El Salvador, de Sagua La Grande, Sociedad Espiritista, de Matanzas, Centro Lazo Unión, de Cienfuegos, Centro San Pablo de Malpáez, Quemado de Güines.

Para dar-nos um referencial, desconsiderando a Espanha, país-sede do Congresso, e a França, berço do Espiritismo, Cuba foi o país que teve maior representação no evento, juntamente com o México, pois quase todos tiveram só uma entidade representante, dois países tiveram dois grupos, a Bélgica teve somente quatro.

A admiração pelos cubanos aumenta se compararmos o número de periódicos espíritas que enviaram adesão a este primeiro encontro internacional pois, novamente desconsiderando a França e a Espanha (países dos quais somente quatro e nove periódicos aderiram, respectivamente), Cuba foi também o país que mais se fez representar, com três periódicos.
Os outros países tiveram somente um ou dois periódicos representados, e só a Itália teve também três. Estes números demonstram que os cubanos eram muito conscientes e atuantes na própria organização e na divulgação espírita.

Federação Espiritista de Cuba
Em 22/7/1890 foi fundada a Federación Espiritista da Ia Isla de Cuba (Federação Espiritista da Ilha de Cuba), reunindo vinte e três instituições do país, considerando que não puderam participar as instituições de Matanzas e Oriente. O objetivo da Federação estava bem claro no artigo primeiro de seu Regulamento: A Federação tem por objetivo a união de todos os centros espiritistas de Cuba, para estender a propaganda do Espiritismo por meio da palavra, escrita ou falada, e a prática de toda virtude pública e privada.

A diretoria da Federação denominava-se Conselho Regional, e nos anos seguintes aumentou muito o número de instituições e periódicos no país, a tal ponto que, por ocasião do Primeiro Congresso Nacional Espiritista de Cuba, no Teatro Payret, em 1920, houve 562 Delegados, 113 Centros Espíritas e 336 representações pessoais.

Neste Congresso lançaram-se as bases para que, em 1922, fosse criada a Federação Nacional Espiritista da Cuba independente que, em 1941, passou a denominar-se Confederação.
Os cubanos marcaram presença no Congresso Internacional Espírita de Barcelona, em 1934, e em 1935 deram início a uma série nunca vista de Concentrações Espíritas Nacionais, que a partir de 1944 passaram a chamar-se Congressos, tendo se realizado vinte e seis eventos, de 1935 até 1963, o que significa que houve praticamente um por ano, abrangendo vários lugares da Ilha (Santa Clara, Camagüey, Havana, Matanzas, Santiago de Cuba, Villa de Guanajay Bayamo, Cóton e Pilar del Rio). Na 8ª Concentração, em 1942, decidiu-se criar a importante instituição social Clínica del Alma, em Camagüey, hospital que objetivava a cura e recuperação de obsidiados, a qual até 1966 exerceu um importante papel para a ajuda aos necessitados, quando por Decreto foi incorporada ao Ministério da Saúde Pública. Destacamos também que Cuba teve vários programas de rádio em Havana, desde 1941, como O Psiquis e o Doutrina Espírita, na rádio Alvarez.

Em 1957, houve uma grande comemoração pelos cem anos do lançamento de O Livro dos Espíritos, ocasião em que a Federação Espírita Brasileira e La Editorial Constancia, da Argentina, venderam exemplares deste livro aos cubanos por preço ínfimo.

A Sra. Eva Guevara Arias, ativa trabalhadora da Federação Provincial do Oriente, até 1963, ano em que se celebrou um Congresso Espiritista Extraordinário, em Regla, Havana, o qual dissolveu a Confederação Espiritista, em face da situação política da Ilha.


Conclusão
Devemos registrar que foi aprovada no Congresso de 1920 uma moção pela qual se estabeleceu o dia 31 de março como o Dia Espírita, por iniciativa do Centro Espírita Luy y Caballero; em outubro de 1953, realizou-se o Terceiro Congresso Espiritista Panamericano, em Havana; em 21/4/1957 foi erigido em praça pública o busto de Allan Kardec, também em Havana, por iniciativa da Associação Espiritista Enrique Carbonell, mas com a revolução comunista o mesmo foi retirado da praça.

O Sr. Dante Culzoni Soriano, Presidente da CEPA, enviou carta ao Presidente de Cuba, em 1972, protestando contra a retirada do busto de Allan Kardec da praça e pedindo sua reinstalação, mas não obteve resposta.

Uma pessoa, o Sr. Alfredo Duran, em Havana, teria conseguido recuperar esta peça, a qual teria ficado em sua posse. Com dificuldade, conseguimos localizá-lo por telefone em Havana, e ele confirmou a história, informando que o busto se encontra em sua residência, guardado com veneração. Tendo em vista uma reportagem saída na Revista Internacional de Espiritismo, que falava sobre Cuba, contatamos por telefone Clóvis Portes, brasileiro, residente em Belo Horizonte e Ipatinga/MG, que informou que nas oito vezes em que esteve em Cuba, nos últimos dez anos, ele lá encontrou discretas sociedades espíritas, não oficiais, muitas praticando um tipo de mediunismo caribenho, e nestas viagens ele vem tentando levar uma vivência do Espiritismo fiel aos princípios de Allan Kardec.


Enfim, pela precocidade com que o Espiritismo surgiu em Cuba, em 1856, antes do próprio advento da Codificação, pelo número de sociedades e periódicos espíritas nos séculos XIX e XX, que o colocam como um dos primeiros em nível internacional; pelas incomparáveis realizações no tocante a Congressos e Concentrações Espíritas, coisa nunca vista em nenhum país do mundo; por estabelecer por moção, em 1920, o dia 31 de março como o Dia Espírita, o que só depois de décadas algumas cidades começaram a fazê-lo; por ter erigido na Capital um busto de Allan Kardec em praça pública, em 1957; pelos programas espíritas de rádio na década de 1940; por movimentar até as autoridades civis e militares em seus eventos, da Europa e América, por estes motivos Cuba possui uma grande riqueza histórica a ser descoberta e relatada.

Contatos estão sendo estabelecidos com Clóvis Portes e o Sr. Alfredo Duran para se tentar levar oficialmente grandes oradores espíritas brasileiros a Cuba, ajudando a plantar as sementes para o ressurgimento dos ideais espíritas nesta Ilha, cujo histórico, apesar de desconhecido hoje, muito dignifica a Doutrina Espírita...
Washington L. N. Fernandes

FONTE: (Publicado no Boletim GEAE Número 460 de 29 de julho de 2003 )




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Não Seja cúmplice da Mentira

Espírita não vota em esquerdistas.
 

Esta técnica foi publicada no site Ludwig Von Mises Brasil, e se refere a um recurso que todo e qualquer esquerdista sempre utiliza em um debate para tratar das propostas da direita. (E, enquanto isso, a direita não revida adequadamente)
Segundo o texto, quando alguém da direita defende uma sociedade livre da coerção estatal, esquerdistas apelam para o lançamento de uma série de hipóteses “desumanas”, as quais, segundo eles, seriam frequentes em um ambiente sem a mesma coerção estatal.
Exemplos:
  • “Sem saúde pública, o que ocorrerá a um sujeito pobre que ficar doente, não tiver plano de saúde, e não conseguir convencer amigos, familiares ou instituições de caridade a pagarem por seu tratamento?”
  • “Sem educação pública, como os pobres irão se educar?”
  • “E se um idoso for fraudado por uma empresa de previdência privada e os criminosos desta empresa desaparecerem com todo o seu dinheiro?”
  • “E se uma criança pobre estiver morrendo de fome nas ruas, e ninguém se oferecer para alimentá-la?”
  • “E se um sujeito sem instrução e sem nenhuma habilidade prática não conseguir arrumar um emprego, quem irá ajudá-lo?”
Como o site diz, quem é contra o estado inchado sempre é obrigado a se defrontar com esses questionamentos. Se for ingênuo e dizer “Ah, isso não é problema meu!”, o esquerdista capitalizará politicamente.
Só que o esquerdismo, defendido pelo oponente, é parte vigente da sociedade atual, que é repleta de injustiças e atrocidades mesmo em um cenário onde pagamos um absurdo de impostos.
A sugestão é que contra os esquerdistas sejam lançados questionamentos para contrangê-los também.
Exemplos:

  • “E se o Congresso aprovar uma lei injusta, o presidente sancioná-la e o Supremo Tribunal impingi-la?”
  • “E se o governo decretar que é proibido trabalhar em troca de um determinado valor salarial?”
  • “E se o governo proibir a concorrência em determinados setores da economia?”
  • “E se o governo quiser desarmar a população?”
  • “E se o governo for leniente com sequestradores, assassinos e grupos terroristas ideologizados?”
  • “E se o governo estipular que as empresas devem contratar de acordo com critérios de cor e preferência sexual, e não de competência?”
  • “E se o governo decretar que determinadas opiniões são proibidas, sendo passivas de encarceramento?”
  • “E se o governo estipular que apenas seus empresários favoritos podem receber subsídios e atuar em determinados mercados?”
  • “E se o governo resolver desapropriar moradores pobres para construir ruas, estradas ou complexos esportivos nesses locais, favorecendo suas empreiteiras favoritas?”
  • “E se o governo decidir encarecer a importação de produtos de qualidade?”
  • “E se o governo estipular regras e burocracias que dificultem sobremaneira o empreendedorismo?”
  • “E se o governo decretar que apenas os seus serviços de segurança e justiça podem ser utilizados?  E se estes forem ruins?”
  • “E se os integrantes do governo praticarem corrupção?  Quem irá puni-los, uma vez que os serviços de justiça foram decretados monopólio estatal?”
  • “E se o governo assumir o controle da educação, determinando os currículos das escolas e das universidades, tornando a população mais imbecilizada?”
  • “E se o governo assumir o monopólio da moeda e decidir inflacioná-la continuamente, destruindo a poupança dos trabalhadores?”
  • “E se o governo aumentar continuamente o confisco da renda dos cidadãos para repassar o butim à sua própria burocracia e a grupos de interesse politicamente bem organizados?”
  • “E se o governo me recrutar compulsoriamente e me enviar para uma guerra injusta, e eu sofrer uma morte horrenda e dolorosa?”
  • “E se aquele pobre para quem o governo dá esmolas resolver gastar todo o dinheiro com cachaça, cigarro e jogatina?”
  • “E se uma pessoa se entregar a um estilo de vida nada saudável e onerar a saúde pública?”
  • “E se o governo decidir encarcerar pessoas pelo simples fato de elas injetarem determinadas substâncias em seus próprios corpos?”
  • “E se uma pessoa, levada pela certeza de que a Previdência Social cuidará dela até sua morte e que o governo lhe dará todos os remédios necessários, se entregar a um estilo de vida pouco saudável e ter uma velhice inválida e sofrida?”
  • “E se o governo decidir que eu sou obrigado a financiar programas dos quais discordo moral e eticamente?”
  • “E se o governo decidir mandar para a cadeia todos aqueles que não lhe pagarem tributos?”
Como o texto diz, a partir do momento em que começa um jogo de “e se”, realmente é difícil parar de imaginarmos hipóteses. A capacidade de gerar hipóteses que gerem constrangimento ao proponente de qualquer sistema é praticamente infinita.
A regra deste método é: quando alguém faz uma proposta, é também co-responsável pelos efeitos colaterais desta proposta. Deve-se, portanto, divulgar em público os efeitos colaterais da proposta do oponente, e, de acordo com esta técnica, questioná-lo e colocá-lo na parede a respeito destes efeitos.
Neste caso, este método de propaganda pode ser muito mais devastador aos esquerdistas do que aos direitistas.


A História do Café da Manhã