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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Passo a Passo com Kardec. Parte 05





Passo a Passo com Kardec. Parte 05
63. É erro pensar que basta ser médium para receber com a mesma facilidade comunicações de qualquer Espírito. Não há médiuns universais para as evocações, como não os há com aptidões para toda sorte de fenômenos.
Os Espíritos buscam, de preferência, os instrumentos mais adequados. Então querer impor-lhe o primeiro médium de que disponhamos seria o mesmo que querer obrigar um pianista a tocar violino, apenas porque, de vez que sabe música, poderá tocar qualquer instrumento.

64. As comunicações são impossíveis, ou incompletas, ou, ainda, falsas, desde que não haja a harmonia só realizada pela assimilação dos fluidos.
Podem ser falsas porque, em lugar do Espírito que se deseja, não faltarão outros que estejam sempre dispostos a manifestar-se e que pouco se incomodam com a verdade.

65. Por vezes a assimilação fluídica é absolutamente impossível entre certos Espíritos e certos médiuns. Outras vezes – e é este o caso mais comum – ela só se estabelece gradativamente, e com o tempo. Assim se explica que certos Espíritos encontrem maior facilidade em manifestar-se por certos médiuns, com os quais estão mais habituados.
Também ainda assim se explica por que, quase sempre, as primeiras comunicações são
menos explícitas e denotam um certo constrangimento.

66. Tão necessária é a assimilação fluídica nas comunicações pela tiptologia quanto pela escrita, visto como, num caso como no outro, se trata da transmissão do pensamento do Espírito, seja qual for o meio material para isso empregado.

67. Não se pode impor um médium ao Espírito que se deseja evocar; convém deixar que escolha ele mesmo o seu instrumento. Em todo caso, é preciso que, antes, o médium se identifique com o Espírito, pelo recolhimento e pela prece, durante alguns minutos, ou até durante alguns dias, se possível, de modo que seja ativada a assimilação fluídica.

68. Quando as condições fluídicas não são favoráveis à comunicação entre Espírito e médium, pode ela ser feita através do guia espiritual deste último. Então o pensamento é transmitido de segunda mão, isto é, atravessa dois intermediários. Compreende-se a importância de ser o médium bem assistido.
Porque, caso seja por um obsessor, ou por um Espírito ignorante ou orgulhoso, a comunicação poderá ser adulterada. Neste caso as qualidades pessoais do médium representam,
necessariamente, um papel muito importante, pela natureza dos Espíritos que atrai.
Os mais incorretos médiuns podem possuir faculdades muito poderosas, mas os mais seguros serão os que aliarem a esse poder as melhores simpatias no mundo espiritual.
Ora, tais simpatias de modo algum são demonstradas pelos nomes, mais ou menos retumbantes, que subscrevem as comunicações recebidas pelo médium, mas por ser o seu
fundo constantemente bom.
69. Qualquer que seja a forma de comunicação, do ponto de vista experimental, apresenta a prática espírita numerosas dificuldades e não se acha isenta de inconvenientes para quem não tenha a necessária experiência.

Quer se experimente em si mesmo, quer seja apenas um observador das experiências alheias, é imprescindível que se saibam distinguir as várias naturezas dos Espíritos que se podem manifestar, conhecer a causa de todos os fenômenos, as condições em que os mesmos podem ser produzidos e os obstáculos que é preciso vencer, a fim de que não se perca tempo pedindo
coisas impossíveis.
É também indispensável conhecer todas as condições e todos os escolhos da mediunidade, a influência do meio, a das disposições morais, etc..x Escolhos da mediunidade

70. Um dos maiores escolhos da mediunidade é a obsessão, ou domínio que certos Espíritos podem exercer sobre os médiuns, apresentando-se com nomes supostos e impedindo que por eles se manifestem outros Espíritos.
Isto constitui, também, um perigo em que esbarra todo observador novato e inexperiente, que, desconhecendo as características desse fenômeno, pode enganar-se pelas aparências, do mesmo modo que aquele que desconhece a medicina pode enganar-se quanto à causa e a natureza de uma doença.
Se, neste caso, o estudo prévio é vantajoso para o observador, torna-se indispensável para o médium, pois lhe fornece os meios de prevenir um inconveniente que lhe pode acarretar desagradáveis conseqüências. Por isso toda recomendação é pouco para que o estudo preceda sempre a prática.

71. Apresenta a obsessão três graus bem característicos: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação. No primeiro tem o médium inteira consciência de que nada obtém de bom; não se engana quanto à natureza do Espírito que teima em se manifestar e do qual deseja livrar-se. Tal caso não oferece gravidade: é um simples aborrecimento, do qual se liberta o médium se deixar, no momento, de escrever. Cansado por não se ver atendido, o Espírito acaba se retirando.
A fascinação é muito mais grave, porque o médium fica perfeitamente iludido. O Espírito que o domina conquista-lhe a confiança a ponto de lhe paralisar a capacidade de julgar as comunicações recebidas e lhe fazer considerar sublimes os maiores absurdos.
O caráter marcante desse gênero de obsessão é a provocação de uma extrema susceptibilidade do médium, o qual é levado a só admitir como bom, justo e certo aquilo que ele próprio escreve, ao mesmo tempo em que repele todo conselho e toda crítica. Então rompe com os amigos, ao invés de se convencer de que é enganado; alimenta inveja contra os outros médiuns, cujas comunicações sejam consideradas melhores que as suas; e, por fim, quer impor-se nas reuniões espíritas, de onde se afasta, desde que não as possa dominar.
Essa atuação do Espírito pode ir ao ponto de arrastar o indivíduo a dar passos ainda mais ridículos e comprometedores.

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sábado, 14 de maio de 2011

Que diabo é união homoafetiva?







Que diabo é união homoafetiva?


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sábado, 7 de maio de 2011

Enquete ANESPB Press



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domingo, 24 de abril de 2011

Kardec comenta J.B.Roustaing




Kardec comenta na Revista Espírita de Junho de 1866 o lançamento da obra "Os quatro evangelhos" de J.B.Roustaing. Imparcial, Kardec reconhece a possibilidade de os fatos se darem conforme a teoria do Corpo Fluídico porém não vê necessidade e nem conveniência de se buscar alternativa para a existência carnal de Jesus. Em virtude da falta da "Generalidade e Concordância dos Espíritos" esta obra não pode e não deve ser considerada como parte integrante da Doutrina dos Espíritos.

OS EVANGELHOS EXPLICADOS
Pelo Sr. Roustaing (1).

(1) Os quatro Evangelhos, seguidos dos mandamentos explicados em espírito e verdade pelos evangelistas assistidos pelos apóstolos. Recolhidos e colocados em ordem por J.B.Roustaing, advogado da corte imperial de Bordeaux, antigo chefe da ordem dos advogados. - 3 vol. in-12. - Preço: 10 fr. 50. - Paris, Livraria Central, 24, bulevarde dos Italianos. - Bourdeaux, todas as livrarias.


Esta obra compreende a explicação e a interpretação dos Evangelhos, artigo por artigo, com ajuda de comunicações ditadas pelos Espíritos. É um trabalho considerado, e que tem, para os Espíritas, o mérito de não estar, sobre nenhum ponto, em contradição com a doutrina ensinada por O Livro dos Espíritos e o dos médiuns.


As partes correspondentes àquelas que tratamos em O Evangelho Segundo o Espiritismo o são num sentido análogo. De resto, como nos limitamos às máximas morais que, quase sem exceção, são geralmente claras, elas não poderiam ser interpretadas de diversas maneiras; também foram o assunto de controvérsias religiosas. Foi por esta razão que começamos por ali a fim de ser aceito sem contestação, esperando para o resto que a opinião geral estivesse mais familiarizada com a ideia espírita.

O autor dessa nova obra acreditou dever seguir outro caminho; em lugar de proceder por graduação, quis alcançar o objetivo de um golpe. Tratou, por certas questões que não julgamos oportuno abordar ainda, e das quais, consequentemente lhe deixamos a responsabilidade, assim como aos Espíritos que os comentaram.

Consequente com o nosso princípio, que consiste em regular a nossa caminhada sobre o desenvolvimento da opinião, não daremos, até nova ordem, às suas teorias, nem aprovação, nem desaprovação, deixando ao tempo o cuidado de sancioná-las ou de contradizê-las. Convém, pois, considerar essas explicações como opiniões pessoais aos Espíritos que as formularam, opiniões que podem ser justas ou falsas, e que, em todos os casos, têm necessidade da sanção do controle universal, e até mais ampla confirmação não poderiam ser consideradas como partes integrantes da Doutrina Espírita.

Quando tratarmos essas questões, o faremos sem cerimônia; mas é que, então, teremos recolhido os documentos bastante numerosos, nos ensinos dados de todos os lados pelos Espíritos, para poder falar afirmativamente e ter a certeza de estar de acordo com a maioria; é assim que fazemos todas as vezes que se trata de formular um princípio capital. Nós os dissemos cem vezes, para nós a opinião de um Espírito, qualquer que seja o nome que traga, não tem senão o valor de uma opinião individual; nosso critério está na concordância universal, corroborada por uma rigorosa lógica, para as coisas que não podemos controlar por nossos próprios olhos. De que nos serviria dar prematuramente uma doutrina como uma verdade absoluta, se, mais tarde, ela devesse ser combatida pela generalidade dos Espíritos?

Dissemos que o livro do Sr. Roustaing não se afasta dos princípios de O Livro dos Espíritos e o dos médiuns; nossas observações levam, pois, sobre a aplicação desses mesmos princípios à interpretação de certos fatos. É assim, por exemplo, que dá ao Cristo, em lugar de um corpo carnal, um corpo fluídico concretizado, tendo todas as aparências da materialidade, e dele faz um agênere. Aos olhos dos homens que não teriam podido compreender, então, sua natureza espiritual, teve que passar EM APARÊNCIA, essa palavra é incessantemente repetida em todo o curso da obra, para todas as vicissitudes da Humanidade. Assim se explicaria o mistério de seu nascimento: Maria não teria tido senão as aparências da gravidez.

Este ponto, colocado por premissa e pedra angular, é a base sobre a qual se apoia para explicação de todos os fatos extraordinários ou miraculosos da vida de Jesus.

Sem dúvida, não há aí nada de materialmente impossível para quem conhece as propriedades do envoltório perispiritual; sem nos pronunciar pró ou contra essa teoria diremos que ela é ao menos hipotética, e que, se um dia ela fosse reconhecida errada, a base sendo falsa, o edifício desmoronaria. Esperamos, pois, os numerosos comentários que ela não deixará de provocar da parte dos Espíritos, e que contribuirão para elucidar a questão. Sem prejulgá-la, diremos que já foram feitas objeções sérias a essa teoria, e que, em nossa opinião, os fatos podem perfeitamente se explicar sem sair das condições da Humanidade corpórea.

Estas observações, subordinadas à sanção do futuro, não diminui nada a importância dessa obra que, ao lado das coisas duvidosas do nosso ponto de vista, delas encerra, incontestavelmente, boas e verdadeiras, e será consultada proveitosamente pelos Espíritas sérios.
Se o fundo de um livro é o principal, a forma não é de se desdenhar, e entra também por alguma coisa no sucesso. Achamos que certas partes são desenvolvidas muito longamente, sem proveito para a clareza.

Em nossa opinião, se, limitando-se ao estrito necessário, ter-se-ia podido reduzir a obra em dois, ou mesmo em um único volume, teria ganhado em popularidade.


Fonte : Revista Espírita - Junho 1866 - Allan Kardec.


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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Episódio 03: & 04 A Harmonia Dos Mundos



Episódio 03: A Harmonia Dos Mundos

A Harmonia dos Mundos . Em todo o mundo, os nossos antepassados de todas as culturas tiveram conhecimentos próprios de astronomia. As suas vidas disso muito dependiam. Mas a caminhada humana desde os mais remotos astrônomos aos modernos exploradores do Cosmos derivou numa pseudociência chamada astrologia. O último astrólogo científico foi também o primeiro astrônomo moderno: Johannes Kepler. Kepler lutou pela busca de uma harmonia nos céus e deu um passo fundamental para nos conduzir à era científica. O segredo que conduziu Kepler foi um respeito descomprometido pela observação dos céus, mesmo quando, agonizante, o confrontaram com as mais enraizadas crenças que acarinhava. Os profundos conhecimentos de Kepler ensinaram-nos como a Lua e os planetas se movem nas respectivas órbitas e, mais recentemente, como viajar para eles.




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Episódio 4: Céu e Inferno .

Em 1908, na Sibéria, uma explosão misteriosa abalou a paisagem, projetando árvores a milhares de quilômetros de distância e produzindo um som que se ouviu em todo o mundo. Teria uma nave espacial extraterrestre sofrido um acidente nuclear? Carl Sagan examina os testemunhos e conclui que a Terra foi atingida por um pequeno cometa. Um modelo do sistema solar demonstra a possibilidade de outros planetas terem sofrido impactos semelhantes. Tal como Immanuel Velikovsky proclamava, teria o planeta Vênus sido já um cometa gigante? O Dr. Sagan conclui que não, que as provas não confirmam a afirmação. Embarcamos numa viagem descendente através da atmosfera infernal de Vênus, para explorar a superfície de braseira, atingida esta pelo chamado efeito de estufa. O destino de Vênus pode ser uma história de alerta para o nosso mundo. O Dr. Sagan lança um aviso sensato para que sejam tomadas medidas de proteção do frágil planeta azul, a Terra.




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sábado, 26 de fevereiro de 2011

A PARAPSICOLOGIA É FRUTO DO DESCUIDO DOS ESPÍRITAS



AS FEDERATIVAS DEVEM CUMPRIR O PROGRAMA ESPÍRITA

Acredita que as Federativas devem, com a maior urgência cumprir, integralmente, o programa Espírita, retornando à pesquisa e a um melhor tratamento dos fenômenos considerados, pela ciência, como paranormais, sob um enfoque cientifico e, ampliar o campo de debates na área filosófica, compatibilizando a Doutrina com a própria vida, com os problemas sociais, para se ter uma visão histórica mais amadurecida da Sociedade".

O professor vai mais longe e acha que "as Federativas deveriam se empenhar na criação de Departamentos de pesquisa científica, elaborando programas e formando pessoal quali­ficado, para o estudo metódico dos fenômenos".

Sem isso, observa, "o Espiritismo está na verdade como um Saci, com uma perna só. Esquecendo que, quando Kardec definiu o Espiritismo o fez como ciência e filosofia com conseqüências morais e religiosas." É preciso que, sem minimizar o trabalho feito na área religiosa, maximizar, se é que assim podemos dizer, a área cientifica, dando ensejo também, ao permanente círculo de debates no campo filosófico

OS ESPÍRITAS NÃO COMPREENDEM OS CIENTISTAS

Além de professor universitário da cadeira de Direito Civil, da Universidade Católica de Pernambuco, é membro fundador da Academia de Ciências de Pernambuco. Escreveu diversos livros e ensaios nas áreas da Parapsicologia, da Sociologia, do Direito, da Filosofia e da Poesia, entre 'eles "Introdução ao Paranormal" e "Rumo ao Sem Fim".

Conhecido em todo o movimento espírita, devido a enorme repercussão do programa "O Grande Júri", que manteve durante quase quatorze anos na TV Universitária de Pernambuco, programa que reunia mais de trinta especialistas nas diversas áreas do conhecimento humano, como químicos, físicos, católicos, protestantes, espíritas e outros. Entre os temas levados a debate no "Grande Júri", o que mereceu maior cobertura da imprensa espírita foi "A Bíblia", mantido, conforme explicou o professor, durante quase seis meses a pedido do público.

Fala da incompreensão que os estudiosos, pesquisadores e cientistas recebem de grande parte dos espíritas, principalmente aqueles que se dedicam à Parapsicologia, "havendo uma certa suspeição e até preconceito a quem se dedica a esta ciência". Explica que tem insistido no campo da ciência, pela mesma dedicação e interesse que os demais têm em divulgar a Doutrina Espírita.

KARDEC NÃO DISSE A ÚLTIMA PALAVRA E SIM A PRIMEIRA

Vê a necessidade de atualização "precisamos fazer algumas atualizações quanto à vestimenta doutrinária, porque na essência não há nada a se reparar, e uma abordagem metodológica mais adequada, uma visão mais aprofundada das coisas e dos fatos. Kardec já recomendava e advertia para a necessidade de dinamizar a Doutrina. Porque em Ciência o conhecimento é provisório. Ciência não pára. Uma ciência estática deixa de ser Ciência. Kardec descerrou-nos as portas de um mundo novo, infelizmente a quase totalidade dos espíritas ficaram na soleira".

É com este mesmo argumento que rejeita o posicionamento de alguns espíritas que colocam a pesquisa em segundo plano, chegando a encará-la como desnecessária , ao pensar que os fatos não precisam ser comprovados dentro dos métodos científicos. Vê este posicionamento como "uma completa miopia intelectual, fruto de fanatismo religioso, pois Kardec não resolveu nenhum problema quando abriu as portas para uma nova dimensão, pelo contrário, aumentou-os, porque até então só tínhamos preocupações com a nossa vida física". E acrescenta: "Kardec não disse a última palavra, mas sim a primeira. Temos, por isso mesmo, que estudar e pesquisar cada vez mais, para ampliar o campo do conhecimento humano. Temos que responder, agora, questões como o funcionamento da mente em nível biológico e espiritual, quais as relações entre este e o outro mundo, entre tantas outras questões que surgem a partir dessa nova fase do conhecimento".

Neste sentido, acredita que no Espiritismo temos nos limitado às comunicações espirituais, os Espíritos é que nos ditam orientações, "pois o Espiritismo parou como ciência, os espíritas precisam desenvolver com gosto o trato para os problemas científicos, senão geraremos um fanatismo e toda religião que se esclerosa, fatalmente morre" este não pode ser o caso da Doutrina Espírita, porque a religião tem no Espiritismo a dinâmica própria da ciência e da filosofia. Afinal, o Espiritismo é uma Doutrina universalista e é esta universalidade que vem agora cobrar do espírita uma nova tomada de posição.

A PARAPSICOLOGIA É FRUTO DO DESCUIDO DOS ESPÍRITAS

O professor Walter afirma incisivamente que "a Parapsicologia de Joseph Rhine e a própria Metapsiquica de Charles Richet só tiveram vez porque os espíritas se descuidaram da área científica. Senão a nossa Doutrina, por si só, tomaria os freios, as rédeas, o comando da pesquisa e hoje não teríamos a Parapsicologia".

Nesta mesma linha de raciocínio, perguntamos ao professor se os estudiosos espíritas poderiam seguir caminho diverso ao da Parapsicologia, ao que respondeu: "isso não seria metodologicamente possível, apenas a interpretação seria diferente. Primeiramente porque há parapsicólogos espíritas, que permanecem cada vez mais espíritas, e exercem de maneira muito produtiva o seu ofício de parapsicólogos, e há parapsicólogos católicos, como também materialistas; no entanto, as áreas da Parapsicologia e do Espiritismo são as mesmas, apenas que cada uma pode atuar dentro de seu modelo de interpretação", explicou.

Lembrando o pensamento de Rhine a respeito da sobrevivência da alma, disse: "o próprio Rhine já dizia que a questão da sobrevivência é também uma questão da Parapsicologia e que os fenômenos paranormais sugerem fortemente a hipótese do prosseguimento da vida após a morte, se não houvesse qualquer prova da sobrevivência, os fenômenos paranormais, por si só, seriam esta prova".

OS FENÔMENOS SÃO PRODUZIDOS POR ENCARNADO E DESENCARNADO

Insistindo na tese da criação de centros de pesquisa, sugeriu uma outra medida:"seria muito bom que os espíritas adotassem o procedimento científico da Parapsicologia. Desenvolvendo suas pesquisas dentro do próprio Centro Espírita, formando laboratórios ou que fundassem em cada Estado, Centros Espíritas voltados à pesquisa científica, fazendo sessões experimentais, observando o comportamento dos médiuns etc..." Relata a sua tentativa da criação deste tipo de trabalho no Recife que não foi bem aceito "porque os espíritas insistem em não encarar o aspecto científico com a importância que ele deve ter no contexto espírita".

Mostrou-nos a diferença básica entre o Espiritismo e a Parapsicologia: "A Parapsicologia é uma ciência que tem por objeto o estudo dos fenômenos paranormais, ou seja, ela pretende estudar os mecanismos e obter certo controle sobre os eles, e, como a ciência, dar-lhes um sentido prático. Na Parapsicologia, a hipótese da causa dos fenômenos é que eles se originam no inconsciente do médium. Assim, enquanto na Parapsicologia a sobrevivência é uma hipótese, para o Espiritismo ela é um fato: o espírito desencarnado é a causa da maioria dos fenômenos. Mas o campo de pesquisa é o mesmo."

Quanto ao problema do animismo, lembra Ernesto Bozzano, quando este afirmou que "para conhecer os poderes do espírito desencarnado, precisamos primeiro conhecer os poderes do espírito encarnado”. Precisamos investigar a capacidade criativa da mente, para, por qual­quer motivo não estar atribuindo aos espíritos a agência dos fenômenos paranormais. Tanto que Camille Flamarion chegou a afirmar textualmente que as comunicações entre vivos e mortos eram tão raras que a rigor poderíamos dizer que elas não existem".

E foi dentro desta mesma fidelidade científica que o professor Walter Rosa Borges se propôs a estudar e pesquisar o médium pernambucano Edson Queirós, que vem fazendo centenas de operações espirituais dentro da própria Federação Espírita de Pernambuco e que será objeto da reportagem em nossa próxima edição.


(*) O Semeador. Junho de 1982

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Reflexões e Máximas de Allan Kardec 3ºPARTE



Reflexões e Máximas de Allan Kardec 3ºPARTE

Fragmentos extraídos dos doze primeiros anos da “Revista Espírita”



R. E. 1864, p. 103: “O controle universal é uma garantia para a unidade futura do Espiritismo e anulará todas as teorias contraditórias. É aí que, no porvir, se buscará o critério da verdade. O que fez o sucesso da Doutrina, formulada em O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns, é que, por toda parte, cada um pode receber diretamente dos Espíritos a confirmação daquilo que eles contêm.
Se, de todas as partes, os Espíritos tivessem vindo contradizê-los, esses livros teriam depois de muito tempo tido a sorte de todas as concepções fantásticas. Mesmo o apoio da imprensa não os teria salvado do naufrágio, enquanto que, mesmo privados desse apoio, não deixaram de fazer um caminho rápido, porque tiveram o apoio dos bons Espíritos cuja boa vontade compensou, e ultrapassou, a má vontade dos homens. Assim o será de todas as idéias emanadas dos Espíritos e dos homens, que não puderem suportar a prova desse controle, do qual ninguém pode contestar o poder.”
R. E. 1859, p. 176: “Os Espíritos são aquilo que são, e não podemos mudar a ordem das coisas; não sendo todos perfeitos, não aceitamos suas palavras senão sob análise e não com a credulidade das crianças; julgamos, comparamos, tiramos as conseqüências de nossas observações, e mesmo seus erros são para nós ensinamentos, porque não fazemos abnegação de nosso discernimento.
Essas observações se aplicam igualmente a todas as teorias científicas que os Espíritos possam dar. Seria muito cômodo ter apenas que os interrogar para encontrar a ciência toda feita, e para possuir todos os segredos industriais: não adquirimos a ciência senão ao preço do trabalho e das pesquisas; sua missão não é de nos livrar desta obrigação. Sabemos aliás, que não somente nem todos não sabem tudo, mas que há entre eles, como entre nós, falsos sábios, que crêem saber aquilo que não sabem, e falam daquilo que ignoram com o mais imperturbável desembaraço.
Um Espírito poderia então dizer que é o Sol que gira em torno da Terra e não o contrário, e sua teoria não seria mais verdadeira porque vinda de um Espírito. Que aqueles que nos supõem uma credulidade assim pueril, saibam pois que tomamos toda opinião exprimida por um Espírito por uma opinião individual; que não a aceitamos senão depois de a haver submetido ao controle da lógica e dos meios de investigação que a própria ciência Espírita nos forneceu.”
R. E. 1859, p. 178: “Nossos estudos nos ensinam que o mundo invisível que nos cerca reage constantemente sobre o mundo visível; no-lo mostram como uma das forças da Natureza; conhecer os efeitos desta força oculta que nos domina e nos subjuga com nosso desconhecimento não é ter a chave de mais um problema, a explicação de uma multidão de fatos que passam desapercebidos? Se esses efeitos podem ser funestos, conhecer a causa do mal não é ter um meio de se prevenir, como o conhecimento das propriedades da eletricidade nos tem dado o meio de atenuar os efeitos desastrosos do raio? Se então sucumbirmos, não poderemos nos queixar senão de nós mesmos, porque não teremos a ignorância por desculpa. O perigo está no império que os maus Espíritos impõem sobre os indivíduos, e esse império não é somente funesto do ponto de vista dos interesses da vida material. A experiência nos ensina que jamais é impunemente que alguém se abandona à sua dominação; porque suas intenções não podem nunca ser boas. Uma de suas táticas para chegar a seus fins é a desunião, porque sabem muito bem que poderão facilmente tirar vantagens daquele que está privado de apoio; também, seu primeiro cuidado, quando querem se apoderar de alguém, é sempre o de lhe inspirar a desconfiança e a antipatia por quem possa desmascará-lo com esclarecimentos, por conselhos salutares. Uma vez senhores do terreno, podem, a seu gosto, fasciná-lo com promessas sedutoras, subjugá-lo lisonjeando suas inclinações, aproveitando para isso todos os pontos fracos que encontram, para melhor fazê-lo sentir em seguida a amargura das decepções, afligi-lo em suas afeições, humilhá-lo em seu orgulho e, freqüentemente, elevá-lo por um momento senão para o precipitar de mais alto.”
Para se prevenir contra tais perigos, Allan Kardec nos dá o seguinte sábio conselho:
R. E. 1859, p. 180: “Direi primeiro que, segundo o seu conselho – o conselho de seus Guias – Eu não aceito jamais nada sem exame e sem controle; não adoto uma idéia a não ser que ela me pareça racional, lógica, se está de acordo com os fatos e as observações, se nada de sério a vem contradizer.
Mas meu julgamento não poderia ser um critério infalível; o consentimento que tenho encontrado junto de uma multidão de gente mais esclarecida do que eu é para mim uma primeira garantia; encontro uma outra, não menos preponderante, no caráter das comunicações que me têm sido feitas desde que me ocupo com o Espiritismo; jamais, posso dizê-lo, escapou uma única dessas palavras, um só desses sinais pelos quais se traem os Espíritos inferiores, mesmo os mais astuciosos; jamais dominação; jamais conselhos equivocados ou contrários à caridade e à benevolência, jamais prescrições ridículas; longe disso, não encontrei neles senão pensamentos grandes, nobres, sublimes, isentos de pequenez e mesquinharia; em uma palavra, suas relações comigo, nas menores, como nas maiores coisas, têm sido sempre tais que, se tivesse sido um homem que me houvesse falado, eu o teria pelo melhor, o mais sábio, o mais prudente, o mais moral e o mais iluminado. Eis, senhores, os motivos de minha confiança, corroborada pela identidade de ensinamento dado a uma multidão de outras pessoas, antes e depois da publicação de minhas obras...”

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Polêmica Espírita


Polêmica Espírita
Várias vezes já nos perguntaram por que não respondemos, em nosso jornal, aos ataques de certas folhas, dirigidos contra o Espiritismo em geral, contra seus partidários e, por vezes, contra nós. Acreditamos que o silêncio, em certos casos, é a melhor resposta.
Aliás, há um gênero de polêmica do qual tomamos por norma nos abstermos: é aquela que pode degenerar em personalismo; não somente ela nos repugna, como nos tomaria um tempo que podemos empregar mais utilmente, o que seria muito pouco interessante para os nossos leitores, que assinam a revista para se instruírem, e não para ouvirem diatribes mais ou menos espirituosas.
Ora, uma vez engajado nesse caminho, difícil seria dele sair, razão por que preferimos nele não entrar, com o que o Espiritismo só tem a ganhar em dignidade. Até agora só temos que aplaudir a nossa moderação, da qual não nos desviaremos, e jamais daremos satisfação aos amantes do escândalo.

Entretanto, há polêmica e polêmica; uma há, diante da qual não recuaremos jamais: é a discussão séria dos princípios que professamos. Todavia, mesmo aqui há uma importante distinção a fazer; se se trata apenas de ataques gerais, dirigidos contra a doutrina, sem um fim determinado, além do de criticar, e se partem de pessoas que rejeitam por antecipação tudo quanto não compreendem, não merecem maior atenção; o terreno ganho diariamente pelo Espiritismo é uma resposta suficientemente peremptória e que lhes deve provar que seus sarcasmos não têm produzido grande efeito; também notamos que os gracejos intermináveis de que até pouco tempo eram vítimas os partidários da doutrina pouco a pouco se extinguem.
Perguntamos se há motivos para rir quando vemos as idéias novas adotadas por tantas pessoas eminentes; alguns não riem senão com desprezo e pela força do hábito, enquanto muitos outros absolutamente não riem mais e esperam.
Notemos ainda que, entre os críticos, há muitas pessoas que falam sem conhecimento de causa, sem se darem ao trabalho de a aprofundar. Para lhes responder seria necessário recomeçar incessantemente as mais elementares explicações e repetir aquilo que já escrevemos, providência que julgamos inútil.
Já o mesmo não acontece com os que estudaram e nem tudo compreenderam, com os que querem seriamente esclarecer-se e com os que levantam objeções de boa-fé e com conhecimento de causa; nesse terreno aceitamos a controvérsia, sem nos gabarmos de resolver todas as dificuldades, o que seria muita presunção de nossa parte. A ciência espírita dá os seus primeiros passos e ainda não nos revelou todos os seus segredos, por maiores sejam as maravilhas que nos tenha desvendado.
Qual a ciência que não tem ainda fatos misteriosos e inexplicados? Confessamos, pois, sem nos envergonharmos, nossa insuficiência sobre todos os pontos que ainda não nos é possível explicar.
Assim, longe de repelir as objeções e os questionamentos, nós os solicitamos, contanto que não sejam ociosos, nem nos façam perder o tempo com futilidade, pois que representam um meio de nos esclarecermos.
É a isso que chamamos polêmica útil, e o será sempre quando ocorrer entre pessoas sérias que se respeitam bastante para não se afastarem das conveniências. Podemos pensar de modo diverso sem, por isso, deixar de nos estimarmos.
Afinal de contas, o que buscamos todos nessa tão palpitante e fecunda questão do Espiritismo?
O nosso esclarecimento. Antes de mais, buscamos a luz, venha de onde vier; e, se externamos a nossa maneira de ver, trata-se apenas de nossa maneira de ver, e não de uma opinião pessoal que pretendamos impor aos outros; entregamo-la à discussão, estando prontos para a ela renunciar se demonstrarem que laboramos em erro. Essa polêmica nós a sustentamos todos os dias em nossa Revista, através das respostas ou das refutações coletivas que tivemos ocasião de apresentar, a propósito desse ou daquele artigo, e aqueles que nos honram com as suas cartas encontrarão sempre a resposta ao que nos perguntam, quando não a podemos dar individualmente por escrito, uma vez que nosso tempo material nem sempre o permite.
Suas perguntas e objeções igualmente são objeto de estudos, de que nos servimos pessoalmente, sentindo-nos felizes por fazer com que nossos leitores os aproveitem, tratando-os à medida que as circunstâncias apresentam os fatos que possam ter relação com eles. Também sentimos prazer em dar explicações verbais às pessoas que nos honram com a sua visita e nas conferências assinaladas por recíproca benevolência, nas quais nos esclarecemos mutuamente.
Allan Kardec.

Fonte: Revista Espírita nov/1858 - tradução de Evandro Noleto Bezerra - Editora: FEB.

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