A degeneração do Espiritismo
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*Por Dalmo Duque dos Santos*
Comparando a história do Espiritismo com a do Cristianismo Primitivo,
podemos tirar algumas conclusões importantes para...
Senhores da Escuridão.
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Senhores da Escuridão.
Por José Herculano Pires
(...)A propagação do Espiritismo se tem feito, entre nós, muito mais através da prática do que da teoria, ou seja, do estudo doutrinário. Contam-se por verdadeira multidão as pessoas que se tornaram espíritas e freqüentam sessões sem jamais haverem lido “O Livro dos Espíritos” ou qualquer outra das obras básicas da doutrina. Quando muito, essas pessoas têm ouvido falar de Kardec nas palestras e conferências espíritas, e tem recebido alguns ensinamentos através da leitura de uma página ou outra de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, nas deficientes sessões teóricas que alguns Centros ainda praticam, uma vez por semana.
Essa situação do Espiritismo no Brasil é a mais estranha e paradoxal que se poderia imaginar. Espiritismo é doutrina. Bastaria isto para nos mostrar a impossibilidade de praticar Espiritismo sem o conhecimento dos seus princípios. A prática doutrinária devia ser uma conseqüência do estudo e da assimilação da teoria. As sessões teóricas, por isso mesmo, deviam ser mais numerosas do que as sessões práticas. Ao invés de cada Centro realizar três e quatro sessões práticas por semana e apenas uma de teoria, o contrário é que devia ser feito.
Vejamos um exemplo corriqueiro. Pode alguém praticar a odontologia, curar e arrancar dentes, sem primeiro ter aprendido a profissão? Antigamente existiam os dentistas práticos, e ainda hoje existem alguns licenciados. É verdade que eles não cursaram escolas, mas antes de se entregarem à prática tiveram de aprender com outro profissional. Outro exemplo, ainda mais banal, é o do barbeiro. Pode alguém abrir um salão e praticar a arte, sem antes ter aprendido? O mesmo se dá no futebol. É possível jogá-lo, sem conhecer as regras do jogo, sem antes aprender?
Esses exemplos, pela sua própria natureza popular, de fácil compreensão por todos, devem estar constantemente na boca dos doutrinadores e dos dirigentes de associações espíritas. Ora, se para ser dentista, barbeiro ou futebolista, ninguém pode deixar de lado a teoria, o estudo, o aprendizado, que dizer do Espiritismo, que é coisa muito superior à odontologia, à arte de barbear e ao jogo de futebol? Se ninguém pode realizar com perfeição e segurança um simples ato material mecânico, sem grande importância, como pode entregar-se a coisas muito mais sérias e complicadas, como a recepção e doutrinação de Espíritos?O erro fundamental do Espiritismo em nosso País está justamente nesse problema, que precisamos solucionar. A mistificação tomou conta de grande número de nossas sociedades, porque os seus dirigentes não se prepararam devidamente para a tarefa árdua, difícil e séria, que resolveram tomar sobre os ombros. Mas, o responsável maior por esse fato não é a ignorância, como pensam muitos. Não. A ignorância tem a sua parte de responsabilidade, sem dúvida, mas a responsabilidade maior é da vaidade, do orgulho, da pretensão. Porque a pessoa pode ser ignorante e não ser vaidosa. Então, ela não se arrogará o direito de dirigir os outros, de ensinar o que não sabe, de acreditar na tapeação dos chamados “guias”, que lhe dizem a todo instante ser ela “a maior no Grupo ou Centro a que pertence”.
O combate à prática indiscriminada do Espiritismo, feita sem o devido conhecimento da doutrina, deve, portanto, ser desenvolvido sem esmorecimentos. Esse combate tem também objetivo e conseqüências morais, visando à reforma íntima dos nossos confrades. Mostrando-lhes os erros em que tem incorrido, contribuímos para que eles compreendam o erro maior, que está nos seus próprios corações, ou seja, o erro da vaidade, e da mais tola das vaidades, aquela que não se baseia senão em si mesma.
É necessário que esclareçamos bem este ponto. Vamos, pois, a um exemplo material, pois nada melhor do que as figuras, para dizerem as coisas de maneira eficiente. Quem não conhece a história daquele homem que, por força dos elogios, se convenceu de que era peão e montou um burro chucro, para ser logo atirado ao chão pelo animal? Pois essa história nos dá a imagem perfeita do presidente de Centro, diretor de trabalhos ou doutrinador que não estudou, não estuda e não conhece a doutrina. Os Espíritos mistificadores dizem que ele “é o tal”, ensinam-lhe uma porção de bobagens, que ele não pode saber se estão certas ou erradas, e depois o atiram no lombo de um burro chucro. É por isso que vemos por aí, em tantos Centros, presidentes e doutrinadores com os olhos cheios de areia. Não enxergam nada, porque caíram do burro e a areia lhes tapou a vista.
Para ser espírita é preciso conhecer o Espiritismo. Para doutrinar Espírito é preciso saber doutrina. O que é doutrinar? Não é ensinar doutrina? E como pode alguém doutrinar, se não conhecer doutrina? O resultado dessa confusão é que os doutrinadores se afundam num emaranhado de bobagens, ensinando coisas que o Espiritismo condena. Fazem como os fariseus, de que falava Jesus, que não entram no céu e não deixam os outros entrarem. Eles não aprendem doutrina e não deixam os outros aprenderem, porque cheios de si e vazios de Cristo, só falam das suas próprias tolices.
Cada presidente de Centro, cada orador, cada doutrinador espírita tem sobre os ombros uma grande responsabilidade, que é a da difusão da verdadeira doutrina. Que cada qual, pois se compenetre dessa responsabilidade, e não se assuste de ser ignorante, pois todos os somos, numa coisa ou noutra, mas não queira nunca ser o peão que os falsos elogios atirou ao lombo do burro chucro. A ignorância tem remédio através do estudo; mas a vaidade, essa é cega e teimosa como uma bruxa.
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DUPLA VISTA (ESTUDO L.E)
12:42
DUPLA VISTA (ESTUDO L.E)
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O Livro dos Espíritos, 2ª Parte, Cap. VIII, q. 455:
455. Os fenômenos do sonambulismo natural se produzem espontaneamente e independem de qualquer causa exterior conhecida. Mas, em certas pessoas dotadas de especial organização, podem ser provocados artificialmente, pela ação do agente magnético.
O estado que se designa pelo nome de sonambulismo magnético apenas difere do sonambulismo natural em que um é provocado, enquanto o outro é espontâneo.
O sonambulismo natural constitui fato notório, que ninguém mais se lembra de por em dúvida, não obstante o aspecto maravilhoso dos fenômenos a que dá lugar. Por que seria então mais extraordinário ou irracional o sonambulismo magnético? Apenas por produzir-se artificialmente, como tantas outras coisas? Os charlatães o exploram, dizem. Razão de mais para que não lhes seja deixado nas mãos. Quando a Ciência se houver apropriado dele, muito menos crédito terão os charlatães junto às massas populares. Enquanto isso não se verifica, como o sonambulismo natural ou artificial é um fato, e como contra fatos não há raciocínio possível, vai ele ganhando terreno, apesar da má-vontade de alguns, no seio da própria Ciência, onde penetra por uma imensidade de portinhas, em vez de entrar pela porta larga. Quando lá estiver totalmente, terão que lhe conceder direito de cidade.
Para o Espiritismo, o sonambulismo é mais do que um fenômeno psicológico, é uma luz projetada sobre a psicologia. É aí que se pode estudar a alma, porque é onde esta se mostra a descoberto. Ora, um dos fenômenos que a caracterizam é o da clarividência independente dos órgãos ordinários da vista. Fundam-se os que contestam este fato em que o sonâmbulo nem sempre vê, e à vontade do experimentador, como com os olhos. Será de admirar que difiram os efeitos, quando diferentes são os meios? Será racional que se pretenda obter os mesmos efeitos, quando há e quando não há o instrumento? A alma tem suas propriedades, como os olhos têm as suas. Cumpre julgá-las em si mesmas e não por analogia.
De uma causa única se originam a clarividência do sonâmbulo magnético e a do sonâmbulo natural. É um atributo da alma, uma faculdade inerente a todas as partes do ser incorpóreo que existe em nós e cujos limites não são outros senão os assinados à própria alma. O sonâmbulo vê em todos os lugares aonde sua alma possa transportar-se, qualquer que seja a longitude.
No caso de visão a distância, o sonâmbulo não vê as coisas de onde está o seu corpo, como por meio de um telescópio. Vê-as presentes, como se se achasse no lugar onde elas existem, porque sua alma, em realidade, lá está. Por isso é que seu corpo fica como que aniquilado e privado de sensação, até que a alma volte a habitá-lo novamente. Essa separação parcial da alma e do corpo constitui um estado anormal, suscetível de duração mais ou menos longa, porém não indefinida. Daí a fadiga que o corpo experimenta após certo tempo, mormente quando aquela se entrega a um trabalho ativo.
A vista da alma ou do Espírito não é circunscrita e não tem sede determinada. Eis por que os sonâmbulos não lhe podem marcar órgão especial. Vêem porque vêem, sem saberem o motivo nem o modo, uma vez que, para eles, na condição de Espíritos, a vista carece de foco próprio. Se se reportam ao corpo, esse foco lhes parece estar nos centros onde maior é a atividade vital, principalmente no cérebro, na região do epigastro, ou no órgão que considerem o ponto de ligação mais forte entre o Espírito e o corpo.
O poder da lucidez sonambúlica não é ilimitado. O Espírito, mesmo quando completamente livre, tem restringidos seus conhecimentos e faculdades conforme ao grau de perfeição que haja alcançado. Ainda mais restringidos os tem quando ligado à matéria, a cuja influência está sujeito. É o que motiva não ser universal, nem infalível, a clarividência sonambúlica. E tanto menos se pode contar com a sua infalibilidade, quanto mais desviada seja do fim visado pela Natureza e transformada em objeto de curiosidade e de experimentação.
No estado de desprendimento em que fica colocado, o Espírito do sonâmbulo entra em comunicação mais fácil com os outros Espíritos encarnados, ou não encarnados, comunicação que se estabelece pelo contacto dos fluidos, que compõem os perispíritos e servem de transmissão ao pensamento, como o fio elétrico. O sonâmbulo não precisa, portanto, que se lhe exprimam os pensamentos por meio da palavra articulada. Ele os sente e adivinha. É o que o torna eminentemente impressionável e sujeito às influências da atmosfera moral que o envolva. Essa também a razão por que uma assistência muito numerosa e a presença de curiosos mais ou menos malevolentes lhe prejudicam de modo essencial o desenvolvimento das faculdades que, por assim dizer, se contraem, só se desdobrando com toda a liberdade num meio íntimo ou simpático. A presença de pessoas mal-intencionadas ou antipáticas lhe produz efeito idêntico ao do contacto da mão na sensitiva.
O sonâmbulo vê ao mesmo tempo o seu próprio Espírito e o seu corpo, os quais constituem, por assim dizer, dois seres que lhe representam a dupla existência corpórea e espiritual, existências que, entretanto, se confundem, mediante os laços que as unem. Nem sempre o sonâmbulo se apercebe de tal situação e essa dualidade faz que muitas vezes fale de si, como se falasse de outra pessoa. É que ora é o ser corpóreo que fala ao ser espiritual, ora é este que fala àquele.
Em cada uma de suas existências corporais, o Espírito adquire um acréscimo de conhecimentos e de experiência. Esquece-os parcialmente, quando encarnado em matéria por demais grosseira, porém deles se recorda como Espírito. Assim é que certos sonâmbulos revelam conhecimentos acima do grau da instrução que possuem e mesmo superiores às suas aparentes capacidades intelectuais. Portanto, da inferioridade intelectual e científica do sonâmbulo, quando desperto, nada se pode inferir com relação aos conhecimentos que porventura revele no estado de lucidez. Conforme as circunstâncias e o fim que se tenha em vista, ele os pode haurir da sua própria experiência, da sua clarividência relativa às coisas presentes, ou dos conselhos que receba de outros Espíritos. Mas, podendo o seu próprio Espírito ser mais ou menos adiantado, possível lhe é dizer coisas mais ou menos certas.
Pelos fenômenos do sonambulismo, quer natural, quer magnético, a Providência nos dá a prova irrecusável da existência e da independência da alma e nos faz assistir ao sublime espetáculo da sua emancipação. Abre-nos dessa maneira, o livro do nosso destino. Quando o sonâmbulo descreve o que se passa a distância, é evidente que vê, mas não com os olhos do corpo. Vê-se a si mesmo e se sente transportado ao lugar onde vê o quedescreve. Lá se acha, pois, alguma coisa dele e, não podendo essa alguma coisa ser o seu corpo, necessariamente é sua alma, ou Espírito. Enquanto o homem se perde nas sutilezas de uma metafísica abstrata e ininteligível, em busca das causas da nossa existência moral, Deus cotidianamente nos põe sob os olhos e ao alcance da mão os mais simples e patentes meios de estudarmos a psicologia experimental.
O êxtase é o estado em que a independência da alma, com relação ao corpo, se manifesta de modo mais sensível e se torna, de certa forma, palpável.
No sonho e no sonambulismo, o Espírito anda em giro pelos mundos terrestres. No êxtase, penetra em um mundo desconhecido, o dos Espíritos etéreos, com os quais entra em comunicação, sem que, todavia, lhe seja lícito ultrapassar certos limites, porque, se os transpusesse, totalmente se partiriam os laços que o prendem ao corpo. Cerca-o então resplendente e desusado fulgor, inebriam-no harmonias que na Terra se desconhecem, indefinível bem-estar o invade: goza antecipadamente da beatitude celeste e bem se pode dizer que pousa um pé no limiar da eternidade.
No estado de êxtase, o aniquilamento do corpo é quase completo. Fica-lhe somente, pode-se dizer, a vida orgânica. Sente-se que a alma se lhe acha presa unicamente por um fio, que mais um pequenino esforço quebraria sem remissão.
Nesse estado, desaparecem todos os pensamentos terrestres, cedendo lugar ao sentimento apurado, que constitui a essência mesma do nosso ser imaterial. Inteiramente entregue a tão sublime contemplação, o extático encara a vida apenas como paragem momentânea. Considera os bens e os males, as alegrias grosseiras e as misérias deste mundo quais incidentes fúteis de uma viagem, cujo termo tem a dita de avistar.
Dá-se com os extáticos o que se dá com os sonâmbulos: mais ou menos perfeita podem ter a lucidez e o Espírito mais ou menos apto a conhecer e compreender as coisas, conforme seja mais ou menos elevado. Muitas vezes, porém, há neles mais excitação do que verdadeira lucidez, ou, melhor, muitas vezes a exaltação lhes prejudica a lucidez. Daí o serem, freqüentemente, suas revelações um misto de verdades e erros, de coisas grandiosas e coisas absurdas, até ridículas. Dessa exaltação, que é sempre uma causa de fraqueza, quando o indivíduo não sabe reprimi-la, Espíritos inferiores costumam aproveitar-se para dominar o extático, tomando, com tal intuito, aos seus olhos, aparências que mais o aferram às idéias que nutre no estado de vigília. Há nisso um escolho, mas nem todos são assim. Cabe-nos tudo julgar friamente e pesar-lhes as revelações na balança da razão.
A emancipação da alma se verifica às vezes no estado de vigília e produz o fenômeno conhecido pelo nome de segunda vista ou dupla vista, que é a faculdade graças à qual quem a possui vê, ouve e sente além dos limites dos sentidos humanos. Percebe o que exista até onde estende a alma a sua ação. Vê, por assim dizer, através da vista ordinária, e como por uma espécie de miragem.
No momento em que o fenômeno da segunda vista se produz, o estado físico do indivíduo se acha sensivelmente modificado. O olhar apresenta alguma coisa de vago. Ele olha sem ver. Toda a sua fisionomia reflete uma como exaltação. Nota-se que os órgãos visuais se conservam alheios ao fenômeno, pelo fato de a visão persistir, mau grado à oclusão dos olhos.
Aos dotados desta faculdade ela se afigura tão natural, como a que todos temos de ver. Consideram-na um atributo de seus próprios seres, que em nada lhes parecem excepcionais. De ordinário, o esquecimento se segue a essa lucidez passageira, cuja lembrança, tornando-se cada vez mais vaga, acaba por desaparecer, como a de um sonho.
O poder da vista dupla varia, indo desde a sensação confusa até a percepção clara e nítida das coisas presentes ou ausentes. Quando rudimentar, confere a certas pessoas o tato, a perspicácia, uma certa segurança nos atos, a que se pode dar o qualificativo de precisão de golpe de vista moral. Um pouco desenvolvida, desperta os pressentimentos. Mais desenvolvida mostra os acontecimentos que deram ou estão para dar-se.
O sonambulismo natural e artificial, o êxtase e a dupla vista são efeitos vários, ou de modalidades diversas, de uma mesma causa. Esses fenômenos, como os sonhos, estão na ordem da Natureza. Tal a razão por que hão existido em todos os tempos. A História mostra que foram sempre conhecidos e até explorados desde a mais remota antigüidade e neles se nos depara a explicação de uma imensidade de fatos que os preconceitos fizeram fossem tidos por sobrenaturais.
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Kardec Está Ultrapassado.
11:41
Titulo adaptado por Francisco Amado
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Kardec Está Ultrapassado
Jean Baptiste Roustaing foi um advogado francês, nascido em Bordéus. Viveu na França, no tempo em que Allan Kardec estava preparando a Codificação. Chegou a trocar algumas correspondências com o Codificador, mas a amizade entre ambos não foi adiante.
Com a ajuda da médium Émile Collignon, Roustaing publicou ditados de alguns Espíritos que os assistiam, denominados mais tarde de "Os Quatro Evangelhos" ou "Revelação da Revelação". Essas obras se caracterizavam por apresentarem graves contradições doutrinárias em relação aos princípios do Espiritismo. Allan Kardec fez algumas críticas a esses escritos, que acabaram por desagradar profundamente o advogado. Roustaing e seus discípulos, aborrecidos, fizeram uma resposta ao Codificador, inserida no livro primeiro de sua obra, depois retirada arbitrariamente pela Federação Espírita Brasileira – FEB, adepta das teses roustainguistas.
Os Espíritos que ditaram "Os Quatro Evangelhos" disseram ser nada menos que os Evangelistas, assistidos pelos Apóstolos e pelo profeta Moisés. Além dessa superioridade suspeita, ainda afirmaram que a obra era a "Revelação da Revelação", algo mais especial e superior à própria Codificação. Tratava-se de um fato estranho.
Por que o Alto enviaria uma outra revelação no mesmo tempo em que Allan Kardec dava vida ao Espiritismo, a Terceira Revelação? Ninguém explicava o fato.
As entidades desencarnadas que trabalhavam com Roustaing e Collignon , usavam de meios estranhos ao sistema espírita: eram totalmente alheios do Controle Universal dos Espíritos. Uma grande insensatez que os roustainguistas não se davam conta.
Se os livros de Jean Baptiste Roustaing tivessem ficado na França, possivelmente logo teriam desaparecido. Mas eles vieram parar no Brasil e, por meio de uma série de acontecimentos ligados ao nascimento do Movimento Espírita, tornaram-se o próprio espírito do sistema.
Tudo começou na gênese da Federação Espírita Brasileira - FEB. Quando os primeiros grupos espíritas estavam se formando, alguns deles já possuíam as obras de J. B. Roustaing. Numa sessão histórica, ocorrida em fevereiro de 1889 na Sociedade Espírita Fraternidade, no Rio de Janeiro, o médium Frederico Pereira da Silva recebeu uma mensagem que fora assinada pelo Espírito do próprio Codificador. Dentre outras incoerências ditadas pela entidade, o suposto Allan Kardec dizia que um Espírito chamado Ismael iria guiar o Movimento Espírita Brasileiro.
Iniciavam-se assim, as distorções no sistema espírita nascente. A metodologia kardequiana e as instruções de Allan Kardec para estruturarem o Movimento Espírita começavam a ser deixadas de lado. O comando do movimento seria passado a uma entidade e, no lado material, sua direção estaria entregue a uma só casa espírita, que assumiu o papel de Comitê Central, sem no entanto guiar-se pelas suas regras. Nascia o embrião da FEB, chamada depois de Casa Máter do Espiritismo e eleita por seus seguidores como a representante do Cristo na Terra.
Ninguém percebeu, mas o espírito do sistema espírita assemelhava-se ao Catolicismo que, também a seu modo, dizia representar Deus na Terra. Neste tempo, havia desentendimentos entre os grupos espíritas sobre as práticas e os delineamentos em torno do futuro. Alguns centros, denominados "científicos", preferiam um Espiritismo mais objetivo e prático. O grupo sob a influência de Ismael, no entanto, não pensava assim. Como era místico, preferia uma conduta mais voltada à religiosidade. Logo tratou de convencer uma importante figura da época a passar para suas fileiras. Tratava-se de Bezerra de Menezes. Com a ajuda dele, a FEB conseguiu dominar a maioria das sociedades espíritas.Bezerra era um homem ponderado e político. Por ter saído recentemente das fileiras católicas, adaptou-se rapidamente ao misticismo de Ismael. Os principais centros espíritas da época estudavam as teorias kardequianas, mas os místicos tinham uma especial atenção com os Evangelhos de Roustaing, porque os consideravam um "curso superior" de Espiritismo. Allan Kardec passou então a ser interpretado à luz do pensamento roustainguista.
A comunicação de Allan Kardec, dada através do médium Frederico, era apócrifa. Porém, por falta de espírito crítico, todos a aceitaram, pensando tratar-se mesmo de uma mensagem do Codificador. Na verdade, manifestava-se o espírito Ismael, ligado ao círculo de idéias de J. B. Roustaing. O Espírito preparava o terreno para estabelecer um campo de atuação imenso, a conhecida "Seara de Ismael". Encontrando nos brasileiros profundas raízes católicas, não teve dificuldades para criar uma espécie de "catolicismo espírita".
Quando se examina "Os Quatro Evangelhos", de J. B. Roustaing, começa-se a entender mais facilmente as raízes dos problemas existentes no Movimento Espírita, e os motivos pelos quais os centros costumam assemelhar-se a pequenas igrejas. Os Espíritos que ditaram as obras de Roustaing eram uma falange de entidades ligadas à Igreja Católica medieval.
Nos Quatro Evangelhos, Maria é virgem. Para mantê-la como na Igreja, os Espíritos roustainguistas criaram um Jesus de corpo fluídico, que não teria tido encarnação. Assim, a sexualidade de Maria não macularia o Senhor. O Jesus divinizado da Igreja transformou-se no Jesus sem pecados de Roustaing que, segundo seus livros, jamais encarnou e teve evolução em linha reta, diferente dos outros irmãos seus. Como a carne na Igreja é símbolo do pecado, os Quatro Evangelhos também a abominaram, como sendo algo sujo e colocaram a encarnação como fruto do castigo.
Através da Federação Espírita Brasileira - FEB, Ismael aproximou-se de Francisco Cândido Xavier, o famoso médium de Uberaba, MG, e ditou-lhe uma obra que seria o corolário do "Trono de Deus" na Terra: "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho". Embora com o nome do respeitável Humberto de Campos (Irmão X) para impor-se com mais facilidade, as idéias exaradas são as mesmas. Qualquer observador que lê "Lázaro Redivivo" e "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho" nota que eles foram escritos por dois Espíritos de características diferentes, principalmente quanto ao caráter. O suposto "Irmão X", do "Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", faz pura apologia à FEB, e cria a lenda de Ismael, para deleite de seus seguidores. Foi assim que nasceu o livro que faria os espíritas acreditarem que o Brasil estava destinado a governar o mundo. Por trás dessa obra estava a FEB; atrás dela, o Grupo Ismael e, no invisível, o "anjo" com sua falange.
Em alguns períodos distintos, o "anjo" Ismael exerceu uma influência estranha no trabalho mediúnico de Chico Xavier. As pessoas que o assessoravam não perceberam a presença dessa entidade e deixaram passar nos livros psicografados pelo médium alguns conceitos eminentemente roustainguistas e mesmo certas contradições doutrinárias patentes. O Espírito não se importou de assinar algumas comunicações com os nomes do eminente Emmanuel e mesmo do pródigo André Luiz.
No livro "O Consolador", o Espírito comete um erro primário: diz que não recomenda a ninguém que se faça evocações (como na Igreja) e que seria mais seguro esperar que as manifestações ocorressem espontaneamente. Mal sabia que o Codificador havia dito justamente o contrário, que as comunicações espontâneas é que são as mais perigosas. E não pára aí. Assume uma posição favorável à existência das almas gêmeas, contrariando a teoria básica de "O Livro dos Espíritos". O erro é grosseiro e a FEB trata de corrigi-lo rapidamente. A entidade confunde a localização da sede da memória, dizendo que ela se encontra no perispírito, parafraseando o erro histórico de Gabriel Dellane, contrariando ambos os ensinamentos dos Espíritos superiores.
A força dos livros psicografados, corroborada pela exemplar idoneidade de Francisco Cândido Xavier, tornou-se poderosa alavanca para a expansão das idéias ismaelinas. Formou-se o sistema espírita que conhecemos, com características eminentemente católicas. Hoje, o espírito de Roustaing continua mais presente do que nunca. Pode-se encontrá-lo na mentalidade de algumas federações, nas atitudes passivas dos espíritas, na falta de gosto pelo estudo, no pouco conhecimento doutrinário, nas palavras vazias de oradores pomposos, na política unificacionista (uma versão moderna do "Fora da Igreja não há salvação") e na imprensa espírita com suas gloríolas e ídolos. Os que afirmam não compreender a causa de tantas preocupações com a teoria roustainguista, não percebem que estão mergulhados nela, dirigidos por um sistema espírita entranhado por inércia, comodismo, fantasias e estagnação, emperrando o crescimento espiritual das criaturas.
O sistema de pensamento e investigação desenvolvido por Allan Kardec é o grande ausente no Movimento Espírita. No final de sua vida, o Codificador estava só. Alguns detratores seus, que se diziam espíritas, afirmavam que ele queria apoderar-se da verdade e se fazer dono do Espiritismo. Jean Baptiste Roustaing e seus seguidores estavam entre eles.
Pouco antes de desencarnar, o Codificador começou a preparar instruções para salvaguardar o movimento nascente de falsas interpretações. Não chegou a terminar seu trabalho. Quando se lê seus últimos apontamentos, nota-se, com tristeza, que suas preciosas instruções sobre a condução do Movimento Espírita jamais foram seguidas por seus adeptos. Bom número deles sequer conhece suas obras, instrui-se em livros subsidiários nem sempre idôneos e, frequentemente, é vítima de Espíritos enganadores.
Mudar essa mentalidade vigente, conduzindo parte desses seguidores de Allan Kardec ao encontro das instruções do Codificador do Espiritismo, é tarefa urgente. Espera-se que os espíritas sérios reunam forças em torno desse ideal. Hoje, diversos grupos no país que buscam restabelecer essa base doutrinária.
Na cidade de São José do Rio Preto, Sp, existe o Movimento de Reformas. Sua proposta é a de estimular os centros espíritas a se ajustarem conforme as orientações da Codificação, fazendo com que se instale neles o gosto pelo estudo, pelo raciocínio, pela investigação mediúnica e pelo trabalho metódico.
Nota: Os que não concordam com estes escritos certamente nos julgarão entregues às trevas e a serviço do mal. De nossa parte, continuaremos exercendo nosso direito de livre exame, analisando fatos, tirando conclusões, como discípulos da escola kardequiana que somos.
AUTOR: Josué de Freitas
Fonte: http://oblogdosespiritas.blogspot.com/
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Cosmos Episódio 12: Enciclopédia Galáctica
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Cosmos Episódio 12: Enciclopédia Galáctica
Carl Sagan examina os relatos persistentes de visitantes extraterrestres à Terra e argumenta que não se encontram, entre todas as histórias de UFOs, Não há alguma prova física convincente. Numa recriação da decifração da pedra da Rosetta, ele conduz-nos ao Egito, onde Jean François Champollion foi pioneiro na decodificação das mensagens hieroglíficas deixadas por uma antiga civilização.
A "Pedra da Rosetta" da comunicação interestelar, argumenta ele, é a própria ciência. O maior radiotelescópio do mundo está permanentemente capaz de receber mensagens radio enviadas por civilizações estranhas de qualquer ponto da Via Láctea.
Na nave espacial da imaginação do Dr. Sagan, este permite-nos uma rápida viagem através de um "Enciclopédia Galáctica", até ao banco de dados de um mínimo de planetas de outras estrelas.
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