A degeneração do Espiritismo
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*Por Dalmo Duque dos Santos*
Comparando a história do Espiritismo com a do Cristianismo Primitivo,
podemos tirar algumas conclusões importantes para...
Marxismo e Espiritismo
05:21
Espiritismo e Comunismo são Inconciliáveis.
Os princípios básicos do Marxismo tiveram sua razão de ser em uma época em que não se tinha regulamentação trabalhista de respeito social para o trabalhador.
Após a revolução industrial que veio substituir o domínio absoluto da economia primária, isto é, do cultivo da terra, a urbanização da sociedade tomou rumos crescentes, impondo novas relações entre a força do trabalho e do capital.
Na verdade, depois de Marx a sociedade se viu obrigada a olhar o trabalho sob uma nova ótica.
Entretanto os pensamentos esquerdistas, comunistas ou marxistas não são conciliáveis com a doutrina espírita basta para isso consultar o que revela as obras básicas como por exemplo;
132. Qual é a finalidade da encarnação dos Espíritos?
— Deus a impõe com o fim de levá-los à perfeição: (...)Mas, para chegar a essa perfeição, eles devem sofrer todas as vicissitudes da existência corpórea; (...)outra finalidade, que é a de pôr o Espírito em condições de enfrentar a sua parte na obra da Criação. (...) E dessa maneira, concorrendo para a obra geral, também progredir.
Comentário de Kardec: A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do Universo. Mas Deus, na sua sabedoria, quis que eles tivessem, nessa mesma ação, um meio de progredir e de se aproximarem dele. É assim que, por uma lei admirável de sua providência, tudo se encadeia tudo é solidário na Natureza.
Os socialistas pregam que não existe propriedade privada e que a desigualdade social só pode ser regulada através de uma distribuição de renda.
Encontramos outro conflito com o a doutrina espírita neste ponto.
Para o Espiritismo, além da igualdade natural, a sociedade deve procurar uma forma de relacionamento entre todos, mantendo a igualdade de direitos e deveres, considerando, contudo, as diferenças pessoais e sociais.
Deus não concedeu, portanto, superioridade natural a nenhum homem, nem pelo nascimento, nem pela morte: todos são iguais diante d’Ele. (803).
Nem criou, portanto, a desigualdade das faculdades, mas permitiu que os diferentes graus de desenvolvimento se mantivessem em contato a fim de que os mais adiantados pudessem ajudar os mais atrasados a progredir. (Idem... 805)
Sobre a igualdade, os pontos básicos do pensamento espírita podem ser resumidos nos seguintes:
A desigualdade das condições sociais não é uma lei natural, mas obra dos homens (L.E Lei da igualdade... 803)
Vale considerar uma questão, é obvio que temos pessoas sem escrúpulos que se aproveitam da ignorância e fragilidade alheia para usurpar força de trabalho, mas não podemos esquecer que aqui também entra o livre arbítrio do vagabundo, daquele que se vitimiza e quer ser carregado nas costas.
A historia esta repleta de pessoas que nasceram em condições adversas e que através de seu esforço saíram de uma situação medíocre para uma situação de sucesso. Pele, Machado de Assis que saiu do Morro do Livramento, Rio de Janeiro, de uma família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade.

Walter Williams professor universitário que também saiu de uma comunidade carente e tantos outros que teremos que pular.
2. Essa desigualdade desaparecerá juntamente com a predominância do orgulho e do egoísmo, restando apenas à desigualdade do mérito (idem, 806 a)
3. A desigualdade das riquezas pode ter origem na desigualdade das faculdades, que dão a uns mais meios de adquirir do que a outros, mas também da astúcia e do roubo. (idem 804).
4. A igualdade absoluta das riquezas, não é possível. A diversidade das faculdades e dos caracteres se opõe a isso.
5. Os homens que crêem estar nisso o remédio para os males sociais, são sistemáticos ou ambiciosos e invejosos. Não compreendem que a igualdade seria logo rompida pela própria força das circunstâncias. Combatei o egoísmo, pois essa é a vossa chaga social e não correi atrás de quimeras. Embora o comentário abaixo não possa ser tomado como uma política social, ele serve para compreender a visão básica da Doutrina sobre a sociedade. Se levar em conta unicamente a vida planetária, ele (o homem) vê apenas as desigualdades sociais do momento, que são as que o impressionam; se, porém, deitar os olhos sobre o conjunto da vida do Espírito, sobre o passado e o futuro, desde o ponto de partida até o de chegada, aquelas desigualdades somem e ele reconhece que Deus nenhuma vantagem concedeu a qualquer de seus filhos... Que o que se apresenta menos adiantado do que ele na Terra pode tomar-lhe a dianteira se trabalhar mais do que ele por aperfeiçoar-se; reconhecerá, finalmente, que, nenhum chegando ao termo senão por seus esforços, o princípio da igualdade é um princípio de justiça e uma lei da Natureza, perante o qual cai o orgulho do privilégio. (Obras Póstumas - Egoísmo e Orgulho).
E temos que lembrar também que o trabalho é lei da natureza, portanto uma necessidade que possibilita ao homem desenvolver sua inteligência e assim evoluir. E Kardec ainda defende que aquilo que o homem juntar através de um trabalho honesto é uma propriedade legitima, pois sendo fruto do trabalho é um direito natural.
Portanto a propriedade legítima é toda aquela que foi adquirida sem prejudicar terceiros.
Como filosofia moral, o Espiritismo é contra a ditadura, a coerção e a exploração do homem. Para ele, a lei do trabalho é natural, imprescindível e básica. Na sua visão de vida, a doutrina defende a dignidade do homem, pelo bem estar e se insurge contra a corrupção, legalizada ou não.
Todavia, seria irrisório supor que ela seja contra o neoliberalismo e a favor da estatização da economia, sendo sua máxima, o direito à liberdade de criar, propor, exprimir idéias e sentimentos.
Na infância da Humanidade, o homem só aplica a sua inteligência na procura de alimentos, dos meios de se preservar das intempéries e de se defender dos inimigos. Mas Deus lhe deu, a mais do que ao animal, o desejo constante de melhorar, ou seja, essa aspiração do melhor, que o impele à pesquisa dos meios de melhorar a sua situação, levando-o às descobertas, às invenções, ao aperfeiçoamento da ciência, pois é a ciência que lhe proporciona o que lhe falta.
Agora o que certamente contraria a ditadura do proletariado de Max, se encontra em Obras Póstumas, onde Kardec apresenta a teoria da aristocracia intelecto-moral, a exemplo de Platão, na República, o governo dos mais sábios e moralizados.
Mas vamos primeiro conhecer alguma idéias do Sr. Walter Williams professor universitário que desde 1980, leciona economia na Universidade George Manson, na Virgínia.
Sobre o salário mínimo diz ele: O salário mínimo, que as pessoas consideram uma conquista para os mais desprotegidos, é uma tragédia para os pobres. Deve-se ao salário mínimo o fim de empregos úteis para os pobres. A obrigação de pagar um salário mínimo ao frentista no posto de gasolina levou à automação e ao self-service. O lanterninha do cinema deixou de existir não porque adoramos tropeçar no escuro do cinema. É por causa do salário mínimo.
Na África do Sul do apartheid, os grandes defensores do salário mínimo eram os sindicatos racistas de brancos, que não aceitavam filiação de negros. Eles não escondiam que o salário mínimo era o melhor instrumento para evitar a contratação de negros, que, sendo menos qualificados, estavam dispostos a trabalhar por menos. O salário mínimo criava uma reserva de mercado para brancos.
Sobre a política de cotas: Thomas Sowell, colega economista, tem um estudo excelente sobre o assunto. Mostra como os negros se prejudicam com a política de cotas raciais criada pela disputada escola de engenharia do Instituto de Tecnologia de Massa-chusetts (MIT), uma das mais prestigiosas instituições acadêmicas dos Estados Unidos. Os negros recrutados pelo MIT estão entre os 5% melhores do país em matemática, mas mesmo assim precisam fazer cursos extras por alguns anos. Isso acontece porque os brancos do MIT estão no topo em matemática, o 1% dos melhores do país. Os negros, mesmo sendo muito bons, estão abaixo do nível de excelência do MIT. Mas eles podiam muito bem estudar em outras instituições respeitáveis, onde estariam na lista dos candidatos a reitor e sem necessidade de cursos especiais. Por causa de ações afirmativas, muitos negros estão hoje em posição acima de seu potencial acadêmico. Se você está aprendendo a lutar boxe e sua primeira luta é contra o Mike Tyson, você está liquidado. Você pode ter excelente potencial para ser boxeador, mas não dá para começar contra Tyson. As ações afirmativas, nesse sentido, são cruéis. Reforçam os piores estereótipos raciais e mentais.
Sobre as cotas no Brasil: A melhor coisa que os brasileiros poderiam fazer é garantir educação de qualidade. Cotas raciais no Brasil, um país mais miscigenado que os Estados Unidos, são um despropósito. Além disso, forçam uma identificação racial que não faz parte da cultura brasileira. Forçar classificações raciais é um mau caminho.
Sobre o meio mais eficaz para promover a igualdade racial: Primeiro, não existe igualdade racial absoluta, nem ela é desejável. Há diferenças entre negros e brancos, homens e mulheres, e isso não é um problema. Somos iguais perante a lei, mas diferentes na vida. A melhor forma de permitir que cada um de nós — negro ou branco, homem ou mulher, brasileiro ou japonês — atinja seu potencial é o livre mercado. O livre mercado é o grande inimigo da discriminação. Mas, para ter um livre mercado que mereça esse nome, é recomendável eliminar toda lei que discrimina ou proíbe discriminar.
Portanto fica claro aqui que a tentativa do estado em promover a igualdade com os princípios marxistas e esquerdistas traz mais malefícios que benefícios.
O que realmente deve ser atacado são o orgulho e o egoísmo o que a Doutrina espírita faz com coerência e evidências documentadas por diversos cientistas.
Agora vejamos o que teoriza Kardec em Obras póstumas sobre as aristocracias.
Aristocracia vem do grego aristos, o melhor, e Kratus, poder: a aristocracia, em sua acepção literária, significa, pois: Poder dos melhores.(...)
Em nenhum tempo, nem em nenhum povo, os homens em sociedade puderam abster-se de chefes; são encontrados entre os povos mais selvagens. (...)
Sabe-se que, nas sociedades primitivas, essa autoridade foi deferida aos chefes de família, aos anciãos, aos velhos, em uma palavra, aos patriarcas; essa foi a primera de todas as aristocracias.(...)
A autoridade da força bruta, que foi a segunda aristocracia(...)
Então, se levantou um novo poder, o do dinheiro, porque com dinheiro se dispõe de homens e de coisas.(..)
É, pois, com justiça que podemos considerar o Espiritismo como um dos mais poderosos precursores da aristocracia do futuro, quer dizer, da aristocracia intelecto-moral.
Portanto fica claro que a doutrina espírita não coaduna com os princípios comunistas marxistas, pois estes são refratários da meritocracia e a liberdade.
Algumas pessoas criticam o capitalismo e o livre mercado dizendo que quando existem crises é o estado que no final salva as empresas, o que não deixa de ser uma falácia do espantalho.
"Falácia do Espantalho". Trata-se de construir uma versão distorcida da idéia que se quer atacar, torná-la mais frágil, e então refutá-la e ridicularizá-la, dando a impressão que se "destruiu" as idéias do adversário, quando na verdade, se atacou apenas uma versão deturpada, "espantalho", dela.
Vamos primeiro questionar, o que o governo produz? Celulares? Televisão? Comida ou Roupas? A resposta é um sonoro NÃO PRODUZ NADA.
Mas como ele salva as instituições como bancos, aeroportos ou outras grandes empresas?
A resposta é com dinheiro de impostos, e este dinheiro foi gerado por quem? Não foi gerado pela sociedade trabalhadora, então como é que o governo salva alguém com o dinheiro alheio e quer sair bem na foto, sendo que ele não esta fazendo mais nada do que devolver para o mercado aquilo que o próprio mercado gerou?
O que sempre ficou claro é que os governos esquerdistas desenvolveram a técnica para balançar a arvore do capitalismo e apanhar os frutos no chão, o que falta para eles é aprender a plantá-las e principalmente respeitar que as plantas.
Não colocando o problema das desigualdades sociais nas costas do mercado, pois é preciso entender de uma vez por todas que nós temos digitais e o que quer dizer esta simples marcas em nossos dedos?
Que somo indivíduos diferentes e únicos, portanto uma pessoa pode achar mais importante ganhar dinheiro, e outra estudar. O resultado é que elas certamente serão desiguais no estilo de vida e, naturalmente, na quantidade de bens que irão amealhar.
Agora para o espírita que sabe que temos um histórico anterior e seguiremos na vida após o desencarne, adotar os pensamentos comunistas marxistas e de uma incoerência gigantesca, a partir do momento que ele sabe que nossas escolhas são feitas baseadas no nosso passado.
Acredito que ficou claro que Deus se guia pela meritocracia।
“Deus retribuirá a cada um segundo suas obras” (Rom। 2, 6)
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Chico Xavier & Allan Kardec O DEBATE
04:49
Chico Xavier & Allan Kardec O DEBATE
Um livrinho de pouco mais de 100 páginas onde o filosofo deísta Francisco amado debruça o pensamento sobre a metodologia de Kardec para reajustar a doutrina na realidade.
O espiritismo teve uma influencia muito significativa do iluminismo basta ver que todas as leis morais apresentadas no O Livro dos Espíritos já tinham sido estudadas, utilizadas e defendidas pelo iluminismo.
Rousseau, Mostesquiu, Descartes, Voltaire, Kant e muitos outros e que eram Deístas, assunto que vamos abordar em uma futura edição. Pois, nesta a intenção foi abordar assuntos mais urgentes e que precisão ser debatidos pela mocidade espírita atual.
O livro está dividido em seis capítulos ;
1º Kardec visita as sociedades espíritas atuais e aplica sua visão nas praticas adotas.
2º Aqui apresento o quebra cabeça que mostra a origem do caráter católico da doutrina e revela as teses roustainguistas.
3º Chico & Kardec confrontam opiniões sobre tirar Jesus da doutrina (Foi usada uma suposta entrevista que Chico deu a uma revista para montar esta parte)
4º Apresento o C.U.E.E e Kardec já aproveita para conferir a documentação irregular do Aeróbus.
5º Kardec revela os motivos do espiritismo não ser uma religião.
6º Kardec conta para todos quais são as obras básicas e como criar uma biblioteca espírita.
O diferencial é que entre os capítulos o leitor vai encontrar uma critica que faço a uma questão do livro dos espíritos e que serve para responder aos outros erros da gênese, mais a entrevista com Swedenborg.
Continua com a indicação de alguns sites com conteúdo realmente espírita, um tópico da revista espírita de 1868, e algumas curiosidades entre traduções do livro dos espíritos e finalmente o manual da prática espírita.
Mas é importante que o leitor saiba, que este livro não é apenas o resultado de oito anos de pesquisas, é também a experiência de alguém que aos 13 anos freqüentava a escolhinha de evangelização, que tinha como livro de cabeceira o evangelho no lar ( espírito meimei) que na idade de contestação freqüentou a umbanda e quimbanda, que já trabalho com Destranca rua e participou de festa de exu em cemitério regada a muita bofetada soco e voadora, que sujou muitos as esquinas e desrespeitou a natureza jogando todo tipo de bugiganga ao mar em oferendas.Quem trabalhou por cinco anos dirigindo cabines de desobsessão na sociedade Francisco Candido Xavier, que vez exposição por mais de três anos na fraternidade cristã espírita de Porto Alegre. Que não se intitulo espírita fundamentalista ou ortodoxo apenas espírita, mas que por tudo isso compreende muito claramente que;
“O ortodoxo sabe avaliar o místico, porque já foi um místico; mas o místico não pode avaliar o ortodoxo, porque nunca foi ortodoxo”.
Em breve estaremos divulgando onde encontrar o seu exemplar.
Se quiser se adiantar deixe seu contato nos comentários ou visite a página.
http://ensinoespirita.blogspot.com
Tomei o livrinho da mão do anjo, e o comi. Na minha boca era doce como mel, mas tendo-o comido, o meu ventre ficou amargo. ( Apocalipse 10.8-11)
Francisco Amado.
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Livro dos espiritos
14:42
Livro dos espiritos
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Cesar Lombroso CIENTISTA ESPIRITA
03:07
Cesar Lombroso CIENTISTA ESPIRITA
(1836 - 1909)
Lombroso foi um dos maiores médicos criminalistas do século passado. Nasceu em Verona no dia 18 de novembro. Graduou-se em Medicina em Pavia, em 1858, onde recebeu grande influência do anatomista Panizza. Um ano depois de graduar-se em medicina obtém o diploma de cirurgia em Gênova. Aprimorou seus conhecimentos em Viena com o clínico Skoda, e em Pádua com o médico Paolo Marzolo, cuja formação positivista haveria de exercer uma profunda influência sobre ele.
Aos vinte anos, com "A Loucura de Cardano", Lombroso já delineia os assuntos que vão torná-lo famoso: o contraste entre o gênio do homem e as teorias sobre a natureza degenerativa. Como oficial-médico escreve, em 1859, "Memória sobre as Feridas e as Amputações por Armas de Fogo", ainda hoje considerado um dos trabalhos mais originais da literatura médica italiana. A seguir é atraído, na Calábria, pelos problemas antropológicos e étnicos da região.
Em 1862, em Pavia, inicia um curso de psiquiatria e no ano seguinte transforma-o em curso de "clínica das doenças mentais e de antropologia". Suas freqüentes visitas ao hospital de doentes mentais, onde assiste gratuitamente pacientes, permitem-lhe aprofundar o estudo das relações entre gênio e neurose. "As idéias dos maiores pensadores arrebentam de improviso, desenrolam-se involuntariamente como os atos compulsivos dos maníacos", escreveu. No Congresso Internacional de Antropologia realizado em Milão, várias críticas foram levantadas contra a posição de Lombroso, mas foi reconhecido o seu pionerismo na terapia com os doentes mentais: abrandamento racional do tratamento (até então intolerante), introdução de trabalho manual, conversações com gente de fora, diversões coletivas, diários escritos e impressos pelos próprios pacientes. Era um método novo, hoje empregado pela psicoterapia.
Em 1864, Lombroso ficou internacionalmente conhecido graças ao seu comentadíssimo livro "Gênio e Loucura", traduzido em vários idiomas e que exerce influência até hoje. Em 1867, escreve "Ações dos Astros e dos Cometas sobre a Mente Humana" e no ano seguinte "Relações entre a Idade, as Posições da Lua e os Acessos das Alienações Mentais", trabalhos recebidos com muitas reservas pelos demais cientistas do ramo. Psiquiatra e diretor do manicômio de Pádua nos anos de 1871 a 1876, Lombroso coleta dados suficientes para suas teorias. Do exame de centenas de doentes mentais e criminosos, ele chega à conclusão de que o criminoso é formado por alguma tendência básica inerente ao seu destino, e que as "sementes de uma natureza criminal" podem ser muitas vezes identificadas na criança. Acreditava, ainda, que o meio social, aliado às influências astrais, preparasse para a ação criminosa indivíduos cuja natureza fosse anti-social. Em 1876, ele vence o concurso para a cátedra de Higiene e Medicina Legal da Universidade de Turim e neste mesmo ano publica "O Homem Delinqüente", obra muito discutida na época.
Em 1882, em seu opúsculo "Estudo sobre o Hipnotismo", ele ridicularizava as manifestações espíritas mas, convidado pelo prof. Morselli a estudar melhor o assunto, participou de sessões com a médium Eusápia Palladino, convencendo-se da veracidade incontestável dos fatos. As pesquisas que fez com essa médium encontram-se no livro da sua autoria "Hipnotismo e Mediunidade".
As obras de Cesar Lombroso trouxeram-lhe fama, acenderam polêmicas e influenciaram muitos legisladores e escritores. Quando vai a Moscou, é em 1897, como participante do Congresso Psiquiátrico, conhece Tolstói, que sabia muito bem das suas idéias acerca do gênio e da loucura. Escritores como Emile Zola e Anatole France também sofreram sua influência. Entre os médicos, merece destaque Kraepelin, um dos maiores classificadores de doenças mentais, que sob a influência de Lombroso escreve acerca da abolição das penas. Legisladores de muitos países, inspirados em suas obras, propõem reformas das leis penais.
Lombroso, sempre fiel ao método experimental, legou aos espíritas um excelente acervo de esclarecimentos sobre a mediunidade e o vasto campo fenomenológico. Homem profundamente honesto defendeu a veracidade do Espiritismo até a sua morte, noticiada com destaque em todo mundo, no dia 19 de outubro de 1909.
Era o final da missão, que no seu caso, iniciada pelo avesso, da posição de ridículo para a de defensor sincero, haveria de fortalecer o movimento espírita pela sua própria inclusão em meio a seus pesquisadores e defensores.
Deus tem muitos caminhos para os homens. Para Lombroso, o caminho foi refazer o próprio caminho, ou seja, sedimentar aquilo que ele, por desconhecimento da realidade agredira, ao formular conceitos equivocados sobre o Espiritismo, retratando-se intimamente e publicamente a posteriori através do imenso trabalho que realizou.
O Livro dos Espíritos edição francesa
06:14
Le livre-des-esprits
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Os acréscimos e modificações na 13a edição francesa do Livro dos Espíritos
Silvio Seno Chibeni
Em 1865, saiu a 13a edição francesa de Le Livre des Esprits. Segundo registra a “Nota explicativa” da reprodução da 2a edição publicada pela FEB em 1998 (ver resenha em Mundo Espírita, fevereiro de 2002, p. 5), Kardec introduziu no texto diversos “acréscimos e modificações”. Ao contrário do que aconteceu com a Errata da 5a edição (ver Mundo Espírita, ... de 2002, p....), essas alterações se incorporaram definitivamente à obra. Estão presentes nas edições correntes em francês, português, inglês e esperanto que pudemos consultar, o que evidencia que elas se basearam em alguma edição posterior à 12a. (Aliás, quase nenhuma tradução de textos espíritas indica precisamente o original utilizado – um indício, dentre muitos outros, da falta de rigor editorial.)
O objetivo deste artigo é traduzir e comentar o trecho da “Note explicative” referente aos acréscimos e modificações. Na Nota, esse trecho forma um único parágrafo; as alterações são numeradas por letras. Para clareza de exposição, apresentaremos os itens em parágrafos separados, mantendo porém a numeração original. Como as referências são feitas pelas páginas e linhas da edição francesa, forneceremos entre colchetes e em itálicos informações que facilitem a localização em outras edições.
A) página 20: modificação da redação das linhas 5, 6 e 7 [período final do comentário de Kardec à questão 51];
B) página 59: indicação do Livro dos Médiuns na nota que segue a resposta à questão 137;
C) página 60: indicação do parágrafo II na nota de rodapé [no final do comentário de Kardec à questão 139];
D) página 107: modificação da redação e acréscimos a partir da linha 4 [item 222, sexto parágrafo do fim para o começo (essa contagem varia de tradução para tradução), a partir da expressão “Outro, no entanto, ela apresenta ...” (na tradução de Guillon Ribeiro, FEB)];
E) página 252: supressão, conforme a “Errata” mencionada acima [final da resposta à questão 586];
F) páginas 263/264: acréscimo no comentário de Allan Kardec a partir do 2o parágrafo (O ponto inicial ...) [questão 613; note-se que na tradução de Guillon Ribeiro este ficou sendo o 3o parágrafo do comentário de Kardec];
G) página 377: modificação do 1o sub-título, de “Questões morais diversas” para “As virtudes e os vícios” [título da primeira seção do último capítulo da 3a parte];
H) página 384: correção na redação da resposta à questão 911, de “eles” para “elas” [note-se que na elegante e correta tradução de Guillon o pronome ficou elíptico; refere-se às formas verbais “Querem” e “ficam”].
Conforme fizemos notar em nossa resenha da edição histórica de Le Livre des Esprits publicada pela FEB, o admirável esforço empreendido pela Union Spirite Française et Francophone, que se responsabilizou pelas pesquisas bibliográficas nas edições guardadas na Biblioteca Nacional da França, ficou parcialmente comprometido, no que tange ao tópico que estamos analisando no presente artigo, pela falta de precisão em alguns dos itens dessa lista de “acréscimos e modificações”. Examinemos a lista:
Itens B, G e H: estão inteiramente claros.
Item E: dada a reprodução da Errata no final da edição, a alteração feita aqui também pode ser determinada com precisão (ver artigo em Mundo Espírita, ... de 2002, p. ...).
Item C: há aqui uma pequena ambigüidade: Kardec terá acrescentado a nota de rodapé inteira ou apenas, em seu final, o símbolo “§ II” ?
Item F: também aqui há alguma margem para dúvida: o “acréscimo” refere-se a todo o texto do comentário, a partir do ponto indicado, ou houve um acréscimo dentro dele? (A frase francesa “ajout dans le commentaire d’Allan Kardec à partir...” não deixa isso totalmente claro.)
Item A: aqui a falta de informação é grave: o que precisamente foi modificado?
Item D: novamente, ficamos sem saber o que foi modificado e acrescentado no texto de quase uma página, a partir do ponto indicado.
Evidentemente, quem realizou as pesquisas nas edições francesas tinha todas as informações necessárias para sanar as ambigüidades e pontos obscuros que apontamos. É lamentável que elas não tenham sido fornecidas na Nota explicativa aposta no início da edição da FEB. Mas a falha poderá ser facilmente reparada em futura reedição.
Como também já sugerimos na resenha, o rigor editorial recomendaria que todas as alterações feitas na 13a edição (ou em qualquer outra) não fossem incorporadas ao texto histórico que a FEB, o CEI, a USFF e o IDE em boa hora deram a público. Este deveria ser a reprodução exata do texto da 2a edição francesa, tal qual saiu em Paris em 1860, e de que a FEB guarda precioso exemplar. Todas as alterações ulteriores feitas por Kardec deveriam estar registradas, de forma precisa e completa, em notas ou apêndices preparados pelos editores. Aguardamos, pois, que num futuro breve isso seja feito, em benefício das pesquisas espíritas, e no sentido da implantação no meio espírita de uma tradição de tratamento cuidadoso de textos como a que existe na área acadêmica.
(Texto publicado em Mundo Espírita, novembro/2002, p. 5.)
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