A degeneração do Espiritismo
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*Por Dalmo Duque dos Santos*
Comparando a história do Espiritismo com a do Cristianismo Primitivo,
podemos tirar algumas conclusões importantes para...
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As Religiões estão morrendo. Este é um dos fatos marcantes do nosso tempo, mais precisamente do Século XX. O poder das Religiões não é mais religioso, mas simplesmente econômico, político e social. As igrejas já se esvaziam, os seminários se fecham, a vocação sacerdotal desaparece, o clero de todas elas recorre no mundo inteiro aos mais variados expedientes para manter seus rebanhos, fazendo-lhes concessões perigosas.
A Agonia das Religiões é um fenômeno cíclico na História da Civilização. As religiões são seres sociais que nascem, crescem e morrem. São corporificações dos anseios de transcendência inatos no homem.
Por qual motivo podemos afirmar que as religiões do nosso tempo estão agonizando? O que virá depois delas? Este livro responde a essas indagações através de penetrante estudo do desenvolvimento e decadência das religiões contemporâneas.
Reflexões e Máximas de Allan Kardec 2ºPARTE
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Reflexões e Máximas de Allan Kardec 2ºPARTE
As sociedades numerosas têm sua razão de ser do ponto de vista da propaganda, mas, para os estudos sérios, é preferível se fazer uso dos grupos íntimos.”
R. E. 1861, p. 347: “De resto, qualquer que seja a natureza da reunião, quer seja numerosa ou não, as condições que deve preencher para atender o objetivo são as mesmas; é nisso que é preciso conduzir todos os seus cuidados e, aqueles que o preencherem, serão fortes, porque terão necessariamente o apoio dos bons Espíritos. Estas condições são comentadas no Livro dos Médiuns nº 341.
Um capricho bastante freqüente com alguns novos adeptos, é o de crer se passarem a mestres após alguns meses de estudo. O Espiritismo é uma ciência imensa, como sabem, e cuja experiência não se pode adquirir senão com o tempo, nisso como em todas as coisas. Há nessa pretensão de não ter mais necessidade dos conselhos de outrem e de se crer acima de todos, uma prova de insuficiência, pois que fracassa em um dos preceitos primeiros da Doutrina: a modéstia e a humildade. Quando os maus Espíritos encontram semelhantes disposições em alguns indivíduos, eles não falham em os superexcitar, distrair e persuadir de que somente eles possuem a verdade. É um dos escolhos que se pode encontrar, e contra o qual creio dever prevenir, acrescentando que não é suficiente se dizer Espírita para se dizer Cristão: é preciso prová-lo pela prática.”
R. E. 1865 p. 376: “O Espiritismo, tendo por objetivo a melhoria dos homens, não vem em absoluto buscar os que são perfeitos, mas aqueles que se esforçam por se transformar colocando em prática os ensinos dos Espíritos. O verdadeiro Espírita não é aquele que chegou ao objetivo, mas é aquele que quer seriamente atingi-lo.
Quaisquer que sejam então seus antecedentes, ele será um bom espírita desde que reconheça suas imperfeições e que seja sincero e perseverante em seu desejo de se corrigir.
O Espiritismo é para ele uma verdadeira regeneração, porque rompe com seu passado; indulgente para com os outros como queria que o fossem para com ele, não sairá de sua boca nenhuma palavra malevolente nem injuriosa para as pessoas.
Aquele que em uma reunião se afastar da conveniência provará não somente uma falta de saber-viver e de urbanidade, mas uma falta de caridade; aquele que se melindra quando contrariado em suas opiniões e pretende impor sua pessoa ou suas idéias, fará prova de orgulho; ou, nem um nem o outro estará no caminho do verdadeiro Espiritismo, isto é, do Espiritismo Cristão.
Aquele que crê ter uma opinião mais justa que os outros a faria mais bem aceita pela doçura e pela persuasão; o azedume seria um grande erro de sua parte.
R. E. 1865, p. 92: “O Espiritismo não está apenas na crença na manifestação dos Espíritos. O erro daqueles que o condenam é de crer que ele não consiste senão na produção de fenômenos estranhos, e isso porque, não se dando ao trabalho de estudá-lo, dele não vêem senão a superfície. Esses fenômenos não são estranhos senão para aqueles que não lhes conhecem as causas, mas qualquer um que os aprofunde, neles não vê senão os efeitos de uma lei, de uma força da natureza que não se conhecia, e que, por isso mesmo, não são nem maravilhosos, nem sobrenaturais.
Esses fenômenos, provando a existência dos Espíritos, que não são outros senão as almas daqueles que viveram, provam, por conseqüência, a existência da alma, sua sobrevivência aos corpos, a vida futura com todas as suas conseqüências morais. A fé no porvir, encontrando-se apoiada sobre as provas materiais, se torna inabalável, e triunfa da incredulidade. Eis porque, quando o Espiritismo se tiver tornado a crença de todos, não haverá mais nem incrédulos, nem materialistas, nem ateus. Sua missão é de combater a incredulidade, a dúvida, a indiferença; não se dirige, pois, àqueles que têm uma fé, e a quem essa fé satisfaz, mas àqueles que não crêem em nada, ou que duvidam. Ele não diz à pessoa para abandonar a sua religião; respeita todas as crenças quando elas são sinceras. A liberdade de consciência é a seus olhos um direito sagrado; Se não a respeitasse, falharia em seu primeiro princípio que é a caridade. Neutro em todos os cultos, ele será o lugar que os reunirá sob um mesmo pavilhão, aquele da fraternidade universal; um dia todos se estenderão as mãos, em lugar de se lançarem anátemas.
Os fenômenos, longe de serem a parte essencial do Espiritismo, não são senão o acessório, um meio suscitado por Deus para vencer a incredulidade que invade a sociedade: essa parte está, sobretudo na aplicação de seus princípios morais. É aí que se reconhecem os espíritas sinceros. Os exemplos de reforma moral, provocados pelo Espiritismo, são já bastante numerosos para que se possa julgar os resultados que produzirá com o tempo. É preciso que sua potência moralizadora seja bem grande para triunfar dos hábitos inveterados pela idade, e da leviandade da juventude. O efeito moralizador do Espiritismo tem então por causa primeira o fenômeno das manifestações que têm trazido a fé; se esses fenômenos fossem uma ilusão, como o pretendem os incrédulos, seria preciso bendizer uma ilusão que dá ao homem a força de vencer seus maus pendores.”
R. E. 1864, p. 141: “A força do Espiritismo não reside na opinião de um homem nem de um Espírito; ela está na universalidade do ensinamento dado pelos últimos; o controle universal, como o sufrágio universal, decidirá no porvir as questões litigiosas; fundirá a unidade da Doutrina bem melhor do que um concílio de homens. Esse princípio, disso estamos certos, senhores, fará o seu caminho, como fez o: Fora da caridade não há salvação, porque está fundamentado sobre a mais rigorosa lógica e na abdicação da personalidade. Não poderá contrariar senão os adversários do Espiritismo, e aqueles que não têm fé senão em suas luzes pessoais.”
R. E. 1864, p. 235: “O Espiritismo é uma fé íntima; está no coração e não nos atos exteriores, não prescreve nada que seja de natureza a escandalizar aqueles que não compartilham dessa crença, recomendando disso se abster por espírito de caridade e de tolerância.”
R. E. 1864, p. 100: “Se a Doutrina Espírita fosse uma concepção puramente humana, ela não teria por garantia senão as luzes daquele que a houvesse concebido; ora, ninguém aqui neste mundo poderia ter a pretensão de possuir sozinho a verdade absoluta. Se os Espíritos que a revelaram tivessem se manifestado a um só homem, nada garantiria sua origem, porque se precisaria crer, sob palavra, naquele que dissera ter recebido seu ensinamento. Admitindo-se uma perfeita sinceridade de sua parte, ele poderia no máximo convencer as pessoas de seu círculo: poderia fazer sectários, mas jamais teria sucesso em reunir todo o mundo. Deus quis que a nova revelação chegasse aos homens por uma via mais rápida e mais autêntica; é por isso que encarregou os Espíritos de irem conduzi-la de um pólo ao outro, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de escutar sua palavra.”R. E. 1864, p. 101: “Sabe-se que os Espíritos, por causa da diferença que existe em suas capacidades, estão longe de estar individualmente de posse de toda a verdade; que não é dado a todos penetrar certos mistérios; que seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens, e mesmo menos que certos homens; que há entre eles, como entre os últimos, os presunçosos e os pseudo-sábios que crêem saber aquilo que não sabem; sistemáticos que tomam as suas idéias pela verdade... árbitros da verdade. Em semelhante caso, que fazem os homens que não têm, neles mesmos, uma confiança absoluta? Apegam-se à opinião de maior número, e a opinião da maioria é seu guia. Assim deve-se proceder em relação aos ensinos dos Espíritos que disso nos forneceram, eles mesmos, os meios.
A concordância dos ensinamentos dos Espíritos é então o melhor controle; mas é preciso que ela tenha lugar em certas condições. A menos certa de todas é quando um médium interroga, ele mesmo, a vários Espíritos sobre um ponto duvidoso; é bem evidente que se ele está sob o império de uma obsessão, e se estiver influenciado por um Espírito enganador, esse Espírito pode lhe dizer a mesma coisa sob nomes diferentes. Não há, não mais, uma garantia suficiente na conformidade que podemos obter pelos médiuns de um só centro, porque eles podem sofrer a mesma influência. A única garantia séria está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente pela mediação de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos países. Concebe-se que não se trata aqui das comunicações relativas a interesses secundários, mas daquelas que se relacionam aos princípios mesmos da Doutrina.
O primeiro controle é, sem contradita, aquele da razão, à qual é necessário submeter, sem exceção, tudo aquilo que venha dos Espíritos; toda teoria em contradição manifesta com o bom senso, com uma lógica rigorosa, e com os dados positivos que se possui, mesmo que seja assinada por nome respeitável, deve ser rejeitada. Mas esse controle é incompleto em muitos casos, devido à insuficiência de luzes de certas pessoas e da tendência de muitos para manter seu próprio julgamento como árbitro único da verdade. A única garantia séria está na concordância que existe entre as revelações feitas espontaneamente pela mediação de um grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em diversos países.
Tal é a base sobre a qual nós nos apoiamos quando formulamos um princípio da Doutrina; não é porque esteja de acordo com nossas idéias que o damos como verdadeiro; não nos colocamos de nenhuma maneira como árbitros superiores da verdade, e não dizemos a ninguém: Crê em tal coisa, porque o dizemos. Aos nossos olhos, nossa opinião não é mais que uma opinião pessoal, que pode ser certa ou falsa, porque não somos mais infalíveis que ninguém.
Não é mais porque um princípio nos é ensinado que é para nós a verdade, mas porque recebeu a sanção da concordância.”
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A eficácia dos passes e da água fluida.
02:16
A eficácia dos passes e da água fluida.
Escreve: Marcelo Henrique Pereira (*)
Feliz é o movimento de homens e idéias que “olha para o seu próprio umbigo” visando implementar as transformações necessárias, alavancando o progresso. Há, evidentemente, em muitos casos, um hiato suficientemente grande entre a teoria filosófica e a prática nas Instituições Espíritas. Estudo é confundido com leitura de obras básicas e discussão, as mais das vezes, significa discordância, e esta, com regularidade, é encarada como “ação das trevas, visando desestabilizar o ambiente”.
Nossa herança cultural tem, no Brasil, raízes católicas. Muitos dos simpatizantes, adeptos e freqüentadores do Espiritismo, como nós, foram educados nas hostes do Catolicismo. E, em paralelo, um bom número de mentores, guias e espíritos comunicantes, sérios e dedicados, foram, em suas últimas romagens terrenas, sacerdotes ou pregadores daquele movimento. Assim, generalizadamente, percebe-se que o movimento espírita é muito parecido com a estrutura do “cristianismo oficial” e, neste sentido, gostaríamos de tecer considerandos sobre duas modalidades da prática espírita de nosso tempo: o passe e a água fluida.
Sobre o primeiro, Kardec aduz no capítulo XIV, item 7, de O Livro dos Médiuns acerca da existência de uma categoria especial de médiuns, os curadores, que desempenham atividade medianímica com inegáveis resultados, utilizando-se dos “dons” de que são portadores. Veja-se, a propósito, o trecho: “Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo.” Quanto à segunda, da mesma obra, em seu capítulo VIII, tem-se: “O Espírito atuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outro Espírito. Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético que, como atrás dissemos, e a substância que mais se aproxima da matéria cósmica, ou elemento universal. Ora, desde que ele pode operar uma modificação nas propriedades da água, pode também produzir um fenômeno análogo com os fluidos do organismo, donde o efeito curativo da ação magnética, convenientemente dirigida.”
E, neste tópico, como a unir ambas as atividades energéticas, há a conclusão: “Tanto quanto do Espírito errante, a vontade é igualmente atributo do Espírito encarnado; daí o poder do magnetizador, poder que se sabe estar na razão direta da força de vontade. Podendo o Espírito encarnado atuar sobre a matéria elementar, pode do mesmo modo mudar-lhe as propriedades, dentro de certos limites. Assim se explica a faculdade de cura pelo contacto e pela imposição das mãos, faculdade que algumas pessoas possuem em grau mais ou menos elevado.”Assim, a teoria espírita sobre a fluidoterapia (direta em relação ao paciente ou sobre o meio material, a água), encontra anteparo na atividade mediúnica, com fins específicos para a promoção da saúde e do equilíbrio psíquico das pessoas. Em muitas partes do mundo, paralelamente, a ciência oficial vem promovendo estudos e investigações (independentemente do fenômeno espiritista – isto é aquele que se processa nos ambientes dos das Instituições Espíritas), com resultados expressivos e comprovando a ação energética sobre a matéria.
O que nos preocupa – e nos motivou a escrever este artigo – é o uso “indiscriminado” das terapias (do passe e da fluidificação da água) nos ambientes espíritas, tanto em relação a quem os ministra (médium), quanto nos beneficiários das atividades (os pacientes).
Em primeiro lugar, quem pode aplicar o passe “curativo” e fluidificar a água? Que tipo de “operadores” materiais temos? Que preparo e noção do complexo mecanismo de intervenção dos Espíritos Superiores sob nosso intermédio, têm tais pessoas? Até que ponto somos bons executores destas práticas, convertendo-nos em boas ferramentas no trabalho assistencial espírita?
Secundariamente, que noção têm os freqüentadores dos locais espíritas acerca do mecanismo, da eficácia, do envolvimento pessoal e da responsabilidade no recebimento do atendimento? Que tipo de esclarecimento cumulativamente é prescrito a cada reunião ou trabalho? É franqueado, nestes locais e momentos, oportunidade para o diálogo, a solução de dúvidas e o aprofundamento nas questões teóricas da Doutrina Espírita?
Quanto ao primevo assunto, dirão os mais apressados que “formamos médiuns” e que não se pode duvidar da “idoneidade moral” de quem está à frente deste ou daquele trabalho... No último, afirmarão que a Casa disponibiliza reuniões de palestras públicas e espaços de estudo para que os “interessados” saciem suas indagações com a intervenção de monitores ou expositores.
Será?
Temos visto que as pessoas acodem aos Centros Espíritas com necessidades e intenções bastante distintas, na particularidade. Entretanto, um grande contingente busca consolo e (alguma) orientação. No atendimento em geral ou nas reuniões públicas, não há informações precisas e permanentes sobre a “dinâmica” do trabalho espírita, à exceção de alguns cartazes exortando, por exemplo, ao silêncio e/ou à prece. No mais, alguém fala que “água fluidificada é bom” ou o passe “renova as energias”, ou promove um “descarrego” das vibrações e influências ruins, comuns ao dia-a-dia. Assim, temos uma enorme massa que vem e vai das reuniões espíritas, tomando passe e água fluida exatamente como os católicos tomam comunhão ou se benzem na pia com água benta. Fazem quase como obrigação e há, inclusive, os que dizem que se forem ao Centro e não tomarem o passe, não sairão de lá bem e harmonizados.
Não discutimos, aqui, a eficácia e o alcance do “pensamento positivo” ou da crença pessoal de quem quer que seja. Todavia, quando nos auto-definimos como doutrina da fé racional, é imperioso e imprescindível que se divulgue, repise e oriente que tais práticas não terão eficácia se:
1) o médium que atende, na imposição de mãos sobre o paciente e na fluidificação da água, não seja uma pessoa cônscia de suas responsabilidades na tarefa mediúnica;
2) hajam médiuns “curadores” (“de cura”), pois nem todos os médiuns o são, de modo que, em essência, o atendente até pode converter-se em meio de transporte dos eflúvios espirituais, mas não estará apto a realizar outra tarefa que não seja a de “transmitir energias” e estas, quase sempre, serão as que o próprio médium possui – daí a necessidade do preparo adequado para a tarefa; e,
3) o paciente ou o beneficiário não procure refletir sobre as causas de suas enfermidades e problemas, procurando colaborar consigo mesmo na busca do equilíbrio, serenidade e saúde físico-psíquica.
Quanto ao preparo dos ministrantes de passes ou fluidificadores de água (estes, inclusive, muito rarefeitos nas Instituições Espíritas, de vez que não se vê nenhum médio impondo mãos sobre os frascos com água), o problema ainda é mais preocupante. Muitos, é claro, freqüentam as sessões de “desenvolvimento” mediúnico (termo que, aliás, é totalmente equivocado, porque não se desenvolvem tais dons, mas educam-se), e, até (!) participam de cursos e encontros sobre mediunidade, promovidos pelas federativas ou pelos Centros. Contudo, dificilmente se tem a prática do trabalho, com a instrução teórica, a experimentação, a observação da forma como se trabalha, e, principalmente, a discussão séria sobre os procedimentos considerados adequados, corretos ou aceitáveis. Entra-se na “roda-viva” dos trabalhos, observa-se (de canto de olho) o que o outro faz, e “toque em frente, que atrás vem gente”, ou seja, vamos logo, que há mais gente para atender...
O Espiritismo não pode transformar-se numa seita, calcada na repetição irrefletida de máximas e posturas que acabam tornando-se sacramentos, ritos ou, até, dogmas. O trabalho espírita relevante, verdadeiramente, é aquele centrado no esclarecimento, na explicação racional de fenômenos e contingências espirituais, através da informação segura e da prática sem misticismo. Caso contrário, continuaremos a ser “cegos guiando outros cegos”.
(**) Marcelo Henrique Pereira, Mestre em Ciência Jurídica. Delegado e Secretário para a promoção da juventude da Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA) e Presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Santa Catarina.
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DO PRINCÍPIO DA NÃO-RETROGRADAÇÃO DOS ESPÍRITOS.
01:47
REVISTA ESPÍRITA
ALLAN KARDEC - ANO 6 - JUNHO 1863 - Nº. 6
Tendo sido levantadas, várias vezes, questões sobre o princípio da não- retrogradação dosEspíritos, princípio diversamente interpretado, iremos tentar resolvê-las. O Espiritismo quer ser claro para todo o mundo, e não deixar aos seus futuros filhos nenhum assunto de querelas de palavras, por isso todos os pontos suscetíveis de interpretação serão sucessivamente elucidados.
Os Espíritos não retrogradam, nesse sentido de que não perdem nada do progresso realizado; podem ficar momentaneamente estacionados; mas de bons, não podem se tornar maus, nem de sábios, ignorantes. Tal é o princípio geral, que não se aplica senão ao estado moral, e não à situação material, que de boa pode se tornar má, se o Espírito a mereceu.
Citemos uma comparação.
* Suponhamos um homem do mundo, instruído, mas culpado de um crime que o conduziu às galés;
* certamente, há para ele uma grande queda como posição social e como bem-estar material;
* à estima e à consideração sucederam o desprezo e a abjeção;
* e, no entanto, nada perdeu quanto ao desenvolvimento da inteligência;
* levará à prisão suas faculdades, seus talentos, seus conhecimentos;
* é um homem caído, e é assim que é preciso entender os Espíritos decaídos.
Deus pode, pois, ao cabo de um certo tempo de prova, retirar, de um mundo onde não terão progredido moralmente, aqueles que o terão desconhecido, que terão sido rebeldes às suas leis, para enviá-los para expiar seus erros e seu endurecimento num mundo inferior, entre os seres ainda menos avançados; lá serão o que eram antes, moral e intelectualmente, mas numa condição tornada infinitamente mais penosa, pela própria natureza do globo, e sobretudo pelo meio no qual se encontrarão; estarão, em uma palavra, na posição de um homem civilizado forçado a viver entre os selvagens, ou de um homem bem educado condenado à sociedade dos forçados.
Perderam sua posição, suas vantagens, mas não retrogradaram ao seu estado primitivo; de homens adultos não se tornaram crianças; eis o que é preciso entender pela não-retrogradação. Não tendo aproveitado o tempo, é para eles um trabalho a recomeçar.
* Deus, em sua bondade, não quer deixá-los mais por muito tempo entre os bons, dos quais perturbariam a paz;
* por isso envia-os entre os homens que terão por missão fazer avançar, comunicando-lhes o que sabem;
* por esse trabalho eles mesmos poderão avançar e resgatar tudo, expiando suas faltas passadas, como o escravo que amontoa, pouco a pouco, o que comprar com a sua liberdade;
* mas, como o escravo, muitos não amontoam senão o dinheiro em lugar de amontoar as virtudes, as únicas que podem pagar seu resgate.
Tal é até este dia a situação de nossa Terra, mundo de expiação e de prova, onde a raça adâmica, raça inteligente, foi exilada entre as raças primitivas inferiores, que a habitavam antes dela. Tal é razão pela qual há tanta amargura neste mundo, amarguras que estão longe de sentirem no mesmo grau dos povos selvagens. Há certamente retrogradação do Espírito nesse sentido que recua seu adiantamento, mas não do ponto de vista de suas aquisições, em razão das quais e do desenvolvimento de sua inteligência, sua de- caída social lhe é mais penosa; é assim que o homem do mundo sofre mais num meio abjeto do que aquele que sempre viveu na lama.
Segundo um sistema, que tem alguma coisa de especial à primeira vista, os Espíritos não teriam sido criados para serem encarnados, e a encarnação não seria senão o resultado de suas faltas. Esse sistema cai por esta consideração de que, se nenhum Espírito tivesse falido, não haveria homens sobre a Terra nem sobre os outros mundos; ora, como a presença do homem é necessária para a melhoria material dos mundos; que ele concorre pela sua inteligência e sua atividade à obra geral, é um dos órgãos essenciais da criação. Deus não podia subordinar o cumprimento dessa parte de sua obra à queda eventual de suas criaturas, a menos que não contasse para isso sobre um número sempre suficiente de culpados para alimentar de obreiros os mundos criados e a criar. O bom senso repele tal pensamento.
A encarnação é, pois, uma necessidade para o Espírito que, para cumprir sua missão providencial, trabalha em seu próprio adiantamento pela atividade e a inteligência que lhe é preciso empregar para prover à sua vida e ao seu bem-estar; mas a encarnação se torna uma punição quando o Espírito, não tendo feito o que deve, é constrangido a recomeçar sua tarefa e multiplica suas existências corpóreas penosas pela sua própria falta. Um escolar não chega a colar seus graus senão depois de ter passado pela fieira de to- das as classes; são essas classes uma punição? Não:
* são uma necessidade, uma condição indispensável de seu adiantamento;
* mas se, por sua preguiça, é obrigado a repeti-las, aí está a punição;
* poder passar algumas delas é um mérito.
Portanto, o que é verdade é que a encarnação sobre a Terra é uma punição para muitos daqueles que a habitam, porque teriam podido evitá-la, ao passo que, talvez, a dobraram, triplicaram, centuplicaram por sua falta, retardando assim sua a entrada nos mundos melhores. O que é falso é admitir em princípio a encarnação como um castigo.
Uma outra questão freqüentemente agitada é esta: O Espírito sendo criado simples e ignorante com liberdade de fazer o bem ou o mal, não há queda moral para aquele que toma o mau caminho, uma vez que chega a fazer o mal que não fazia antes?
Esta proposição não é mais sustentável do que a precedente.
* Não há queda senão na passagem de um estado relativamente bom a um estado pior;
* ora, o Espírito criado simples e ignorante está, em sua origem, num estado de nulidade moral e intelectual, como a criança que acaba de nascer;
* se não fez o mal, não fez, não mais, o bem;
* não é nem feliz nem infeliz;
* age sem consciência e sem responsabilidade;
* uma vez que nada tem, nada pode perder, e não pode, não mais, retrogradar;
* sua responsabilidade não começa senão do momento em que se desenvolve nele o livre arbítrio;
* seu estado primitivo não é, pois, um estado de inocência inteligente e racional;
* por conseqüência, o mal que faz mais tarde infringindo as leis de Deus, abusando das faculdades que lhes foram dadas, não é um retorno do bem ao mal, mas a conseqüência do mau caminho em que se empenhou.
Isso nos conduz a uma outra questão. Nero, por exemplo, pode, enquanto Nero, ter feito mais mal do que em sua precedente encarnação? A isto respondemos sim, o que não implica que na existência em que teria feito menos mal fosse melhor.
* Primeiro, o mal pode mudar de forma sem ser pior ou menos mal;
* a posição de Nero, como imperador, tendo-o colocado em evidência, o que ele fez foi mais notado; numa existência obscura pôde cometer atos também repreensíveis, embora sobre uma menor escala, e que passaram desapercebidos;
* como soberano pôde fazer queimar uma cidade;
* como simples particular pôde queimar uma casa e ali fazer perecer uma família;
* tal assassino vulgar que mata alguns viajantes para despojá-los, se estivesse sobre um trono, seria um tirano sanguinário, fazendo em grande o que sua posição não lhe permitia fazer senão em pequeno.
Tomando a questão sob um outro ponto de vista, diremos que um homem pode fazer mais mal numa existência do que na precedente, mostrar vícios que não tinha, sem que isso implique uma degenerescência moral; freqüentemente, o que faltam são as ocasiões para fazer o mal,
* quando o princípio existe em estado latente;
* chega a ocasião, e os maus instintos se mostram a nu.
A vida comum disso nos oferece numerosos exemplos:
* tal homem que se acreditava bom, mostra de repente vícios que não se supunha, e disso se admira;
* muito simplesmente é que soube dissimular, ou que uma causa provocou o desenvolvimento de um mau germe.
* É muito certo que aquele em que os bons sentimentos estão enraizados não tem mesmo o pensamento do mal;
* quando este pensamento existe, é que o germe existe:
o
não falta senão a execução.
Depois, como dissemos, o mal, embora sob diferentes formas, não é por isso menos o mal. O mesmo princípio vicioso pode ser a fonte de uma multidão de atos diversos provindo de uma mesma causa; o orgulho, por exemplo, pode fazer cometer um grande número de faltas, às quais se está exposto, enquanto o princípio radical não for extirpado. Um homem pode, pois, numa existência, ter defeitos que não teriam se manifestado numa outra, e que não são senão conseqüências variadas de um mesmo princípio vicioso. Nero é para nós um monstro, porque cometeu atrocidades; mas crê-se que esses homens pérfidos, hipócritas, verdadeiras víboras que semeiam o veneno da calúnia, despojam as famílias pela astúcia e os abusos de confiança, que cobrem suas torpezas com a máscara da virtude para chegar, mais seguramente, aos seus fins e receberem os elogios quando merecem a execração, crê-se, dizemos, que valem mais do que Nero? Seguramente não; ser reencarnado num Nero não seria para eles uma decaída, mas uma ocasião de se mostrarem sob uma nova face; como tais exibirão os vícios que escondiam; ousarão fazer pela força o que faziam pela astúcia, eis toda a diferença. Mas essa nova prova não lhe tornará o castigo senão mais terrível, se, em lugar de aproveitar os meios que lhe são dados de reparar, servem-se deles para o mal. E, no entanto,
* cada existência, por má que ela seja, é uma ocasião de progresso para o Espírito;
* desenvolve a sua inteligência, adquire da experiência e dos conhecimentos que, mais tarde, ajudá-lo-ão a progredir moralmente.
Querem acabar com Kardec!
10:03
Querem acabar com Kardec!
Carlos de Brito Imbassahy
Atualmente, uma fonte de propaganda doutrinária tem sido a Internet, através de um programa chamado Pal-Talk, com "salas", onde os participantes podem se pronunciar, sob a égide de um coordenador, quer por texto, quer pelo áudio. Há salas que se dizem espíritas, mas querem reformular a doutrina sob alegação de que Kardec esteja ultrapassado e cheio de erros. Baseiam-se fundamentalmente nas mensagens mediúnicas, principalmente de Emmanuel e André Luiz, dando ênfase aos ensinamentos dessas Entidades em detrimento da obra do Codificador. Muito bem! Neste caso, por que, em vez de tentar demolir a obra de Kardec, não fundam estes companheiros a sua própria doutrina baseada nas tais Entidades renovadoras? Não seria mais viável e fraterno? Trata-se de inimigos do Espiritismo porque, para eles, a codificação está eivada de erros e ultrapassada.
Recente e pessoalmente me disseram que Kardec defendia a geração espontânea e que isso era um terrível erro. Só que eles falam, porém não permitem refutação. Seria certo, de fato, baseado em Pasteur que cobriu a carne estragada evitando que as moscas nela pousassem e, assim, não iria gerar nenhum germe, mostrando que a carne deteriorada sozinha não produzia larvas. Se fosse apenas a geração dos seres já existentes, de fato, a demonstração se tornaria óbvia. O problema ultrapassa esta idéia para se apresentar sob outro aspecto: a formação do primeiro ser vivo sobre a Terra. Como teriam surgido, a partir do nada, se não existia, anteriormente, nenhum reprodutor para gerar a formação do ser?
No meu tempo de estudante tinha-se o plâncton como a forma mais primitiva de vida, surgida da agregação de células orgânicas para dar origem à formação dos mesmos. Não seria isso geração espontânea? Afinal, no caso dos gérmens da mosca na carne, eles, sem dúvida representam a reprodução de seres vivos já existentes, tendo antecedentes da espécie para se reproduzirem. Porém, ao se falar em seres primitivos, cuja formação jamais poderia ser definida como sendo a da reprodução de espécie já existente, como explicar seu surgimento? A coisa se complica biologicamente quando, recentemente, uma equipe de pesquisa identificou uma cultura nativa de cianofíceas, anteriores à existência dos plânctons. Como teriam surgido tais “pseudo-algas” azuis? Como se reproduziram se, antes delas nada existia, nem mesmo os aludidos plânctons?
Todas as teorias de justificação da existência do primeiro ser orgânico sem a possível idéia da geração espontânea falecem por um simples motivo: que ser anterior teria gerado o primeiro deles? Está cientificamente provado que nenhuma vida orgânica entraria em nosso sistema planetário (atmosfera) e se manteria em vida latente, isto, supondo-se que tenha vivido fora da atmosfera, advindo de algum mundo distante porque, além do impossível, nada pode se fazer. Viver perdidamente pelo espaço sideral é mais do que impossível. A geração espontânea não existe na reprodução dos seres vivos já existentes, só que esses existem; antes do primeiro, como este seria gerado? Para Kardec, os erros – e existem outros apontados – são, sem dúvida, excludentes; todavia, quando A. Luiz (em Mecanismos da mediunidade) comete uma série de erros de Física, demonstrando que seu conhecimento é restrito a 1945, falando de elétrons a sair pelas escovas do dínamo e outros absurdos, nem se discute o assunto. Todos aplaudem sua concepção relativa à mônada, como se ela existisse; esquecem que é mera ficção de Leibniz.
Em Ciência, só se nega o que não se tem mais condição de afirmar e, em doutrina, desde que seja Kardec, os novos precursores do aludido movimento espírita são os detentores da verdade. Os únicos possíveis erros, de fato, co-metidos pelo mestre lionês se prendem à linguagem usada por ele, chamando as energias de “fluido”, na idéia generalizada que se tinha àquela época e outras expressões que foram reformuladas pela linguagem moderna. Mas, para isto, basta que troquemos o termo usado à sua época pelo atual.
E quanto às antecipações realmente feitas a ele? Como, por exemplo, o caso da “matéria quintessenciada” recentemente descoberta, a estrutura das formas, identificada desde os estudos de Gell Mann há quase meio século, sem falar na existência da vida em Marte, negada pelo Codificador e afirmada por mensagens mediúnicas mais recentes... Kardec é que estaria errado! Querem acabar com o Espiritismo, descaracterizando-o de seus fundamentos!
Fonte: aeradoespirito.sites.uol.com.br
Apometria e Espiritismo - FINAL
02:56
Apometria e Espiritismo - FINAL
Apometria não convém às Casas Espíritas - Parte 3
Considerações finais e conclusões
Gebaldo José de Sousa e Jeziel Silva Ramos *
3) TÉCNICAS MEDIÚNICAS EXISTEM QUE NÃO SÃO PRÁTICAS ESPÍRITAS
A mediunidade não é patrimônio exclusivo da Doutrina Espírita e muitas práticas alheias ao Espiritismo a utilizam. É dever de todo espírita estudar profundamente as obras básicas, para que possamos preservar a pureza doutrinária. O Codificador, referindo-se ao Espiritismo, indaga-nos: "Como pretender-se em algumas horas adquirir a Ciência do Infinito?", em "O Livro dos Espíritos" (Introdução ao estudo da Doutrina Espírita, item XIII, p. 39), edição FEB.
3.1 - Diversos cultos religiosos desenvolvem atividades que favorecem a renovação espiritual de encarnados e desencarnados. Merecem nosso respeito, mas nem por isso vamos adotar seus rituais e práticas exteriores, por considerá-los contrários aos princípios básicos da Doutrina Espírita.
Concluímos que falta o conhecimento da Doutrina Espírita. Não basta a freqüência à Casa Espírita. Indispensável estudá-la, incessante, incansavelmente. Seu aprendizado exige esforços.
Percebe-se, claramente, que a Doutrina Espírita é uma ilustre desconhecida de boa parte dos 'espíritas', especialmente quanto à sua parte teórica.
Reconhecemos haver pessoas sinceras, com elevados sentimentos, que enveredam por esses outros caminhos; mas sabemos que não bastam os bons sentimentos, como bem nos recomenda o Espírito da Verdade, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Cap. VI, item 5:
"Espíritas, amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo."
Portanto, urge estudar a Doutrina Espírita, para melhor aplicá-la. Indispensável estabelecer critérios mais rigorosos quanto à admissão de participantes às reuniões mediúnicas. Allan Kardec era extremamente rigoroso para admitir freqüentadores às reuniões ditas experimentais.
Há dois meios fundamentais ao aprimoramento das reuniões mediúnicas: estudo e reforma íntima.
"Não imaginais o que se pode obter numa reunião séria, de onde se haja banido todo sentimento de orgulho e de personalismo e onde reine perfeito o de mútua cordialidade." "O Livro dos Médiuns", cap. XXV, item 282, 15ª ed. FEB.
4) - CONCLUSÕES.
Do exposto, concluíram os integrantes da Comissão de Trabalhos Mediúnicos:
4.1) Que o Espiritismo constitui-se numa doutrina completa, em seus aspectos moral, religioso, filosófico e científico, com suas raízes no Evangelho de Jesus Cristo, representando o Cristianismo Redivivo;
4.2) Que não basta afirmar-se espírita e utilizar a mediunidade para que uma prática seja considerada espírita;
4.3) Que as orientações dos Espíritos Superiores que acompanham o Movimento Espírita no Brasil são muito claras quanto à fidelidade aos princípios codificados por Allan Kardec;
4.4) Que a orientação, a experiência e a prática dos médiuns mais amadurecidos como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, entre outros, tem demonstrado sempre a necessidade de vigilância com relação à preservação da pureza dos princípios básicos da Doutrina Espírita;
4.5) Que esta prática da técnica apométrica realizada dentro da Casa de Eurípedes teve caráter experimental, com o objetivo de avaliar sua aplicabilidade, eficiência e adequação aos princípios espíritas que aquela Instituição tem preservado com rigor e fidelidade;
4.6) Que ultrapassado esse período de experimentação e avaliação, concluíram pela incompatibilidade da apometria com os princípios que a Casa adota;
4.7) Que o uso de energia para afastar obsessores sem a necessária transformação moral (Reforma Íntima), indispensável à libertação real dos envolvidos nos dramas obsessivos, contradiz os princípios básicos do Espiritismo, pois, o simples afastamento das entidades rancorosas não resolve a questão;
4.8) Que a apometria, especialmente por suas leis e rituais, não é técnica que se enquadra nos princípios doutrinários espíritas, codificados por Allan Kardec não sendo, portanto, uma prática Espírita; (Grifos do original).
4.9) Que a ausência, nas reuniões da apometria, de atitudes de recolhimento íntimo, de concentração superior e da manutenção do ambiente de prece e elevação mental contraria as orientações doutrinárias espíritas, tanto do ponto de vista moral como da técnica mediúnica espírita, propiciando as manifestações anímicas e a mistificação, com grande risco de se perder o controle e evoluir para processos obsessivos graves;
4.10) Que a utilização pela prática apométrica de contagens de pulsos, gestos especiais, entre outros atos exteriores, abre precedentes graves para implantação de rituais e maneirismos, totalmente inaceitáveis na prática espírita, que é doutrina da fé raciocinada;
4.11) Que o programa terapêutico do Hospital prevê a abordagem do ser humano nos seus aspectos bio-psico-sócio-espirituais, oferecendo tratamento médico, sócio-familiar, psicoterápico e espiritual de forma integrada e solidária, de acordo com a visão espírita, não existindo dados que possam garantir superioridade da técnica apométrica isoladamente sobre quaisquer outras utilizadas pelo Hospital.
Concluíram, afinal, após longos estudos e, especialmente, ouvir detalhada exposição do assunto, com uso de datashow, pela equipe que a praticava em nossa Instituição, que a apometria não se ajusta à Doutrina Espírita e, por isso, sua prática não é adequada à Casa de Eurípides. Nestes três artigos expomos aos interessados o resultado desses estudos, que justificam nossa posição contrária à utilização desse método.
Assim, o parecer daquela Comissão sugeriu que o Conselho Doutrinário e Mediúnico recomendasse, ao grupo que aplica a técnica apométrica naquele Hospital Espírita, que a suspendesse, retornando à prática das reuniões mediúnicas de desobsessão, de acordo com os princípios doutrinários espíritas.
Aventou, ainda, a possibilidade de o Conselho Doutrinário e Mediúnico adotar alternativas, para o encaminhamento da relevante questão. Mas que considerasse sobretudo a responsabilidade que lhe pesa nos ombros, conforme assinala o digno Dr. Bezerra de Menezes:
"Cumpre-vos transferir às gerações porvindouras, com a pulcritude que o recebestes, o patrimônio espírita legado pelos Benfeitores da Humanidade e codificado pelo ínclito Allan Kardec, preparando as gerações novas, que vos sucederão na jornada de construção do mundo novo." (Bezerra de Menezes/Divaldo P. Franco: Bezerra de Menezes ontem e hoje, ed. FEB, p. 155)
A recomendação para que se preserve, naquele Hospital Espírita, a fidelidade ao Espiritismo, que é doutrina completa, cristalina, dispensando enxertias de quaisquer natureza, foi aprovada.
Lamentavelmente, não obstante reiterados apelos de vários integrantes do Conselho, o grupo não acatou a sugestão de voltar à lídima prática mediúnica espírita, preferindo afastar-se da Casa de Eurípedes. Mas lhes foi dito que as portas da Casa permanecem-lhes abertas, bem assim os nossos corações, se se dispuserem à fidelidade a Jesus e a Allan Kardec!
* Jeziel Silva Ramos - Médico e Presidente do Hospital Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia (GO).
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Reflexões e Máximas de Allan Kardec 1ºPARTE
02:46
Conselhos, Reflexões e Máximas de Allan Kardec 1ºPARTE
Fragmentos extraídos dos doze primeiros anos da “Revista Espírita”
Segundo disse M. de Buffon, com muita razão, “o estilo é o homem”, e assim, para melhor apreciarmos Allan Kardec, estudemo-lo em sua obra, porque, dessa forma, quanto mais julgarmos os méritos deste profundo pensador, mais crescerão nosso respeito e nossa afeição por ele. Dentro deste propósito, acreditamos dever reproduzir aqui algumas passagens extraídas dos numerosos artigos que ele publicou na Revista Espírita de 1858 a 1869; elas nos recordarão alguns dos princípios filosóficos que freqüentemente o mestre gostava de frisar. Meditando seus conselhos, suas máximas, aprenderemos a conhecer e amar melhor o fundador da Filosofia Espírita.
R. E. 1865, p. 328: “Deus me guarde de ter a presunção de me crer o único capaz, ou mais capaz do que um outro, ou o único encarregado de cumprir os desígnios da Providência; não, esse pensamento está longe de mim. Neste grande movimento renovador tenho a minha parte de atuação; não falo senão daquilo que me concerne; mas o que posso afirmar sem vã fanfarrice é que, no que me incumbe, nem a coragem, nem a perseverança, me faltarão. Nisso jamais falhei, mas hoje que vejo o caminho se aclarar de uma maravilhosa claridade, sinto minhas forças crescerem, não tenho mais dúvida e graças às novas luzes que praza a Deus me dar, estou certo, e digo a todos os meus irmãos, com toda a certeza que jamais tive: coragem e perseverança, porque um esplendoroso sucesso coroará vossos esforços.”
R. E. 1867, p. 40: “O Espiritismo é, como alguns o pensam, uma nova fé cega substituindo a uma outra fé cega ou, dito de outra forma, uma escravidão do pensamento sob uma nova forma? Para crer nisso seria preciso se ignorasse os seus primeiros elementos. Com efeito, o Espiritismo coloca, em princípio, que antes de crer é preciso compreender; ora, para compreender, é preciso usar de seu julgamento; eis porque ele procura se dar conta de tudo em vez de nada admitir, em saber o “porquê” e o “como” de cada coisa; também os espíritas são mais céticos do que muitos outros com relação aos fenômenos que saem do círculo das observações habituais. Ele não repousa sobre nenhuma teoria preconcebida ou hipotética, mas sobre a experiência e a observação dos fatos; em vez de dizer: “Creia em primeiro lugar e se puder compreenda em seguida”, ele diz: “Compreenda em primeiro lugar, e creia em seguida se você quiser.” Não se impõe a ninguém; diz a todos: “Veja, observe, compare e venha a nós livremente se tal lhe convier”. Falando assim, ele se adianta e corta as chances da concorrência. Se muitos vão a ele, é porque os satisfaz muito, mas ninguém o aceita de olhos fechados. Àqueles que não o aceitam, ele diz: “Você é livre, e não o quero; tudo que peço é que me deixe minha liberdade, como eu lhe deixo a sua. Se procura me afastar, por receio de que eu suplante você, é porque você não está bem certo de si.
O Espiritismo, procurando não descartar nenhum dos concorrentes dentro da liça aberta às idéias que devem prevalecer no mundo regenerado, está dentro das condições da verdadeira liberdade de pensamento; e não admitindo nenhuma teoria que não seja fundamentada sobre a observação, está, ao mesmo tempo, dentro daquelas de mais rigoroso positivismo; enfim, tem sobre seus adversários, de opiniões contrárias extremas, a vantagem da tolerância.”
Àqueles que querem ver os fenômenos antes de crer no Espiritismo, Allan Kardec dá estes sábios conselhos:
R. E. 1861, p. 130: “Seria, de resto, bastante inconveniente que a propagação da Doutrina ficasse subordinada à publicidade de nossas reuniões: por mais numeroso que pudesse ser o auditório, ele seria sempre fortemente restrito, imperceptível, comparado à massa da população. Por outro lado nós sabemos, por experiência, que a verdadeira convicção não se adquire a não ser pelo estudo, pela reflexão e por uma observação sustentada, e não, assistindo a uma ou duas sessões, por mais interessantes que elas sejam, e isto é tão verdadeiro, que o número dos que crêem sem nada terem visto, mas porque eles têm estudado e compreendido, é imenso. Sem dúvida o desejo de ver é muito natural, e estamos longe de censurar, mas queremos que o fenômeno seja visto em condições de aproveitamento. Eis porque dizemos: Primeiramente estude, e em seguida veja, porque assim compreenderá melhor. Se os incrédulos refletissem sobre essa condição, eles extrairiam a melhor garantia, em primeiro lugar, de nossa boa fé, e em seguida da potência da Doutrina. Aquilo que o charlatanismo mais teme é ser compreendido; ele fascina os olhos e não é bastante tolo para se dirigir à inteligência que descobriria facilmente a sua farsa. O Espiritismo, ao contrário, não admite confiança cega; quer ver claramente em tudo; quer que se compreenda tudo, que se leve em conta tudo; então quando prescrevemos o estudo e a meditação, isto é apelar ao concurso da razão, e provar que a ciência espírita não teme o exame, pois que antes de crer nós fazemos do compreender uma obrigação.”R. E. 1861 p. 377: “Quem tem a intenção de organizar um grupo em boas condições deve antes de tudo se assegurar do concurso de alguns adeptos sinceros, que levem a Doutrina a sério e cujo caráter conciliador e benevolente lhe seja conhecido. Com esse núcleo formado, que seja de três ou quatro pessoas, se estabelecerá regras precisas, seja para as admissões, seja para a direção das reuniões e para a ordem dos trabalhos, regras às quais os recém chegados terão de se conformar..
. A primeira condição a impor, se não se deseja ser a cada instante distraído por objeções ou questões ociosas, é pois o estudo preliminar.
A segunda é uma profissão de fé categórica e uma adesão formal à Doutrina do Livro dos Espíritos e certas outras condições especiais que se julgar a propósito. Isto é para os membros titulares ou dirigentes; para os ouvintes, que vêm geralmente para adquirir um acréscimo de conhecimentos e de convicções, se pode ser menos rigoroso; todavia, como existem os que podem causar problemas pelas observações deslocadas, é importante se assegurar de suas disposições; é preciso sobretudo, e sem exceção, afastar os curiosos e todos os que não sejam atraídos senão por um motivo frívolo.
A ordem e a regularidade dos trabalhos são coisas igualmente essenciais.
Nós consideramos como eminentemente útil abrir a reunião pela leitura de qualquer passagem de O Livro dos Médiuns e O Livro dos Espíritos; por este meio, se terá sempre presente na memória os princípios da ciência e os meios de evitar os esco-lhos que se encontram a cada passo na prática.
A atenção se fixará assim sobre uma multidão de pontos que escapam freqüentemente numa leitura particular, e poderão dar lugar a comentários e a discussões instrutivas, às quais mesmo os Espíritos poderão tomar parte...”
R. E. 1861, p. 380: “...Tudo isso, como se vê, é de uma execução muito simples, e sem acessórios complicados; mas tudo depende do ponto de partida, isto é, da composição dos grupos primitivos. Se eles forem formados de bons elementos, serão tantas boas raízes que darão bons rebentos.
Se, ao contrário, são formados de elementos heterogêneos e antipáticos, de espíritas duvidosos, se ocupando mais da forma que do fundo, considerando a moral como a parte acessória e secundária, é preciso se prever polêmicas irritantes e sem desfecho, melindres de suscetibilidades, seguido de conflitos precursores da desorganização.
Entre verdadeiros espíritas, tais como os havemos definido, vendo o propósito essencial do Espiritismo na moral, que é a mesma para todos, haverá sempre abnegação da personalidade, condescendência e benevolência, e, por conseqüência, certeza e estabilidade nos relacionamentos.
Eis porque insistimos tanto nas qualidades fundamentais.
As sociedades numerosas têm sua razão de ser do ponto de vista da propaganda, mas, para os estudos sérios, é preferível se fazer uso dos grupos íntimos.”


