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Mediunidade na Internet

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O Livro dos Médiuns
Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL

7. Se a crença nos Espíritos e nas suas manifestações fosse uma concepção isolada, o produto de um sistema, poderia com certa razão ser suspeita de ilusória. Mas quem nos dia então porque ela se encontra tão viva entre todos os povos antigos e modernos, nos livros santos de todas as religiões conhecidas? Isso, dizem alguns críticos, é porque o homem, em todos os tempos, teve amor ao maravilhoso. — Mas o que é o maravilhoso, segundo vós? — aquilo que é sobrenatural? — E que entendeis por sobrenatural? — O que é contrário ás leis da Natureza. — Então conheceis tão bem essas leis que podeis marcar limites ao poder de Deus? Muito bem! Provai então que a existência dos Espíritos e suas manifestações são contrárias às leis da Natureza; que elas não são e não podem ser uma dessas leis. Observai a Doutrina Espírita e vereis se no seu encadeamento elas não apresentam todas as características de uma lei admirável, que resolve tudo o que os princípios filosóficos até agora não puderam resolver.

O pensamento é um atributo do Espírito. A possibilidade de agir sobre a matéria, de impressionarem os nossos sentidos, e portanto de transmitir-nos o seu pensamento é uma conseqüência, podemos dizer, da sua própria constituição fisiológica. Não há, pois, nesse fato, nada de sobrenatural, nada de maravilhoso.(1) Mas que um homem morto e bem morto possa ressuscitar corporalmente, que os seus membros dispersos se reúnam para restabelecer-lhe o corpo, eis o que é maravilhoso, sobrenatural, fantástico. Isso, sim, seria uma verdadeira derrogação, que Deus só poderia fazer através de um milagre. Mas não há nada de semelhante na Doutrina Espírita.

8. Não obstante, dirão, admitis que um Espírito pode elevar uma mesa e sustentá-la no espaço sem um pouco de apoio. Isso não é uma derrogação da lei da gravidade? — Sim, da lei conhecida; mas a Natureza já vos disse a última palavra? Antes das experiências com a força ascensional de certos gases quem diria que uma pesada máquina, carregando muitos homens, poderia vencer a força de atração? Aos olhos do vulgo, isso não deveria parecer maravilhoso, diabólico? Aquele que se propusesse a transmitir, há um século, uma mensagem a quinhentas léguas de distância e obter a resposta em alguns minutos passaria por louco. Se o fizesse, acreditariam que tinha o Diabo às suas ordens, pois então só o Diabo era capaz de andar tão ligeiro. Por que, pois, um fluido desconhecido não poderia, em dadas circunstâncias, contrabalançar o efeito da gravidade, como hidrogênio contrabalança o peso do balão? Isto, notemos de passagem, é apenas uma comparação, feita unicamente para mostrar, por analogia, que o fato não é fisicamente impossível. Não se trata de identificar uma coisa à outra. Ora, foi precisamente quando os sábios, ao observarem estas espécies de fenômenos, quiseram proceder por identificação, que acabaram se enganando.



De resto, o fato existe e todas as negações não poderiam destruí-lo, por que negar não é provar. Para nós, não há nada de sobrenatural e é tudo quanto podemos dizer por agora.

9. Se o fato está provado, dirão, nós o aceitamos. E aceitamos até mesmo a causa que lhe atribuís, ou seja, a de um fluido desconhecido. Mas quem prova a intervenção dos Espíritos? É nisso que está o maravilhoso,o sobrenatural.

Seria necessário, neste caso, toda uma demonstração que não seria cabível e constituiria, aliás, uma redundância, porque ela ressalta de todo o ensino. Entretanto, para resumi-la em duas palavras, diremos que teoricamente ela se funda neste princípio: todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente. Praticamente: sobre a observação de que os fenômenos ditos espíritas, tendo dado provas de inteligência, não podem ter sua causa na matéria; que essa inteligência, não sendo a dos assistentes, — o que resultou das experiências, — devia ser independente deles; e desde que não se via o ser que os produzia, devia tratar-se de um ser invisível, ao qual se deu o nome de Espírito, não é mais do que a alma dos que viveram corporalmente e aos quais a morte despojou de seu grosseiro envoltório visível, deixando-lhes apenas um envoltório etéreo, invisível no seu estado normal. Eis, pois, o maravilhoso e o sobrenatural reduzidos a mais simples expressão. Constatada a existência dos seres invisíveis, sua ação sobre a matéria resulta da natureza do seu envoltório fluídico. Esta ação é inteligente, porque, ao morrer, eles perderam apenas o corpo, conservando a inteligência que constitui a sua existência. Esta a chave de todos esses fenômenos considerados erroneamente sobrenaturais. A existência dos Espíritos não decorre, pois, de um sistema preconcebido, de uma hipótese imaginada para explicar os fatos, mas é o resultado de observações e a conseqüência natural da existência da alma. Negar essa causa é negar a alma e os seus atributos.(2) Os que pensarem que podem encontrar para esses efeitos inteligentes uma solução mais racional, podendo sobretudo explicar a razão de todos os fatos, queiram fazê-lo, e então poder-se-á discutir o mérito de ambas.(3)

10. Aos olhos daqueles que vêem na matéria a única potência da Natureza, tudo o que não pode ser explicado pelas leis materiais é maravilhoso ou sobrenatural, e, para eles, maravilhoso é sinônimo de superstição. Dessa maneira a religião, que se funda na existência de um princípio imaterial, é um tecido de superstições. Eles não ousam dizê-lo em voz alta, mas o dizem baixinho. E pensam salvar as aparências ao conceder que é necessária uma religião para o povo e para tornar as crianças acomodadas. Ora, de duas, uma: ou o princípio religioso é verdadeiro ou é falso. Se é verdadeiro, o é para todos; se é falso não é melhor para os ignorantes do que para os esclarecidos.

11. Os que atacam o espiritismo em nome do maravilhoso se apóiam, portanto, em geral, no princípio materialista, desde que negando todo efeito de origem extramaterial, negam conseqüentemente a existência da alma.



Sondai o futuro de seu pensamento, perscrutai o sentido de suas palavras e encontreis quase sempre esse princípio, que, se não se mostra categoricamente formulado, transparece sob a capa de uma pretensa filosofia moral com que eles se disfarçam. Rejeitando como maravilhoso tudo quanto decorre da existência da alma, eles são, portanto, conseqüentes consigo mesmos. Não admitindo a causa, não podem admitir o efeito. Daí o preconceito que os impede de julgar com isenção o Espiritismo, pois parte da negação de tudo o que não seja material. Quanto a nós, pelo fato de admitirmos os efeitos decorrentes da existência da alma, teríamos de aceitar todos os fatos qualificados de maravilhosos, teríamos de ser os campeões dos visionários, os adeptos de todas as utopias, de todos os sistemas excêntricos? Seria necessário conhecer bem pouco do Espiritismo para assim pensar. Mas os nossos adversários não se importam com isso; a necessidade de conhecer aquilo de que falam é o que menos lhes interessa.

Segundo eles, o maravilhoso é absurdo: ora, o Espiritismo se apóia em fatos maravilhosos; logo, o Espiritismo é absurdo; isto é para eles um julgamento inapelável. Crêem apresentar um argumento sem resposta quando, após eruditas pesquisas sobre os convulsionários de Saint-Médard, os camisards das Cévennes ou as religiosas de Loudun, chegam à descoberta de evidentes trapaças que ninguém contesta. Mas essas histórias são, por acaso, o evangelho do Espiritismo? Seus partidários teriam negado que o charlatanismo explorou alguns fatos em proveito próprio? Que a imaginação os tenha engendrado? Que o fanatismo tenha exagerado a muitos deles? O Espiritismo não é mais responsável pelas extravagâncias que se possam cometer em seu nome, do que a verdadeira Ciência pelos abusos da ignorância ou a verdadeira Religião pelos excessos do fanatismo. Muitos críticos só julgam o Espiritismo pelos contos de fadas e pelas lendas populares que são apenas as formas da sua ficção. O mesmo seria julgar a História pelos romances históricos ou pelas tragédias.

12. Na lógica mais elementar, para discutir uma coisa é necessário conhecê-la porque a opinião de um crítico só tem valor quando ele fala com conhecimento de causa. Somente assim,a sua opinião, embora errônea, pode ser levada em consideração. Mas que peso ela pode ter, quando emitida sobre matéria que ele desconhece? A verdadeira crítica deve dar provas, não somente de erudição, mas de conhecimento profundo do objeto tratado, de isenção no julgamento e de absoluta imparcialidade. A não ser assim, qualquer violeiro poderia se arrogar o direito de julgar Rossini e qualquer pintor de paredes de censurar Rafael.

13. O Espiritismo não aceita todos os fatos considerados maravilhosos. Longe disso, demonstra a impossibilidade de muitos deles e o ridículo de algumas crenças que constituem, propriamente falando, a superstição. É verdade que entre os fatos por ele admitidos há coisas que, para os incrédulos, são inegavelmente do maravilhoso, o que vale dizer da superstição. Que seja. Mas, pelo menos, que limitem a eles a discussão, pois em relação aos outros nada tem que dizer e pregarão no deserto. Criticando o que o próprio Espiritismo refuta, demonstram ignorar o assunto argumentam em vão. Mas até onde vai a crença do Espiritismo, perguntarão. Lede e observai, que o sabereis. A aquisição de qualquer ciência exige tempo e estudo. Ora, o Espiritismo, que toca nas mais graves questões da Filosofia, em todos os setores da ordem social, que abrange ao mesmo tempo o homem físico e o homem moral, é em si mesmo toda uma Ciência, toda uma Filosofia, que não podem ser adquiridas em apenas algumas horas. Há tanta puerilidade em ver todo o Espiritismo numa mesa girante, como em ver toda a Física em algumas experiências infantis. Para quem não quiser ficar na superfície, não são horas, mas meses e anos que terá de gastar para sondar todos os seus arcanos. Que se julgue, diante disso, o grau de conhecimento e o valor da opinião dos que se arrogam o direito de julgar porque viram uma ou duas experiências, quase sempre realizadas como distração ou passatempo. Eles dirão, sem dúvida que não dispõem do tempo necessário para esse estudo. Que seja, mas nada os obriga a isso. E quando não se tem tempo para aprender uma coisa, não se pode falar dela, e menos ainda julgá-la, se não se quiser ser acusado de leviandade. Ora, quanto mais elevada é a posição que se ocupe na Ciência, menos desculpável será tratar-se levianamente um assunto que não se conhece.

14. Resumimos nossa opinião nas proposições seguintes:

1º) Todos os fenômenos espíritas têm como princípio a existência da alma, sua sobrevivência à morte do corpo e suas manifestações;

2º) Decorrendo de uma lei da Natureza, esses fenômenos nada têm de maravilhoso nem de sobrenatural, no sentido vulgar dessas palavras;

3º) Muitos fatos são considerados sobrenaturais porque a sua causa não é conhecida; ao lhe determinar a causa, o espiritismo os devolve ao domínio dos fenômenos naturais;

4º) Entre os fatos qualificados de sobrenaturais, o espiritismo demonstra a impossibilidade de muitos e os coloca entre as crenças supersticiosas;

5º) Embora o espiritismo reconheça um fundo de verdade em muitas crenças populares, ele não aceita absolutamente que todas as estórias fantásticas criadas pela imaginação sejam da mesma natureza;

6º) Julgar o Espiritismo pelos fatos que ele não admite é dar prova de ignorância e desvalorizar por completo a própria opinião;

7º) A explicação dos fatos admitidos pelo Espiritismo, de suas causas e suas conseqüências morais, constitui toda uma Ciência e toda uma Filosofia que exigem estudo sério, perseverante e aprofundado;

8º) O Espiritismo só pode considerar como crítico sério àquele que tudo viu e estudou, em tudo se aprofundando com paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que tenha tanto conhecimento do assunto como adepto mais esclarecido; que não haja, portanto, adquirido seus conhecimentos nas ficções literárias da ciência; ao qual não se possa opor nenhum fato por ele desconhecido, nenhum argumento que ele não tenha meditado e que não tenha refutado apenas por meio da negação, mas por outros argumentos mais decisivos; aquele enfim, que pudesse apontar uma causa mais lógica para os fatos averiguados. Esse crítico ainda está para aparece.(4)

15. Referimo-nos há pouco à palavra milagre; uma breve observação sobre o assunto não estará deslocada num capítulo sobre o maravilhoso.

Na sua acepção primitiva e por sua etimologia a palavra milagre significa coisa extraordinária, coisa admirável de ver. Mas essa palavra, como tantas outras,

desviou-se do sentido original e hoje se diz (segundo a Academia): de um ato da potência divina contrária às leis comuns da Natureza. Essa é, com efeito, a sua acepção usual, e só por comparação ou metáfora se aplica às coisas vulgares que nos surpreendem e cuja causa desconhecemos.

Não temos absolutamente a intenção de examinar se Deus poderia julgar útil, em certas circunstâncias, derrogar as leis por ele mesmo estabelecidas. Nosso objetivo é somente o de demonstrar que os fenômenos espíritas, por mais extraordinários que sejam, não derrogam de maneira alguma essas leis e não tem nenhum caráter miraculoso, tanto mais que não são maravilhosos ou sobrenaturais. O milagre não tem explicação: os fenômenos espíritas, pelo contrário, são explicados da maneira mais racional. Não são, portanto, milagres, mas, simples efeitos que tem sua razão de ser nas leis gerais. O milagre tem ainda outro caráter: o de ser insólito e isolado. Ora, desde que um fato se reproduz, por assim dizer, á vontade, e por meio de pessoas diversas, não pode ser um milagre.

A Ciência faz milagres todos os dias aos olhos dos ignorantes: eis porque antigamente os que sabiam mais do que o vulgo passavam por feiticeiros, e como se acreditava que toda ciência sobre-humana era diabólica, eles eram queimados. Hoje, que estamos muito mais civilizados, basta enviá-los para os hospícios.

Que um homem realmente morto, como dissemos no início, seja ressuscitado por uma intervenção divina e teremos um verdadeiro milagre, porque isso é contrário à lei da Natureza. Mas se esse homem tem apenas a aparência da morte, conservando ainda um resto de vitalidade latente, e a Ciência ou uma ação magnética consegue reanimá-lo, para as pessoas esclarecidas isso é um fenômeno natural. Entretanto, aos olhos do vulgo ignorante o fato passará por milagroso e o seu autor será rechaçado a pedradas ou será venerado, segundo o caráter dos circunstantes. Que um físico solte um papagaio elétrico num meio rural, fazendo cair um raio sobre uma árvore, e esse novo Prometeu será certamente encarado como detentor de um poder diabólico. Aliás, diga-se de passagem, Prometeu nos parece sobretudo um antecessor de Franklin; mas Josué, fazendo para o Sol, ou antes a Terra, nos daria o verdadeiro milagre, pois não conhecemos nenhum magnetizador dotado de tanto poder para operar esse prodígio.

De todos os fenômenos espíritas, um dos mais extraordinários indiscutivelmente os da escrita-direta, um dos que demonstram da maneira mais evidente a ação das inteligências ocultas. Mas por ser produzido pelos seres ocultos, esse fenômeno não é mais miraculoso do que todos os demais, também devidos a agentes invisíveis. Porque esses seres invisíveis, que povoam os espaços, são umas das potências da Natureza, potência que age, incessantemente sobre o mundo material, tão bem como sobre o mundo moral.

O Espiritismo, esclarecendo-nos a respeito dessa potência, dá-nos a chave de uma infinidade de coisas inexplicadas e inexplicáveis por qualquer outro meio, e que em tempos distantes puderam passar como prodígios. Ele revela, como aconteceu com o magnetismo, uma lei desconhecida ou pelo menos mal compreendida; ou dizendo melhor, uma lei cujos efeitos eram conhecidos, porque produzidos em todos os tempos, mas ela mesma sendo ignorada, isso deu origem à superstição. Conhecida essa lei, o maravilhoso desaparece e os fenômenos se reintegram na ordem das coisas naturais. Eis porque os espíritas, fazendo mover uma mesa ou com que os mortos escrevam, não fazem mais milagres do que o médico ao reviver um moribundo ou o físico ao provocar um raio. Aquele que pretendesse, com a ajuda desta Ciência, fazer milagres, seria um ignorante da doutrina ou um trapaceiro.

16. Os fenômenos espíritas, como os fenômenos magnéticos, passaram por prodígios antes de lhes conheceram a causa. Ora, os céticos, os espíritos fortes, que tem o privilégio exclusivo da razão e do bom senso, não crêem naquilo que não podem compreender. Eis porque todos os fatos considerados prodigiosos são objetos de suas zombarias. Como a Religião está cheia de fatos desse gênero, eles não crêem na Religião, e disso à incredulidade absoluta vai apenas um passo. O Espiritismo, explicando a maioria desses fatos, justifica a sua existência. Vem, portanto, em auxílio da Religião, ao demonstrar a possibilidade de alguns fatos que, por não serem milagrosos, não são menos extraordinários. E Deus não é maior nem menos poderoso por não haver derrogado as suas leis.

De quantos gracejos não foram objeto as levitações de São Cupertino! Entretanto, a suspensão etérea dos corpos graves é um fato explicado pela lei espírita. Fomos testemunha ocular desse fato, e o sr. Home, além de outras pessoas nossas conhecidas, repetiram muitas vezes o fenômeno produzido por São Cupertino. Esse fenômeno, portanto, enquadra-se na ordem das coisas naturais.

17. No número dos fenômenos desse gênero temos de colocar em primeira linha as aparições, que são os mais freqüentes. A da Salette, que dividiu o próprio clero, não tem para nós nada de insólito. Não podemos afirmar com segurança a realidade do fato, porque não temos nenhuma prova material, mas o consideramos possível, em vista dos milhares de fatos semelhantes e recentes que conhecemos. Acreditamos neles, não somente porque verificamos a sua realidade, mas sobretudo porque sabemos perfeitamente como se produzem. Queiram reportar-se à teoria das aparições, que damos mais adiante, e verão que esse fenômeno se torna tão simples e plausível como uma infinidade de fenômenos físicos que só parecem prodigiosos quando não temos a chave de sua explicação

Quanto á personagem que se apresentou na Salette, é outra questão. Sua identidade não nos foi absolutamente demonstrada. Aceitamos apenas que uma aparição possa ter ocorrido; o resto não é de nossa competência. Cada qual pode guardar, a esse respeito, as suas convicções. O Espiritismo não tem de se ocupar com isso. Dizemos apenas que os fatos produzidos pelo Espiritismo revelam novas leis e nos dão a chave de uma infinidade de coisas que pareciam sobrenaturais. Se alguns desses fatos considerados miraculosos encontram assim uma explicação lógica, isso é motivo para que não se apressem a negar o que não compreendem.

Os fenômenos espíritas são contestados por algumas pessoas precisamente porque parecem escapar às leis comuns e não podem ser explicados. Daí-lhes uma base racional e a dúvida cessa. A explicação, neste século em que ninguém se satisfaz com palavras, é portanto um poderoso motivo de convicção. Assim vemos, todos os dias, pessoas que não presenciaram nenhum fato, não viram uma mesa mover-se nem um médium escrever, e que se tornaram tão convictas como nós unicamente porque leram e compreenderam. Se só devêssemos crer no que vemos com os nossos próprios olhos, nossas convicções seriam reduzidas à bem pouca coisa.

(1) A parapsicologia confirma hoje, cientificamente, através de pesquisas de laboratório, a naturalidade desses fenômenos. (N. do T.)

(2) Hoje, os parapsicólogos chegam a essa mesma conclusão: o prof. Rhine afirma que o pensamento é extrafísico e age sobre matéria; os profs. Carington, Soal, Price e outros admitem a ação de mentes desencarnadas na produção psikapa (efeitos físicos). ( N. do T.)

(3) O prof. Ernesto Bozzano chama a isto “Convergência das provas”, mostrando a necessidade científica de uma hipótese explicar todos os fenômenos da mesma natureza e não apenas algumas deles (N. do T.)

(4) Realmente, esse crítico, ainda em nossos dias, está por aparecer। Basta uma rápida leitura dos livros e artigos publicados hoje contra o Espiritismo, para nos mostrar que a situação não mudou। Cientistas, filósofos, teólogos, sacerdotes, pastores e intelectuais, inclusive adeptos de instituições espiritualistas procedentes do antigo Ocultismo, continuam a criticar levianamente o Espiritismo, sem se darem ao trabalho preliminar de estudá-lo, a não ser ligeiramente e com segundas intenções. ( N. do T)

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O Espiritismo não é obra de romance

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O Espiritismo não é obra de romance, mas de pesquisa científica
Mediunidade Dinâmica
A mediunidade dinâmica não permanece em êxtase no organismo do médium. Não age de maneira discreta e sutil, como a mediunidade estática. Pelo contrário, extravasa agitada em fenômenos de captação e projeção, não raro explodindo em casos obsessivos. É a chamada mediunidade de serviço, destinada ao auxílio e ao socorro do próximo. Decorre de compromissos assumidos no plano espiritual, seja para auxiliar indiscriminada-mente os que necessitam de ajuda e orientação, seja para o resgate de dívidas morais do passado com entidades necessitadas, cujo estado inferior se deve, em parte ou totalmente, a ações do médium em vidas anteriores. O médium não desfruta apenas as vantagens da mediunidade generalizada, pois se vê investido de uma missão mediúnica a que os Espíritos deram o nome de mediunato.

A situação do médium é bem diferente da comum. Ele é continuamente solicitado para atender a entidades desencarnadas carentes de auxílio e elucidação. Se rejeita o seu compromisso ou tenta protelá-lo fica sujeito a perturbações e final-mente à obsessão. O mediunato lhe foi concedido para reparar os erros do passado e recuperar os espíritos que pôs a perder, levou à descrença e até mesmo à revolta em vidas passadas. Não obstante o determinismo implícito no mediunato, o seu livre-arbítrio continua intacto. Assim como escolheu e pediu essa situação ao voltar à encarnação, por sua livre vontade, assim também poderá agora optar pelo cumprimento da missão ou pela sua rejeição, arcando naturalmente com as conseqüências da fuga ao dever.
O mediunato é também concedido em casos de pura assistência ao próximo e ajuda à Humanidade, como nos mostra o exemplo histórico das meninas Boudin, Julia e Carolina, em Paris, cuja mediunidade admirável garantiu o êxito da missão de Kardec.

Mas o próprio Kardec não era médium, porque a sua missão era científica e não mediúnica. Cabia-lhe estudar e pesquisar a mediunidade para desdobrar a incipiente cultura terrena, revelando aos cientistas a face oculta da Natureza, a realidade desconhecida do outro mundo que eles não percebiam e quando percebiam não aceitavam.

As meninas Boudin, que estavam com apenas 14 e 16 anos, foram os instrumentos mediúnicos de que ele se serviu para a elaboração da Doutrina। Interrogava os espíritos através delas, aceitava ou rejeitava o que diziam, discutia livremente com eles e observava outros médiuns, como a Srta. Jafet, Didier Filho, Camille Flammarion, Victorien Sardou e muitos outros. Não era um profeta, nem um vidente ou Messias: era um pesquisador incansável e exigente. A volumosa, minuciosa e inabalável obra que deixou, formando um maciço de mais de vinte volumes de quatrocentas páginas em média, mostra porque ele não podia dispor de um mediunato. Tinha de dedicar-se inteiramente, como se dedicou até à exaustão, ao trabalho intelectual. E grandiosa a epopéia humilde desse homem, pesquisador solitário de uma ciência que todos combatiam e ridicularizavam. Se não estava investido de mediunato, dispunha da intuição em alto grau, de um bom-senso que lhe permitiu solidificar e estruturar a doutrina em bases seguras e vencer facilmente as mais sofisticadas investidas dos intelectuais, dos sábios, dos ateus e materialistas, das academias e instituições culturais, das igrejas e dos teólogos, mostrando-lhes com serenidade e clareza meridiana os erros temerários em que incidiam. A mediunidade estática lhe permitia, nos últimos anos de trabalho, ser advertido diretamente pelos espíritos de lapsos ocorridos em seus escritos, como se pode ver em suas anotações publicadas em Obras Póstumas. Se os homens não fossem tão estúpidos, como demonstrou Richet em L'Homme Stupide, teriam poupado Kardec dos muitos dissabores e das muitas lutas que teve de sustentar.

Para se compreender melhor a razão pela qual Kardec não teve um mediunato, basta lembrar o caso de Swedenborg na Suécia e de Andrew Jakson Davis nos Estados Unidos. O primeiro era um dos maiores sábios do século XVIII, amigo de Kant e foi um precursor do Espiritismo. Mas, dotado de extraordinária vidência, perdeu-se nas suas próprias visões, fascinado pela realidade invisível, e acabou criando uma seita eivada de absurdos. O segundo era também vidente e lançou uma série de livros em que o fantástico supera as possibilidades do real.


Kardec pôde realizar seu trabalho com firmeza porque não quis ser mais do que homem, como dizia Descartes, permanecendo com os pés no chão e examinando todas as manifestações espirituais com o mais rigoroso critério científico.

Os fenômenos mediúnicos são os mais difíceis de se examinar com frieza. O médium não escapa aos impactos emocionais dessas manifestações, como Kardec viu no próprio exemplo de Flammarion. Por outro lado, a condição de médium o tornaria suspeito aos olhos desconfiados dos homens de ciência. Sua posição firme no campo cultural e nas áreas de pesquisa, que lhe valeram o louvor de Richet e o respeito de Crookes, Zöllner e outros cientistas conscienciosos, e principalmente sua lógica poderosa o livraram dos perigos que ele mesmo apontava no tocante à complexa e fascinante problemática do Espiritismo. Tinha de falar aos homens como homem, e assim o fez, com a linguagem humana dos que buscam a verdade.
Mesmo no meio espírita o critério de Kardec ainda não foi suficientemente compreendido.
Muitos censuram o seu comedimento em tratar de assuntos melindrosos da época. Não entendem o valor de O Livro dos Médiuns e vivem à procura de novidades apresentadas em obras mediúnicas suspeitas.
Não percebem que o problema mediúnico só agora pode ser tratado cientificamente com mais desembaraço, graças ao avanço das ciências nos últimos anos. Poucos entendem o critério modelar de uma obra difícil como A Gênese e de um livro como O evangelho Segundo o Espiritismo, em que as questões explosivas da fé irracional e das influências mitológicas teriam de ser contornadas. Nas mãos de um vidente esses livros não poderiam ser escritos com a clareza racional em que o foram, porque as visões místicas influiriam na sua elaboração.
A vidência, como todas as formas de mediunidade, pode ocorrer ocasionalmente a qualquer pessoa, mas a sua ação permanente, nos casos de mediunato, pode bloquear a razão e excitar o misticismo. Nesses casos o místico está sujeito a enganos fatais.

O espírito encarnado está condicionado à vida do plano material, não dispondo de segurança para lidar com os problemas do plano espiritual. Mas a vaidade humana leva os videntes a confiarem nas suas percepções, pois isso os coloca acima dos outros.
No desdobramento, com fins de pesquisa no outro plano, esse problema se agrava, pois o deslocamento do espírito para um campo de ação que não é o seu, durante a encarnação, o coloca no plano espiritual como um estrangeiro que precisaria de tempo para ajustar-se a ele. Por isso Kardec preferiu o estudo e a investigação através das manifestações mediúnicas, onde é possível controlar-se a legitimidade das informações dadas pelos próprios habitantes do plano espiritual.
Richet levantou o problema do condicionamento da vidência à crença do vidente. Frederic Myers demonstrou que a nossa mente está condicionada para a interpretação das percepções sensoriais.

A consciência supraliminar, onde funciona a nossa mente de relação, está voltada para as condições do mundo em que vivemos. A consciência subliminar, que equivale ao inconsciente, destina-se a funcionar normalmente na vida futura, ou seja, no plano espiritual. Kardec observou tudo isso com rigor, através de pesquisas incessantes, nas comunicações mediúnicas de espíritos encarnados, como se pode ver nos relatos de suas pesquisas publicados na Revista Espírita. Os próprios espíritos recém-desencarnados referem-se sempre às dificuldades que enfrentam para adaptar-se às condições do mundo espiritual. É pois, uma temeridade confiar-se na vidência para estabelecer novos princípios ou sistemas de prática espírita. A vidência auxilia nas pesquisas, mas não pode ser o seu instrumento único.
Os videntes que se colocam na posição de conhecedores absolutos do outro mundo, esquecendo-se de que o seu equipamento sensorial e mental pertence a este mundo, e se apresentam na condição de mestres e reformadores da doutrina enganam-se a si mesmos e enganam aos outros.

Pode-se alegar a existência do mediunato da vidência. Mas esse mediunato jamais é concedido para as aventuras de espíritos de vivos no plano espiritual, porque isso seria condenar o médium a uma situação de dualidade perigosa na vida terrena. O mediunato da vidência existe, mas para fins de auxílio às pesquisas ou para demonstrações da verdade espírita, mas nunca para a criação de condições anômalas no campo mediúnico. As próprias obras mediúnicas, psicografadas, que descrevem com excesso de minúcias a vida no plano espiritual, devem ser encaradas com reserva pelos espíritas estudiosos.
Emmanuel explica, prefaciando um livro de André Luiz, que o autor espiritual se serve de figuras analógicas para explicar fatos e coisas que não poderiam ser explicados de maneira fidedigna em nossa linguagem humana.
São perigosas as duas posições extremadas: a dos que não aceitam essas obras como válidas e a dos que pretendem substituir por elas as obras de Kardec.
Os princípios da Codificação não podem ser alterados pela obra de um espírito isolado. A Codificação não é obra de vidência, mas de pesquisa científica realizada por Kardec sob orientação e vigilância dos Espíritos Superiores.
Estamos numa fase de rápidas transformações de conceitos e valores, mas não devemos esquecer que os conceitos e os valores do Espiritismo não se restringem ao momento atual. São conceitos e valores destinados à nossa preparação para o futuro, de maneira que não estão peremptos.
De tudo isso resulta um acréscimo da responsabilidade espíri-ta para todos os que se deixam levar pela fascinação das novidades. O Espiritismo é um campo de estudos difícil e melindroso, em que não podemos descuidar um só instante da bússola da razão. Ao tratar de assuntos espíritas estamos agindo num campo magnético em que se digladiam as forças do bem e do mal. Nem sempre sabemos distingui-las com segurança e podemos deixar-nos levar por correntes de pensamento desnorteantes. A vaidade, a pretensão, o orgulho humano sempre vazio e fácil de ser levado pelos ventos da mistificação, o desejo leviano de nos diferenciarmos da maioria, a ambição doentia e tola de nos fantasiarmos de mestres podem levar-nos à traição à verdade.
A obra de Kardec é a bússola em que podemos confiar. Ela é a pedra de toque que podemos usar para aferir a legitimidade ou não das pedras aparentemente preciosas que os garimpeiros de novidades nos querem vender.
Essa obra repousa na experiência de Kardec e na sabedoria do Espírito da Verdade. Se não confiamos nela é melhor abandonarmos o Espiritismo.
Não há mestres espirituais na Terra nesta hora de provas, que é semelhante à hora de exames numa escola do mundo. Jesus poderia nos responder, diante da nossa busca comodista de novos mestres, como Abraão respondeu ao rico da parábola: "Porque eu deveria mandar-vos novos mestres, se tendes convosco a Codificação e os Evangelhos?".
A mediunidade dinâmica do mediunato exige o nosso esforço contínuo na luta para sustentação da verdade espírita no mundo. Mas ninguém se esquiva sem graves conseqüências ao dever da vigilância. Os espíritos mistificadores contam apenas com dois pontos de apoio para nos envolverem: a vaidade e a invigilância. É mais fácil a eles se aproximarem de nós e conquistar a nossa atenção, do que aos espíritos esclarecidos nos socorrerem com suas intuições ponderadas. Estamos num mundo de provas e de expiações, somos espíritos em evolução, na maioria repetidores de encarnações fracassadas. Nosso livre-arbítrio não pode ser violado, mas quando aceitamos as mistificações de pretensos reformadores usamos o livre-arbítrio na escolha infeliz que então fazemos. Este é um ponto importante de doutrina em que devemos pensar incessantemente. Nossa responsabilidade no tocante ao mediunato não nos permite leviandade alguma que não tenha um preço a pagarmos no presente ou no futuro. Num ambiente mediúnico dominado pelo desejo de novidades e pela expectativa do maravilhoso, estamos sujeitos sempre a nos embriagar com o vinho das ilusões. O principal dever dos médiuns resume-se em duas palavras: fidelidade e vigilância.
Se não formos fiéis à doutrina e não estivermos sempre vigilantes às ciladas das trevas, estaremos sujeitos a seguir o caminho dos falsos profetas da Terra e da erraticidade, que o cego da parábola levará ao barranco para cair com ele.

___ Jose Herculano Pires

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Sobre as pesquisas psíquicas na ex-União Sovié-tica (2ª parte)

03:25

Sobre as pesquisas psíquicas na ex-União Sovié-tica (2ª parte)

Por AIGLON FASOLO
Em julho de 1968, a revista francesa Planete registrou importante conferência sobre ESP reali-zada em Moscou em fevereiro daquele ano. Muitos dos mais notáveis cientistas da URSS ocupados em pesquisas sobre o paranormal estavam lá. "Explosiva!", foi o comentário de Planete. "A ciência soviética parece haver tomado a frente nas pesquisas sobre a parapsicologia!" Nessa reunião, impor-tantes cientistas russos revelaram trabalhos amplíssimos, atualíssimos, sobre telepatia, que então se faziam em muitos centros.
Infelizmente, essa conferência foi truncada por manobras, aparentemente do neo-estalinismo russo, e as duas pesquisadoras que escreveram o livro não puderam assistir no momento a parte mais importante, que era um filme sobre as habilidades psíquicas da maior paranormal russa, Nelya Mikhailova.

Isso, infelizmente não apareceu no noticiário ocidental. Porém, com a boa-vontade da Embai-xada Tchecoslovaca e o empréstimo de um projetor de 35 mm em uma de suas salas foi possível a exibição.
Os projetores zuniram e, finalmente, pudemos ver o famoso filme de Mikhailova sobre o PK.

Vimos na tela uma mulher de quarenta e um anos, ainda jovem, cheia de corpo, atraente, de rosto franco e olhos escuros e expressivos. Dir-se-ia quase que ela poderia ser parente do cosmo-nauta Yuri Gagarin, com os seus traços tipicamente eslavos – pômulos salientes e nariz arrebitado. Trazia os cabelos escuros penteados para trás, formando um coque, uma blusa de rendas sem man-gas e uma saia simples.
A Sra. Mikhailova estava sentada a uma mesa grande, redonda e branca, diante de uma janela de cortinas de rendas. Disseram os russos que ela já fora examinada por um médico, que a submeteu à ação dos raios-X para certificar-se de que não havia objetos nem ímãs escondidos em sua pessoa, nem fragmentos de shrapnel alojados em seu corpo em conseqüência dos ferimentos recebidos na guerra. Mas não encontraram coisa alguma.
Os cinco homens da turma de cinegrafistas, mais os cientistas e repórteres se aproximaram. Naumov colocou diante de Nelya uma bússola adaptada a uma pulseira, um cigarro em posição vertical, uma tampa de caneta, um cilindrozinho de metal semelhante a um saleiro, e uma caixa de fósforos em que se via representada uma espaçonave lunar – versão figurativa do espaço externo em confronto com o espaço "interno". Os objetos, brilhantes, contrastavam com a mesa clara, como uma natureza morta de Dali à beira do sobrenatural.

Os olhos escuros de Mikhailova concentraram-se na bússola – o objeto mais fácil para iniciar o aquecimento preliminar. O PK é mais fácil com objetos que rolam, dizem os pesquisadores ociden-tais. Com relógios e bússolas não há fricção estática. Mikhailova leva, às vezes, de duas a quatro horas para revelar os seus poderes sobrenaturais, disse Naumov em seu comentário, enquanto assis-tia ao filme mudo. Nelya manteve os longos dedos paralelos à mesa, uns quinze centímetros acima da bússola e entrou a agitar as mãos num movimento circular. O esforço lhe acentuou as covinhas do rosto. Passaram-se vinte minutos. O seu pulso, acelerado, batia 250 vezes por minuto. Ela virava a cabeça de um lado para outro, os olhos fitos na agulha da bússola. As mãos se moviam como se estivesse dirigindo uma orquestra invisível. E, logo, como se os átomos da agulha da bússola estivessem sintonizados com ela, a agulha estremeceu. Lentamente, começou a girar em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, girando como o ponteiro grande. Depois, toda a bússola, com o invólucro de plástico, a correia de couro e tudo o mais, principiou a rodopiar.
À medida que toda a bússola andava a roda, como um carrossel, as linhas debaixo dos olhos de Mikhailova se escureceram e as rugas da testa se aprofundaram, com a intensidade do esforço. Ela caiu para trás, exausta.
– A quantidade de poder que ela possui também depende das condições atmosféricas – observou Naumov. – O seu poder de PK diminui quando o tempo se enfarrusca.
No filme, Naumov espalhou o conteúdo de uma caixa inteira de fósforos sobre a mesa, a uns trinta centímetros, mais ou menos, de distância de Nelya. E depôs um cilindrozinho de metal não magnético e uma caixa de fósforos perto deles.
– Ela é seletiva – explicou Naumov. – É capaz de mover um ou dois objetos do grupo.
Mikhailova tornou a descrever círculos com as mãos acima dos objetos. O esforço fazia-a estremecer. Debaixo do seu olhar todo o grupo de fósforos se moveu, como numa corrida de toras num rápido rio de energia. Ali perto, o cilindro metálico também se mexeu. Ainda misturados como se estivessem formando uma jangada, os fósforos chegaram até a borda da mesa e, um por um, caíram ao chão. Naumov pôs outro punhado de fósforos e uma caixa de metal não magnético dentro de um grande cubo de plexiglass. O cubo destinava-se a eliminar a possibilidade de correntes de ar, fios ou arames. As mãos de Mikhailova afastaram-se alguns centímetros do cubo de plexiglass e os objetos começaram a saltar de um lado para outro no interior do recipiente plástico. Fosse qual fosse aquela energia, o certo é que ela penetrava com facilidade o plexiglass.
Mikhailova estava esgotada. Já perdera um quilo e meio naquela meia hora. Dir-se-ia que estivesse convertendo em energia a substância do próprio corpo. Muitos médiuns ocidentais também acusaram essa perda de peso durante as experiências de PK.
Como é que Mikhailova consegue viver com fatos como esses ocor¬rendo constantemente à sua volta?
– Até há poucos anos eu não sabia que era capaz de mover as coisas à distância – disse ela. – Fiquei muito perturbada e nervosa nesse dia. Eu caminhava na direção de um guarda-louça no meu apartamento quando, de repente, um jarro que estava no guarda-louça chegou até a borda da prateleira, caiu e quebrou-se.
"Depois disso, todos os tipos de mudança começaram a acontecer no meu apartamento", conta ela. Objetos pareciam "atraídos" na sua direção, como se o inanimado se houvesse animado. Dir-se-ia que ela tivesse um trasgo em casa. Habitualmente, dizem os cientistas, as atividades de trasgos são causadas por um jovem da família – quase sempre na época da puberdade. Os objetos parecem mover-se por conta própria – portas e janelas se abrem e fecham, luzes se acendem e apagam sozinhas, as leis da gravidade dão a impressão de haver-se invertido.

Mas, à diferença da maioria das pessoas atormentadas por um trasgo, Nelya compreendeu, de chofre, que a "força" vinha dela. Des¬cobriu que podia controlá-la. Podia fazer que as coisas acontecessem pelo simples fato de querê-lo. Podia concentrar e focalizar à vontade essa energia extraordi-nária. Em casa, com a família, carregando o neto no colo, fez um brinquedo distante aproximar-se. Enquanto uma amiga a manicurava, ela fez que um vidrinho de esmalte se movesse sem tocá-lo com as mãos, em que o esmalte ainda não secara. O cachorro da família também via, pasmado, os objetos perto da sua dona começarem a girar. O marido, fascinado, fez um filme amador com base nos seus estranhos poderes de PK.
– Acho que herdei essa capacidade telecinética de minha mãe – diz Mikhailova. – E também a transmiti a meu filho.

Rússia – Nelya Mikhailova não surgiu como médium consumada de PK no cenário científico soviético. Alguns anos antes, estivera convalescendo de uma doença num hospital de Leningrado. Para passar o tempo, dedicou-se ao bordado. Certo dia, quando a enfermeira lhe trouxe uma sacola de meadas de várias cores, Nelya, sem olhar, enfiou a mão na sacola. Queria uma linha vermelha, outra amarela e outra verde. Quando retirou a mão do fundo da sacola, eram essas as cores que estava segurando. Num relance, compreendeu que as escolhera entre muitas meadas misturadas dentro da sacola, sem as ver. De uma forma ou de outra, a sua mão reconhecera as cores.
Voltando para casa, viu um artigo de jornal a respeito de Rosa Kuleshova, que, dizia-se, era ca-paz de "ver" as cores com as mãos. "Também posso fazer isso!" pensou Nelya, agitada. Precisando submeter-se a um exame médico, mencionou a idéia aos seus médicos, os Drs. S. G. Feinburg e G. S. Belyaev.

É uma das típicas ironias da ciência que o Dr. Feinburg, cético confirmado a respeito da "visão sem olhos" e da capacidade psíquica em geral, acabasse sendo um dos primeiros confirmado-res da existência de tais aptidões.
O descobrimento dos seus novos talentos não tardou a levar Nelya a um dos maiores fisiologis-tas da Rússia, o Dr. Leonid Vasiliev. O Dr. Vasiliev realizou meticulosas experiências sobre a sua capacidade e fez que ela demonstrasse os seus dotes paranormais diante de dezenas de cientistas. Em 1964, convocou-se uma conferência especial de notáveis cientistas para assistir à demonstração de Mikhailova e, de acordo com o número de janeiro de Smena, a conferência foi um sucesso.

O Dr. Vasiliev entrou a fazer conjeturas sobre como poderia ocorrer a visão cutânea. Se as mãos de Mikhailova podiam "ver", era possível que estivessem emitindo alguma espécie de energia "X". Ora, se havia uma energia, ela talvez pudesse fazer outras coisas além de ver sem olhos. No meio de uma experiência de visão cutânea com Mikhailova, Vasiliev se lembrou de que um famoso pesquisador grego, o Dr. A. Tanagras, descobrira que um dos seus pacientes era capaz de fazer girar a agulha de uma bússola mantendo as mãos acima dela. Na inspiração do momento, Vasiliev arranjou uma bússola, colocou-a diante de Nelya, e animou-a a tentar. Ela nunca experimentara fazer isso antes e, naturalmente, não tivera a oportunidade de preparar-se com antecedência para o teste. Estendeu as mãos sobre a bússola e ali as conservou. A agulha moveu-se. O Dr. Vasiliev descobrira uma talentosa portadora de PK! Daí por diante executou uma série de experiências de PK. Logo descobriu que Mikhailova, por meio do PK, era capaz de mover também outros objetos a distância. Nelya Mikhailova, a mocinha que estivera na frente de batalha durante o cerco de Leningrado, via-se agora na frente de outra luta, para descobrir novos potenciais do ser humano. Fez inúmeras demonstrações de PK para cientistas. Em certa ocasião, pesquisadores universitários lhe pediram que modificasse o curso da areia numa ampulheta. Em lugar de mudar o curso da areia, consoante os relatos, ela mudou, a distância, a própria ampulheta.

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Darwin Nunca Afirmou Que o Homem Veio do Macaco.

07:39




Darwin Nunca Afirmou Que o Homem Veio do Macaco.

Qualquer estudo básico sobre argumentação denúncia a existência das Falácias, elas se dividem em Formais e Não-Formais. As Formais implicam em erros na Forma, estrutura do raciocínio. As Não-Formais, em geral são pseudo argumentos que disfarçam sua inconsistência com algum tipo de artifício, como um apelo abusivo a autoridades, um exagero ou uma anedota.

Existem inúmeras falácias, e elas costumam ser amplamente utilizadas, e em especial em grau sofisticado por advogados e políticos. Mas algumas delas não apenas são comuns, como se integraram de tal forma em nossa cultura que são quase impossíveis de serem derrubadas.

Não tenho dúvidas de que a Falácia mais bem sucedida de todos os tempos é do gênero da "Falácia do Espantalho".
Trata-se de construir uma versão distorcida da idéia que se quer atacar, torná-la mais frágil, e então refutá-la e ridicularizá-la, dando a impressão que se "destruiu" as idéias do adversário, quando na verdade, se atacou apenas uma versão deturpada, "espantalho", dela.

Como exemplos poderiam citar o ativista de direitos humanos que combate os maus tratos aos prisioneiros, que quando é criticado por um adversário é apresentado como alguém que defende os criminosos contra a sociedade, uma versão muito mais fácil de se atacar.

Mas a falácia mais bem sucedida de todos os tempos, voltando ao tema, é nada mais nada menos do que:
"A Teoria da Evolução diz que o Homem evoluiu do Macaco."

Ninguém parece saber quem é o responsável por tal idéia, mas muitos dão por quase certo que foi um Criacionista, ao menos no que se refere à sua popularização, pois tal afirmação sequer faz sentido dentro da teoria evolutiva. Não obstante, essa noção é tão forte e difundida no senso comum que a maioria dos evolucionistas já desistiu de combatê-la, apenas lidando com ela de modo a contorná-la ou reinterpretá-la.

Para compreendermos, porém, a dimensão do problema, faz-se necessário observar o uso das palavras em Inglês.
Na Lígua Inglesa existem dois termos: Monkey e Ape.

Monkey se refere a uma categoria de primatas inferiores, que apresentam cauda, são em geral menores, menos inteligentes e possuem uma vasta variedade de espécies espalhadas por todo o mundo. Alguns exemplos são os Micos, Saguis, Macacos-Aranha, Macacos-Prego, Babuínos e etc.

Ape se refere à restrita categoria dos Primatas Superiores, a saber: Gorilas, Chimpanzés, Orangotangos e Bonobos (Chimpazés-Pigmeus). São os mais inteligentes animais da natureza, bem maiores em tamanho que os primatas inferiores, nenhum deles tem cauda e só existem no continente Africano.
Entretanto, na Língua Portuguesa, ambas essas categorias são traduzidas pelo mesmo nome Macaco, o que gera muitas confusões.

Dizer então que a Espécie Humana evoluiu de uma espécie de Ape, é algo até razoável. Impreciso, para dizer o mínimo, mas ao menos é defensável, dependendo do ponto de vista.
Mas dizer que a Espécie Humana evoluiu de uma espécie de Monkey é, sem sombra de dúvida, TOTALMENTE ERRADO!
Observando-se a linha de ancestralidade da espécie humana, retrocederemos no tempo primeiro para os Hominídeos, que são:
Homo Abilis >> Homo Ergaster >> Homo Erectus >> Homo Heidelbergensis >> Homo Sapiens
2 Milhões de anos atrás-----------------------------------------200 mil anos Atrás
(aproximadamente)
Seguramente essas espécies não eram Macacos, nem na acepção Monkey, nem na Ape. Elas eram, como o primeiro nome de cada uma sugere, Hominídeos. Dentre as características que as diferenciam dos Apes estão o tamanho do cérebro, bem mais desenvolvido, a capacidade de usar ferramentas de modo muito mais sofisticado que os Apes, o fato de serem bípedes e andarem eretos, diferente dos Apes atuais, e outras.

Antes do Homo Abilis, temos então:
Australopitecus Afaraensis >> Australopitecus Africanus >> Homo Abilis
4,4 Milhões de anos atrás-------------------------------------2 Milhões de anos atrás
(aproximadamente)

O Australopitecus Afaraensis certamente não era um Monkey, e tão pouco poderia também ser chamado de um Ape, pois apresentava também o caminhar ereto, além de uma série de outras diferenças cranianas. O melhor exemplar desta espécie é um registro fóssil praticamente inteiro de uma fêmea que os cientistas batizaram de Lucy. E é talvez o que mais se aproxime da idéia de um "Elo Perdido", que era um termo usado por alguns evolucionistas antigos.

A ídeia de um elo perdido, no entanto, também se revelou errônea, e não é mais usada pelos evolucionistas ao menos desde a década de 70, quando as descobertas dos Leakeys e de Donald Johanson (descobridor de Lucy) aumentarem imensamente nossa perspectiva do passado. No entanto esse conceito também se embrenhou no senso-comum, de modo que até hoje alguns Criacionistas "denunciam" que "O Elo perdido nunca foi encontrado".

De certo que se pode dizer que exista um "elo" transicional entre uma espécie e outra, mas no caso dos humanos, há dezenas de "elos" nos separando das demais espécies atuais do planeta, e o mais interessante, esses "elos", mesmo se totalmente reconstituídos, jamais nos levariam aos "Macacos", no caso demais Primatas Superiores.
Para entender o porquê disso, basta recuar mais um pouco na linhagem hominídea, e vejamos uma de suas mais prováveis reconstituições:
Propliopitechus >> Ramapithecus >> Australopitecus Afaraensis
30 Milhões de anos atrás ------------------------------ 4,4 Milhões de anos atrás
(aproximadamente)

Diz-se, mais provável, porque essa fase da evolução dos pré hominídeos ainda é pouco conhecida, mas uma coisa já é bastante clara, que foi dos Propliopitechus que além de se desenvolver a linhagem que viria a resultar nos humanos, se desenvolveu também a linhagem que viria a resultar nos Primatas Superiores.
Isso é o mais importante:
Os Primatas Superiores atuais, os Apes, NÃO são Ancestrais do HOMO SAPIENS!
São na verdade o resultado de uma linhagem evolutiva paralela, que é "aparentada" com os humanos. Nesse sentido, é impossível afirmar que os Humanos evoluíram dos "Macacos" que temos hoje. Talvez, se considerarmos que o Propliopitechus seja um Ape, a afirmação é defensável, mas é muito difícil aceitar que tal espécie possa ser colocada na mesma categoria de um outro grupo de espécies distante mais de 20 milhões de anos. Seria como dizer que um Velociraptor é um tipo de Lagarto como os que vivem hoje, Iguanas, Calangos, Lagartixas e etc.

Com isso, cai por Terra também uma das dúvidas leigas mais comuns sobre evolução humana, e que os Criacionistas exploram largamente, que é a pergunta: "Se os homens evoluíram dos Macacos, porque ainda há Macacos?"
Essa questão é Triplamente Errônea.
Primeiro, porque como já vimos, ela parte de uma premissa errada, pois os humanos não evoluíram dos "Macacos", nem na acepção de Monkey, nem na de Ape;
Segundo, porque mesmo que considerássemos os ancestrais dos humanos como macacos, estes não existem mais;
E terceiro, porque mesmo que existisse, isso em nada seria problema para a linhagem Evolutiva.

O fato de uma espécie evoluir de outra, não significa que a espécie anterior tenha que deixar de existir. Caso contrário, não deveriam mais existir anfíbios, répteis nem invertebrados em geral.

A única coisa que provoca o desaparecimento de uma espécie é a competição com outras espécies, ou catástrofes naturais de imensas proporções. As espécies pré-humanas em geral foram desaparecendo provavelmente porque foram sendo superadas por espécies descendentes cada vez mais aperfeiçoadas, uma vez que eram próximas, tinham necessidades semelhantes e competiam entre si.

Mas não havendo tal competição, não há motivos para o desaparecimento da espécie. Dessa forma, os atuais macacos, em qualquer que seja a acepção, nunca foram nossos competidores, ao menos em larga escala, da mesma forma como nunca foram nossos ancestrais.
Mesmo sendo totalmente equivocadas, questões como essa são feitas exaustivamente não só por criacionistas, podendo ser encontradas, inclusive na própria Web, em quantidade muitíssimo maior do que textos que esclareçam tais equívocos. Algumas chegam ao ponto de adicionar: "Então porque os macacos pararam de evoluir?"! Ou ainda pior, "Porque não vemos um macaco se transformar num homem?"
Esse é o resultado de uma bem sucedida Falácia do Espantalho, o conceito distorcido se propagou tanto que até mesmo publicações especializadas por vezes preferem simplificar e se referir a nossos ancestrais como "Homens-Macacos", sempre na acepção Ape, é claro, muitas vezes usando, em português, os termos "Grandes Macacos", se referindo aos Primatas Superiores. Isso porém, dá margem a uma série de equívocos, principalmente em nosso idioma, permitindo toda uma gama de más interpretações. É possível ver textos inteiros, livros a até projetos de lei tendo como base esse equívoco.
Da mesma forma, não apenas a Evolução Humana, mas toda a Evolução da Vida, costuma ser distorcida pelos Criacionistas, que pregam para seus fiéis uma versão Espantalho do Evolucionismo, com afirmações bizarras, e sem dúvida inaceitável, e então o atacam como se estivessem derrubando o Evolucionismo real! E é claro que a maioria esmagadora de seu público alvo, os crentes ou os leigos, nunca irá se preocupar em verificar se tal imagem realmente procede.

É por isso que 90% do trabalho do defensor do Evolucionismo é desfazer as idéias equivocadas que os criacionistas, e o público em geral, tem da Evolução.
Diz a lenda, que certa vez perguntaram para um Evolucionista se ele era descendente de Macacos por parte de mãe ou por parte de Pai*. Deve-se admitir, foi uma gozação bem bolada. Mas mais engraçado ainda seria se o Evolucionista tivesse respondido: "Nenhum dos dois, sou descendente de hominídeos. Mas você, fazendo perguntas como esta, me deixa tentado a dizer que é! Só não o faço porque seria desrespeito com os nossos primos."

(*Obs: Na verdade tal pergunta teria sido feita pelo Bispo Samuel Wilberforce à Thomas Henry Huxley, o defensor de Darwin, durante um debate em Oxford em 1860. E Huxley teria respondido: "...não me envergonho de tal origem. Mas me envergonharia de descender de um homem que corrompeu os dons da cultura e da eloquência em prol do preconceito e da falsidade." Infelizmente o debate não foi devidamente documentado, e tudo o que sabemos sobre ele vem de reconstituições de reportagens da época e de anotações dos envolvidos e presentes, pouco mais de 700 pessoas.


FONTE: Marcus Valerio XR
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Historia do Espiritismo continuação

12:50

O QUE É O ESPIRITISMO?

Allan Kardec, em “Obras Póstumas”, explica que nos seus estudos de espiritismo aplicou à nova ciência o método experimental, bem como o método indutivo, e jamais elaborou teorias preconcebidas; “observava cuidadosamente, comparava, deduzia conseqüências; dos efeitos procurava remontar à causa, por dedução e pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo por válida uma explicação senão quando resolvia todas as dificuldades da questão”.

Acrescenta ele: “Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações foi que os espíritos, nada mais sendo que as almas dos homens, não possuíam a plena sabedoria, nem a ciência integral; que o saber de que dispunham se circunscrevia ao grau que haviam alcançado, de adiantamento. (...) Reconhecida desde o princípio, esta verdade preservou-me do grave escolho de crer na infalibilidade dos espíritos e impediu-me de formular teorias prematuras, tendo por base o que fora dito por um ou alguns deles”.

“O simples fato da comunicação com os espíritos, dissessem eles o que dissessem, provava a existência do mundo invisível ambiente. Já era um ponto essencial, um imenso campo aberto às nossas explorações, a chave de inúmeros fenômenos até aqui inexplicados. O segundo ponto, não menos importante, era que aquela comunicação permitia que se conhecesse o estado desse mundo, seus costumes, (...).Cada espírito, em virtude de sua posição pessoal e de seus conhecimentos, me desvendava uma face daquele mundo, do mesmo modo que se chega a conhecer o estado de um país interrogando habitantes seus de todas as classes, não podendo um só, individualmente, informar-nos de tudo. Compete ao observador formar o conjunto, por meio dos documentos colhidos de diferentes lados, colecionados, coordenados e comparados uns com os outros. Conduzi-me, pois, com os espíritos, como houvera feito com os homens. Para mim, eles foram, do menor ao maior, meios de me informar, e não reveladores predestinados”.

E no seu livro “O que é o Espiritismo” o codificador explica, sumariamente:
“O espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática consiste na relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas relações”.
E conclui: "Podemos defini-lo assim: o espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal”.

CONSOLADOR

“Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito de Verdade, a quem o mundo não pode receber porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito”.
(S. João, cap. XIV v.15,16,17,26).
É o espiritismo o consolador prometido por Jesus; é o Santo Espírito — o Paracleto, que em seu nome o Pai enviou para dar ao homem o “conhecimento das coisas, fazendo que ele saiba de onde vem, para onde vai e porque está na Terra: atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança”.

Assim como Cristo disse “Não vim destruir a lei, porém, cumpri-la”, também o espiritismo diz “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução”. – “Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas desenvolve completa e explica, em termos claros e para toda a gente, o que foi dito apenas em forma alegórica”.

O espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras e alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores”.

A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação: o Novo Testamento tem-na no Cristo. O espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus,mas não tem a personificá-lo nenhuma individualidade, porque é fruto dado não por um homem, mas pelos espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra”.
Tem por divisa “Fora da caridade não há salvação”. Aos seus adeptos oferece um imperativo de iluminação: “Espíritas, amai-vos, este é o primeiro ensinamento; instruí-vos, este é o segundo”.

Doutrina Espírita — filosofia com bases científicas e conseqüências morais


Tendo aparecido numa época de emancipação e madureza intelectual, em que o homem queria saber o porquê e o como de cada coisa, o espiritismo surgiu não somente como as revelações anteriores, através de um ensino direto, mas também como fruto do trabalho da pesquisa e do livre exame, deixando ao homem o direito de submeter tudo ao cadinho da razão.

Pelo método aplicado na observação dos fatos, pelas respostas que oferece às profundas indagações do espírito humano, com reflexos inevitáveis no modo de proceder das pessoas, salienta-se que o espiritismo é uma doutrina de tríplice aspecto: científico, filosófico e moral.

No livro "O que é o Espiritismo", Allan Kardec diz-nos que «o espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas relações.

1. Ciência - método científico

Os fenômenos mediúnicos, tão antigos quanto o homem à face da terra, sempre chamaram a atenção para a realidade da vida espiritual.

O espiritismo, surgindo numa época de emancipação e madureza intelectual, procedeu, na sua elaboração, da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental.

O espiritismo experimental estudou as propriedades dos fluidos espirituais e demonstrou a existência do perispírito.

A parte experimental do espiritismo está contida em «O Livro dos Médiuns», editado em Paris, França, em 1861.

2. Filosofia - novos campos para o conhecimento

As grandes questões da alma permaneceram por muito tempo encobertas pelo véu do mistério e do dogma.

A libertação do conhecimento, nos tempos modernos, permitiu ao homem questionar os princípios filosóficos dogmáticos, incapazes de resistirem ao mínimo critério de lógica.

A filosofia espírita está consubstanciada em «O Livro dos Espíritos», editado em 1857.

As bases da doutrina espírita foram estabelecidas por Allan Kardec, através da análise e seleção das comunicações dos espíritos, usando o critério da universalidade e concordância do ensino dos espíritos à luz da razão.

O espiritismo propugna pela fé raciocinada.

Os pontos fundamentais do espiritismo são: Deus; o espírito e a sua imortalidade; comunicabilidade dos espíritos; a reencarnação; pluralidade dos mundos habitados; leis morais.

3. Moral - aperfeiçoamento interior

O homem primitivo, não podendo explicar os fenômenos naturais, atribuía-os a uma potência superior, que ele passou a reverenciar, surgindo as formas primitivas de culto.

O espiritismo não tem formas exteriores de adoração, nem sacerdotes, nem liturgia.
A parte moral do espiritismo está contida em «O Evangelho Segundo o Espiritismo», editado em 1864.


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Os Animais e o Espiritismo

02:47

Os Animais e o Espiritismo

Já fomos animais?

Kardec perguntou ao Espírito da Verdade sobre os animais vivendo em mundos superiores. A resposta dizia que, neles, os animais continuam a ser submissos aos humanos como servidores inteligentes.
Por mais evoluído que seja algum animal, não é superior a qualquer ser humano. Se existir alguma espécie superior, com certeza se seguirá à fase humana, mas, neste caso, já não seria mais animal e sim estaria em outro estágio supra-humano.

Principio Vital (não confundir com vitalidade)

61. Há uma diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e a dos inorgânicos?

– A matéria é sempre a mesma, mas nos corpos orgânicos está animalizada.

62. Qual é a causa da animalização da matéria?

– Sua união com o princípio vital.

63. O princípio vital é um agente particular ou é apenas uma propriedade da matéria organizada? Numa palavra, é um efeito ou uma causa?

– Uma e outra. A vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, do mesmo modo que a matéria não pode viver sem esse agente. O princípio vital dá a vida a todos os seres que o absorvem e assimilam.

65 .O princípio vital reside em algum dos corpos que conhecemos?

– Tem sua fonte no fluido universal. É o que chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. Ele é o intermediário, o elo entre o Espírito e a matéria.

Assim sendo sua fonte está na mesma fonte da Matéria distribuida por todo o Universo Material; o Fluido Cósmico Universal ou FCU.

Principio Inteligente

2. Qual é a fonte da inteligência?

– Já o dissemos: a inteligência universal.

73. O instinto é independente da inteligência?

– Não, precisamente, mas ele é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não-racional. É por meio dele que todos os seres provêm as suas necessidades.

Portanto, é também universal a fonte, assim como o FCU.

Espírito

79. Uma vez que há dois elementos gerais no universo: o inteligente e o material, pode-se dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes são formados do elemento material?

– É evidente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material. A época e o modo dessa formação é que são desconhecidos.

Fica claro que o Espírito é a individualização do Princípio Inteligente, ou PI.
Temos as Plantas, que são formadas pelo elemento material com sua união com o PV ou Princípio Vital.

Temos os Animais, que são formados pelo elemento material com sua união com o PV e ainda unido ao PI ou Princípio Inteligente:

606. De onde os animais tiram o princípio inteligente que constitui a espécie particular de alma, da qual são dotados?

– Do elemento inteligente universal.

Portanto, da mesma fonte:

606. A inteligência do homem e a dos animais vêm de um princípio único?

– Sem dúvida. Mas no homem ela recebeu uma elaboração que o eleva acima do animal.

Portanto afirmar que já fomos animais não é exato.
Mas dizer que o Espírito já foi um Princípio Inteligente é.

Seguindo nesta linha de esclarecimento chagamos a questão.
607 . Assim, pode-se considerar que a alma teria sido o princípio inteligente dos seres inferiores da Criação?

– Não dissemos que tudo se encadeia na natureza e tende à unidade? É nesses seres, que estais longe de conhecer inteiramente, que o princípio inteligente se elabora, individualiza-se pouco a pouco e ensaia para a vida, como já dissemos.
É, de algum modo, um trabalho preparatório, como a germinação, em que o princípio inteligente sofre uma transformação e torna-se Espírito.
É então que começa o período da humanização e com ela a consciência de seu futuro, a distinção entre o bem e o mal e a responsabilidade de seus atos.
Assim como depois da infância vem a adolescência, depois a juventude e, enfim, a idade adulta. Não há, além disso, nessa origem nada que deva humilhar o homem.

610. Os Espíritos que disseram que o homem é um ser à parte na ordem da Criação estão enganados?

– Não; mas a questão não foi explicada e, aliás, há coisas que só a seu tempo podem ser esclarecidas. O homem é, de fato, um ser à parte, uma vez que tem faculdades que o distinguem de todos os outros e tem outra destinação. A espécie humana é a que Deus escolheu para a encarnação dos seres que podem conhecê-lo.

Mais adiante encontramos um artigo na web que resumo esta parte.
Neste ponto existem duas teorias:

Uma defende que esse princípio inteligente reencarna sempre enquanto animal, mantendo-se assim por toda a eternidade.

Outra defende que esse princípio inteligente vai evoluindo ao longo de milhões de anos até que chegará ao estado hominídeo, começando então a ganhar consciência de si próprio e dando os primeiros passos no grau de evolução onde nos encontramos.

A primeira teoria merece todo o nosso respeito, bem como as pessoas que a defendem, no entanto para nós não faz sentido que Deus tenha criado seres inferiores para permanecerem nessa situação eternamente, essa possibilidade não condiz com o conceito de Deus infinitamente justo, mais, no ultimo parágrafo da resposta 540 de O Livro dos Espíritos pode ler-se uma passagem que parece apontar nesse sentido: “(…) tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo. Admirável lei de harmonia, que o vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto!”

A resposta para esta duvida esta no próprio livro em uma questão adiante.

591. Nos mundos superiores, as plantas são de natureza mais perfeita, como os
outros seres?
“Tudo é mais perfeito. As plantas, porém, são sempre plantas, como os animais
sempre animais e os homens sempre homens.”

Outra coisa um átomo não pode evoluir ao nível de espirito puro.
E por quê? Porque o espírito é imaterial, enquanto o átomo é matéria essencial.
Isso significaria dizer que o espírito surge a partir da matéria e sabemos que não é isso o que a doutrina nos explica.

Como essa afirmação "ipisis literis" é um absurdo, seu significado como argumento pela evolução de todos os seres cai por terra. Há um outro significado, que só pode ser compreendido se dissociado de paixões e atavismos:

Átomos evoluem para moléculas mais complexas, plantas evoluem para plantas mais complexas, animais evoluem para animais mais complexos e espíritos evoluem ao estado de Pureza.

Em resumo: a afirmação estaria dizendo que átomos E arcanjos evoluem (do átomo ao arcanjo, tudo evolui).

Voltamos para LE
604. Os animais, mesmo aperfeiçoados nos mundos superiores, sendo sempre interiores aos homens, disso resultariam que Deus tivesse criado seres intelectuais perpetuamente votados à inferioridade, o que parece em desacordo com a unidade de vistas e de progresso que se assinalam em todas as suas obras?
— Tudo se encadeia na Natureza por liames que não podeis ainda perceber, e as coisas aparentemente mais disparatadas têm pontos de contato que o homem jamais chegará a compreender no seu estado atual. Pode entrevê-los por um esforço de sua inteligência, mas somente quando essa inteligência tiver atingido todo o seu desenvolvimento e se libertado dos prejuízos do orgulho e da ignorância poderá ver claramente na obra de Deus. Até lá suas idéias limitadas lhe farão ver as coisas de um ponto de vista mesquinho. Sabei que Deus não pode contradizer-se e que tudo, na Natureza, se harmoniza através de leis gerais que jamais se afastam da sublime sabedoria do Criador.
Bem e para finalizar fica a pergunta. Supondo que o homem venha evoluindo do animal em que parte do caminho ele perdeu o AMOR ABSOLUTO que é atributo de todo cão? Isto seria evoluir?


Concluindo.
A verdadeira doutrina espírita está no ensino dos Espíritos.
“Os conhecimentos que esse ensino encerra são demasiado sérios para serem adquiridos sem um estudo profundo e continuado, feito no silêncio e no recolhimento”.

Sobre animais nos planos espirituais.

Existem Animais no Mundo Espiritual ?

Herculano Pires comentando sobre esta afirmação: "Espíritos errantes são os que aguardam nova encarnação terrena (humana) mesmo que já estejam bastante elevados. São errantes porque estão na erraticidade, não se tendo ainda fixado em plano superior. Os espíritos de animais, mesmo dos animais superiores, não tem essa condição. Ler na Revista Espírita, no. 7 de julho de 1860, as comunicações do Espírito de Charlet e a crítica de Kardec a respeito."
É impossível, visto que os animais só possuem o instinto e não possuem o livre arbítrio (só os homens a possuem). E se eles não possuem o livre arbítrio, depois da morte física, não podem analisar seus erros e acertos, não podem sofrer penas nem gozos por não terem consciências de seus atos praticados no mundo físico, e nada mais justo que devolvê-los rapidamente ao mundo físico, seja em um planeta ou outro para que continuem sua evolução até chegarem ao estado hominal, donde daí para frente possuirão livre-arbítrio e sofrerão as penas e gozos do mundo espiritual.
Livro dos Médiuns, Cap. XXV, item 283, item 36 a 37.
283. Evocação de animais:
36. Pode-se evocar o Espírito de um animal?
- O princípio inteligente que animava o animal fica em estado latente após a morte. Os Espíritos encarregados desse trabalho imediatamente o utilizam para animar outros seres, através dos quais continuará o processo da sua elaboração. Assim, no mundo dos Espíritos não há Espíritos errantes de animais, mas somente Espíritos humanos. Isto responde a vossa pergunta.
37. Como se explica então que certas pessoas tenham evocado animais e recebido respostas?
- Evoque um rochedo e ele responderá. Há sempre uma multidão de Espíritos prontos a falar sobre tudo.
Livro dos Espíritos, Cap. XI, Item II, perguntas 598 a 600.
598. A alma dos animais conserva após a morte sua individualidade e a consciência de si mesma?
- Sua individualidade sim, mas não a consciência de si mesma. A vida inteligente permanece em estado latente.
599. A alma dos animais pode escolher a espécie em que prefira encarnar-se? - Não; ela não tem o livre-arbítrio.
600. A alma do animal, sobrevivendo ao corpo fica num estado errante como a do homem após a morte?
- Fica numa espécie de erraticidade, pois não está unida a um corpo. Mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e age por sua livre vontade: o dos animais não tem a mesma faculdade. E a consciência de si mesmo que constitui o atributo principal do Espírito. O Espírito do animal é classificado, após a morte, pelos Espíritos incumbidos disso e utilizado quase imediatamente: não dispõe de tempo para se por em relação com outras criaturas.
Revista Espírita, janeiro de 1861, Allan Kardec:
“Sabe-se que não há Espíritos de animais errantes no mundo invisível e que, conseqüentemente, não pode haver aparições de animais, salvo o caso em que um Espírito fizesse surgir uma aparência desse gênero, com um objetivo determinado, o que não passaria, sempre, de uma aparência, e não o Espírito real de tal ou qual animal. O fato das aparições é incontestável, mas é preciso guardar-se de as ver em toda parte e de tomar como tais o jogo de certas imaginações facilmente exaltáveis, ou a visão retrospectiva das imagens estampadas no cérebro.”

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Pesquisas Psíquicas na ex-União Soviética 1ªPARTE

02:36

Sobre as pesquisas psíquicas na ex-União Soviética

(1ª parte)

AIGLON FASOLO - De Londrina

Em 1968 duas pesquisadoras e jornalistas americanas, a convite de cientistas russos, na época pertencentes à URSS, percorreram a Rússia, Bulgária e Checoslováquia para estudar os programas de intensa pesquisa parapsicológica que estavam sendo realizados nestes e em outros países do blo-co soviético.
Sheila Ostrander e Lynn Schroeder contam em seu livro “Experiências Psíquicas além da Cortina de Ferro” o que descobriram. Falam de Telepatia Mental, Hipnotismo, Cura pela Fé, Pre-cognição, Psicocinese, Auras de animais (inclusive humanas) e plantas, Acupuntura, Levitação, Rabdomância etc., e o que ingenuamente denominamos “PES” (percepção extra-sensorial).
Tudo isso, pesquisado com financiamento do governo de países ditos materialistas dialéticos, ateus confessos, por isso mesmo isentos de quaisquer preconceitos religiosos. Seu único desejo, a utilização prática de poderes que todos nós possuímos, e que a ciência ocidental trata com desprezo como lenda.
O ocidental comum junta tudo o que não aprendeu a definir como espiritual ou científico numa grande cesta, depois corta em pedacinhos, para ajustar às suas preferências. Quando surgem assun-tos que não parecem se encaixar em uma explicação pragmática ou espiritual, simplesmente nega sua existência.
Assuntos como esses que antigamente eram tratados como metafísica, hoje são simplesmente “psíquicos”.
Diferentemente do que dicionários classificam como “psíquicos”, e diametralmente opostos a eles, os assuntos que aqui serão discutidos são em todos os sentidos, não somente susceptíveis de observação científica, como de investigação tecnológica. Todos eles foram investigados na União Soviética.
Quando, em 1959, o submarino atômico Náutilus da marinha americana atravessou submerso o gelo da calota polar ártica, um jornal francês noticiou que cientistas americanos haviam feito expe-riências bem sucedidas de contato telepático com base naval nos Estados Unidos, estando separados por milhares de quilômetros de distância e debaixo de uma centena de metros de gelo. A marinha americana negou veementemente que tal fato tivesse acontecido, veemência já por si só suspeita.
Este fato, entretanto, não passou despercebido aos cientistas russos, que já naquela época vi-nham fazendo algumas experiências, principalmente procurando utilidade prática, inclusive militar, para alguns conhecidos videntes e médiuns dentro da Rússia.
Enquanto o mundo ocidental ridicularizava até pesquisadores eruditos sérios (exemplo, o Dr. J. B. Rhine, o primeiro a utilizar a palavra “Parapsicologia”), na União Soviética cientistas ilustres, físicos, químicos, filósofos, sociólogos, usando dinheiro público, iniciavam estudos profundos nes-sa ciência psíquica, ocidentalmente desprezada.

PRÓLOGO

Em 1967 a telepatia pulsou em código entre Moscou e Leningrado, enquanto um sofisticado equipamento da idade espacial controlava o cérebro do receptor. Dizem os cientistas soviéticos que foram capazes de decifrar a mensagem com a ajuda das máquinas; dizem que foram capazes de transmitir palavras telepaticamente de uma mente a outra numa distância de 640 quilômetros.
Em outras partes da Rússia, revistas técnicas e universidades relataram coisas ainda mais sur-preendentes do que a telepatia verificada por computadores. Publicaram fotografias de belas luzes coloridas que tremeluziam sobre o corpo humano e em torno dele. Seria esta a "aura" de que os mé-diuns falam há tanto tempo? "Acendem-se chamas elétricas, depois luzes azuis e alaranjadas. Gran-des canais de clarões resplandecentes, roxos, ígneos. É fantástico, fascinante, um jogo misterioso — um mundo de fogo!" - bradavam cientistas geralmente circunspectos. De acordo com os soviéticos, eles inventaram uma máquina que permite a qualquer um ver a aura lendária e colorida, normal-mente visível apenas para os médiuns.
No Báltico, geólogos soviéticos caminhavam com varas hidroscópicas; nos Urais fizeram expe-riências com a visão sem olhos; junto do Mar Negro estudaram as mãos de um médium curador. A parapsicologia, que dez anos antes não existia, entrou a florescer, de repente, em toda a URSS.
Uma cadeia inverossímil de acontecimentos levou as autoras da obra citada, durante um perío-do de três anos, a enredar-se nesse pasmoso renascimento da pesquisa psíquica num país comunista. À parte os livros, artigos, peças e poesias que cada uma delas escrevia em campos muito diferentes, durante vários anos escreveram artigos sobre a União Soviética. Uma delas percorrera extensamente a Rússia em 1961 numa excursão de estudantes graduados. Seus artigos não focalizavam a política da Cortina de Ferro, mas a vida por detrás das cortinas de rendas da Rússia de todos os dias. Se a coexistência com os soviéticos era necessária, parecia-lhes razoável tentar conhecer alguma coisa a respeito deles.
Nos jornais e revistas soviéticas puderam encontrar um material sumamente insólito sobre a vi-da na Rússia — artigos sobre fenômenos psíquicos. Cientistas soviéticos perguntavam publicamen-te: Que é o homem? Possuímos, acaso, potencialidades não usadas e não sonhadas? Poderá a parapsicologia derreter as barreiras e criar o ser humano supernormal? Tais eram as fascinantes perguntas que se liam nas publicações soviéticas.
Em 1966 a prestigiosa revista Ciência e Religião publicou um número especial, o N.° 3, sobre as pesquisas levadas então a cabo na Rússia, no campo da telepatia. Soviéticos notáveis reclama-vam novas investigações nesse campo. Entre eles figuravam: o Dr. Nikolai Semyonov, detentor de um Prêmio Nobel de Química e vice-presidente da Academia de Ciências da URSS; acadêmicos como o Dr. M. Leontovich, o Dr. A. Mints, o Dr. P. V. Rebinder, importante físico-químico; o Dr. Gleb Frank, diretor da "Cidade da Ciência" de Puschino, perto de Moscou. Filósofos marxistas ma-nifestaram-se com clareza meridiana. "Todos os que criticam a pesquisa sobre a telepatia estão ape-nas utilizando o marxismo-leninismo para amparar o seu conservantismo científico. Todos os que colocam obstáculos no caminho do progresso científico deveriam pagar por isso", trovejou o Dr. V. Tugarinov, chefe do Departamento de Filosofia da Universidade de Leningrado. (Continua no próxi-mo número.)


Sobre as pesquisas psíquicas na ex-União Soviética

(2ª parte)

Uma das causas da derrocada da família imperial russa, que culminou com a Revolução Comu-nista de 1918, foi sem dúvida nenhuma a influência exercida sobre ela pelo místico siberiano Gre-goire Ifimovitch Rasputin, que, dizia-se, era capaz de controlar mentalmente a czarina Alexandra (assim como outras pessoas, principalmente do sexo feminino). Foi também uma das causas alega-das pelo Conde Felix Yusupov para matá-lo como nos conta em seu livro “Como Matei Rasputin”.
Inegável a queda do povo russo pelas questões psíquicas, muito embora os revolucionários que transformaram a Rússia no pilar central do materialismo dialético se esforçassem por destruir essas tendências ditas pouco racionais.
Em 1940 o então todo-poderoso ditador da União Soviética Joseph Stalin convocou para uma reunião um telepata polonês, já conhecido em todo o mundo como médium de poder, que havia sido testado na época por Einstein, Freud e Gandhi. Stalin ouvira falar na capacidade que Wolf Messing tinha de projetar telepaticamente o seu pensamento no espírito de outra pessoa e, por assim dizer, de lhe controlar ou embaralhar a mente.
Planejando utilizar as faculdades peculiares do médium, Stalin ordenou uma prova direta do talento de Messing. Este teria de realizar um assalto psíquico a um banco e tirar 100.000 rublos do Gosbank de Moscou, onde ninguém o conhecia.
– Dirigi-me ao caixa e estendi-lhe um pedaço de papel em branco, arrancado de um caderno es-colar, – diz Messing. Em seguida, abriu uma pasta e colocou-a sobre o balcão. Depois, ordenou mentalmente ao caixa do banco que lhe entregasse a enorme soma de dinheiro. O idoso funcionário olhou para o pedaço de papel. Abriu o cofre e dele retirou 100.000 rublos. Messing ajeitou as notas na pasta e saiu. Foi encontrar-se com as duas testemunhas oficiais de Stalin, encarregadas da expe-riência. Depois que estas constataram que a prova tinha sido satisfatoriamente realizada, Messing voltou ao caixa. Quando começou a devolver os maços de notas, o funcionário do banco olhou para ele, olhou para o pedaço de papel em branco que ainda estava sobre a sua mesa e caiu ao chão, ví-tima de um insulto cardíaco.
Felizmente não era fatal, diz Messing.
Teríamos pensado muita coisa a respeito de Stalin, menos que fosse um pesquisador psíquico. Esses relatos extraordinários não saíram da Rússia contrabandeados, transmitidos à surdina. Os próprios soviéticos os publicaram na importante revista, “Ciência e Religião”, como parte da auto-biografia de Messing, “Sobre mim Mesmo.” O simples fato de haverem passado pelos censores po-líticos e pela política ateística oficial constitui boa prova da sua validade. Em “Sobre Mim Mesmo” Messing observa que teve muitos encontros com Stalin.
Não apenas para Stalin, mas para um vasto número de soviéticos, Wolf Grigorevich Messing foi uma criatura brilhante, uma espécie de superastro conhecido em todos os níveis da sociedade, uma figura lendária, por mais de um quarto de século. O nome é familiar até para célebres cientis-tas. O detentor russo do Prêmio Nobel de química, Dr. Nikolai Semyonov, disse em Ciência e Reli-gião, em setembro de 1966:
"È muito importante estudar cientificamente os fenômenos psíquicos de sensitivos como Wolf Messing".
Há sobejos motivos para a lenda, além do endosso "testado por Stalin".
Messing conta como tudo começou.
Sendo a família de Messing pobríssima, porém excessivamente religiosa, Wolf, aos seis anos de idade, graças à sua memória prodigiosa, conhecia muito bem o Talmude. O rabino decidiu que o garoto cursaria uma escola religiosa a fim de preparar-se para o rabinato. A família ficou entusias-mada com a oportunidade que se oferecia ao filho, mas Wolf recusou-se terminantemente a ir para a escola.
– Foi então que aconteceu o primeiro milagre em minha vida, recorda Messing. Meu pai me mandara à venda comprar um maço de cigarros. Já era lusco-fusco. A entrada da nossa casinha de madeira estava escura. Subitamente, surgiu no degrau uma figura gigantesca, escura, toda vestida de branco.
“Meu filho! Sou um mensageiro vindo lá de cima para predizer o seu futuro! Vá à escola! As suas orações agradarão ao céu!. .”.
E a visão desapareceu.
"Seria difícil transmitir a impressão que essas palavras causaram aos sentimentos nervosos e místicos de um menino", continua Messing. “Foram como o brilho do relâmpago, o troar do trovão. Caí ao chão e perdi os sentidos”.
“Quando tornei a mim, meu pai e minha mãe liam orações por mim. Lembro-me dos seus ros-tos conturbados. Mas depois que me recuperei, ficaram mais calmos. Contei-lhes o que acontecera. Fingindo tossir, papai murmurou”:
“Quer dizer que Ele quer. .”.
“Minha mãe permaneceu em silêncio”.
"Depois desse pasmoso incidente, eu não poderia continuar resis¬tindo", confessa Messing. E, obediente, foi para a escola religiosa, em outra aldeia.
O menino, porém, não se sentia feliz com uma vida de orações. Aos onze anos, com dezoito centavos no bolso, partiu para o mundo desconhecido no primeiro trem que passou por lá. Enfiou-se debaixo de um banco num vagão quase vazio e adormeceu.
Eu, naturalmente, não tinha passagem, prossegue Messing.
“Rapazinho, ainda posso ouvir-lhe a voz nos meus ouvidos, a sua passagem.. “.
"Nervosamente, tensamente, estendi-lhe um pedacinho de papel sem valor algum, arrancado de uma página de jornal. Os nossos olhos se encontraram. Com todas as minhas forças, eu quis que ele aceitasse o pedaço de papel como uma passagem. ”O chefe do trem pegou-o e, de um modo estra-nho, virou-o e revirou-o entre as mãos. Eu recuei, procurando impor a minha vontade. Ele enfiou o pedacinho de jornal entre as mandíbulas pesadas do perfu¬rador. E, devolvendo-me a "passagem", perguntou-me:
“Já que você tem passagem, por que está aí debaixo do banco? Levante-se! Dentro de duas ho-ras chegaremos a Berlim”.
"Foi a primeira vez em que se manifestaram os meus poderes de sugestão mental", declara Messing.
Em Berlim, Wolf Messing conseguiu um emprego de mensageiro no bairro judeu. Levando um embrulho para um subúrbio da cidade, um dia, desmaiou de fome numa ponte. Sem amigos, longe de casa, foi levado para um hospital. Sem pulso, sem respiração, o corpo frio, Messing foi conduzi-do ao necrotério. Teria sido enterrado numa vala comum não fora a interferência de um estudante de medicina, que notou nele um batimento cardíaco fraco, muito fraco. Era quase im¬perceptível, infreqüente, mas era um batimento.
Até como "cadáver" Messing tinha uma aura teatral. Segundo os melhores scripts de filmes de terror, o pulso e os batimentos cardíacos, gradativamente, voltaram a normalizar-se e, três dias de-pois, ele recuperou os sentidos. No hospital, o Dr. Abel, psiquiatra e neuropatologista, explicou que o seu fora um caso raríssimo de letargia.
"Não somente devo minha vida ao Dr. Abel, mas também o des¬cobrimento e o desenvolvimen-to das minhas capacidades psíquicas", es¬creve Messing em sua autobiografia.
– Você tem a capacidade da catalepsia auto-induzida, assim como a capacidade paranormal – disse-lhe Abel. A catalepsia é o gênero de vida suspensa que os iogues altamente treinados de-monstram às vezes.
O Dr. Abel inspirou a Messing a confiança em seus poderes psíquicos. Com a ajuda do Dr. S-chmidt, um colega psiquiatra, e da esposa de Schmidt, Abel exercitou Messing na telepatia. (Continua . . .)
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