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sábado, 4 de outubro de 2014

No que acredita o Reacionário?

O Credo do Reacionário (Por Erik von Kuehnelt-Leddihn)

Eu não hesito em anunciar que sou um reacionário. Eu tomo com um profundo orgulho, na verdade. Não vejo mais razão em olhar para a frente, para um futuro desconhecido, ao invés de olhar para trás nostalgicamente para valores conhecidos e comprovados.

O termo "reacionário", na forma em que uso, não representa um conjunto de ideias definitivos e imutáveis. Representa uma atitude de espírito. Como um reacionário, eu me ressinto em opor o espírito e as tendências da época em que sou obrigado a viver e buscar restaurar o espírito que teve a sua melhor personificação em períodos já passados.

As circunstâncias em que o termo "reacionário" é aplicado como um epíteto para fascistas e outras marcas do homem moderno - as quais um verdadeiro reacionário tem apenas desprezo -  não é minha culpa.

Como um reacionário honesto, eu naturalmente rejeito o Nazismo, Comunismo, Fascismo e todas as ideologias relacionadas que são, de fato, um reductio ad absurdum da chamada democracia e do “povo no poder”. Eu rejeito os pressupostos absurdos do governo da maioria, do parlamento hocus-pocus, o falso liberalismo materialista da Escola de Manchester e o falso conservadorismo dos grandes banqueiros e industrialistas. Eu abomino o centralismo e a uniformidade da vida em rebanho, o espírito estúpido racista, o capitalismo privado, bem como o capitalismo de estado (socialismo) que contribuíram para a ruína gradual da nossa civilização nos últimos dois séculos. O verdadeiro reacionário desses dias é um rebelde contra os pressupostos prevalecentes e um "radical" que vai até as raízes.
 

 Pessoalmente, sou um reacionário da fé Cristã Tradicional, com uma perspectiva liberal e com propensões agrárias. Onde tantos ao redor adoram o "novo", eu respeito as formas e as instituições que têm crescido organicamente por um longo período de tempo. Os períodos que precederam as duas grandes tempestades - a Idade Média e a Renascença, terminadas pela Reforma e no século XVIII, terminada pela Revolução Francesa – essas são ricas em formas e ideias de importância duradouras.  A universalidade de Nicolas de Cues ou de um Alberto Magno, a glória da Catedral de Chartes e o barroco tardio da Áustria, figuras inspiradoras como a Maria Teresa, Pascal, George Washington ou Leibnitz fascinam-me mais do que os três "homens comuns" do nosso tempo - Mussolini, Stalin e Hitler ou o esplendor democrático de uma loja de departamentos ou o vazio espiritual dos comícios comunistas e fascistas magnetizados por uma multidão em êxtase.

A nota introdutória a este declínio da civilização foi escrita por Martin Luther, que cultuava a nação, exaltava o estado e vociferava contra os Judeus; pelo bárbaro real do trono Inglês que suplantou o espírito católico do seu país com um provincianismo paralisante; pelo primeiro  "moderno" - o de Genebra, que negou a base de toda a liberdade filosófica, livre arbítrio - e o outro de Genebra que pregava o retorno à selva na forma de um barbarismo idílico.  Estes quatro cavaleiros - Lutero, Henrique VIII, Calvino e Rousseau - eram apenas os arautos das coisas mais fatídicas que estavam por vir. O desastre final foi, na Revolução Francesa, diante do eterno dilema de escolher entre liberdade e igualdade, decidiu-se pela igualdade. A guilhotina e os magistrados de Estrasburgo que acreditavam que a torre da catedral deveria ser demolida porque essa estava acima do nível igualitário de todas as outras casas, são símbolos do modernismo e do "progresso" perverso.

As massas, formando maiorias organizadas e abraçando ideias idênticas e odiando uniformemente todos aqueles que ousam ser diferentes, são o produto atual dessas várias revoltas.   Padre ou judeu, aristocrata ou mendigo, gênio ou imbecil, o não conformista-político e explorador da filosofia - todos eles estão na listas dos proibidos. O rebanho manda hoje em quase todos os lugares, com diversos meios e sob os mais diversos rótulos. É a essa tirania que eu me oponho.

II



Como um reacionário, acredito em liberdade, mas não igualdade. A única igualdade posso aceitar é a igualdade espiritual de dois bebês recém-nascidos, independentemente da cor, credo ou raça de seus pais. Não aceito nem o igualitarismo degradante dos "democratas", nem as divisões artificiais do racistas, nem as distinções de classe dos comunistas e esnobes.

Seres humanos são únicos. Eles devem ter a oportunidade de desenvolver suas personalidades -- e isso significa responsabilidade, sofrimento, solidão. Não somente gosto do princípio da monarquia como também gosto de todas as pessoas que são coroadas. E há todos os tipos de coroas, a mais nobre delas, composta por espinhos. O Homem Moderno -- este animal dócil, "cooperativo" e urbanizado -- não é preferência de um reacionário.

Eu acredito na família, na hierarquia natural dentro da família e no abismo natural entre os sexos. Eu amo os velhos cheios de dignidade e pais orgulhosos, mas também adoro crianças corajosas e justas. Em uma hierarquia o membro mais inferior é funcionalmente tão importante quanto o mais elevado. E o abismo entre os homens e as mulheres me parece uma coisa boa também. Não há triunfo na construção de uma ponte sobre uma mera poça.

Eu gosto de pessoas com propriedades. Não estou nada entusiasmado com um colega desenraizado em um apartamento, com um número social como sua principal distinção. Eu detesto o capitalismo que concentra a propriedade na mão de poucos, não menos do que o socialismo que quer transferi-lo para o grande ninguém, uma hidra com um milhão de cabeças e sem alma: Sociedade. Gosto de pessoas com sua própria morada, com seus próprios campos, com seus próprios pontos de vista levando-os a ações independentes. Eu tenho medo da massa: os 51 por cento que votaram em Hitler e Hugenberg; a multidão em frenesi que apoiou o Terror Francês; os 55 por cento dos brancos dos Estados do Sul que mantiveram 45 por cento dos negros "em seu lugar" com uma ajuda de torchas e cordas.

Eu temo todas as massas que consistem de homens com medo de serem únicos, de serem pessoas; se importando mais com a segurança do que a liberdade, temendo seus vizinhos ou a "comunidade" mais do que Deus e suas consciências. Essas são pessoas que não exigem somente a igualdade, mas também identidade. Eles suspeitam de qualquer um que se atreve a ser diferente. Eles preferem apenas os "ordinary, decent chaps" ingleses, "regular  guys" americanos ou "rechte Kerle" no padrão alemão. O homem moderno parece ter apenas um desejo: ver tudo moldado na sua própria imagem; ele detesta personalidade e tenta se assimilar. O que ele não consegue assimilar, ele extirpa. Toda a nossa época é marcada por um vasto sistema de nivelamento e agências que compõem as escolas, anúncios, quartéis, bens, jornais, livros e ideias produzidos em massa. O lado sombrio dese processo pode ser visto no ostracismo social praticado contra as minorias nas democracias pseudo-liberais; nos matadouros humanos e campos de concentração das nações totalitárias superdemocráticas; nos fluxos intermináveis de refugiados vagando sem rumo em todo o mundo.

Liberdade, afinal, é um ideal aristocrático. Em Washington, na frente da Casa Branca, na Jackson Square, há um simbolo maravilhoso: o monumento ao igualitarismo americano cercado por estátuas dos quatro nobres europeus que vieram para a América lutar pela liberdade e não pela identidade - o nobre Russo - Kosciuszko, Barão yon Steuben, o Conde de Rochambeau e o Marquês de Lafayette. O Barão de Kalb é comemorado em outros lugares e ao Conde Pulaski foi dado o nome a uma rodovia em Nova Jersey e uma estatua em Savannah. Pulaski foi o único general morto no Grande Levante Whigs Americano. Nós , reacionários (quer saibamos ou não) somos todos Whigs. Nossa tradição, em países de lingua inglesa, repousa sobre a Carta Magna, que só os ignorantes chamará de "democrática".

Eu não tenho afinidade pelo "liberalismo" do século XIX, com seu materialismo grosseiro e a crença pagã na "sobrevivência do mais apto", ou seja, do mais  inescrupuloso. Nas condições europeias, sou naturalmente monarquista,  porque a monarquia é, basicamente, supra-racial e supra-nacional. As instituições livres sobrevivem melhor não somente nas monarquias do Noroeste da Europa, mas também na área etnicamente mista da Europa Central e Oriental. Um europeu deve preferir monarcas de origem estrangeira com esposa estrangeira, mãe e filhos estrangeiros do que um "líder" político pertencente apaixonadamente a uma nacionalidade, classe ou partido específico.

Eu me sinto mais livre como um homem que não faz parte da escolha de ninguém do que se fosse alguém nomeado pela maioria, seguindo cegamente as emoções superaquecidas. Voltaire teve mais chances de influenciar os tribunais de Paris, Putsdam e São Petersburgo do que um Dawson, Sorokin, Ferrero ou um Bernanos tiveram para influenciar as massas "democraticas". Os monarcas europeus intelectualmente e moralmente igualaram-se com seus imitadores republicanos. Os Bourbons certamente são comparáveis com os politicos das três Republicas Francesas. Os Fuhers da era totalitária podem ter sido muitas vezes mais "brilhante" e bem sucedidos pois eram menos escrupulosos. Apoiado por plebiscitos cuidadosamente encenados, eles se sentiram justificados em tolerar matanças que nenhum Bourbon, Habsburg ou Hohenzollern teriam arriscado. Platão nos disse, há mais de dois mil anos atrás, que a democracia se degenera inevitavelmente em ditaduras e de-Toccqueville re-enfatizou isso em 1835.  A maioria dos idiotas, de ambos os lados do Atlântico, continuaram a confundir democracia com liberalismo, dois elementos que podem, ou não, coexistir. Uma "proibição" apoiada por 51 por cento do eleitorado pode ser muito democrático, mas é dificilmente liberal.

III



O que nós reacionários queremos, é liberdade e a diversidade. Nós acreditamos que existe uma força peculiar na diversidade. St. Estevão, Rei da Hungria, disse a seu filho: "Um reino de apenas uma linguagem e um costume, é tolo e frágil". Isso é contrário a crença supersticiosa demo-totalitária de nossa época da uniformidade. Os fascistas italianos que destruíram todas as instituições culturais de não-italianas. Os Tecnocratas progressistas clamavam que, uma vez que essa guerra chegasse à América, iriam confiscar toda a impressa de língua estrangeira.

Como um reacionário, gosto de patriotas; que ficam entusiasmados com a sua pátria, sua terra natal; e não gosto de nacionalistas, que ficam excitados com sua língua e seu sangue. O reacionário defende a ideia de solo e liberdade, ele luta contra o complexo de sangue e igualdade.

Como um reacionário, eu possuo opiniões definitivas como também opiniões provisórias. "Nas coisas necessárias, a unidade; nas duvidosas, a liberdade; e em todas, a caridade" é um bom programa reacionário. Se eu considerar algo ser a Verdade, eu desconsidero toda opinião que contrária.  Mas discordo com alguns eclesiásticos medievais ou com os conservadores de visão curta, que acreditavam que o erro pode ser combatido pela força. Qualquer erradicação meticulosa de erro por meios artificiais (sempre dirigida contra pessoas e não contra a idéia em si) acaba fazendo a Verdade ser intragável, obsoleta e desinteressante. Como reacionário, respeito qualquer pessoa que, com coragem e sinceridade, mantém visões errôneas, embora seguindo sua consciência. Eu tenho infinitamente mais respeito a um anarquista fanático catalão, ou por um Judeu Ortodoxo, ou por um Calvinista linha dura do que a um humanitário pseudo-liberal com uma veneração secreta a um estado onipotente. Um verdadeiro reacionário é um homem de fé absoluta e generosidade absoluta. Ele concilia dogma e liberdade.

Como um reacionário, gostaria de ver materializado neste país, mais ideias anti-democráticas dos Pais Fundadores. De fato, poucos escritores europeus escreveram mais fortemente contra ao demos do que Madison, Hamilton, Marshall, John Adams ou mesmo Jefferson que esteve do lado da aristocracia do mérito, não pela regras da massa. No entanto, o centralismo de Hamilton é basicamente esquerdista. Nem aqui nem na Europa isso deve prevalecer. O que precisamos de ambos os lados do Atlântico é mais uma atitude pessoal. Colossialismo e coletivismo são o inimigo. O agricultor de Hindelang, por exemplo, deve antes de tudo, ter orgulho de ser o chefe de uma família, dono de uma fazenda e depois, de ser um morador de Hindelang. Após um reflexão mais aprofundada, ele deve encontrar orgulho em ser um dos camponeses do Vale do Allgau e também por ser Bávaro. Seu Germanismo deveria ser uma unidade mística no próprio horizonte de seus pensamentos. Mas a tendência moderna é a de estabelecer uma hierarquia inversa de lealdades. A ênfase nazista em noventa milhões de alemães, a ênfase Soviética sobre "as massas", a identificação pelo "maior" com o "melhor, nos mostra a degradação expressa na adoração da quantidade, o nosso desprezo pela pessoa, todo o nosso desespero moderno pela singularidade humana.

Eu defendo que o Estado, as empresas e as fábricas, são os grandes donos de escravos de nossos tempos. "Fulano" trabalha como o seu antepassado espiritual, o servo medieval, um dia e meio por semana para o seu senhorio. De quatro cheques semanais, ele entrega pelo menos um para a empresa que aluga o seu habitat. Se não fazê-lo, resultará em desapropriação, uma ameaça desconhecida para o servo feudal do século XIII. Na fábrica, ele trabalha, diferentemente de um membro da guilda, para investidores desconhecidos, bem como para líderes sindicais corruptos, se não, como na URSS, para uma combinação leviatã de Estado e Sociedade. Os trabalhadores devem possuir as ferramentas de produção; não existe nenhuma razão terrena para que eles não devam possuir fábricas, em um sentido literal ou ser titulares de todas as ações comercializadas. Uma usina pode ser uma comunidade viva não menos do que uma oficina medieval.

u gosto das pessoas que são "atrasadas", como os tiroleses, os alpinistas suíços  os escoceses, os moradores de Navarra, os bascos, os sombrios camponeses dos Bálcãs  os curdos. Eles escaparam de um mal menor da servidão na Idade Média e do grande mal da urbanização dos tempos modernos. Eles são bastante reacionários, conservadores e amam a liberdade. Eles podem dar ao luxo de serem conservadores porque sua cultura está fora de sintonia com os tempos modernos; o que eles possuem, vale a pena preservar. O conservador urbano, por outro lado, não é senão um "progressista" inibido.




Eu acredito no homem de excelência, no homem do dever; contra o Homem-Comum cuja a única força está nos números, cuja a manifestação política é a submissão à "convicções" pré-fabricadas ou a "líderes" que, diferentemente dos "governantes", não diferem das massas, mas personificam todas as suas piores características.

Hoje, um grupo de genuínos reacionários carregam o peso da luta contra o super-progressismo na sua forma totalitária. Eles sabem que a democracia, como força, não pode lidar com os totalitários; formas embrionárias não podem ter sucesso contra manifestações mais maduras. Platão, de Tocqueville, Donoso Cortes, Burckhardt sabiam disso. A democracia progressista como um pseudo-liberalismo nada mais é que um Girondino, um precursor do Terror.

Entre este punhado estão Winston Churchill e o Conde Galen, Conde Preysing e yon Faulhaber, Niemoller e Georges Bermanos, Giraud e d'Ormesson, Conde Teleki, Calvo Sotelo, Schuschnigg e Edgar Jung. Nenhum deles fez compromisso com a perversidade quer dos Girondinos ou com o Terror em suas formas modernas; vivos ou mortos, eles não iram ceder. Eles não acreditaram necessariamente em um Passado Glorioso em oposição a um Admirável Mundo Novo, mas eles viram as calamidades do presente, crescendo dos erros do passado, nas catástrofes do futuro.   Eles estão isolados pela suspeita que os rodeia. Eles são considerados desmancha-prazeres por não entrar na apologia universal do Progresso. Eles se tornaram inflexíveis e apaixonados. Eles vão levar suas bandeiras até a morte, e suas bandeiras são muito antigas, vaidosas e ilustres.

FONTE: http://wearetime.blogspot.com.br/

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Darwin Nunca Afirmou Que o Homem Veio do Macaco.





Darwin Nunca Afirmou Que o Homem Veio do Macaco.

Qualquer estudo básico sobre argumentação denúncia a existência das Falácias, elas se dividem em Formais e Não-Formais. As Formais implicam em erros na Forma, estrutura do raciocínio. As Não-Formais, em geral são pseudo argumentos que disfarçam sua inconsistência com algum tipo de artifício, como um apelo abusivo a autoridades, um exagero ou uma anedota.

Existem inúmeras falácias, e elas costumam ser amplamente utilizadas, e em especial em grau sofisticado por advogados e políticos. Mas algumas delas não apenas são comuns, como se integraram de tal forma em nossa cultura que são quase impossíveis de serem derrubadas.

Não tenho dúvidas de que a Falácia mais bem sucedida de todos os tempos é do gênero da "Falácia do Espantalho".
Trata-se de construir uma versão distorcida da idéia que se quer atacar, torná-la mais frágil, e então refutá-la e ridicularizá-la, dando a impressão que se "destruiu" as idéias do adversário, quando na verdade, se atacou apenas uma versão deturpada, "espantalho", dela.

Como exemplos poderiam citar o ativista de direitos humanos que combate os maus tratos aos prisioneiros, que quando é criticado por um adversário é apresentado como alguém que defende os criminosos contra a sociedade, uma versão muito mais fácil de se atacar.

Mas a falácia mais bem sucedida de todos os tempos, voltando ao tema, é nada mais nada menos do que:
"A Teoria da Evolução diz que o Homem evoluiu do Macaco."

Ninguém parece saber quem é o responsável por tal idéia, mas muitos dão por quase certo que foi um Criacionista, ao menos no que se refere à sua popularização, pois tal afirmação sequer faz sentido dentro da teoria evolutiva. Não obstante, essa noção é tão forte e difundida no senso comum que a maioria dos evolucionistas já desistiu de combatê-la, apenas lidando com ela de modo a contorná-la ou reinterpretá-la.

Para compreendermos, porém, a dimensão do problema, faz-se necessário observar o uso das palavras em Inglês.
Na Lígua Inglesa existem dois termos: Monkey e Ape.

Monkey se refere a uma categoria de primatas inferiores, que apresentam cauda, são em geral menores, menos inteligentes e possuem uma vasta variedade de espécies espalhadas por todo o mundo. Alguns exemplos são os Micos, Saguis, Macacos-Aranha, Macacos-Prego, Babuínos e etc.

Ape se refere à restrita categoria dos Primatas Superiores, a saber: Gorilas, Chimpanzés, Orangotangos e Bonobos (Chimpazés-Pigmeus). São os mais inteligentes animais da natureza, bem maiores em tamanho que os primatas inferiores, nenhum deles tem cauda e só existem no continente Africano.
Entretanto, na Língua Portuguesa, ambas essas categorias são traduzidas pelo mesmo nome Macaco, o que gera muitas confusões.

Dizer então que a Espécie Humana evoluiu de uma espécie de Ape, é algo até razoável. Impreciso, para dizer o mínimo, mas ao menos é defensável, dependendo do ponto de vista.
Mas dizer que a Espécie Humana evoluiu de uma espécie de Monkey é, sem sombra de dúvida, TOTALMENTE ERRADO!
Observando-se a linha de ancestralidade da espécie humana, retrocederemos no tempo primeiro para os Hominídeos, que são:
Homo Abilis >> Homo Ergaster >> Homo Erectus >> Homo Heidelbergensis >> Homo Sapiens
2 Milhões de anos atrás-----------------------------------------200 mil anos Atrás
(aproximadamente)
Seguramente essas espécies não eram Macacos, nem na acepção Monkey, nem na Ape. Elas eram, como o primeiro nome de cada uma sugere, Hominídeos. Dentre as características que as diferenciam dos Apes estão o tamanho do cérebro, bem mais desenvolvido, a capacidade de usar ferramentas de modo muito mais sofisticado que os Apes, o fato de serem bípedes e andarem eretos, diferente dos Apes atuais, e outras.

Antes do Homo Abilis, temos então:
Australopitecus Afaraensis >> Australopitecus Africanus >> Homo Abilis
4,4 Milhões de anos atrás-------------------------------------2 Milhões de anos atrás
(aproximadamente)

O Australopitecus Afaraensis certamente não era um Monkey, e tão pouco poderia também ser chamado de um Ape, pois apresentava também o caminhar ereto, além de uma série de outras diferenças cranianas. O melhor exemplar desta espécie é um registro fóssil praticamente inteiro de uma fêmea que os cientistas batizaram de Lucy. E é talvez o que mais se aproxime da idéia de um "Elo Perdido", que era um termo usado por alguns evolucionistas antigos.

A ídeia de um elo perdido, no entanto, também se revelou errônea, e não é mais usada pelos evolucionistas ao menos desde a década de 70, quando as descobertas dos Leakeys e de Donald Johanson (descobridor de Lucy) aumentarem imensamente nossa perspectiva do passado. No entanto esse conceito também se embrenhou no senso-comum, de modo que até hoje alguns Criacionistas "denunciam" que "O Elo perdido nunca foi encontrado".

De certo que se pode dizer que exista um "elo" transicional entre uma espécie e outra, mas no caso dos humanos, há dezenas de "elos" nos separando das demais espécies atuais do planeta, e o mais interessante, esses "elos", mesmo se totalmente reconstituídos, jamais nos levariam aos "Macacos", no caso demais Primatas Superiores.
Para entender o porquê disso, basta recuar mais um pouco na linhagem hominídea, e vejamos uma de suas mais prováveis reconstituições:
Propliopitechus >> Ramapithecus >> Australopitecus Afaraensis
30 Milhões de anos atrás ------------------------------ 4,4 Milhões de anos atrás
(aproximadamente)

Diz-se, mais provável, porque essa fase da evolução dos pré hominídeos ainda é pouco conhecida, mas uma coisa já é bastante clara, que foi dos Propliopitechus que além de se desenvolver a linhagem que viria a resultar nos humanos, se desenvolveu também a linhagem que viria a resultar nos Primatas Superiores.
Isso é o mais importante:
Os Primatas Superiores atuais, os Apes, NÃO são Ancestrais do HOMO SAPIENS!
São na verdade o resultado de uma linhagem evolutiva paralela, que é "aparentada" com os humanos. Nesse sentido, é impossível afirmar que os Humanos evoluíram dos "Macacos" que temos hoje. Talvez, se considerarmos que o Propliopitechus seja um Ape, a afirmação é defensável, mas é muito difícil aceitar que tal espécie possa ser colocada na mesma categoria de um outro grupo de espécies distante mais de 20 milhões de anos. Seria como dizer que um Velociraptor é um tipo de Lagarto como os que vivem hoje, Iguanas, Calangos, Lagartixas e etc.

Com isso, cai por Terra também uma das dúvidas leigas mais comuns sobre evolução humana, e que os Criacionistas exploram largamente, que é a pergunta: "Se os homens evoluíram dos Macacos, porque ainda há Macacos?"
Essa questão é Triplamente Errônea.
Primeiro, porque como já vimos, ela parte de uma premissa errada, pois os humanos não evoluíram dos "Macacos", nem na acepção de Monkey, nem na de Ape;
Segundo, porque mesmo que considerássemos os ancestrais dos humanos como macacos, estes não existem mais;
E terceiro, porque mesmo que existisse, isso em nada seria problema para a linhagem Evolutiva.

O fato de uma espécie evoluir de outra, não significa que a espécie anterior tenha que deixar de existir. Caso contrário, não deveriam mais existir anfíbios, répteis nem invertebrados em geral.

A única coisa que provoca o desaparecimento de uma espécie é a competição com outras espécies, ou catástrofes naturais de imensas proporções. As espécies pré-humanas em geral foram desaparecendo provavelmente porque foram sendo superadas por espécies descendentes cada vez mais aperfeiçoadas, uma vez que eram próximas, tinham necessidades semelhantes e competiam entre si.

Mas não havendo tal competição, não há motivos para o desaparecimento da espécie. Dessa forma, os atuais macacos, em qualquer que seja a acepção, nunca foram nossos competidores, ao menos em larga escala, da mesma forma como nunca foram nossos ancestrais.
Mesmo sendo totalmente equivocadas, questões como essa são feitas exaustivamente não só por criacionistas, podendo ser encontradas, inclusive na própria Web, em quantidade muitíssimo maior do que textos que esclareçam tais equívocos. Algumas chegam ao ponto de adicionar: "Então porque os macacos pararam de evoluir?"! Ou ainda pior, "Porque não vemos um macaco se transformar num homem?"
Esse é o resultado de uma bem sucedida Falácia do Espantalho, o conceito distorcido se propagou tanto que até mesmo publicações especializadas por vezes preferem simplificar e se referir a nossos ancestrais como "Homens-Macacos", sempre na acepção Ape, é claro, muitas vezes usando, em português, os termos "Grandes Macacos", se referindo aos Primatas Superiores. Isso porém, dá margem a uma série de equívocos, principalmente em nosso idioma, permitindo toda uma gama de más interpretações. É possível ver textos inteiros, livros a até projetos de lei tendo como base esse equívoco.
Da mesma forma, não apenas a Evolução Humana, mas toda a Evolução da Vida, costuma ser distorcida pelos Criacionistas, que pregam para seus fiéis uma versão Espantalho do Evolucionismo, com afirmações bizarras, e sem dúvida inaceitável, e então o atacam como se estivessem derrubando o Evolucionismo real! E é claro que a maioria esmagadora de seu público alvo, os crentes ou os leigos, nunca irá se preocupar em verificar se tal imagem realmente procede.

É por isso que 90% do trabalho do defensor do Evolucionismo é desfazer as idéias equivocadas que os criacionistas, e o público em geral, tem da Evolução.
Diz a lenda, que certa vez perguntaram para um Evolucionista se ele era descendente de Macacos por parte de mãe ou por parte de Pai*. Deve-se admitir, foi uma gozação bem bolada. Mas mais engraçado ainda seria se o Evolucionista tivesse respondido: "Nenhum dos dois, sou descendente de hominídeos. Mas você, fazendo perguntas como esta, me deixa tentado a dizer que é! Só não o faço porque seria desrespeito com os nossos primos."

(*Obs: Na verdade tal pergunta teria sido feita pelo Bispo Samuel Wilberforce à Thomas Henry Huxley, o defensor de Darwin, durante um debate em Oxford em 1860. E Huxley teria respondido: "...não me envergonho de tal origem. Mas me envergonharia de descender de um homem que corrompeu os dons da cultura e da eloquência em prol do preconceito e da falsidade." Infelizmente o debate não foi devidamente documentado, e tudo o que sabemos sobre ele vem de reconstituições de reportagens da época e de anotações dos envolvidos e presentes, pouco mais de 700 pessoas.


FONTE: Marcus Valerio XR

 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Onde estão os Juristas Espiritas?

União dos Juristas Católicos de São Paulo adverte: ‘Teremos surpresas após as eleições’
A União dos Juristas Católicos de São Paulo (UJUCASP) prevê que após as eleições, na eventualidade da reeleição da presidente Dilma Rousseff, os brasileiros serão surpreendidos com uma nova portaria do Ministério da Saúde regulamentando o aborto nos hospitais conveniados com o SUS.

A advertência foi realizada durante a reunião ordinária da entidade, que ocorreu na manhã de segunda-feira, 9.



Segundo o Dr. Ives Gandra Martins, presidente 
da entidade católica que atualmente reúne 80 sócios entre desembargadores, juízes e advogados, “não devemos nos iludir com a revogação da portaria 415 por parte do Governo Federal, que pressionado pela má repercussão política da medida, atuou em modo de evitar desgaste político eleitoral”.

Existem atualmente em trâmite no Congresso Legislativo cerca de seis diferentes projetos de lei que visam regulamentar a matéria do aborto no Brasil. Em parte, o efeito político negativo se deu porque a Portaria 415 do Ministério da Saúde foi baixada a revelia do debate que ocorre no Legislativo. “Na eventualidade de ser veiculada nova portaria após as eleições, os projetos em tramitação no Congresso Nacional simplesmente perderão relevância em face do fato consumado, sem passar pelo necessário debate público”, explicou o jurista.

Escolas e hospitais católicos correm risco de extermínio

Outro tema que foi levantado durante o encontro foi os efeitos do Decreto 8.242, da presidente Dilma Rousseff, sobre as escolas, universidades, hospitais e demais instituições privadas não lucrativas, e que, pelo seu caráter assistencial, gozam do direito constitucional de imunidade de taxas e impostos, tais como IPTU, IPI, ICMS e Imposto de Renda.

Segundo os juristas, o decreto presidencial dificulta a aplicação destes direitos constitucionais, colocando em risco a existência dessas instituições que, sem essas imunidades tributárias, não conseguem sobreviver. O resultado final é o prejuízo do bem-estar social da população carente, maior beneficiária dos serviços prestados por essas instituições que atuam, sobretudo, nos setores da educação e da saúde.

Segundo o Dr. Sergio Arcury, ex-presidente da Ação Paulista de Estabelecimentos de Ensino Médio, cerca de 6 mil instituições de ensino tiveram que fechar as suas portas, nos últimos anos, em todo o Brasil.

 

Além disso, quase todas as Santas Casas atualmente sobrevivem subsidiadas pelos Governos Estaduais, já que o Governo Federal há 19 anos não atualiza os valores pagos pelo SUS pelos procedimentos realizados nos hospitais conveniados.                                                                                                                                                     Significa dizer que as Santas Casas de
Misericórdia recebem hoje, por qualquer cirurgia que realizam, o mesmo valor que recebiam há duas décadas.
 

Na visão dos juristas, O decreto 8.242 também atenta contra a democracia, já que substitui o Congresso Nacional na edição de lei complementar para definir os limites do gozo das imunidades tributárias.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Os espiritas deveriam defender mais a familia.

Pastor Silas Malafaia faz alerta sobre eleições e defende o pastor Marco Feliciano.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DO ESPIRITISMO.




Um livrinho de pouco mais de 100 páginas onde o filosofo deísta Francisco amado debruça o pensamento sobre a metodologia de Kardec para reajustar a doutrina na realidade.
O espiritismo teve uma influencia muito significativa do iluminismo basta ver que todas as leis morais apresentadas no O Livro dos Espíritos já tinham sido estudadas, utilizadas e defendidas pelo iluminismo.


O livro está dividido em seis capítulos;
1º Kardec visita as sociedades espíritas atuais e aplica sua visão nas praticas adotas.

2º Aqui apresento o quebra cabeça que mostra a origem do caráter católico da doutrina e revela as teses roustainguistas.

3º Chico & Kardec confrontam opiniões sobre tirar Jesus da doutrina (Foi usada uma suposta entrevista que Chico deu a uma revista para montar esta parte)

4º Apresento o C.U.E.E e Kardec já aproveita para conferir a documentação irregular do Aeróbus.

5º Kardec revela os motivos do espiritismo não ser uma religião.

6º Kardec conta para todos quais são as obras básicas e como criar uma biblioteca espírita.
O diferencial é que entre os capítulos o leitor vai encontrar uma critica que faço a uma questão do livro dos espíritos e que serve para responder aos outros erros da gênese, mais a entrevista com Swedenborg.


Para ter uma noção do que você vai encontrar neste livro.
A doutrina Espírita não veio criar igrejas, templos suntuosos e tribunas luxuosas com pregadores enfatuados. Não precisa de rituais, dispensa bênçãos, não promete Lugar celeste a ninguém.
Sua única missão é esclarecer, orientar, indicar o caminho da autenticidade humana e da verdade espiritual do homem.
Mas, mesmo assim temos os espíritas evangélicos que quando encontra aquelas pessoas que perderam seus entes queridos ou estão desesperadas por alguma situação adversa da vida procuram respostas.
E qual resposta dar, a verdade, ou a resposta conveniente?
A promessa evangélica do Consolador se cumpre na Doutrina Espírita de maneira positiva e não através de cantigas de ninar, de palavrório anestesiante.
Portanto temos duas respostas, a verdadeira e a conveniente, a verdadeira é aquela que coloca o individuo diante de si mesmo e afirma que o Espiritismo não é uma Doutrina de passividade contemplativa.
Sua finalidade, como os Espíritos Superiores disseram a Kardec, é revolucionar o mundo inteiro, o modificado para melhor.
E temos aquela resposta conveniente, evangélica religiosa que diz, mentalize seu mentor, Jesus te ama, a Legião de Maria irá te salvar, tome um passe beba mais água fluidifica tenha fé.
Todavia o consolo que o Espiritismo nos dá não é a proteção fictícia da fé cega, dos sacramentos vazios de sentido, do socorro espiritual egoísta, em forma de privilégios injustificáveis, do paternalismo dos sacerdotes profissionais, dos agrados interesseiros de médiuns venais.
  

R$ 25,00 [ Vinte e Cinco Reais]


“O ortodoxo sabe avaliar o místico, porque já foi um místico; mas o místico não pode avaliar o ortodoxo, porque nunca foi ortodoxo”. Francisco Amado

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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Pesquisa Cientifica Espirita









Johan_Carl_Friedrich_Zöllner, notável físico alemão, utilizou-se, em 1877, de outro grande médium do passado, Henry_Slade e, agindo como verdadeiro homem de ciência, que era, conseguiu extraordinários fenômenos de materialização, de transporte, de levitação e de escrita_direta.
Para explicar fenômenos de penetração da matéria pela matéria, imaginou uma quarta dimensão, característica dos seres que habitam o mundo invisível, ou dos Espíritos.

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domingo, 20 de abril de 2014

Policia Federal prende o espírita Clóvis Nunes



No dia 28 de novembro a Polícia Federal deflagrou a chamada “Operação Volcano”, que visava desarticular uma organização criminosa responsável por fraudar a Campanha do Desarmamento. Segundo a PF, a organização havia desviado R$ 1,3 milhão dos cofres públicos através do pagamento irregular de indenizações por entregas de armas de fogo. No centro da organização está a ONG desarmamentista MovPaz Brasil e seu coordenador nacional, Clóvis Nunes.



Clóvis Nunes foi preso durante a operação da PF e, após ser liberado, publicou uma carta aberta à sociedade brasileira (leia aqui aíntegra). Na carta, Clóvis Nunes relata sua experiência durante os 5 dias em que ficou preso:



    Eu apenas me perguntava: “Por que, meu Deus, tanta injustiça?” Com mais de vinte anos trabalhando pela paz, dezesseis deles dedicados ao desarmamento, horas de serviços prestados à causa da cultura pela paz…



Após apresentar-se como um pacifista injustamente preso (colocando-se à sombra de figuras como Gandhi e Mandela), Nunes encerra a carta, reafirmando sua inocência:



    De mãos limpas, de alma pacificada e consciência tranquila, volto a afirmar: SOU INOCENTE!

    Paz pela paz.

    Clóvis Nunes



Além de membro do Conselho Nacional de Segurança Pública (órgão responsável por definir as diretrizes das políticas de segurança pública do país), Clóvis Nunes é amplamente conhecido no meio espírita em todo o país por suas palestras e aulas sobre espiritismo, além de suas pesquisas sobre TCI (transcomunicação instrumental) e EVP (electronic voice phenomenon), que seriam técnicas de comunicação com espíritos através de equipamentos eletrônicos.

Desarmamento? Nem morto!


Um filme com temática espírita foi sucesso de bilheteria no Brasil em 2010. “Nosso Lar” , baseado no livro homônimo psicografado por Chico Xavier, é um filme que trata das experiências de André Luiz, um homem que morre e percebe que continua vivo no mundo espiritual numa espécie de purgatório, repleto de criaturas sombrias, chamado “umbral”. Depois de passar um período nesse ambiente, André Luiz é resgatado por espíritos benevolentes que levam-no para uma colônia espiritual de reabilitação chamada Nosso Lar.



Chico Xavier psicografou diversos livros com os relatos de André Luiz sobre esse mundo espiritual. No segundo livro da série, chamado “Os Mensageiros”, André Luiz viaja para fora da colônia Nosso Lar em direção a um posto de socorro mantido por espíritos benevolentes em pleno umbral. Uma passagem desse livro chama a atenção, e vai totalmente contra o pacifismo desarmamentista e utópico do espírita Clóvis Nunes.



Acompanhado de Alfredo, administrador do posto de socorro, André Luiz relata suas impressões ao chegar naquele local:



    Descemos as escadarias e, em frente dos muros altos, pude observar a extensão das defesas do soberbo edifício. [...] Observei o caminho da ronda, a cisterna, as seteiras e, em seguida, as paliçadas e barbacãs, refletindo na complexidade de todo aquele aparelhamento defensivo. E as armas? Identificava-lhes a presença na maquinaria instalada ao longo dos muros, copiando os pequenos canhões conhecidos na Terra.



    — Já sei a impressão que a nossa defesa lhes causa — disse Alfredo, detendo-se para explicar.

    Fixando-nos com o olhar muito lúcido, continuou:



    — Naturalmente, não imaginavam necessárias tantas fortificações. Conforme vêem, nossa bandeira é de concórdia e harmonia; no entanto, é imprescindível considerar que estamos em serviço que precisaremos defender, em qualquer circunstância. Enquanto não imperar a lei universal do amor, é indispensável persevere o reinado da justiça. Nosso Posto está colocado, aqui, igualmente, como “ovelha em meio de lobos”, e, embora não nos caiba efetuar o extermínio das feras, necessitamos defender a obra do bem contra os assaltos indébitos.



    — Mas… e as armas? — perguntei — acaso são utilizadas?



    — Como não? — disse Alfredo, pressuroso. Naturalmente, a ninguém atacaremos. Nossa tarefa é de socorro e não de extermínio.



    (Os Mensageiros, 41a. ed., pág. 127)



Nem mesmo os mortos retratados no livro de Chico Xavier dão algum crédito à utopia desarmamentista de Clóvis Nunes. Até eles sabem que, quando se está como “ovelha em meio de lobos”, é necessário que reine a justiça e a defesa dos homens de bem contra os assaltos de maus e perversos.



O livro prossegue com uma fábula, cujo ensinamento é uma pá de cal sobre a “Paz pela Paz” de Clóvis Nunes e sua militância pacifista. Pena que o palestrante e estudioso espírita parece não ter compreendido, ou, se compreendeu, prefiriu ignorar estes ensinamentos:



    Alfredo sorriu serenamente e perguntou, bem humorado:



    — Vocês conhecem a lenda hindu da serpente e do santo?



    Ante a nossa expressão negativa, o administrador continuou:



    — Contam as tradições populares da Índia que existia uma serpente venenosa em certo campo. Ninguém se aventurava a passar por lá, receando-lhe o assalto. Mas um santo homem, a serviço de Deus, buscou a região, mais confiado no Senhor que em si mesmo. A serpente o atacou, desrespeitosa. Ele dominou-a, porém, com o olhar sereno, e falou:— Minha irmã, é da lei que não façamos mal a ninguém. A víbora recolheu-se, envergonhada. Continuou o sábio o seu caminho e a serpente modificou-se completamente. Procurou os lugares habitados pelo homem, como desejosa de reparar os antigos crimes. Mostrou-se integralmente pacífica, mas, desde então, começaram a abusar dela. Quando lhe identificaram a submissão absoluta, homens, mulheres e crianças davam-lhe pedradas. A infeliz recolheu-se à toca, desalentada. Vivia aflita, medrosa, desanimada. Eis, porém, que o santo voltou pelo mesmo caminho e deliberou visitá-la. Espantou-se, observando tamanha ruína. A serpente contou-lhe, então, a história amargurada. Desejava ser boa, afável e carinhosa, mas as criaturas perseguiam-na e apedrejavam-na. O sábio pensou, pensou e respondeu após ouvi-la:



    — Mas, minha irmã, houve engano de tua parte. Aconselhei-te a não morderes ninguém, a não praticares o assassinio e a perseguição, mas não te disse que evitasses de assustar os maus. Não ataques as criaturas de Deus, nossas irmãs no mesmo caminho da vida, mas defende a tua cooperação na obra do Senhor. Não mordas, nem firas, mas é preciso manter o perverso a distância, mostrando-lhe os teus dentes e emitindo os teus silvos.



    O administrador fez longa pausa e concluiu:



    — Creio que a fábula dispensa comentário.



    (Os Mensageiros, 41a. ed., pág. 131)



O espinheiro que dá figos.



Onde há fumaça, há fogo. Neste caso, onde há desarmamento e pacifismo há a semente de um totalitarismo revestido por mentiras. No vídeo abaixo (http://www.youtube.com/watch?v=shmKSrQ1oxI), Clóvis Nunes apresenta sua tese sobre o relacionamento entre Allan Kardek (Hippolyte Rivail) e Karl Marx na França em meados do século 19, no período em que o primeiro estabelecia as bases da doutrina espírita. Clóvis Nunes confidencia no vídeo, em duas passagens:



    Eu andei lendo muito Marx, e gostava das ideias socialistas. Porque Marx é uma coisa, o comunismo é outra. É como Jesus e o catolicismo. (aos 00:50 seg.)



    [...]



    O partido comunista fez a revolução pela luta armada, que não era a ideia de Marx. Por isso os espíritos livraram Marx e acusaram o partido que ia ser criado. (aos 12:00 min.)



É notável no vídeo o esforço de Nunes em tentar afastar Marx de qualquer relação com os resultados nefastos de suas ideias, em particular os genocídios comunistas. Nesse esforço, Nunes chega a absolver Marx em nome do “Espírito de Verdade” (que teria sido o mentor espiritual de Allan Kardec e responsável pela codificação da doutrina espírita). Portanto, absolve Marx em nome da doutrina espírita.



Clóvis Nunes apenas repete a velha e conhecida cantilena propagada pelos canalhas socialistas, na tentativa abjeta de reescrever a história e desconectar o marxismo dos flagelos humanitários que produziu: “Deturparam as idéias de Marx!” Para Nunes, a URSS deturpou Marx, a China deturpou Marx, a Coréia do Norte, Camboja, Vietnan, Cuba, etc… Ou seja, todas as vezes em que as ideias de Marx foram postas em prática – invariavelmente causando tragédias humanitárias – foi a deturpação dessas ideias a causa de tais tragédias, e não o fato de que o próprio marxismo traz em si o gérmen das tragédias que suscitou.



Nem que mil jacas podres atinjam a cabeça de Clóvis Nunes! O pacifista continuará acreditando que uma árvore não se conhece pelos frutos reais que produz, mas pelos frutos imaginários, projetados pelos anseios do observador. Para Nunes, um espinheiro pode dar figos! (ver Lucas, VI – 43)



Nunca é demais relembrar nossa história: não faltaram, nas fileiras nazistas e comunistas, obreiros de boa vontade como Clóvis Nunes – obcecados por um novo mundo da paz garantida pelo Estado – a bater de porta em porta, tomando as armas de fogo dos cidadãos de bem que mais tarde viriam a sucumbir, indefesos, subjugados pela mão pesada desse Estado protetor. O desarmamento está nos deixando cada dia mais desprotegidos, à mercê dos lobos.




A História do Café da Manhã