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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Trajetos do Espiritismo no Brasil 2º PARTE


O NAU, Núcleo de Antropologia Urbana, formado em 1988 no Departamento de Antropologia da USP, é um grupo de pesquisa e discussões teórico-metodológicas sobre questões relativas às sociedades urbano-industriais contemporâneas.

Jacqueline Stoll, Sandra Religião, ciência ou auto-ajuda? trajetos do Espiritismo no Brasil
Disponível via WWW no URL http://www।n-a-u.org/Stoll1.html


CAPTURADO em 19 / 01 / 10

Sandra Jacqueline Stoll é professora da. Universidade Federal do. Paraná
Departamento de Antropologia ­ UFPR

Alguns anos mais tarde Procópio Camargo reapresenta essa idéia em seu novo livro, Católicos, espíritas e protestantes (1963). Nesta obra o autor sugere que a doutrina kardecista "não sofreu modificações essenciais quando transplantada para a sociedade brasileira, embora a adaptação a uma situação social nova tenha gerado algumas características especiais" (: 162; destaques meus). Dentre estas últimas destaca o fato de que "no Brasil o aspecto religioso torna-se preponderante, em contraposição ao filosófico e científico" (idem; destaques meus). O autor atribui essa mudança de ênfase doutrinária à "tradição cultural brasileira", caracterizada como "impregnada de um estilo sacral de compreender a realidade" (1961: 112). Donde conclui que esta é uma sociedade "moderna", porém, contraditória: "embora a cultura brasileira seja naturalmente complexa" e, portanto, oriente-se "também por valores estritamente racionais e profanos, cremos não ser exagerado afirmar que a solução sacral para a vida assume, entre nós, importância considerável" (idem; destaque meu).

Roger Bastide partilha dessa idéia, mas envereda a análise noutra direção. Ele sugere que o Espiritismo sofreu interpretações diversas na sociedade brasileira, segundo a classe social. Segundo ele, os segmentos de classe alta, "intelectualizados", tendem a enfatizar as experiências de tipo científico. Já o Espiritismo praticado nos centros, que concentra os segmentos de classe média, caracteriza-se por um cunho acentuadamente religioso. Mas a ênfase de suas práticas é terapêutica, tal como se observa entre os segmentos populares. Com relação a estes últimos, porém, ressalva: "Aqui [...] o caráter médico do espiritismo continua, tanto mais que a tradição do curador, da magia curativa, de definição da doença pela ação mística de feiticeiros ou da vingança dos mortos, permanece a base da mentalidade primitiva" (1985[1960]: 433).

A ênfase no aspecto terapêutico, associado a noções mágicas, constitui, portanto, o diferencial do Espiritismo brasileiro. Mas, embora Bastide sinalize cortes raciais e/ou de classe na interpretação da doutrina espírita, conclui generalizando: "Em suma, o espiritismo foi transformado pelo meio brasileiro, meio [este] mais confiante no 'curandeiro' que no médico e que não separa o sobrenatural da natureza" (idem).

Divergentes, as duas linhas de interpretação angariaram inúmeros seguidores. Não cabe aqui, porém, reconstruir genealogias. Importa sinalizar que a perspectiva comparativa, relacional, que inaugura a análise do fenômeno, tornou-se o modo corrente pelo qual passou a se pensar a história do Espiritismo no Brasil.

Dentre as imagens resultantes interessa-me retomar uma que se tornou corrente, dentro e fora dos meios acadêmicos. Refiro-me ao suposto, com base nas análises acima, de que no Brasil a doutrina kardecista sofreu uma distorção. Autores nacionais bem como estrangeiros partilham dessa posição. Revisões recentes de processos de confronto cultural permitem, no entanto, recolocar a questão em outros termos. Ou seja, considerar deslocamentos de ênfases doutrinárias como distorção ou adulteração de um modelo original obscurece o fato de que toda versão, toda reinterpretação é sempre um ato criativo. Sahlins, em seu livro Ilhas de história, chama atenção para essa questão ao afirmar que a ordem cultural não é estática, mas alterada na ação, isto é, sujeita a riscos empíricos.


Isso porque agindo a partir de perspectivas diferentes e com poderes sociais diversos para a objetivação de suas interpretações, as pessoas chegam a diferentes conclusões e as sociedades elaboram os consensos, cada qual à sua maneira. A comunicação social é [portanto] um risco [...]. E os efeitos desses riscos podem ser inovações radicais. (1990: 10; destaque meu)


Tratar a experiência do confronto cultural, mais especificamente a diversidade de respostas locais ao sistema mundial dessa perspectiva, fornece uma pista para se pensar as especificidades assumidas pelo Espiritismo no Brasil a partir de um novo enfoque. Ou seja, argumentando com Sahlins, é possível afirmar que privilegiar determinadas práticas assim como deslocar a ênfase de certos preceitos doutrinários envolvem um ato criativo. Trata-se de reinterpretação, isto é, de uma particularização cultural e histórica de idéias e práticas concebidas com pretensão de universalidade. Nesse sentido, o Espiritismo à brasileira seria uma versão original e não um produto menor, adulterado ou desviante.
Resta saber como se construiu essa originalidade.



Construindo laços, definindo fronteiras: Espiritismo, Catolicismo e as religiões afro

A literatura mencionada tende a situar o Espiritismo no campo religioso brasileiro a partir da interlocução por este estabelecida com as religiões de tradição afro. Essa perspectiva de análise engendrou duas posturas distintas: 1) de um lado, há autores que pensam as relações entre o Espiritismo e as religiões de tradição afro em termos de um continuum ­ isto é, como variação empírica de um mesmo princípio de estruturação cosmológica e de produção da experiência religiosa (Camargo,1963 e 1973; Birman, 1995); 2) outros concebem o Espiritismo por oposição às religiões afro-brasileiras, uma espécie de espelho invertido, seja quanto às suas características sociais e étnicas, seja quanto à estrutura ritual e doutrinária (Maggie, 1992; Ortiz, 1991 [1978]; dentre outros).

Esses enfoques que fazem dos cultos de possessão uma unidade, pelo princípio da afinidade ou pelo princípio da oposição são, sem dúvida, pertinentes. No entanto, tal recorte tende a omitir ou, pelo menos, a relegar a um segundo plano as relações estabelecidas entre o Espiritismo e o Catolicismo, religião ainda hegemônica no país. É o que se verifica, por exemplo, no estudo de Maria Laura Cavalcanti (1983), para quem a questão sequer se coloca. Outros autores se referem ao tema sem problematizá-lo, como Renato Ortiz, para quem as relações entre Espiritismo e Catolicismo são tidas como dadas: "Consideramos a influência do catolicismo como sendo implícita", diz ele (1991 [1978] : 34). Cândido Procópio Camargo também partilha dessa posição: "[...] no kardecismo predomina a formulação ética de inspiração cristã" (1963), diz ele, sem se preocupar em qualificar o modo como esta foi apropriada e/ou reinterpretada pelo Espiritismo.

Uma das lacunas da produção sobre o tema consiste justamente no fato de não se questionar como o imaginário e as práticas católicas impactaram o Espiritismo, influenciando de forma significativa o modo de sua expressão no Brasil. Aubrée e Laplantine (1990) fazem menção a essa questão ao sugerirem que o modo como os brasileiros se relacionam com os espíritos não faz mais que "prolongar, ampliar e sistematizar o que se poderia chamar de cultura brasileira dos espíritos" (: 85), cujo principal traço seria a "intimidade com os santos, eguns e orixás" (idem). Mas também esses autores não avançam a discussão e acabam realçando, como os demais, as relações entre o Espiritismo e as religiões de tradição afro.

O que se perde de vista nessas análises é a complexidade das relações estabelecidas pelo Espiritismo no campo religioso brasileiro, em particular aquelas que dizem respeito às disputas e negociações realizadas com a religião dominante, hegemônica no país14. Privilegio essa relação uma vez que considero, em oposição à tradição consolidada na literatura, que o Espiritismo definiu sua identidade elegendo como sinais diacríticos elementos do universo católico. Isso significa afirmar que sua relação com a religião dominante no país não se resumiu simplesmente ao endosso de certas idéias ou práticas rituais, como sugerem autores acima mencionados. O "matiz perceptivelmente católico" do Espiritismo brasileiro decorre, conforme pretendo demonstrar, da incorporação de um dos substratos fundamentais da cultura religiosa ocidental: a noção cristã de santidade.

Chico Xavier configura nesse contexto, como pretendemos demonstrar adiante, um paradigma dessa construção. No cenário contemporâneo, porém, é possível, vislumbrar novas tendências. Mas estas reforçam o argumento acima, uma vez que é em larga medida contra esse "viés católico" de que se revestiu o Espiritismo brasileiro que começaram a emergir, a partir dos anos 80, novas tendências de filiação nesse campo.

O presente artigo ilustra essas diferentes versões que hoje convivem no campo espírita a partir da análise da trajetória de três personagens: 1) Chico Xavier, o primeiro deles, ilustra a construção da "tradição" espírita brasileira, cuja marca consiste na síntese com o Catolicismo; 2) Luiz Antonio Gasparetto e 3) Waldo Vieira sintetizam, cada um à sua maneira, tendências da crítica contemporânea a esse modelo que se tornou hegemônico, o primeiro realizando-a por meio da busca de diálogo com temas e práticas do chamado neo-esoterismo15 e do universo da auto-ajuda, enquanto o segundo enveredou em busca de uma nova síntese com a ciência.

Apresento-os aqui em contraponto, a partir da construção narrativa de suas biografias, sem ter a intenção de contextualizar historicamente suas trajetórias pessoais. Clifford Geertz já advertia, em Observando el Islam, que "observar a história a partir de personalidades, especialmente personalidades dramáticas, é sempre perigoso"(1994 [1968]: 97). O risco do empreendimento, porém, justifica-se, diz ele, quando se trata de personagens cujas carreiras sintetizam um determinado período da história de seus países. Entendendo ser este o caso, decidi assumir o risco.

continua . . .

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Trajetos do Espiritismo no Brasil 1ºPARTE


O NAU, Núcleo de Antropologia Urbana, formado em 1988 no Departamento de Antropologia da USP, é um grupo de pesquisa e discussões teórico-metodológicas sobre questões relativas às sociedades urbano-industriais contemporâneas.


Jacqueline Stoll, Sandra. Religião, ciência ou auto-ajuda? trajetos do Espiritismo no Brasil Disponível via WWW no URL http://www.n-a-u.org/Stoll1.html
CAPTURADO em 19 / 01 / 10

Sandra Jacqueline Stoll é professora da. Universidade Federal do. Paraná
Departamento de Antropologia ­ UFPR


Chico Xavier: a procissão do adeus

Desde as primeiras horas eram imensas as filas no velório de Chico Xavier, médium cuja trajetória de vida se confunde com a história do Espiritismo no Brasil. O local escolhido foi a Casa da Prece, o centro espírita de Uberaba, no Triângulo Mineiro, onde Chico Xavier recebeu, nos últimos quarenta anos, romeiros de todas as partes do país. Foram dois dias de despedida, nos quais compareceram, segundo se calcula, cerca de 100 mil pessoas. A fila à frente da casa tinha três quilômetros; a espera era de quase três horas. Por hora passaram, aproximadamente, 2.500 pessoas. O cortejo até o cemitério São João Batista, conduzido por bombeiros, foi acompanhado por mais de 30 mil pessoas. Entidades assistenciais, artistas, políticos e empresários enviaram mais de 150 coroas de flores. Lideranças de segmentos diversos do campo religioso também lhe renderam homenagem2.

Chico Xavier faleceu aos 92 anos, de uma parada cardíaca, em sua casa. Era o dia 30 de junho de 2002, data da quinta conquista do Brasil numa Copa do Mundo. Segundo relatos de familiares, Chico Xavier levantara cedo nesse dia como de costume. Não assistiu ao jogo, mas quis saber o resultado. Mais tarde percorreu cada ambiente de sua casa e também visitou as salas da Casa da Prece. Recolheu-se imediatamente após o jantar, vindo a morrer logo em seguida.

Essa forma silenciosa, serena e sem alarde de transição para o "outro lado da vida", como dizem os espíritas, parece condizente com um dos atributos mais lembrados de Chico Xavier: a humildade.

Nem sempre, porém, foi essa a aura em torno de sua imagem. Especialmente no início da carreira, sua presença na mídia esteve freqüentemente associada a eventos polêmicos. Os primeiros registros, realizados pela imprensa, datam dos anos 30, época em que o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, realizou um inquérito sobre suas atividades. O mote dessa investigação foi o lançamento de seu primeiro livro, Parnaso de além-túmulo, obra em que apresenta poesias póstumas de autores "ilustres": Casemiro de Abreu, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos, etc3. Largamente debatida na ocasião, a credibilidade desse tipo de produção literária mobilizou os círculos intelectuais da época. Uma década mais tarde o tema voltou à baila com a notícia de que uma ação judicial havia sido movida pela família Humberto de Campos contra o médium Chico Xavier e a Federação Espírita Brasileira. Nesse segundo inquérito jornalístico, além da participação de críticos literários e jornalistas, contou-se também com o envolvimento de juristas, uma vez que a questão em pauta era o destino legal dos direitos autorais em se tratando de produção literária post mortem4.

Mesmo depois de ter sua autoridade reconhecida, as polêmicas continuaram. Em 1979, por exemplo, Chico Xavier voltou a ter seu nome envolvido em debates jurídicos, desta vez em decorrência da inclusão de duas mensagens suas, psicografadas, nos autos de defesa em dois processos de crime. Alardeado pela imprensa espírita, esse fato teve repercussão inclusive no exterior5. Isso sem contar inúmeras outras matérias jornalísticas produzidas nesse ínterim motivadas por boatos sobre sua vida pessoal, como supostos namoros, casamentos, a discussão sobre sua sexualidade, etc.

Os anos 80 constituem o turningpoint de sua imagem na mídia: o lançamento da campanha de sua candidatura ao prêmio Nobel estendeu para além do campo espírita e em âmbito internacional a imagem de Chico Xavier como "homem santo"6. Os programas de televisão de que participou contribuíram para essa construção. Sua estréia neste veículo de comunicação deu-se nos anos 70, quando participou do então famoso Pinga-fogo. Além de responder a perguntas de jornalistas, do público e de representantes de diferentes instituições religiosas, neste programa Chico Xavier realizou, a pedidos, o que se considera ter sido a primeira sessão mediúnica televisionada7. A repercussão de público alcançada por esse programa estimulou, em anos posteriores, a realização de outras entrevistas, bem como a produção de vários documentários.

No entanto, essa projeção social do médium teve pouca repercussão no meio acadêmico. Luiz Eduardo Soares chama atenção para esse fato num artigo publicado em 1979. Duas décadas decorreram, porém, antes que o Espiritismo se tornasse objeto renovado de interesse nas Ciências Sociais8 e que Chico Xavier viesse a ocupar o devido lugar no universo dos estudos sobre a religiosidade brasileira.

O presente trabalho se inscreve entre os primeiros a fazerem de sua vida e obra tema central de reflexão, trazendo à tona o papel que Chico Xavier desempenhou no delineamento do éthos católico de que se revestiu a doutrina espírita no Brasil.

Outra lacuna na produção recente sobre o tema diz respeito à reflexão sobre as novas formas de presença e inserção do Espiritismo no campo religioso brasileiro. Como assinalam Brandão (1988) e Giumbelli (1997), dentre as religiões ditas brasileiras, o Espiritismo tem sido a menos estudada. Observação válida, inclusive, para os artigos recentes que tratam da dinâmica contemporânea do campo religioso na sociedade brasileira: nestes são freqüentes as análises sobre as mudanças que vêm ocorrendo no meio católico, no contexto das tradições afro e no âmbito pentecostal. Raramente, porém, esses textos se referem ao universo espírita9.

Reverter essa tendência implica um trabalho de mais fôlego. Na tentativa de contribuir para a discussão, o presente artigo se desdobra em duas partes: na primeira realizo uma revisão da literatura produzida sobre o Espiritismo. A análise da história de vida e carreira religiosa de Chico Xavier segue como ilustração, sugerindo, com base na estratégia biográfica, como se deu a construção do "estilo católico" de que se revestiu o Espiritismo no Brasil. Na segunda parte desloco o olhar, focalizando dois outros personagens, originários do campo espírita, cujos percursos pessoais apontam para duas das tendências contemporâneas de inovação da doutrina: uma que envereda na direção do cientificismo, outra que investe na carnavalização como forma de produção de inovações. Apresentados como tipos-ideais esses três personagens apresentam uma grande riqueza no que diz respeito à particularização de certas possibilidades, ao passo que em conjunto permitem perceber processos mais abrangentes da dinâmica contemporânea no campo religioso.


Entre a França e o Brasil: a invenção de tradições

Allan Kardec ainda escrevia os principais tomos de sua obra, quando o Espiritismo aportou ao Brasil, sendo, portanto, divulgado quase simultaneamenteà sua difusão na Europa10. Os estudos sociológicos aqui realizados sobre o tema, no entanto, são relativamente recentes. Dois autores, Cândido Procópio Camargo11 e Roger Bastide12, assinam os primeiros trabalhos, introduzindo a questão que nortearia boa parte da discussão dos estudos de religião nos anos 60 e 70: como explicar a difusão de religiões populares, especialmente o Pentecostalismo, o Espiritismo e as religiões afro-brasileiras, num contexto de aceleração do processo de urbanização? Ou em outros termos: como explicar a proliferação da religiosidade popular, tida como símbolo de "atraso", justamente no pólo do desenvolvimento urbano e econômico do país, ou seja, no espaço social e simbólico tido como emblemático da "modernidade"?

Inaugurando a discussão desse tema, esses autores se tornaram referência de toda a produção subseqüente13. Dentre as idéias que postulam, tornaram corrente a assertiva de que o Espiritismo sofreu uma significativa mudança no processo de sua transplantação para o Brasil, considerando-se que na França, onde teve origem, prevalecia a ênfase na dimensão experimental e científica da doutrina, enquanto no Brasil tornou-se dominante a feição mística, religiosa.

Cândido Procópio Camargo sustenta essa idéia já às primeiras páginas do seu livro Kardecismo e Umbanda. Neste afirma: "A ênfase no aspecto religioso da obra de Kardec constitui [...] o traço distintivo do Espiritismo brasileiro e, talvez, seja a causa de seu sucesso entre nós" (1961: 4). Afirmação que reitera adiante, quando declara:

Tanto a doutrina, como especialmente a prática espírita, ganharam no Brasil novo alento, desenvolvendo conotações e ênfases especiais que as adaptaram à realidade brasileira. A história dessa adaptação é um aspecto [...] da constituição de uma religião original entre nós. (: 8; destaques meus)

CONTINUA . . .

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domingo, 17 de janeiro de 2010

A codificação é a base e não o fim!



A codificação é a base e não o fim!

Esta questão foi colocada em uma comunidade do Orkut pelo membro Ricardo
Você pode ver aqui neste link
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=56287&tid=5423252426093302238

Bem eu entendi neste tópico, que o Ricardo pretende dizer que devemos estar abertos para aceitar as novidades que algumas obras mediúnicas revelam.
Pois, a codificação não esta completa.
O que esta em Amarelo foi o Ricardo que postou e em Verde as minhas respostas.

"O Livro dos Espíritos não é um tratado completo do Espiritismo; não faz senão colocar-lhe as bases e os pontos fundamentais, que devem se desenvolver sucessivamente pelo estudo e pela observação."
Revista Espírita - Julho de 1866

O que Kardec queria afirmar com isso? Vamos estudar.

Em 1857 – Em 18 de abril é publicado a primeira edição de “O Livro dos Espíritos” contendo quinhentas e uma perguntas. No momento de publica-lo Rivail adotou o pseudônimo de Allan Kardec. O livro foi publicado pelo livreiro Edouar Henri Justin Dentu, com tiragem inicial de 1200 exemplares. (Palais Royal, Galérie d’Orleans, 13 – Paris)
1858 – Em 01 de janeiro saía à rua o primeiro número da “Revue Spirite”.
Em 1859 – Lançamento do livro “O que é o Espiritismo”
Em 1860 – Lançamento da 2ª edição de “O Livro dos Espíritos”, com 1019 perguntas.
Em 1861)O LIVRO DOS MÉDIUNS
Em 1864)O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
Em 1865)O CÉU E O INFERNO

Em 1866 Kardec afirma que "O LIVRO DOS ESPIRITOS" não é um tratado completo de Espiritismo. “ Veja bem o livro dos espíritos” não a codificação que segundo Kardec faz parte (1. O que é o Espiritismo; 2. O Livro dos Espíritos; 3. O Livro dos Médiuns; 4º) A Revista Espírita) Veremos isso mais adiante.
Ele faz aquela afirmação pois tinha o LIVRO DOS MÉDIUNS, O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, O CÉU E O INFERNO e depois disso ainda venho.

Em 1868) A GÊNESE; Em 1890) OBRAS PÓSTUMAS
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“(...) enfim, porque a doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque é deduzida, pelo trabalho do homem, da observação dos fatos que os Espíritos lhe põem sob os olhos e das instruções que lhe dão, instruções que ele estuda, comenta, compara, a fim de tirar ele próprio as ilações e aplicações.”
A Gênese/ Cap.I, item 13

Aqui podemos perceber a recomendação de estudo, comentários e comparações.

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“Um último caráter da revelação espírita, a ressaltar das condições mesmas em que ela se produz, é que, apoiando-se em fatos, tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação.”
A Gênese, / Cap. I, item 55

Ou seja seguindo ao lado das ciências tudo que a ciência trouxer como fato que contradiga a doutrina esta deve aceitar.

Onde encontramos estes fatos novos?
Alguém se habilita a apresentar os últimos avanços?
Bem para quem não conhece existem um livro que dificilmente será encontrar a não ser em sebos
O livro “Experiências Psíquicas além da Cortina de Ferro”
Sheila Ostrander e Lynn Schroeder contam em seu livro Em 1968 duas pesquisadoras e jornalistas americanas, a convite de cientistas russos, na época pertencentes à URSS, percorreram a Rússia, Bulgária e Checoslováquia para estudar os programas de intensa pesquisa parapsicológica que estavam sendo realizados nestes e em outros países do bloco soviético.

“Muitas pessoas pensam, por outro lado, que O Livro dos Espíritos esgotou a série de perguntas relacionadas à moral e à filosofia; isso é um erro.”
Livro dos Médiuns / Item 343; Assuntos de estudo

Aqui é uma aula de como fazer evocações. Inicia na 343 finaliza na 347.

346. As atividades de cada sessão podem orientar-se da seguinte maneira:
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1º) Leitura das comunicações espíritas obtidas na última sessão, passadas a limpo.
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2º) Assuntos diversos: correspondência, leitura das comunicações obtidas fora das sessões, relato de fatos que interessam ao Espiritismo.
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3º) Matéria de estudo: ditados espontâneos, questões diversas e problemas morais a serem propostos aos Espíritos, evocações.
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4º) Análise: exame crítico e analítico das diversas comunicações discussão sobre os diversos problemas da ciência espírita.

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“Trazendo nossa pedra ao edifício, fizemos o que devíamos; não nos cabe ser juiz e parte, e não temos a ridícula pretensão de sermos os únicos portadores da luz; cabe ao leitor separar o bom do mau, o verdadeiro do falso.”
Livro dos médiuns / Item 35; Primeira parte

Aqui traz valiosa recomendação.
Dissemos que o Espiritismo é toda uma Ciência, toda uma Filosofia.

Quem desejar conhecê-lo seriamente deve pois, como primeira condição, submeter-se a um estudo sério e persuadir-se de que, mais do que qualquer outra ciência, não se pode aprendê-lo brincando.
Neste contexto oferece a seguinte ordem de estudo de suas obras:
1. O que é o Espiritismo;
2. O Livro dos Espíritos;
3. O Livro dos Médiuns;
4º) A Revista Espírita: Uma variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de trechos destacados que completam a exposição das duas obras precedentes, e que representa de alguma maneira a sua aplicação. Sua leitura pode ser feita ao mesmo tempo em que a daquelas obras, mas será mais proveitosa e mais compreensível sobretudo após a de O Livro dos Espíritos.
Aqui esta a verdadeira base da Doutrina recomendada por seu codificador.

"Com extrema sabedoria procedem os Espíritos superiores em suas revelações.
Não atacam as grandes questões da Doutrina senão gradualmente, à medida que a inteligência se mostra apta a compreender verdade de ordem mais elevada e quando as circunstâncias se revelam propicias à emissão de uma idéia nova.

Por isso é que logo de principio não disseram tudo, e tudo ainda hoje não disseram, jamais cedendo à impaciência dos muito afoitos, que querem os frutos antes de estarem maduros." (O evangelho segundo o espiritismo; Introdução.)

Sem duvida que a sabedoria dos espíritos e de forma gradual e isto ninguém pode negar mas o que se defende aqui ao dizer a codificação é a base e não o fim?

Que não podemos ficar presos somente na codificação pois ela não contem tudo, o que é verdadeiro mas, também é verdadeiro que a codificação é a que revela as leis do mundo espírita, e é ela que pode nos orientar sobre a veracidade sobre o que dizem certos espíritos

É a base da codificação é no sentido de estudo.
Por exemplo
A base da química é a Tabela periódica.
Permite, por exemplo, prever o comportamento de átomos e das moléculas deles formadas, ou entender porque certos átomos são extremamente reativos enquanto outros são praticamente inertes.
Permite prever propriedades como eletronegatividade, raio iônico, energia de ionização.
Dá, enfim, fazer inferências químicas plausíveis.

A Obras Básicas é a Tabela periódica da espiritualidade, a pedra de toque que podemos usar para aferir a legitimidade ou não das pedras aparentemente preciosas que os garimpeiros de novidades nos querem vender.
Essa obra repousa na experiência de Kardec e na sabedoria do Espírito da Verdade.
Bem então quero promover a estagnação do Espiritismo rejeitando as novas informações?
Bem a codificação deixa muito clara que o Espiritismo deve acompanhar a ciência e promover também suas próprias investigações, mas sempre utilizando metodologia racional e crítica.
Onde encontramos esta metodologia? No O Livro dos Médiuns.
O que não concordo é com a aceitação irrefletida e sem nenhum viés científico de todo tipo de inverdade que é jogada no meio espírita como se realidade fosse.
A verdade é que a defesa dessas novas informações fica somente no circulo dos argumentos e suposições pois, nada é provado categoricamente.

Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.
Voltaire


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sábado, 16 de janeiro de 2010

O Espiritismo e as Almas Gêmeas



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O Espiritismo e as Almas Gêmeas

No sagrado mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade.
Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência, experimentam a separação das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas que se amam mais intimamente, evolvendo umas para as outras, num turbilhão de ansiedades angustiosas, atração que é superior a todas as expressões convencionais da vida terrestre. Quando se encontram, no acervo dos trabalhos humanos, sentem-se de posse da felicidade real para os seus corações — a da ventura de sua união, pela qual não trocariam todos os impérios do mundo, e a única amargura que lhes empana a alegria é a perspectiva de uma nova separação_pela_ morte, perspectiva essa que a luz da Nova Revelação veio dissipar, descerrando para todos os espíritos, amantes do bem e da verdade, os horizontes eternos da vida.
Encontramos tal ensinamento no livro O CONSOLADOR – 16a. edição - Francisco Cândido Xavier – ditado pelo espírito Emmanuel (41a - página 185 questão 323 )

A verdade é que somos individualidades, e, como tal, não há espíritos que se complementem uns aos outros, como se por si só não fossem inteiros, um! O que existem são Espíritos com profundos laços de afinidade, que muitas vezes se encontram na vida enquanto encarnados.

A crença na alma gêmea vem da lenda de que o Criador ao fazer o homem teria percebido que sua obra estaria incompleta, teve então a idéia de retirar do próprio homem uma parte e assim criou a mulher. Desde este momento, homem e mulher vivem a busca da sua outra metade para serem felizes.

A Doutrina Espírita é taxativa em afirmar que “não existe união particular e fatal entre duas almas”, isto é, não existem almas gêmeas.

Duas almas podem ser afins, absolutamente simpáticas entre si, concordantes em interesses e tendências, mas não são complementos uma da outra. Cada ser possui uma individualidade, é único, e não necessita de um outro pedaço para se plenificar, até porque, sendo espírito imortal, poderá encontrar diversos outros espíritos e nutrir sentimentos de amor.
Onde encontramos estas informações? No O Livro dos Espíritos.

Questão 298. As almas que devam unir-se estão, desde suas origens, predestinadas a essa união e cada um de nós tem, nalguma parte do Universo, sua metade, a que fatalmente um dia reunirá?
“Não; não há união particular e fatal, de duas almas. A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categoria que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a completa felicidade.”

298. As almas que se devem unir estão predestinadas a essa união desde a sua origem, e cada um de nós tem, em alguma parte do Universo, a sua metade, à qual algum dia se unirá fatalmente?

— Não; não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre os Espíritos, mas em graus diferentes, segundo a ordem que ocupam, ou seja, de acordo com a perfeição que adquiriram: quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males humanos; da concórdia resulta felicidade completa.

299. Em que sentido se deve entender a palavra metade, de que certos Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos?

—A expressão é inexata; se um Espírito fosse a metade de outro, quando separado estaria incompleto.

300. Dois Espíritos perfeitamente simpáticos quando reunidos ficarão assim pela eternidade ou podem separar-se e unir-se a outros Espíritos?

— Todos os Espíritos são unidos entre si. Falo dos que já atingiram a perfeição. Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva, já não tem a mesma simpatia pêlos que deixou.

301. Dois Espíritos simpáticos são o complemento um do outro, ou essa simpatia é o resultado de uma afinidade perfeita?

— A simpatia que atrai um Espírito para outro é o resultado da perfeita concordância de suas tendências, de seus instintos; se um. devesse completar o outro, perderia a sua individualidade.

302. A afinidade necessária para a simpatia perfeita consiste apenas na semelhança dos pensamentos e sentimentos, ou também na uniformidade dos conhecimentos adquiridos?

— Na igualdade dos graus de elevação.

303. Os Espíritos que hoje não são simpáticos podem sê-lo mais tarde?

— Sim, todos o serão. Assim, o Espírito que está numa determinada esfera inferior, quando se. aperfeiçoar, chegará à esfera em que se encontra o outro. Seu encontro se realizará mais prontamente se o Espírito mais elevado, suportando mal as provas a que se submetera, tiver permanecido no mesmo estado.

303 – a) Dois Espíritos simpáticos podem deixar de sê-lo?

— Certamente, se um deles é preguiçoso.

Resposta de Emmanuel em atenção às objeções da editora (FEB), em relação à aparente divergência entre os textos acima:
“Meu amigo, Deus te abençoe o coração nas lutas materiais. Agradecendo o teu carinho fraterno, na colaboração amiga e sincera de sempre, peço a modificação do texto, do novo trabalho, que deverá ser apresentado nos seguintes termos:
— “Grande número de almas desencarnadas nas Ilusões da vida física, guardadas quase que integralmente no intimo, conservam-se, por algum tempo, incapazes de apreender as vibrações do plano espiritual superior, sendo conduzidas pelos seus guias e amigos redimidos às reuniões fraternas do Espiritismo evangélico, onde, sob as vistas amoráveis desses mesmos mentores do plano invisível, se processam os dispositivos da lei de cooperação e benefícios mútuos, que rege os fenômenos da vida nos dois planos.”
“Devo o pequeno equivoco observado, concedendo à matéria certos ascendentes que só pertencem ao espírito, a perturbações do método de “filtragem mediúnica”, onde o nosso pensamento foi prejudicado.
“Solicitando essa modificação, pediria a conservação, no texto, da humilde exposição relativa à tese das “almas gêmeas”, ainda que, em consciência, sejam os amigos da Casa de Ismael compelidos à apresentação de uma ressalva, em obediência à lealdade de respeitável ponto de vista. A tese, todavia, é mais complexa do que parece ao primeiro exame, e sugere mais vasta meditação às tendências do século, no capítulo do “divorcismo” e do “pansexualismo”, que a ciência menos construtiva vem lançando nos espíritos, mesmo porque, com a expressão “almas gêmeas”, não desejamos dizer “metades eternas”, e ninguém, a rigor, pode estribar-se no enunciado para desistir de veneráveis compromissos assumidos na escola redentora do mundo, sob pena de aumentar os próprios débitos, com difíceis obrigações à frente da Lei.”
Bem lembrando dos meus tempos de exercito, tinha um tenente que adorava usar uma frase que se aplica muito bem aqui.
Explica mas, não justifica. Portanto fico com Kardec.
Nota de Kardec: “A teoria das metades eternas encerra uma simples figura, representativa da união de dois Espíritos simpáticos. Trata-se de uma expressão usada até na linguagem vulgar e que se não deve tomar ao pé da letra. Não pertencem decerto a uma ordem elevada os Espíritos que a empregaram (no sentido de metades eternas - grifo nosso). Necessariamente, limitado sendo o campo de suas idéias, exprimiram seus pensamentos com os termos de que se teriam utilizado na vida corporal. Não se deve, pois, aceitar a idéia de que, criados um para o outro, dois Espíritos tenham, fatalmente, que se reunir um dia na eternidade, depois de haverem estado separados por tempo mais ou menos longo.”

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mundos Fluídicos(ROUSTAINGUISMO) 3ºparte

Mundos Fluídicos(ROUSTAINGUISMO) 3ºparte


Avaliação da "Revelação da Revelação"
Herculano Pires, em "O Verbo e a Carne", à página 56, pergunta: "Quais os motivos da penetração de Roustaing no Brasil? Como e por que ele conseguiu enraizar-se na chamada 'casa mater'? Por que nos defrontamos agora com uma recrudescência dessa pseudo-doutrina? Parece-nos que tudo se resume numa questão de formação religiosa, tendo por fundo a formação nacional brasileira e o período medieval do nosso desenvolvimento nacional. O roustainguismo chegou ao Brasil num momento crítico, quando a nossa cultura estava sendo abalada por várias infiltrações européias. Entre essas, o Espiritismo, que chegara da Franca e empolgara alguns espíritos cultos na segunda metade do século XIX. O roustainguismo se apresentou como integrado ao Espiritismo e tocava de perto a sensibilidade mística de alguns ex-católicos.

A obra trazia um grande alívio aos espíritas místicos, pois quebrava a frieza racional da obra de Kardec e restituia ao Cristo a sua condição sobrenatural.
Para homens profundamente religiosos, como Bezerra de Menezes, Antônio Luiz Sayão, Bittencourt Sampaio e outros, cujos escritos atestam o predomínio do sentimento religioso sobre a razão crítica, a obra de Roustaing surgia como uma tábua de salvação, livrando-os do racionalismo kardeciano.

Era a volta ao maravilhoso, ao Cristo místico, divino no espírito e no corpo. Dessa maneira, Roustaing devolvia a essas criaturas as ilusões perdidas da religião lírica que as embalara desde a infância.
Não é fácil compreendermos hoje o clima religioso em que o Espiritismo se desenvolveu entre nós. Houve, naturalmente, a dissidência racionalista, constituída por elementos que tendiam para o aspecto racional da doutrina.

Daí a divisão acentuada por Canuto de Abreu (na FEB) entre espíritas místicos e científicos".
Essas são as explicações racionais e imorredouras de Herculano Pires, esse grande pensador espírita, que eu não poderia deixar de citar, fazendo-as minhas.

No Esboço Histórico da Federação Espírita Brasileira, publicado em 1911, são citados os confrades que, no dia 1 º de janeiro de 1884, fundaram uma "sociedade para estudo científico do espiritismo", incorporando o jornal "O Reformador", que vinha sendo editado por Elias da Silva. Veja-se o objetivo desta Federação (mudado depois).
Anjo Ismael - Nos centros Espíritas do Rio de Janeiro, antes da Fundação da FEB, havia referências ao "Anjo Ismael", que se transferiu definitivamente para a FEB, tendo como uma das mais importantes finalidades incentivar o estudo dos Quatro Evangelhos. Propuseram que a designação dos dirigentes fosse feita pelos Espíritos, em cada sociedade espírita. Esqueciam-se eles de que a tarefa dos Espíritos é instruir-nos e aconselhar-nos, não se trasnformar em cabos eleitorais. Entretanto, não se tomou conhecimento do que consta nas "Obras Póstumas" de Kardec.

Antes de vir para a FEB, o "luminoso espírito de Ismael", para substituir o primitivo Grupo Confúcio, fundado em 1873, criou a "Sociedade Deus, Cristo e Caridade", criada a 23-3-1876 e dirigida por Bittencourt Sampaio. O Grupo Ismael também se incorporou à FEB. Foi então que a FEB tomou os Quatro Evangelhos como guia máximo no Espiritismo, de valor superior à Codificação, pois os ensinos recebidos proviriam diretamente dos próprios evangelistas, assistidos por Moisés.

A 3 de agosto de 1885, é guindado à presidência da FEB o grande espírita, médico e político dr. Adolpho Bezerra de Menezes; respeitado por todos, veio a acabar com a luta entre místicos e científicos, pacificando a Federação. Desencarnou a 11 de agosto de 1900.

Após Bezerra, pacificador e tolerante, o roustainguismo passou a imperar na FEB; para ser dirigente ou conselheiro, era preciso ser roustainguista.
A FEB proibia a realização de qualquer Congresso, no Brasil, sem seu consentimento. Mas em alguns Estados (São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, principalmente) começou-se a esboçar a libertação da ditadura febiana. Assim realizou-se, de 31 de outubro a 5 de novembro de 1948, o Congresso Brasileiro de Unificação, patrocinado pela então corajosa USE e combatido pela FEB.

Em abril de 1962, na cidade de Curitiba, realizou-se o 1 º Simpósio Espírita Centro-Sulino, com a presença das delegações de São Paulo, Paraná, Guanabara, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Tomaram-se resoluções importantes para a condução do movimento espírita no Brasil. Enfatizou-se o aspecto tríplice da Doutrina: aspectos de ciência, filosofia e religião. Alertou-se o meio espírita brasileiro "acerca da diluição progressista da conceituação doutrinária, a que os trabalhos dos movimentos paralelos podem, conscientemente ou não chegar". (...) "O espírita deve evitar a adesão irrefletida ou menos avisada a movimentos ou produções literárias que direta ou indiretamente colidam com o momento espírita .

O Pacto Áureo - A 5 de outubro de 1949, realizou-se, no Rio de Janeiro, o acordo geral visando a unificação do Espiritismo no país e a criação de um Conselho Federativo Nacional apoiado por espíritas de todo o Brasil. Não foi apoiado por pensadores isolados como Herculano Pires, que escreveu: ''A USE submeteu-se ao Conselho Federativo Nacional, órgão da FEB.

A reforma estrutural da USE suicida-se num pacto de ouro, entregando-se aos rabinos do Templo". (Jornal Mensagem, dezembro de 1976)
Todos nós nos entusiasmamos com o Pacto. Esperávamos um Conselho Federativo realmente representativo de todo o Brasil, autônomo, funcionando com toda liberdade e sem compromissos com Roustaing. Não percebemos que ele era um Departamento da FEB e, como tal, a ela subordinado. Não víamos que um Conselho, representando democraticamente todas as Federações estaduais, não poderia ser subordinado a uma Federação criada e dirigida por moradores do Rio de Janeiro, intitulada "brasileira", mas sucessora de um só centro espírita.

Uma Federação dos Sindicatos dos Metalúrgicos do Brasil precisa ser formada pela união dos sindicatos de todos os Estados em Assembléia para tal convocada. Tal Federação não pode ser departamento de um Sindicato.
Uma Associação Médica Brasileira é formada por Associações dos vários estados, as quais são a ela subordinadas. Não se concebe a AMB como departamento de uma Associação Estadual.

A Confederação Brasileira de Futebol resulta da união das federações estaduais de futebol. Não teria cabimento a CBF ser um departamento do São Paulo Futebol Clube, ou do Vasco da Gama.
Pois bem. O Conselho Federativo Nacional, que congrega as entidades espíritas de todos os Estados do Brasil, é subordinado à FEB. Seus membros não têm a menor autonomia. Seria triste, se não fosse ridículo.

Terminamos este capítulo com as corajosas palavras de Herculano: "É dever dos espíritas sinceros combater a mistificação roustainguista neste alvorecer da Era Espírita no Brasil. Ou arrancamos o joio da seara ou seremos coniventes na deturpação doutrinária, que continua maliciosamente a ser feita.

O Cristo agênere é a ridicularização do Espiritismo, que se transforma num processo de deturpação mitológica do Cristianismo. A doutrina do futuro nega-se a si mesma e mergulha nas trevas mentais do passado. O homem espírita verdadeiro e esclarecido converte-se no homem da era ante-cristã, no crente simplório das velhas mitologias". (O Verbo e a Carne, página 60)
Esta é a nossa posição, apoiado nas Obras Básicas de Allan Kardec e nos estudos de seus mais fiéis seguidores, contra o roustainguismo, uma das piores deturpações do Espiritismo.
Ary Lex

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

CHICO XAVIER, UM MITO NACIONAL (III)


CHICO XAVIER, UM MITO NACIONAL (III)

A “chuva” torrencial de livros que o Espírito protetor de Chico disse que iria cair sobre sua cabeça, teve início em princípios de 1932, quando a Federação Espírita Brasileira
lançou ao público seu “Parnaso de Além Túmulo”, contendo poesias ditadas por vários
autores, que, quando no plano físico, se destacaram como grandes poetas nacionais e
internacionais.

A “chuva” se prolongou por vários anos. Sim, por vários anos, sempre com muitos raios e trovões assustadores, caindo sobre o mundo espírita. Na verdade, a partir de 1932 vieram outras, muitas outras obras psicografadas pelo médium de Pedro Leopoldo: Cartas de uma Morta, Palavras do Infinito, Crônicas de Além-Túmulo,
Emmanuel, Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho, Lira Imortal, A Caminho
da Luz, Novas Mensagens, Há 2.000 anos, 50 Anos Depois, Cartas do Evangelho, O
Consolador...

NOSSO COMENTÁRIO
Enfim foram mais de quatrocentos livros psicografados por Chico até 30 de junho de 2002, quando desencarnou! Uma verdadeira enchente literária espiritual tomou
conta das prateleiras das livrarias espíritas, dos estandes das feiras de livros, dos
simpósios, seminários, encontros e congressos realizados no Brasil. O lucro obtido com a venda dessas obras psicografadas reverteu todo em favor da Federação Espírita
Brasileira, a quem o médium fez a doação dos direitos autorais.

E assim agindo, cometeu um grande erro, porque, na verdade, não é ele o autor dos livros acima citados e sim os Espíritos que os ditaram.

De todas as obras acima citadas, a mais elogiada e, ao mesmo tempo, a mais contestada, tem sido o “Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, ditada, - pelo que consta -, pelo Espírito do célebre escritor maranhense Humberto de Campos, um dos
“imortais” da Academia Brasileira de Letras, desencarnado em 1934.

Nós somos dos que mais têm renegado essa obra. Chegamos até a publicar em 1986
um livro intitulado “BRASIL, PÁTRIA DO ANTICRISTO”.

Que motivos nos levaram a criticar e combater essa obra psicografada por Chico?
Vários: “1º - Ela coloca Jesus numa posição inferior e ridícula;
2º - Da mesma forma que os cardeais dos concílios eclesiásticos, o Mestre de Nazaré é apresentado como o Cordeiro de Deus (pág. 20);
3º - Não é verdade que foi Jesus que transplantou da Palestina para a região do Cruzeiro a árvore do seu Evangelho, como está no livro (Introdução) e sim os colonos portugueses com Frei Henrique Soares de Coimbra à frente da comitiva chefiada por Pedro Álvares Cabral;
4º - Não é verdade que João Batista Roustaing foi “auxiliar” ou “coadjutor” de
Allan Kardec e encarregado de “organizar o trabalho da fé” (pág. 176) ... e muitas outras barbaridades desse jaez!

E dizer que ainda há gente de grande gabarito intelectual e doutrinário que teima
em afirmar e, sobretudo, em querer nos convencer, categoricamente, que o Chico foi a
reencarnação de Allan Kardec!
Não foi mesmo!
Se tivesse sido, não teria aceito, passivamente, tanta bobagem.
Muito pelo contrário: teria contestado, veementemente, tudo que foi ditado pelo Espírito desse pseudo Humberto de Campos.
Teria questionado, inclusive, o Espírito do Padre Manoel da Nóbrega ou Emmanuel, seu Guia e Protetor.
Mas, para isso, para questionar e contestar, era preciso que tivesse lido e estudado a fundo as obras desse grande escritor maranhense, o que não aconteceu porque não tinha nenhum preparo intelectual.
Seus conhecimentos não ultrapassaram jamais os que adquirira nos bancos da escola
primária onde fez os primeiros estudos. Não tinha, portanto, competência intelectual
nenhuma para discutir e fazer prevalecer seus argumentos. Além disso era um tímido, um fraco que não queria saber de discussão, de entrar em confronto com ninguém, muito menos com a FEB.
Ouvia tudo calado e aceitava, passivamente, as mensagens que os Espíritos ditavam.
Dizer, como dizem muitos, que o Chico Xavier foi Allan Kardec reencarnado é
uma “besteirada” muito grande, como já afirmou alguém.

FONTE: http://www.ofrancopaladino.pro.br/

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Leitura Fundamental para o Espírita.


Leitura Fundamental para o Espírita.

Esta nova obra é mais um passo dado ao terreno das conseqüências e das aplicações do Espiritismo. Conforme seu título o indica, tem ela por objeto o estudo dos três pontos até agora diversamente interpretados e comentados: a Gênese, os milagres e as predições, em suas relações com as novas leis que decorrem da observação dos fenômenos espíritas.
Dois elementos, ou, se quiserem, duas forças regem o Universo: o elemento espiritual e o elemento material. Da ação simultânea desses dois princípios nascem fenômenos especiais, que se tornam naturalmente inexplicáveis, desde que se abstraia de um deles, do mesmo modo que a formação da água seria inexplicável, se se abstraísse de um dos seus elementos constituintes: o oxigênio e o hidrogênio.

Demonstrando a existência do mundo espiritual e suas relações com o mundo material, o Espiritismo fornece a chave para a explicação de uma imensidade de fenômenos incompreendidos e considerados, em virtude mesmo dessa circunstância, inadmissíveis, por parte de uma certa classe de pensadores. Abundam nas Escrituras esses fatos e, por desconhecerem a lei que os rege, é que os comentadores, nos
dois campos opostos, girando sempre dentro do mesmo círculo de idéias, fazendo, uns, abstração dos dados positivos da ciência, desprezando, outros, o princípio espiritual, não conseguiram chegar a uma solução racional.
Essa solução se encontra na ação recíproca do Espírito e da matéria. É exato que ela tira à maioria de tais fatos o caráter de sobrenaturais. Porém, que é o que vale mais: admiti-los como resultado das leis da Natureza, ou repeli-los? A rejeição pura e simples acarreta a da base mesma do edifício, ao passo que, admitidos a esse título, a admissão, apenas suprimindo os acessórios, deixa intacta a base. Tal a razão por que o Espiritismo conduz tantas pessoas à crença em verdades que elas antes consideravam meras utopias.

Esta obra é, pois, como já o dissemos, um complemento das aplicações do Espiritismo, de um ponto de vista especial Os materiais se achavam prontos, ou, pelo menos, elaborados desde longo tempo; mas, ainda não chegara o momento de serem publicados Era preciso, primeiramente, que as idéias destinadas a lhes servirem de base houvessem atingido a maturidade e, além disso, também se fazia mister levar em conta a oportunidade das circunstâncias.

O Espiritismo não encerra mistérios, nem teorias secretas; tudo nele tem que estar patente, a fim de que todos o possam julgar com conhecimento de causa.

Cada coisa, entretanto, tem que vir a seu tempo, para vir com segurança. Uma solução dada precipitadamente, primeiro que a elucidação completa da questão, seria antes causa de atraso do que de avanço. Na de que aqui se trata, a importância do assunto nos impuna o dever de evitar qualquer precipitação.

Antes de entrarmos em matéria, pareceu-nos necessário definir claramente os papéis respectivos dos Espíritos e dos homens na elaboração da nova doutrina. Essas considerações preliminares, que a escoimam de toda idéia de misticismo, fazem objeto do primeiro capítulo, intitulado: Caracteres da revelação espírita. Pedimos séria atenção para esse ponto, porque, de certo modo, está aí o nó da questão.
Sem embargo da parte que toca à atividade humana na elaboração desta doutrina, a iniciativa da obra pertence aos Espíritos, porém não a constitui a opinião pessoal de nenhum deles. Ela é, e não pode deixar de ser, a resultante do ensino coletivo e concorde por eles dado. Somente sob tal condição se lhe pode chamar doutrina dos Espíritos. Doutra forma, não seri mais do que a doutrina de um Espírito e apenas teria o valor de uma opinião pessoal.

Generalidade e concordância no ensino, esse o caráter essencial da doutrina, a condição mesma da sua existência, donde resulta que todo princípio que ainda não haja recebido a consagração do controle da generalidade não pode ser considerado parte integrante dessa mesma doutrina.
Será uma simples opinião isolada, da qual não pode o Espiritismo assumir a responsabilidade.

Essa coletividade concordante da opinião dos Espíritos, passada, ao demais, pelo critério da lógica, é que constitui a força da doutrina espírita e lhe assegura a perpetuidade. Para que ela mudasse, fora mister que a universalidade dos Espíritos mudasse de opinião e viesse um dia dizer o contrário do que dissera. Pois que ela tem sua fonte de origem no ensino dos Espíritos, para que sucumbisse seria necessário que os Espíritos deixassem de existir. É também o que fará que prevaleça sobre todos os sistemas pessoais, cujas raízes não se encontrampor toda a parte, como com ela se dá.
O Livro dos Espíritos só teve consolidado o seu crédito, por ser a a expressão de um pensamento coletivo, geral. Em abril de 1867, completou o seu primeiro período decenal. Nesse intervalo, os princípios fundamentais; cujas bases ele assentara, foram sucessivamente completados e desenvolvidos, por virtude da progressividade do ensino dos Espíritos. Nenhum, porém, recebeu desmentido da experiência; todos, sem exceção, permaneceram de pé, mais vivazes do que nunca, enquanto que, de todas as idéias contraditórias que alguns tentaram opor-lhe, nenhuma prevaleceu, precisamente porque, de todos os lados, era ensinado o contrário. Este o resultado característico que podemos proclamar sem vaidade, pois que jamais nos atribuímos o mérito de tal fato.

Os mesmos escrúpulos havendo presidido à redação das nossas outras obras, pudemos, com toda verdade, dizê-las: segundo o Espiritismo, porque estávamos certo da conformidade delas com o ensino geral dos Espíritos.

O mesmo sucede com esta, que podemos, por motivos semelhantes, apresentar como complemento das que a precederam, com exceção, todavia, de algumas teorias ainda hipotéticas, que tivemos o cuidado de indicar como tais e que devem ser consideradas simples opiniões pessoais, enquanto não forem confirmadas ou contraditadas, a fim de que não pese sobre a doutrina a responsabilidade delas.1
Aliás, os leitores assíduos da Revue hão tido ensejo de notar, sem dúvida, em forma de esboços, a maioria das idéias desenvolvidas aqui nesta obra, conforme o fizemos, com relação às anteriores. A Revue, muita vez, representa para nós um terreno de ensaio, destinado a sondar a opinião dos homens e dos Espíritos sobre alguns princípios, antes de os admitir como partes constitutivas da doutrina.

1Nota da Editora: Ao leitor cabe, pois, durante a leitura desta obra, distinguir a parte apresentada como complementar da Doutrina,daquela que o próprio Autor considera hipotética e pessoalmente dele.


Fonte : A Gênese

domingo, 3 de janeiro de 2010

Historia do Espiritismo continuação


O QUE É O ESPIRITISMO?

Allan Kardec, em “Obras Póstumas”, explica que nos seus estudos de espiritismo aplicou à nova ciência o método experimental, bem como o método indutivo, e jamais elaborou teorias preconcebidas; “observava cuidadosamente, comparava, deduzia conseqüências; dos efeitos procurava remontar à causa, por dedução e pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo por válida uma explicação senão quando resolvia todas as dificuldades da questão”.

Acrescenta ele: “Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações foi que os espíritos, nada mais sendo que as almas dos homens, não possuíam a plena sabedoria, nem a ciência integral; que o saber de que dispunham se circunscrevia ao grau que haviam alcançado, de adiantamento. (...) Reconhecida desde o princípio, esta verdade preservou-me do grave escolho de crer na infalibilidade dos espíritos e impediu-me de formular teorias prematuras, tendo por base o que fora dito por um ou alguns deles”.

“O simples fato da comunicação com os espíritos, dissessem eles o que dissessem, provava a existência do mundo invisível ambiente. Já era um ponto essencial, um imenso campo aberto às nossas explorações, a chave de inúmeros fenômenos até aqui inexplicados. O segundo ponto, não menos importante, era que aquela comunicação permitia que se conhecesse o estado desse mundo, seus costumes, (...).Cada espírito, em virtude de sua posição pessoal e de seus conhecimentos, me desvendava uma face daquele mundo, do mesmo modo que se chega a conhecer o estado de um país interrogando habitantes seus de todas as classes, não podendo um só, individualmente, informar-nos de tudo. Compete ao observador formar o conjunto, por meio dos documentos colhidos de diferentes lados, colecionados, coordenados e comparados uns com os outros. Conduzi-me, pois, com os espíritos, como houvera feito com os homens. Para mim, eles foram, do menor ao maior, meios de me informar, e não reveladores predestinados”.

E no seu livro “O que é o Espiritismo” o codificador explica, sumariamente:
“O espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática consiste na relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas relações”.
E conclui: "Podemos defini-lo assim: o espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal”.

CONSOLADOR

“Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito de Verdade, a quem o mundo não pode receber porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. – Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito”.
(S. João, cap. XIV v.15,16,17,26).
É o espiritismo o consolador prometido por Jesus; é o Santo Espírito — o Paracleto, que em seu nome o Pai enviou para dar ao homem o “conhecimento das coisas, fazendo que ele saiba de onde vem, para onde vai e porque está na Terra: atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança”.

Assim como Cristo disse “Não vim destruir a lei, porém, cumpri-la”, também o espiritismo diz “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução”. – “Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas desenvolve completa e explica, em termos claros e para toda a gente, o que foi dito apenas em forma alegórica”.

O espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras e alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores”.

A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação: o Novo Testamento tem-na no Cristo. O espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus,mas não tem a personificá-lo nenhuma individualidade, porque é fruto dado não por um homem, mas pelos espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra”.
Tem por divisa “Fora da caridade não há salvação”. Aos seus adeptos oferece um imperativo de iluminação: “Espíritas, amai-vos, este é o primeiro ensinamento; instruí-vos, este é o segundo”.

Doutrina Espírita — filosofia com bases científicas e conseqüências morais


Tendo aparecido numa época de emancipação e madureza intelectual, em que o homem queria saber o porquê e o como de cada coisa, o espiritismo surgiu não somente como as revelações anteriores, através de um ensino direto, mas também como fruto do trabalho da pesquisa e do livre exame, deixando ao homem o direito de submeter tudo ao cadinho da razão.

Pelo método aplicado na observação dos fatos, pelas respostas que oferece às profundas indagações do espírito humano, com reflexos inevitáveis no modo de proceder das pessoas, salienta-se que o espiritismo é uma doutrina de tríplice aspecto: científico, filosófico e moral.

No livro "O que é o Espiritismo", Allan Kardec diz-nos que «o espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que dimanam dessas mesmas relações.

1. Ciência - método científico

Os fenômenos mediúnicos, tão antigos quanto o homem à face da terra, sempre chamaram a atenção para a realidade da vida espiritual.

O espiritismo, surgindo numa época de emancipação e madureza intelectual, procedeu, na sua elaboração, da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental.

O espiritismo experimental estudou as propriedades dos fluidos espirituais e demonstrou a existência do perispírito.

A parte experimental do espiritismo está contida em «O Livro dos Médiuns», editado em Paris, França, em 1861.

2. Filosofia - novos campos para o conhecimento

As grandes questões da alma permaneceram por muito tempo encobertas pelo véu do mistério e do dogma.

A libertação do conhecimento, nos tempos modernos, permitiu ao homem questionar os princípios filosóficos dogmáticos, incapazes de resistirem ao mínimo critério de lógica.

A filosofia espírita está consubstanciada em «O Livro dos Espíritos», editado em 1857.

As bases da doutrina espírita foram estabelecidas por Allan Kardec, através da análise e seleção das comunicações dos espíritos, usando o critério da universalidade e concordância do ensino dos espíritos à luz da razão.

O espiritismo propugna pela fé raciocinada.

Os pontos fundamentais do espiritismo são: Deus; o espírito e a sua imortalidade; comunicabilidade dos espíritos; a reencarnação; pluralidade dos mundos habitados; leis morais.

3. Moral - aperfeiçoamento interior

O homem primitivo, não podendo explicar os fenômenos naturais, atribuía-os a uma potência superior, que ele passou a reverenciar, surgindo as formas primitivas de culto.

O espiritismo não tem formas exteriores de adoração, nem sacerdotes, nem liturgia.
A parte moral do espiritismo está contida em «O Evangelho Segundo o Espiritismo», editado em 1864.

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