A degeneração do Espiritismo
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*Por Dalmo Duque dos Santos*
Comparando a história do Espiritismo com a do Cristianismo Primitivo,
podemos tirar algumas conclusões importantes para...
NOSSO LAR
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"Um Universo que não foi feito para nós".
Trechos do livro "Pale Blue Dot: A Vision of the Human Future in Space" de Carl Sagan, narrado pelo mesmo. Mais especificamente, do capítulo intitulado
Um Universo que não foi feito para nós
Nossos ancestrais concebiam as origens extrapolando a partir de suas próprias experiências. Como mais poderiam fazê-lo?
Então o universo foi chocado de um ovo cósmico, ou concebido de uma congregação sexual de uma deusa mãe e um deus pai, ou foi como um produto da oficina do Criador
- talvez o último de muitas tentativas falhas.
E o Universo não era muito maior do que vemos, e não mais velho do que nossos registros escritos ou falados, e nem muito diferente do que os lugares que conhecemos.
Tendemos, em nossa cosmologia, a tornar as coisas familiares, apesar de nossos melhores esforços, não fomos muito criativos.
No Ocidente, o céu é plácido e confortável, e o inferno é parecido com o interior de um vulcão. Em muitas estórias, ambos os reinos são governados por hierarquias dominantes, liderados por deuses ou demônios.
Monoteístas falavam sobre o rei dos reis.
Em todas as culturas, imaginamos algo como nosso próprio sistema político governando o Universo, poucos acharam as similaridades suspeitas.
Então veio a ciência e nos ensinou que não somos a medida de todas as coisas, que há maravilhas inimagináveis, que o Universo não é obrigado a ajustar-se ao que consideramos confortável ou plausível.
E, novamente, se não somos importantes, nem centrais, nem a maçã dos olhos de Deus,
o que isso implica para nossos códigos morais baseados na teologia?
A descoberta de nossa verdadeira importância no Cosmos foi segurada por tanto tempo e até tal ponto que muitos traços do debate ainda persistem, às vezes com os motivos geocentristas revelados.
Então, o que realmente buscamos na filosofia e na religião?
Paliativos?
Terapia? C
Conforto?
Buscamos fábulas tranquilizadoras ou um entendimento de nossas reais circunstâncias?
Desanimarmos porque o Universo não se ajusta a nossas preferências parece infantil.
Poderia se pensar que adultos se sentiriam envergonhados em publicar tais desapontamentos, a forma elegante de fazer isso não é culpar o Universo que parece verdadeiramente sem sentido - mas culpar os meios pelos quais conhecemos o Universo, a saber, a ciência.
A ciência nos ensinou que, como temos o talento de enganarmos a nós mesmos, a subjetividade não pode reinar livre, suas conclusões derivam de interrogar a Natureza, e não são em todos os casos predestinadas a satisfazer nossos desejos.
Reconhecemos que mesmo líderes religiosos reverenciados, produtos de sua época como somos da nossa, podem ter cometido erros.
Religiões contradizem uma a outra em assuntos menores tais como se devemos colocar um chapéu ou tirá-lo ao entrar em um templo, ou se devemos comer carne e abster de porco ou o inverso, até as questões mais centrais, como se não existem deuses, um Deus ou muitos deuses.
Se você viveu há dois ou três milénios atrás, não havia vergonha em acreditar que o Universo foi feito para nós, era uma tese atrativa, consistente com tudo que conhecíamos; era o que os mais estudados entre nós ensinavam, sem restrição.
Mas descobrimos muito desde então, defender esta posição atualmente equivale a desconsiderar intencionalmente as evidências, e uma fuga do autoconhecimento.
Desejamos estar aqui por um propósito, mesmo que, apesar de muito auto-engano,
nenhum seja evidente. Nossa época tem o fardo do peso acumulado de sucessivas invalidações dos nossos conceitos.
Somos recém chegados? Vivemos no isolamento cósmico? Emergimos de micróbios e detritos?
Primatas são nossos primos? Nossos pensamentos e sentimentos não estão em nosso completo controle, podem haver seres muito mais inteligentes e diferentes em algum lugar. E além disso tudo, estamos fazendo uma bagunça em nosso planeta e nos tornando um perigo para nós mesmos. O alçapão em baixo de nossos pés se abrem. Nos encontramos em uma queda livre sem fim.
Estamos perdidos em uma grande escuridão, e não há ninguém para enviar uma equipe de resgate. Dada esta realidade tão dura, claro que somos tentados a fechar os olhos e fingir que estamos seguros e confortáveis em casa, que a queda é apenas um pesadelo.
Quando superamos nossos medos de sermos insignificantes, nos encontramos no limiar de um vasto e imponente Universo que diminui totalmente - em tempo, em espaço e em potencial - o palco arrumado e antropocêntrico de nossos ancestrais.
Olhamos através de bilhões de anos-luz no espaço para vislumbrar o Universo logo após o Big Bang, e exploramos a estrutura fina da matéria. Fitamos o núcleo de nosso planeta, e o interior ardente de nossa estrela. Lemos a linguagem genética na qual são escritas as diversas habilidades e propensões de todos os seres da Terra.
Nós descobrimos capítulos ocultos nos registros de nossa própria origem. Inventamos e refinamos a agricultura, sem a qual quase todos morreríamos de fome.
Criamos medicamentos e vacinas que salvam a vida de bilhões, nos comunicamos na velocidade da luz, e viajamos ao redor da Terra em uma hora e meia.
Enviamos dúzias de naves para mais de setenta mundos, e quatro astronaves para as estrelas, para nossos ancestrais, havia muito na Natureza para se temer raios, tempestades, terremotos, vulcões, pragas, secas, invernos longos. As religiões surgiram em parte como tentativas de conciliar e controlar, se não de compreender, o aspecto desordenado da Natureza.
Quão mais satisfatório haveria sido se nos houvessem colocado em um jardim feito sob medida para nós, com seus outros ocupantes colocados lá para serem usados como nos conviesse? Há uma celebrada estória na tradição ocidental como esta,
exceto que não estava tudo a nossa disposição.
Havia uma árvore em particular na qual não devíamos tocar, a árvore do conhecimento.
Conhecimento, compreensão e sabedoria nos eram proibidos nesta estória. Devíamos permanecer ignorantes. Mas não pudemos resistir. Estávamos famintos pelo conhecimento - criados com fome, pode-se dizer. Esta foi a origem de todos nossos problemas.
Em particular, é a razão por não vivermos mais em um jardim: descobrimos demais.
Enquanto nos mantivéssemos indiferentes e obedientes, suponho, poderíamos nos consolar com nossa importância e centralidade, e dizer a nós mesmos que éramos a razão pela qual o Universo foi feito.
Como começamos a satisfazer a nossa curiosidade, entretanto, a explorar, a aprender como o Universo realmente é, nos expulsamos do Eden. Anjos com uma espada flamejante foram colocados como sentinelas nos portões do paraíso para barrar nosso retorno. Os jardineiros se tornaram exilados e peregrinos. Ocasionalmente, lamentamos aquele mundo perdido, mas isso, me parece, é melodramático e sentimental.
Não poderíamos continuar felizes sendo ignorantes para sempre. Muitas coisas no Universo parecem ter sido desenhadas, mas ao invés disso, nós repetidamente descobrimos que os processos naturais - a seleção colisional de mundos, digamos, ou a seleção natural de reservatórios genéticos, ou mesmo o padrão de convecção em uma panela de água fervendo - podem extrair ordem a partir do caos, e nos enganar a deduzir que há um propósito onde não há nenhum.
O significado de nossas vidas e de nosso frágil planeta é então determinado apenas por nossa própria sabedoria e coragem. Nós somos os guardiões do sentido da vida, ansiamos por pais que cuidem de nós, que perdoem nossos erros, que nos salvem de nossos erros infantis.
Mas conhecimento é preferível à ignorância. É muito melhor aceitar a dura verdade do que uma fábula tranquilizadora.
Se sonhamos com um propósito cósmico, então que encontremos sozinhos um objetivo digno.
A Doutrina Espírita e o Mito de Perseu.
14:40A Doutrina Espírita e o Mito de Perseu.
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Perseu foi um herói e semideus grego. Sua história começa quando Zeus, numa de suas tantas escapulidas conjugais, transformou-se em chuva de ouro e derramou-se sobre a torre onde vivia a belíssima Danea, filha do rei de Argos.
Uma antiga profecia dizia que o rei seria morto por seu neto, assim, quando Perseu, fruto da relação entre Zeus e Danea, nasceu o rei enclausurou a filha e o neto em um grande baú e lançou-os ao mar. O baú foi guiado por Zeus até a ilha de Sefiro, onde viverem durante longos anos.
Perseu tornou-se um belo e intrépido rapaz. Sua mãe casou mais tarde com o rei Polidectes. Esse vendo que Perseu era corajoso e ambicioso temeu que algum dia pudesse voltar-se contra si, então propôs aos súditos do reino um torneio, o vencedor seria aquele que trouxesse a cabeça da terrível górgona Medusa.
A Medusa era uma criatura monstruosa, o objeto da maldição da deusa Atena. Quando jovem possuía admirável beleza, mas em compensação seu caráter era por demais devassos. Certa feita Atena percebeu que a aparência de Medusa lembrava-lhe os traços, a para não permitir que sua imagem fosse associada à corrupção de Medusa, execrou-a.
Perseu, com a ajuda da deusa Atena, consegui encontrar a terrível Medusa. Para enfrentá-la valeu-se de alguns presentes especiais, asas de Hermes nas sandálias para adquirir velocidade, escudo de Atena e um capacete de invisibilidade. Numa das versões ele ainda ganha uma foice afiada do deus Hermes. Quando se deparou com a Medusa o herói não lhe contemplou diretamente a face, mas usou o escudo que era capaz de refletir perfeitamente as imagens como um espelho.
Assim, olhando indiretamente a criatura, foi capaz de desferir-lhe um golpe mortal. A cabeça da Medusa foi decepada e de dentro dela saíram duas criaturas fantásticas, Pégaso o cavalo alado e o gigante Crisaor. Ambos eram filhos de Netuno com Medusa, mas só poderiam nascer quando essa fosse morta.
Então Perseu voltou vitorioso para casa. Outro episódio marcante de sua história foi o resgate da bela Andrômeda, filha da rainha Cassiopéia. A princesa havia sido oferecida como sacrifício vivo a Cetus, um tenebroso monstro marinho (esqueça o Kraken do filme, que era nórdico e não grego). Perseu matou o monstro utilizando-se da cabeça da Medusa. Por fim casou-se com Andrômeda e voltou para sua terra natal, Argos. Seu avô ao saber do retorno do neto fugiu para Tessália.
Aconteceu que depois Perseu também se norteou para lá, a fim de participar dos jogos fúnebres do rei de Larissa, cidade da Tessália. Enquanto competia arremesso de disco, sem querer projetou o disco na direção de seu avô que se encontrava na plateia, o impacto foi mortal, cumprindo-se assim a desalentadora profecia.
A analogia
A Medusa é um arquétipo de medo.
A petrificação como resultado de seu vislumbre era a própria morte, a aniquilação total da vida. Assim como Perseu, o espírita tem que tomar uma decisão, fugir ou comprometer-se com a doutrina espírita vacinando-se contra a anemia intelectual, que é causada pela raridade dos estudos sérios, causado pela leitura excessiva de romances espiritualistas.
É lógico que debruçar o pensamento sobre si mesmo, e às vezes colocar as nossas próprias “certezas” em dúvida é uma missão perigosa e que geralmente nos petrifica. Se realmente adotamos a doutrina espírita em nossa vida não podemos nos manter tolhidos como estátuas, indiferentes ao estudo sério e continuado. Perseu não fugiu, mas também não se arrostou sem precauções.
Não mirou diretamente para a Medusa, utilizou-se do escudo para ver apenas a imagem, a representação da criatura. Esse é o papel do Livro dos Espíritos. O Livro dos Espíritos é o escudo de Atena.
Não é possível fitar diretamente os espíritos que se comunicam por via mediúnica, mas temos uma ferramenta que nos ajuda abarcar sua subjetividade.
As Obras Básicas em seu todo nos expõe as regras das boas comunicações mediúnicas.
Ela articula os conceitos para que o investigador possa trabalhar inquirir, guerrear, desembainhar a espada para o prélio do conhecimento verdadeiramente espírita. Como as asas nas sandálias O Livro dos médiuns junto com a revista espírita pode fazer o herói viajar mais rápido, na contramão dos que se conservam na letargia do senso comum espiritualista.
Pode nos fazer voar acima dos montes gelados da fantasia e do maravilhoso facilitando o desenvolvimento real da doutrina em bases racionais. A revista espírita, como a coifa de Hades, nos faz invisíveis. O homem invisível pode fazer tudo, e justamente por isso lhe pesa maior responsabilidade ética.
O homem invisível é aquele que pode de fato agir com justeza moral, pois ele não o fará pelo temor do castigo ou das exigências sociais, ele o fará porque é bom e certo fazer.
E como Perseu o espírita que estuda participa dos jogos fúnebres da sua ignorância enterrando para sempre a falta de saber e a arremessando seu disco da busca da verdade vai cumprir finalmente a profecia de Kardec que é o demarcar uma nova era para a humanidade.
Pense nisso ou continue petrificado com as fantasias mediúnicas.
Francisco Amado.


