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sexta-feira, 23 de março de 2012

Pesquisas Psíquicas na ex-União Soviética 1ªPARTE


Sobre as pesquisas psíquicas na ex-União Soviética

(1ª parte)

AIGLON FASOLO - De Londrina

Em 1968 duas pesquisadoras e jornalistas americanas, a convite de cientistas russos, na época pertencentes à URSS, percorreram a Rússia, Bulgária e Checoslováquia para estudar os programas de intensa pesquisa parapsicológica que estavam sendo realizados nestes e em outros países do blo-co soviético.
Sheila Ostrander e Lynn Schroeder contam em seu livro “Experiências Psíquicas além da Cortina de Ferro” o que descobriram. Falam de Telepatia Mental, Hipnotismo, Cura pela Fé, Pre-cognição, Psicocinese, Auras de animais (inclusive humanas) e plantas, Acupuntura, Levitação, Rabdomância etc., e o que ingenuamente denominamos “PES” (percepção extra-sensorial).
Tudo isso, pesquisado com financiamento do governo de países ditos materialistas dialéticos, ateus confessos, por isso mesmo isentos de quaisquer preconceitos religiosos. Seu único desejo, a utilização prática de poderes que todos nós possuímos, e que a ciência ocidental trata com desprezo como lenda.
O ocidental comum junta tudo o que não aprendeu a definir como espiritual ou científico numa grande cesta, depois corta em pedacinhos, para ajustar às suas preferências. Quando surgem assun-tos que não parecem se encaixar em uma explicação pragmática ou espiritual, simplesmente nega sua existência.
Assuntos como esses que antigamente eram tratados como metafísica, hoje são simplesmente “psíquicos”.
Diferentemente do que dicionários classificam como “psíquicos”, e diametralmente opostos a eles, os assuntos que aqui serão discutidos são em todos os sentidos, não somente susceptíveis de observação científica, como de investigação tecnológica. Todos eles foram investigados na União Soviética.
Quando, em 1959, o submarino atômico Náutilus da marinha americana atravessou submerso o gelo da calota polar ártica, um jornal francês noticiou que cientistas americanos haviam feito expe-riências bem sucedidas de contato telepático com base naval nos Estados Unidos, estando separados por milhares de quilômetros de distância e debaixo de uma centena de metros de gelo. A marinha americana negou veementemente que tal fato tivesse acontecido, veemência já por si só suspeita.
Este fato, entretanto, não passou despercebido aos cientistas russos, que já naquela época vi-nham fazendo algumas experiências, principalmente procurando utilidade prática, inclusive militar, para alguns conhecidos videntes e médiuns dentro da Rússia.
Enquanto o mundo ocidental ridicularizava até pesquisadores eruditos sérios (exemplo, o Dr. J. B. Rhine, o primeiro a utilizar a palavra “Parapsicologia”), na União Soviética cientistas ilustres, físicos, químicos, filósofos, sociólogos, usando dinheiro público, iniciavam estudos profundos nes-sa ciência psíquica, ocidentalmente desprezada.

PRÓLOGO

Em 1967 a telepatia pulsou em código entre Moscou e Leningrado, enquanto um sofisticado equipamento da idade espacial controlava o cérebro do receptor. Dizem os cientistas soviéticos que foram capazes de decifrar a mensagem com a ajuda das máquinas; dizem que foram capazes de transmitir palavras telepaticamente de uma mente a outra numa distância de 640 quilômetros.
Em outras partes da Rússia, revistas técnicas e universidades relataram coisas ainda mais sur-preendentes do que a telepatia verificada por computadores. Publicaram fotografias de belas luzes coloridas que tremeluziam sobre o corpo humano e em torno dele. Seria esta a "aura" de que os mé-diuns falam há tanto tempo? "Acendem-se chamas elétricas, depois luzes azuis e alaranjadas. Gran-des canais de clarões resplandecentes, roxos, ígneos. É fantástico, fascinante, um jogo misterioso — um mundo de fogo!" - bradavam cientistas geralmente circunspectos. De acordo com os soviéticos, eles inventaram uma máquina que permite a qualquer um ver a aura lendária e colorida, normal-mente visível apenas para os médiuns.
No Báltico, geólogos soviéticos caminhavam com varas hidroscópicas; nos Urais fizeram expe-riências com a visão sem olhos; junto do Mar Negro estudaram as mãos de um médium curador. A parapsicologia, que dez anos antes não existia, entrou a florescer, de repente, em toda a URSS.
Uma cadeia inverossímil de acontecimentos levou as autoras da obra citada, durante um perío-do de três anos, a enredar-se nesse pasmoso renascimento da pesquisa psíquica num país comunista. À parte os livros, artigos, peças e poesias que cada uma delas escrevia em campos muito diferentes, durante vários anos escreveram artigos sobre a União Soviética. Uma delas percorrera extensamente a Rússia em 1961 numa excursão de estudantes graduados. Seus artigos não focalizavam a política da Cortina de Ferro, mas a vida por detrás das cortinas de rendas da Rússia de todos os dias. Se a coexistência com os soviéticos era necessária, parecia-lhes razoável tentar conhecer alguma coisa a respeito deles.
Nos jornais e revistas soviéticas puderam encontrar um material sumamente insólito sobre a vi-da na Rússia — artigos sobre fenômenos psíquicos. Cientistas soviéticos perguntavam publicamen-te: Que é o homem? Possuímos, acaso, potencialidades não usadas e não sonhadas? Poderá a parapsicologia derreter as barreiras e criar o ser humano supernormal? Tais eram as fascinantes perguntas que se liam nas publicações soviéticas.
Em 1966 a prestigiosa revista Ciência e Religião publicou um número especial, o N.° 3, sobre as pesquisas levadas então a cabo na Rússia, no campo da telepatia. Soviéticos notáveis reclama-vam novas investigações nesse campo. Entre eles figuravam: o Dr. Nikolai Semyonov, detentor de um Prêmio Nobel de Química e vice-presidente da Academia de Ciências da URSS; acadêmicos como o Dr. M. Leontovich, o Dr. A. Mints, o Dr. P. V. Rebinder, importante físico-químico; o Dr. Gleb Frank, diretor da "Cidade da Ciência" de Puschino, perto de Moscou. Filósofos marxistas ma-nifestaram-se com clareza meridiana. "Todos os que criticam a pesquisa sobre a telepatia estão ape-nas utilizando o marxismo-leninismo para amparar o seu conservantismo científico. Todos os que colocam obstáculos no caminho do progresso científico deveriam pagar por isso", trovejou o Dr. V. Tugarinov, chefe do Departamento de Filosofia da Universidade de Leningrado. (Continua no próxi-mo número.)


Sobre as pesquisas psíquicas na ex-União Soviética

(2ª parte)

Uma das causas da derrocada da família imperial russa, que culminou com a Revolução Comu-nista de 1918, foi sem dúvida nenhuma a influência exercida sobre ela pelo místico siberiano Gre-goire Ifimovitch Rasputin, que, dizia-se, era capaz de controlar mentalmente a czarina Alexandra (assim como outras pessoas, principalmente do sexo feminino). Foi também uma das causas alega-das pelo Conde Felix Yusupov para matá-lo como nos conta em seu livro “Como Matei Rasputin”.
Inegável a queda do povo russo pelas questões psíquicas, muito embora os revolucionários que transformaram a Rússia no pilar central do materialismo dialético se esforçassem por destruir essas tendências ditas pouco racionais.
Em 1940 o então todo-poderoso ditador da União Soviética Joseph Stalin convocou para uma reunião um telepata polonês, já conhecido em todo o mundo como médium de poder, que havia sido testado na época por Einstein, Freud e Gandhi. Stalin ouvira falar na capacidade que Wolf Messing tinha de projetar telepaticamente o seu pensamento no espírito de outra pessoa e, por assim dizer, de lhe controlar ou embaralhar a mente.
Planejando utilizar as faculdades peculiares do médium, Stalin ordenou uma prova direta do talento de Messing. Este teria de realizar um assalto psíquico a um banco e tirar 100.000 rublos do Gosbank de Moscou, onde ninguém o conhecia.
– Dirigi-me ao caixa e estendi-lhe um pedaço de papel em branco, arrancado de um caderno es-colar, – diz Messing. Em seguida, abriu uma pasta e colocou-a sobre o balcão. Depois, ordenou mentalmente ao caixa do banco que lhe entregasse a enorme soma de dinheiro. O idoso funcionário olhou para o pedaço de papel. Abriu o cofre e dele retirou 100.000 rublos. Messing ajeitou as notas na pasta e saiu. Foi encontrar-se com as duas testemunhas oficiais de Stalin, encarregadas da expe-riência. Depois que estas constataram que a prova tinha sido satisfatoriamente realizada, Messing voltou ao caixa. Quando começou a devolver os maços de notas, o funcionário do banco olhou para ele, olhou para o pedaço de papel em branco que ainda estava sobre a sua mesa e caiu ao chão, ví-tima de um insulto cardíaco.
Felizmente não era fatal, diz Messing.
Teríamos pensado muita coisa a respeito de Stalin, menos que fosse um pesquisador psíquico. Esses relatos extraordinários não saíram da Rússia contrabandeados, transmitidos à surdina. Os próprios soviéticos os publicaram na importante revista, “Ciência e Religião”, como parte da auto-biografia de Messing, “Sobre mim Mesmo.” O simples fato de haverem passado pelos censores po-líticos e pela política ateística oficial constitui boa prova da sua validade. Em “Sobre Mim Mesmo” Messing observa que teve muitos encontros com Stalin.
Não apenas para Stalin, mas para um vasto número de soviéticos, Wolf Grigorevich Messing foi uma criatura brilhante, uma espécie de superastro conhecido em todos os níveis da sociedade, uma figura lendária, por mais de um quarto de século. O nome é familiar até para célebres cientis-tas. O detentor russo do Prêmio Nobel de química, Dr. Nikolai Semyonov, disse em Ciência e Reli-gião, em setembro de 1966:
"È muito importante estudar cientificamente os fenômenos psíquicos de sensitivos como Wolf Messing".
Há sobejos motivos para a lenda, além do endosso "testado por Stalin".
Messing conta como tudo começou.
Sendo a família de Messing pobríssima, porém excessivamente religiosa, Wolf, aos seis anos de idade, graças à sua memória prodigiosa, conhecia muito bem o Talmude. O rabino decidiu que o garoto cursaria uma escola religiosa a fim de preparar-se para o rabinato. A família ficou entusias-mada com a oportunidade que se oferecia ao filho, mas Wolf recusou-se terminantemente a ir para a escola.
– Foi então que aconteceu o primeiro milagre em minha vida, recorda Messing. Meu pai me mandara à venda comprar um maço de cigarros. Já era lusco-fusco. A entrada da nossa casinha de madeira estava escura. Subitamente, surgiu no degrau uma figura gigantesca, escura, toda vestida de branco.
“Meu filho! Sou um mensageiro vindo lá de cima para predizer o seu futuro! Vá à escola! As suas orações agradarão ao céu!. .”.
E a visão desapareceu.
"Seria difícil transmitir a impressão que essas palavras causaram aos sentimentos nervosos e místicos de um menino", continua Messing. “Foram como o brilho do relâmpago, o troar do trovão. Caí ao chão e perdi os sentidos”.
“Quando tornei a mim, meu pai e minha mãe liam orações por mim. Lembro-me dos seus ros-tos conturbados. Mas depois que me recuperei, ficaram mais calmos. Contei-lhes o que acontecera. Fingindo tossir, papai murmurou”:
“Quer dizer que Ele quer. .”.
“Minha mãe permaneceu em silêncio”.
"Depois desse pasmoso incidente, eu não poderia continuar resis¬tindo", confessa Messing. E, obediente, foi para a escola religiosa, em outra aldeia.
O menino, porém, não se sentia feliz com uma vida de orações. Aos onze anos, com dezoito centavos no bolso, partiu para o mundo desconhecido no primeiro trem que passou por lá. Enfiou-se debaixo de um banco num vagão quase vazio e adormeceu.
Eu, naturalmente, não tinha passagem, prossegue Messing.
“Rapazinho, ainda posso ouvir-lhe a voz nos meus ouvidos, a sua passagem.. “.
"Nervosamente, tensamente, estendi-lhe um pedacinho de papel sem valor algum, arrancado de uma página de jornal. Os nossos olhos se encontraram. Com todas as minhas forças, eu quis que ele aceitasse o pedaço de papel como uma passagem. ”O chefe do trem pegou-o e, de um modo estra-nho, virou-o e revirou-o entre as mãos. Eu recuei, procurando impor a minha vontade. Ele enfiou o pedacinho de jornal entre as mandíbulas pesadas do perfu¬rador. E, devolvendo-me a "passagem", perguntou-me:
“Já que você tem passagem, por que está aí debaixo do banco? Levante-se! Dentro de duas ho-ras chegaremos a Berlim”.
"Foi a primeira vez em que se manifestaram os meus poderes de sugestão mental", declara Messing.
Em Berlim, Wolf Messing conseguiu um emprego de mensageiro no bairro judeu. Levando um embrulho para um subúrbio da cidade, um dia, desmaiou de fome numa ponte. Sem amigos, longe de casa, foi levado para um hospital. Sem pulso, sem respiração, o corpo frio, Messing foi conduzi-do ao necrotério. Teria sido enterrado numa vala comum não fora a interferência de um estudante de medicina, que notou nele um batimento cardíaco fraco, muito fraco. Era quase im¬perceptível, infreqüente, mas era um batimento.
Até como "cadáver" Messing tinha uma aura teatral. Segundo os melhores scripts de filmes de terror, o pulso e os batimentos cardíacos, gradativamente, voltaram a normalizar-se e, três dias de-pois, ele recuperou os sentidos. No hospital, o Dr. Abel, psiquiatra e neuropatologista, explicou que o seu fora um caso raríssimo de letargia.
"Não somente devo minha vida ao Dr. Abel, mas também o des¬cobrimento e o desenvolvimen-to das minhas capacidades psíquicas", es¬creve Messing em sua autobiografia.
– Você tem a capacidade da catalepsia auto-induzida, assim como a capacidade paranormal – disse-lhe Abel. A catalepsia é o gênero de vida suspensa que os iogues altamente treinados de-monstram às vezes.
O Dr. Abel inspirou a Messing a confiança em seus poderes psíquicos. Com a ajuda do Dr. S-chmidt, um colega psiquiatra, e da esposa de Schmidt, Abel exercitou Messing na telepatia. (Continua . . .)

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