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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O QUE É O CENTRO ESPIRITA.6ºPARTE




O QUE É O CENTRO ESPIRITA.6ºPARTE
Como todas as religiões primitivas são voltadas para os interesses materiais – solução de problemas materiais através de processos mágicos – a crendice popular apegou-se a essas práticas, dando enorme expansão ao sincretismo entre nós. Por outro lado, as encenações rituais criadas pelo povo, enriquecendo o nosso folclore, atraíram multidões, incluindo estrangeiros de cultura européia.

Graças a isso, já estamos exportando Umbanda, Candomblé e Quimbanda para o mundo. É uma vitória do primitivo sobre o civilizado, que traz sempre em si mesmo as raízes africanas do primitivismo.

Compreendem-se as razões de tudo isso, mas não se pode compreender que num Centro Espírita, iluminado pelas luzes da Doutrina Espírita, admita-se a introdução dessas práticas primitivas. As energias espirituais superiores, empenhadas pelos Espíritos Benevolentes nos trabalhos espíritas são muito mais poderosas do que todas as fórmulas mágicas das selvas. Não desprezamos essas práticas nem as condenamos, pois elas nos revelam as tentativas dos homens selvagens para dominar a magia da Natureza. Mas esse domínio já foi conseguido pelas Ciências, que depois de suas fase materialista já penetraram nas entranhas da matéria e atingiram a essência espiritual do homem, dos seres e das coisas.

O próprio Espiritismo, tão ferrenhamente combatido pelas Ciência, hoje está comprovado pelas conquistas cientificas do nosso século. Os dirigentes de Centros Espíritas precisam conhecer esses problemas, se quiserem realmente dirigi-los. Se insistirem na ignorância, no cultivo de suas superstições, na falta de leitura e estudo, convencidos de que tudo sabem a respeito do assunto, acabarão como o cego da parábola, caindo no barranco e levando os outros com eles ao fundo dos precipícios.

O nível mental de uma criatura civilizada não pode estar tão baixo que misture com o nível mental dos selvagens. Há, portanto, um problema grave de defasagem cultural, de desnível mental, que os espíritas precisam encarar com seriedade , em face da lei de evolução.
O Sincretismo é um retorno à mentalidade da selva. Os que a ele se entregam, geralmente por interesses inferiores, de ordem material, estão tentando regredir na sua evolução. Desse esforço retrógrado resulta sempre o efeito negativo ao atraso mental e espiritual.
Dessa maneira, o Centro Espírita infestado por essas práticas torna-se um organismo em deterioração. Vira no avesso a sua finalidade superior, apegando-se cada vez mais aos interesses passageiros da vida terrena. Admite-se a existência dos terreiros, em os homens e os espíritos ainda apegados ao primitivismo podem fazer suas experiências retardadas. Mas não se pode admitir a mistura de práticas contraditórias num local espírita.

Quem prefere o sincretismo que vá para os terreiros, mas quem sente o anseio de elevação espiritual que não se iluda com a suposta força das práticas selvagens.

Muitos alegam que nessas práticas estão presentes os espíritos. Convém lembrar que os espíritos estão por toda parte, pois são como ensina Kardec, elementos naturais, como as pedras, as plantas, os animais, mas cada qual está em seu nível de evolução.

O homem é o espírito que se elevou sobre todos os estágios naturais e atingiu os planos superiores da consciência. Sua responsabilidade espiritual, como dizia Léon Denis, é grande e pesada. No Centro Espírita a compreensão desse problema deve ser permanente, pelo menos de parte dos que o dirigem.

Ao mesmo tempo, precisamos aprofundar a nossa compreensão do problema dos negros entre nós. Os adversários do Espiritismo costumam alegar que nas práticas doutrinárias sempre aparecem espíritos de negros e índios, numa prova da condição inferior da Doutrina e do meio espírita. Podemos lembrar a influência do negro e do índio na cultura norte-americana e a supremacia do espírito negro Silver Bicher no movimento espírita inglês.

Os motivos disso são historicamente visíveis. Nós, os brancos, estabelecemos o tabu da superioridade racional do branco no mundo. Invadimos a África para explorá-la e caçar os seus filhos como bichos, submetendo-os à escravidão. Até hoje mantemos no mundo posições racistas intransigentes. Depois de séculos de exploração e humilhação do negro, abrimos mãos do colonialismo africano por motivos econômicos e após devastações e crueldades.

Não deixamos na África a herança de civilização que devíamos deixar, mas uma herança de barbárie, com que as nações africanas lutam desesperadamente. Não somos credores da África, mas devedores. É natural que os deuses negros, espíritos protetores das raças negras, tenham invadido a nossa área cristã. O que catequese branca não conseguiu fazer com negros e índios, as leis sociais da miscigenação fizeram através do sincretismo religioso.
Se não houve conversão do negro pela sujeitação da força, houver mistiçagem racial e cultural pela fusão das mitologias negra e branca. As religiões mestiças a que se referiu Euclides da Cunha em “Os Sertões“, consumaram a fusão fraterna no plano dos interesses imedialista dos dois lados.

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